O poder da empatia

3.10.17

Empatia, uma competência - e não uma emoção -  define-se pela capacidade que temos em colocar-nos no lugar do outro. Não tem nada a ver com simpatia, não tem absolutamente nada a ver com ‘ir com a cara do outro’.

Empatia pode ser, nas palavras do Diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, Doutor José Caldas de Almeida, uma espécie de compreensão do outro, conseguindo-se colocar na sua pele, recorrendo ao conhecimento que temos de nós próprios.

Eu não tenho de ter vivido num país de guerra para conseguir perceber o terror, a angústia e a ansiedade que se poderá ali viver. Na verdade, alguma vez na minha vida já me poderei ter sentido assim. Em casa, e com o meu filho adolescente, pode ser mais fácil compreender que ele bata com porta e recordar que quando eu fui adolescente também tive aquele comportamento em algum momento. Isso ajuda-me a não aceitar o comportamento que considero desadequado mas a aceitar o meu filho e tudo aquilo que é ser-se adolescente. Ou um pequeno de 4 anos que ainda está em desenvolvimento.

Ser empático, como disse, não é concordar nem ser simpático. Ser empático passa, entre outras coisas, por ser capaz de escutar o outro, acolhendo aquilo que tem para nos contar, convidando-o a sentir-se seguro junto de nós e a continuar a partilhar. E isso só é possível quando escutamos ativamente. Nas Pós-Graduações que temos desenvolvido apostamos no desenvolvimento desta capacidade de escuta que é tantas vezes negligenciada e pouco trabalhada. Acreditamos todos que sabemos escutar. Infelizmente, a verdade é outra. Sabemos ouvir. Escutar é algo mais profundo e que vai à procura das verdadeiras motivações, entrando no quadro de referência do outro. Não há certo ou errados, há motivações. E só quando conseguimos alcançar este nível de entendimento - ao qual se junta a empatia - estamos mais próximos de ajudar o outro. É que esta ajuda passa, por vezes, pelo simples facto de ajudar o outro a sentir-se importante e com valor. É mesmo assim tão simples e tão grandioso, ao mesmo tempo.


A questão é:
1) de que forma é que temos, verdadeiramente, escutado as pessoas à nossa volta?
2) de que forma conseguimos criar silêncio à nossa volta e em nós para escutarmos, sem filtros e com a máxima atenção o que nos contam?



Nem sempre é fácil. Mas sei que o treino tornam estas competências - escutar e a empatia - em algo mais natural e mais simples. É só começar.


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