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Quem tem medo da Parentalidade Positiva? [+12 +1 textos inspiradores!]

30.8.15
Todos desejamos o melhor para os nossos filhos: que tenham saúde, que sejam felizes e que sejam crianças educadas, respeitadoras do outro e de si próprias. Que se safem na vida, que sejam assertivas, que saibam procurar a sua felicidade, que se defendam.

Quando os educamos usamos as melhores estratégias que temos à mão: as que aprendemos com quem nos educou e também aquelas que têm mais a ver connosco, com o momento. Fazemos o nosso melhor. E sim, castigar e bater funcionam - como já tantas vezes disse aqui - no imediato. E muito provavelmente é isso que procuramos: que funcione. No imediato. Aliás, a maior parte de nós foi castigado e apanhou uma palmada ou outra dos pais e não veio mal ao mundo. Muitos de nós dirão que os pais até estavam correctos em castigar e bater porque a mensagem passou.

Depois parece existir o outro lado da questão - o lado mais permissivo, o lado em que tudo se permite, seja por falta de firmeza, por cansaço ou sentimento de culpa - e quando tudo se permite, então mais cedo ou mais tarde as coisas vão dar para o torto. Uma educação sem limites é uma educação em que a criança se sente perdida, não se consegue gerir e percebe que os pais, sendo incapazes de lhe colocarem limites [que na verdade são determinantes para que ela cresça em segurança emocional e física] então também são incapazes de a defenderem, o que torna a vida  profundamente angustiante. E quando aprende a viver sem limites e a fazer o que deseja [não porque ela quer mas sim porque foi assim educada] então irá ter muita dificuldade em entender que as regras são absolutamente necessárias ao bem estar e à segurança - não só as dela como às da sociedade em geral.

Simultaneamente, parece haver algum receio na nossa capacidade em educar sem ser à força.
E quando escrevo estas palavras tenho a certeza que haverá leitores que se perguntarão se tento convencer os meus filhos com palavras mansinhas, com muitos pedidos ou com estratégias de convencimento. Se negoceio muito e se cedo outras tantas vezes. No entanto esta não é a questão.

Educar não são apenas ordens que damos aos miúdos que têm de ser inequivocamente aceites.

Educar pressupõe estabelecer uma relação com a criança que, ao sentir-se ligada a nós terá mais vontade de cooperar.

Educar pressupõe também o uso do bom senso, saber escutar, negociar quando for necessário negociar e estabelecer regras claras [da próxima vez que enunciares uma regra, tenta perceber se ela está totalmente clara para a criança e se ela a percebeu direitinha, por exemplo].

Educar pressupõe saber que o nosso papel é liderar e, como tal, esse papel não pode ser posto em causa - em princípio sabemos que estamos a fazer o certo.

Educar pressupões sermos firmes e gentis também - não precisamos de fazer birras nem precisamos de colocar caras de maus, nem de levantar o tom de voz, nem de ameaçar. Na verdade, se normalmente o fazes, é muito possível que os teus filhos já se tenham habituado e já não te escutem. E sim, é natural depois dizeres que já tentaste tudo mas eles não te escutam... :)

Educar sem castigar nem bater não é impossível - e não faz mal se já o fizeste. Mas quero que saibas que é possível QUANDO tens como foco ensinar o teu filho a escolher e a tomar as melhores decisões e comportamentos que o vão beneficiar, ensinando-o a gerir o que ele sente e o que pode fazer com a frustração de não ter a mochila que tanto deseja. Dá trabalho, claro! E se não estás para ter trabalho então claramente esta filosofia não é para ti. Mas ao começares a ler sobre este assunto vais perceber que aquilo que ganhas é uma relação com os teus filhos com ainda maior significado, com ainda mais valor do que aquela que já tens.

Educar com base na Parentalidade Positiva promove a autonomia da criança e uma auto-estima mais segura e portanto ajuda a criança a pensar pela sua cabeça e, aos poucos, a tomar as melhores decisões para si.

A Educação Positiva não é uma educação para fofinhos nem cutchi cutchi.
Quando se educa com base na Parentalidade Positiva diz-se 'não', diz-se 'chega', estabelecem-se limites muito claros MAS percebemos que não são precisos gritos, nem caras de maus nem tão pouco ameças. Zangamo-nos com os nossos filhos? Claro que sim! Como também nos zangamos com outras pessoas.

Educar com base na Parentalidade Positiva NÃO anula o conflito, não aniquila as birras mas dá-nos outras formas de gerirmos essas situações sem que elas se tornem desgastantes, frequentes. Mas 'Eu já lhe disse 4 vezes, já conversei com ele e ele volta sempre à carga', dizes tu. Então clica aqui.

Chego à conclusão que muitos de nós temos tanto receio que os nossos filhos não dêem certo, que tenham problemas, no futuro e também no presente,  por conta de uma suposta falta de educação, que não sofram o suficiente para saberem o quanto a vida custa que, com vontade de ensinar o que realmente é importante, achamos que é mais seguro irmos pelo uso de estratégias mais autoritárias e que, pelo menos connosco, parecem não ter falhado.

No entanto, quando o foco é a criação de uma relação parental com significado, com base nos valores que são importantes para cada família, então é impressionante ver que a cooperação entre pais e filhos se torna muito mais fácil, fluída e feliz. Naturalmente, e para quem está a ler e a descobrir isto pela primeira vez, o receio pode ser grande. Mas o que eu garanto é que não só é possível como é extraordinariamente gratificante.
E, por ser uma filosofia, a mudança não acontece do dia para a noite. Nem o objectivo é a perfeição e sim a melhoria contínua.

Por isso mesmo, e para te ajudar, juntei 12 textos fundamentais a seguir. Boa leitura, bom fim-de-semana e boa entrada em Setembro!

[ah! já conheces o desafio Berra-me Baixo?]

1. As modernices da parentalidade]
2. Birras, castigos e consequências
3. As birras dos pais
4. 10 dicas para praticares a Educação e a Parentalidade Positiva
5. Educação Positiva - como explicar o que é?
6. Tu não mandas em mim!
7. 5 formas para aplicar a Parentalidade Positiva
8. Confundir o bater com o não educar
9. Diferença entre as diferentes educações
10. Levas com a parentalidade positiva em cima!
11. GPS da Educação
12. 4 motivos pelos quais não bato nos meus filhos
+ 1 . A palmada e o castigo são a lei do menor esforço



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O meu filho bate!

19.6.14


À primeira vista pode parecer um paradoxo mas, a maior parte das crianças que batem são aquelas que têm medo. Ao lidar com esse medo, a criança fica tensa e, em vez de chorar e dizer o que sente, bate.


1.
A primeira coisa a fazer com uma criança que bate é fazer com que ela se sinta segura. O que, mais uma vez, parece um paradoxo. O que nós pretendemos é que o comportamento pare, seja através dos ‘dois berros!’, da palmada, castigo ou ameaça. Mas isso só vai adicionar mais medo. Também não estou a falar em sermos ‘fofinhos’ – estou a falar em segurança emocional, o que é bem diferente e envolve afectos e limites.

Dizia eu que a primeira coisa é fazer com que a criança se sinta segura. Idealmente, isso é feito antes. Por isso, sempre que for possível, liga-te à criança, aumentando o vosso vínculo. Neste blogue podes procurar a palavra ‘vínculo’ e vais dar aos posts que escrevi sobre o assunto. Podes acordar o teu filho mais cedo, por exemplo, e ficar no miminho. Podes escutá-lo com mais atenção. Quando nos sentimos ouvidos, sentimos que temos valor. E quando sentimos que temos valor e que temos valor para alguém, isso ajuda a que essa sensação de segurança esteja presente. É a famosa pescadinha-de-rabo-na-boca!

2.
No ponto acima falava em escutar. Apenas e só, sem necessidade de reparar a situação, ‘salvar’ a criança da situação ou das emoções que ela sente ou de atribuir uma justificação para o que aconteceu. Há alturas em que não temos como ajudar ou que a ajuda não é necessária ou não serve para nada. No entanto, escutar, de forma empática é determinante. Não é difícil… exige treino.

3.
Se o vínculo é importante, também é importante que a criança sinta que os pais estão lá. Não precisamos de actuar em tudo mas precisamos de deixar claro que estamos atentos e que vamos lá sempre que a situação peça. E quando vemos o nosso filho bater, chegamos ao pé dele e, com firmeza e sem grandes alaridos, impedimos que a ‘sapatada’ dele aconteça. Retiramos a criança do lugar para que ela e a outra fiquem em segurança. Este é o teu primeiro objectivo: garantir a segurança. E depois, e porque sabes o que vais fazer, e porque sabes que alguma coisa está a acontecer, vais escutar o que é que ela tem para te dizer. E depois, só depois, orientas o comportamento. É que nenhum comportamento é orientado quando as emoções estão ao rubro.

4.
Maslow dizia que há necessidades básicas que têm de ser asseguradas. E as emocionais são uma delas. Tal como a criança precisa de comida e de descanso para crescer, precisa também de se sentir ligada. Precisa de sentir que tem importância. É por isso determinante que possas encontrar momentos em que vais alimentar o lado dos afectos e da relação. Podes acordá-la mais cedo ou fazer o dia do filho único. E brincar muito. O vínculo é a chave de uma relação entre pais e filhos estável, saudável e com significado. Sem ela, tudo o resto não funciona. Nem bater.

[no próximo post, mais sobre este assunto]

Pole Position - I

13.3.12


Gente gira,

está lançada a primeira grande questão sobre parentalidade, educação e felicidade, na página do Facebook, que é onde dá para votar.

O tema de hoje: 'Bater, palmadas e sapatadas'. Passa por lá, vota e, se te apetecer, comenta!
Está renhido, muito renhido entre o 'Não' e o 'Não, mas...'

Spanking e Slapping - uma rápida explicação

5.3.12
A propósito dos termos acima, sobre a entrevista que deixei neste post, falei com a Dra. Laura Markham e pedi-lhe que nos clarificasse. Aqui fica a explicação dela:

Both Spanking and Slapping a child is a punishment designed to hurt the child so that he will not do (in the future) the behavior that he is being punished for. 

Spanking consists of hitting the child on the buttocks with an open hand.  Some parents use an object such as a wooden spoon or belt. 

Slapping consists of hitting the child on the face with an open hand. Some parents will also slap other parts of the child's body, such as the child's hand if the child is using it for a purpose the parent does not like, such as grabbing.

Both are acts of violence.  

In the US culture, a slap is usually considered to be evidence that the parent is losing her temper, which is not a good thing.  On the other hand, a spanking is sometimes thought to be a "considered" punishment that is not done when the parent loses her temper, but is done because the child deserves it and it will teach the child.  However, that is of course not true.  If parents wait until they calm down, they will always find a more constructive intervention than a spanking.



Ou seja, spanking é uma palmada. Slapping é um estalo.

Espero ter ajudado!

Hoje é assim #41

7.2.12


A propósito de uma conversa que tive há pouco com a Jennifer, no Facebook...

Em Portugal existe, desde 1999, uma lei que proíbe qualquer tipo de violência contra crianças.

Ainda assim, a verdade é que nisto de nos metermos na educação dos filhos dos outros (tal como nos casamentos) tem muito que se lhe diga.

Ainda assim, a verdade é que sempre ouvímos que uma palmada serve para pôr os putos no sítio.

Ainda assim, a verdade é que muitos de nós até apanhámos num dado momento e garantimos que até nos fez bem.

Ainda assim, a verdade é que por vezes uma boa imagem (neste caso um filme de 36 segundos) valem mais que mil palavras. Por isso convido-te a veres o spot francês. Este spot - e o movimento associado - quer o parlamento francês faça passar uma lei igual à nossa. Se é proíbido bater em adultos, em animais, então também deverá ser proíbido bater numa criança. Soa a violento?

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