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Devo ou não devo negociar com os meus filhos?
24.7.17
Frequentemente surge esta dúvida:
'Mas devo negociar com os meus filhos? Isso não quer dizer que deixo de ser eu a mandar? Mudar de ideias não prova que não estava certo? Ou até que me deixo "levar" pelo meu filho?'
Neste caso estamos a confundir os termos e as ideias. Vamos lá ver isto com detalhe.
Antes de tudo, é importante assegurarmos que as regras estão claras. Aqui estão alguns exemplos:
Durante a semana, a hora de ir para a cama é às 21h30.
Durante a semana, os TPCs são feitos antes da hora do jantar.
Já podemos atravessar a rua sozinhos mas devemos fazê-lo em segurança e da forma como me ensinaram.
A mesada é para ser gasta ao longo do mês e o valor estipulado tem a ver com aquilo que foi pensado ser o mais adequado e justo.
Ao fim-de-semana podemos brincar até mais tarde e até trazer amigos para o almoço.
Estas regras foram conversadas e, na maior parte dos casos, são para ser mantidas.
Eu sei que tu gostarias de ficar acordado até mais tarde. Hoje é 5ª Feira e amanhã já podes ficar mais um pouco porque no Sábado não é dia de escola. Hoje a hora de dormir é agora - vamos que eu vou ajudar-te.
Não faz mal a criança mostrar que não está contente - tem mesmo de o fazer. E tu, com a certeza de quem está a pedir algo justo, só tens de aceitar que o comportamento dela é normal. Como?
Mantendo-te firme, generoso e usando até usar algumas das estratégias da comunicação positiva para te sintonizares com ele. Num próximo post vou falar-te da postura que podemos ter durante a negociação e que fará toda a diferença.
No entanto, negociar é uma excelente competência que podemos [devemos] ensinar aos nossos filhos e não nos tira poder. O que nos tira poder é hoje fazermos assim e amanhã de outra forma. Negociar não tem de mostrar indefinição. Não negociar mostra inflexibilidade e insegurança, por vezes. Queres ver?
- Queres ficar a acabar de ver este filme/jogar este jogo? Tudo bem! Vamos lá! E hoje ficamos sem a leitura da história. Assim conseguimos fazer as duas coisas.
- Queres ficar mais um pouco aqui em casa do João? Hmmm.... é que ainda tenho de ir fazer o jantar... Então, fazemos assim, ficamos mais um pouco e quando chegarmos a casa ajudas-me a pôr a mesa. Combinado?
- Gostavas que te aumentasse a mesada e eu gostaria muito disso mas não tenho como. Explica-me, direitinho, porque é que precisas de mais dinheiro. E depois vamos pensar em formas de conseguir esse valor [ou de contornar/aceitar a questão].
Ao negociarmos precisamos de fazer algo importantíssimo e que é escutar e fazer perguntas. E só aqui estamos a dar valor e significado à nossa relação com o nosso filho, crucial na arte de negociar - ir ao encontro das necessidades do outro. E ainda que não seja possível ou de interesse negociar, só o facto do outro se sentir entendido cria proximidade e cooperação. E isso tem um valor enorme.
Por isso a minha resposta é sim e não:
Sim, as regras são para serem mantidas mas há excepções. E aí devemos negociar naquilo que é possível negociar [do meu ponto de vista, a segurança é não-negociável mas pode ser conquistada - atravessar sozinho, subir a uma árvore e por aí fora. E se não for possível a negociação, pelo menos ouvimos os argumentos.
Não, negociar não nos tira poder nem nos fragiliza se formos pessoas coerentes e consistentes. Quer isto dizer que hoje não podemos dizer que sim e amanhã que não, de forma repetida. Negociamos para nos ajustarmos às necessidades que vão aparecendo, quando é possível e desejável negociar. Um jovem de 16 anos deseja ver a sua hora de chegada a casa alargada e talvez esteja na hora de negociar a hora a que chegava, no ano passado, durante as férias de verão. Cada caso é um caso.
E sim, se negociarmos bem, estamos a dar mais autonomia e responsabilidade, fazendo com que a criança se comprometa com a sua parte do compromisso. Negociar bem e em condições torna-nos pessoas justas, flexíveis, tudo aquilo que muitos de nós desejamos ser enquanto pais, tivessemos menos receios e a oportunidade de discutir com outros, estes temas.
Como é que tens negociado em tua casa? Abres excepções? O teu filho é insistente? Consegues explicar ao teu filho as tuas decisões? Consideras que escutas as motivações e necessidades dele?
As 3 ferramentas a serem adquiridas pelos profissionais que trabalham com famílias.
21.4.17
As próprias pessoas mudaram e as exigências do sistema tornaram-se cada vez maiores e mais burocráticas. Quando falo com profissionais da área da família, percebo que em alguns casos há pouco tempo para fazer bem, quanto mais, melhor. Mas mesmo sendo difícil, acompanho e trabalho com cada vez mais homens e mulheres que querem, ainda assim, continuar a fazer o melhor que sabem e podem, pelas famílias.
Há ferramentas que nos ajudam a otimizar o nosso trabalho. Na Escola da Parentalidade temos 5 pilares fundamentais e essas 3 ferramentas que nos ajudam a ir mais longe.
Os pilares - que são sempre apresentados nas formações que desenvolvemos são
1. O respeito mútuo
2. O vínculo
3. A parentalidade pró-ativa
4. A liderança empática
5. Educar sem punir
Hoje vamos ver, com um maior destaque como é que podemos ajudar as famílias, usando as 3 ferramentas que temos ao nosso dispor. E quais são elas?
Inteligência Emocional
Há várias definições mas de uma forma resumida é a nossa capacidade em identificarmos as nossas emoções, bem como as dos outros e, a partir daí, sermos capazes de dar a resposta mais adequada à situação. Quando conseguimos identificar essas emoções, conseguimos escolher os nossos comportamentos e fazer a tal gestão emocional de que tanto se fala.
Porque é que isto é importante para nós, que trabalhamos com famílias?
Porque quando aumentamos a nossa literacia emocional percebemos que embora as nossas emoções não seja escolhidas por nós, nós não somos aquilo que sentimos e podemos sair do estado em que estamos para outro. E estas competências podemos ensinar a outros, com quem trabalhamos e lidamos diariamente.
Uma mãe que tem um filho desafiante e um marido 'à moda antiga', pode beneficiar que as emoções dela sejam identificadas por um técnico. 'Está com um ar cansado e desanimado.'
Existem uma série de técnicas que podemos utilizar no sentido de ajudar esta mulher a começar a passar de um estado de desânimo para um de maior capacitação. E esta é uma das primeiras.
Linguagem Positiva
Ao contrário daquilo que possas pensar, a linguagem positiva não é dizer-se sempre que sim. A linguagem positiva tem a ver com a criação de possibilidades e novos caminhos. Quando sabemos utilizar bem esta ferramenta, estamos em condições de ajudar o outro a ver melhor esse caminho. Queres um exemplo? Imagina uma mãe que diz que quer deixar de gritar com o filho. Na verdade, talvez esta não seja a melhor forma de olhar para a questão porque a foca num só aspecto: o gritar. Podemos reformular a questão e dizer-lhe algo como:
'Estou a ver que o gritar a deixa insatisfeita na sua relação com os seus filhos e isso deixa-a triste e zangada consigo. O que a Ana gostaria mesmo era de ter uma relação com maior significado e mais serena, é isso?'
Este reformular da questão abre muitas novas possibilidades.
Passamos de um objectivo que era "Deixar de gritar" para outro muito mais amplo (e positivo) que é "Ter uma relação com maior significado com os filhos."
A Arte das perguntas
A arte das perguntas está diretamente ligada aos pontos anteriores. Primeiro, porque precisamos de se emocionalmente inteligentes para sabermos colocar as melhores questões. E em segundo lugar porque precisamos de saber falar a língua positiva. A arte das questões é uma forma que temos de fazer o outro mergulhar no seu mundo interior e descobrir as suas razões e respostas - ainda que por vezes possam ter alguma dificuldade e possam precisar de apoio e ajuda.
Lembro-me de uma mãe que me dizia que não conseguia lidar mais com a falta de respeito do filho adolescente, que não sabia o que fazer dele.... Estava a sentir-se, claramente, cansada, triste e muito desesperada.
E então a questão que lhe coloquei e que encheram o rosto dela de esperança foi 'Não consegue ou não sabe?' Porque é natural não sabermos e termos dificuldade mas não torna a questão impossível. E é aqui que toda a parte de acompanhamento e aconselhamento das competências parentais tem início. E pode ser mágico!
Muito mágico, mesmo!
Próximas ações em competências parentais, no Porto são na próxima semana.
Envie-nos o seu email para saber mais para cursos@parentalidadepositiva.com e enviaremos mais informações na próxima semana.
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