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Afinal, porque motivo é que o pai é tão importante na vida dos filhos?

19.3.18


"Ele com o pai não faz isso". "Se fosse comigo, sabes que ele não se punha assim."

Parece que muitas crianças se comportam de forma diferente com o pai e com a mãe. E,
aqui entre nós, ainda bem que elas podem ter modelos diferentes e pessoas que são distintas na sua educação. Saem a ganhar! 
E porquê? Por vários motivos: primeiro porque aprendem a adaptar-se e a adaptarem a forma como comunicam com cada um dos interlocutores. Desta forma, ficam a saber, desde cedo, que a vida vai ser sempre assim - uma série de ajustes e adaptações a realidades e pessoas.
No final, e mesmo com tantas diferenças e estilos de fazerem as coisas, a presença do pai na vida de uma criança é fundamental. Não só porque todas as crianças merecem crescer em família (junta ou separada, mas o importante é a presença) como os próprios adultos ganham com isso.

Por isso, fui à procura de estudos que confirmam aquilo que já sabemos do senso comum e que é importante relembrarmos num dia como hoje. 

Reuni a informação que recolhi em 4 grandes pontos. Tenho a certeza que vai gostar de saber porque é que a presença do pai é, afinal, tão importante e tenho a certeza que vais querer de partilhar!

1) Relação de cumplicidade e amor que se constrói
A relação que o pai e os filhos criam é uma relação única que tem um impacto enorme na forma como a criança vai construir a experiência da sua vida.  Na verdade, a qualidade desta relação dá-nos pistas para o seu bem-estar psicológico atual e futuro e também lhe servirá de inspiração para o seu papel enquanto ser humano. Mas os estudos apontam mais do que isto: o cuidado que terá na sua vida financeira e também em relação ao cuidado com o seu corpo e mente parece ser influenciado pelo pai.

Ao contrário do que nos fizeram acreditar, o instinto paternal existe! A ciência provou, recentemente, que também o pai desenvolve esse instinto. Mais: quanto mais tempo passar com o recém nascido, entre colo, banhos e mudanças de fralda, mais este instinto se ativa. Daí que Portugal esteja de parabéns pelas medidas que envolvem o pai na parentalidade.
Podes ler mais aqui

2) Melhor relação = menores dependências
Quanto melhor for a relação com o pai, menor será a possibilidade do jovem consumir drogas. Ao que parece, quanto mais segura a criança se sente na relação com a família e, neste caso, com o pai, menor é a possibilidade de enveredar por comportamentos aditivos e delinquentes.
No caso de famílias divorciadas, é imprescindível que a criança tenha o apoio dos dois e se sinta segura em relação ao amor que cada um dos pais tem por ela. Este amor mostra-se não por palavras mas antes por gestos, por um interesse genuíno pela vida da criança e pelo carinho com que ela se sente tratada. E carinho e amor nunca estragaram uma criança. Passar tempo com a criança é pois, imprescindível, sobretudo quando se tratam de famílias separadas. A relação conjugal poderá ter terminado mas a relação parental essa não terminará.

3) Pais participativos, filhos mais inteligentes
Não quer dizer que o filho seja mais inteligente porque sai ao pai ou à mãe. Mas os resultados académicos estão largamente dependentes da presença e participação do pai na vida escolar dos filhos. Este estudo mostra-nos que quanto mais intervertido, maiores são as suas competências verbais e intelectuais. Por outras palavras, quanto mais presentes e incluídos, mais probabilidades têm os filhos de obterem melhores resultados e serem mais felizes, academicamente.

4) Modelo de futuro
Nem sempre as relações funcionam e parece haver cada vez mais família divorciadas e recompostas. O que acontece a cada família pouco importa desde que os atores principais saibam como gerirem as suas decisões e o modelo que desejam ser para os filhos.
Quanto mais memórias felizes souberem criar e quanto mais respeito, interesse e valor oferecerem nessas relações mais a criança aprende como pode fazer e continuará a confiar na estrutura família como algo a reproduzir no futuro, à sua maneira.
https://www.psychologytoday.com/blog/longing-nostalgia/201405/nostalgia-mental-time-machine 

A presença do pai na vida de cada criança é tão importante quanto a da mãe - nunca te esqueças disso! Parabéns a ti que és pai! Exerce o poder mágico que tens na vida de cada um dos teus filhos!

Este post foi oferecido aos leitores do Mum's the boss pela Sunquick - a nossa bebida de infância.
É na infância que construímos a base do nosso futuro e as nossas memórias mais importantes.

Um brinde a todos os pais! E fiquem a conhecer os novos concentrados Sunquick com 30% menos açúcar. 




Parentalidade e criatividade

17.11.17


Há uma série de características que ganhamos quando nos tornamos pais.
Ficamos mais eficientes no que toca à gestão do tempo. Aprendemos (por vezes à força) a arte do multitasking. Encantamo-nos com situações que nunca nos passaria pela cabeça. E tornamo-nos, sem dúvida nenhuma, pessoas criativas. Otimistas, também. Na verdade, considero que otimismo e criatividade andam de mãos dadas.
Há pais que me dizem que não conheço os seus filhos e que aquela estratégia não irá funcionar com ele. Pode ser! Mas o que me importa mais é que os pais não se orientem por aquela dica específica apenas mas vejam de que forma ela pode inspirá-los. O segredo está nessa adaptação à qual chamo criatividade. E como hoje é o dia da Criatividade, convido-te a andares pelo blogue e ver quais são as estratégias que te podem servir, sem que tenhas de as fazer 'by the book!'

Feliz dia!!

Novo estudo sobre a Consciência da Felicidade na Criança

9.11.17

Todos sabemos o quanto brincar é importante para uma criança mas não raras vezes levamos isto pouco a sério. É durante o processo da brincadeira que a criança se esquece de si e experimenta ser várias personagens de cada vez, testando papeis e colocando-se à prova. Dizem que a vida só tem um 'take' mas pode ter vários, para quem brinca. E para se brincar a sério, importa reunir uma série de fatores: o espaço adequado, em ordem e arrumado, brinquedos apropriados, em bom estado. E ter com quem brincar também é importante. Em relação aos brinquedos, o mais importante é usá-los! E se nos pudermos juntar à brincadeira, tanto melhor!

A Imaginarium realizou um estudo acerca da Consciência da Felicidade na Criança e as conclusões são muito interessantes (este estudo foi feito a pais de crianças até aos 8 anos)

80,4% pais interessa-se pela felicidade dos filhos e sente-se responsável por ela e 99,8% dos inquiridos sabe que passar tempo com os filhos é o mais importante. Contudo, nem sempre é fácil conciliar os tempos profissionais com os familiares e por isso o momento privilegiado e preferido é aquele que antecede a hora do dormir e em que se lê uma história.

82% destes pais admite uma relação direta entre felicidade e responsabilidade e, de facto, é fundamental que possamos ensinar as nossas crianças a olharem para a vida que vivem enquanto atores principais. Esse é um caminho que se percorre, sabendo que a criança pequena é, naturalmente, mais egocêntrica e que essas competências devem ser ensinadas sempre que possível.

76% dos portugueses sublinha a importância das relações familiares e 26% realça a aprendizagem de competências como a superação e o esforço.
No entanto 60,4% admite que os filhos são felizes mas não sabem exprimi-lo. Este é um facto natural porque crianças tão pequenas não têm léxico emocional para afirmarem o que sentem e, como vimos acima, são tendencialmente mais individualistas. Não é por mal, é mesmo assim.

Finalmente, todos os pais desejam que os filhos se sintam queridos e valorizados e lembram-se de o fazerem com regularidade.

Este estudo, sobre o qual podes ler mais aqui, reforça a importância do brincar e da relação. Um dado curioso é que os nossos filhos preferem atividades outdoors que envolvam rodas e também todas as que promovam o 'fazer de conta'. Em contrapartida, as atividades outdoors são largamente preferidas pelas crianças espanholas, num estudo semelhante, realizado pela mesma marca.



As 4 dicas que faltavam para trabalhar o vínculo ... Cenfipe - Ciclo de Connferências [Ponte de Lima]

25.3.17






E porque o prometido é devido, e no seguimento do pitch em Ponte de Lima, aqui ficam os 4 pontos que necessitamos para trabalhar o vínculo, em família:

Autorregular-se
A autorregulação é a capacidade que tenho em fazer as melhores escolhas, usando a nossa energia para aquilo que é mesmo essencial. A propósito disto, convido-te a ler este texto sobre a questão polémico do gritar ou não gritar. Vale mesmo a pena ler!



Brincar
Alguns pais não gostam particularmente de brincar com os filhos e portanto vão incentivando a que brinquem sozinhos. É inegável que brincar é importante e brincar em conjunto também. Mas o que alguns de nós não sabemos é que podemos não brincar e ainda assim participar na brincadeira, estando apenas junto da criança, sem intervir na brincadeira e apenas admirando-a. Sem distrações. Estando apenas. 
E brincar também significa desconstruir tensões, situações e outras experiências menos positivas, com um toque de humor. 
É isto que nos aproxima.

Podes ler mais aqui.



Aceitar a natureza dos nossos filhos
Sem termos necessidade de colocar etiquetas. Ele é teimoso, inseguro, brincalhão, lindo ou feio. Podes considerar que ele possa ter todas essas características mas certamente não se encerra nelas. Esta semana estive com uma mãe que disse que o filho [adolescente] era isto, aquilo e mais aquilo em casa [só descrições negativas] e que fora de casa era X, Y e Z [só coisas boas]. Então não uses etiquetas porque - sobretudo quando são pequenos - vão acreditar que o são mesmo e não terão oportunidades de mudar. E isso seria uma grande pena. Procura aqui no blogue temas sobre a Auto-Estima da Criança e como podes caminhar nesse processo de aceitação e não 'etiquetação' :)
Quando aceitamos a natureza dos nossos filhos é aí que eles têm a capacidade de sossegarem e então de caminharem para a sua melhoria e florescimento.




Oferecer o teu tempo

O nosso amor é dado em forma de tempo – por isso usa-o da melhor forma e elimina as fontes que te fazem desperdiçar o teu tempo que é mesmo precioso.
Procura estar mesmo a sério com os teus filhos. Não digo sempre mas se lhes dizes que vais brincar com eles, não leves o telemóvel atrás.
Tempo de qualidade e de quantidade... porque nenhuma relação importante se aguenta com pouco mas bom. É necessário fazer-se a manutenção da relação. Pouco, bom e de forma regular, que é quem diz, todos os dias.

Continue a ler mais informações sobre este tema, clicando aqui e subscrevendo a newsletter.


Créditos fotos: Vanessa Germano | Would You Mum

7 PONTOS ESTRATÉGICOS PARA TRABALHARES A AUTO-ESTIMA DO TEU FILHO

5.12.16

Hoje vou falar-te do vínculo – dito assim parece que vai sair daqui um texto pesado mas ‘be not afraid my friend, trust you may’.

A qualidade da relação que desenvolves com o teu filho e aquela que ele desenvolve contigo é que é o vínculo. O vínculo é a coisa mais preciosa que tens com o teu filho. Um vínculo saudável e cheio de significado é mais de meio caminho andado para que ele tenha uma boa auto-estima e que a questão da autoridade e da obediência quase nem se coloque. Não acreditas? Achas exagero? Então continua a ler que eu vou explicar.

Quando os miúdos sentem que contam para os pais, que estes os têm ‘tidos e achados’ na relação, então os miúdos vão perceber que têm valor e que são pessoas queridas pelos pais. E quando sentimos que temos valor e que há quem nos aprecie [no caso concreto os pais!] então a forma como a criança se tem em conta tem um maior valor. E a auto-estima tem a ver também [consulta aqui este quadro para conheceres os pontos que fomentam uma auto-estima saudável] com o valor que a criança sente, em relação a ela própria e essa noção melhora quando se sente amada e considerada pelos adultos mais importantes.

Por outro lado, a questão da obediência é uma falsa questão. E o que é que eu quero dizer com isto? Quero dizer que a autoridade parental não tem a ver com força e tem muito mais a ver com cooperação. Ora, ninguém coopere com ninguém, pelo menos de livre vontade, sem se sentir ligado. Vês agora onde entra a questão da qualidade do vínculo? É muito mais fácil, rápido e tranquilo o teu filho aceitar escutar-te e fazer aquilo que dizes porque te quer ajudar, porque gosta de ti e de estar contigo quando tem uma boa relação contigo do que quando é à força.

Dito isto, como é que tu podes aumentar o vínculo com eles? Ou seja, como é que podes melhorar a qualidade da tua relação com os teus filhos?



1. Partilha
É a tua família, são os teus filhos. Partilha com eles histórias – não só aquelas sobre quando eras pequen@ mas também histórias do dia-a-dia.
‘Hoje tenho mesmo de te contar a minha manhã! Parece que saiu de um filme, tu nem vais acreditar no que me aconteceu!’ Diz-lhe isto com entusiasmo, com exagero, assim meio dramático – e vais ver que ele fica agarradinho ao que lhe vais contar!
E quando partilhas as tuas coisas, ele sente que tem valor na família e não é mais um. E porque se sente valorizado, também te vai contar as coisas dele porque vai ter vontade de as partilhar.


2. Brincar
Gozar, ser palhaço, não levar tudo tão a sério. Fazer o esforço [sim, por vezes é mesmo um esforço] para ver não o lado positivo da coisa mas a piada da situação. E quanto mais treinares mais percebes que afinal nem tudo pode ser levado tãooooo a sério!


3. Boas maneiras
As boas maneiras modelam-se e também se ensinam. E sim, as boas maneiras são ensinadas desde pequeninos e fazem a diferença na relação e toda a gente fica agradada quando é bem tratada e de forma educada. Ensina ao teu filho a generosidade, a atenção ao outro, o se faz-favor e o obrigado e porque é que isto é tão importante.
E naquelas vezes em que ele te pede as coisas de forma mais ríspida, olha para ele e diz-lhe ‘hmmm… enganaste-te no tom – repete lá isso mas com aquela voz doce que só tu tens…’. E quando tu também te enganares diz-lhe e coloca o tom adequado.

4. Oferece o teu tempo
O nosso amor é dado em forma de tempo – por isso usa-o da melhor forma e elimina as fontes que te fazem desperdiçar o teu tempo que é mesmo precioso.
Procura estar mesmo a sério com os teus filhos. Não digo sempre mas se lhes dizes que vais brincar com eles, não leves o telemóvel atrás.


5. Tribo
Vocês têm frases vossas? Situações em que dizem ‘d’ahhhh!’. Têm um grito de guerra? Têm nick names? Têm segredos dos bons? Fazem partidas? Têm rituais? São uma tribo? Então comecem a fazer ‘cenas’ fixes e que dão mais sentido e significado a quem é a VOSSA família!


6. Berra Baixo

Podes ler sobre o Desafio Berra-me Baixo aqui. E podes ver o livro aqui - e não, não é a mesma coisa. A newsletter dá apoio ao livro :)

7. Caderno da Gratidão – por todos os motivos que podes ler aqui e porque ao partilharem estas coisas estão a ficar ainda mais próximos!

Finalmente, e se queres saber mais sobre a questão da auto-estima, contacta-nos. As edições deste ano da Pós-Graduação em Parentalidade e Educação Positivas já terminaram e em Janeiro abrimos a turma do Porto. Depois só para o final do ano de 2017.
cursos@parentalidadepositiva.com


O Calendário do Advento ou como celebrar o natal aos bocadinhos | A Praça | RTP 25 Nov 2015 | Programa #09

27.11.15


Foto: Stim

O que há de tão importante nos rituais e nas rotinas? E já agora, qual é a grande diferença entre um e outro?
Os rituais, as rotinas e as tradições têm uma dupla função: a primeira é a de dar previsibilidade, controlo e segurança porque, à medida que vamos crescendo, ficamos a saber que, independentemente de tudo, teremos sempre o Natal e depois a passagem de ano. A seguir vem o Carnaval e a Páscoa, e por aí fora. Em casa, sabemos que depois do banho vem o jantar e depois do jantar uma pequena brincadeira e a leitura do livro e depois… cama! E à semana sabemos que vamos para as actividades à segunda e quinta e que nuns dias são os avós que nos vão buscar e nos outros os pais.

Esta sensação de controlo e de segurança é determinante para que possamos crescer sem receios e, nos mais pequenos, torna todas as separações e transições mais fáceis.

Por outro lado, os rituais, as rotinas e as tradições reforçam a vida familiar e aumentam o vínculo entre os seus membros. Fazermos e prepararmos as rotinas, os rituais e as tradições em conjunto ajuda-nos também a celebrar e a estarmos mais próximos. São uma espécie de celebração da vida.

A grande diferença entre rotinas e rituais é que um ritual é uma espécie de rotina sagrada.



É ou não é verdade que à medida que as crianças vão crescendo, algumas vão deixando de ver tanto interesse nestas tradições e passam a não querer celebrá-las - porque são uma chatice. O que fazer? Devemos insistir?
Sim, é verdade e, se por um lado é comum vermos e ouvirmos isso, por outro lado é uma pena porque isso significa que não estamos, em parte, a saber adaptar essa celebração à nossa família. E isso é fundamental. Naturalmente que devemos insistir e devemos passar o comando aos miúdos que, ao crescerem e ao terem uma entidade muito própria quererão dar contributos, fazer pequenas alterações ou até participar com uma novidade. Quanto mais por perto se mantiverem, mais a estrutura familiar se mantém forte. Durante as semanas andamos todos a fazermos as nossas vidas mas, nesses rituais e tradições e até rotinas - como é o jantar e que é o momento do dia mais importante que temos com os nossos filhos até eles saírem de casa - eles aparecem e estão presentes.


Quais são os rituais e tradições que devemos celebrar?
A rotina mais importante que temos com os nossos filhos, até eles saírem de casa é, muito possivelmente, o jantar. Não é a leitura do livro, nem o banho porque certamente já não darei banho ao meu filho quando ele tiver 9 anos nem lerei o livro quando ele se quiser começar a deitar sozinho.
O jantar é o momento em que todos nos encontramos no final do dia, em segurança e onde, durante pelo menos uma boa meia hora ou mais estamos todos reunidos. Há rituais que não são negociáveis e este deve ser um deles - na medida do possível estarmos sempre presentes.

Depois devemos celebrar tudo aquilo que nos faça sentido.

Conheço quem celebre o Halloween, os fieis e tenha incluído uma festa de amigos no primeiro fim-de-semana de Novembro, com o objectivo de inaugurar os rituais de inverno.

Há quem celebre o S. Nicolau a 6 de Dezembro, quem inaugure o advento logo no dia 1 e que tenha tradições muito próprias nos finais de ano.


O que é que tem de tão importante o calendário do advento?
O calendário do advento, que é uma tradição Luterana, é mais uma tradição que junta as famílias e aumenta o seu vínculo. Contam-se os dias, desde o início de Dezembro, até ao Natal e antigamente fazia-se também com velas.

Aqui podem encontram um link com ideias fáceis para se fazer durante estes dias até ao Natal para que o advento seja mais do que um chocolate por dia. São actividades muito simples e fáceis de fazer porque temos todos dias muito atarefados, devolvendo ao Natal o verdadeiro sentimento de família.

Obrigada à Bárbara e à Francisca por provarem que o calendário do advento é mais que chocolates e que é uma excelente forma de se viver mais o Natal e de sermos mais família!

Finalmente, parabéns à RTP e a toda a equipa por este trabalho extraordinário que tem realizado! É um prazer enorme trabalhar com gente tão entusiasmada e feliz! Muito obrigada!



Como promover a participação da criança nas lides domésticas? | A Praça | RTP 28 Out 2015 | Programa #5

30.10.15
Este foi o tema desta semana n'A Praça. E os temas estão cada vez mais interessantes! Todas as semanas deixo aqui o link e também um texto de apoio!! Procura sempre por RTP


A resposta à questão Porque é que os miúdos não participam nas tarefas domésticas é muito clara: porque não os educamos nesse sentido. Ponto final.

É verdade que vivemos de forma diferente da dos nossos pais e ainda mais diferente da dos nossos avós. E também é verdade que não nos casamos tão cedo e estudamos até mais tarde. A nossa realidade é totalmente diferente.

Então como é que se dá a volta a tudo isto?
Os filhos são nossos e facilmente percebemos quando é que estão prontos (e desejosos) de participarem nas tarefas domésticas. Logo ali aos 18 meses eles estão prontíssimos para nos ajudarem. Podem levar a fralda para o caixote do lixo, podem ajudar a deitar fora as cascas das cenouras que descascamos ou até a arrumar as meias nas suas gavetas. E quem diz meias, diz brinquedos.

Quando colocamos os miúdos a fazerem estas tarefas connosco, então estamos a influenciá-los de uma forma muito bonita: olha para o que eu digo e olha para o que eu faço. Na verdade, não podemos nunca subestimar a nossa influência enquanto pais.


O meu filho de 2,5 anos quer ajudar-me sempre quando estou a cozinhar: a cortar, a partir a massa para cozer, a levar os pratos para a mesa. É um querido mas é muito pequeno e tenho medo que se magoe.

O mundo torna-se num sítio ainda mais interessante a partir do momento em que os miúdos se passam a deslocar sozinhos. Até ali, eles tinham tido a nossa ajuda para muita coisa. Agora que se descobrem livres, autónomos e até já se sabem exprimir, a banda sonora passa a ser ‘don’t stop me now’. Mas a verdade é que eles ainda são pequeninos e precisam muito da nossa ajuda. Quando o meu filho de 2,5 anos quer vir para o pé de mim ver a água que coze a massa ferver, está em zona perigosa. Quando ele quer ajudar a a cortar as cenouras com a faca afiada ou quer varrer mas, em vez de varrer está a sujar, pode também estar a entrar numa zona muito perigosa.

A nossa tendência natural é colocá-los para fora da nossa área de actuação. Primeiro porque é perigoso e em segundo lugar sem eles ao nosso lado, fazemos as coisas mais depressa.

Soluções:
Dar a oportunidade à criança de participar - dando-lhe uma faca de manteiga para ele cortar as cascas das cenouras; uma tigela para ele fazer a sopa para os bebés deles e deixar varrer. Compre-lhe uma vassoura e mostre-lhe como se faz. Peça-lhe para arrumar as caixas de plástico, deitaro cartão no caixote do lixo certo ou provar o arroz a ver se falta sal.

Quanto mais envolvida a criança se sentir, mais vai querer contribuir e isso passará a ser uma situação natural para a qual não necessitarás, mais tarde, de insistires. Mas por favor, insiste


O meu filho de 9 anos recusa-se a ajudar nas tarefas domésticas. Diz que não é meu empregado e que tem de ajudar. Como é que o obrigo?
É normal esta situação começar aos 6 anos inclusivamente. Primeiro porque as crianças passam a ter uma consciência de si diferente. Em seguida, porque vão copiar muitas expressões que escutam e passam a usá-las como adequadas à sua idade e maturidade. O que não é verdade. Em seguida, porque quando eram mais pequenas, foram convidadas a saírem da zona onde queriam participar. E porque aprenderam a não participar, porque não eram queridas, então agora já não querem. O que fazer?

Começar por pedir ajuda e a perguntar como é que fariam? Nestas idades os miúdos gostam de se sentirem importantes - gostam de mostrar que sabem e, se o soubermos fazer, gostarão de aprender connosco. Então, em vez de atribuirmos tarefas, podemos pedir o contributo deles - que é mais ou menos a mesma coisa mas com um grau de envolvimento diferente. Podemos pedir para compararem preços dos produtos nas lojas online, podemos organizar uma festa surpresa ao pai e envolvê-los também. De manhã, podemos passar a acordar todos mais cedo para termos tempo de deixar a cozinha arrumada e as camas feitas. E é normal que eles se esqueçam de fazer estas tarefas - não é por mal - e não podemos levar a mal. A nossa função é recordar : Filipe, a cama! João, a caneca está em cima do balcão.’ Sem andarmos de dedo em riste. E depois, naturalmente, valorizar a ajuda!

Eu vi que a tua cama ficou com os cobertores mesmo bem esticadinhos - parecia cama de hotel!

João, nem queria acreditar quando percebi que a máquina da loiça estava a lavar! Que bom, logo à noite, graças a ti, vamos ter a loiça limpa.

Ao sentirem que o seu contributo é válido, as crianças passam a querer ajudar.

Quanto mais encorajamos a competência da criança, mais ela se sente envolvida e capaz e isso promove a competência e a sua autonomia. No limite, é mesmo para isto que educamos: para termos adultos independentes, autónomos, capazes e que saibam tratar das suas vidas.



Obrigada por me ajudares a melhorar, todos os dias! Obrigada pela sugestão de temas, pela partilha de experiências! Se ainda não preencheste a tua parte, clica aqui!

Mais um vídeo cheio de conteúdo! | Porto Canal

27.10.15


A ideia de partilhar estes vídeos contigo é passar-te conhecimento. Neste falamos sobre porque razão a palmada e o castigo não funcionam e o que fazer em vez disso.

12 pontos para lidar com um adolescente | Pais & Alunos | Porto Editora

26.10.15


“Os teus pais são aqueles que mais gostam de ti e que querem o melhor para ti.” Estou convencida que a maior parte de nós ouviu esta frase, de forma recorrente, durante a sua própria adolescência. E alguns de nós teremos respondido com um bater de portas ou um cínico “Vê-se!”
Magda Gomes Dias



Hoje, à distância, percebo o bater de portas e também percebo as intenções dos meus pais. Eles queriam que eu soubesse que mesmo que aquela decisão não me interessasse era a melhor para mim. Eu, do meu lado, sentia que não era tida nem achada na equação e por isso ficava revoltada e batia com as portas (e os pés!).

Talvez a melhor forma de me fazer escutar e conseguir descodificar um qualquer adolescente passará pelo uso da empatia — que é a capacidade que eu tenho de me colocar no seu lugar. Por isso mesmo, não posso iludir-me e pensar que ele vai ser capaz de pensar da mesma forma que eu só porque irei fazer prova de empatia e paciência. Isso vai ajudar, sem dúvida, mas os milagres parecem acontecer apenas em Fátima.

Empatia e paciência pressupõem também respeito pelo jovem e impõe que tudo o que seja um discurso humilhante e com foco no sentimento de culpa sejam retirados da equação. Os adolescentes podem ser totós em muitas coisas mas no que diz respeito ao respeito… têm altas expectativas!


O que fazer, então?

1. Envolver o jovem na tomada de decisões
E ensiná-lo a respeitar o acordo. Como? “Então não tínhamos um acordo? Tínhamos decidido em conjunto que podes jogar com o tablet ao fim de semana. Hoje é quinta-feira. O que aconteceu?”

2. Pica-se o ponto ao jantar

A hora do jantar é aquela que não é negociável – e deve acontecer com a máxima regularidade. Sem gadgets ou televisão. Só família, música boa e partilha! Tem filhos pequenos? Comece já com este ritual!

3. Envie-lhes uma SMS para virem jantar
Vamos usar a tecnologia a nosso favor, q.b. Aposto que vão chegar a horas à cozinha para ajudarem a pôr a mesa

4. Plante os afetos
Com beijinhos, moches ao pai, dançando, massajando a cabeça ou com abraços bons! Sabe que um abraço para ser bom tem de durar pelo menos 6 segundos para que o seu efeito chegue ao cérebro? Então abrace!

5. Os castigos e as palmadas vão funcionar cada vez menos
E apenas vão criar a revolta tão típica nesta idade. Prefira responsabilizá-los pelas suas decisões (o castigo não tem diretamente a ver com a situação mas a responsabilização já tem).

6. Ganhe cooperação
Queira filhos que cooperam em vez de obedecerem. E nós só cooperamos quando nos sentimos próximos uns dos outros.

7. Vínculo
Invista na sua relação com os seus filhos — o vínculo é a qualidade da relação que criamos com eles e eles connosco.

8. Escute mais
“Claro que escuto os meus filhos! Ainda ontem ela fez uma asneira e eu estive a explicar-lhe com toda a calma o que é suposto acontecer e ela prometeu que nunca mais ia repetir. E sabe o que aconteceu? Hoje de manhã fez igual.” Se esta é uma situação comum na sua vida, releia a frase e responda a esta questão: quem é que escutou quem?

9. Façam programas juntos
Não os leve apenas à natação ou à explicação. Vá andar de bicicleta com eles, programe uma festa surpresa para o pai e uma ida a um concerto ou a uma festa popular. É impressionante que depois de umas saídas deste género, eles passam a escutar mais e melhor. Experimente!

10. Humor
O sentido de humor é determinante para que os nossos filhos se sintam mais ouvidos e para que queiram estar por perto — logo, que desejem ouvir.

11. Reclame menos
Há muito pouca paciência para estar próximo daqueles pais (e pessoas) que estão sempre a reclamar. E temos alturas em que abusamos! “Sim, meu amor, a tua cama está bem feita mas este édredon bem que podia ter ficado mais esticado.” Corrigir é importante, claro que é, mas há alturas em que podíamos falar menos, sorrir mais com os olhos e ficarmos satisfeitos com algo que eles fizeram para (também) nos agradar.

12. Empatia

Comecei pela empatia e deixei-a para o fim. É a capacidade que temos de nos colocarmos no lugar dos outros. Eu entendo que o meu filho possa não aceitar esta decisão que tomei. E também lhe posso dizer que sei que ele a sente como injusta e que não é porque ele está chateado comigo ou porque bateu com a porta que eu vou mudar de ideias. Depois? Depois deixe-o ficar — ele tem e precisa do seu espaço.


É neste ano que percebemos que os nossos filhos já estão tão crescidos… | Porto Editora

19.10.15





Senti-me adolescente ali por volta dos meus 15/17 anos. Se a memória não me falha, foi mais ou menos nessa altura que comecei a responder aos meus pais, a argumentar e a revirar os olhos de forma abusiva. Mas, hoje em dia, com 9 ou 10 anos, os nossos filhos já parecem estar em cheio a meio da adolescência.



Não nos deixemos enganar! Os nossos filhos são grandes, alguns mesmo mais altos do que nós, mas ainda são crianças e precisam tanto da nossa orientação... Não, não vale mesmo a pena pensarmos o contrário! E se é verdade que eles argumentam bem, se é verdade que fazem muitas perguntas (daquelas de deixar corada a mãe mais "à frente"), também é verdade que, na base, ainda há uma imaturidade que se quer e se deseja porque só ela é construtora. Talvez seja bom lembrar-me que não vale a pena querer correr com o tempo, antecipar-me às questões todas porque, quando olho para trás, percebo que ainda ontem nasceram.



Vale a pena, em vez disso, desacelerar, criar um maior vínculo com os meus filhos e ajudá-los a criarem as bases para a fase que vem a seguir: a adolescência!



Hoje, o Manuel vinha com a história que, por mudar de escola e de ano, todos os colegas estavam a dizer que iam receber um telemóvel. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, iria sentir a pressão do pedido. Enquanto andaram na primária era um disparate enorme mas, agora com 10 anos, parece que virou moda oferecer telemóveis aos miúdos. Faz sentido no caso daqueles que vão sozinhos para a escola, que saem cedo de casa e regressam tarde. Agora no caso dos miúdos que vão de carro e cujos pais ainda têm que esperar por eles à porta da escola… Tenho muitas dúvidas. Penso que serve mais de brinquedo moderno, para envio de fotos, comentar nas páginas das redes sociais e enviar mensagens. E estarem integrados. Na minha altura eram as pacific sud – agora são os telemóveis.



Por outro lado, o poder regulador que eu tenho em casa com os meus filhos (e que pode passar por limitar o uso do wi-fi) não existe nas escolas onde o acesso à net pode ser livre. As notificações caem, distraem os alunos das aulas, dos trabalhos de grupo, do estudo. Lembro-me de ter dado explicações a uma adolescente, há uns anos. E lembro-me de corrigir trabalhos dela que tinham sido feitos com a companhia das SMS que enviava aos amigos. Um desastre! Em conversa com a mãe, decidimos que no período em que estudava não tinha acesso ao telemóvel nem à internet. Conclusão: as notas voltaram a subir. Pois não foi preciso um grande milagre – apenas foco.



Confesso que uma das coisas que mais me assusta é a incapacidade que temos, todos e sem exceção, em nos focarmos no que estamos a fazer. E o foco é fundamental nesta idade – para quê? Para continuarem a consolidar as aprendizagens que fazem na escola porque estes próximos anos são determinantes para que possam, a seguir, decidir o que querem estudar.



E se é verdade que ainda não decidimos se o Manuel vai ter (já!) um telemóvel ou não, sabemos que este ano vamos investir muito mais no tempo que passamos em conjunto. Eu sei que eles já têm amigos, que já podem dormir na casa uns dos outros, que já são autónomos em muitas coisas. Mas a verdade é que é a partir de agora que eles começam a afastar-se de nós e por isso, em vez de andarmos sempre com o papel de polícia, queremos resgatar o papel de pais – daqueles que são porreiros, claro, e também daqueles que ainda lideram o caminho, que ensinam os valores mais importantes da vida, que estudam com eles e mostram como a matéria aprendida pode ser aplicada no dia a dia!



Nestes próximos 3 anos, e antes do Secundário, queremos que os nossos filhos sintam que podem ser quem desejam ser porque, e apesar do lugar-comum, nós vamos estar lá sempre. E com esta proximidade desejamos que eles criem asas, seguros de quem são, seguros que em nossa casa estão os pais, de braços abertos, disponíveis para os ajudar.



Nestes próximos 3 anos, a escola vai formar os nossos filhos e nós, cá em casa, vamos formar cidadãos, com um lado humano muito forte, curiosos e que partilham, connosco, aquilo que mais gostamos: a música, o gosto pela leitura, pela natureza, pelos afetos! Como é que se faz isto tudo? Vivendo, com eles, e no dia a dia, a partilha de todas estas experiências.



Já ouvi dizer que dá trabalho mas tenho a certeza que vou gostar tanto! E começa já em setembro! Ena!

Quem tem medo da Parentalidade Positiva? [+12 +1 textos inspiradores!]

30.8.15
Todos desejamos o melhor para os nossos filhos: que tenham saúde, que sejam felizes e que sejam crianças educadas, respeitadoras do outro e de si próprias. Que se safem na vida, que sejam assertivas, que saibam procurar a sua felicidade, que se defendam.

Quando os educamos usamos as melhores estratégias que temos à mão: as que aprendemos com quem nos educou e também aquelas que têm mais a ver connosco, com o momento. Fazemos o nosso melhor. E sim, castigar e bater funcionam - como já tantas vezes disse aqui - no imediato. E muito provavelmente é isso que procuramos: que funcione. No imediato. Aliás, a maior parte de nós foi castigado e apanhou uma palmada ou outra dos pais e não veio mal ao mundo. Muitos de nós dirão que os pais até estavam correctos em castigar e bater porque a mensagem passou.

Depois parece existir o outro lado da questão - o lado mais permissivo, o lado em que tudo se permite, seja por falta de firmeza, por cansaço ou sentimento de culpa - e quando tudo se permite, então mais cedo ou mais tarde as coisas vão dar para o torto. Uma educação sem limites é uma educação em que a criança se sente perdida, não se consegue gerir e percebe que os pais, sendo incapazes de lhe colocarem limites [que na verdade são determinantes para que ela cresça em segurança emocional e física] então também são incapazes de a defenderem, o que torna a vida  profundamente angustiante. E quando aprende a viver sem limites e a fazer o que deseja [não porque ela quer mas sim porque foi assim educada] então irá ter muita dificuldade em entender que as regras são absolutamente necessárias ao bem estar e à segurança - não só as dela como às da sociedade em geral.

Simultaneamente, parece haver algum receio na nossa capacidade em educar sem ser à força.
E quando escrevo estas palavras tenho a certeza que haverá leitores que se perguntarão se tento convencer os meus filhos com palavras mansinhas, com muitos pedidos ou com estratégias de convencimento. Se negoceio muito e se cedo outras tantas vezes. No entanto esta não é a questão.

Educar não são apenas ordens que damos aos miúdos que têm de ser inequivocamente aceites.

Educar pressupõe estabelecer uma relação com a criança que, ao sentir-se ligada a nós terá mais vontade de cooperar.

Educar pressupõe também o uso do bom senso, saber escutar, negociar quando for necessário negociar e estabelecer regras claras [da próxima vez que enunciares uma regra, tenta perceber se ela está totalmente clara para a criança e se ela a percebeu direitinha, por exemplo].

Educar pressupõe saber que o nosso papel é liderar e, como tal, esse papel não pode ser posto em causa - em princípio sabemos que estamos a fazer o certo.

Educar pressupões sermos firmes e gentis também - não precisamos de fazer birras nem precisamos de colocar caras de maus, nem de levantar o tom de voz, nem de ameaçar. Na verdade, se normalmente o fazes, é muito possível que os teus filhos já se tenham habituado e já não te escutem. E sim, é natural depois dizeres que já tentaste tudo mas eles não te escutam... :)

Educar sem castigar nem bater não é impossível - e não faz mal se já o fizeste. Mas quero que saibas que é possível QUANDO tens como foco ensinar o teu filho a escolher e a tomar as melhores decisões e comportamentos que o vão beneficiar, ensinando-o a gerir o que ele sente e o que pode fazer com a frustração de não ter a mochila que tanto deseja. Dá trabalho, claro! E se não estás para ter trabalho então claramente esta filosofia não é para ti. Mas ao começares a ler sobre este assunto vais perceber que aquilo que ganhas é uma relação com os teus filhos com ainda maior significado, com ainda mais valor do que aquela que já tens.

Educar com base na Parentalidade Positiva promove a autonomia da criança e uma auto-estima mais segura e portanto ajuda a criança a pensar pela sua cabeça e, aos poucos, a tomar as melhores decisões para si.

A Educação Positiva não é uma educação para fofinhos nem cutchi cutchi.
Quando se educa com base na Parentalidade Positiva diz-se 'não', diz-se 'chega', estabelecem-se limites muito claros MAS percebemos que não são precisos gritos, nem caras de maus nem tão pouco ameças. Zangamo-nos com os nossos filhos? Claro que sim! Como também nos zangamos com outras pessoas.

Educar com base na Parentalidade Positiva NÃO anula o conflito, não aniquila as birras mas dá-nos outras formas de gerirmos essas situações sem que elas se tornem desgastantes, frequentes. Mas 'Eu já lhe disse 4 vezes, já conversei com ele e ele volta sempre à carga', dizes tu. Então clica aqui.

Chego à conclusão que muitos de nós temos tanto receio que os nossos filhos não dêem certo, que tenham problemas, no futuro e também no presente,  por conta de uma suposta falta de educação, que não sofram o suficiente para saberem o quanto a vida custa que, com vontade de ensinar o que realmente é importante, achamos que é mais seguro irmos pelo uso de estratégias mais autoritárias e que, pelo menos connosco, parecem não ter falhado.

No entanto, quando o foco é a criação de uma relação parental com significado, com base nos valores que são importantes para cada família, então é impressionante ver que a cooperação entre pais e filhos se torna muito mais fácil, fluída e feliz. Naturalmente, e para quem está a ler e a descobrir isto pela primeira vez, o receio pode ser grande. Mas o que eu garanto é que não só é possível como é extraordinariamente gratificante.
E, por ser uma filosofia, a mudança não acontece do dia para a noite. Nem o objectivo é a perfeição e sim a melhoria contínua.

Por isso mesmo, e para te ajudar, juntei 12 textos fundamentais a seguir. Boa leitura, bom fim-de-semana e boa entrada em Setembro!

[ah! já conheces o desafio Berra-me Baixo?]

1. As modernices da parentalidade]
2. Birras, castigos e consequências
3. As birras dos pais
4. 10 dicas para praticares a Educação e a Parentalidade Positiva
5. Educação Positiva - como explicar o que é?
6. Tu não mandas em mim!
7. 5 formas para aplicar a Parentalidade Positiva
8. Confundir o bater com o não educar
9. Diferença entre as diferentes educações
10. Levas com a parentalidade positiva em cima!
11. GPS da Educação
12. 4 motivos pelos quais não bato nos meus filhos
+ 1 . A palmada e o castigo são a lei do menor esforço



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Hoje não é o dia da Criança

1.6.15
Hoje não é o dia da Criança - o dia da Criança é todos os dias e a data serve para nos lembrar que é importante proteger a infância e o mais pequenos para que possam crescer em segurança -  homens e mulheres que fazem o bem e asseguram a transmissão dos valores mais fundamentais, assegurando a sobrevivência da espécie... de forma sã!

Correndo o risco de isto parecer um cliché, a verdade é que a melhor prenda que podemos oferecer hoje e todos os dias, aos nossos filhos, é o nosso tempo - ninguém nos vende tempo e este é talvez o factor mais importante de todos - darmo-nos, a sério, aos nossos filhos.

Não consigo deixar de me sentir angustiada com as notícias que nos últimos tempo têm saído nos jornais - e não consigo deixar de ficar com a sensação que a violência aumentou - mas que nós também parece que estamos adormecidos. Ficamos indignados, ficamos chocados, ficamos com medo mas, no dia a seguir estamos à procura de mais notícias... como se o choque e a indignação tivesse o poder de nos anestesiar aos poucos - as palavras foram ditas mais ou menos assim pela Rita Marrafa de Carvalho num post, seu no Facebook e a Isabel Stilwell fez um texto absolutamente revelador do nosso estado, no final da passada semana.

"Consumimos as alegrias e os desgostos à velocidade da luz. Depois perguntamo-nos de onde vem a ansiedade e a depressão. "
Isabel Stilwell

Não consigo deixar de pensar que o sistema português está construído de forma a que a família fique cada vez mais desamparada - os miúdos passam 50 horas nas escolas e, enquanto isso, vão sendo educados, pouco a pouco, pelos colegas. E se é bom ter amigos e colegas fixes, não é possível passar e ensinar valores por essa via - o respeito, o altruísmo, a dedicação, a gentileza e outros pontos fundamentais para a formação de um indivíduo que se deseja humano, íntegro e total. Pergunto-me, com cada vez mais frequência [e muito receio], de que matéria será feita a geração que estamos a educar?...

Cada vez mais me convenço que é a família - pais, avós e todos os outros que estão perto - que tem um papel determinante no futuro dos miúdos. 

'A mão que embala o berço é a mão que governa o mundo ' [Lincoln] e essa mão é a nossa. Quem está a construir os cidadãos e o mundo de amanhã somos nós... e onde é que andamos com a cabeça?
Quantas vezes andamos distraídos? Quantas vezes fingimos que estamos a escutar os miúdos ou estamos a brincar com eles a pensar, sistematicamente, nos nossos afazeres? Mas isso é normal? Normal, é - mas que não nos sirva de desculpa para a falta de tempo porque aí estamos a desperdiçar o tal tempo que dizemos que não temps.

Se tenho 20 minutos para estar, de facto, com os meus filhos, a escutá-los, a brincar com eles, a mimá-los, então que esses 20 minutos sejam aproveitados a 300%! 

Ter alguém a escutar-me, a dar-me atenção faz-me sentir especial, faz-me sentir ligada a ela e faz-me querer continuar mais próxima porque me sinto próxima. E é com essa proximidade que, ao mesmo tempo, eu me liberto para ir fazer a minha vida e me tornar mais autónoma e livre. É nesta proximidade que eu recebo e sou influenciada pelos valores que essa pessoa me vai passando. Com os miúdos é tal e qual...!

Neste dia da Criança gostava muito que pudesses tomar a decisão de estares, todos os dias, com os teus filhos, de forma séria e à séria... mesmo que seja a brincar. Mesmo que vivas longe! Faz um skype, escreve-lhe uma carta, envia-lhe um foto do teu trabalho, do teu quarto ou do caminho que fazes para regressares a casa. 

Neste dia da Criança gostava muito que tomasses consciência que cada um de nós tem um papel fundamental e importante na educação dos seus filhos - quando todos assumimos esse papel de forma responsável conseguiremos provocar mudanças positivas. Que cada um de nós seja responsável pela sua família! 

Hoje e sempre é dia da Criança - não deixemos o futuro delas em mãos alheias porque as mãos são nossas.

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No Porto, os próximos workshops do Porto vão ser em Miguel Bombarda, nestes dias:

Sábado - 13 de Junho [9h30 - 13h00] - A Questão da Autoridade e da Obediência
Sábado - 20 de Junho [9h30 - 13h00] - A Auto-Estima da Criança



Olha esta resposta!

27.3.15
Tenho de partilhar contigo a resposta da minha filha!! Sabes o teu post sobre "Como é que o meu filho sabe que gosto dele?"
Pois é, hoje ao pequeno almoço decidi perguntar à Catarina. Primeiro encolheu os ombros, mas depois deu-me uma resposta deliciosa.... "porque queres que eu coma couves"
ADOREI!! :D

E adorei por duas coisas, porque percebe que é para o bem dela e porque não me vê como uma chata a impingir-lhe couves LOL



E-mail recebido de uma mãe a partilhar o feedback que teve à sua questão 'Como é que sabes que eu gosto de ti, sem ser por palavras ?'

Como sabes que eu gosto de ti?

24.3.15
Quantas vezes dizemos aos nossos filhos que os amamos, que somos loucos por eles mas... na verdade, como é que temos a certeza que eles sentem isso?

Nada melhor que lhes colocar a pergunta 'Como é que tu sabes que eu gosto de ti?'

A resposta pode ser 'porque estás sempre a dizê-lo' mas aquilo que te desafio a procurar é, como é que ele sabe, no coração dele, que tu gostas dele?

créditos foto Stim


Pela forma como lhe falas?
Pelo valor que ele tem na vossa família?
Porque hoje lhe preparaste o prato favorito?
Porque não te esqueceste de trazer uma impressão que ele te pediu?
Porque o abraçaste quando ele chegou ao pé de ti?

Como é que tu sabes que eu gosto de ti, sem ser por palavras?

Sobre o Desafio da Gratidão 2014. Absolutamente tocante!

9.1.15

"Uma família numerosa é, muitas vezes, sinónimo de agitação. Da boa e da menos boa. São os dias vividos a um ritmo "alegro", são muitas coisas a acontecer em simultâneo, muitas experiências vividas num curto espaço de tempo (às vezes sinto como que se vivêssemos a vida em fast foward), muita risota e muitos choros e amuos também.
São conversas que duram eternidades porque há sempre alguém que tem um ponto de vista diferente e quer defendê-lo com unhas e dentes - nem que seja "porque sim" ou "porque estou a entrar na adolescência e quero marcar posição".
Todos os dias há alguém que partilha um sonho, um desejo. Grande ou pequeno. E é ver-nos, qual duendes do Pai Natal, a combinar uma maneira de o realizar. Mas, por vezes, os sonhos têm que ser adiados, adaptados, redesenhados. E há que saber esperar. Arrisco dizer que ter paciência aprende-se mais facilmente numa família de muitos.

Mas, quando se vive numa montanha russa plena de sentimentos, emoções e aventuras, muitas vezes sente-se que só olhamos para a frente, para o futuro. Levamos na bagagem as lições apreendidas, mas são raras as vezes em que paramos e olhamos para o caminho "que se fez para trás", como canta Pedro Abrunhosa.

Um dia, em finais do ano passado, percebemos que esse era um aspecto a mudar. A melhorar.
Então, contagiados pela energia boa da Mum's the Boss, resolvemos criar a nossa Caixa da Gratidão. Aproveitámos uma lata de chocolate em pó vazia, fizemos um rasgo na tampa, e voilá! Em três tempos criámos o que seria o repositório de todos os momentos que nos marcaram durante o ano. Os bons e os menos bons. Os divertidos e as confissões de quem percebeu que tinha errado. Os beijinhos de melhoras. Os gatafunhos do mais novo.
Em 365 dias enchemos a nossa caixa.
E ontem, Dia de Reis, abrimo-la.


De olhos fechados, um a um, fomos abrindo os papelinhos e lendo o que lá estava.
Às tantas tínhamos lágrimas gordas a escorrer pelo rosto. De emoção e porque não conseguíamos parar de rir.
Foi uma das melhores experiências que tivemos, como família.

Agora a Caixa está quase vazia, em cima do balcão da cozinha, a aguardar os nossos papelinhos. A aguardar as nossas carruagens que, juntas, formam esta maravilhosa montanha-russa.

"A vida é feita de pequenos nadas...", canta Sérgio Godinho."

Gratidão. Aqui.

O MEU FILHO NÃO DÁ VALOR A NADA!

2.1.15


Parece que os miúdos não sabem fazer outra coisa: sempre a pedir coisas, nunca satisfeitos.

Levá-los a passear a um centro comercial significa também criar estratégias mentais para não passar no corredor das lojas de brinquedos ou daquelas coisas todas que eles vão pedir. E mesmo oferecendo uma coisa com maior ou menor significado ou valor, é muito possível ouvir no final do dia um “tu nunca me dás nada”. Não só sentes que ele está a ser ingrato como também pode passar-te pela cabeça, ou pelo coração, que se calhar estás a ser injusta…

Por muito que possas argumentar com o “não precisas disso”, “já tens canetas que cheguem em casa”, “ainda na semana passada te ofereci uma escova dos piratas”, a verdade é que ele mostra aquela cara de “pobre e mal agradecido” ou oferece-te um “mas isso foi ontem!” ao qual tu respondes “Sabes, quando eu era pequena não havia prendas a todo o momento – dá-te por feliz, rapaz! E continua a pedir que de caminho não tens é mais nada”.

Pode passar-te pela cabeça que ele se possa sentir pouco amado e se tente refugiar em presentes como forma de compensar o amor que não lhe é dado – afinal de contas é isto que a maior parte das publicações dizem. “Kids spell love T-I-M-E” dizem.

E então como é que fazes para lhe ensinar a dar valor às coisas?

Conto-te duas formas simples e grátis. Que tal experimentares? O ano novo está à porta e é uma excelente desculpa para começar!

1. Oferece-lhe, neste Natal, um caderno da gratidão. Vai à gaveta ou ao armário onde guardas estas coisas e pega naquele caderno que compraste. Não é bonito? Não interessa! Faz-lhe uma capa com fotos dele. Melhor do que isso: escolhe fotos dele, com ele. Sem lhe dizeres para o que é. Junta-lhe uma caneta e faz-lhe um embrulho bonito. Junta ao sapatinho – e porque ele vai saber que a prenda é tua, diz-lhe a verdade. Diz-lhe que apesar do Pai Natal trazer prendas, esta é uma prenda que tu preparaste com especial carinho. Eu reservaria este momento para antes ou depois do Pai Natal [na excitação das prendas a coisa pode correr menos bem]. E explica-lhe que este caderno é para ele escrever as coisas boas do dia. Apenas e só as boas – por isso se chama caderno da gratidão. Definam 3 dias para escreverem – cá em casa já foi a segunda, a quinta e a sexta/sábado ou domingo.

O teu filho ainda não sabe escrever? Os meus também ainda não e por isso quem escreve sou eu – ela diz-me o que eu devo escrever e mais tarde poderá ler. Olha que grande presente de futuro!

O teu filho ainda não fala? É bebé? Ainda não nasceu? Então estás à espera do quê? Dá o exemplo e cria o hábito – começa tu! Pois é, o exemplo vem sempre de cima.

2. A melhor prenda de Natal não são os brinquedos, não é só este caderno [cheio de significado]. És tu! Este pequeno filme totalmente revelador!!! Todos os miúdos pedem mais atenção dos pais, mais tempo, mais dedicação. Não lhes compres coisas, não os envies para actividades. Faz coisas com eles – escolham as fotos para o caderno. Imprimam. Deixa que ele as corte e cole. Vai ficar medonho? Who cares! Ao fazeres com ele estas coisas todas, ele vai sentir-se tido e achado. Vai sentir que tem valor dentro da família dele. Que conta enquanto pessoa. E aí o copo das emoções vai estar cheio e eu garanto-te que podes atravessar com ele o corredor dos bonecos que, sabendo estar atenta, saberás gerir a situação. Um dia conto-te mais sobre isso, fica prometido!

Mas afinal o que é que o caderno da gratidão tem a ver com o “dar valor às coisas”? Tudo! Aos poucos, o teu filho vai tomando consciência do real valor das coisas. É uma semente que estás a colocar na forma de ser desta criança. Mais para a frente ela saberá programar o cérebro para aquilo que de facto tem importância. É aqui que se aplica a expressão “de pequenino…” e quando estamos gratos, o nosso coração sossega e sabe que não tem de provar nada a ninguém…

Vá, vai lá buscar esse caderno! Para começar dia 1 de Janeiro! E pega noutro para ti, também!

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