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Quando eles têm capacidade mas não chegam lá - Gestão do stress, das emoções e organização do trabalho na escola

6.4.17


A ideia é pioneira e simples: ajudar os alunos a lidarem com o stress, com as emoções e a organizarem o seu trabalho.

O Liceu Francês percebeu que os seus alunos tinham mais capacidade do que aquela que revelavam e que o stress e alguma desorganização pareciam estar a impedir que mostrassem tudo aquilo que tinham aprendido, nomeadamente na hora H - na dos exames e orais.

É verdade que nesta escola os professores são próximos dos alunos, a direcção da escola está sempre por perto mas o provérbio diz 'santos da casa não fazem milagres' - e neste caso uma intervenção de alguém que não é da escola e que não 'dá notas' revelou-se positiva.

Gerir o stress, as emoções e aprender técnicas para organizar e otimizar o trabalho não são competências que se possam apenas aprender na idade adulta, numa formação interna da empresa para quem trabalhamos. São ferramentas determinantes que podem fazer toda a diferença não só nos resultados escolares e académicos mas também nas relações com os pais, com os amigos e com os namorados e até no tipo de escolhas que fazemos.

Um ano depois deste projeto acontecer, os resultados ainda mantêm-se e saltam à vista. O Lancelot frisou que tudo o que aprendeu neste programa lhe foi ainda mais útil depois de ter terminado os estudos do secundário. Está agora no 1º ano [são 2!!]  de preparação para a entrada numa das mais importantes faculdades, em França, e sente que é fundamental equilibrar todas as diferentes esferas da sua vida, gerindo a enorme pressão e responsabilidade que tem. E parece estar a fazê-lo com alguma sabedoria. O Bernardo, que também concluiu o 12º ano em 2016, está a preparar a entrada numa outra faculdade em Paris. Tem pela frente 2 anos muito exigentes e só depois saberá se entrou ou não na faculdade que deseja. O Bernardo conseguiu entender e gerir a sua procrastinação da forma mais eficiente e tirou partido desta gestão do tempo. A Carmo, aluna de medicina no ICBAS sublinhou a importância geral do programa na vida académica e pessoal.

Este programa, todo em língua francesa, foi desenhado para dar resposta às necessidades dos alunos do liceu. Tem a duração de 4 semanas e, na primeira sessão, fez-se um levantamento do 'estado da nação'. No final desta primeira sessão garanto que os alunos levam já com ele estratégias práticas e com resultados imediatos - o meu objectivo é que possam verificar o que têm a ganhar. É verdade que o primeiro sentimento foi, em alguns casos, de apreensão; afinal de contas os alunos já têm tão pouco tempo, como é que vamos convencê-los a darem mais uma hora da sua semana? Mas a verdade é sairam positivamente surpreendidos no final da primeira sessão e pudemos criar uma relação de grande confiança - só assim era possível levar a cabo tantas pequenas transformações de elevado impacto.


Lancelot Didillion, aluno do Lycée Stanislas classe prépa HEC, Carmo Bragança, aluna de medicina no ICBAS, Bernardo Picão, aluno do Lycée Louis Le Grand, classe prépa scientifique


Começámos com o 12º ano e, no final do programa todos concordaram que o que deveria ser diferente era ter-se começado um ano antes, no 11º ano, no sentido de se otimizar os resultados. E foi isso mesmo que fizemos.

Depois de verificar os resultados, o Liceu Francês deciciu ir mais longe e realizamos, de seguida, uma  primeira intervenção ao nível dos profissionais [professores e educadores], levando a educação positiva a esta escola que, mais do que uma escola, se projeta claramente no futuro dos alunos. A formação dos alunos e dos profissionais é para continuar porque acreditamos que só a sua continuidade é que dará resultados mais duradouros.

Lancelot Didillion, Paulo Fernandes [Diretor-adjunto do licéu), Carmo Bragança, eu e Bernardo Picão




Podes ver o programa aqui: Praça - RTP



Épocas de exames | | A Praça | RTP 14 Junho 2016

15.6.16




Os exames nacionais são um momento em que se prestam contas ao que se aprendeu e onde se avaliam alunos, professores, instituições e sistema. O tema de hoje tem a ver com o que é que podemos fazer para ajudar as famílias a passarem por esta fase com menos stress, ansiedade e angústia.


1. Porque é que este é um momento de stress para as famílias (e também para as escolas)?

Quando somos avaliados, quer queiramos quer não, o nosso valor é sempre posto à prova.Por outro lado, ter boa nota significa avançar ou ficar retido, o que ainda eleva mais a fasquia. Os pais, que não querem que os filhos falhem, e os professores que querem ver os miúdos terem boas notas, colocam pressão e, por vezes, da pior forma.

Finalmente, a ‘normalização’ das provas nacionais faz com que as mesmas se tornem mais comuns e habituais mas isso não lhes retira o stress de serem de avaliação, com tudo o que isso traz consigo.


2. Como é que os alunos e os pais se podem preparar para as provas? Qual é o maior inimigo?

Por incrível que pareça, o maior inimigo é a falta de concentração. Também me quer parecer que os programas podem não ser sempre os mais adequados.

Numa sessão de coaching recente com um aluno do 11º ano, ele dizia-me que não conseguia estudar sem ter o youtube ligado. Perguntei-lhe quem é que lhe disse isso. Ele respondeu ‘a sério, não dá’. Expliquei-lhe a razão pela qual ele iria querer desligar tudo e ele aceitou.



Como treinar a concentração?


Desligar tudo o que é tecnologia e distrações
Sejam os telemóveis, iPads, televisões. A única coisa que pode ser permitida é música relaxante. Porquê? Porque o multitasking não é algo que se consiga de forma contínua, com bons resultados, sobretudo numa ação que envolve compreensão e memorização.


2. Limpar a secretária - deve ficar vazia
Esta é das técnicas que mais resultados dão - uma mesa limpa, apenas com os cadernos ligados à especificidade daquele matéria.


3. Estudar como se fosse dar uma aula
Mais do que saber de cor, devemos saber explicar o que aprendemos. A melhor forma de lá chegarmos é imaginarmos que vamos dar uma aula e que temos de explicar aquilo tudo.


3. O que é que os pais devem fazer?
Os pais devem ajudar os filhos a estudarem nos momentos de estudo, sobretudo os mais pequenos que estão a adquirir métodos de estudo. Depois, deverão organizar outras atividades que nada tenham a ver com o estudo. E isto faz ainda mais sentido quando eles são pequenos. Porquê? Porque com a vontade de sair irão - em princípio - treinar a concentração no estudo para depois puderem fazer algo que gostam muito.

Nos maiores, os pais devem zelar para que esses momentos possam acontecer, convidando a uma pausa, fazendo um lanche ou saindo para passear, por exemplo.

À noite, deverão incentivá-los a deitarem-se cedo. A higiene de vida é um dos grandes segredos para a calma.




4. Devemos ensinar técnicas de relaxamento?
Devemos sobretudo falar e partilhar da nossa própria experiência, sobretudo com os mais pequenos?

‘Sabes, uma vez estava tão nervosa, tão nervosa que me deu para chorar baixinho. Ninguém deu conta e eu comecei a respirar fundo (assim, vês como se faz) muitas vezes, até me acalmar. Foi isso que me ajudou. E depois quando li as perguntas, não conseguia perceber. Então li uma das perguntas muitas vezes e afinal eu sabia. Só tinha de relaxar. E fiz o teste e passei.’

Eles percebem que estas coisas acontecem a toda a gente, que são comuns e que há formas de se sair dali.


5. Devemos dar prendas/recompensas às crianças por fazerem o seu trabalho?
Temos sempre muito receio que os miúdos não queiram fazer alguma coisa e que precisem sempre de alguma bengala para quererem fazê-lo.

A verdade é que essas recompensas (como os quadros e por aí fora) não têm nada de vantajoso para as crianças nem para os adultos envolvidos. E se numa primeira fase pode funcionar e ser visto como um grande incentivo, a verdade é que desresponsabiliza a criança e lhe retira a vontade inata.
Todas as crianças gostam de aprender - depende de quem ensina e de como ensina. Por outro lado, é muito mais saudável manter-se as rotinas
Quando acabares de estudar matemática podemos ir para a praia - ouvi dizer que vão estar umas ondas bem boas no final do dia.
Assim que essa parte da matéria estiver revista, vamos dar um passeio de bicicleta até ao farol e paramos para comer um gelado?


Estas atividades que se seguem são a verdadeira recompensa e dependem da responsabilidade da criança em fazer o que tem de fazer. São certamente rotinas que já existiam anteriormente, são uma forma da criança relaxar e ter uma boa experiência com os pais também. E sim, podem ser mantidas em qualquer idade.

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