Quando falamos sobre avós, netos e famílias podemos cair nos clichés e nas generalizações quando, na verdade, é um tema cheio de excepções.
Quando coloquei no
Facebook que ia falar sobre este tema, a maior parte das pessoas pediu que comentássemos ao nível dos conflitos, o que é natural porque quando está tudo bem, as questões não se colocam.
As questões prendem-se com o
E quando os avós desautorizam
E quando os avós estragam
Mas é preciso ver mais longe do que a simples desautorização ou estragar os miúdos. Peço-te que continues a ler o texto :)
Primeiro diz-se que
os avós estragam os miúdos mas, na verdade, há um motivo bom para o fazerem porque os avós sabem destas coisas e têm mais experiência que os pais.
Os pais, sobretudo os de primeira viagem, e que nunca andaram nisto têm - e fazem muito bem - imensas ideias e ideologias e regras para os seus filhos. E tem mesmo de ser assim. Os avós, que já passaram por tudo isto sabem que, apesar das regras e das ideologias, tudo se cria e que, no final do dia, o que conta são as emoções e as experiências vividas. Os avós têm a sorte de terem a parte boa da equação e que é educar estar com os miúdos sem ter de colocar as regras e os limites - porque isso é a função dos pais. Isso é lá ‘com eles’.
Só que aqui é que entra uma parte que não foi ainda definida e que é : qual é o papel dos avós?
Guardar, cuidar, educar?
É diferente de família para família mas, em todas as famílias estes três pontos estão mais ou menos presentes. E um avô também está a educar, quer queira quer não porque é uma referência para os miúdos e a forma de fazer a sua vida é, já em si, uma forma de educar.
Então é preciso clarificar os papeis e expectativas. E não é nunca no calor do momento.
É importante explicar porque é que é importante a criança não comer doces antes do jantar - simplesmente porque depois não terá vontade de comer o que lhe puserem em cima da mesa. Ou porque tem uma intolerância.
E sim, é difícil dizer que não aos netos, sobretudo quando eles picam os miolos ou choram mas quando há boa vontade e vontade de conciliar, tudo se encaixa.
Uma avó não é uma mãe e é justo que os pais queiram traçar o caminho para os seus filhos. Os avós devem estar alinhados nesse compromisso de ajudarem os seus filhos e isso não é nunca uma tarefa fácil. A
generation gap continua a existir.
Os avós também gostam de desautorizar
Primeiro é preciso saber que não o fazem por mal. Opinam muito mas é na maior das boas intenções. Aliás, o provérbio está certo quando diz que o inferno está cheio de boas intenções porque nem sempre elas acertam.
Os avós desautorizam porque insistem em verem os filhos como eternos filhos, os seus meninos e então sentem-se no direito de opinarem, mesmo que isso signifique contrariar o que se acabou de dizer.
Os avós desautorizam porque sentem que os netos são seus e logo também querem dizer de sua justiça.
Os avós sabem que as regras são importantes mas sabem que no fim, as coisas correm o risco de correrem bem.
Os avós desautorizam porque querem que os netos gostem muito deles e por isso é fazendo as vontades que lá se chega.
E os pais?
Os pais ficam aborrecidos e até furiosos com os seus próprios pais porque é muito desagradável ser-se desautorizado pelos pais e pelos filhos quando dizem que na casa dos avós é que é!
É um papel difícil estar no meio - porque supostamente não se diz mal dos avós e não se contrariam os pais mas depois é difícil gerir todos estes papeis e sentimentos.
E quem dita as regras?
Esta parece uma questão difícil mas voltamos à mesma questão... Identificar os papeis de cada um.
Quando está a avó, a avó orienta e faz o melhor que sabe e pode. No entanto, quando chegam os pais, e mesmo na presença dos avós e de outros familiares, quem manda (who's the boss?) são os pais. Este ponto tem de ficar claro para que se possam evitar conflitos e se caminhe para uma harmonia familiar.
Em 12 minutos é muito difícil explorar o tema porque isto joga com papeis atribuídos e dinamicas familiares. Mas deixando uma dica é muito interessante procurar qual é a boa intenção da pessoa - mesmo se isso seja a última coisa que consigamos ver.
Workshops da Parentalidade e Educação Positiva na Madeira - Infos aqui
Sexta-Feira, 13 de Maio
Educação Positiva : Como educar crianças forte e resilientes
Sábado, 14 de Maio
A Questão da Autoridade e da Obediência
A Auto-Estima da Criança