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Sem voz

8.10.18



O problema dela não era ser autoritária com os filhos. Era ser um coração de manteiga de má qualidade. Não sabia ser firme, nem com os filhos, nem com os outros, de uma forma geral. Via a autoridade como uma coisa má, negativa e não queria estar nesse papel. Em criança tinha aprendido a obedecer e a não se fazer ouvir. Aprendeu a esquecer-se de si e a não impor limites: afinal, para ser boa menina, tinha de fazer o que lhe mandavam. Tinha de não dar trabalho e preferia carregar o peso do que aborrecer e ser um transtorno para os outros. “Tu não me dês trabalhos”, ouvira várias vezes. E entre um “Eu? Mas não me conheces?” e um “Deus me livre que me aconteça alguma coisa que prejudique os meus pais”, lá se iam passando os dias. E, no entanto, não tem recordações de uma infância traumática nem de maus tratos. O pai nunca lhe bateu, apenas olhava para ela. Isso bastava. A mãe chegou-lhe algumas vezes e ameaçava muito, gritava e castigava. Típico de antigamente, nada de especial. Mas o certo é que, olhando hoje para trás, percebe que abafou a sua voz e hoje não tem como impor-se porque não sabe.

Hoje em dia, as guerras são com os filhos. Oscila entre a permissividade e os castigos severos mas que se desaparecem tipo fumo. Olha para as mães que são duras com os seus filhos e percebe que muitos deles se tornarão no que ela é hoje mas, ao mesmo tempo, tem a doce impressão que há menos conflitos e mais paz.

Se é assim ou não, não sabe dizer. Mas sabe que nem um nem outro lhe servem. E agora? Andar e esperar que os miúdos se endireitem? Andar e esperar que a saibam ouvir melhor?




Um estilo demasiado autoritário resulta sempre em agressão ou fuga mas nunca em paz e os efeitos podem não ser, aparentemente, assim tão traumáticos. Mas podem ser castradores. E um estilo demasiado permissivo traz angustia para as crianças e adultos. Nenhum é melhor do que o outro. Mas o simples facto de termos conhecimento disto não ajuda. É preciso agir e aprender a fazer melhor. Não apenas por nós mas sobretudo para deixar que cada criança saiba usar a sua voz para se exprimir e falar de si e do que precisa.

O tema dos limites pessoais, da coragem, do questionamento está sempre muito presente nas nossas ações. Rio de Janeiro e Porto, vamos?

cursos@parentalidadepositiva.com

Devemos ser amigos dos nossos filhos?

30.1.18


Gente boa,quando estiveres a ler este texto, estarei com a minha filha mais velha a participar nas XI jornadas da Infância da C.A.S.A Bernardo Manuel Silveira Estrela. De vez em quando a vida encarrega-se de nos criar possibilidades para estarmos juntas só as duas. Saímos a ganhar - é uma espécie de dia do filho único esticado. E estas oportunidades são excelentes momentos para nos conhecermos melhor. Mesmo atenta e mesmo presente, a verdade é que há tanto que nos escapa. 

Quando chegámos à Ribeira Grande, onde está a acontecer este evento, ficámos a saber que hoje é o Dia das Amigas (escrevo-te de véspera). Ao que parece, nos 4 fins-de-semana que antecedem o Carnaval, celebra-se o Dia dos Amigos, a seguir o das Amigas e depois o dos Compadres e Comadres. E isso fez-me pensar numa questão que me colocaram há uns tempos - será que devemos ser amigos dos nossos filhos? E depois como é que os corrigimos e como é que nos fazemos respeitar? Acredito que a geração atual de pais (e estou convencida que muitas outras gerações também, felizmente) desejam ter uma relação de afectos com os filhos. Eu não sei o que entendes por amizade mas se entendes partilha de valores e de paixões então penso que podemos ser amigos dos nossos filhos. Já levei a minha filhla a concertos de grupos que gosto, já viajei sozinha com ela. Foi ela quem me ensinou a esquiar e frequentemente ajuda-me a perceber melhor o lado do outro. Em relação ao corrigir, podemos (devemos) corrigir porque isso faz parte da missão parental. E respeito é um valor fundamental em TODAS as relações, que se vai construíndo. Sabes, acredito que desenvolvemos vários tipos de amizade com propósitos diferentes. Há amigos a quem confidenciamos umas coisas, outros são companheiros de diversão e há aquelas pessoas com quem gostamos de estar de vez em quando mas a quem, possivelmente, não chamamos amigos. E podemos ser pais que desenvolvem uma relação de afectos com os filhos que, à medida que vai crescendo vai passando por etapas diferentes e de maturação. E eu adoro passar tempo com os meus porque me fazem descobrir coisas novas sobre mim. Se isto não é uma das coisas que caracteriza a amizade, então é o quê?


Quando o castigo não funciona - um estudo

4.11.17

A disciplina pretende mudar o comportamento e não castigar a criança. A disciplina permite que a criança desenvolva a auto-disciplina e ajuda-a a tornar-se num adulto emocionalmente e socialmente maduro. Existem muitos métodos que funcionam e que podem ajudar os pais a ensinar e guiar os seus filhos, e algumas formas de disciplina continuam a ser controversos.
Independentemente do estágio de desenvolvimento e da idade da criança, aqui ficam alguns princípios que poderão ajudar a guiar o técnico:
- O propósito da disciplina é ajudar as crianças a organizarem-se, a interiorizar as regras e a adquirir padrões de comportamento apropriados;
- O temperamento da criança e dos pais, em particular no contexto do seu meio sócio-cultural requerem flexibilidade. Crianças com necessidades especiais e atraso no desenvolvimento necessitam de ajuste adicional e competências no desenvolvimento de problemas.
- A disciplina efectiva não incita à vergonha, nem à culpa nem ao sentido de abandono ou perda de confiança. Pelo contrário, provoca um sentimento de mais confiança entre a criança e os pais.
- Quando nos antecipamos estamos a criar uma ótima oportunidade para a prevenção e para discutirmos que tipo de disciplina aplicar de acordo com o desenvolvimento da idade. 
Se conheces o trabalho que a Escola da Parentalidade tem desenvolvido nos últimos anos, sabes que neste texto acima encontras alguns dos pilares que nos orientam e que são:
1. Respeito Mútuo | 2. Vínculo | 3. Parentalidade Pró-ativa | 4. Liderança Empática | 5. Educar sem punir
Estes 5 pilares são a base de todo o nossos trabalho e que sustentam, sem sombra de dúvida, tudo aquilo que nos norteia. É muito bom ver artigos científicos que apoiam as nossas convicções e prática!
Interessas-te por estes temas e gostarias de conhecer a fundo este modelo e como usá-lo na prática ? Vê como, participando nesta ação.

Este é o grande motivo pelo qual a Parentalidade Positiva está tão na moda

17.5.17

Quando comecei a lidar com o tema da Parentalidade Positiva, há 10 anos atrás, era ainda responsável pelos Recursos Humanos de um grupo de empresas familiares do grande Porto e dava formação, desde 2002, nas áreas da comunicação, motivação. Nessa altura, questionava-me com frequência no que é que tinha acontecido na vida de algumas pessoas com quem lidava, sobretudo nestes contextos profissionais, uma vez que tinha a oportunidade de ver, de forma clara, como é que a sua arquitectura mental estava construída e a forma como se posicionavam na vida.

A questão era sempre a mesma: O que é que tinha acontecido ao potencial que todas as pessoas tinham e que, nalgumas, parecia ter ficado pelo caminho? O que era feito de todos os sonhos e esperanças que um dia tinham tido? Que história e que pessoas tinham tido nas suas vidas?

Então passei a olhar para os pais e à procura da forma como andavam a fazer o seu papel. Procurei ver, através da forma como nos relacionamos, como é podemos potenciar - ou não - uma série de competências para a vida.

Percebi que estamos diferentes da geração que nos educou. Queremos que a relação com os nossos filhos sejas diferente. Não queremos educar com base na educação autoritária, que faz uso dos castigos, das palmadas, das humilhações mas, na ausência de modelos de 'meio termo', caímos na justa oposição que é uma educação sem limites nem regras. E se à primeira vista parece que estamos a demonstrar mais amor pelos nossos filhos, a verdade é que eles não sentem esta permissividade dessa forma. Pelo contrário: passamos a sensação que não nos importamos porque 'deixamos andar'.

Então, a Parentalidade Positiva surge como uma resposta equilibrada, que tem por base o respeito mútuo entre pais e filhos, fator chave para a geração atual de pais. A palmada, o castigo ou o "tudo permitir" são resposta rápidas mas desadequadas, a curto prazo. A Parentalidade Positiva convida-nos a uma maior participação, a um maior envolvimento mas, por ser próxima e permitir a construção da identidade dos diferentes atores, tem resultados mais positivos e a longo prazo.

Se vamos ensinar a educar? Claro que não! Vamos ensinar a comunicar, a olhar para o outro e a saber dar a resposta mais adequada. Sabes, não é porque nasce uma criança que nascem pais a saberem comunicar com ela e a ler os seus pedidos. E há algum mal nisso? Claro que não, desde que haja disponibilidade para aprender.

Próximos ciclos de ações da escola: Algarve | Porto





Será que o papel da mãe é mais importante que o do pai?

9.5.17


Será que o papel da mãe é mais importante que o do pai?

Cada ator tem o seu papel e a sua importância reside no tipo de vínculo que vai estabelecer com os filhos. Ponto final. Ainda assim, existe a ideia de que a mãe, por tratar e cuidar, tem um papel de maior destaque na vida dos filhos. Achamos isso porque, antigamente, efectivamente, era ela a cuidadora e, por isso, livre de explorar os afectos, de se emocionar. Era ela que, trabalhando ou não, garantia que os filhos tinham os lanches prontos, cuidava dos joelhos esfolados, zelava para que tudo se aproximasse do perfeito. Sempre próxima, essa era a convenção.
Felizmente muita coisa mudou e deixámos de ter papeis pré-estabelecidos. Percebemos que podemos criar uma relação com maior significado com os miúdos e isso muda não só a vida deles - porque a torna mais rica - como também a nossa vida. Os pais - homens - hoje estão mais próximos porque querem estar. E este facto dá-nos uma imensa liberdade. Construímos a relação com os nossos filhos com base naquilo que podemos e desejamos ser e não com base naquilo que temos de ser, por causa de papeis socialmente criados e perpetuados. E por isso, mãe e pai tornam-se igualmente importantes, cada um à sua maneira.

Mas também há cada vez mais mães sozinhas - ora porque o pai está fora a trabalhar, ora porque se separaram - os últimos dados indicam que a taxa de divórcio em Portugal é de 74%. Há por isso cada vez mais mulheres a assumirem sozinhas - agora sozinhas, num formato diferente do anterior - a educação dos filhos. E neste novo formato a retaguarda é cada vez menor: avós que estão longe, que ainda trabalham ou indisponíveis. Então o difícil não é necessariamente a dificuldade que temos em educar mas antes a dificuldade que temos em descansar e arranjarmos tempo e energia para usufruirmos da nossa liberdade, recriando-nos a cada passo.

Este é talvez, um dos nossos maiores desafios.


As 3 ferramentas a serem adquiridas pelos profissionais que trabalham com famílias.

21.4.17

O conceito de família mudou.
As próprias pessoas mudaram e as exigências do sistema tornaram-se cada vez maiores e mais burocráticas. Quando falo com profissionais da área da família, percebo que em alguns casos há pouco tempo para fazer bem, quanto mais, melhor. Mas mesmo sendo difícil, acompanho e trabalho com cada vez mais homens e mulheres que querem, ainda assim, continuar a fazer o melhor que sabem e podem, pelas famílias.
Há ferramentas que nos ajudam a otimizar o nosso trabalho. Na Escola da Parentalidade temos 5 pilares fundamentais e essas 3 ferramentas que nos ajudam a ir mais longe.
Os pilares - que são sempre apresentados nas formações que desenvolvemos são
1. O respeito mútuo
2. O vínculo
3. A parentalidade pró-ativa
4. A liderança empática
5. Educar sem punir

Hoje vamos ver, com um maior destaque como é que podemos ajudar as famílias, usando as 3 ferramentas que temos ao nosso dispor. E quais são elas?

Inteligência Emocional
Há várias definições mas de uma forma resumida é a nossa capacidade em identificarmos as nossas emoções, bem como as dos outros e, a partir daí, sermos capazes de dar a resposta mais adequada à situação. Quando conseguimos identificar essas emoções, conseguimos escolher os nossos comportamentos e fazer a tal gestão emocional de que tanto se fala.
Porque é que isto é importante para nós, que trabalhamos com famílias?
Porque quando aumentamos a nossa literacia emocional percebemos que embora as nossas emoções não seja escolhidas por nós, nós não somos aquilo que sentimos e podemos sair do estado em que estamos para outro. E estas competências podemos ensinar a outros, com quem trabalhamos e lidamos diariamente.
Uma mãe que tem um filho desafiante e um marido 'à moda antiga', pode beneficiar que as emoções dela sejam identificadas por um técnico. 'Está com um ar cansado e desanimado.'
Existem uma série de técnicas que podemos utilizar no sentido de ajudar esta mulher a começar a passar de um estado de desânimo para um de maior capacitação. E esta é uma das primeiras.

Linguagem Positiva
Ao contrário daquilo que possas pensar, a linguagem positiva não é dizer-se sempre que sim. A linguagem positiva tem a ver com a criação de possibilidades e novos caminhos. Quando sabemos utilizar bem esta ferramenta, estamos em condições de ajudar o outro a ver melhor esse caminho. Queres um exemplo? Imagina uma mãe que diz que quer deixar de gritar com o filho. Na verdade, talvez esta não seja a melhor forma de olhar para a questão porque a foca num só aspecto: o gritar. Podemos reformular a questão e dizer-lhe algo como:
'Estou a ver que o gritar a deixa insatisfeita na sua relação com os seus filhos e isso deixa-a triste e zangada consigo. O que a Ana gostaria mesmo era de ter uma relação com maior significado e mais serena, é isso?'
Este reformular da questão abre muitas novas possibilidades.
Passamos de um objectivo que era "Deixar de gritar" para outro muito mais amplo (e positivo) que é "Ter uma relação com maior significado com os filhos."

A Arte das perguntas
A arte das perguntas está diretamente ligada aos pontos anteriores. Primeiro, porque precisamos de se emocionalmente inteligentes para sabermos colocar as melhores questões. E em segundo lugar porque precisamos de saber falar a língua positiva. A arte das questões é uma forma que temos de fazer o outro mergulhar no seu mundo interior e descobrir as suas razões e respostas - ainda que por vezes possam ter alguma dificuldade e possam precisar de apoio e ajuda.
Lembro-me de uma mãe que me dizia que não conseguia lidar mais com a falta de respeito do filho adolescente, que não sabia o que fazer dele.... Estava a sentir-se, claramente, cansada, triste e muito desesperada.
E então a questão que lhe coloquei e que encheram o rosto dela de esperança foi 'Não consegue ou não sabe?' Porque é natural não sabermos e termos dificuldade mas não torna a questão impossível. E é aqui que toda a parte de acompanhamento e aconselhamento das competências parentais tem início. E pode ser mágico!
Muito mágico, mesmo!

Próximas ações em competências parentais, no Porto são na próxima semana.
Envie-nos o seu email para saber mais para cursos@parentalidadepositiva.com e enviaremos mais informações na próxima semana.






COMPETÊNCIAS PARENTAIS [PROFISSIONAIS] | LISBOA MARÇO

15.2.17


Numa conferência em que participei, em Valença, um dos técnicos de uma CPCJ da zona perguntou-me o que é que se pode fazer mais (com as famílias) quando a vontade (dos pais) é pouca e a energia (dos técnicos) se começa a esgotar.

Esta questão voltou a colocar-se imensas vezes a seguir na Pós-Graduação, por técnicos de instituições sociais, por mediadores e advogados, assim como pelos professores que estavam em sala.

Enquanto profissionais, o nosso poder é imenso. Saibamos utilizá-lo da melhor forma e termos ao nosso dispor as melhores armas.

Nesse sentido, no dia 30 e 31 de Março, em Lisboa, vamos estar a falar sobre Competências Parentais (sessão para profissionais).

Deixo-te o programa que é, como sempre, ambicioso.

DESTINATÁRIOS
Esta ação destina-se a técnicos das CPCJ, elementos da Segurança Social, diretores de turma, educadores de infância, mediadores, técnicos na área da educação e saúde, advogados, médicos, enfermeiros, auxiliares, professores e todos os profissionais interessados no tema.


PERTINÊNCIA DESTA AÇÃO
É reconhecida a importância que os técnicos que acompanham as famílias têm, assim como as dificuldades que por vezes encontram na transmissão de competências parentais. 
Esta acção de promoção de competências parentais tem como objetivo a capacitação dos mesmos para que estes auxiliem os pais na otimizacao de estratégias que permitam um melhor desempenho das suas funções parentais. Pretende-se aumentar os conhecimentos em termos das etapas do desenvolvimento da criança, da promoção da autorregulação nos pais, assim como a introdução de uma linguagem positiva. Analisaremos também da importância e do poder do técnico/profissional.

TÓPICOS
Parentalidade e educação positivas, psicologia positiva, assertividade, vinculação, autoridade, valores, inteligência emocional, auto-estima, conflitos, agressividade, baixa auto-estima, vingança, desafio, provocação, gratidão, generosidade, linguagem positiva, autorregulação, influência positiva, etapas do desenvolvimento da criança e do jovem

TEMAS
1) Reconhecer a parentalidade positiva como base para a promoção de comportamentos parentais positivos.
2) Promover a autorregulação dos pais: o que contam as histórias pessoais de cada ator?
3) Conhecer as etapas do desenvolvimento da criança
4) Identificar as estratégias práticas para a promoção de uma vinculação segura 
5) Reflectir sobre questão da autoridade e da obediência e como ajudar os pais a serem a segurança e não o medo
6) Identificação dos diferentes pontos para a promoção de uma auto-estima saudável da criança através dos pais
7) Conhecer as estratégias para atuar no caso dos adolescentes
8) Promover o papel dos profissionais 

EMISSÃO DE CERTIFICADO
A emissão do certificado é realizada pela Escola da Parentalidade e Educação Positivas e fará referencia ao nome da ação e a carga horária da mesma.

Para pedires mais informações, escreve-nos para cursos@parentalidadepositiva.com

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