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Quando o castigo não funciona - um estudo

4.11.17

A disciplina pretende mudar o comportamento e não castigar a criança. A disciplina permite que a criança desenvolva a auto-disciplina e ajuda-a a tornar-se num adulto emocionalmente e socialmente maduro. Existem muitos métodos que funcionam e que podem ajudar os pais a ensinar e guiar os seus filhos, e algumas formas de disciplina continuam a ser controversos.
Independentemente do estágio de desenvolvimento e da idade da criança, aqui ficam alguns princípios que poderão ajudar a guiar o técnico:
- O propósito da disciplina é ajudar as crianças a organizarem-se, a interiorizar as regras e a adquirir padrões de comportamento apropriados;
- O temperamento da criança e dos pais, em particular no contexto do seu meio sócio-cultural requerem flexibilidade. Crianças com necessidades especiais e atraso no desenvolvimento necessitam de ajuste adicional e competências no desenvolvimento de problemas.
- A disciplina efectiva não incita à vergonha, nem à culpa nem ao sentido de abandono ou perda de confiança. Pelo contrário, provoca um sentimento de mais confiança entre a criança e os pais.
- Quando nos antecipamos estamos a criar uma ótima oportunidade para a prevenção e para discutirmos que tipo de disciplina aplicar de acordo com o desenvolvimento da idade. 
Se conheces o trabalho que a Escola da Parentalidade tem desenvolvido nos últimos anos, sabes que neste texto acima encontras alguns dos pilares que nos orientam e que são:
1. Respeito Mútuo | 2. Vínculo | 3. Parentalidade Pró-ativa | 4. Liderança Empática | 5. Educar sem punir
Estes 5 pilares são a base de todo o nossos trabalho e que sustentam, sem sombra de dúvida, tudo aquilo que nos norteia. É muito bom ver artigos científicos que apoiam as nossas convicções e prática!
Interessas-te por estes temas e gostarias de conhecer a fundo este modelo e como usá-lo na prática ? Vê como, participando nesta ação.

E se educar não desse tanto trabalho? É possível, sim!

20.7.17

Muitas vezes tenho a sensação que complicamos muito as situações e, pior do que isso, não nos damos conta!
Já reparaste que estamos frequentemente a dar ordens aos nossos filhos? E agora perguntas-te:
'Mas espera aí: já não posso bater, não posso berrar e agora já não lhes posso dar ordens? Em que é que ficamos?'
Então espera e continua a ler estes exemplos:

1. 'João, faz a cama!'
2. 'Já fazer os trabalhos de casa. Não jantas antes de os terminares'
3. 'João, não te esqueças do casaco. E da mochila!!'
4. 'Já lavar os dentes e a cara!'

Não sei se tiveste esta impressão, mas ao fim de algum tempo, é possível que o teu filho aja sem vontade por não se sentir envolvido. Está, constantemente, a ser mandado e, por não ter voto na matéria, nem ser tido nem achado, não sente como dele aquela tarefa ou função.

Então como é que podemos fazer?

1. João, já terminaste as tuas tarefas da manhã? [entendendo-se aqui que as tarefas estão estabelecidas e até visíveis para não serem esquecidas]
2. Vamos jantar as 20h00. O que é que tens de ter pronto antes disso?
3. João, vamos sair. O que é que te falta?
4. João, vamos sair. O que te falta para estares pronto?

Quando perguntamos, a criança vai à procura da resposta e é mais fácil sentir-se responsável por aquilo que tem de fazer. Porquê? Porque é ela que diz o que tem de fazer e porque não fomos nós que ordenamos.

Se funciona sempre? Nem sempre, porque há momentos em que a criança/jovem não lhe apetece fazer aquilo que sabe que tem de fazer - ou está a pensar noutra coisa. Ainda assim, gostava de te lembrar que a Parentalidade Positiva não é manipulação e a cooperação por parte do teu filho tem muito a ver com o tipo de relação que estabelecem um com o outro.

Neste final de semana gostava de te desafiar a perguntar mais e a mandar menos. E a deixares, em resposta a este post quais são os resultados dessa experiência.




Este é o verdadeiro motivo pelo qual as crianças necessitam de regras e limites

11.5.17

Ouvimos, com frequência, que as crianças precisam de regras e limites.
E eu, com frequência, pergunto a esses adultos o motivo pelo qual eles acham que as crianças precisam dessas regras e desses limites.
Respondem-me 'porque sim, porque precisam de entender que não podem ter tudo na vida' e eu penso, cá para comigo que de certeza que isso já perceberam. Por vezes continuo a fazer mais perguntas e concluo que o que leva alguns adultos a acharem que as crianças necessitam de regras e limites tem apenas a ver com um pequeno jogo de poder da nossa parte. Na verdade, não terá apenas a ver com o entendimento do que diziam no início da conversa, que  'na vida há coisas que nem sempre são possíveis' mas antes com um 'vamos lá ver quem é que manda aqui.'

Mas a verdade é só uma: as regras e os limites servem para que a criança possa estar a salvo e se sintam seguras. O meu filho mais novo não mexe na faca de serrilha de cortar o pão porque ainda é pequeno mas a mais velha já o faz. A mais velha ainda não conduz o carro nem vota porque são precisas etapas de desenvolvimento e aquisição de certas competências que só os próximos anos lhe trarão. E é por isso que existem coisas que lhe estão, por enquanto, vedadas. E isto aplica-se a todas as outras dimensões da vida deles [e da nossa]. Quando insistimos que vão para a cama cedo, quando insistimos que respondam com bons modos ou que não se agridam mutuamente. Tudo isto é para que possam estar protegidos e em segurança.

Por isso, da próxima vez que pensares em estabelecer uma regra pensa, de forma clara, qual é a tua intenção e de que forma é que o teu filho conseguirá construir-se dentro dessa segurança. O que é que ele poderá explorar, treinar ou aperfeiçoar dentro desse limite.

Interessas-te por este tema? Gostavas de saber mais sobre ele? Então clica aqui e aqui.



Vídeos e mensagens ofensivas e que incitam ao conflito

13.3.17



Para além de ofensivos, este tipo de vídeos ou mensagens, são de elevado mau gosto, violentos, incitando até, à criação de conflitos, num movimento de antagonismo em vez de aproximação.

Não são apenas ofensivos mas também são redutores, tanto para o profissional, como para os pais (ou família). Admitir-se que se diga que a Escola ensina apenas matérias como a Matemática, o Inglês e que a família educa é, no mínimo, perigoso. 

Durante alguns anos dei formação a jovens na Cruz Vermelha Portuguesa. Alguns dos miúdos eram provenientes de famílias com grandes dificuldades, incapazes de garantir os mínimos aos filhos: afetos, alimento, formação, proteção e acompanhamento. Se estes pais não eram capazes, o meu dever, enquanto professora deles, era ajudar no processo: estando atenta, escutando, orientando e corrigindo sempre que fosse possível ou necessário. Junto dos pais quem atuava era a responsável de equipa, num trabalho sério, comprometido e rigoroso. Se nós não estivéssemos lá, quem é que estaria? Demitirmo-nos deste papel seria de uma enorme irresponsabilidade para com a criança que, sem retaguarda em casa, se viria completamente desprotegida e desapoiada.

A Escola, qualquer que ela seja [Escola, as aulas de futebol ou de ballet] tem adultos de referência para as crianças e não pode, em tempo algum, descartar a responsabilidade de ajudar a formar cidadãos. Na verdade, nem a escola, nem ninguém. Enquanto adulta, tenho o dever (e quero exercer esse dever) de ajudar no processo de educação de qualquer criança ou jovem. Seja acompanhado-a quando está em apuros, seja orientando-a quando precisa. Sobretudo quando, em casa, os seus, não são capazes de o fazer. 

É lamentável que possamos ouvir frases como 'A escola ensina e em casa educa-se'. A mão que embala o berço é a mão que governa o mundo'... e essa é a nossa mão. De todos! 

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3 DICAS SIMPLES PARA APRENDER A CALÇAR E A VESTIR... SEM DRAMAS

24.2.17



Muito pais falam-me dos momentos de tensão que acontecem logo pela manhã, sobretudo com crianças mais pequenas. Nos dias da ginástica em que têm de ir de fatos de treino querem ir de saias. E nesses dias insistem em levar os chinelos de praia porque são bonitos e confortáveis. Tudo isto pode colocar-nos de cabelos em pé e em nervoso bem miudinho logo de manhã.


Gostava que soubesses que é normal os miúdos não entenderem estes códigos e a necessidade de se escolher um determinado calçado ou vestuário em vez de outro. Não é um jogo de poder nem vontade em contrariar-te - ainda que haja idades em que os miúdos parecem ter um comportamento de oposição permanente.

E se esta dificuldade acontece em tua casa, então este post é para ti:

1. Estabelece dias ou momentos em que o teu filho pode escolher o que calçar e vestir

É importante mantermos uma certa liberdade de escolha. Os nossos pequenos são pessoas em construção e deverão, sempre que possível, escolher o que desejam calçar e vestir. Ao mesmo tempo, quando criamos este espaço, eles terão mais facilidade em aceitar os outros momentos em que têm de usar um determinado sapato ou uma bata ou uniforme. Sabes, saber escolher é uma competência importante assim como a criatividade e este é um dos momentos em que a podes incentivar. Convido-te a olhares para esta questão desta forma.


2. Dá-lhe opções
Sempre que possível, e sobretudo em crianças até aos 2,5 anos é benéfico dar a escolher o que calçar. A estratégia das escolhas limitadas faz verdadeiros milagres, nestas idades.

- “Hoje quero ir com os chinelos de praia para a escola!”
- “ Estou a ver que gostas tanto dos teus chinelos de praia que até os queres levar para a escola. Esses chinelos são os que usamos na praia. Na escola podemos usar estas botas ou estes ténis . Quais preferes levar hoje?”



3. Trabalha a autonomia tornando a tarefa mais fácil
Desde pequenos que os miúdos mostram uma grande vontade em fazerem as coisas sozinhos. Vamos patrocinar isso! Como? Aceitando que se queiram vestir sozinhos, treinando ao fim-de-semana e dando calçado fácil de calçar. E porquê? Primeiro para que possam, de facto, ficarem autónomos nessa tarefa. E a seguir, para que se sintam motivados a continuar nas outras tarefas.

Treinar a autonomia é fundamental e ela pode ser treinada em todos os momentos e de forma simples e fácil ainda que isso nos exija um pouco mais de paciência.








CONSULTÓRIO DE PARENTALIDADE | AS TABELAS DE COMPORTAMENTO

20.1.17

Cá em casa já deixámos de gritar porque aderimos ao Desafio Berra-me Baixo e para isto correr bem a minha filha sugeriu que quem falasse alto tivesse um cartão vermelho, aliás ela ia fazer os cartões, acabou por não fazer... (não sei de onde lhe veio a ideia,nem se será positiva, talvez da escola).

Beijinhos


S.




Olá S.

A ideia de envolver toda a gente aí de casa é excelente. Primeiro porque o primeiro passo do desafio - que é tomar consciência que gritamos (depois falta o porquê) - está dado.
Depois, porque todos gostam de um desafio e querem sair vencedores.

Finalmente, porque a união faz a força.

A ideia dos cartões vermelhos é engraçada, sobretudo para a filha que pode apresentá-los e assim brincar um bocadinho 'aos grandes' e ter/sentir poder.

Agora o grande passo - e aí está já a trabalhar outro aspecto deste desafio - é criar vínculo e eu não acredito que se crie vínculo quando se mostram cartões vermelhos, que são punitivos [a questão de punir/castigar não é para aqui chamada - neste caso, refiro-me à carga simbólica da coisa].

A minha sugestão: já que a filha tem 5 anos, aproveitem para falarem do que gostaram e gostaram menos.

'Olha mãe, gostei quando vieste ao pé de mim e me pediste para vir jantar, mesmo quando já me tinhas chamado 2 vezes da cozinha. Já viste que não gritaste?'

'Filha, já viste que hoje de manhã conseguimos sair de casa sem stresses, sem correr. Estou mesmo feliz'.

'Mãe, da próxima vez, em vez de gritares da cozinha, anda ao pé de mim chamar-me. Sabes que por vezes estou distraída. E assim sempre podes ver os desenhos que estou a fazer.'

'Filha, fico tão chateada por te chamar 4 e 5 e 6 vezes para vires jantar. O que é que podemos fazer para isto não tornar a acontecer?'

Repare que em nenhum dos momentos há um juízo de valor em relação à outra pessoa. A mãe diz que fica chateada - mas não agride/acusa a filha.

Por outro lado, é a falar que as pessoas se entendem.


Cartões vermelhos não falam. São punitivos. Falar faz com que se reconheçam (tão importante), que se valide a evolução do desafio e que as famílias ganhem competências comunicacionais.

Já repararam que é muitas vezes nas famílias onde menos se fala?



Espero ter ajudado!

Alínea a) do nr.1 do artigo 152 do nosso código penal

7.7.16


A lei é muito clara.
A alínea a) do nr.1 do artigo 152 do nosso código penal proíbe, desde 2007, a palmada a uma criança. Lhe infligir maus tratos físicos ou psíquicos ou a tratar cruelmente

A minha questão é:

1)Se visses alguém a bater numa criança, no supermercado ou na rua, o que farias?

Não precisas de responder - pensa nisso.

2) Se visses alguém a ir ter com uma mãe ou pai a darem uns açoites numa criança, pararias? Defenderias quem?

Novamente, não precisas de responder - pensa só nisso.

Dói-me mais a mim do que a ele' e outros mitos sobre a palmada. 10 motivos pelos quais a palmada não funciona

11.12.15
Estes são os 4 motivos pelos quais eu não bato nos meus filhos.  Há umas semanas, no Porto Canal, estive à conversa com o Ricardo sobre este so-called-hot-topic. Não que eu considere a palmada um tópico porque, felizmente, sei que estamos a evoluir e, como em tudo numa evolução, estamos a aprender a acertar o passo. Uns dias sendo mais permissivos, noutros menos e noutros muito assertivos. Talvez não numa década mas acredito que vamos evoluir para a fase em que a palmada deixará de ser um tópico porque as pessoas também evoluíram e não a vêem como opção (sobre isto falamos mais abaixo).

1. A palmada só tem uma coisa positiva.
Qual é ela? Funciona no imediato!
As más notícias quais são? É que funciona a curto prazo, ou seja, funciona naquela situação específica e funciona durante pouco tempo. Porquê? Porque vamos percebendo que não é por bater que o nosso filho não vai fazer aquilo que nós não queremos que ele faça. O bater pouco garante. Ele faz, nós batemos e, naquele momento ele pára. Mas continua dali a uma hora, dali a uma semana ou mês.
A má notícia é, portanto, que a palmada não evita o comportamento.

2. Os estudos
Existem muitos estudos que nos provam uma série de coisas acerca da palmada. Um diz-nos que a zona do medo é maior em crianças cujos pais batem (acerca da palmada terapêutica ou sacode o pó, podes ler mais abaixo). Outros estudos dizem que pais que não apanharam quando eram miúdos não têm como opção a palmada porque sentem que isso os desrespeita e desrespeita os filhos. É bom de notar que em lares onde não se usou esta opção, os filhos não a usam mais tarde. Finalmente, comportamento gera comportamento. Qual é que escolhes?

3. Bato em ti porque bateste no teu irmão
Não deixa de ser uma frase irónica e hipócrita. Esta frase ensina que, porque eu sou maior que tu então ‘toma lá que é para aprenderes.’ Ensina então que é a lei do mais forte sobre o mais fraco que é a melhor. Não ensina nada em relação a firmeza e a assertividade - elementos chaves para a construção de uma personalidade segura e que todos os pais desejam que os filhos tenham.

4. Bato em ti porque me pões doida
Devia ser obrigatório todos fazermos alguma formação de desenvolvimento pessoal ou lermos sobre o assunto porque - e embora isto possa parecer estranho - a verdade é que cada um de nós é que escolhe o seu comportamento. O que é que eu quero dizer com isto? Não é a criança que me põe doida. Eu é que não aprendi ainda a gerir as minhas emoções, ainda não aprendi a lidar com as minhas frustrações e, então, rebento e bato. Porque, supostamente, tu me puseste assim… Vale a pena pensar nisto, não vale? Serás tu ou serei eu?

5. Dói-me mais a mim do que a ti
Muitos de nós acreditamos que não é possível educar sem fazer a criança sofrer. E, embora não o queiramos fazer, acreditamos que há alturas em que isso é absolutamente necessário. Quais são essas alturas?

i)A criança precisa de saber que não é ela que manda. ii)A criança precisa de saber obedecer. 

iii) A criança precisa de saber que não pode ter tudo o que quer.

Será? Ou será assim:

i)A criança precisa de saber que tem um adulto que sabe o que está a fazer e que é emocionalmente madura.

ii)A criança precisa de saber que é escutada, que é importante escutar. Nós, adultos, devemos oferecer-lhe as oportunidades para que ela possa cooperar.

iii)A criança precisa de saber que os limites são construtores e servem para assegurar a sua segurança física e emocional.Nós, adultos, precisamos de nos lembrar que o mimo não estraga. O que estraga é a falta de limites.

6. Quanto mais me bates mais eu…
me revolto, afasto de ti, procuro pessoas e influências na justa oposição de quem tu és. É assim com todos, sobretudo com as crianças.

me aninho, me fecho e tenho medo - deixo de pensar por mim, deixo de sentir valor e de me sentir capaz. Torno-me um trapo, submisso, sem vontade e sem capacidade de me encontrar.


7. Desenvolvimento cerebral
Pois é, lá tinham de vir estes estudos - e repara que deixei isto quase para o fim porque qualquer um dos pontos acima são já bastante óbvios. E sim, é verdade que crianças que apanham têm a área do cérebro referente ao medo e aos alarmes maior. Valerá a pena fazer com que os nossos filhos estejam constantemente em estado de alerta, com tudo o que isso acarreta (libertação de mais cortisol, batimentos cardíacos mais elevados, estado de stress constante?).


8. Mas uma palmadinha na hora certa
Se vem mal ao mundo? Pois eu acho que essa não é a questão (mas para isso tens de ler o ponto que se segue). Então se esta palmadinha pequenina, de enxotar o pó é isso mesmo, uma palmadinha que é só para ele ver quem manda, sem intenção de magoar… para que bates? Porque não, em alternativa, agarrar na criança com firmeza (leste firmeza, não é força!) ou tocar nela para a ‘acordar’. Sim, porque na verdade parece que essas palmadas são só uma lembrança para isso mesmo. Acorda. 


9. Mas uma palmadinha na hora certa - versão 2
A questão é: como é que eu me quero ver enquanto pai? Quero ver-me como uma pessoa que soube lidar com as situações próprias do crescimento de uma criança ou como aquela cuja criança era um embaraço? Quero ser fonte de inspiração? Ou quero criar uma relação sem grande significado? Se dá mais trabalho passar a usar a Parentalidade Positiva? Claro que dá porque é uma mudança de mindset. Mas, as boas e maravilhosas notícias são que a mudança se faz, que fica e que, melhor do que tudo, o que vamos colher é extraordinário!


10. Eu até mereci a palmada que recebi!
Quem, no seu perfeito juízo, acha que merece que lhe batam? Ninguém merece ser agredido, sobretudo por aqueles que, supostamente, deveriam proteger, ensinar e direccionar os comportamentos. 

O ideal é sermos corrigidos, ensinados por pais que se sabem gerir. Mas, na falta disso, aceitar ser-se agredido, não pode vir de alguém no seu perfeito juízo.


+1  Sim, isto é tudo muito bonito mas como é que eu faço então, se não uso a palmada?
Sentas-te em frente ao teu computador ou encostas-te para trás um bocadinho com o teu tablet ou telemóvel na mão e lês este blogue e assinas esta newsletter. Depois, recordas que a mudança é um processo e, como em tudo, é algo que acontece de forma gradual, com avanços e recuos. Mas que o objectivo é sempre a melhoria contínua e nunca, nunca, a perfeição!

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Os maridos e a parentalidade positiva em 5 pontos fundamentais

29.10.15


Perdoem-me as generalizações... Esta é uma questão que me é colocada recorrentemente e nunca me disseram 'E a minha mulher? Como a faço mergulhar neste maravilhoso mundo novo?'
Mas eu imagino que haja muitos pais que gostariam que as mães lessem mais sobre este assunto. Por isso este texto é para ti, também. Apenas escolhi este título porque penso que te chamará mais depressa a atenção do que um simples 'e quando não estamos alinhados.'

Generalizações à parte, vamos dar início a este post que eu sei que é dos mais esperados!

É verdade que um dos motivos de maior tensão em casa, entre pais, é quando estes não estão alinhados. Pior: é quando discordam, de forma fundamental, em muitos pontos. Sobretudo na forma como educam os seus filhos.

Então como é que damos a volta a isto?

1. Descobrir qual é o objectivo do outro educador
Ninguém quer falhar na educação dos seus filhos. Daí que utilizemos diferentes formas de lá chegar, tendo em conta quem somos, o tipo de educação que recebemos, quem desejamos ser e as expectativas que temos.
Se somos mais agressivos é porque sabemos que essas formas funcionam. No imediato. Só não funcionam no médio e no longo prazo, como já te expliquei aqui. E também não promovem o respeito na relação e o igual valor entre pais e filhos. Real valor, perguntas tu? Sim, real valor. Eu sou a mãe do meu filho, sei algumas coisas mais que ele e a minha missão é educá-lo. Mas ele, enquanto pessoa, tem tanto valor quanto eu e, por isso mesmo, é merecedor do mesmo respeito que eu.
Por isso quando o teu marido ralha com o teu filho porque ele não quer estudar, por favor reconhece o objectivo dele:
'Estás mesmo com receio que ele volte a tirar boa nota, não estás?'
'Como é que podemos ajudá-lo a concentrar-se e a ter melhor aproveitamento?'

2. Reparar nas coisas boas
Podes não acreditar, mas há sempre uma ou outra coisa que el@ faz bem. Tens é de estar atent@. E dizer-lhe. Porque se só apontas o que há de mau, não podes esperar que o outro queira mudar ou aprender mais sobre Parentalidade Positiva. Vai estar concentrado em explicar porque é que a forma dele é a melhor.

3. Não faças nada
Faz tu - segue o teu caminho e faz como te manda o coração.

4. Faz-lhe chegar informações das mais variadas formas
Há quem tenha lido partes do meu livro Crianças Felizes, tenha vindo aos workshops em casal ou, volta e meia, reencaminhe as newsletters. Sem grande pressão, dizendo que gostaste de ler e que gostava de partilhar com ele.

5. Escreve quais são as tuas intenções e os teus valores
Os americanos podem ter muitas coisas diferentes mas dou-lhes o valor por gostarem de fazer listinhas e check lists.
Pega num caderno e escreve o que desejas ensinar ao teu filho.
Que seja generoso? Ensina-o a alegria de partilhar!
Que seja curioso? Lê livros, passeia com ele.
Que seja educado? Mostra-lhe como é ser-se educado com os outros.
Que seja assertivo? Ensina-o a falar sobre aquilo que ele sente.
Que se faça respeitar? Respeita-o e faz-te respeitar!
E por aí fora. E partilha isso com o teu ou a tua companheira.

Espero ter ajudado!
Também podes ler este post a seguir:

Devemos ou não devemos discutir em frente aos miúdos?





Parentalidade Positiva e a diferença entre as outras duas formas de educar

21.8.12






É importante sabermos exactamente do que é que falamos quando nos referimos a Parentalidade Positiva (a partir de agora, designada por PP). E hoje vamos fazer um exercício de explicação das outras duas formas (mais tradicionais) de educar. Hoje vamos falar nos extremos. Na educação mais autoritárias e na mais permissiva.

Quais são as características da autoritária? Faz-se uso e abuso das palmadas, dos castigos, do medo e do ‘olha que te dou dois berros’. Se é verdade que no imediato a criança actua da forma como o pai ou a mãe quer, a verdade é que o faz porque não quer ser castigado ou apanhar. Não o faz porque percebeu o interesse de fazer como os pais dizem para fazer. E por isso, só vai fazer quando os pais lá estão e, quando não o fizer, vai andar à procura de justificações e culpados.  No limite, vai desenvolver uma resistência aos pais, vai ser do contra. Ou então, vai deixar de pensar pela cabeça dele (‘cala-te e faz o que te digo!’) e vai andar a vida toda a ‘toque de caixa’. É uma forma um bocadinho castradora.
E agora perguntas-me: mas ó Mum, então eu não posso dar ordens? Claro que sim! A diferença é que na PP (Parentalidade Positiva) escuta-se a criança, pode ou não negociar-se com ela naquilo que é negociável e dizer-lhe para actuar de uma determinada forma, explicando-se porquê, sem ameaças ou humilhações.

A educação permissiva é o contrário da autoritária. Com medo de se frustrar a criança, por causa de sentimentos de culpas (muitas vezes no caso de pais separados ou de pais que trabalham muito tempo fora de casa), deixa-se e permite-se tudo. Ora, uma criança para crescer de forma segura precisa de limites e de regras. E tem de entender isso. E para entender é preciso dizer quais são. Uma, duas, três ou mais vezes. E com muita firmeza. Uma criança que vive sem elas é uma criança com muita ansiedade e que sente que se os pais não conseguem fazer com que ela obedeça, então também não a conseguem proteger. E isso é terrivelmente assustador para uma criança. Mais tarde, vai ser um adulto incapaz, mimado, que acha que todos devem fazer aquilo que ele quer, que devem ajudá-lo (porque a mãe não lhe dava a sopa, porque ele não gostava mas arranjava um pratinho de arroz com cenoura e um bifinho e ele já se calava!).

A PP é um meio termo que se baseia no respeito e na função dos pais que é educar, amar e humanizar a criança e torná-la num adulto íntegro, são e feliz.

Limites e Autoridade

24.4.12


Tema quente, o de hoje. A autoridade… Desejada e ambicionada por muitos e, ainda assim, tão difícil de levar adiante.

Até a palavra é forte! Há quem goste de chamar autoridade, há quem lhe dê outros nomes. Não interessa. Hoje falo daquele momento em que ensinamos aos nossos filhos coisas fundamentais e onde impomos essa situação como obrigatória. Queres chamar liderança? Por mim, tudo bem. Desde que te faça sentido e consigas perceber que, neste caso, a semântica tem menos importância que o que abaixo se fala.

A palavra 'autoridade' está relacionada com o conceito de hierarquia e corresponde ao poder de comandar os outros e levá-los a agir da forma desejada. Constitui, por isso, a base para a responsabilidade. E podemos fazê-lo tanto pela força, como pela manipulação como pela modelagem. É uma questão de… estilo!
Palavras explicadas, vamos ao que interessa.

Aquilo que mais oiço é 'como é que faço para o meu filho' isto e 'para que o meu filho' aquilo?
A minha resposta é sempre 'não sei'.
E não sei mesmo. Cada caso é um caso, cada família é uma família. E nisto, é quase como num casamento… não meto a colher (embora muitas vezes tenha imensa vontade).
Adiante.

Aquilo que eu sinto é que, muitas vezes, nós não sabemos bem como fazer as coisas e qual é o nosso espaço e lugar, enquanto pais. Por isso é que este post se podia chamar 'uma explicação sobre o que é a autoridade parental'. Mas não se chama. Por isso, anda daí!

Nesta coisa de autoridade há uns quantos pontos que deixo abaixo, para leres, imprimires e até guardares para reflectires mais tarde. 

Aqui vão eles:
- As coisas, sejam elas quais forem, têm de ser explicadas às crianças. Todas? Sim, aquelas que lhes dizem directamente respeito. Em qualquer idade? Sim! Sim! Sim! Com as palavras adequadas, com os detalhes necessários. Aproveita e lê o post Falar a Verdade, onde explico melhor isto de se falar a verdade.
- As crianças têm de compreender que a vida tem regras e essas regras são para serem cumpridas. Elas são necessárias e indispensáveis numa sociedade civilizada. Não se dá pontapés ao banco da frente, num avião. Chega-se a horas à escola. Não se atira comida ao chão. Não se atravessa a rua quando está vermelho. Não se bate. And so on. 
- Nós pais também temos de compreender que estas regras são fundamentais e que somos nós aqueles que garantimos que os nossos filhos conhecem essas regras. Como? Enunciando-as e modelando-as. E exigindo que elas sejam cumpridas.

Autoridade é isto: é explicar a regra, impôr a regra e o respeito da mesma. Caso haja infracção, cada pai deve actuar de acordo com o que lhe parece útil naquela situação. Até pode abrir excepções à regra. It's our call. Se tiver de impôr uma sanção, que a imponha, na justa medida e com equilíbrio. Sinceramente, isto não tem nada de violento e o adulto não está a abusar do seu poder (e não, não me estou a referir a palmadas ou sapatadas.)

- Uma criança é um ser inteiro e que tem de ser tratada com respeito. Mas também é um ser em construção e, por isso mesmo, tem uma necessidade vital da autoridade dos pais para se construir. 
- A criança é um ser pulsional. Isto quer dizer que o cérebro dos nossos cutchi cutchi ainda está em crescimento e que a gestão que têm sobre um impulso ou desejo é muito pequena. Por isso mesmo é que esta autoridade tem de estar em equilíbrio com aquilo que pedimos que ela faça. Para quê? Para que seja justa. 
- Educar não é impôr. O objectivo da educação, entre outras coisas, é sobretudo o de fazer com que a criança compreenda o benefício das regras. Para quê? Ora bem, para que as possa aplicar sozinha, sem necessidade dos pais. E, compreendendo as regras, aceita-as. Por isso, e mais uma vez, falar a verdade, explicar a razão de ser das coisas é fundamental. 
- Educar também é escutar. Queres que os teus filhos façam sempre aquilo que tu queres? Mesmo? Queres uma obediência quase cega? Eu quero filhos que me questionem sobre o porquê e o interesse de uma regra. Sinceramente, não acho piada nenhuma quando oiço 'os meus filhos fazem tudo aquilo que lhes peço'. Estão na tropa?, tenho vontade de perguntar. E quando forem maiores? E quando forem adultos? Vão andar a toque de caixa por causa dos outros, sem nunca questionarem? Lá está, equilíbrio, meus senhores. E respeito pela criança. 

E nós? Costumo dizer que se compreendêssemos que é tão vital para os filhos a educação como é vital tomarem um medicamente para baixar a febre alta, talvez algumas coisas fossem diferentes.
Ao mesmo tempo, e como a Laura nos explicou na entrevista que deu aqui no Mum's, é importante que saibamos gerir as nossas frustrações e ansiedades. Elas são só nossas e de mais ninguém. Aposto que, quando isso acontece, somos mais capazes de enunciar e fazer respeitar uma regra sem que tenhamos de recorrer a sanções ou manipulações.

E porque é que isto tudo é importante? Pelas razões enunciadas acima e também porque é dentro dos limites que uma criança também se constrói.

Parentalidade Positiva - I

10.2.12


Esta coisa da parentalidade positiva dá horas de conversa...

E vai daí, decidi colocar aqui um post sobre o que é que isto é, para que possamos desmistificar a ideia que a parentalidade positiva é uma parentalidade permissiva.

 Vou fazê-lo por etapas. Tenho a noção que textos demasiado longos podem tirar-te a vontade de ler.

Como é que eu despertei para este tema?

Quando tomei a decisão de ser mãe fui invadida por um grande medo. Medo de não ser capaz. É um sentimento natural  -  afinal de contas educar é uma grande responsabilidade. Ao mesmo tempo percebi que ter medo bloqueia-me na tomada de decisões e faz com que tudo seja menos claro. E então decidi começar a ler - ler muito sobre estes assuntos e perceber quais são as diferentes perspectivas de diferentes autores. E ler o quê? Leio livros de pediatras, psicanalistas infantis, e neurocientistas, de psicólogos e até livros ‘pop’. O objectivo é alargar os conhecimentos e continuar flexível.

 Nessa altura descobri uma coisa chamada haptonomia. A haptonomia é uma forma de comunicação in-utero com o bebé. In-útero, dizes tu? Yep, in-útero, com a mão por cima da barriga (não te ponhas já com coisas). Como esta técnica não era praticada em Portugal (e ao que parece continua a não ser), lá fui eu pesquisar e ler tudo o que se dizia. Trocando a coisa por miúdos, a haptonomia faz com que a criança e os pais criem uma ligação que antecede o nascimento. É feita através do toque e da palavra. Fala-se muito, toca-se muito na barriga, brinca-se com a criança e ela mexe-se e responde conforme o ritmo que damos. Brutal. É uma comunicação que vamos ‘afinando’ dia-a-dia. Começámos no 5º mês de gravidez. Porquê? Primeiro porque passei a sentir o meu bebé. Depois, porque é nesta altura que a audição se desenvolve. E depois porque antes, a haptonomia, dizem, não faz muito sentido.

 O certo é que quando a Miss C. nasceu e como a nossa relação com ela já existia,  sentímos que estava ali uma pessoa e não um bebé. Uma pessoazinha. E sabemos que ela sentia isso também porque nasceu mais espevitada e com uma forma de olhar e de se segurar que é muito própria em crianças cujos pais praticam este método. É um olhar e uma postura atenta, de quem está bem acordada para a vida. E isso muda a relação e a forma como agimos com ela.

 O facto de eu saber que a minha filha é uma pessoa por inteiro permitiu-me ver para além do bebé que tinha à minha frente. Permitiu-me tomar consciência que todos temos uma natureza e que eu devia seguir o ‘swing’ dessa natureza porque é assim que a minha filha é. Aceitar quem ela é, ampará-la no seu crescimento - esse é o meu foco.

 E como a respeito, tenho uma forma de educar diferente da tradicinal. É curioso, mas a minha mãe acha que eu sou muito boazinha. E que essa coisa de explicar tudo à minha filha não vale grande coisa porque até há pouco tempo ela não percebia metade – nem falava, tão pouco. Pois é, a verdade é que os miúdos percebem tudo, desde o momento que nascem. Percebem porque ouvem mais do que nós. Ouvem o tom da nossa voz, sentem-nos nervosos ou felizes e isso é comunicar e é chegar até mais longe do que nós, adultos, chegamos. Isto eu sei e garanto-te – eles percebem, mesmo!

A maior parte das pessoas que eu conheço teve uma educação mais autoritária. Os pais tinham aquela filosofia do ‘quero, posso e mando’ e do ‘olha para o que eu digo mas não olhes para o que eu faço’. A maior parte de nós apanhou uma palmada. Eu apanhei. E não me fez mal. E uma ou outra vez fui castigada pelos meus pais por me ter portado mal ainda que fosse raro calcar a linha. A verdade é que estou aqui, sem grandes traumas. Acredito que tenho valores bons, que sou boa rapariga e que os meus pais fizeram o melhor que sabiam e por amor.

A questão é então: Porque é que eu decidi abraçar esta causa da parentalidade positiva? Porque acredito que posso fazer diferente. Porque respeito a minha filha e porque a considero uma pessoa inteira. E não a consigo ver de outra forma. Porque não acredito que uma palmada ensine mais do que uma boa explicação feita duas ou três ou quatro vezes. Porque acredito que os pais é que são os adultos e aqueles que têm de gerir as emoções, como agora se diz. Porque acredito que ‘amor com amor se paga’ e ‘respeito com respeito se paga’.

Por isso, o primeiro grande passo é mudar a forma como olhamos para a educação que damos aos pequenos e perceber o que é que queremos. Claro que queres filhos felizes, com saúde e que respeitem os outros e se respeitem a si próprios. Então se queres isso, age por influência. Mune-te de uma boa dose de paciência e, acima de tudo, olha para eles como pessoazinhas. Este é mesmo o primeiro grande passo. Pelo menos, e para mim, foi.

No próximo post vou clarificar, através de exemplos, o que é uma educação autoritária, permissiva e positiva. Vou falar-te de exemplos e estratégias que uso e que leio. Vou contar-te que por vezes falho, por vezes até sou permissiva, por vezes tenho muito medo de ser autoritária mas lá está, emendo a mão. Porque isto da educação é mesmo uma viagem e, como qualquer viagem, às vezes enganamo-nos na estrada e temos de fazer marcha atrás. É assim comigo.

E eu fico contente por aprender todos os dias e de partilhar isto contigo. Porque se passas por aqui é porque estes temas fazem sentido e te questionas sobre aquilo que podes fazer melhor, todos os dias, pelos teus filhos J, certo? E é isso que também me dá vontade de continuar!

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