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A escuta ativa em 2 exemplos

11.1.18
A Escuta ativa em exemplos


Exemplo 1:
Filho: "Mãe, já te disse que não me vou embora! Não quero ir para casa. Vou ficar aqui!!"
Mãe: "Tu não me falas assim, António Manuel. Vem cá, pede já desculpa e vamos embora para casa! Lá em baixo vamos conversar melhor. Agora nem mais um piu".


Exemplo 2:
Filho:"Mãe, já te disse que não me vou embora! Não quero ir para casa. Vou ficar aqui!!"
Mãe (a sorrir): Isto é que deve ter sido uma festa e peras para tu não queres ir embora. Foi?"


Exemplos retirados do livro Crianças Felizes




Segue-nos aqui:

Sabes escutar ativamente? Mesmo?

10.1.18


Muito se tem ouvido falar em escuta activa mas a verdade é que somos ainda muito poucos a saber fazê-lo. Nesta formação  um dos módulos é, precisamente, a escuta ativa. No final da primeira sessão, a maior parte dos participantes está de acordo que o mais difícil de fazer é, efectivamente, escutar. 

Porquê?

1 - Fazemos interpretações, julgamos e por vezes até condenamos
"Eu nunca faria isso! Se fazes assim, então é porque... "
"Que sorte que tens!"

2 -Procuramos pôr em comum
Eu também! Está sempre a acontecer-me o mesmo. 
Oh! A mim nunca é assim.
E escutar o outro é só escutá-lo, silenciando o que vai dentro de nós.

3 - Salvar
"Deixa lá, vais ver que vai correr bem! Não te preocupes, não penses mais nisso!"
Escutar é escutar. Há momentos que a coisa mais importante a fazer é mesmo só isso. Sem dar soluções ou ideias ou palmadinhas nas costas. 





Escutar é mesmo um ato de coragem!
Magda Gomes Dias

Mas se por um lado fazemos todas estas coisas acima somos, ao mesmo tempo, muito passivos na escuta. Colocamos questões fracas e que muitas vezes não mostram genuíno interesse e não ajudam os miúdos a explorarem respostas ou outras formas de ver a questão.
Repara que nem sempre tens de ter resposta da criança mas quando a questão fica lá dentro...

Aqui ficam as dicas para se fazer uma escuta ativa como deve de ser:

1 - Há quem diga que é impossível não julgar, interpretar. E eu estou de acordo. 
Mas podemos sossegar os nossos pensamentos, permanecendo focados no que a pessoa à nossa frente está a dizer.

2 - Fazer pausa na nossa agenda pessoal e deixar as nossas ideias e percepções de lado, procurando ver o que é que o outro está a ver.

3 - Escutar com interesse genuíno, eliminando qualquer tipo de distração

4 - Interessa-te. Olha para o teu filho. Para as expressões giras que faz. Segue os olhos dele sempre que puderes - esta é uma excelente técnica de te esqueceres de ti e te entregares totalmente à conversa.

5 - Procura ser o mais empática possível. E toma nota: ser empática não é concordar nem ceder. 

6 - Trabalha a flexibilidade cognitiva - e para o fazer coloca boas questões, ajudando o teu filho a olhar para as questões (sempre que se justificar) por outro lado!


Escutar é, por isso, um ato de coragem porque implica que saibamos praticar uma escuta silenciosa, que respeita o outro nos seus receios, ansiedades e expectativas, sem termos de o salvar, dar sugestões ou interferir. Não é fácil, é certo, mas quando o sabemos fazer, é mágico e tranquilo. 


Segue-nos aqui:





O que dizer quando nos respondem torto

27.11.17
Nos últimos tempos tenho recebido imensas mensagens a pedirem-me dicas sobre como lidar com os miúdos quando estes começam a responder torto.

Uma das dicas que gosto sempre de ensinar tem a ver com a escuta ativa. O que é que a criança nos está mesmo a dizer? A pergunta parece óbvia mas a resposta nem sempre o é!

Aqui fica uma lista que espero seja útil!





www.parentalidadepositiva.com

Da empatia... ou da falta dela.

17.10.17
Portugal está triste,  revoltado e desapontado.
Depois de ter escutado muitos dos discursos políticos, sinto que estamos, também, sós.

Faltou empatia e a capacidade de se colocar no lugar do outro. Ainda há dias se escrevia sobre isso neste blogue. 

É certo que não foi o Governo a lançar os fogos. Mas é do Governo a competência em ter os recursos para nos proteger. É dele a responsabilidade de assegurar tudo isso. E se falha, então que, pelo menos, o discurso seja próximo e humano. Não frio nem distante, como se a tragédia estivesse relacionada apenas, com o arder da mata. Homens e mulheres arderam, literalmente.

O Governo não é o nosso pai mas, porque votámos e contribuímos, esperamos que não nos falhe. E quando nos falha, que sinta que os seus (que o somos) perderam porque, em parte, falhou.

Empatia não é uma emoção. É uma competência.
Soube bem ouvir o nosso Presidente falar esta noite. Com sentido de Estado e responsabilidade política. Mais que isso: humanidade. Que me parece que é exatamente o que está a falhar.

Eu, que não vi uma única imagem na TV - apenas leio os jornais online e oiço a rádio - ouvi hoje um dos resumos que a TSF fez. O final da peça está bestialmente bem feito - tira-nos o chão, faz-nos parar no tempo e aquelas vozes ecoaram na minha cabeça o dia todo. Muito mais que todas as imagens que vi - porque eram vozes de gente em pânico, elas sim, sem chão e sem nada, a quem tudo foi roubado. Devia haver mais gente a escutá-la, por estes dias. Talvez assim, alguns deles, se conseguissem pôr, nem que fosse 'um poucochinho', no lugar dos outros, sem chavões políticos nem banalizações.


Devo ou não devo negociar com os meus filhos?

24.7.17


Frequentemente surge esta dúvida:

'Mas devo negociar com os meus filhos? Isso não quer dizer que deixo de ser eu a mandar? Mudar de ideias não prova que não estava certo? Ou até que me deixo "levar" pelo meu filho?'

Neste caso estamos a confundir os termos e as ideias. Vamos lá ver isto com detalhe.

Antes de tudo, é importante assegurarmos que as regras estão claras. Aqui estão alguns exemplos:
Durante a semana, a hora de ir para a cama é às 21h30.
Durante a semana, os TPCs são feitos antes da hora do jantar.
Já podemos atravessar a rua sozinhos mas devemos fazê-lo em segurança e da forma como me ensinaram.
A mesada é para ser gasta ao longo do mês e o valor estipulado tem a ver com aquilo que foi pensado ser o mais adequado e justo.
Ao fim-de-semana podemos brincar até mais tarde e até trazer amigos para o almoço.

Estas regras foram conversadas e, na maior parte dos casos, são para ser mantidas.
Eu sei que tu gostarias de ficar acordado até mais tarde. Hoje é 5ª Feira e amanhã já podes ficar mais um pouco porque no Sábado não é dia de escola. Hoje a hora de dormir é agora - vamos que eu vou ajudar-te.

Não faz mal a criança mostrar que não está contente - tem mesmo de o fazer. E tu, com a certeza de quem está a pedir algo justo, só tens de aceitar que o comportamento dela é normal. Como?
Mantendo-te firme, generoso e usando até usar algumas das estratégias da comunicação positiva para te sintonizares com ele. Num próximo post vou falar-te da postura que podemos ter durante a negociação e que fará toda a diferença.

No entanto, negociar é uma excelente competência que podemos [devemos] ensinar aos nossos filhos e não nos tira poder. O que nos tira poder é hoje fazermos assim e amanhã de outra forma. Negociar não tem de mostrar indefinição. Não negociar mostra inflexibilidade e insegurança, por vezes. Queres ver?

- Queres ficar a acabar de ver este filme/jogar este jogo? Tudo bem! Vamos lá! E hoje ficamos sem a leitura da história. Assim conseguimos fazer as duas coisas.

- Queres ficar mais um pouco aqui em casa do João? Hmmm.... é que ainda tenho de ir fazer o jantar...  Então, fazemos assim, ficamos mais um pouco e quando chegarmos a casa ajudas-me a pôr a mesa. Combinado?

- Gostavas que te aumentasse a mesada e eu gostaria muito disso mas não tenho como. Explica-me, direitinho, porque é que precisas de mais dinheiro. E depois vamos pensar em formas de conseguir esse valor [ou de contornar/aceitar a questão].

Ao negociarmos precisamos de fazer algo importantíssimo e que é escutar e fazer perguntas. E só aqui estamos a dar valor e significado à nossa relação com o nosso filho, crucial na arte de negociar - ir ao encontro das necessidades do outro. E ainda que não seja possível ou de interesse negociar, só o facto do outro se sentir entendido cria proximidade e cooperação. E isso tem um valor enorme.

Por isso a minha resposta é sim e não:

Sim, as regras são para serem mantidas mas há excepções. E aí devemos negociar naquilo que é possível negociar [do meu ponto de vista, a segurança é não-negociável mas pode ser conquistada - atravessar sozinho, subir a uma árvore e por aí fora. E se não for possível a negociação, pelo menos ouvimos os argumentos.

Não, negociar não nos tira poder nem nos fragiliza se formos pessoas coerentes e consistentes. Quer isto dizer que hoje não podemos dizer que sim e amanhã que não, de forma repetida. Negociamos para nos ajustarmos às necessidades que vão aparecendo, quando é possível e desejável negociar. Um jovem de 16 anos deseja ver a sua hora de chegada a casa alargada e talvez esteja na hora de negociar a hora a que chegava, no ano passado, durante as férias de verão. Cada caso é um caso.

E sim, se negociarmos bem, estamos a dar mais autonomia e responsabilidade, fazendo com que a criança se comprometa com a sua parte do compromisso. Negociar bem e em condições torna-nos pessoas justas, flexíveis, tudo aquilo que muitos de nós desejamos ser  enquanto pais, tivessemos menos receios e a oportunidade de discutir com outros, estes temas.

Como é que tens negociado em tua casa? Abres excepções? O teu filho é insistente? Consegues explicar ao teu filho as tuas decisões? Consideras que escutas as motivações e necessidades dele?





Pedir, sem convencer

27.2.17
Quem me lê e frequenta as formações comigo sabe que um dos pontos que defendo é que podemos pedir tudo a uma criança sem termos de a convencer de seja o que for.

Gosto muito desta frase que encontrei num caderno, e cujo autor não sei quem é mas que nos ajuda a resumir muito daquilo que digo:

"Sempre que possível, substitui um parágrafo por uma frase, uma frase por uma palavra e uma palavra por um gesto."

Vais dar por ti a falar de forma mais clara, simples, direta e afirmativa. Mas sabes o que acontece mesmo quando usas, a sério e de forma constante esta técnica? Passas a escutar mais e melhor.

Não acredites nisto que te escrevo. Experimenta!

O mito do amor incondicional

3.2.17

Já escrevi algumas vezes, neste blogue, sobre amor incondicional e hoje volto ao tema por causa de um comentário que um pai fez numa formação que dei há uns dias.
Este pai entendeu o valor da comunicação positiva e no impacto das nossas palavras, de uma forma geral, mas perguntou se, no final, o amor incondicional que sentia pelo filho, e que fazia questão de lhe transmitir não seriam o bastante.

Não é o que dizemos que conta. Conta muito também como fazemos a criança sentir-se.

Olha os dois exemplos abaixo:

Take #1
Entras no quarto dos teus filhos e vês a roupa feita num embrulho no chão. Os brinquedos espalhados por todo o lado, a cama por fazer e dizes:
'Isto é sempre a mesma coisa, vocês são uns desarrumados e não têm respeito nenhum por mim! É uma vergonha! Uma vergonha!! Quero isto tudo arrumado imediatamente e se quando não voltar isto não estiver impecável vocês vão ver-se comigo.'

Muito possivelmente conseguirás o teu objectivo em alguns momentos. Gritaste, ameaçaste, desgastaste-te e usaste a tua raiva para insultar os teus filhos. E a raiva é mesmo poderosa, se a soubermos usar. E não tem de ser usada para insultar, nem magoar, sabias?
Podes dizer tudo o que dizes acima de outra forma. Queres ver?

Take #2
Entras no quarto dos teus filhos e vês a roupa feita num embrulho no chão. Os brinquedos espalhados por todo o lado, a cama por fazer e dizes:
'Estou furiosa, o que é isto? Quando vejo o vosso quarto neste estado fico cheia de vontade de deitar tudo fora. Vamos lá, toca a pôr tudo no sítio malta!'

Será que funciona?
Pelo menos terás a atenção calma dos teus filhos porque não lhes estarás a gritar nem a insultar. Nesse sentido, eles não estarão ocupados a protegerem-se nem a defenderem-se. E depois podes dar uma mão, também. A questão da arrumação e da ordem são muito subjectivas. Porquê? Por dois motivos: primeiro porque é uma necessidade nossa e porque depois a ordem é algo particular. Nesse sentido teremos de a ensinar aos miúdos.

Voltando ao amor incondicional, que é o que nos trouxe aqui... Mesmo que ames muito os teus filhos, achas mesmo que no Take #1 estarás a transmitir esse amor da melhor forma? Pois, é aí que eu quero chegar. Não é o que dizes e antes aquilo que lhes fazes sentir.

Pensa nisso!


Técnicas de Parentalidade Positiva do mumstheboss.com promovem melhores relações parentais no Canada: de Portugal para o mundo!

3.1.17
Como sabes, estive em Paris há pouco mais de um mês, no Encontro Internacional de Bloggers, a convite da Paroles de Mamans. Representei Portugal num pitch de 5 minutos onde falei sobre parentalidade. Apesar de termos culturas diferentes e experiências diferentes, no que toca a filhos, temos muito em comum. O tema que levei foi muito bem recebido e deu origem a um post do John, que partilhei contigo aqui. O tema tinha a ver com dicas sobre como comunicar com os nossos filhos.

O nome deste encontro é E-fluents, ou seja, quer mostrar-te o impacto que a blogosesfera tem neste momento, no mundo inteiro. E, para além daquilo a que assistimos em Paris, esta influência tornou-se ainda mais palpável quando o John nos informou que este post chegou ao Canada. Estas mesmas técnicas que levei de Portugal a Paris, e que foram escritas pelo John, em Inglaterra, chegaram agora ao outro lado do mundo. Estas técnicas estão a ser utilizadas numa prisão de homens, com o objectivo de promover relações parentais com maior significado. 

É ou não é qualquer coisa?

Isto é comunicação positiva e é a enorme influência que os blogues podem ter. Estou mesmo muito orgulhosa e feliz!!


 Gostavas de saber mais sobre Parentalidade e Educação Positivas? Então se este assunto te interessa enquanto profissional (ou mãe/pai) consulta este link.

Conflitos entre irmãos: quando quase nada funciona!

8.11.16

A propósito deste post, recebi alguns emails com questões específicas e que aproveito para responder por aqui - tenho fases em que não consigo responder a tudo individualmente.

'Magda, estou muito interessada em frequentar o curso de mediação escolar que está a divulgar. Apesar desta situação não estar relacionada com a parte escolar, tenho a certeza que é muito parecido.
Quando os meus filhos se pegam eu vou lá e ajudo-os sempre que vejo que tenho de intervir. Sou empática, procuro ser imparcial e colocá-los no lugar do outro. Mas fico chateada quando, por exemplo, pergunto ao mais velho "Como é que tu te sentirias se a tua irmã fizesse o mesmo?" e ele me responde 'Bem!" ou não me responde nada. É incapaz de ser empático e de mostrar remorso. 
O que é que devo fazer a seguir?'

Esta é uma questão muito interessante.
Sim, a criança saberá o que sentiria naquela situação mas algumas crianças, quando são expostas desta forma ficam inseguras e sentem-se ameaçadas.
Então a melhor forma é dizermos o que sabemos, sem as questionarmos.
Como assim, perguntas tu?

'Tenho a certeza que conseguirás imaginar como te sentirias se fosse a tua irmã a fazer-te isto."

Toma atenção ao tom e à tua intenção quando dizes o que escrevi acima.

Não precisas de o dizer num tom agressivo, apenas afirmativo. E ele não terá de responder. Mas acredita que se colocará no lugar da irmã. Só não precisa de te responder e expor-se.

Podes dar seguimento a esta situação e até pedir a intervenção dos miúdos e mediares estas situações. Queres aprender mais sobre isto? Estamos a organizar esta incrível e super prática formação ainda este ano. Estamos muito felizes em conseguir que a Isabel Oliveira venha à nossa Escola.



Os 10 pontos essenciais que tens de conhecer para sobreviverem [em conjunto] à pré-adolescência

13.10.16


Este é o ano da mudança. O ano em que ela vai da primária para a escola dos grandes. Não consegues adiar mais o telemóvel e ela recebe-o durante as férias de verão e sente-se crescida, feliz... maior!
De repente percebes que deixou mesmo de ser menina e que, a partir de agora, a coisa fica séria. Chamam-lhe pré-adolescência mas também lhe poderiam chamar o início da emancipação e do criar asas para voar.
No final da primeira semana de aulas parece que tudo ficou com defeitos. É o telemóvel que não é como os dos amigos, são as roupas que não são adequadas à escola. Descobres que puxa as t.shirts de lado para mostrar os ombros, que rebola os olhos demasiadas vezes e que o teu QI, que nunca te tinha deixado ficar mal parece ser, aos olhos da tua filha, mais baixo que o dela próprio.
Percebes então que estás a perder terreno. Deixas de ser a mãe (sempre) cool para ser a mãe. Percebes agora que aquilo que já sabias começa a tornar-se verdade e que, mais cedo ou mais tarde, deixarás mesmo de ser a última Coca-Cola do deserto e que os amigos é que vão ser os maiores. E percebes que não é isso que queres nem é assim que tem de ser. E fazes bem porque, embora eles estejam a crescer e a criarem os seus próprios laços sociais, a verdade é que tu tens de te manter por perto porque és tu que a orientas, és tu que modelas comportamentos e, da última vez que verificaste, era o teu nome que aparecia na filiação do seu cartão de cidadão.

1. Mantém-te por perto
Cada vez menos será a tua filha a ir ter contigo. Não é que seja por mal - é só uma característica da idade. Por isso 'fica esperta' e faz tu programas com ela - saiam para jantar só as duas, vão a um cinema ou até às compras. Não tenhas como objetivo ser a melhor amiga nem teres conversas profundas nesses momentos - se acontecer, melhor - mas o que tu procuras com estes momentos é fortaleceres o vínculo.

2. Dá-lhe espaço
É importante reconhecermos que ela começam a ter a sua vida, a sua intimidade. Mas isso não significa que lhe vires as costas porque agora passa a ser assim. Nem pensar nisso. Continua a ser obrigatório jantar à mesa sem o telemóvel, continua a ser obrigatório responder sem ser agressivo, continua a ser obrigatório fazer tudo o resto, respeitando a crescente privacidade que ela vai necessitando.

3. Escuta 
Uma das características comuns nestas idades é o facto de as miúdas falarem muito. Chegam a casa e contam tudo o que aconteceu na escola, com as amigas e com elas. Escuta. Pode ser cansativo mas aproveita para escutares com interesse. Se ela se sentir escutada é certo que volta a ti. Coloca-lhe boas questões, interessa-te.

4. Re-afirma os vossos valores
Um pré-adolescentes, tal como um adolescente gosta de se sentir importante e gosta que o convidem a refletir, de forma inteligente. Aproveita essas longas conversas em que escutas [ponto 3] para lhe ires relembrando os vossos valores de forma clara mas sem teres de julgar. Quando julgas, a tua filha [ou qualquer outra pessoa] sente que terá de se proteger e, proteger aqui quer dizer o quê? Quer dizer deixar de contar.

5. Acompanha a atividade social
Agora são almoços em casa da Ana, dormidas em casa da Margarida e sms a torto e a direito. A tua filha começa a ter uma vida social que se expande a olhos vistos. Na verdade, é aos 12 anos que ela começa a ter essas ferramentas para fazer e manter amizades e ajuda o que ela já viu os pais fazerem. Mas o mais importante é que possas acompanhar essa vida social e que possam decidir as duas o que vai acontecer. Aproveita para manteres as portas de tua casa abertas para conheceres as amigas que lhe vão passando pela vida.

6. Promove momentos íntimos em família
E se acima disse para manteres as portas abertas, agora digo-te o contrário. Fecha-as com regularidade. Não conseguirás criar nem manter momentos íntimos em família se não estiverem só vocês. Então domingo à tarde bem pode ser aquele momento em que todos se fecham em casa a verem um filme e a comer pizza e pipocas. O fim-de-semana pode significar uma saída em bicicleta e um picnic ou ainda a mudança da pintura de uma parede lá em casa. Acredita que se não criares e mantiveres estes momentos em que só estão vocês o resto fica menos fácil. E o que é o resto? É a tua influência positiva na vida dos teus filhos.

7. Não te esqueças das hormonas e da construção/definição de quem ela é
This is it - aquela fase que pode ser mais difícil. As hormonas não ajudam e na busca de quem ela é, nas incertezas e nas mudanças, há comportamentos que se tornam mais agressivos, menos certos. É mesmo preciso ter paciência, compaixão e respirar fundo várias vezes. E então? Esquece: ela não fica acordada à noite a magicar planos para te aborrecer. Não acredites que ela te quer mal. E se te lembrares de ti quando era adolescente sabes bem que te aconteceu o mesmo e a única coisa que procuravas era aceitação. Respira, então.

8. Fica atenta ao que ela consome
No que diz respeito a filmes, alimentos, amizades e dados móveis ;) E vai gerindo, fazendo perguntas e oferecendo aquilo que te parece mais saudável. Fica atenta à forma como ela se relaciona com os amigos e lembra-te que existe o bullying e uma cultura machista onde as mulheres continuam a ter pouco valor. Ah! E provavelmente está na hora de falares sobre sexo. Podes ver aqui mais sobre esse tema.

9. Respira
A adolescência que se aproxima não tem de ser um bicho de 7 cabeças. Há palavras chave como são a independência e a descoberta e por isso vê-te como alguém que a vai acompanhar na promoção dessas competências. Não te imponhas, dá-lhe espaço mas acompanha. Lá por ser um ser em crescimento não é um produto acabado e precisa tanto de nós.

10. Trata de ti
Não consegues fazer tudo nem tudo bem se não tratares de ti. Arranja-te, faz exercício, alimenta-te, dorme, ri, sai com amigos, lê, namora, relaxa... enfim, tem prazer na tua vida. Mas não fiques à espera que ela te aconteça. E tudo isto vai modelar a vida dos teus filhos porque és tu quem os inspira.



A pré-adolescência e a adolescência [e os conflitos] são uma das etapas do desenvolvimento da Criança e do jovem e são tema tratado na Pós-Graduação em Parentalidade e Educação Positivas. Se quiseres saber mais, clica aqui e pede-nos infos via cursos@parentalidadepositiva.com

SABES COMO FALAR SOBRE SEXUALIDADE COM OS TEUS FILHOS?

4.10.16




Quem melhor para nos falar sobre sexualidade que a nossa querida Vânia Beliz, uma profissional fora de séria nesta área.
De leitura obrigatória, esta entrevista.

1. Falar sobre sexualidade? A partir de quando?

Em primeiro lugar importa sensibilizar que o conceito de sexualidade não inclui apenas relação sexual e prática sexual. O erro sobre este conceito talvez seja o que mais tem dificultado a sua abordagem.

Quando falamos de sexualidade falamos de muitas coisas como género, identidade, relação comigo e com o outro, afetos, sentimentos, corpo, desenvolvimento, segurança, proteção e claro, intimidade e relação sexual. A criança apresenta desde cedo curiosidade em relação a ela e depois em relação outro e essa curiosidade potência o início de uma serie de questões, às vezes constrangedoras para os pais. As crianças exploram, desde cedo o mundo. Elas e os outros fazem parte desse mundo daí o começo desse conhecimento através da boca, do toque, da marcha, da fala…

As perguntas normalmente começam sobre as diferenças que observa e normalmente incidem sobre a temática do corpo. Os pais não devem esperar que as perguntas surjam devem aproveitar momentos de rotina da criança para lhes falarem, de forma normal sobre os temas. Por exemplo, para falar sobre as questões do corpo, podem aproveitar processo de limpeza e higiene para sensibilizar para o corpo e para o seu cuidado, e proteção das zonas intimas. As respostas devem ser objetivas e claras e claro, sempre adequadas à compreensão da criança.



2. Uma conversa com uma criança de 6 anos começa de forma diferente do que uma conversa com um jovem de 9 ou outro de 13. Como é que se começam estas conversas? E sobre o que falar, exatamente?

As crianças têm interesses de acordo com a sua idade e desenvolvimento, esses interesses podem influenciados por inúmeras variáveis, como é exemplo, o fato de terem ou não irmãos mais velhos. Aos 6 anos a criança entra na escola, é altura de sedimentar alguns conceitos relacionados com o corpo e género, já na puberdade, período que antecede a adolescência, é importante que os pais estejam atentos às alterações físicas e psicológicas que chegarão na adolescência. Uma abordagem adequada, nesta, fase pode fazer com que as crianças passem todo o processo de transformação e crescimento de forma mais segura e saudável. É importante que compreendam que não crescemos ao mesmo tempo e que meninos e meninas têm desenvolvimentos diferentes. É altura de reforçar os cuidados de higiene e abordar sem medo todas as mudanças que irão surgir. Crescimento, surgimento dos pelos, alteração da voz nos rapazes, menstruação nas raparigas e ejaculações nos rapazes (…)



3. É importante falar mas há um espaço para intimidade. Quais são essas fronteiras?
As fronteiras da intimidade devem ser definidas desde cedo, para os filhos e para os pais. É importante que os eduquemos para a sua autónomia, por exemplo nos seus rituais de higiene. Mas também é importante que o espaço, quarto, seja um lugar reservado aos pais e o dos filhos a estes. Desde cedo que o quarto dos pais deve ser mostrado como um espaço dos pais, da sua intimidade e à semelhança de outras regras, deverá haver respeito por esse espaço, ensinando-se, por exemplo, desde cedo a criança a bater à porta. Este tipo de comportamento de autonomia e respeito pela privacidade potenciam comportamentos mais adequados e saudáveis e evitam, claro, muitas surpresas. Em relação à nudez, questão levantada por inúmeras famílias, não há qualquer problema de os pais tomarem banho com os filhos se todos estiverem confortáveis nessa situação, à medida que a criança cresce isso deverá ser desencorajado e na puberdade, são as crianças que começam a esconder-se e a não estarem confortáveis, é importante respeitar este momento de passagem do corpo infantil para o do jovem adulto, por isso é importante promover a autonomia para que desde cedo as crianças possam lavar-se, vestir-se sem que sejam os pais a fazê-lo.

4. Hoje em dia há pais que sabem tanto sobre a vida sexual dos filhos como os próprios. Há outros que consideram que eles aprendem 'essas coisas' com os amigos. Onde está o meio-termo? 
As crianças e os jovens devem poder ver os seus pais como um apoio e proteção mas os pais não são os melhores amigos dos filhos nesta área da intimidade. A maior parte de nós tem dificuldade em imaginar os pais, os avós, os irmãos numa situação de intimidade, porque havemos assim achar que vamos conseguir falar com os nossos filhos sobre a sua? Podemos e devemos falar com eles sobre como se podem proteger, facilitando-lhes a informação ou acesso a esta, mas não devemos estar à espera que os filhos abordem com os pais pormenores das suas fantasias ou práticas sexuais. O importante é que sem julgamentos qos pais possam ser um apoio na reflexão e tomada de decisões e que os filhos vejam neles um porto seguro a quem recorrer em caso de uma situação de risco.

5. E se a criança/adolescente não quiser falar sobre o assunto?

É normal, em algumas fases, que os filhos apresentem dificuldade em falar de vários temas, quer por desconforto e vergonha, quer por não se sentirem à vontade com os pais. Devem estão estes, questionar sobre a possibilidade dos filhos terem um momento de consulta com um profissional de saúde, por exemplo. O diálogo também é algo que se estabelece através da confiança, se um pai ou mãe nunca conseguiram estabelecer essa proximidade, dificilmente o vão conseguir fazer nesta fase de tão grandes mudanças. Uma educação que assenta em confiança e respeito é uma forma de facilitar mais tarde a abordagem de diversos temas, sem medos. Ainda assim podem haver jovens que preferem esclarecer-se com outra pessoa e nessa altura, os pais, devem estará tentos e perceber que talvez devam sair das suas consultas de rotina, deixando o jovem à vontade ou propor-lhe um aconselhamento especializado.



6. As primeiras férias sem os pais e só com os amigos - os pais devem aconselhar, entregar proteções ou estão a 'pôr a carroça à frente'?
Quando os filhos fazem férias sem os pais partimos do pressuposto que já deverá haver uma relação de confiança, que se conhecem os amigos… com estas condições reunidas será apenas importante reforçar as questões de cuidado e prevenção de riscos. As questões da prevenção de riscos já deverá ter sido um tema abordado, antes desta fase, para que os pais não fiquem agora angustiados. Não é porque disponibilizamos preservativos aos filhos que eles vão a correr fazer sexo, não é porque falamos com eles sobre relação sexual que vão a correr experimentar. Os estudo mais recentes respondem a este fato de forma importante, quanto mais esclarecidos os jovens estão mais se protegem e são nos grupos constituídos por jovens mais novos onde se registam maiores cuidados na prevenção dos riscos. Mais uma vez é importante que se alerte os filhos para situações potencialmente mais perigosas, como o consumo do álcool que potencia tantas situações de violência sexual, devido à incapacidade de tomar uma decisão consciente, às vezes observo com tristeza como mais facilmente se dá um copo de álcool a um jovem do que uma caixa de preservativos, isso deve nos fazer refletir.



7. Para falarem sobre sexualidade, os pais devem compreender a sua própria sexualidade e estar à vontade com ela. E quando não estão? O que fazer?

Esta é uma questão muito importante, verificamos que muitos tabus nos jovens surgem ainda da família, por exemplo inúmeras meninas na puberdade nem querem ouvir falar dos tampões porque ainda lhes é dito que tira a virgindade… Alguns pais continuam a não conversar com os filhos e a achar que a educação sexual não faz qualquer sentido. A educação sexual no meio familiar promove a confiança e coesão na família e se não estamos preparados para abordar com os nossos filhos determinadas situações devemos recorrer a ajuda de especialistas. Uma das causas de suicídio de jovens na adolescência, por exemplo, deve-se a questões de orientação sexual, em que os jovens não encontram na família espaço de dialogo, respeito e aceitação. Estamos num momento de grandes mudanças, o mundo grita diversidade enquanto as nossas mães ainda liam, Laura Santos, A mulher na mesa e na cozinha. Não podemos negar as nossas raízes de castração mas temos de estar preparados para as mudanças sociais que hoje chegam às nossas casas. A educação sexual não formal é constante e é cada vez mais difícil conseguir perante tanto estímulo externo educar de acordo com os nossos valores, mas estes são necessários. Por isso acreditamos que a educação sexual na família é o território mais fértil para a prevenção dos comportamentos de risco e para a promoção do desenvolvimento saudável das nossas crianças e jovens, por isso não podemos entregar esta responsabilidade apenas aos outros, urge que façamos uma reflexão pessoal sobre as nossas limitações, sobre como nos educaram e depois se percebermos que o leme não pode ser só nosso partilha-lo com quem possa apoiar nos neste desafio.




Sabes lidar com o 'Tu não mandas em mim?'

25.8.16
E um belo dia, ao pedires ao teu filho para ajudar a pôr a mesa ele sai-se com um 'Tu não mandas em mim!' e tu pensas 'Ui, o que é isto? Como é que isto aconteceu?'.

E, de repente pode acontecer muita coisa: podem argumentar, podes dizer-lhe 'tu não me falas assim' ao que ele pode muito bem responder 'e tu também não' e, sem darmos por ela entrámos num diálogo de surdos impossível!


Como tu és o adulto e como provavelmente és tu que estás a ler este post, convido-te a experimentares o seguinte [experimenta! Não acredites nas minhas palavras - vai lá e faz acontecer isto e depois diz-me como foi].


1. Lembra-te que quando este tipo de 'respostas' acontecem, o vosso vínculo está fragilizado. Pode não ser muito ou até pode ser - tu saberás.
2. Procura escutar para além das palavras: o que é que ele está mesmo a dizer-te? Que não gosta de pôr a mesa, que gostava que a mesa estivesse pronta todos os dias ou que não gosta que lhe estejam sempre a mandar fazer coisas?
3. Procura também lembrar-te se tens criado oportunidades para fazerem coisas que lhe dão prazer ou se fazem sempre e apenas as obrigações.
4.Mas ele não me pode responder assim, dizes tu... mas a verdade é que responde... e eu gostava que te lembrasses que não é possível lidares com este tipo de 'provocações' através de medidas autoritárias e sim através da criação de um vínculo importante.


Questão que naturalmente te vais colocar agora:
-E castigar ou ralhar não posso, esta agora!?


Claro que podes! Ninguém te impede disso. O que é que vai acontecer quando ralhas e castigas?
Pois, isso tudo: na altura até pode resultar mas muito em breve terás uma situação muito semelhante e, aos poucos, os castigos e os ralhetes deixam mesmo de funcionar. E, aos pouquinhos, e quase sem te dares por isso, o vosso vínculo foi ficando cada vez mais pequeno, mais pequeno...e este tipo de respostas mais e mais frequentes... e aposto que não é isso que queres, pois não?


Faz agora uma pausa e coloca-te do lado do teu filho. Muito possivelmente, para estar a dizer-te uma coisa destas é porque está desconectado de ti, sente-se pouco compreendido e não sabe lidar com os seus sentimentos. É possível que sinta que ninguém o escuta mesmo quando tu achas que sim... O que é que ele precisa? Que páres e o escutes, de facto! E não precisará sempre de lições.




Há pais que me dizem algumas vezes que se sentam com os filhos com calma e falam com eles com calma e lhes dizem as coisas.. com calma. Asseguram-me que os filhos prometem que vão fazer diferente da próxima vez mas a verdade é que a próxima vez é logo ali, ao virar da esquina e é o 'vira o disco e toca o mesmo'. Porquê?
Porque aquilo que fizeram foi falarem com muita paciência e com calma MAS falharam no mais importante: não escutaram! É escutar, não é opinar! É fazer perguntas, ser curioso, sem adicionar.
Queres experimentar? Não é simples, garanto que não é MAS vale todo o teu tempo e toda a pena!!
Não acredites no que te digo - experimenta!!! Posso estar apenas a querer passar-te uma rasteira e só saberás se experimentares. Depois vem cá contar como foi!


Eu sei que estás sempre a ler isto e é porque é apenas a mais pura das verdades.
As crianças soletram AMOR = TEMPO

Este tipo de resposta também pode ser uma forma de repetição/imitação. E se tiveres essa impressão podes simplesmente perguntar-lhe 'De que forma? Tenho a impressão que te sentiste agredido/magoado. Explicas-me melhor?'

Finalmente, é mesmo verdade que não podemos forçar ninguém a fazer aquilo que queremos se a pessoa assim o desejou. É mesmo verdade! Mas quando o vínculo é bom, ela vai querer cooperar, em troco de nada, só porque tem boa-vontade connosco. Esta é a verdadeira varinha de condão da parentalidade!

Podes ler mais sobre estas atitudes desafiantes no meu livro Crianças Felizes e também no Berra-me Baixo que já vai na 3ª edição.

MAIS PRÓXIMA DO TEU FILHO? 4 DICAS INFALÍVEIS!

22.8.16




Há alturas em que nos apetece desfazê-los com beijinhos. E depois há outras em que o desfazer não seria, com certeza, dessa forma.

Para uma ou outra circunstância, toma nota destas 4 dicas para ficares ainda mais próxima deles:

#1. Prepara-lhes um aperitivo
Pode ser algo mais saudável como uns sticks de cenoura ou simplesmente uma pequena tigela com batatas fritas e um sumo de laranja. Sim, estou mesmo a falar a sério!
E se puderes, sentem-se os dois a olhar para a janela, com uma música ambiente.
Vais ver como é tão bom!

#2. Beijinho à eskimo
Esta ganha sempre, não ganha?

#3. Conta uma anedota ou uma curiosidade que faça rir ou ainda, brinca com a situação!
Usar o sentido de humor, sobretudo naqueles momentos mais tensos é meio caminho andado para tirar a tensão das situações.

#4. Um abraço
No momento ou depois, um abraço compõe as situações e reforça as que já são fortes. Desde que seja honesto e querido pelas duas partes.

Falar sobre coisas difíceis

18.8.16


Infelizmente a vida tem-nos feito falar de coisas sobre as quais não desejaríamos falar nunca.
Em Novembro do ano passado escrevi como é que podemos falar às crianças sobre os atentados. E voltei a escrever sobre o assunto em Julho, por causa de Nice.

Neste link podes ler sobre como falar sobre a morte, com os teus filhos.
Há umas semanas atrás foram os incêndios na Madeira e no Continente.
Daqui a umas semanas pode ser a chegada de um irmão, pode ser o divórcio dos pais ou a mãe que ficou sem emprego.
É fundamental que possamos falar sobre todas estas coisas com os nossos filhos. Sem medos e sem pensarmos que ao não falarmos eles não vão tomar consciência nem compreenderão do valor real das coisas.
Os miúdos percebem as coisas, sentem que algo está errado ou menos bem. Os miúdos vêem as notícias, ouvem a rádio e escutam os comentários, mesmo quando achamos que estão distraídos.
E eles percebem as coisas à maneira deles e é aí que tens de entrar e atuar.
É determinante que possas ajudar a criança a colocar alguma ordem e lógica na informação que recolhe. E é por isso que deves falar sobre os acontecimentos para que a criança não interprete essa informação com os seus filtros e com a sua fantasia ou medos.
Por outro lado, quando falamos sobre questões delicadas estamos a passar pelo processo de racionalização o que nos deixará mais serenos.
Finalmente, não digas que é um disparate aquilo que ele sente porque ninguém escolhe o que sente (podemos gerir mas isso não é escolher).
Acolhe os sentimentos: 'estás com medo, não estás, meu amor? É normal ter medo, não faz mal. A mãe está aqui.'
Ao acolheres os sentimentos, isso é meio caminho andado para parte das questões ficarem resolvidas.


Como é que explicas isto?

16.8.16
Estivemos na Madeira em Maio e fizemos amigos para a vida. É comum fazermos facetimes, enviarmos mensagens uns aos outros. E por isso é natural que os miúdos tenham ficado muito preocupados quando perceberam que havia fogos na Madeira. E no Continente. E então perguntaram-me:

-Mas porque é que há fogo na Madeira? 
-Porque alguém lançou fogo, filha.
-Mas porque é que alguém faz uma coisa dessas?

Pára tudo.

Como é que explicas uma coisas destas a uma criança?
Como é que explicas que alguém possa matar outra pessoa?
Como é que explicas que haja pessoas que batem noutras?
Como é que explicas que possam deixar os quartos de banho públicos sujos?
Como é que explicas que se minta?
Como é que explicas que se roube?

Como?

Em parte, quando começas a explicar, é como se houvesse uma razão para que se possa fazer o que não é suposto fazer-se. É quase como se houvesse uma permissão. Que não há. E sim, as explicações são necessárias mas ainda assim sinto que é um paradoxo muito grande.




The Early Catastrophe - devemos, ou não, explicar, falar e argumentar com os nossos filhos?

7.7.16


Muitas vezes oiço dizer que não devemos explicar as coisas às crianças. Que muitas explicações mostram uma parte fraca nossa. Que porque somos os pais ou os educadores não temos de nos colocar nessa posição. Que devemos dizer as coisas como elas são e a seguir dar a ordem e a criança deve executar.
Estamos, creio eu, a confundir 'convencer a criança de fazer algo' com 'firmeza, justiça e certeza'. Quando eu sei o que quero e sei que o que peço é justo, tudo o que peço sai de forma clara e eu sei que não tenho de convencer os meus filhos porque vai ter de ser assim. E é essa certeza que ajuda o meu filho. E sim, a diferença pode apenas estar no tom e na intenção com que faço as coisas.

Por outro lado, e num estudo absolutamente incrível, chamado the 'Early Catastrophe' constatou-se que há um 'gap' [fosso] de 30 milhões de palavras entre as crianças cujos pais falam e explicam as coisas e aqueles em que apenas se dá ordens. Este estudo foi conduzido num grupo de crianças entre os 7 meses e os 3 anos. Sim, 3 anos! O que mostra que, muitas vezes, quando a criança ainda está a chegar à escola, já pode ter nela uma vantagem ou enorme desvantagem.
Crianças cujos pais falam mais e explicam são crianças que constroem frases mais articuladas, explicadas e argumentadas. Não é impressionante, portanto, verificar que estas crianças têm um vocabulário e um estilo comunicacional muito perto do dos seus pais.
Afinal de contas, aos 3 anos as crianças já têm tanto dentro de si. Esta é a prova que, quanto mais interagirmos com as crianças, desde pequenas [repara que o estudo começa aos 7 meses!!!] mais hipóteses elas têm de assimilar e refinar a sua arquitectura mental. O cérebro - e as neurociências provam-no - constrói-se também com o ambiente.
Seria mesmo uma catástrofe não comunicarmos mais, não explicarmos mais, não nos ligarmos mais.

Crianças agitadas

4.12.15


É curioso observar que parece haver, cada vez mais, crianças difíceis. Crianças birrentas e mal educadas. E também é curioso reparar que se vive cada vez pior, em sítios onde não é possível brincar, em escolas feitas de betão e onde se grita, em famílias onde se janta às 9h30 da noite quando já se devia estar a dormir. É curioso repararmos que, a cada dia que passa, estamos a criar as melhores condições para não termos crianças fáceis.

Quem tem medo da Parentalidade Positiva? [+12 +1 textos inspiradores!]

30.8.15
Todos desejamos o melhor para os nossos filhos: que tenham saúde, que sejam felizes e que sejam crianças educadas, respeitadoras do outro e de si próprias. Que se safem na vida, que sejam assertivas, que saibam procurar a sua felicidade, que se defendam.

Quando os educamos usamos as melhores estratégias que temos à mão: as que aprendemos com quem nos educou e também aquelas que têm mais a ver connosco, com o momento. Fazemos o nosso melhor. E sim, castigar e bater funcionam - como já tantas vezes disse aqui - no imediato. E muito provavelmente é isso que procuramos: que funcione. No imediato. Aliás, a maior parte de nós foi castigado e apanhou uma palmada ou outra dos pais e não veio mal ao mundo. Muitos de nós dirão que os pais até estavam correctos em castigar e bater porque a mensagem passou.

Depois parece existir o outro lado da questão - o lado mais permissivo, o lado em que tudo se permite, seja por falta de firmeza, por cansaço ou sentimento de culpa - e quando tudo se permite, então mais cedo ou mais tarde as coisas vão dar para o torto. Uma educação sem limites é uma educação em que a criança se sente perdida, não se consegue gerir e percebe que os pais, sendo incapazes de lhe colocarem limites [que na verdade são determinantes para que ela cresça em segurança emocional e física] então também são incapazes de a defenderem, o que torna a vida  profundamente angustiante. E quando aprende a viver sem limites e a fazer o que deseja [não porque ela quer mas sim porque foi assim educada] então irá ter muita dificuldade em entender que as regras são absolutamente necessárias ao bem estar e à segurança - não só as dela como às da sociedade em geral.

Simultaneamente, parece haver algum receio na nossa capacidade em educar sem ser à força.
E quando escrevo estas palavras tenho a certeza que haverá leitores que se perguntarão se tento convencer os meus filhos com palavras mansinhas, com muitos pedidos ou com estratégias de convencimento. Se negoceio muito e se cedo outras tantas vezes. No entanto esta não é a questão.

Educar não são apenas ordens que damos aos miúdos que têm de ser inequivocamente aceites.

Educar pressupõe estabelecer uma relação com a criança que, ao sentir-se ligada a nós terá mais vontade de cooperar.

Educar pressupõe também o uso do bom senso, saber escutar, negociar quando for necessário negociar e estabelecer regras claras [da próxima vez que enunciares uma regra, tenta perceber se ela está totalmente clara para a criança e se ela a percebeu direitinha, por exemplo].

Educar pressupõe saber que o nosso papel é liderar e, como tal, esse papel não pode ser posto em causa - em princípio sabemos que estamos a fazer o certo.

Educar pressupões sermos firmes e gentis também - não precisamos de fazer birras nem precisamos de colocar caras de maus, nem de levantar o tom de voz, nem de ameaçar. Na verdade, se normalmente o fazes, é muito possível que os teus filhos já se tenham habituado e já não te escutem. E sim, é natural depois dizeres que já tentaste tudo mas eles não te escutam... :)

Educar sem castigar nem bater não é impossível - e não faz mal se já o fizeste. Mas quero que saibas que é possível QUANDO tens como foco ensinar o teu filho a escolher e a tomar as melhores decisões e comportamentos que o vão beneficiar, ensinando-o a gerir o que ele sente e o que pode fazer com a frustração de não ter a mochila que tanto deseja. Dá trabalho, claro! E se não estás para ter trabalho então claramente esta filosofia não é para ti. Mas ao começares a ler sobre este assunto vais perceber que aquilo que ganhas é uma relação com os teus filhos com ainda maior significado, com ainda mais valor do que aquela que já tens.

Educar com base na Parentalidade Positiva promove a autonomia da criança e uma auto-estima mais segura e portanto ajuda a criança a pensar pela sua cabeça e, aos poucos, a tomar as melhores decisões para si.

A Educação Positiva não é uma educação para fofinhos nem cutchi cutchi.
Quando se educa com base na Parentalidade Positiva diz-se 'não', diz-se 'chega', estabelecem-se limites muito claros MAS percebemos que não são precisos gritos, nem caras de maus nem tão pouco ameças. Zangamo-nos com os nossos filhos? Claro que sim! Como também nos zangamos com outras pessoas.

Educar com base na Parentalidade Positiva NÃO anula o conflito, não aniquila as birras mas dá-nos outras formas de gerirmos essas situações sem que elas se tornem desgastantes, frequentes. Mas 'Eu já lhe disse 4 vezes, já conversei com ele e ele volta sempre à carga', dizes tu. Então clica aqui.

Chego à conclusão que muitos de nós temos tanto receio que os nossos filhos não dêem certo, que tenham problemas, no futuro e também no presente,  por conta de uma suposta falta de educação, que não sofram o suficiente para saberem o quanto a vida custa que, com vontade de ensinar o que realmente é importante, achamos que é mais seguro irmos pelo uso de estratégias mais autoritárias e que, pelo menos connosco, parecem não ter falhado.

No entanto, quando o foco é a criação de uma relação parental com significado, com base nos valores que são importantes para cada família, então é impressionante ver que a cooperação entre pais e filhos se torna muito mais fácil, fluída e feliz. Naturalmente, e para quem está a ler e a descobrir isto pela primeira vez, o receio pode ser grande. Mas o que eu garanto é que não só é possível como é extraordinariamente gratificante.
E, por ser uma filosofia, a mudança não acontece do dia para a noite. Nem o objectivo é a perfeição e sim a melhoria contínua.

Por isso mesmo, e para te ajudar, juntei 12 textos fundamentais a seguir. Boa leitura, bom fim-de-semana e boa entrada em Setembro!

[ah! já conheces o desafio Berra-me Baixo?]

1. As modernices da parentalidade]
2. Birras, castigos e consequências
3. As birras dos pais
4. 10 dicas para praticares a Educação e a Parentalidade Positiva
5. Educação Positiva - como explicar o que é?
6. Tu não mandas em mim!
7. 5 formas para aplicar a Parentalidade Positiva
8. Confundir o bater com o não educar
9. Diferença entre as diferentes educações
10. Levas com a parentalidade positiva em cima!
11. GPS da Educação
12. 4 motivos pelos quais não bato nos meus filhos
+ 1 . A palmada e o castigo são a lei do menor esforço



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