Na minha newsletter de final de Junho partilhei a história da Babel que podes ler aqui. Esta história tinha dois pontos importantes para mim:
A forma como a Babel lidou com a situação (cancro da mamã)
A forma como escolheu viver o que se seguiu e a partilha com o filho.
Foi ponto claro para ela que ele iria saber de toda a verdade, sempre.
E no seguimento dessa newsletter, recebi um email de uma leitora que, com a sua permissão, partilho aqui. Fica o convite à reflexão.
Bom dia Magda,
Espero que se encontre bem.
Costumo ler e seguir tudo o que vai publicando, no tempo que tenho disponível. Comprei também os seus livros.
No entanto nunca costumo intervir/opinar. Desta vez este tema tocou-me muito e por isso decidi enviar este email, apenas para dizer que por experiência própria, é tão tão importante o que descreve:dizer a verdade, por mais que nos pareça na altura que vamos fazer os nossos filhos sofrer.
Partilho consigo o meu testemunho:
No ano passado o meu marido e pai dos meus filhos (de 5 e 8 anos) descobriu que estava gravemente doente com um tumor, com metasteses no figado. Foi extremamente agressivo e galopante.
Acabou por falecer no inicio deste ano. Foram apenas 4 meses entre estar tudo bem e tudo acabar da pior forma.
O meu marido esteve em casa sempre, a receber os cuidados paliativos e faleceu também em casa.
Por nos ter sido dado claramente o diagnóstico, por me ter sido dito a determinada altura que o meu marido tinha apenas semanas de vida, fui confrontada com o que dizer aos meus filhos!?
Eles apenas sabiam que o pai estava doente, mas frases como: "quando o pai ficar bem, vamos ...", continuavam a sair da boca deles.
Instintivamente pensei que não os devia fazer sofrer por antecipação e devia esconder-lhes a verdade.
Felizmente pedi acompanhamento psicológico, e quem nos acompanhou e ainda acompanha agora, foi claro em dizer que eu tinha de lhes dizer a verdade por mais que custasse.
Eu tive de dizer aos meus filhos que o pai estava a morrer, que a doença dele não tinha cura.
Só eu sei o quanto isto custou e doeu em todos nós. Só eu sei a violência que foi aquele dia.
Mas também só eu sei o quanto isso facilitou (se é que é possível existirem facilidades nesta situação!) todo o processo que se seguiu, e o quanto isto facilitou quando chegou o dia e eu lhes tive de dizer que o pai tinha falecido.
Nesse dia em pouco tempo (menos de 1h) a minha casa estava cheia de familiares. Pedi para que quando os meus filhos chegassem a casa e eu lhes desse a noticia estivéssemos só os 3, sem estarem sobre "os holofotes" da familia. Para eles terem o espaço que quisessem para chorar, gritar, correr, perguntar ou ficar em silencio. Eles correram os dois para o quarto onde o pai tinha estado horas antes. Ficaram ali bastante tempo, só depois quiseram estar com os avós e os tios.
Os meus filhos não foram apanhados de surpresa.
Os meus filhos sabiam a verdade!
Os meus filhos não se revoltaram comigo por não lhes ter contado.
Com a mesma verdade, expliquei aos meus filhos como ia ser o velório e o funeral, tudo o que envolvia e o que iam ver. Deixei eles decidirem se queriam ou não estar presentes e quanto tempo queriam ficar.
O mais velho quis estar algum tempo no velório. O mais novo não quis ir.
Decidiram com tranquilidade, com base na verdade.
Algumas pessoas ficaram "chocadas" por eu permitir o meu filho estar presente no velório.
Foi difícil ? Muito!! Mas tenho a certeza que agora e no futuro seria muito mais difícil se tivesse sido de outra forma.
Levei o meu filho ao velório (no dia do funeral), muito cedo, antes de chegar a familia. Ele foi apenas comigo e com a minha irmã. Teve o seu espaço sem ter de se conter ou ser "bombardeado" com abraços, perguntas, etc etc. Fiquei incrédula como ele reagiu àquilo tudo. Por exemplo descobri que o meu filho precisava realmente de estar ali. Ele sentiu necessidade de ver tudo, de tocar com as mãos, de sentir a madeira, os panos, de cheirar as flores, de ver a roupa que o pai tinha vestido, ... teve necessidade de tocar e sentir o rosto do pai (aproximou-se e afastou-se várias vezes antes de o fazer).
Depois estranhou aquela sala estar vazia e o pai estar ali "sozinho". Disse-lhe que no dia antes tinha estado uma multidão de pessoas ali, que nem cabiam na sala e ainda ocupavam o passeio e a rua do lado de fora. Disse que iam chegar mais tarde. E ele quis esperar para ver a família e os amigos do pai, muitos que nem conhecia. Quando a sala se encheu e ele se "desdobrou" a cumprimentar todas aquelas pessoas pediu-me para ir para casa.
Eu nunca iria conseguir satisfazer estas necessidades dele apenas com palavras, a contar-lhe como tinha sido.
Ficou traumatizado por isso ? Não! Pelo contrário, porque teve todas as respostas às suas perguntas, mesmo aquelas que não conseguia sequer colocar em palavras. Ficou esclarecido e tranquilo.
E mais importante ainda, teve a oportunidade de se despedir do pai da forma que sentiu necessidade, e não como eu podia considerar que era melhor. Hoje percebo isso, apesar de naquele dia só me apetecer arrancá-lo dali e poupá-lo áquilo tudo.
Agora falo com serenidade de tudo o que passámos, mas a minha serenidade surgiu só depois, a certeza de que fiz o correto também só a tive depois. Durante aqueles dias em que fui tomando estas decisões tive sempre muitas duvidas de que estava a fazer o correto.
Nesses dias temos a casa inundada de gente, dizem-nos algumas coisas acertadas (algumas pessoas que realmente nos ajudam), mas também nos dizem por vezes os maiores disparates.
No entanto considero que tive sorte (apesar de tudo o que nos aconteceu). Tive e tenho duas psicólogas que nos acompanham, que me encaminharam neste sentido. Ouço delas muito do que leio do que a Magda escreve há anos.
Decidi lhe escrever porque infelizmente há por ai muitos pais que passam por tudo isto que passei e continuo a passar (este processo ainda é uma longa caminhada). Sei que muitos terão exatamente as mesmas dúvidas e angustias que eu tive.
Muitos não terão possivelmente ninguém que lhes diga as palavras certas.
Obrigada por partilhar connosco o seu trabalho que tem sido uma preciosa ajuda na minha vida.
Beijinhos
Obrigada por leres até ao fim. A verdade, sempre a verdade, sobretudo nestes momentos, é mesmo o mais importante. O meu desejo ao partilhar este testemunho é que possa ajudar, contribuir á reflexão e que possa ser passado de mão em mão para percebermos todos o quanto a verdade e a criação de espaço pode fazer toda a diferença.
Obrigada querida M. por me ter escrito e por me ter permitido partilhar a vossa história. Que a vida vos seja doce. À sua espera para o prometido café! Um beijinho!
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Guerras entre irmãos | A Praça | RTP 11 Nov 2015 | Programa #7
13.11.15
Guerras entre irmãos - clica para assistires ao programa
Os conflitos entre irmãos são naturais — nenhuma relação está isenta de conflito.
E, como em todas as relações, o mais importante é saber gerir os conflitos, dizer o que se tem a dizer e saber respeitar o outro, fazendo-se respeitar.
Nesta relação em especial, os pais têm um papel muito importante uma vez que são eles que vão dar o mote e ajudar a resolver as situações. Como? Aqui ficam os tópicos da nossa conversa.
1. Gestão e regulação emocional dos pais
2. Não se meterem para não perpetuarem os papeis de vítima e de agressor
3. Objectivo não é serem os melhores amigos e sim respeitarem-se.
4. Não desistir - Paciência.
5. Respeito em casa e pelos outros mas com gentileza, também.
6. Ajudar a regular as emoções porque é quando eles aprendem a regular as emoções que regulam o que dizem e fazem.
7. Fazer coaching aos filhos, ensinando o que se diz e o que se faz.
8. Trabalhar a retaguarda
Carta à minha filha
2.10.15
A C&A lançou esta campanha extraordinária, neste regresso às aulas. E, no outro dia, enviou-me um email a lançar-me um desafio talvez ainda maior que escrever um livro - escrever uma carta à minha filha e lê-la.
Quando comecei a escrever, percebi que tinha de fazer algo mais que uma simples carta - tinha de criar um objecto com o qual ela se identificasse e que pudesse guardar, juntamente com a carta.
Nasceu o 'cocas' ou o 'quantos queres - 8 símbolos para 8 pontos que desejo que ela se lembre ao longo da vida escolar.
Já lhe li a carta - e ela escutou-a com atenção... e, no final, agarrou no cocas e disse-me: agora é a tua vez de me dizeres quantos queres. E, a cada número, também ela me dedicou aquelas palavras - porque fazem sempre muito sentido!
Partilho contigo a carta que lhe li ontem à tarde. Desafio-te a fazer o mesmo. Há coisas que têm um enorme valor. Esta é uma delas!
Meu amor,
É verdade que recebes com alguma regularidade postais e cartas. E é verdade que, de vez em quando deixo-te notas com desenhos ou mini-mensagens. Mas nada se compara a este momento - esta é uma carta que te vou ler - não vai seguir pelo correio nem tão pouco tem selo. Vou entregá-la em mãos. Nas tuas mãos. E com este ‘cocas’.
Não saberia dar um nome a esta carta, e isso pouco importa. Escrevo-te para te falar de coisas que já conversamos anteriormente mas, porque as considero importantes, merecem uma pausa, uma dedicação maior. Guarda esta carta e, sempre que precisares e quiseres, podemos relê-la juntas ou poderás brincar ao ‘quantos queres’. Ou poderás lê-la só tu. You’e the boss!
Há uma parte em mim que deseja que gostes tanto da escola quanto eu gostei. Sei que com a tua sensibilidade e curiosidade farás grandes aprendizagens. Sabes, a escola acompanha-nos ao longo do crescimento. Na escola aprendemos uma série de competências que nos vão ajudar a ser adultos autónomos, independentes e felizes. Mas a escola tem também a possibilidade de nos aguçar a curiosidade e de nos permitir viver experiências que nos ajudarão a decidir quem desejamos ser. Sim, porque todas as crianças têm em si todas as possibilidades do mundo. Tu és quem quiseres ser.
Escolhe um número:
Continua a ser curiosa
É a tua vontade em querer saber mais que te levará mais longe. E é também a curiosidade natural dos espíritos livres que te ajudarão a manter o encanto pela vida.
2. Guarda a tua joie de vivre
A joie de vivre nasce no teu coração e nasce da forma como tu vives e sentes as tuas experiências. Não deixes que ninguém tire a capacidade que tens em estares continuamente encantada e feliz pelas pequenas coisas que te acontecem. Isso é mágico!
3. És única!
À medida que vamos crescendo e fazendo amigos, identificamo-nos mais com uns do que com outros. E isso é normal. É normal querer ser igual, fazer as mesmas coisas, dizer as mesmas tontices. E também é normal quando isso não acontece porque somos todos… únicos! Lembra-te disso. Quando te sentes autêntica e verdadeira sabes que isso é o certo e o justo. Não tens de querer ser igual…
4. Confia em ti e também em nós
Lembras-te daquela vez que achavas que não ias conseguir tocar os acordes da música do Frozen? Lembras-te que te apetecia desistir e mandar tudo para o espaço? E lembras-te que o papa viu que não só eras capaz como percebeu que até tens jeito? Foi por isso que não deixamos que desistisses (esse também é o nosso papel) e hoje consegues tocar a música quase toda do início ao fim, com entusiasmo e satisfação. E essa sensação é impagável e o mérito é só teu! Eu vi na tua cara essa alegria e também vi na forma como abraças as cordas da tua guitarra.
Confia em ti e acredita que a determinação e o treino valem mesmo a pena. E tu já sabes disso!
5. O objectivo não é a meta. A meta é o caminho.
Mais do que tirares boas notas, o importante é que te saiba bem aprender. Que saibas relacionar as matérias, perceber o seu interesse e como é que as podes usar no teu dia-a-dia. Porque, na verdade, é para isso que existe a escola - para preparar todas as crianças, ensinando-lhes competências e relacionando-as entre si. Quando sabes fazer isso, o resto vem.
6. Não minimizes os teus sucessos nem aumentes as tuas derrotas
Se conquistaste algo e estás orgulhosa de ti, celebra! Tu é que tens de estar satisfeita e sentir orgulho em ti - eu sentirei sempre - não tens nada a provar-me. E quando as coisas correrem menos bem, descansa. O teu porto seguro estará sempre no mesmo lugar para te mimar, reconfortar e te ajudar a levantar. Ah! E nunca aceites que te digam que não és capaz, que não é para ti ou outras tontices do género. Como te disse antes, todos nós temos todas as possibilidades do mundo. Confia.
7. Nunca tenhas medo de fazer perguntas. As pessoas que mais perguntam são as que mais alcançam o que desejam. São as que não se conformam com as respostas e procuram outras soluções.
A escola é um lugar onde vais aprender muito sobre a vida. Sobre o que é justo e injusto. É uma preparação para a vida. E é assim que deve ser. Por isso, continua curiosa e pergunta!
8.Escolhe os teus amigos com sabedoria - escolhe aqueles que te fazem sentir bem, que são generosos e gentis. Quando temos bons amigos, a vida torna-se mais doce e fácil. Lembra-te sempre que há amizades que são para a vida e outras que não. Não tem mal nenhum - é mesmo assim.
Da tua mãe, que te adora,
Magda
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Lisboa | Porto
Os maridos e a Parentalidade Positiva
12.8.15
Talvez uma das coisas mais difíceis no que toca à educação é quando não estamos alinhados à forma de educar os nossos filhos. E eu sei que isso pode ser devastador para a vida do casal e da família.
E uma vez que estou a preparar este post, podes deixar um comentário e pontos que gostarias de ver focados.
O que me faz acordar todos os dias às 5h da manhã
12.8.15
Muitas pessoas sabem que eu sou daquelas que acordo muito cedo. Por norma, às 5h estou a sair da cama. Tenho amigos meus que ficam horrorizados, outros fazem aquele ar de quem não acredita muito e outros já sabem que não há nada a fazer - sou mesmo assim!
Se me custa? Nada. Aliás, fico chateada comigo se não o faço. E tenho dias em que dou por mim a dizer 'hoje deixei-me dormir até às 7h'.
O que me faz levantar mais cedo?
É a minha família.
e
é este projecto - é o Mum's the boss e o Parentalidade Positiva e todo o trabalho que desenvolvo.
Trabalho duas horas seguidas de manhã, sem interrupções, concentrada e a 'safar' coisas pendentes ou a trabalhar em projectos mais longos.
Se me custa? Nada. Aliás, fico chateada comigo se não o faço. E tenho dias em que dou por mim a dizer 'hoje deixei-me dormir até às 7h'.
O que me faz levantar mais cedo?
É a minha família.
e
é este projecto - é o Mum's the boss e o Parentalidade Positiva e todo o trabalho que desenvolvo.
Trabalho duas horas seguidas de manhã, sem interrupções, concentrada e a 'safar' coisas pendentes ou a trabalhar em projectos mais longos.
Foto: Pinterest
No final do dia sou exclusiva deles - buscá-los, tratar deles, de nós. Não é raro trabalhar depois do jantar, também, mas um dos meus objectivos para depois da rentrée é mesmo deixar de o fazer. A meta é realista e tem o mês de Outubro como início.
Uma vez i num livro que todos arranjamos desculpas para não fazermos aquilo que temos de fazer. E uma das propostas era justamente deixar de ver a TV todos os dias à noite e aproveitar essas duas horas para estudar ou criar um projecto. Num ano havia muita gente a transformar as suas vidas. Não acredito que se consiga muita coisa sem dedicação, tempo e foco.
A minha amiga Bárbara partilhou este link com os benefícios de acordar às 5h. E sim, durmo as horas quase todas porque de forma sistemática deito-me entre as 22h e as 22h30. A diferença é que faço ao contrário da maior parte das pessoas: em vez de ficar acordada até à 1h da manhã, acordo mais cedo e estou fresquinha.
Podes ler o artigo aqui. Bárbara, junta-te ao grupo :) É maravilhoso!
5+1 motivos pelos quais deves ir ver o Divertida-mente [inside out]
8.8.15
Sabia que o filme era muito bom, sabia que falava de emoções, sabia que era divertido mas não sabia que me ia pôr a chorar do início ao fim. Descobri que sou uma lamechas de primeiro.
Entrou no top 5 dos meus filmes favoritos, a rever vezes sem conta.
5 + 1 MOTIVO PARA IRES VER O DIVERTIDA-MENTE
1. Está muito, mas mesmo muito, muito bem feito.
Desde os desenhos dos personagens, às vozes, à musica escolhida, tudo é mesmo muito bem feito. Vê-se que foi um filme muito pensado, feito por pessoas que querem passar uma mensagem [já vais perceber qual, mais abaixo], respeitando quem está a ver, sem necessidade de recorrer a um registo de som mais alto, sem necessidade de usar piadas infelizes. Aliás, as piadas são tão boas, residem nas experiências e nas memórias...
Por outro lado, transformar a complexidade do funcionamento do cérebro neste Divertida-mente é mesmo algo genial! Está muito bem conseguido e ficamos a perceber melhor o que se passa nas nossas cabecinhas.
Sinceramente, o profundo respeito pelo tema e por quem vai ver este desenho animado foi dos pontos que mais emocionada me deixou. É mesmo muito raro encontrar uma obra assim! E pronto, sou suspeita!...
2. A versão portuguesa
Foi uma agradável surpresa. Primeiro, porque penso que se percebeu que não é preciso fazer-se vozes e tons de voz estranhos para se conseguir captar o telespectador. Segundo, porque foram muito bem seleccionadas - e consegue-se a dimensão que se deseja para cada personagem. A minha favorita? A Alegria! A voz da Alegria é uma voz que todos deveríamos de ter nas nossas vidas, aquela que nos empurra para a frente, que nos mostra que vale a pena continuar.
3. Como se criam as memórias
Ficamos a saber que as memórias se consolidam durante o sono e que há memórias que não interessam para nada e que são 'aspiradas' depois de não serem usadas. E que há outras memórias que, mesmo que não queiramos, insistem em aparecer. Esta é uma dessas minhas memórias.
4. As ilhas e a qualidade das experiências
As ilhas são a nossa estrutura, a forma como somos feitos. E sim, há alturas em que elas são abaladas [e muito!] e parecem ser irrecuperáveis. Penso que é das imagens mais bem conseguidas para explicar a construção de quem somos - a nós e aos miúdos: as ilhas!
Fiquei muito feliz por ver ali retratado que é a qualidade das experiências que cria o que de melhor há em nós. É a qualidade das experiências que cria as ilhas, as memórias. E sim, e como irás confirmar no final, mesmo as experiências menos positivas podem ser boas experiências. Fico mesmo feliz porque este é um ponto fundamental no trabalho que eu desenvolvo com os pais com quem trabalho e tenho a certeza que muitos se lembrarão disto.
5. A brincadeira
É a qualidade das experiências que nos ajuda na construção de quem somos e na capacidade que temos em gerir os momentos mais stressantes. Fiquei mesmo muito feliz por se mostrar que nem todos os momentos têm de ser levados a sério, ou pelo menos não tão a sérios e que podem ser aliviados com 'macacadas'.
+1 O amor cura tudo
No final, ficamos sem saber exactamente o que irá acontecer - mas percebemos claramente que o amor e a família são um porto seguro e que podem curar tudo. É um enorme cliché e nesta caso, muito mas mesmo muito bem conseguido.
Todas as emoções têm espaço para existirem e, em momento nenhum, temos vontade de julgá-las. Todas as emoções são necessárias - mesmo as menos positivas - e só juntas fazem sentido.
Eu, que me fartei de chorar, saí de lá tão feliz! É mesmo um filme muito, mas mesmo mesmo muito bom!
Um filme a rever e a rever e a guardar.
Na próxima semana deixo-te um post com as questões que podes aproveitar para colocar aos teus filhos, sobre o filme... e sobre a vida!
Crianças Zombies
6.8.15
Digital: antigamente era a salvação.
Hoje? Hoje parece ser, em alguns casos, o bicho papão!
Mas é verdade: o digital facilita-nos imenso a vida. É óptimo reenviar este texto por email através do meu telemóvel, ver que farmácias estão abertas agora ou enviar uma foto dos meus filhos à família que está longe.
Como em tudo, o equilíbrio deveria ser a regra na utilização daquilo que causa dependência porque sim, a Internet, os jogos e tudo o que é digital causa dependência. Não são apenas os conteúdos mas antes a quantidade de estímulos que um texto ou uma página de facebook provocam no nosso cérebro. São muito maiores que ler um livro ou estar a conversar com alguém, de carne e osso, em frente a nós. O zombie na expressão digital zombies é por isso um paradoxo porque andamos zombies nas relações humanas e não na nossa interacção com todos os devices a que temos acesso.
Mas o equilíbrio é mais difícil de gerir. É irónico dizermos aos miúdos que não devem passar tanto tempo em frente ao tablet ou à TV para depois lhes oferecermos o mesmo objecto ao jantar, num restaurante. É verdade que todos temos o direito ao descanso e à distração. E sim senhor, sabe bem ir jantar fora em família, não ter de cozinhar nem arrumar a seguir mas não podemos pedir que os miúdos não sejam dependentes da tecnologia quando a colocamos à frente sempre que nos dá jeito. Se é para aproveitar a saída, descansar das lides domésticas, então aproveitemos o serão em família… e não cada um com o seu device nas mãos.
Desvinculamo-nos do papel de pais quando, continuamente, deixamos que a tecnologia passe a entreter os nossos filhos. A cada passo afastamo-nos mais deles, e eles de nós. A cada momento perdemos situações mágicas porque estamos a olhar para baixo, para um mundo virtual. Andamos cansados, com menos paciência e já não sabemos nem conseguimos manter uma relação com significado e valor. E então passamos-lhes o tablet porque já não conseguimos investir naquilo que temos de mais precioso na vida – essa relação parental que acabei de mencionar. E, de repente, vemo-nos numa bola de neve. Estou mesmo muito convencida de que estamos a deixar de saber estar uns com os outros. É absolutamente assustadora a facilidade com que pegamos nos telemóveis e nos ipads para nos distrairmos quando sentimos que o assunto não está animado…. lá está, directa ou indirectamente o virtual é mais estimulante.
O perigo da Internet está no facto de ela estar em todo o lado. Não é porque eu corto o acesso em casa que os meus filhos não vão ter acesso grátis num qualquer café, na escola ou em casa dos amigos. O bicho papão passa a estar, de repente, em todo o lado, com utilizadores diferentes, anónimos e sem rosto, sem voz …
Mas, se em nossas casas ainda temos o poder regulador em relação às crianças… quem é que nos regula o não acesso aos emails do trabalho durante o fim-de-semana, à noite ou mesmo durante as férias? Quem é que acaba com a defesa do busy? Sabemos que começamos a chegar a um momento de viragem quando países como a França já pensam nestes temas ao nível do Estado, depois de uma vaga de suicídios na France Telecom.
Sabemos que estamos a chegar a um limite quando percebemos que há clínicas para desintoxicação digital, que há pessoas que já cortaram o acesso em casa porque querem ter mais e melhor tempo em família. Admito que tenho dias em que faço um esforço para não pegar no telemóvel e ver o que se está a passar nas redes enquanto estou em família. É um sinal dos tempos, talvez, mas não quer dizer que tenha de o aceitar.
E se o cenário é assustador [porque o é!] a única forma que temos de resgatar as nossas crianças [e a nós] é através da relação que temos com elas. O vínculo, que é a qualidade da relação que tenho com os meus filhos e eles comigo é que pode vir a salvar este enredo. Quando pais e filhos se mantêm ligados através das experiências reais que vivem e que enchem de valor a vida que têm, então estas crianças serão menos susceptíveis de serem “levadas” por caminhos desviantes. Quando mantemos uma comunicação aberta, onde todos os envolvidos são aceites por aquilo que são, pela sua natureza única, então temos mais vontade de nos mantermos por perto, temos mais vontade de partilhar os acontecimentos das nossas vidas e de pedir opiniões. A isto chama-se vínculo e a isto chama-se capacidade em comunicar.
Seria uma tontice proibir o acesso ao digital porque ele é bom. É bom fazer um curso à distância sem sair do lugar, fazer as compras online, é bom comentar as fotos dos amigos, ler os jornais digitais, manter um blogue, começar uma corrida no Porto com uma amiga que está em Lisboa ou receber uma notificação em como a nossa encomenda já foi entregue no destino.
E também é bom ler livros de papel, jogar jogos com dados, pintar com pincéis e numa tela, opinar e discutir de forma acesa sobre um tema, manter relações verdadeiras com pessoas que são imperfeitas, com corpos imperfeitos, com defeitos na personalidade. A inteligência emocional pode ser teoricamente aprendida com cursos no youtube mas não é aplicável a não ser num Tête-à tête.
Estou mesmo convencida de que é quando criamos experiências boas com os nossos filhos, quando pomos a nossa vida em comum, quando “mandamos bocas”, fazemos likes verdadeiros ou andamos à luta no tapete da sala que estamos a pôr em equilíbrio esta equação.
Originalmente publicado na Maria Capaz
His name is Jamie...
1.7.15
Não tenho nenhuma dúvida que os pais têm o poder de fazerem milagres todos os dias. Mesmo quando lhes dizem que não há nada a fazer. Mesmo quando eles próprios não acreditam, quando não sabem como fazer ou, quando, a cada passo lhes dizem que 'não vale a pena'.
Não, não, não! Não acredites nisso. Vê este vídeo até ao fim [garanto-te que vais querer vê-lo e revê-lo!!!]. Acredita antes que tens o poder de mudar muito, de tornar muitas vezes possível aquilo que te dizem impossível.
Lembra-te de fazeres sempre guerras de beijinhos, de os abraçares como não houvesse amanhã, de lhes dares colo sempre que puderes - o mimo não estraga, não tenhas medo. Abraça, olha mais, beija mais.
Caim e Abel - Aumentar a cooperação entre irmãos
17.12.14
Talvez uma das frustrações que venha no topo das frustrações dos pais seja, justamente, a guerra entre irmãos.
A menos que a discórdia ou o conflito coloque em causa a segurança dos teus filhos [ou um deles esteja a ser perversamente injusto com o outro], a minha sugestão é que não te metas. Deixa-os encontrarem formas de resolverem a questão sozinhos.
Lembro-me que quando era miúda e que a minha mãe nos afastava [a mim e à minha irmã] porque nos pegávamos, dali a nada estávamos nós, em conjunto, a fazer das nossas para nos aproximarmos. Aquilo dava risota da grande e a nossa mãe dizia 'daqui a nada estão as duas a chorar'. Tinha dias que sim, tinha dias que não.
Por isso, a menos que haja mesmo perigo, não te metas. Como disse aqui, podes estar a perpetuar os papeis de vítima e de agressor.
Uma das formas que tens para aumentar a cooperação entre irmãos é fazer com que eles tenham experiências positivas um com o outro. Como? Não precisas de fazer grandes coisas, apenas estar atenta. Queres ver?
- João, que querido,explicaste ao teu irmão os exercícios de matemática - és um miúdo que ajuda!
- Ana, obrigada por teres trazido o saco do pão para dentro - assim eu pude trazer o Miguel ao colo e nenhum de nós apanhou frio. Estás atenta, meu amor.
- Alexandra eu vi que estavas feliz por veres a tua irmã a dançar no palco. É bom partilhar estas alegrias, não é?
Estás a dar valor a estes pontos - e os teus filhos vão sentir-se bem por isso e vão querer repetir.
Depois, e se puderes, organizem jogos em casa - e façam parcerias. Queres filhos amigos, resilientes e que saibam lidar com os conflitos. Em vez de olhares para as situações de conflito como coisas que enervam e te deixam triste, deixa-te de autocomiserações e pensa assim [coloca o dedo no queixo, com ar de pensador - sim, sim, faz isso!] 'Como é que eu posso ver isto como uma excelente oportunidade para ensinar gestão de conflitos?'
Dica: não é no calor da situação que vai ensinar ou resolver seja o que for. Deixa isso para depois.
A menos que a discórdia ou o conflito coloque em causa a segurança dos teus filhos [ou um deles esteja a ser perversamente injusto com o outro], a minha sugestão é que não te metas. Deixa-os encontrarem formas de resolverem a questão sozinhos.
Lembro-me que quando era miúda e que a minha mãe nos afastava [a mim e à minha irmã] porque nos pegávamos, dali a nada estávamos nós, em conjunto, a fazer das nossas para nos aproximarmos. Aquilo dava risota da grande e a nossa mãe dizia 'daqui a nada estão as duas a chorar'. Tinha dias que sim, tinha dias que não.
Por isso, a menos que haja mesmo perigo, não te metas. Como disse aqui, podes estar a perpetuar os papeis de vítima e de agressor.
Uma das formas que tens para aumentar a cooperação entre irmãos é fazer com que eles tenham experiências positivas um com o outro. Como? Não precisas de fazer grandes coisas, apenas estar atenta. Queres ver?
- João, que querido,explicaste ao teu irmão os exercícios de matemática - és um miúdo que ajuda!
- Ana, obrigada por teres trazido o saco do pão para dentro - assim eu pude trazer o Miguel ao colo e nenhum de nós apanhou frio. Estás atenta, meu amor.
- Alexandra eu vi que estavas feliz por veres a tua irmã a dançar no palco. É bom partilhar estas alegrias, não é?
Estás a dar valor a estes pontos - e os teus filhos vão sentir-se bem por isso e vão querer repetir.
Depois, e se puderes, organizem jogos em casa - e façam parcerias. Queres filhos amigos, resilientes e que saibam lidar com os conflitos. Em vez de olhares para as situações de conflito como coisas que enervam e te deixam triste, deixa-te de autocomiserações e pensa assim [coloca o dedo no queixo, com ar de pensador - sim, sim, faz isso!] 'Como é que eu posso ver isto como uma excelente oportunidade para ensinar gestão de conflitos?'
Dica: não é no calor da situação que vai ensinar ou resolver seja o que for. Deixa isso para depois.
Ilusionistas, fazer coisas giras com balões, assistir a um teatro de fantoches e fazer o seu, aprender coreografias de Natal, pinturas faciais, palhaços, duendes e fadas...
22.11.14
Ilusionistas, fazer coisas giras com balões, assistir a um teatro de fantoches e fazer o seu, aprender coreografias de Natal, pinturas faciais, palhaços, duendes e fadas e muito, muito mais é o que o Braga Parque tem para oferecer a todas as famílias que por lá passarem ao fim-de-semana.
Estivemos no Braga Parque no passado fim-de-semana e ficamos a conhecer o programa que podes consultar nos links abaixo.
São manhãs diferentes, divertidas e em que todos podem participar.
Consulta aqui e aqui a oferta deste e do próximo mês!
E deixa-os dar uma voltinha na comboio :)
Estivemos no Braga Parque no passado fim-de-semana e ficamos a conhecer o programa que podes consultar nos links abaixo.
São manhãs diferentes, divertidas e em que todos podem participar.
Consulta aqui e aqui a oferta deste e do próximo mês!
E deixa-os dar uma voltinha na comboio :)
ESPECIAL REGRESSO ÀS AULAS | AJUDAR E MOTIVAR PARA OS ESTUDOS
1.9.14
Muitos pais contam-me que uma das coisas difíceis, no regresso às aulas, é a questão dos TPCs e do ajudar a estudar. Se há professores e escolas que começaram a dar menos TPCs, a verdade é que há momentos em que os miúdos têm de estudar e nós, ajudar.
Estudar requer método, persistência e foco. E estas são características que não só os miúdos usam menos bem, mas nós também, e cada vez pior.
Sempre que possível senta-te ao pé do teu filho e interessa-te por aquilo que ele está a fazer - mais do que ajudar a fazer ou fazer por ele. Pergunta-lhe como é que se faz aquela equação ou conta-lhe uma coisa interessante sobre aquele rei que ela anda a aprender na escola e que não vem nos livros.
O segredo é tornar o estudo interessante: tu, porque lhe contas pontualmente coisas que lhe aguçam a curiosidade e tu [sim, mais uma vez tu] porque te interessas por ele e pelo acto de estudar e pela matéria. E quando tu levas interesse a essas coisas, é bem possível que ele as veja com algum interesse... A famosa pescadinha de rabo na boca.
Mandar os miúdos estudarem quando eles não têm método, é um pouco disparatado. Falei com alguns pais cujos filhos têm gosto pelo estudo [e também por outras actividades e tablets e skates] e houve uma resposta comum: a presença dos pais e o interesse pela situação parece ser a grande base.
Há pais que acompanham o estudo dos miúdos, diariamente, com o objectivo de garantirem que eles adquirem um ritmo e também um método. Mas o que foi mesmo interessante ouvir foi à pergunta:
- 'E gostas?'
- 'De início não - é uma seca! Mas depois gosto mesmo muito! E aquela coisa do vínculo que tu falas - é mesmo verdade - podes ficar mais próxima dele quando fazem estas coisas em conjunto.'
Nota: estás a lançar as bases para o estudo - descansa que quando isto estiver bem consolidado, eles não precisarão de nós tão frequentemente. Saberão fazê-lo sozinhos.
Dica:
Sabes que ele está a estudar a fundação de Portugal. Quando ele chegar ao pé de ti, não lhe perguntes:
1 - O que estás a estudar?
2 - O que aprendeste hoje?
3 - O que é que gostaste mais hoje na aula de História?
Diz-lhe antes - vou contar-te uma história sobre a mãe do rei D. Afonso Henriques.
E começas. Com detalhes e jeitinho e a criar o entusiasmo.
É uma ideia! :D
E tu, que outras ideias e alternativas colocas em prática, no estudo dos miúdos?
Estudar requer método, persistência e foco. E estas são características que não só os miúdos usam menos bem, mas nós também, e cada vez pior.
Sempre que possível senta-te ao pé do teu filho e interessa-te por aquilo que ele está a fazer - mais do que ajudar a fazer ou fazer por ele. Pergunta-lhe como é que se faz aquela equação ou conta-lhe uma coisa interessante sobre aquele rei que ela anda a aprender na escola e que não vem nos livros.
O segredo é tornar o estudo interessante: tu, porque lhe contas pontualmente coisas que lhe aguçam a curiosidade e tu [sim, mais uma vez tu] porque te interessas por ele e pelo acto de estudar e pela matéria. E quando tu levas interesse a essas coisas, é bem possível que ele as veja com algum interesse... A famosa pescadinha de rabo na boca.
Mandar os miúdos estudarem quando eles não têm método, é um pouco disparatado. Falei com alguns pais cujos filhos têm gosto pelo estudo [e também por outras actividades e tablets e skates] e houve uma resposta comum: a presença dos pais e o interesse pela situação parece ser a grande base.
Há pais que acompanham o estudo dos miúdos, diariamente, com o objectivo de garantirem que eles adquirem um ritmo e também um método. Mas o que foi mesmo interessante ouvir foi à pergunta:
- 'E gostas?'
- 'De início não - é uma seca! Mas depois gosto mesmo muito! E aquela coisa do vínculo que tu falas - é mesmo verdade - podes ficar mais próxima dele quando fazem estas coisas em conjunto.'
Nota: estás a lançar as bases para o estudo - descansa que quando isto estiver bem consolidado, eles não precisarão de nós tão frequentemente. Saberão fazê-lo sozinhos.
Dica:
Sabes que ele está a estudar a fundação de Portugal. Quando ele chegar ao pé de ti, não lhe perguntes:
1 - O que estás a estudar?
2 - O que aprendeste hoje?
3 - O que é que gostaste mais hoje na aula de História?
Diz-lhe antes - vou contar-te uma história sobre a mãe do rei D. Afonso Henriques.
E começas. Com detalhes e jeitinho e a criar o entusiasmo.
É uma ideia! :D
E tu, que outras ideias e alternativas colocas em prática, no estudo dos miúdos?
Feliz Ano Novo [e uma resolução sobre beleza]
31.8.14
Setembro é, para muitos de nós, o verdadeiro ano novo. Mais ainda para quem tem filhos, significando isto o fim das férias grandes, o regresso às rotinas. É como se houvesse um movimento de fora para dentro de casa.
E como em todos os inícios, tenho vontade de ser melhor e continuar na saga do minimizar, voltando ao que é essencial.
Uma das minhas resoluções deste final de ano em Setembro é viver a beleza. A beleza na forma como decoro a minha casa, como me visto mas também ver mais arte, ouvir melhor música, dar um valor diferente às refeições. O amor está nos detalhes. A arte é amor.
Este é um desses detalhes. Para mim, as flores trazem alegria a uma casa. Confesso que não tinha mais regularmente flores cá em casa porque me custava deitá-las fora e estas que estão na foto [sabes o nome delas?] são uma excelente alternativa. Quando secas continuam lindíssimas. O chato é o pó mas quando já não der mais, voltas a comprar um molhe novo. E isto dura meses.
Esta é uma foto da nossa mesa a ser posta, hoje de manhã, ao pequeno-almoço. Agora, às refeições, passamos a ter flores nestes frasquinhos de iogurte. E guardanapos de pano! E sabes que mais? Toda a gente cá em casa gosta de colocar as flores nos indivíduais... [com a vantagem de não ter água e por isso não haver acidentes!]
E tu, como vives a beleza?
Nota: se procuras mais infos sobre rotinas e rituais, escreve a palavra no campo pesquisa, na parte de cima do blogue. Vai haver mais novidades, mas assim vais já preparando o vosso outono/inverno em família!
E como em todos os inícios, tenho vontade de ser melhor e continuar na saga do minimizar, voltando ao que é essencial.
Uma das minhas resoluções deste final de ano em Setembro é viver a beleza. A beleza na forma como decoro a minha casa, como me visto mas também ver mais arte, ouvir melhor música, dar um valor diferente às refeições. O amor está nos detalhes. A arte é amor.
Este é um desses detalhes. Para mim, as flores trazem alegria a uma casa. Confesso que não tinha mais regularmente flores cá em casa porque me custava deitá-las fora e estas que estão na foto [sabes o nome delas?] são uma excelente alternativa. Quando secas continuam lindíssimas. O chato é o pó mas quando já não der mais, voltas a comprar um molhe novo. E isto dura meses.
Esta é uma foto da nossa mesa a ser posta, hoje de manhã, ao pequeno-almoço. Agora, às refeições, passamos a ter flores nestes frasquinhos de iogurte. E guardanapos de pano! E sabes que mais? Toda a gente cá em casa gosta de colocar as flores nos indivíduais... [com a vantagem de não ter água e por isso não haver acidentes!]
E tu, como vives a beleza?
Nota: se procuras mais infos sobre rotinas e rituais, escreve a palavra no campo pesquisa, na parte de cima do blogue. Vai haver mais novidades, mas assim vais já preparando o vosso outono/inverno em família!
5 atitudes que fazem a diferença na Qualidade de vida enquanto pais [parte I]
24.7.14
Há determinados tipos de comportamentos
que nos ajudam e descomplicam. E eu sei que é mais fácil dizer do que fazer
mas, sinceramente, vale a pena pensar nestes tópicos:
1. Nada é suposto
É suposto o menino 'com um ano andando,
com dois anos falando'. É suposto sim, mas não somos todos iguais e a
maternidade não é nenhuma competição. Há uma série de coisas que são supostas,
sim é verdade. Mas lembra-te sempre de te colocares esta questão: É suposto?
Para quem? E quem é que disse que era suposto? E quem é essa pessoa? E pronto,
é possível que o 'é suposto' ganhe menos valor. Dá-lhe valor quando achares que
tens de dar. Se lá no fundo achas que não, basta rematares para canto com um
'pois é, dizem que é suposto'. E pronto, fica o assunto arrumado!
2. Quem manda, quem é?
Se pedires a alguém que te defina
autoridade parental, é provável que te falem em autoritarismo. Há quem se
refira até a uma espécie de jogo de forças. Pois, está errado! Autoridade
parental é guiar e é saber o que se está a fazer e fazê-lo de uma forma séria
[naturalmente com direito a risos, brincadeiras e cócegas] porque sabemos que
nós somos o maior modelo para os nossos filhos. E educar não rima nem com
humilhação nem com jogo de poder.
3. Não há pais perfeitos
Não há e se vens a este blogue, sabes
disso. Somos todos humanos e a beleza disto tudo é que estamos à procura da
perfeição e, ainda assim, ela não chega. E é aí que está o bonito - é o nosso
esforço contínuo, a nossa dedicação, a nossa crença em sabermos que amanhã
vamos fazer e ser melhores.
E também, by the way, não há filhos
perfeitos, caso ainda não tenhas chegado lá :)
Who cares! É aqui que está a felicidade
:)
4. Somos uns frustrados!
Se for feito um inquérito - aposto que
já foi feito! - o sentimento que os pais e os filhos mais sentem qual é, qual
é? É a frustração! Temos imensas expectativas em relação a isto tudo de se ser
pai e de se ser filho e depois ficamos decepcionados porque as coisas não
acontecem como imaginamos. Não digo que deixes de as ter - au contraire -
mas que as baixes um bocadinho ou então que saibas gerar a tua frustração.
5. A culpa morreu solteira, a desgraçada!
Ainda bem que o Papa Francisco veio
dizer que não há nem inferno nem céu. Isso elimina, pelo menos conceptualmente,
a ideia da culpa judaico-cristã que nos trama a vida [dizem que a culpa vem no
pacote, quando nos tornamos pais]. A culpa só é útil se nos faz mudar
comportamentos. Mais nada. Ponto final. Por isso se te sentes mal, a única
forma que tens para deixares de te sentires assim ou é procurares esquecer o
assunto ou é arranjares forma de passares a fazer diferente. Aí a culpa é útil.
Caso contrário, morre solteira!
3 estratégias aumentar o vínculo com os miúdos: no carro ou em deslocações [também serve no carrinho do supermercado]
21.7.14
Muito [mas mesmo muito] desta coisa sobre a Educação e Parentalidade Positiva têm a ver com a qualidade do vínculo que temos com os nossos filhos. É por isso que insisto muito neste ponto, seja aqui no blogue, nos workshops e nas sessões de Coaching e Aconselhamento Parental.
Muitos autores falam da importância de estarmos, de forma exclusiva com os nossos filhos, cerca de 15 minutos por dia. Sabendo as vidas agitadas que temos e que, para quem tem mais do que um filho, os 15 minutos tornam-se um ‘bico de obra’. Num mundo perfeito, isso seria possível – mas como esse mundo não existe, vamos fazendo o nosso melhor.
E por isso aqui fica mais uma ideia para te conectares com os teus filhos:
1. Conta uma história
Todos os miúdos adoram uma história. Uma mãe com quem trabalhei em sessões de coaching tem por hábito entrar no carro, vestir o papel de motorista e perguntar ‘Para onde?’
E porque não fazer isto e depois contar histórias como se fosse, de facto, outra pessoa? Se não resultar [podem não reagir bem, dependendo da criança e da idade], conte coisas sobre si: quando era pequeno, o que é que fez nessa manhã. Ou conte-lhe a história favorita dele. De novo!
2. Partilha a tua infância
Eu gosto muito de falar dos meus avós, das brincadeiras que fazia em casa deles. Também falo da escola onde andei. Dos meus medos e das minhas conquistas quando era pequena. Ou quando conheci o pai. Ou quando conheci uma amiga que encontramos naquele dia. Ou quando descobri que a tinha na barriga. E eles adoram!
3. E se…
Dependendo das idades e por causa delas, podes ter respostas espectaculares!!
- E se fosses tu a professora hoje, lá na escola? Que actividade é que teriam feito?
- Quando tiveres a carta de condução, gostarias de viajar até onde?
- Viste aquela senhora ali na paragem do autocarro? Ela está a ir para casa ou para o trabalho?
[procura ter uma lista engraçada e interessante de questões]
Falar a verdade
8.7.14
Em vez de tentares “salvar*” o teu filho das coisas que lhe vão acontecendo, experimenta contar-lhe a verdade, com palavras adaptadas à idade dele, para que ele possa compreender melhor e integrar as diferentes nuances que a vida tem.
A forma como os nossos filhos reagem à vida deles não tem apenas a ver com a forma como eles vivem e sentem a sua vida mas é também altamente influenciada pela forma como os seus pais, os seus avós, os seus professores e todos os outros que estão à sua volta vivem as suas próprias vidas.
*salvar = justificar as explicações, dizer-lhe ‘oh, deixa lá isso!” quando possivelmente aquilo tem tanta importância para ele, proteger quando ele consegue e sabe ‘safar-se’ da situação, dizer-lhe que ‘não foi nada ou que está tudo bem’ quando claramente não está
A forma como os nossos filhos reagem à vida deles não tem apenas a ver com a forma como eles vivem e sentem a sua vida mas é também altamente influenciada pela forma como os seus pais, os seus avós, os seus professores e todos os outros que estão à sua volta vivem as suas próprias vidas.
*salvar = justificar as explicações, dizer-lhe ‘oh, deixa lá isso!” quando possivelmente aquilo tem tanta importância para ele, proteger quando ele consegue e sabe ‘safar-se’ da situação, dizer-lhe que ‘não foi nada ou que está tudo bem’ quando claramente não está
Como sobreviver às férias, com os miúdos, em 15 pontos
2.7.14
Já em tempos escrevi sobre o tema das férias, mais concretamente sobre irmos de férias, sem eles.
Mas a verdade é que ir de férias com eles, sobretudo quando são pequeninos, tem muito que se lhe diga... Porque quem vai sem babá (a maior parte de nós) precisa, na maior parte dos casos, de férias depois.
Há uns dias, no grupo Mães, algumas mães pediram-me para escrever sobre as férias.
Lá no fundo, o pedido que eu ouvi foi 'como sobreviver às férias com os miúdos'... E a única coisa que me vem à cabeça para se sobreviver é a forma como encaramos o que vivemos. Lembro-me bem do primeiro mês de vida com a minha filha, e de me perguntar, várias vezes 'onde é que eu me meti?'. E depois, com o segundo, saber perfeitamente que é uma fase, que nós sobrevivemos e que o importante é que passe... :) Mesmo que no caso dele a loucura tenha durado mais um mês.
Quando vou de férias procuro não ter grandes expectativas. Procuro controlar aquilo que considero ser importante como ter sempre água, algum alimento, chapéu e protector solar comigo.
De resto, se temos de vir mais cedo da praia ou se não conseguimos fazer aquela visita que tanto queríamos, paciência. Eu procuro não stressar com isso. Mas sobretudo, procuro não stressar com o outro adulto que vai comigo. E ajudá-lo a desvalorizar aquilo que o deixa mais stressado, usando a técnica do TLC (Tender Loving Care) mesmo com ele. E para quê? Para que ele use essa mesma técnica comigo, quando eu me passar. Tem mesmo de ser, caso contrário as férias podem bem ficar estragadas.
Ora pensa aqui comigo: se te ajudarem a desvalorizar, a rir e se te ajudarem a brincar com uma situação, diz lá que não ficas melhor? É isso que eu quero que me ajudem a fazer quando eu não sou capaz. E por isso também o faço com o outro.
Eu sei que ir de férias cansa o corpo e a cabeça. Que a dada altura, e enquanto eles são pequenos, não dá como não nos perguntarmos como é que ainda aguentamos. E, no fundo, quando conseguimos gerir a coisa em modo 'take it easy', ficamos mesmo orgulhosas, não é?
Quando fores de férias com eles, lembra-te que podes escolher pensar que vais descansar ou pensar que vais, sobretudo, divertir-te com o teu filho. E quando pensas no segundo, as férias podem tornar-se muito interessantes. Até porque o descansar como antigamente... é mesmo mesmo difícil (quando são pequeninos).
O que saber? Eu sou muito apologista do prático e descomplicado e minimalista.
Então é assim:
1) Excepto quando são bebés, o protector solar é igual para todos - assim não ocupa lugar no saco, usa-se um por ano e não fica para o outro ano. E o factor de protecção 50 não impede o bronzeado. Protege é bastante. Mas bronzeas à mesma. Garanto - porque é o que eu uso :)
2) Água termal ou borrifador dá imenso jeito.
Bidons de água sem ser de plástico devem andar sempre cheios. Por vezes as birras vão lá com uma simples hidratação. E a fome também.
3) Ter sempre toalhitas (do tipo dodots) connosco - dão jeito para tudo, sobretudo em férias.
4) Adoro o carrinho de compras da avozinha - é o que usamos para levar para a praia TUDO o que precisamos, incluíndo parasol e paravento, brinquedos.
5) Não uso carteira há muito tempo - só mochila. O que é que ganho? Dois braços livres e a possibilidade de levar um bebé ao colo e o que mais for preciso.
6) Sling! Com a mais velha foi até aos 2 anos e meio. Vamos ver como é com este.
7) Patim para a mais velha. Super útil, sobretudo quando vem cansada da praia.
8) Dominós e outros jogos de sociedade - as férias são óptimas para aumentar o vínculo com os nossos filhos - e estes jogos a serem feitos ao serão ou na altura de maior calor, dentro de casa ou à sombra, ajudam a condensar memórias positivas.
9) Cantar - arranja CDs giros (eu disse giros, que tenhas vontade de cantar também!!) e leva-os no carro. O ideal mesmo é que contem uma história em vários capítulos. Gosto muito deste.
10) Queres estar descansada a ler o teu livro ou revista (ou até a dormir), na praia? Das duas uma: ou tens quem vigie e brinque com eles ou então esses momentos serão escassos (a menos que faças parte daquele grupo de pessoas com filhos tão bem comportados que o comum dos mortais admira-se que possa ser verdade). Aproveita e brinca e mexe-te - sempre são calorias que perdes e músculos que tonificas... Eu sei, preferias estar a relaxar... Mas lá está, ver a coisa por este prisma pode ajudar. Porque, como disse aqui, nos primeiros anos, as férias em princípio serão tudo menos descanso.
11) No final das férias estás branca como no início do Inverno? Já ouviste falar em auto-bronzeador ou jet bronze? Ou em pós minerais para o rosto? Dão aquele ar de saúde que nos fica bem e não envelhecem a pele.
12) Menus - a partir de certa idade já comem de tudo - e se são férias (tuas e deles), descomplica. Que mal tem se comerem massa, sem legumes e carne ou peixe durante dois ou três dias? Nenhum, pois não? Depois voltas à rotina e tudo volta ao normal!
13) As férias podem ser chatas e nada terem a ver com as fotos que encontras no Pinterest. That's life!
14) Espreita este site - da Luísa - 'Diário da Pikitim' - e encontras muitas dicas sobre viajar com eles.
15) Programar férias a dois - para namorar e descansar. Essas sim, as nossas férias como antigamente, para descansar à séria. É super importante que o faças, para a tua sanidade mental, para a deles e para a vossa, enquanto casal.
Navarra: A Parentalidade Positiva vai às Empresas!
1.7.14
A Navarra é uma empresa familiar de Braga familiar e é gerida por uma mulher extraordinária, mãe de dois que sabe e reconhece a importância do equilíbrio das diferentes esferas das nossas vidas, nomeadamente da família e trabalho.
Não deixes de ler o feedback à sessão que realizei em Junho, na Navarra.
Parentalidade Positiva – Pais felizes=filhos felizes
Conheci a Magda após o nascimento do meu 1º filho. Conhecer a Magda foi uma “bênção” (grande ajuda). Tudo ficou mais simples no meu dia-a-dia e na gestão da minha vida familiar.
Ao lê-la, algumas perguntas foram tendo resposta, consegui adaptar-me e ser melhor Mãe.
Foi através desta minha experiência que propus à Magda a realização de uma palestra na Navarra com o objetivo de passar a mensagem para os jovens pais.
Parentalidade Positiva, é este novo conceito que descreve e explica as situações quotidianas da relação pais e filhos, esta interação positiva na educação de Pais e filhos numa relação de cumplicidade que passa pela compreensão mútua dos seus comportamentos.
Adorei o conceito! A Magda consegue com uma abordagem simples e muito prática, quando muitas vezes no nosso dia-a-dia pensamos que é demasiado complicado… quando na verdade não é. Dá-nos as ferramentas para melhor gerirmos comportamento dos nossos filhos.
Foi sem dúvida uma ajuda e um guia para esta “inquietação”: a responsabilidade de educar os nossos filhos.
Recomendo esta palestra a pais e entidades empregadoras: Pais felizes=Filhos felizes, pois ajuda os pais na sua orientação, a criarem um sentimento de segurança e felicidade na educação dos seus filhos.
Esta iniciativa vem ao encontro da política de responsabilidade social que o Grupo Navarra vem implementando ao longo destes anos. Ao ajudarmos os nossos colaboradores nas questões da vida familiar aumentamos o grau de envolvimentos deles com a empresa. Conseguimos gerar um comprometimentos entre todos, eu diria, não declarado, informal, mas que aumenta o vínculo com o trabalho.
Porque no fim do dia, depois do trabalho somos todos pessoas, por isso vale a pena!
Experimentem!
Arminda Carmo
Parentalidade Positiva, é este novo conceito que descreve e explica as situações quotidianas da relação pais e filhos, esta interação positiva na educação de Pais e filhos numa relação de cumplicidade que passa pela compreensão mútua dos seus comportamentos.
Adorei o conceito! A Magda consegue com uma abordagem simples e muito prática, quando muitas vezes no nosso dia-a-dia pensamos que é demasiado complicado… quando na verdade não é. Dá-nos as ferramentas para melhor gerirmos comportamento dos nossos filhos.
Foi sem dúvida uma ajuda e um guia para esta “inquietação”: a responsabilidade de educar os nossos filhos.
Recomendo esta palestra a pais e entidades empregadoras: Pais felizes=Filhos felizes, pois ajuda os pais na sua orientação, a criarem um sentimento de segurança e felicidade na educação dos seus filhos.
Esta iniciativa vem ao encontro da política de responsabilidade social que o Grupo Navarra vem implementando ao longo destes anos. Ao ajudarmos os nossos colaboradores nas questões da vida familiar aumentamos o grau de envolvimentos deles com a empresa. Conseguimos gerar um comprometimentos entre todos, eu diria, não declarado, informal, mas que aumenta o vínculo com o trabalho.
Porque no fim do dia, depois do trabalho somos todos pessoas, por isso vale a pena!
Experimentem!
Arminda Carmo
10 coisas que as famílias felizes fazem [parte II]
30.6.14
Este post é a segunda parte deste.
1. Sê o exemplo
Naquilo que é importante para ti, sê o exemplo. Ponto final.
‘Olha para o que eu digo, e olha para o que eu faço!’
2. Amor próprio
A primeira regra da Educação e Parentalidade Positiva diz que Pais Felizes = Filhos Felizes. Trata de ti, vê como é que podes ser uma melhor mãe em 10 pontos fundamentais neste post desencucado. E nunca niveles nada por baixo nem nunca aceites o que achas que ninguém deve aceitar.
3. Coragem
Coragem de admitires o erro, de errares, de mudar de opinião. De ires em frente mesmo não tendo a certeza. De voltares para trás. Coragem para assumires que tens medo. Coragem para deixar de lado algumas coisas por um motivo maior. A olhar nos olhos para as situações, sem inventar histórias, explicações ou justificações.
4. Falar a verdade
A confiança é um dos maiores valores que podemos criar na nossa família. Daí que eu acredite que a verdade, com as palavras adaptadas às idades seja sempre o melhor porque é ela que liberta e explica muita coisa. E ela que faz com que se aceitem melhor as situações. E porque falas a verdade tens o direito de a exigir.
5. Gratidão
Exprimir verbalmente [e sobretudo por escrito] o melhor que temos na nossa vida, todos os dias, é o maior factor para vermos a nossa felicidade aumentada.
10 coisas que as famílias felizes fazem [parte I]
27.6.14

1. Partilha
É a tua família, são os teus filhos. Partilha com eles histórias – não só aquelas sobre quando eras pequen@ mas também histórias do dia-a-dia.
‘Hoje tenho mesmo de te contar a minha manhã! Parece que saiu de um filme, tu nem vais acreditar no que me aconteceu!’ Diz-lhe isto com entusiasmo, com exagero, assim meio dramático – e vais ver que ele fica agarradinho ao que lhe vais contar!
E quando partilhas as tuas coisas, ele sente que tem valor na família e não é mais um. E porque se sente valorizado, também te vai contar as coisas dele porque vai ter vontade de as partilhar.
2. Vínculo
O vínculo é a qualidade da relação que os nossos filhos estabelecem connosco e a qualidade da relação que estabelecemos com eles. E quanto maior for o vínculo mais significado as nossas vidas adquirem, melhores são as nossas ligações e influências.
Para saberes mais sobre este tema, clica aqui ou procura no blogue [há um campo para pesquisa] a palavra vínculo.
3. Brincar
Gozar, ser palhaço, não levar tudo tão a sério. Fazer o esforço [sim, por vezes é mesmo um esforço] para ver não o lado positivo da coisa mas a piada da situação. E quanto mais treinares mais percebes que afinal nem tudo pode ser levado tãooooo a sério!
4. Boas maneiras
As boas maneiras modelam-se e também se ensinam. E sim, as boas maneiras são ensinadas desde pequeninos e fazem a diferença na relação e toda a gente fica agradada quando é bem tratada e de forma educada. Ensina ao teu filho a generosidade, a atenção ao outro, o se faz-favor e o obrigado e porque é que isto é tão importante.
E naquelas vezes em que ele te pede as coisas de forma mais ríspida, olha para ele e diz-lhe ‘hmmm… enganaste-te no tom – repete lá isso mas com aquela voz doce que só tu tens…’. E quando tu também te enganares diz-lhe e coloca o tom adequado.
5. Oferece o teu tempo
O nosso amor é dado em forma de tempo – por isso usa-o da melhor forma e elimina as fontes que te fazem desperdiçar o teu tempo que é mesmo precioso.
Procura estar mesmo a sério com os teus filhos. Não digo sempre mas se lhes dizes que vais brincar com eles, não leves o telemóvel atrás.
6. Tribo
Vocês têm frases vossas? Situações em que dizem ‘d’ahhhh!’. Têm um grito de guerra? Têm nick names? Têm segredos dos bons? Fazem partidas? Têm rituais? São uma tribo? Então comecem a fazer ‘cenas’ fixes e que dão mais sentido e significado a quem é a VOSSA família!
[a parte II vem já a caminho!]
'It takes a village to raise a child' ou o oxigénio dos pais
17.8.12

Em todos os meus workshops sobre parentalidade positiva, o tema com que início não é ‘O que é a parentalidade positiva’. Nop!
E porquê? Porque antes disso, há uma coisa muito mais importante a fazer! E qual é ela?
É dar oxigénio aos pais! Pois é, é tal e qual como viajar de avião: primeiro coloco a minha máscara de oxigénio e só depois a coloco nos little ones.
Quando pergunto aos participantes das minhas acções qual é a maior fonte de felicidade, as respostas alternam entre ‘os filhos’, ‘o casamento’, ‘a saúde’ e até ‘o dinheiro’. Todas elas são fontes inequívocas de felicidade mas não há nada mais importante que os amigos e as relações que estabelecemos uns com os outros.
Na verdade, todos os estudos provam que as pessoas mais felizes são aquelas que têm um bom grupo de amigos (não disse grande, atenção!)
Há um provérbio africano que diz ‘it takes a village to raise a child’ (é preciso uma aldeia para criar uma criança). Mas quantos de nós temos amigos em quem podemos, de facto, confiar e confiar os nossos filhos? Quantos de nós vivemos junto dos nossos pais que se podem dedicar, a tempo inteiro, aos nossos filhos?
A boa notícia é que nossa ‘tribo’ pode ser constituída pela família que escolhemos, outra que a família de sangue. A questão que se impõe então é ‘E essa ‘tribo’ é de confiança?
Quando escrevi o post ‘3 requisitos para se exercer a parentalidade positiva’, falei da necessidade que (sobretudo) as mães têm em se livrarem da culpa e terem tempo de qualidade para elas próprias. Ladies and gentlemen, não há segredos: a primeira regra da parentalidade positiva é mesmo ‘Pais felizes = filhos felizes’
E para terem este tempo de qualidade, onde investem nelas, nos seus relacionamentos e na sua auto-estima precisam de contar com a sua ‘tribo’. Até porque se eu quero que os meus filhos sejam adultos felizes e se eu sei que o ingrediente que me traz parte dessa felicidade são as relações que eu tenho, então eu própria quero dar o exemplo e cultivar as minhas próprias relações, certo?
Na verdade, a forma como as crianças estabelecem e mantêm as relações com os seus próprios amigos tem um impacto significativo na sua infância e na forma como vão estabelecer essas relações, quando forem adultos. O Daniel Goleman, no livro ‘Inteligência Emocional’ sublinha o facto de as pessoas desabrocharem com os amigos que têm (é lógico que não estou a falar de amizades tóxicas – essas não servem para nada e só têm um destino: o caixote do lixo! Yep, sem culpa, sem stresses! Lixo com elas!). Mas sim, são os nossos grandes amigos que sabem escutar-nos, que nos ligam e enviam sms a saberem se estamos bem e se precisamos de algo mais. É lógico que não falo das relações superficiais (e até animadas) que mantemos com os nossos ‘amigos’ do facebook ou do twitter. Costumo dizer que estas duas plataformas se assemelham a um grande ‘café virtual’ onde está muita gente e onde há festa e novidades todos os dias. Mas quando a festa é em nossa casa, as pessoas que convidamos podem bem ser outras...!
Voltando à tua ‘tribo’: é com ela que os teus filhos vão sentir-se também em segurança. É participando nela que vão aprender o que é a tolerância, a rirem e a serem amados por outros que não os pais, como é ter de se afirmarem, como é aprenderem a aceitar ideias novas. É nela que poderão desenvolver a empatia, a resolverem conflitos, a saberem o valor da generosidade e é nela que compreenderão a importância da amizade. Porque quanto mais desenvolvem a sua inteligência social e emocional, mais generosos se tornam (é a tal ‘pescadinha de rabo-na-boca’).
Portanto, se tens gente que pode contar contigo e com quem tu podes contar, tens a tua garrafa de oxigénio para os casos de emergência e para os casos de sanidade mental. A sério, trata de ti, sem culpas. Segue a tua intuição, junta-te a pessoas não tóxicas (lixo com as outras!) e faz a tua vida.
E sim, a tua felicidade importa! A tua e a de toda a gente. E não, não é uma coisa secundária! Orgulha-te disso, de tratares de ti e de fazeres por isso. Porque já sabemos ‘se eu não cuidar de mim...’ (tu sabes o resto da frase!)...
O Tal Ben-Shahar e todos os que estudam estes temas são unânimes: numa sociedade onde se hipervalorizam os resultados, a felicidade aparece como uma vantagem enorme. E porquê? Porque as pessoas que são felizes têm mais sucesso. Porque as pessoas felizes atraem mais gente e mais gente quer estar junto dessas pessoas que são felizes. Queres mais motivos? Porque pessoas felizes vivem mais tempo, e são mais saudáveis. São mais criativas. Não são auto-comiseras. Têm muitas mais emoções positivas. Ganham mais dinheiro. Estão mais disponíveis para os outros. Fazem o bem. São desencucadas.
E não, não tens de te envergonhar em querer ser feliz. Aliás, este é um assunto demasiado sério para se andar a brincar com ele. Eu sei que a coisa mais importante que eu posso ensinar aos meus filhos é mesmo como serem mais felizes. E, como em tudo na educação, eu dou o exemplo. Se ando sempre feliz? Claro que não! Mas quero acreditar que a forma como aprendo a lidar com as situações, a minha crescente resiliência, optimismo e gratidão (e a forma como vivo tudo isso) são suficientes para modelar estes comportamentos neles. Até porque, como alguém disse, não há nenhuma forma de ser uma mãe perfeita e mil maneiras de ser uma boa mãe!
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