Este é o ano da mudança. O ano em que ela vai da primária para a escola dos grandes. Não consegues adiar mais o telemóvel e ela recebe-o durante as férias de verão e sente-se crescida, feliz... maior!
De repente percebes que deixou mesmo de ser menina e que, a partir de agora, a coisa fica séria. Chamam-lhe pré-adolescência mas também lhe poderiam chamar o início da emancipação e do criar asas para voar.
No final da primeira semana de aulas parece que tudo ficou com defeitos. É o telemóvel que não é como os dos amigos, são as roupas que não são adequadas à escola. Descobres que puxa as t.shirts de lado para mostrar os ombros, que rebola os olhos demasiadas vezes e que o teu QI, que nunca te tinha deixado ficar mal parece ser, aos olhos da tua filha, mais baixo que o dela próprio.
Percebes então que estás a perder terreno. Deixas de ser a mãe (sempre) cool para ser a mãe. Percebes agora que aquilo que já sabias começa a tornar-se verdade e que, mais cedo ou mais tarde, deixarás mesmo de ser a última Coca-Cola do deserto e que os amigos é que vão ser os maiores. E percebes que não é isso que queres nem é assim que tem de ser. E fazes bem porque, embora eles estejam a crescer e a criarem os seus próprios laços sociais, a verdade é que tu tens de te manter por perto porque és tu que a orientas, és tu que modelas comportamentos e, da última vez que verificaste, era o teu nome que aparecia na filiação do seu cartão de cidadão.
1. Mantém-te por perto
Cada vez menos será a tua filha a ir ter contigo. Não é que seja por mal - é só uma característica da idade. Por isso 'fica esperta' e faz tu programas com ela - saiam para jantar só as duas, vão a um cinema ou até às compras. Não tenhas como objetivo ser a melhor amiga nem teres conversas profundas nesses momentos - se acontecer, melhor - mas o que tu procuras com estes momentos é fortaleceres o vínculo.
2. Dá-lhe espaço
É importante reconhecermos que ela começam a ter a sua vida, a sua intimidade. Mas isso não significa que lhe vires as costas porque agora passa a ser assim. Nem pensar nisso. Continua a ser obrigatório jantar à mesa sem o telemóvel, continua a ser obrigatório responder sem ser agressivo, continua a ser obrigatório fazer tudo o resto, respeitando a crescente privacidade que ela vai necessitando.
3. Escuta
Uma das características comuns nestas idades é o facto de as miúdas falarem muito. Chegam a casa e contam tudo o que aconteceu na escola, com as amigas e com elas. Escuta. Pode ser cansativo mas aproveita para escutares com interesse. Se ela se sentir escutada é certo que volta a ti. Coloca-lhe boas questões, interessa-te.
4. Re-afirma os vossos valores
Um pré-adolescentes, tal como um adolescente gosta de se sentir importante e gosta que o convidem a refletir, de forma inteligente. Aproveita essas longas conversas em que escutas [ponto 3] para lhe ires relembrando os vossos valores de forma clara mas sem teres de julgar. Quando julgas, a tua filha [ou qualquer outra pessoa] sente que terá de se proteger e, proteger aqui quer dizer o quê? Quer dizer deixar de contar.
5. Acompanha a atividade social
Agora são almoços em casa da Ana, dormidas em casa da Margarida e sms a torto e a direito. A tua filha começa a ter uma vida social que se expande a olhos vistos. Na verdade, é aos 12 anos que ela começa a ter essas ferramentas para fazer e manter amizades e ajuda o que ela já viu os pais fazerem. Mas o mais importante é que possas acompanhar essa vida social e que possam decidir as duas o que vai acontecer. Aproveita para manteres as portas de tua casa abertas para conheceres as amigas que lhe vão passando pela vida.
6. Promove momentos íntimos em família
E se acima disse para manteres as portas abertas, agora digo-te o contrário. Fecha-as com regularidade. Não conseguirás criar nem manter momentos íntimos em família se não estiverem só vocês. Então domingo à tarde bem pode ser aquele momento em que todos se fecham em casa a verem um filme e a comer pizza e pipocas. O fim-de-semana pode significar uma saída em bicicleta e um picnic ou ainda a mudança da pintura de uma parede lá em casa. Acredita que se não criares e mantiveres estes momentos em que só estão vocês o resto fica menos fácil. E o que é o resto? É a tua influência positiva na vida dos teus filhos.
7. Não te esqueças das hormonas e da construção/definição de quem ela é
This is it - aquela fase que pode ser mais difícil. As hormonas não ajudam e na busca de quem ela é, nas incertezas e nas mudanças, há comportamentos que se tornam mais agressivos, menos certos. É mesmo preciso ter paciência, compaixão e respirar fundo várias vezes. E então? Esquece: ela não fica acordada à noite a magicar planos para te aborrecer. Não acredites que ela te quer mal. E se te lembrares de ti quando era adolescente sabes bem que te aconteceu o mesmo e a única coisa que procuravas era aceitação. Respira, então.
8. Fica atenta ao que ela consome
No que diz respeito a filmes, alimentos, amizades e dados móveis ;) E vai gerindo, fazendo perguntas e oferecendo aquilo que te parece mais saudável. Fica atenta à forma como ela se relaciona com os amigos e lembra-te que existe o bullying e uma cultura machista onde as mulheres continuam a ter pouco valor. Ah! E provavelmente está na hora de falares sobre sexo. Podes ver aqui
mais sobre esse tema.
9. Respira
A adolescência que se aproxima não tem de ser um bicho de 7 cabeças. Há palavras chave como são a independência e a descoberta e por isso vê-te como alguém que a vai acompanhar na promoção dessas competências. Não te imponhas, dá-lhe espaço mas acompanha. Lá por ser um ser em crescimento não é um produto acabado e precisa tanto de nós.
10. Trata de ti
Não consegues fazer tudo nem tudo bem se não tratares de ti. Arranja-te, faz exercício, alimenta-te, dorme, ri, sai com amigos, lê, namora, relaxa... enfim, tem prazer na tua vida. Mas não fiques à espera que ela te aconteça. E tudo isto vai modelar a vida dos teus filhos porque és tu quem os inspira.
A pré-adolescência e a adolescência [e os conflitos] são uma das etapas do desenvolvimento da Criança e do jovem e são tema tratado na Pós-Graduação em Parentalidade e Educação Positivas. Se quiseres saber mais,
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