Conflitos Entre Irmãos

10.10.19





Quando os meus filhos se pegam eu vou lá e ajudo-os sempre que vejo que tenho de intervir. Sou empática, procuro ser imparcial e colocá-los no lugar do outro. Mas fico chateada quando, por exemplo, pergunto ao mais velho "Como é que tu te sentirias se a tua irmã fizesse o mesmo?" e ele me responde 'Bem!" ou não me responde nada. É incapaz de ser empático e de mostrar remorso.
O que é que devo fazer a seguir?'

Falar Sobre Assuntos Difíceis

3.10.19

É fundamental que possamos falar sobre todas estas coisas com os nossos filhos. Sem medos e sem pensarmos que ao não falarmos eles não vão tomar consciência nem compreenderão do valor real das coisas.
Os miúdos percebem as coisas, sentem que algo está errado ou menos bem. Os miúdos vêem as notícias, ouvem a rádio e escutam os comentários, mesmo quando achamos que estão distraídos.
E eles percebem as coisas à maneira deles e é aí que tens de entrar e atuar.
É determinante que possas ajudar a criança a colocar alguma ordem e lógica na informação que recolhe. E é por isso que deves falar sobre os acontecimentos para que a criança não interprete essa informação com os seus filtros e com a sua fantasia ou medos.
Por outro lado, quando falamos sobre questões delicadas estamos a passar pelo processo de racionalização o que nos deixará mais serenos.
Finalmente, não digas que é um disparate aquilo que ele sente porque ninguém escolhe o que sente (podemos gerir mas isso não é escolher).
Acolhe os sentimentos: 'estás com medo, não estás, meu amor? É normal ter medo, não faz mal. A mãe está aqui.'
Ao acolheres os sentimentos, isso é meio caminho andado para parte das questões ficarem resolvidas.

Podes ler mais sobre isto no Crianças Felizes: guia para trabalhar a auto-estima da criança e a autoridades dos pais.

The Early Catastrophe

26.9.19

Muitas vezes oiço dizer que não devemos explicar as coisas às crianças. Que muitas explicações mostram uma parte fraca nossa. Que porque somos os pais ou os educadores não temos de nos colocar nessa posição. Que devemos dizer as coisas como elas são e a seguir dar a ordem e a criança deve executar.
Estamos, creio eu, a confundir 'convencer a criança de fazer algo' com 'firmeza, justiça e certeza'. Quando eu sei o que quero e sei que o que peço é justo, tudo o que peço sai de forma clara e eu sei que não tenho de convencer os meus filhos porque vai ter de ser assim. E é essa certeza que ajuda o meu filho. E sim, a diferença pode apenas estar no tom e na intenção com que faço as coisas.

Por outro lado, e num estudo absolutamente incrível, chamado the 'Early Catastrophe' constatou-se que há um 'gap' [fosso] de 30 milhões de palavras entre as crianças cujos pais falam e explicam as coisas e aqueles em que apenas se dá ordens. Este estudo foi conduzido num grupo de crianças entre os 7 meses e os 3 anos. Sim, 3 anos! O que mostra que, muitas vezes, quando a criança ainda está a chegar à escola, já pode ter nela uma vantagem ou enorme desvantagem.
Crianças cujos pais falam mais e explicam são crianças que constroem frases mais articuladas, explicadas e argumentadas. Não é impressionante, portanto, verificar que estas crianças têm um vocabulário e um estilo comunicacional muito perto do dos seus pais.
Afinal de contas, aos 3 anos as crianças já têm tanto dentro de si. Esta é a prova que, quanto mais interagirmos com as crianças, desde pequenas [repara que o estudo começa aos 7 meses!!!] mais hipóteses elas têm de assimilar e refinar a sua arquitectura mental. O cérebro - e as neurociências provam-no - constrói-se também com o ambiente.
Seria mesmo uma catástrofe não comunicarmos mais, não explicarmos mais, não nos ligarmos mais.

Responsabilidade proteger os nossos filhos

17.9.19

Apesar de haver cada vez mais movimentos para abrandarmos a nossa vida e que nos lembram que devemos estar mais presentes no momento, continuo com a impressão que, ainda assim, muitos de nós levamos vidas cada vez mais agitadas, com imenso stress, solicitações e distrações. Mais, muitos sentem-se culpados por não conseguirem abrandar. O mesmo se passa com os nossos filhos - há cada vez mais avaliações, trabalhos de casa, solicitações. Passamos horas em trânsito e no trânsito, chegamos tantas vezes arrasados a casa e a vida parece passar sem que por ela passemos. 

É nossa responsabilidade proteger os nossos filhos destas situações que provocam danos - a forma como estamos a viver não é sustentável.
Tenho 5 pontos que me orientam e ajudam mas antes gostava que me contasses quais sao os teus. 

A FAVOR DA DESOBEDIÊNCIA

10.9.19

Será que a desobediência pode ser vista como uma virtude? Como uma coisa que é positiva?

Eu sei que há momentos em que daria imenso jeito que os nossos filhos nos obedecessem imediatamente: como quando é para fazer os trabalhos de casa, ou arrumar o quarto ou até na participação das tarefas domésticas. 
Mas acredito que se tivessemos mesmo filhos obedientes, talvez ficassemos preocupados... Se obedecem a tudo sem questionar (pelo menos com frequência), então poderiam tornar-se altamente influenciáveis noutras circunstâncias. 
Será que podemos ver a desobediência como uma virtude? Poderá ser o reflexo de valores bem enraízados numa criança? Mostrar que se sente por inteira numa relação e questiona-se porque razão deverá fazer uma certa coisa?

Acredito que sim. Repara que uma criança, jovem ou até adulto que desobedece para fazer valer os seus valores, é alguém que sabe o que está a fazer, reflecte e tem um papel ativo e não passivo! 'Fazes porque eu mando!'
'Eu fiz isso porque tu mandaste.' Neste caso, a criança transfere a responsabilidade para a pessoa que ordenou, sem ter pensado ou colocado os seus valores em causa. Ou talvez os tenha colocado mas, porque talvez esteja habituada a obedecer, poderá ter tido dificuldade em não fazer o que lhe pedem e em afirmar-se. Talvez nem se tenha conseguido escutar. 
É certo! Obedecer tem o seu lado positivo, claro que sim! Há questões que não são negociáveis embora careçam de explicação. Uma delas é a segurança dos miúdos. E também a nossa. Porque razão obedecemos a um sinal de trânsito? Pois, por causa da ordem e segurança. É necessário. Tal como é questionar a razão pela qual obedecemos e se isso faz sentido ou não. 

Expectativas

3.9.19

(...) Desse ponto de vista, então os filhos dos médicos não poderiam ficar doentes nem os filhos dos professores chumbariam de ano. Mais: um médico especialista numa determinada área nunca sofreria da doença que trata, um advogado nunca teria problemas com a lei nem um psicólogo necessitaria de apoio a esse nível. Já agora, e no meu caso específico, os meus filhos nunca poderiam fazer uma birra, nem serem desobedientes, e responderiam sempre com bons modos. 
http://mumstheboss.blogspot.pt/2017/11/expectativas-e-crencas-limitadoras.html?m=1

Escuta activa

27.8.19
Escutar ativamente é um ato de coragem porque implica que saibamos praticar uma escuta silenciosa (pensamentos e julgamentos) que respeita o outro nos seus receios, ansiedades e expectativas, sem termos de o salvar, dar sugestões ou interferir. Não é fácil, é certo, mas quando o sabemos fazer, é mágico e tranquilo. 

Resiliência

13.8.19
 1 tema | 5 posts ** Resiliência na criança *** 
Aqui ficam os 5 posts :

                                                1. Um exemplo pessoal sobre resiliência
                                                2. Afinal o que é ser-se resiliente?
                                                3. 5 dicas para trabalhar a resiliência na criança
                                                4. 5 livros para promover a literacia emocional, uma das competências 
                                                    associadas à resiliência
                                                5. A ciência por trás da resiliência 

http://mumstheboss.blogspot.pt/2017/11/1-tema-5-posts-resiliencia-na-crianca.html?m=0

Elogios Vs Reconhecimento

6.8.19
Ao longo desta semana quisemos mostrar-te como é que os elogios podem ser cheios de significado, em vez de serem potencialmente vazios e só criarem dependência.

Para que nada te falte, ficam aqui os 5 posts em jeito de compilação, para que possas fazer diferente aí por casa.

1. Definição de reconhecimento 
2. O poder do reconhecimento para a auto-estima do teu filho
3. Como se faz o elogio em vez do reconhecimento?
4. Mas eu acho que devia ter sido mais elogiada quando fui pequena...
5. Estudo: elogiar cria crianças inseguras mumstheboss.com

Feliz Dia dos Avós

26.7.19

A incrível Isabel Stilwell lançou um livro tão espectacular! Chama-se "O Frasco das memórias | Avós e netos | Ideias para fazerem juntos". #soquenao  O livro não é só para os avós. Tem ideias tão fantásticas que é impossível entregarmos este livro aos avós antes de o lermos de enfiada e experimentarmos algumas das atividades.
O livro torna-se muito rico porque ao longo das páginas a Isabel vai contando histórias e acrescentando detalhes. Por exemplo, sabias que antigamente nem todas as pessoas tinham sobrenome? E que entretanto a lei obrigou a isso?
E quando fores de lua de mel para celebrar o aniversário de casamento e os miúdos ficarem com os avós, há ideias tão giras para fazerem nesse período de tempo. É que todas as histórias de amor são tão maravilhosas e são para serem recordadas! E à noite podem sempre ficar a olhar para as estrelas e dar-lhes um nome.
O livro é tão bonito e nota-se que foi escrito com tanta ternura e doçura... como todas as avós o são.

Obrigada, Isabel! Este exemplar fica por cá para me inspirar enquanto mãe - já começo a treinar para os netos :) 

https://mumstheboss.blogspot.com/2018/06/quem-e-que-pediu-um-livro-para-os-avos.html

mumstheboss.com
parentalidadepositiva.com

Contarias a verdade ao teu filho?

9.7.19
Na minha newsletter de final de Junho partilhei a história da Babel que podes ler aqui. Esta história tinha dois pontos importantes para mim:

A forma como a Babel lidou com a situação (cancro da mamã)

A forma como escolheu viver o que se seguiu e a partilha com o filho.

Foi ponto claro para ela que ele iria saber de toda a verdade, sempre.

E no seguimento dessa newsletter, recebi um email de uma leitora que, com a sua permissão, partilho aqui. Fica o convite à reflexão.

 

Bom dia Magda,
Espero que se encontre bem.
Costumo ler e seguir tudo o que vai publicando, no tempo que tenho disponível. Comprei também os seus livros.
No entanto nunca costumo intervir/opinar. Desta vez este tema tocou-me muito e por isso decidi enviar este email, apenas para dizer que por experiência própria, é tão tão importante o que descreve:dizer a verdade, por mais que nos pareça na altura que vamos fazer os nossos filhos sofrer.

Partilho consigo o meu testemunho:

No ano passado o meu marido e pai dos meus filhos (de 5 e 8 anos) descobriu que estava gravemente doente com um tumor, com metasteses no figado. Foi extremamente agressivo e galopante.
Acabou por falecer no inicio deste ano. Foram apenas 4 meses entre estar tudo bem e tudo acabar da pior forma.
O meu marido esteve em casa sempre, a receber os cuidados paliativos e faleceu também em casa.

Por nos ter sido dado claramente o diagnóstico, por me ter sido dito a determinada altura que o meu marido tinha apenas semanas de vida, fui confrontada com o que dizer aos meus filhos!?
Eles apenas sabiam que o pai estava doente, mas frases como: "quando o pai ficar bem, vamos ...", continuavam a sair da boca deles.
Instintivamente pensei que não os devia fazer sofrer por antecipação e devia esconder-lhes a verdade.

Felizmente pedi acompanhamento psicológico, e quem nos acompanhou e ainda acompanha agora, foi claro em dizer que eu tinha de lhes dizer a verdade por mais que custasse.
Eu tive de dizer aos meus filhos que o pai estava a morrer, que a doença dele não tinha cura.
Só eu sei o quanto isto custou e doeu em todos nós. Só eu sei a violência que foi aquele dia.
Mas também só eu sei o quanto isso facilitou (se é que é possível existirem facilidades nesta situação!) todo o processo que se seguiu, e o quanto isto facilitou quando chegou o dia e eu lhes tive de dizer que o pai tinha falecido.
Nesse dia em pouco tempo (menos de 1h) a minha casa estava cheia de familiares. Pedi para que quando os meus filhos chegassem a casa e eu lhes desse a noticia estivéssemos só os 3, sem estarem sobre "os holofotes" da familia. Para eles terem o espaço que quisessem para chorar, gritar, correr, perguntar ou ficar em silencio. Eles correram os dois para o quarto onde o pai tinha estado horas antes. Ficaram ali bastante tempo, só depois quiseram estar com os avós e os tios.
Os meus filhos não foram apanhados de surpresa.
Os meus filhos sabiam a verdade!
Os meus filhos não se revoltaram comigo por não lhes ter contado.


Com a mesma verdade, expliquei aos meus filhos como ia ser o velório e o funeral, tudo o que envolvia e o que iam ver. Deixei eles decidirem se queriam ou não estar presentes e quanto tempo queriam ficar.
O mais velho quis estar algum tempo no velório. O mais novo não quis ir.
Decidiram com tranquilidade, com base na verdade.
Algumas pessoas ficaram "chocadas" por eu permitir o meu filho estar presente no velório.
Foi difícil ? Muito!! Mas tenho a certeza que agora e no futuro seria muito mais difícil se tivesse sido de outra forma.

Levei o meu filho ao velório (no dia do funeral), muito cedo, antes de chegar a familia. Ele foi apenas comigo e com a minha irmã. Teve o seu espaço sem ter de se conter ou ser "bombardeado" com abraços, perguntas, etc etc. Fiquei incrédula como ele reagiu àquilo tudo. Por exemplo descobri que o meu filho precisava realmente de estar ali. Ele sentiu necessidade de ver tudo, de tocar com as mãos, de sentir a madeira, os panos, de cheirar as flores, de ver a roupa que o pai tinha vestido, ... teve necessidade de tocar e sentir o rosto do pai (aproximou-se e afastou-se várias vezes antes de o fazer).
Depois estranhou aquela sala estar vazia e o pai estar ali "sozinho". Disse-lhe que no dia antes tinha estado uma multidão de pessoas ali, que nem cabiam na sala e ainda ocupavam o passeio e a rua do lado de fora. Disse que iam chegar mais tarde. E ele quis esperar para ver a família e os amigos do pai, muitos que nem conhecia. Quando a sala se encheu e ele se "desdobrou" a cumprimentar todas aquelas pessoas pediu-me para ir para casa.

Eu nunca iria conseguir satisfazer estas necessidades dele apenas com palavras, a contar-lhe como tinha sido.
Ficou traumatizado por isso ? Não! Pelo contrário, porque teve todas as respostas às suas perguntas, mesmo aquelas que não conseguia sequer colocar em palavras. Ficou esclarecido e tranquilo.

E mais importante ainda, teve a oportunidade de se despedir do pai da forma que sentiu necessidade, e não como eu podia considerar que era melhor. Hoje percebo isso, apesar de naquele dia só me apetecer arrancá-lo dali e poupá-lo áquilo tudo.


Agora falo com serenidade de tudo o que passámos, mas a minha serenidade surgiu só depois, a certeza de que fiz o correto também só a tive depois. Durante aqueles dias em que fui tomando estas decisões tive sempre muitas duvidas de que estava a fazer o correto.
Nesses dias temos a casa inundada de gente, dizem-nos algumas coisas acertadas (algumas pessoas que realmente nos ajudam), mas também nos dizem por vezes os maiores disparates.

No entanto considero que tive sorte (apesar de tudo o que nos aconteceu). Tive e tenho duas psicólogas que nos acompanham, que me encaminharam neste sentido. Ouço delas muito do que leio do que a Magda escreve há anos.
Decidi lhe escrever porque infelizmente há por ai muitos pais que passam por tudo isto que passei e continuo a passar (este processo ainda é uma longa caminhada). Sei que muitos terão exatamente as mesmas dúvidas e angustias que eu tive.
Muitos não terão possivelmente ninguém que lhes diga as palavras certas.

Obrigada por partilhar connosco o seu trabalho que tem sido uma preciosa ajuda na minha vida.

Beijinhos




Obrigada por leres até ao fim. A verdade, sempre a verdade, sobretudo nestes momentos, é mesmo o mais importante. O meu desejo ao partilhar este testemunho é que possa ajudar, contribuir á reflexão e que possa ser passado de mão em mão para percebermos todos o quanto a verdade e a criação de espaço pode fazer toda a diferença.
Obrigada querida M. por me ter escrito e por me ter permitido partilhar a vossa história. Que a vida vos seja doce. À sua espera para o prometido café! Um beijinho!

A calma

9.7.19
Temos sempre duas opções: perder a cabeça, reagir e “incendiar” uma sala ou respirar fundo e usar a calma como super poder. É fácil falar mas não é tão difícil quanto isso começar a fazê-lo. Experimenta!

Auto-estima e conhecimento emocional

8.7.19
Quando comecei a trabalhar o tema da parentalidade em workshops e conferências, em 2010, reparei que a principal preocupação dos pais tinha a ver com a questão da autoridade e da obediência. Alguns anos passados e fica claro que houve uma mudança. Estamos mais focados nos aspectos da auto-estima da mesma e no seu crescimento emocionalmente seguro. Na bio ou no link abaixo encontras 5 posts dedicados ao tema. Para terminar - ou começar - muito bem a semana! http://mumstheboss.blogspot.pt/2017/11/auto-estima-1tema5posts.html?m=1

Cuidado e atenção

5.7.19
"O cavalinho esta doente e eu estou a ver se ele come alguma coisa. Mas acho que por agora só quer uns miminhos..." 

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