A propósito do post do João - Pais de Quatro - este foi o texto que deixei ao post Faz mal bater às crianças?
Aqui no Mum's com direito a hiperligações.
Estou de acordo com quase tudo aquilo que escreves – que uma palmada nunca fez mal a ninguém. Não vem mal ao mundo com uma... Mesmo trabalhando na área da parentalidade positiva e fazendo o ‘walk the talk’ (ou seja, não batendo nos meus), a verdade é que não quero ser mais papista que o papa. Nesta matéria a minha posição é muito clara mas sei que há pessoas que não têm estratégias ou sabem como fazer diferente sem serem permissivas.
Desconhecia os estudos que provam que uma palmada pode ser benéfica mas conheço estudos que provam justamente o contrário. Como em tudo, há estudos para o que quisermos. E como em tudo, há meios termos.
Pais e filhos são seres humanos inteiros e iguais e a única diferença é que eles estão a aprender. A nossa missão, enquanto pais, é mesmo educá-los, fazê-los compreender quais são as regras da sociedade. E se calhar estamos a falar da mesma coisa mas educar para mim não é domesticar. Educar é humanizar. E nesta humanização encontro a tal castração de que tu falas (no sentido em que nem tudo é possível ou permitido). Educar é explicar as regras e as regras são para serem cumpridas – e a diferença entre nós e os animais é que é no cumprimento dessas regras que a vida em sociedade é possível. E são regras tão simples como não atirar a comida para o chão, como chegar a horas aos sítios, não atravessar no vermelho ou ainda não bater ou chamar nomes. Regras como obedecer a uma autoridade. E os pais são autoridade. Porque a autoridade sabe mais e protege. E quando eles começam a crescer há limites que passam a ser seguros e caem.
E é verdade que é a partir dos 7 anos que a palmada deixa de ser necessária
E porquê? Porque é nessa altura que uma grande parte dos circuítos neurais fazem conexão. E aqui está a informação que falta à maior parte de nós. O cérebro de um ser humano só fica formadinho lá pelos 20 anos. Ora se nós adultos de 30 e muitos anos temos dificuldade em nos controlarmos em muitas coisas, e já temos o cérebro todo formadinho, imagina uma criança de 2 anos que não sabe que não está bem em atirar comida para o chão ou um puto de 4 anos que não consegue gerir a frustração de não ter um determinado brinquedo. A função dos pais é ajudar a fazer essa gestão e pergunto-me se lá vamos com palmadas! Ok, vamos, claro que sim. Ali, logo ali, o puto pára e faz o que queremos. A questão é: o que é que ele aprendeu e o que é que eu lhe ensinei?
Por isso é que a questão do bater como ‘ferramenta educativa essencial’ faz-me torcer o nariz.
Se a palmada é a tal ferramenta educativa essencial, para mim só significa duas coisas:
1) Falta de respeito para com que a criança – porque bater é sempre uma falta de respeito, a quem quer que seja! Pode ver-se a palmada como a tal ferramenta educativa essencial mas antes de o ser estamos a faltar ao respeito a quem quer que seja.
2) Alguma preguiça – dá muito mas muito mais trabalho pegar na criança, explicar-lhe as coisas uma, duas ou três vezes. Dá muito mas muito mais trabalho pegar na criança e levá-la para outro quarto e conversar com ela – explicando que estamos decepcionados com a atitude dela ( e não com ela!) e procurando entender o que é que a criança tem ou o que é que lhe falta. Qualquer criança que esteja bem tem vontade de cooperar, de ajudar e não dificultar. É uma criança que se porta bem. Siiiiim, fazem birras, desafiam-nos, querem quebrar os limites mas caramba!isso é parte de ser criança. Tal como é esfolar os joelhos!
E lá está, as palmadas que mais doem são as mais injustas – claro que são – são aquelas em que nos saltou a tampa e não nos fomos capazes de controlar. E o nosso cérebro está todo formadinho! Não tivemos paciência, fomos levados ao limite. Ok, no problem, afinal somos humanos e isso é normal. Mas a bem da verdade, quem se passou fomos nós. E eu sei que há dias em que tenho mais energia e estou mais bem disposta que outros e consigo driblar o cansaço. E há outros que não...
Como expliquei na entrevista que dei para a revista Pais & Filhos, a questão da autoridade não se coloca. Os pais são quem mandam em casa. ‘O papel dos pais é estabelecer limites e regras, escutar a criança e dizer-lhe para atuar de uma determinada forma, mas explicando porquê, sem ameaças ou humilhações’. E porquê? Porque educar não é um jogo de poder.
Queres saber mais sobre Parentalidade e Educação Positivas?
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E é verdade que é a partir dos 7 anos que a palmada deixa de ser necessária
E porquê? Porque é nessa altura que uma grande parte dos circuítos neurais fazem conexão. E aqui está a informação que falta à maior parte de nós. O cérebro de um ser humano só fica formadinho lá pelos 20 anos. Ora se nós adultos de 30 e muitos anos temos dificuldade em nos controlarmos em muitas coisas, e já temos o cérebro todo formadinho, imagina uma criança de 2 anos que não sabe que não está bem em atirar comida para o chão ou um puto de 4 anos que não consegue gerir a frustração de não ter um determinado brinquedo. A função dos pais é ajudar a fazer essa gestão e pergunto-me se lá vamos com palmadas! Ok, vamos, claro que sim. Ali, logo ali, o puto pára e faz o que queremos. A questão é: o que é que ele aprendeu e o que é que eu lhe ensinei?
Por isso é que a questão do bater como ‘ferramenta educativa essencial’ faz-me torcer o nariz.
Se a palmada é a tal ferramenta educativa essencial, para mim só significa duas coisas:
1) Falta de respeito para com que a criança – porque bater é sempre uma falta de respeito, a quem quer que seja! Pode ver-se a palmada como a tal ferramenta educativa essencial mas antes de o ser estamos a faltar ao respeito a quem quer que seja.
2) Alguma preguiça – dá muito mas muito mais trabalho pegar na criança, explicar-lhe as coisas uma, duas ou três vezes. Dá muito mas muito mais trabalho pegar na criança e levá-la para outro quarto e conversar com ela – explicando que estamos decepcionados com a atitude dela ( e não com ela!) e procurando entender o que é que a criança tem ou o que é que lhe falta. Qualquer criança que esteja bem tem vontade de cooperar, de ajudar e não dificultar. É uma criança que se porta bem. Siiiiim, fazem birras, desafiam-nos, querem quebrar os limites mas caramba!isso é parte de ser criança. Tal como é esfolar os joelhos!
E lá está, as palmadas que mais doem são as mais injustas – claro que são – são aquelas em que nos saltou a tampa e não nos fomos capazes de controlar. E o nosso cérebro está todo formadinho! Não tivemos paciência, fomos levados ao limite. Ok, no problem, afinal somos humanos e isso é normal. Mas a bem da verdade, quem se passou fomos nós. E eu sei que há dias em que tenho mais energia e estou mais bem disposta que outros e consigo driblar o cansaço. E há outros que não...
Como expliquei na entrevista que dei para a revista Pais & Filhos, a questão da autoridade não se coloca. Os pais são quem mandam em casa. ‘O papel dos pais é estabelecer limites e regras, escutar a criança e dizer-lhe para atuar de uma determinada forma, mas explicando porquê, sem ameaças ou humilhações’. E porquê? Porque educar não é um jogo de poder.
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