"Não posso saber que o meu filho é agredido na escola e permitir que a situação continue".

20.10.18

Casos de bullying na Escola EB1/JI do Lidador, na Maia, preocupam encarregados de educação. Câmara garante que já tomou medidas.


"Não posso saber que o meu filho é agredido na escola e permitir que a situação continue". As palavras são de Sandra Mendes, 35 anos, e o tom de revolta deve-se às "várias vezes" em que o filho, de seis anos, foi agredido no recreio da EB1/JI do Lidador, na Maia. Segundo os pais, várias crianças têm passado pelo mesmo problema. Por isso, os encarregados de educação criaram o "Movimento Patrulha Recreio". Todos os intervalos, do lado de fora da escola, são os pais e os avós que zelam pela segurança das crianças. A Câmara da Maia confirmou ter conhecimento da situação e afirmou que o caso tem sido debatido com a vereadora da Educação, Emília Santos.

Não mudes!

18.10.18






Se estás a ler este livro desde o início, provavelmente já te apercebeste que nunca te peço para mudares. Quando aprendi a fazer coaching, aprendi que as pessoas supostamente, queriam mudar. No entanto, depois de ter começado a trabalhar, percebi que essa é uma ideia falsa. Quase ninguém quer mudar. Todos queremos ser aceites como somos. No máximo, aceitamos ser melhores. Na verdade, quando proponho a alguém que mude é como se lhe tivesse a dizer o que essa pessoa tem ou é e não tem valor algum, que não presta para nada. Isso é profundamente injusto e até incapacitante. Por outro lado, dependendo da situação e até das prespectivas, a verdade é que pode ser mau para uns pode ser aquilo que outra pessoa deseje. Descobre qual é a tua missão mãe/pai do teu filho. 

Podcast #1 Os 5 pilares do modelo da Escola da Parentalidade Positiva

15.10.18
Andava há anos a querer meter-me nisto dos podcasts e finalmente recebo o incentivo, o apoio e sobretudo o entusiasmo que parecia faltar - o da última turma da Pós-Graduação em Parentalidade e Educação Positivas. O facto de perceber que este espaço tinha tanto para servir e ser útil foi o que me levou a criá-lo em menos de 12 horas.

Assim sendo, vais passar a ter todas as 2ªs feiras um podcast só para ti. Vou falar sobre o tema da Parentalidade, passando por outros como livros que me inspiram e também vou fazer entrevistas entre muitos outros. Será um espaço rico e inspirador.

Podes escutar já o primeiro podcast nos links abaixo. Espero que te sejam úteis, inspiradores e que partilhes!





Outras aplicações - clicar abaixo



Sexting e pornografia online - Sabe onde anda o seu filho?

12.10.18






A ler, na íntegra, aqui


Ainda não fez 10 anos, mas em Setembro começa o 5º ano e quer um smartphone. Poucos são os pais que escapam a este pedido e a mudança de ciclo escolar, a (aparente) maior liberdade e autonomia, assim como a pressão social, parecem definir os 10/11 anos como a idade em que a maior parte das crianças recebe um telemóvel.

“Não deixa de ser curioso, ainda assim, que a disciplina de TICs seja dada apenas no 8º ano, quando os miúdos têm 13-14 anos, e muitos já manuseiam, por essa altura, todos estes gadgets e aplicações, possuindo até contas em redes sociais”, explica Tito de Morais, fundador do site http://www.miudossegurosna.net/ Estamos um pouco desfasados - quando formamos técnicos para estas disciplinas apercebemo-nos que já nasceu uma nova tendência e que temos de voltar a aprender, acrescenta o autor do livro Ciberbullying (referido na nossa secção de livros).


Se é verdade que o telemóvel permite entreter e colocar as pessoas em comunicação, também é verdade que serve para “matar” a curiosidade acerca de muitos temas que não ousamos falar e partilhar dúvidas e desejos, numa descoberta e exploração que é normal a partir da adolescência. Termos como “sexting” passam a estar na ordem do dia.



“Sexting (contração de sex e texting) é um anglicismo que se refere a divulgação de conteúdos eróticos e sensuais através de telemóveis. Inicialmente, eram mensagens de texto com conteúdo sexual explícito, mas com o avanço tecnológico tem-se aumentado o envio de fotografias e vídeos em posições sensuais ou nus, aos quais se aplica o termo nude selfie ("selfie de nudez"), ou simplesmente nude."
Definição retirada da wikipedia a 21 de Agosto 2018 -



Em entrevista à Times, Elizabeth Englander, diretora do Massachusetts Aggression Reduction Center, afirma que “com frequência, o sexting reflete a curiosidade que o adolescente sente em relação ao corpo e pode, inclusivamente, ser uma forma deste explorar o seu interesse pelo tema não estando, contudo, pronto para ter relações sexuais.” Esta autora adianta que muitos pais defendem que o sexting é algo terrível e que, ao trocarem mensagens de cariz sexual, assim como imagens “nude”, estarão a comprometer o seu futuro.


Mais do que controlar ou proibir o envio de mensagens deste cariz, os pais e a comunidade escolar precisam de se atualizar e começar a conversar a sério sobre estes assuntos. Todos eles estão relacionados com a segurança online e offline e faz parte, quer queiramos quer não, da realidade dos nossos tempos. Não há como fugir. Tudo o que é partilhado hoje em dia fica registado para sempre.


Vânia Beliz, psicóloga e sexóloga e autora do mais recente livro Chamar as coisas pelos nomes: como e quando falar sobre sexualidade, defende que “A nossa intimidade deve ser acautelada e devemos estar conscientes dos riscos que advém da sua exposição. A maior parte das vezes, partilhamos conteúdos íntimos com quem supostamente confiamos, mas perante um conflito, uma rutura, esses momentos podem sair da esfera privada, podendo até resultar em ameaças, colocando-nos em risco. Por isso, nada como termos cuidado e ao partilharmos algo mais íntimo fazermos por garantir a privacidade possível, por exemplo evitando tirar fotografias ou fazer vídeos que nos identifiquem imediatamente.”



Dicas e frases a incluir em possíveis conversas com os nossos filhos e jovens


Nenhuma mensagem deverá incluir fotografias de corpos nus;

“Se te sentires pressionada a enviar uma foto tua a alguém que te está a pedir, o que podes fazer e com quem é que podes falar e pedir conselho?”

Aproveite o contexto de uma série televisiva para falar sobre o assunto;

Mostre-lhes este artigo e conversem sobre o tema sem entrarem em detalhes pessoais que possam comprometer a continuação da conversa.

“Quando envias uma foto tua, seja ela de que tipo for, deixas de conseguir controlar o que é feito com ela. Já pensaste no que pode acontecer?”

“Imagina que estás para enviar uma imagem tua - imagina que, no dia a seguir, essa imagem está em tudo o que é sítio. Como é que achas que te vais sentir? Consegues assumir essa imagem e o seu conteúdo? Saberás lidar com os comentários que as pessoas possam fazer?”

“Não quero que partilhes fotografias de ti nua /nu porque, ao fazê-lo, podes colocar-te numa situação terrível. A tua relação com essa pessoa pode mudar ou essa pessoa pode simplesmente perder o seu telemóvel, ou ser roubado. Não vale a pena correres esse risco. E também não é aceitável partilhares ou pedires fotografias de outras pessoas, porque a podes pôr na mesma situação e isso não se faz”




Sem voz

8.10.18



O problema dela não era ser autoritária com os filhos. Era ser um coração de manteiga de má qualidade. Não sabia ser firme, nem com os filhos, nem com os outros, de uma forma geral. Via a autoridade como uma coisa má, negativa e não queria estar nesse papel. Em criança tinha aprendido a obedecer e a não se fazer ouvir. Aprendeu a esquecer-se de si e a não impor limites: afinal, para ser boa menina, tinha de fazer o que lhe mandavam. Tinha de não dar trabalho e preferia carregar o peso do que aborrecer e ser um transtorno para os outros. “Tu não me dês trabalhos”, ouvira várias vezes. E entre um “Eu? Mas não me conheces?” e um “Deus me livre que me aconteça alguma coisa que prejudique os meus pais”, lá se iam passando os dias. E, no entanto, não tem recordações de uma infância traumática nem de maus tratos. O pai nunca lhe bateu, apenas olhava para ela. Isso bastava. A mãe chegou-lhe algumas vezes e ameaçava muito, gritava e castigava. Típico de antigamente, nada de especial. Mas o certo é que, olhando hoje para trás, percebe que abafou a sua voz e hoje não tem como impor-se porque não sabe.

Hoje em dia, as guerras são com os filhos. Oscila entre a permissividade e os castigos severos mas que se desaparecem tipo fumo. Olha para as mães que são duras com os seus filhos e percebe que muitos deles se tornarão no que ela é hoje mas, ao mesmo tempo, tem a doce impressão que há menos conflitos e mais paz.

Se é assim ou não, não sabe dizer. Mas sabe que nem um nem outro lhe servem. E agora? Andar e esperar que os miúdos se endireitem? Andar e esperar que a saibam ouvir melhor?




Um estilo demasiado autoritário resulta sempre em agressão ou fuga mas nunca em paz e os efeitos podem não ser, aparentemente, assim tão traumáticos. Mas podem ser castradores. E um estilo demasiado permissivo traz angustia para as crianças e adultos. Nenhum é melhor do que o outro. Mas o simples facto de termos conhecimento disto não ajuda. É preciso agir e aprender a fazer melhor. Não apenas por nós mas sobretudo para deixar que cada criança saiba usar a sua voz para se exprimir e falar de si e do que precisa.

O tema dos limites pessoais, da coragem, do questionamento está sempre muito presente nas nossas ações. Rio de Janeiro e Porto, vamos?

cursos@parentalidadepositiva.com

As minhas Apps - versão atualizada

15.9.18
Há uns anos escrevi aqui um post acerca de Apps que me facilitam a vida. Hoje está na hora de atualizar. Há algumas que deixei de usar, outras que mantenho. Estas são as novas e espero que te ajudem tanto quanto a mim!

NOTAS 
Todos os telemóveis têm um bloco de notas. Uso e abuso do meu porque posso atualizá-lo quer no computador como no iphone. Guardo links que partilho, como as inscrições nos cursos, listas de compras que vou atualizando sempre, os menus da semana (que passei a fazer e que me tem salvo os dias!) coisas que me vou lembrando, tudo é escrito ali. Tem sido das aplicações que mais uso pela sua simplicidade.

De há uns tempos para cá tive necessidade de registar o meu ciclo menstrual, as mudanças de humor, o sono e a energia. Esta aplicação é muito interessante porque guarda tudo o que quisermos guardar e salva-me da perda de memória e do facto de me esquecer de registar estes dados na agenda em papel.

Infelizmente não encontro muitos livros para ler no Kindle mas tenho aqui meia dúzia e de vez em quando lá me vou entretendo.

Rádio online. É francesa e tem sido uma das minhas preferidas desde há uns anos. Gosto muito dos programas logo de manhã e os da tarde.

Fiz o download das aplicações de algumas lojas que gosto e vou acompanhando a moda por lá. Verdade seja dita, não tenho comprado quase nada ultimamente. Não tenho energia para ir aos shoppings ver lojas e tenho dado por mim a frequentar estes espaços apenas quando não encontro alternativa no comércio local. Estas lojas online têm-me permitido jogar melhor com o que já tenho cá em casa porque sempre me vou inspirando e criando novas possibilidades. E isso é o mais interessante de tudo!


Nunca fui uma pessoa muito visual mas sou totalmente auditiva. Mas isso não quer dizer que não possa desenvolver isto em mim. Então temos arrumado os nossos artigos por lá. Já viste?














Uma ajuda e um livro

3.8.18
Todos os dias penso e preparo conteúdo para o blogue, para as redes sociais e para os meus alunos e clientes. A minha missão, e a da Escola da Parentalidade, são muito claras: contribuir e levar mais felicidade às famílias. Eu acredito que todos merecemos vidas boas, onde as relações nos trazem maior significado. E sei que nem todos nascemos a saber estas coisas - eu aprendo todos os dias porque não nasci ensinada, pois claro.

Nesse sentido, a tua ajuda é muito importante. Chegámos a uma fase em que precisamos de entender que tipo de trabalho é preciso continuar a fazer e qual é o impacto daquilo que fazemos na tua vida. Criámos este questionário e o teu contributo é MESMO importante.

No final, vamos fazer a oferta de um livro entre as pessoas que participaram - Para de chatear a tua irmã e deixa o teu irmão em paz. Caso já o tenhas, também podemos trocar por outro. Na semana de 20 de Agosto vamos fazer isso.

O questionário está aqui!

Obrigada, desde já! Um beijinho!

Quem te avisa teu amigo é!

2.8.18


Não sei se contigo é a mesma coisa mas deve haver por aí malta que sente o mesmo que eu.

Como toda a gente, gosto de ir de férias. Também gosto de vir - só não gosto dos milhares de pendentes que se vão acumulando em cima da mesa, nos emails recebidos e nas coisas que deixei para resolver ‘depois das férias’. Dá mau resultado. Já dei por mim, várias vezes e de férias a pensar mais do que seria conveniente em tudo aquilo que tinha de fazer assim que regressasse… Nas férias!!! Conclusão: decidi que não passaria pelo mesmo desta vez.

Para além de ter uma série de textos agendados, para além de ter o cronograma até 2019 todo desenhado e controlado, também já tenho a lista de material escolar que me enviaram. Como sempre, pedi aos miúdos para confirmarem o que ainda têm, o que está bom, a precisar de recargas ou de ser renovado e a irem ver à Staples o que precisam, consultarem valores e disponibilidades. A seguir conversámos. E descobri que na Staples ainda posso encomendar os livros com 6% de desconto e portes grátis e (grande “e”) mandar forrá-los com o “colibri” sem ter de apressar os finais de dia de Setembro (que devem ser de praia, pelo andar das coisas!) não correndo mais o risco de dizer "já não há mais papel transparente e a loja já fechou!”

A minha decisão é mesmo essa - manter o sabor bom das férias mesmo quando elas terminarem e as aulas começarem. E para isso, encomendo antes de ir de férias - para não andar a pensar no que já não tenho à espera!

Quem te avisa, teu amigo é!

Texto escrito em parceria com a Staples

Espreita aqui. Vês o que consigo ver?

31.7.18


Quem viu ontem a live que fiz no instagram e no facebook ficou a saber um pouco mais sobre mim, sobre o meu percurso profissional e pessoal.

E, ao juntar todas as peças, percebes que o meu percurso é feito de tantos complementos. Não acreditas? Deixa-me mostrar-te.

Em 2005 tornei-me formadora de formadores em inteligência emocional e antes tinha feito uma série de curtas formações em gestão de equipas, liderança, comunicação assertiva, gestão de conflitos e também Estudos Europeus que é a área em que me formei. Nos anos seguintes estudei PNL, Psicologia Positiva, Higiene e saúde no trabalho, Direito laboral, Formação de formadores em igualdade de género, Comunicação e marketing. Também me certifiquei enquanto coach profissional, passei pelo curso de disciplina positiva e pela evolução emocional do cérebro da criança. E claro, sou formadora porque fiz o curso que me permite dar aulas e tive a sorte de ter trabalhado 4 anos numa empresa que me ensinou a gerir formação, construir planos de sessão, a definir objectivos como deve de ser e a saber como responder às necessidades de um tipo de público quando se constrói uma ação. E isto não tem preço!

Leio muito! Leio quase tudo o que se publica sobre desenvolvimento pessoal, parentalidade (disciplina positiva, parentalidade consciente, slow parenting, etc), minimalismo, estratégia, comunicação.

Uffff.... Muita coisa. São TODAS estas perspectivas e aprendizagens que complementam o meu percurso. Digo, com toda a certeza, que é esta pluralidade que me permite fazer o trabalho que faço. É minha intenção, em cada curso que dou, em cada comunicação publica que faço, com cada pessoa com quem me relaciono, entregar o melhor. Ensinar e inspirar. E revolucionar. A minha missão está muito clara na minha cabeça. Vou continuar a desenvolver este modelo, a passá-lo a todos os que queiram usá-lo nas suas profissões e vidas. Há imenso para fazer e há muito caminho a ser desbravado. Há muita gente para inspirar e também há muitos corações para sossegar.

Se esta manhã falava que a paixão pelo tema é o que me move para continuar a fazer o meu trabalho, a curiosidade e a certeza que faço a diferença na vida de muita gente são o grande motor. Por isso quero deixar bem claro este ponto: todo o material, textos e trabalho que realizar será sempre inovador, à frente e com a clara intenção de te provocar e inspirar - para que tu possas também fazer o mesmo contigo e com os outros. E porque não consigo ver outra forma de estar e se fazer.

Vamos! As inscrições para a pós-graduação estão abertas.
Lisboa | Porto | S. Paulo | Rio de Janeiro


Porque escolhi um professor francês para o atelier de teatro e cinema

24.7.18
'Pourquoi pas', foi a resposta que o Hugo me deu quando lhe perguntei se ele não gostaria de vir dar um atelier de teatro a Portugal, destinado a crianças entre os 9 e os 12 anos.






E assim foi: começámos a falar, a desenhar a ideia e a montar o projeto.
2017 correu muito bem e decidimos arriscar 2018 com uma novidade: incluir a vertente de cinema na própria peça. Ideia espectacular, onde se trabalharam duas dimensões e onde os miúdos puderam ser 2 personagens diferentes numa mesma peça, tornando estes 15 dias ainda mais completos. Para além disso, a escolha do tema, o enredo e a construção das personagens foi inteiramente da responsabilidade das crianças com o devido acompanhamento do professor. Em todos os momentos, os miúdos sentiram-se tidos e achados e interventivos!



A questão que deu origem à peça foi colocada logo no 1º dia 'Em que tipo de mundo gostariam de viver?' Assim nasceu Because Total, onde se misturam sonhos com a realidade dos dias e onde os miúdos podem ser quem desejam ser no futuro! Os filmes foram realizados pelo João Ribeiro, antigo aluno da Escola Árvore. Nele mostram-se os sonhos de cada um e a apresentação ganha outra dimensão. Com efeito, o João foi determinante para a realização deste projeto. Durante dois dias filmámos na rua, na praia, em casa e num armazém - e estes vídeos não poderiam ser feitos de forma amadora, caso contrário não teríamos o resultado que tivemos e iriam levar muito mais tempo. A concentração e a definição de objectivos foi crucial! Assim como a presença da Helene, no apoio com tudo o resto! Grande trabalho de equipa, é o que vos digo!



Entrevista no Porto Canal | Olá Maria




Mais do que a experiência de se fazer teatro, fica a experiência do atelier, do grupo e do trabalho desenvolvido. Durante 15 dias, o Hugo esteve com um grupo de 8 miúdos das 10h00 às 16h30. Se é verdade que é exigente trabalhar com crianças entre os 9 e os 12 anos, também é verdade que os dias se passaram com relativa tranquilidade. E é esta tranquilidade que explica a minha escolha.



Descontração e concentração antes da apresentação final



O Hugo é formado pelo reputado Conservatório Nacional Superior de Arte Dramática. Mas não é apenas a sua formação académica que lhe dá competências para trabalhar e explorar o potencial de cada miúdo. É a forma como ele trabalha com eles. Ao longo destes 15 dias vi-o relacionar-se com cada um dos alunos com imenso respeito, curiosidade por quem eles são e sem nunca ter tido uma atitude paternalista. Se parece que isto vai de si, a verdade é que nunca o vi ser condescendente nem tratar nenhuma criança como uma criança e antes como uma pessoa, por inteiro. A ver se me explico melhor. Se é verdade que ali estavam crianças, e que é necessário adaptar o trabalho, munir-se de mais paciência, também é verdade que o Hugo as tratou por igual, explorando em cada uma delas todo o seu potencial e revelando o talento de cada um (e isso viu-se na escolha das personagens).


Escolher um professor que tenha esta capacidade e visão e que reuna todas estas características é francamente difícil. Nunca correria o risco de pôr o nome da Escola num projecto, sobretudo num projecto com crianças, se não estivesse certa da pessoa com quem estou a trabalhar. E isso não tem preço. Temos muita vontade que o Hugo aprenda português mas enquanto isso não acontecer, vai continuar a ser em francês!

Para o ano há mais!

A todas as mães com um filho que não vai passar de ano...

26.6.18


Que belo texto da Sónia!


A todas as mães com um filho que não vai passar de ano...

... gostava de pedir, em primeiro lugar, que não se culpem. A culpa não tem de ser vossa. Não têm de sentir vergonha perante aquela amiga cujo filho tem tudo corrido a cincos (ou a vintes, conforme os casos). Não sintam que são menos do que ela, ou o vosso filho menos do que o dela. E mesmo que sintam, nem que seja por breves instantes, não o digam em voz alta. Não façam comparações... Não há pior do que ser comparado com alguém. Somos todos tão diferentes...
Não, a culpa não é vossa. Nem sequer tem de ser deles. O mais certo é que seja do sistema de ensino, que está de pernas para o ar, e galopa a uma velocidade vertiginosa, deixando para trás quem não tem essa rapidez toda. Que está focado nas notas de testes, nas metas curriculares, nos rankings, em vez de estar focado em premiar o desempenho, o esforço, até a cidadania e a inteligência emocional. Também pode acontecer que os vossos filhos não tenham ainda a maturidade para perceber a importânica de passar de ano, talvez não tenham feito o esforço que vocês achavam que eles deviam ter feito. Talvez então seja bom que percam este ano. Às vezes é importante dar um passo atrás, para a seguir dar dois para a frente.
A todas as mães com um filho que não vai passar de ano, gostava de dar um abraço. Ainda não passei por isso (e reforço o ainda, porque acho perfeitamente que pode vir a acontecer) mas não tenho crânios cá em casa, daqueles que só têm nota máxima a tudo e passam com distinção e vénias e salamaleques. Não. E sabem que mais: estou na maior! Eu quero que os meus filhos saibam o valor do esforço, sim, que tentem superar-se, que tentem ser sempre o melhor que conseguirem. Mas quero também que se saibam divertir. Que dêem valor ao prazer. Que saibam ser boas pessoas, que olhem para o outro com empatia, com tolerância (palavra que detesto porque implica uma certa superioridade mas agora não encontro outra), que tenham vontade de ajudar, de fazer o bem. Que saibam ter uma conversa, que saibam pensar, pôr em questão, duvidar, argumentar, que não tenham medo de enfrentar quem acham que não está certo, com educação mas com assertividade. Os meus filhos não têm grandes notas e eu consigo bem imaginar o sentimento que deve assolar uma mãe (e um pai, mas as mães têm uma tendência para se culpabilizar por tudo) quando um filho perde o ano. "Onde é que eu falhei? O que podia ter feito mais? Se pudesse voltar atrás, o que faria diferente?" Não adianta. O tempo não volta para trás e o mais certo é terem feito tudo o que era possível. O chumbo de um ano não tem absolutamente nenhuma relação com o sucesso profissional futuro dos vossos filhos. Juro. Conheci verdadeiros génios no secundário que hoje estão na merda. Pessoas com uma capacidade intelectual extraordinária mas a quem faltou esperteza, destreza, paixão, trabalho. Ou até a quem faltou a sorte, que é um factor muito subvalorizado mas que conta, e de que maneira. Mas isto para dizer que o vosso filho que agora reprova não tem de ser um adulto falhado. Está tudo em aberto. Se tudo correr bem, haverá tantos anos pela frente. Para que apanhem este comboio que virou TGV, e que para alguns é mesmo difícil apanhar.
Uma amiga perguntava ao filho que talvez vá perder o ano que castigo ele achava justo que ela lhe aplicasse. Ele respondeu de forma inteligentíssima, a provar que um chumbo não é sinónimo de burrice ou incapacidade: "Acho que ter de repetir o ano já é castigo suficiente." E é. É porque vai ver os amigos passar. Porque vai sentir nos ombros o peso do seu fracasso (que é apenas um fracasso nestes moldes de ensino, quem sabe não seria um vencedor se o sistema estivesse pensado de forma diferente?). Porque vai sentir a humilhação de ser apanhado pelos mais novos, vendo o seu grupo de amigos, da mesma idade, a jogar noutra liga. É castigo suficiente. Não é preciso mais. Ou talvez seja. Uma conversa franca. Aberta. Um abraço. A desculpabilização. Do filho e da mãe (e do pai, caso também se sinta culpado). Não é desresponsabilização. São coisas distintas. 
A todas as mães com um filho que não vai passar de ano... paciência. É lixado. Dói. Porque é um carimbo, um rótulo, porque é uma marcação de passo, porque custa dinheiro, porque traz frustração, tristeza, porque é um desencontro entre o filho que se sonhou (quando os sonhamos nunca os sonhamos a chumbar) e o filho que se concretizou. Há - exagerando um pouco - um luto que é preciso fazer desse filho sonhado. Que se faça. E que seja rápido. Porque o filho real tem um milhão de coisas boas para dar. Só ainda não chegou lá. Para o ano será melhor. 

Resiliência | Auto-Estima | Inteligência Emocional - os 3 temas dos próximos 3 llives

26.6.18

Porque motivo o auto-regulação é tão importante?

14.6.18




Quem vai lendo este blogue e também os livros que lancei, ou frequentando as nossas ações, sabe bem o quanto o tema da auto-regulação é importante para nós aqui na Escola da Parentalidade.

A auto-regulação é, nada mais, nada menos, que a escolha de um comportamento em vez de outro comportamento. Por exemplo, vou escrever este post e enquanto estiver a redigi-lo tenho o telemóvel em modo avião para manter o meu foco e não me distrair nem ser interrompida. Um outro exemplo é chegar a casa e tratar de fazer os trabalhos de casa antes de ir brincar. E por aí fora.

Com alguma frequência perguntam-me a partir de quando é que a auto-regulação pode ser ensinada às crianças. E a verdade é que os miúdos têm auto-regulação desde cedo. Quando acordam e começam a palrar ou quando aprendem a esperar pela próxima colher de sopa, quando estão cheios de fome. À medida que vão crescendo, o dia-a-dia vai oferecendo imensas oportunidades para se focarem no que é importante. Ajudar os miúdos a saberem esperar, usando a distração como forma de passar o tempo, é também uma maneira de trabalhar o foco (é mesmo!).

E porque é que é tão importante trabalhar estas competências? Vamos a isso então:

1. Auto-estima mais equilibrada
"Como assim?", perguntas tu? Ora bem, se eu me disponho a atingir um determinado objectivo e me auto-regulo e me foco passo a ter mais oportunidades de sucesso. O sucesso depende então de mim e da forma como me conduzo. Certamente haverá outros fatores mas a forma como eu respondo à situação tem uma importância enorme na minha noção de auto-capacidade e auto-estima (podes ler mais sobre auto-estima aqui). 

2. Auto-cuidado
É mesmo importante que os miúdos aprendam a tratar deles e a serem gentis com eles. Quando eu me auto-regulo, estou a escolher comportamentos também e, quando escolho bem, sem ser por impulso, então estou a fazer o melhor para mim e por mim. 

3. Regulação da ansiedade
Quando eu escolho regular-me e focar-me noutras coisas em vez de estar a criar cenários na minha cabeça ou a pensar vezes sem conta no mesmo assunto sem que isso me dê paz ou resultados, estou a regular a minha ansiedade. Para além do flagelo da falta de foco (que é generalizada e não apenas apanágio na geração mais jovem), a gestão da ansiedade é determinante para o desenvolvimento de competências sociais e para um maior bem-estar.

Como promover estes 3 pontos, diariamente?

Ponto 1 - Ajudar os miúdos a organizarem-se e a cumprirem os objectivos a que se propõem. Ajudar a pensar (mesmo que sejam situações simples e corriqueiras), criando ideias interessantes e eficazes mostrarão que parte do sucesso está na forma como se planificam as coisas e na criatividade utilizada. Pensar depende de nós e não apenas da sorte (livre arbítrio e auto-determinação).

Ponto 2 - Começa por ti e serve de exemplo. Mostra como se faz. E depois ensina os teus filhos. Como? Falando com eles, colocando boas questões e tratando-os bem. Sim, tão simples quando isto. 

Ponto 3 - Trabalha a tua própria ansiedade e a forma como respondes às situações da tua vida. Cria um ambiente de paz em tua casa. Responde baixo e com calma. Acolhe os sentimentos dos teus filhos. Cria um ambiente onde seja bom falar e partilhar os medos, os receios e também as conquistas. Todos os dias.




Atelier de teatro e cinema 2018 - jovens entre os 9 e os 12 anos | Porto

11.6.18


Ver projetos a crescerem graças ao desenvolvimento dos intervenientes tem qualquer coisa de mágico e poderoso. Foi assim no ano passado. Pela primeira vez organizámos um Atelier de Teatro intensivo (dia inteiro, durante duas semanas) para jovens entre os 9 e os 12 anos. Foi um projeto desenvolvido em conjunto com Hugo Kuchel, do Conservatório de Paris, e que nos convidou a uma dedicação imensa. Desde o desenvolvimento das ideias até à organização. Duas semanas que passaram a voar e de um ritmo super intenso!

Este ano vamos dar mais um passo e vamos acrescentar uma nova arte ao trabalho que vamos realizar: o cinema. Na viagem que fiz há uma semana a Paris, tive a possibilidade de ver a forma como o Hugo está a desenvolver este projeto e é absolutamente genial. Teatro e cinema juntos, de forma artística e, simultaneamente, de uma forma tão simples e integrativa.

O real motivo que nos fez organizar esta ação, que repetimos este ano foi escrito neste texto:

Desejo que os meus filhos sejam seguros, com uma auto-estima saudável. Que tenham confiança em si, que coloquem as costas direitas e a voz forte, sempre que precisem. E que, mesmo que possam não estar assim tão seguros, que finjam que o são.

Eu tinha 15 anos quando fiz uma formação em teatro e expressão dramática e não me esqueço o que é que essa ação de 2 semanas fez por mim! E por isso estava cheia de vontade de organizar algo semelhante através da Escola da Parentalidade.

E é com muito orgulho que trago este Atelier de teatro ao Porto. Ele será conduzido por uma das grandes promessas do teatro francês, e dirige-se a crianças entre os 9 e os 11 anos. Será realizado exclusivamente em língua francesa e terá a duração de duas semanas, conduzindo a uma apresentação do trabalho realizado.

Esta ação foi construída com dois grandes objetivos. Pretende-se que, num primeiro momento, as crianças possam descobrir a arte dramática, tomem consciência da sua sensibilidade enquanto criadores e espectadores e, num segundo momento, que possam desenvolver o seu instrumento: expressão, voz, corpo, imaginação, relação com o texto. 

O programa deste ano está aqui.
E podes efectuar a inscrição aqui.

Foi espectacular este atelier de teatro! Foi engraçado e divertido, em suma, aconselho toda a gente a ir. Não faltam atuações e jogos dramáticos.
Marie, 9 anos e meio



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