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Este é um dos melhores conselhos de Michelle Obama

20.10.16



Há uma semana disse que sinto que as organizações em Portugal, e no Mundo em geral, estão mais humanistas e mais integrativas das diferentes esferas da vida das pessoas. Não são todas mas esse caminho está a ser feito e a influenciar positivamente os seus colaboradores que, por sua vez, pagarão na mesma moeda, mais cedo ou mais tarde [de forma positiva, naturalmente].
E as mulheres também. As mulheres estão cada vez mais fortes, mais seguras, mais sábias. Não é que não o fossemos antes mas estamos mais afirmativas e, se não o conseguimos ser sempre, procuramos formas de o conseguir.

A grande Michelle Obama fala justamente disso aqui.

Não é o falhar; é o que tu fazes depois de falhar. Desistes? Ou fazes com que isso te dê mais energia? Desafia-te para fazeres melhor, arriscares mais, faz-te sair da tua zona de conforto?
[...]
Ensinam-nos que temos de competir uns contra os outros (...). Isso não é verdade. Precisamos uns dos outros. E em todo o lado, temos de ser uma equipa de mulheres e miúdas que se amam e que se valorizam. Porque se não o fizermos ninguém o vai fazer. Por isso vamos lá começar e arranjar uma forma de apoiar as nossas meninas. Pode ser a tua irmã mais nova, uma vizinha. Tu podes ser a sua mentora. Habitua-te a ajudar.

Olha à tua volta. Há cada vez mais mães e mulheres e miúdas a fazerem um trabalho incrível e notável. E isso só é possível graças à nossa energia e também ao apoio que recebemos umas das outras.

QUEM TEM MEDO DA PARENTALIDADE POSITIVA?

28.9.16


Todos desejamos que os nossos filhos sejam pessoas capazes quando forem grandes. Não os queremos com manhas, não os queremos estragados e, se for preciso que sofram um pouco para aprenderem, então que assim seja, pensarão alguns. Esta forma de pensar, profundamente enraizada, parece garantir o sucesso no estilo de educação. E se é certo que a educação autoritária resulta no imediato, como já expliquei aqui, também sabemos que no médio e no longo prazo não é bem assim. Trabalho com muitos pais e é frequente ouvir 'nem a palmada funciona, ele já não tem medo de nada, desafia-me'.
Continua a confundir-se parentalidade positiva com permissiva. Eu percebo isso - o positivo faz pensar em permissivo e permissividade é ausência de limites e é não querer saber. E nenhum pai deseja sê-lo. Mas a parentalidade positiva não é nada disso.
Continua também a confundir-se parentalidade positiva com 'ter muita paciência'. Muitos pais precisam de deixar claro aos filhos que a sua paciência tem limites e utilizam um tom agressivo para o fazer, como se fosse um direito seu desrespeitar o filho, como se fosse uma obrigação do filho conseguir ler o estado de espírito do pai.

Esta ausência de competência assertivas em nós sempre foi mascarada pela permissão que nos damos em sermos mais agressivos, em ensinarmos pela via mais fácil e com a qual aprendemos.
Só que hoje, mais do que nunca, temos ainda mais responsabilidades - primeiro porque temos acesso a mais informação sobre o impacto de tais comportamentos no desenvolvimento emocional da criança [a criança pensa e sente e aprende]; de seguida porque a noção de respeito parece ter evoluído e a criança começa, finalmente, a contar; por outro lado, alguns pais não querem copiar o modelo que foi usado na sua própria educação. Na ausência de modelos equilibrados, procuram por tentativa erro aqueles que lhe servirão melhor. E, com alguma frequência, caem nos extremos, seja tudo permitindo, seja tudo impedindo, da forma que for. Finalmente, verifico que muitos pais precisam de existir na relação, de terem as suas necessidades escutadas e, porque isso não acontece, permitem-se um certo descontrolo, permitem-se colocar a culpa no outro por não se sentirem respeitados, por não terem o que precisam sem, em algumas situações, terem até noção disso mesmo. E esta é uma profunda desresponsabilização do adulto. Todos temos de descansar, de nos aprender a autorregular e, também desenvolver competências assertivas. Sobretudo se somos pais de crianças exigentes.

Simultaneamente, é importante juntarmos a este post informações científicas - e não meras opiniões e pensamentos - que nos confirmam tudo aquilo que acabei de escrever.

O Centro de desenvolvimento da criança, da Universidade de Harvard afirma que para que possamos guiar de forma eficaz as nossas crianças, isso implica que nos possamos recentrar e autorregular.
'Para favorecer o bom funcionamento executivo [do cérebro], isso implica um acompanhamento sensível e apropriado assim como uma aprendizagem individualizada'.  Os miúdos precisam de nós para aprenderem. Achas mesmo que sabem calçar um par de sapatos sozinhos, se nunca o fizeram? Achas mesmo que é porque ameaças e gritas que ele vai descobrir? E se já o ajudaste, achas mesmo que consegue aprender à primeira, em todas as circunstâncias?

'Este acompanhamento deve acontecer num ambiente onde a criança possa fazer escolhas, dirigir as suas próprias atividades enquanto que o adulto se apaga progressivamente. Nestes ambientes, o adulto oferece um apoio e sabe autorregular-se [...]. São ambientes onde o adulto se mostra disponível, sem pressão e onde este consegue dar do seu tempo para ajudar as crianças a usarem as suas competências em desenvolvimento.'

Porque motivo temos tanto receio em promover o pensamento crítico? Porque receio temos tanto receio em dar a escolher?
É uma pena que, por falta de paciência, não nos consigamos auto-controlar e sermos aquilo que temos de ser para os nossos filhos [e todas as crianças com quem lidamos]: pessoas que ensinam e guiam. Só isso.

O que fazemos com as nossas necessidades, com as nossas explosões de raiva, com as nossas frustrações? 
Diz-me tu - ou pensa nisso: O que fazes com elas? Quem é que tem de lidar com tudo isso?
Eu escreverei um post a pensar nisso.


Este é um dos temas de fundo da Pós-Graduação em Parentalidade e Educação Positivas. Podes ver mais informações aqui





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