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Como lidar com crianças que têm mau perder?

23.1.18


Se a mãe ganha no jogo do berlinde já sabe que vai haver birra. "É batota!" ou "Não quero jogar mais!" são algumas das respostas habituais do filho. Mas a escalada de frustração pode terminar com um gesto mais drástico: palmadas nas pernas da mãe. Seguidas por gritos como: "És má!" As birras de mau perder de Rodrigo, de 5 anos, são mais ou menos assim. Não gosta nada de perder e quer ser sempre o primeiro em tudo. "Se eu meto o berlinde primeiro no buraco ele fica chateado, faz beicinho e pede para eu o deixar ganhar", conta a mãe, Mara Ferreira, à SÁBADO. É neste momento que Mara não consegue dizer que não e acaba por ceder. "Faço-lhe a vontade porque ele faz aquelas carinhas e pede por favor. Se lhe disser que não, chora."




A coach parental e autora do blogue Mum’s the Boss, Magda Gomes Dias, acredita que esta não é a melhor estratégia – apesar de se poder deixar ganhar algumas vezes, esta não pode ser a regra. A solução é ajudar a ganhar. "Dizer: ‘Hoje jogamos juntos e vou-te mostrar porque é que vais pôr esta carta e não aquela.’ Desta forma dou a possibilidade à criança de ganhar, não porque me fiz de tonta, mas porque a ajudei a ganhar de forma estratégica."

Até nos dados, Rodrigo tem de ter o maior número de pontos, caso contrário faz batota. "Se a tia contar 9 e se ele tiver 6, já está tudo estragado. Depois vira o dado e diz que tem mais. Para ele não é batota, mas se nós ganharmos já é", revela Mara. Mas nem sempre foi assim: antes dos 3 anos, Rodrigo não se interessava muito por jogos. "Acho que foi a partir dessa altura que ele passou a perceber o que significa perder e ganhar, porque também jogava na escola." A psicóloga Jordana Pinto Cardoso explica que, por norma, as crianças costumam ficar mais competitivas a partir dos 2 anos. E acrescenta: "Muitas vezes são impulsionados pelos comentários dos pais ou dos educadores como ‘vamos ver quem é o primeiro’." Magda Gomes Dias atira outra explicação: "Ainda são imaturos em termos emocionais e associam o perder a não gostarem deles."



Mas Rodrigo não é caso único. Mariana, com a mesma idade, fica muito amuada com a mãe, Ana Marçalo, quando ela não a deixa ganhar. Já com o pai a história é outra. "O pai deixa-a ganhar porque não gosta de a ver triste e viu na televisão uma apresentadora a dizer que o avô a deixava ganhar sempre porque queria que ela fosse uma vencedora na vida", explica Ana. Não é de estranhar que o oponente favorito de Mariana seja o pai. "O que a investigação tem mostrado é que, habitualmente, a relação com o pai está mais ligada à componente lúdica, do brincar, e a relação com a mãe com os cuidados directos, apesar da tendência estar a mudar", diz a psicóloga.

E quando se tem irmãos?
Carminho tem 4 anos e um feitio apurado. Com os pais e o irmão, Manel, de 9 anos, costuma jogar às cartas. Quando se apercebe de que não ganhou, irrita-se e fica com cara de maldisposta. A mãe, Maria, tenta consolá-la: "Não importa perder, importa estarmos aqui a brincar as duas e com o mano. Gosta de brincar com o mano, não é? O mano ganhou, mas da próxima vez a Carminho ganha, não tem mal." Mas a miúda olha para o lado, chora e queixa-se de que nunca ganha.

Ao fim de dois ou três jogos, a mãe deixa-a vencer um, no máximo dois, mas depois volta a ser um jogo justo, para o irmão não se chatear. Magda Gomes Dias sublinha que é importante não colocar os irmãos a competir um com o outro. E acrescenta: "Não é nada saudável. Podemos é fazer com que eles joguem na mesma equipa, contra outros." Maria faz a gestão das derrotas e vitórias, deixa a filha ganhar porque não quer que ela desista, nem que fique revoltada com ela própria. "Tenho de a motivar e para isso tenho de a deixar ganhar, mas não pode ser sempre", explica à SÁBADO.

Duarte, 8 anos, costuma jogar ao Pictionary e às cartas com os pais e o irmão. Quando perde, a reacção é de frustração, não quer jogar mais. Até em jogos de futebol com os vizinhos é capaz de pegar na bola e ir para casa. Resultado: ninguém joga mais. "Já não o deixamos tanto ganhar, só quando era mais pequenino. Agora tem de perceber que se perde e se ganha", diz Olga, mãe de Duarte. E acrescenta: "Antes ficava muito contente, mas depois vinha o irmão e dizia ‘ganhaste porque te deixaram’ e estragava tudo."


Sábado, publicado em 16 Novembro 2017

O poder dos pais | Super Nanny

15.1.18


"Estás a ver a Sic? Já colapsaste?? SOCORRO!!"

Era assim que começava uma das muitas mensagens que fui recebendo ontem à noite.

Hoje de manhã, continuavam a cair pedidos como 'Temos de fazer alguma coisa, esta vergonha não pode continuar!!'

E todos, à nossa maneira, nos fomos mobilizando. Uns enviaram queixa à Entidade Reguladora da Comunicação, outros à Ordem dos Psicólogos e muitos partilharam a sua indignação nas redes sociais.

A meio da tarde, outra mensagem

"O programa até poder ser muito mau mas mostra que há famílias que precisam de formação e ajuda com os filhos.
4º lugar nas audiências!!!"


Quase ninguém gostou mas quase todos viram o espectáculo. Espectáculo porque se trata de um reality show. Não é uma simulação, não se tratam de atores mas de vidas reais. Concordo, por isso, com o que a minha amiga diz - que muitas famílias precisam de formação (eu diria que todos precisamos de ajuda e acompanhamento naquela que é a nossa função mais importante) MAS essa formação não passa por expormos a nossa vida ao mundo, por muito que possamos considerar pedagógico (não encontro nada de pedagógico nas soluções apresentadas, nem no formato, ainda assim). 
Há quem diga que sempre houve realities shows e que não podemos estar tão ofendidos ou incrédulos. É verdade, mas nenhum, até agora, expunha a vida de uma criança desta forma. Mesmo que, no limite, tudo seja legal - porque há contratos e autorizações assinadas...

Este texto do Observador está muito bem escrito e expõe uma série de factos e entrevistas. Por exemplo, os pais da criança exposta ontem vão ser escutados. Ainda que não tivessem atuado por mal, a verdade é que não souberam proteger a intimidade da filha nem a sua. A nossa função enquanto pais é, antes de tudo, protecção. E talvez por isso precisem, de facto, de formação parental e de um acompanhamento que os capacite para conseguirem mais harmonia e paz em sua casa. Sem alarido, sem exposição. 
Penso muito na criança de ontem (e todas que virão a ser apresentadas nas próximas semanas). O que será que aprenderam com isto tudo? O que pensarão de si, dos seus pais, da proposta que lhes foi feita? Em que é que acreditam agora? 

Todas as relações são complexas e todas as relações têm um grande potencial para serem incríveis!

Sabemos que o inferno está cheio de boas intenções e que a maior parte das pessoas não faz as coisas por mal. Mas se formos a usar este tipo de justificação para tudo na vida, então seremos livres de fazer o que quisermos porque tudo é feito por bem. E a vida real não é nem pode ser assim!

Compreendemos ontem que a educação não se faz com castigos, nem humilhações, nem com tabelinhas, prendinhas ou com 'agora vais parar de fazer birra, está bem?' Tenho a certeza que muitos sentiram vergonha. Outros reviram-se naqueles comportamentos e talvez, desse ponto de vista, o programa tenha tido uma nota positiva caso tenhamos compreendido o impacto imensamente negativo de tais estratégias. Trocar comportamentos por o cantinho do pensamento ou por prendas não traz nada de bom. 

Realities shows sempre houve - os seus objectivos são claros e parece haver uma espécie de ciência e de requisitos a 'picar' para que sejam top! O que mais me deixa apreensiva é, no entanto, saber que há pessoas que aproveitam a miséria humana para além de todos os limites - expondo os miúdos desta forma. E o mais curioso é que, aposto, muitos deles são pessoas de bem, outros com filhos em casa ou sobrinhos na família. Que pensarão hoje, 24h depois do impacto do primeiro programa. A sério? Será que temos a noção que todos, sem excepção, temos responsabilidades enormes nisto tudo. Temos muito que pensar. Muito ainda para aprender. Fico com a sensação  que algo não voltará a ser (pelo menos durante algum tempo) o mesmo. 

'Quando os nazis vieram buscar os comunistas, eu não disse nada, eu não era comunista.
Quando prenderam os sociais-democratas, não disse nada, eu não era social democrata.
Quanso vieram buscar os sindicalistas, não disse nada, eu não era sindicalista.
Quando me vieram buscar, não havia ninguém que protestasse.

Martin Niemöller

Segue-nos aqui:






Se não te portas bem, olha que o Pai Natal

15.12.17


O Pai Natal tem um ar de querido, mas, na verdade, ele é um fofinho apenas com os pais que fazem bom uso dele logo a partir de outubro, ou assim que as lojas se lembram que vem aí a época natalícia. E digo que é bom connosco porque dá imenso jeito controlar o comportamento das crianças recorrendo a outras pessoas com mais poder do que nós.

Ele é o Pai Natal, ele é aquele senhor que colocamos em frases como “não mexas que vem aí o senhor e o senhor ralha.” Já para não dizer da polícia que, tal como o Pai Natal, não está cá para nos proteger, mas antes para nos levar para a prisão sem qualquer remorso ou tolerância para nos escutar ou dar-nos a hipótese de redenção.

Este trio — o Pai Natal, o tal senhor e o polícia — cumpre os requisitos. Mete medo, ameaça e a criança, enquanto é inocente, vai acatando alguns dos pedidos dados por pais que também eles ouviram aquilo em crianças. O pior vem depois quando descobre que o Pai Natal não existe, que o senhor despega do turno às 18:00, e quer tudo menos levar crianças endiabradas para casa, e que a verdadeira função do senhor de azul é proteger-nos.

Então que venha a ameaça e o castigo agora impostos pelos pais… só que o castigo é a melhor forma de desresponsabilizar uma criança. E porquê? Porque ela não é envolvida na situação, não aprende com ela nem lhe é dada a possibilidade de reparar o que fez.

Então, a questão é: como é que a criança aprende? A criança aprende quando é acompanhada. E sim, isso não garante que ela tenha comportamentos adequados o tempo todo, mas é justamente nesses momentos que temos a melhor oportunidade para ensinar a fazer melhor na próxima vez.

É com a escolha dos comportamentos e tendo a noção do impacto dos mesmos que ela poderá começar a trabalhar uma competência fundamental na idade adulta e que tem o nome de autorregulação. A autorregulação é a capacidade que temos em gerir as nossas emoções e a capacidade de optar por aquilo que nos vai trazer mais vantagens.

Ora, hoje sabemos que este aspeto se treina e a criança necessita de um adulto com paciência, que consiga também gerir as suas mesmas emoções (e frustrações) e que lhe mostre como são os comportamentos mais adequados. E tu vais querer ter esse papel — afinal de contas é para isso que existes, para educares os teus filhos, e educar é corrigir comportamentos.

Não vais querer que ele não faça asneiras porque tem medo do trio de cima ou porque não quer ficar de castigo. Vais querer que ele faça o que faz porque percebeu do interesse de ser assim. E sim, dá trabalho, mas sabes o que ganhas? Ganhas uma relação sem teres de recorrer a ameaças ou a subornos.

Vês, nem o Pai Natal, nem o senhor, e muito menos o polícia, são para cá chamados. Feliz Natal!

Ah! E o Pai Natal existe — e é um querido para as crianças!

1 tema: 5 posts => Consequências <=

5.11.17




Esta semana iniciamos uma nova rubrica no blogue:
1 tema: 5 posts
O tema desta semana, como terás visto aqui é Consequências. 

E qual é o objectivo das consequências?
O objectivo das consequências é trabalhar a responsabilidade das crianças e que estas possam fazer boas escolhas.
Neste post do Instagram dizemos-te quais são os 5 pontos que tens de 'picar' quando estabeleces uma consequência. No entanto, lembra-te que uma consequência não é um castigo. Na verdade, e como podes ler aqui, o castigo não funciona sempre nem atinge os objectivos dos pais. As consequências não infringem dor mas responsabilidade. E a nós pedem-nos que sejamos consistentes e firmes. E aí é que pode ser mais difícil.

Não percas estes 5 posts

1 - Definição de Consequências e o seu objectivo
2 - Birras, castigos e consequências
3 - As 5 regras das consequências
4 - Consequências (vídeo)
5 - Como aplicar as consequências (vídeo)
5 - Estudo sobre as consequências





Quando o castigo não funciona - um estudo

4.11.17

A disciplina pretende mudar o comportamento e não castigar a criança. A disciplina permite que a criança desenvolva a auto-disciplina e ajuda-a a tornar-se num adulto emocionalmente e socialmente maduro. Existem muitos métodos que funcionam e que podem ajudar os pais a ensinar e guiar os seus filhos, e algumas formas de disciplina continuam a ser controversos.
Independentemente do estágio de desenvolvimento e da idade da criança, aqui ficam alguns princípios que poderão ajudar a guiar o técnico:
- O propósito da disciplina é ajudar as crianças a organizarem-se, a interiorizar as regras e a adquirir padrões de comportamento apropriados;
- O temperamento da criança e dos pais, em particular no contexto do seu meio sócio-cultural requerem flexibilidade. Crianças com necessidades especiais e atraso no desenvolvimento necessitam de ajuste adicional e competências no desenvolvimento de problemas.
- A disciplina efectiva não incita à vergonha, nem à culpa nem ao sentido de abandono ou perda de confiança. Pelo contrário, provoca um sentimento de mais confiança entre a criança e os pais.
- Quando nos antecipamos estamos a criar uma ótima oportunidade para a prevenção e para discutirmos que tipo de disciplina aplicar de acordo com o desenvolvimento da idade. 
Se conheces o trabalho que a Escola da Parentalidade tem desenvolvido nos últimos anos, sabes que neste texto acima encontras alguns dos pilares que nos orientam e que são:
1. Respeito Mútuo | 2. Vínculo | 3. Parentalidade Pró-ativa | 4. Liderança Empática | 5. Educar sem punir
Estes 5 pilares são a base de todo o nossos trabalho e que sustentam, sem sombra de dúvida, tudo aquilo que nos norteia. É muito bom ver artigos científicos que apoiam as nossas convicções e prática!
Interessas-te por estes temas e gostarias de conhecer a fundo este modelo e como usá-lo na prática ? Vê como, participando nesta ação.

Quando é que eu sei que é a hora certa?

9.10.17




Quando é que eu sei que é a hora certa para deixar os meus filhos irem passar a noite a casa de um amigo?
Quando é que eu sei que é a hora certa para a deixar fazer aquela tatuagem?
Quando é que eu sei que é a hora certa para a deixar fazer uma certa viagem?

Quando é que eu sei que é a hora certa para o mudar de escola?
Quando é que eu sei que é a hora certa para lhe dar um ipad/telefone/bicicleta?


Não sei... ou até sei. Quando conhecemos mesmo muito bem os nossos filhos somos capazes de adivinhar. Ou estar bem perto da resposta a essa questão.

Uma criança pode ir dormir a casa de outra aos 4 anos se sentir preparada, segura e o quiser. E os pais deixarem. O mesmo terá de acontecer connosco, pais - estarmos preparados para isso, sentirmo-nos confortáveis com a ideia (sem falar que sabemos bem quem são os adultos que vão ficar com os nossos filhos).

A minha filha de 8 anos foi este verão de férias para casa dos avós, em França. Sabíamos que estava pronta e que este voto de confiança e responsabilidade ia ao encontro do seu processo de crescimento e desenvolvimento. E por estarmos tão certos disto, a experiência foi vivida com imensa tranquilidade cá por casa. É certo que ao fim de 15 dias estávamos todos com saudades uns dos outros mas este sentimento é bom. Sabíamos que estava bem, a divertir-se e que o dia de regresso estava próximo.

O desejo de ir visitar os avós era grande. Quando lhe propusemos a viagem disse que sim cheia de entusiasmo. Em nenhum momento recuou na ideia. Tivemos, então, a certeza que era a hora certa, para ela. E o 'para ela' está sublinhado porque há uma história e uma vivência específica que permitiu que isto acontecesse.

O mais curioso foram as perguntas que vieram de fora, colocadas por adultos:
'E não tiveste medo? Eu, quando vou viajar de avião tenho sempre imenso medo. Se pudesse, não o faria.'

E se é verdade que o facto de uma miúda de 8 anos poder viajar sozinha pode suscitar alguma curiosidade, a verdade também é que os comentários acima têm um efeito que pode ser perigoso:

- criar  um medo onde ele nunca existiu;
- enaltecer uma suposta coragem que, neste caso, era visto como uma normalidade. 'Porque razão é precisa coragem para ir visitar os meus avós? Será que há algum perigo? E se sim, onde é que ele está?'

Bem sei que a intenção não era esta. Ainda assim, desejaria que pudéssemos estar mais atentos ao que dizemos. Mostrarmos interesse e curiosidade pode passar por colocar questões que revelem isso mesmo 'Uau, nunca viajei sozinha com a tua idade - conta como foi? O que é que acontece no aeroporto? '15 dias sem os pais - como é que foi?'
Induzir um medo onde ele não existe é que não.

A hora certa não existe nos livros. A hora certa é a de cada criança e, para isso, bastará estarmos atentos. No nosso caso, o facto de lhe termos proposto a viagem também faz parte do processo do nosso crescimento enquanto pais mas também da nossa necessidade em lhe darmos o que ela precisa, a cada passo do caminho. Há dias em que a visão não é tão clara assim. Mas há outros em que é. É estar atento.


Será que estas também são as tuas duas fontes de stress aí em casa?

20.9.17
A sessão de Coaching e Aconselhamento desta manhã estava a aproximar-se do final quando esta mãe ganhou coragem e, entre algum receio e alívio, confessa aquilo que a desgasta mais neste momento:
- A relação com o marido;
- Os conflitos entre os dois filhos.

"As birras, os choros e as inseguranças de cada um deles é fácil de lidar", dizia ela. Mas não estar em sintonia com o marido - que a considera uma mãe atenciosa mas frequentemente permissiva - e as guerras entre os seus dois filhos têm-lhe dado muita vontade de atirar com a toalha ao chão e partir... uns dias!

A forma como lidamos com os conflitos tem muito da nossa história pessoal e influencia, obrigatoriamente, a forma como respondemos a esses mesmos conflitos. E até na forma como estamos a orientar os nossos próprios filhos em relação aos mesmos.

Se eu não gosto de guerras, de discutir de forma mais animada ou se tenho receio de não estar à altura para defender as minhas convicções, terei dificuldade em ensinar essas competências aos meus filhos. Simultaneamente, terei dificuldade em conseguir que o meu marido olhe para a forma como atuo não como uma fraqueza mas como um estilo parental e com a filosofia que abracei (a menos que seja mesmo mais permissiva e aí está talvez na hora de me questionar porque é que o sou).

Vale a pena analisar este ponto - quem somos em relação ao conflito e se somos diferentes com certas pessoas ou situações. E depois colocar a seguinte questão: O que é que me impede de ser quem desejo ser?

E foi com esta questão que desbloqueamos os receios em relação ao conflito desta mãe e entramos na parte da co-criação de uma nova realidade.

Devo ou não devo negociar com os meus filhos?

24.7.17


Frequentemente surge esta dúvida:

'Mas devo negociar com os meus filhos? Isso não quer dizer que deixo de ser eu a mandar? Mudar de ideias não prova que não estava certo? Ou até que me deixo "levar" pelo meu filho?'

Neste caso estamos a confundir os termos e as ideias. Vamos lá ver isto com detalhe.

Antes de tudo, é importante assegurarmos que as regras estão claras. Aqui estão alguns exemplos:
Durante a semana, a hora de ir para a cama é às 21h30.
Durante a semana, os TPCs são feitos antes da hora do jantar.
Já podemos atravessar a rua sozinhos mas devemos fazê-lo em segurança e da forma como me ensinaram.
A mesada é para ser gasta ao longo do mês e o valor estipulado tem a ver com aquilo que foi pensado ser o mais adequado e justo.
Ao fim-de-semana podemos brincar até mais tarde e até trazer amigos para o almoço.

Estas regras foram conversadas e, na maior parte dos casos, são para ser mantidas.
Eu sei que tu gostarias de ficar acordado até mais tarde. Hoje é 5ª Feira e amanhã já podes ficar mais um pouco porque no Sábado não é dia de escola. Hoje a hora de dormir é agora - vamos que eu vou ajudar-te.

Não faz mal a criança mostrar que não está contente - tem mesmo de o fazer. E tu, com a certeza de quem está a pedir algo justo, só tens de aceitar que o comportamento dela é normal. Como?
Mantendo-te firme, generoso e usando até usar algumas das estratégias da comunicação positiva para te sintonizares com ele. Num próximo post vou falar-te da postura que podemos ter durante a negociação e que fará toda a diferença.

No entanto, negociar é uma excelente competência que podemos [devemos] ensinar aos nossos filhos e não nos tira poder. O que nos tira poder é hoje fazermos assim e amanhã de outra forma. Negociar não tem de mostrar indefinição. Não negociar mostra inflexibilidade e insegurança, por vezes. Queres ver?

- Queres ficar a acabar de ver este filme/jogar este jogo? Tudo bem! Vamos lá! E hoje ficamos sem a leitura da história. Assim conseguimos fazer as duas coisas.

- Queres ficar mais um pouco aqui em casa do João? Hmmm.... é que ainda tenho de ir fazer o jantar...  Então, fazemos assim, ficamos mais um pouco e quando chegarmos a casa ajudas-me a pôr a mesa. Combinado?

- Gostavas que te aumentasse a mesada e eu gostaria muito disso mas não tenho como. Explica-me, direitinho, porque é que precisas de mais dinheiro. E depois vamos pensar em formas de conseguir esse valor [ou de contornar/aceitar a questão].

Ao negociarmos precisamos de fazer algo importantíssimo e que é escutar e fazer perguntas. E só aqui estamos a dar valor e significado à nossa relação com o nosso filho, crucial na arte de negociar - ir ao encontro das necessidades do outro. E ainda que não seja possível ou de interesse negociar, só o facto do outro se sentir entendido cria proximidade e cooperação. E isso tem um valor enorme.

Por isso a minha resposta é sim e não:

Sim, as regras são para serem mantidas mas há excepções. E aí devemos negociar naquilo que é possível negociar [do meu ponto de vista, a segurança é não-negociável mas pode ser conquistada - atravessar sozinho, subir a uma árvore e por aí fora. E se não for possível a negociação, pelo menos ouvimos os argumentos.

Não, negociar não nos tira poder nem nos fragiliza se formos pessoas coerentes e consistentes. Quer isto dizer que hoje não podemos dizer que sim e amanhã que não, de forma repetida. Negociamos para nos ajustarmos às necessidades que vão aparecendo, quando é possível e desejável negociar. Um jovem de 16 anos deseja ver a sua hora de chegada a casa alargada e talvez esteja na hora de negociar a hora a que chegava, no ano passado, durante as férias de verão. Cada caso é um caso.

E sim, se negociarmos bem, estamos a dar mais autonomia e responsabilidade, fazendo com que a criança se comprometa com a sua parte do compromisso. Negociar bem e em condições torna-nos pessoas justas, flexíveis, tudo aquilo que muitos de nós desejamos ser  enquanto pais, tivessemos menos receios e a oportunidade de discutir com outros, estes temas.

Como é que tens negociado em tua casa? Abres excepções? O teu filho é insistente? Consegues explicar ao teu filho as tuas decisões? Consideras que escutas as motivações e necessidades dele?





E se educar não desse tanto trabalho? É possível, sim!

20.7.17

Muitas vezes tenho a sensação que complicamos muito as situações e, pior do que isso, não nos damos conta!
Já reparaste que estamos frequentemente a dar ordens aos nossos filhos? E agora perguntas-te:
'Mas espera aí: já não posso bater, não posso berrar e agora já não lhes posso dar ordens? Em que é que ficamos?'
Então espera e continua a ler estes exemplos:

1. 'João, faz a cama!'
2. 'Já fazer os trabalhos de casa. Não jantas antes de os terminares'
3. 'João, não te esqueças do casaco. E da mochila!!'
4. 'Já lavar os dentes e a cara!'

Não sei se tiveste esta impressão, mas ao fim de algum tempo, é possível que o teu filho aja sem vontade por não se sentir envolvido. Está, constantemente, a ser mandado e, por não ter voto na matéria, nem ser tido nem achado, não sente como dele aquela tarefa ou função.

Então como é que podemos fazer?

1. João, já terminaste as tuas tarefas da manhã? [entendendo-se aqui que as tarefas estão estabelecidas e até visíveis para não serem esquecidas]
2. Vamos jantar as 20h00. O que é que tens de ter pronto antes disso?
3. João, vamos sair. O que é que te falta?
4. João, vamos sair. O que te falta para estares pronto?

Quando perguntamos, a criança vai à procura da resposta e é mais fácil sentir-se responsável por aquilo que tem de fazer. Porquê? Porque é ela que diz o que tem de fazer e porque não fomos nós que ordenamos.

Se funciona sempre? Nem sempre, porque há momentos em que a criança/jovem não lhe apetece fazer aquilo que sabe que tem de fazer - ou está a pensar noutra coisa. Ainda assim, gostava de te lembrar que a Parentalidade Positiva não é manipulação e a cooperação por parte do teu filho tem muito a ver com o tipo de relação que estabelecem um com o outro.

Neste final de semana gostava de te desafiar a perguntar mais e a mandar menos. E a deixares, em resposta a este post quais são os resultados dessa experiência.




Do contra. O que fazer? Parte 2

11.7.17




Quando escrevia o título para este post, dei por mim a fazer uma segundo leitura com a parte 'O que fazer?'. Será que alguns de nós viemos aqui para saber como dar a volta aos nossos filhos para eles fazerem aquilo que nós queremos?
Por vezes tenho a impressão que procuramos estratégias não para conseguirmos ganhar a cooperação dos nossos filhos mas antes para os manipularmos. Mas, porque a nossa intenção é sempre a melhor, vamos chamar a isto colaboração e não manipulação porque não nos passaria pela cabeça fazê-lo com os nossos filhos...
Mas, para obtermos a colaboração seja de quem for temos de trabalhar a relação. Mas isso dá trabalho. É um investimento enorme e convida-nos a fazer uma enorme gestão da nossa própria frustração. Porquê? Porque achamos que no dia em que decidimos usar todas estas técnicas, que os nossos filhos vão colaborar de imediato. Muitas vezes - na sua grande maioria - é mesmo isso que acaba por acontecer. Mas depois a criança tem um comportamento menos adequado e nós ficamos tristes, aborrecidos, ofendidos até.

Como é que tu podes fazer uma coisa dessas comigo? Eu que tenho investido tanto na nossa relação? 

E pronto. Atiramos com a parentalidade positiva pela janela e continuamos a usar as técnicas que conhecemos e com as quais estamos à vontade... dizendo, mais à frente que 'nada funciona com o meu filho, havia de o conhecer.'

Esperamos milagres com um investimento de 2 ou 3 dias. Ou mesmo de 15 dias. Que tudo mude. Mas não é assim. É um investimento e isso leva o seu tempo.

Então, quando tens uma criança com um comportamento de oposição - que é sempre do contra - e que te desafia e te diz 'não quero saber!', 'não faço', 'quero lá saber', começa por ti e a ver se não lhe andas a dar demasiadas ordens. Não tens só de começar a tratá-lo como uma pessoa que é. Para que ele coopere contigo, precisa de se sentir envolvido, tido e achado. Precisas de descobrir quem ele é, do que realmente gosta e de que forma podes usar o potencial dele naquilo em que ele já é bom!
Infelizmente, alguns de nós não conhecemos o potencial dos nossos filhos. O que realmente gostam e no que é que são bons ou precisam de melhorar.

Damos demasiadas ordens sem saber por onde 'puxar'.  E o que é que acontece? Acontece o que naturalmente acontece com todos os seres humanos cuja voz não é escutada. Passam a gritar da forma que conseguem para serem ouvidos. Se não me ouves, se não me dás valor e apenas ordens, então eu não quero saber. Não faço o que queres, não quero o que queres porque se não me dás valor, eu passo a rejeitar tudo o que possas querer de mim.

É isto. De forma resumida e clara. E agora? Vais continuar ou vais passar a envolvê-lo?

O que te deves perguntar:
Como posso envolver o meu filho?
Quando é que eu me sinto envolvida? Entusiasmada até?
Será que o meu filho sente de forma igual ou tem outro tipo de registo? Que registo é este?

P.S. Se queres aprender mais sobre este tipo de comportamentos, inscreve-te na nossa Pós-Graduação em Parentalidade e Educação Positivas.

Quando eles são do contra. O que fazer?

10.7.17



Um dos aspectos mais incríveis do trabalho que realizo é ver a transformação dos comportamentos e a melhoria da relação e do ambiente familiar.

Há uns meses trabalhei com uma família de um rapaz de 9 anos. Desde o nascimento do irmão que este rapaz, a quem a partir de agora chamarei de João Maria, estava mais desafiante. A verdade é que os pais atribuíam  este comportamento aos ciúmes naturais de quem tem um irmão, de quem está a chegar ao que agora se chama de pré-adolescência, mas a vida em casa estava a tornar-se cada vez mais difícil. O João Maria estava cada vez mais do contra, mais provocador, mais rebelde e até mal-criado, segundo os pais.

Todas as crianças que têm um comportamento de oposição, são crianças que recebem demasiadas ordens.

Depois de explorar o ambiente familiar, as rotinas e as conversas, os pais disseram que era capaz de ter razão. Estavam sempre a dar ordens ao João Maria e a necessidade de se sentir tido e achado, conforme falo imensas vezes, não estava a acontecer.

- Fala baixo, deixa o teu irmão dormir.
- Pára com isso, não sejas chato.
- Vai lavar os dentes e a cara de pois veste o pijama. Hoje já não há tempo para uma história.
- Assim que chegares a casa vais fazer os trabalhos de casa enquanto eu vou banho à menina. Depois vens ajudar-me a pôr a mesa.
- Vai lá fora ajudar a tua mãe a trazer os sacos para dentro.

Invertemos a forma de nos relacionarmos com o João Maria. Esta família passou a ter mais atenção à forma como estava a comunicar com o filho. Passou a fazer com que ele se sentisse mesmo parte da tribo. Passou a dar menos ordens e a envolvê-lo mais em casa. A questioná-lo mais. A interessar-se, verdadeiramente, por ele.

E, de repente, tudo acontece e o impacto imediato foi evidente. Verificaram logo uma melhoria na relação mas a verdadeira transformação deu-se agora, quase 6 meses depois da primeira consulta. Os pais, depois deste acompanhamento, também passaram a viver, de facto, segundo a parentalidade positiva. O esforço e o mérito é todo deles porque tiveram de alterar uma série de crenças, a primeira sendo que o filho os queria contrariar e provocar... só porque sim.

Foi um trabalho extraordinário, não foi? :) Um grande beijinho a estes pais!

P.S. Se queres aprender mais sobre este tipo de comportamentos, inscreve-te na nossa Pós-Graduação em Parentalidade e Educação Positivas.

Este é o verdadeiro motivo pelo qual as crianças necessitam de regras e limites

11.5.17

Ouvimos, com frequência, que as crianças precisam de regras e limites.
E eu, com frequência, pergunto a esses adultos o motivo pelo qual eles acham que as crianças precisam dessas regras e desses limites.
Respondem-me 'porque sim, porque precisam de entender que não podem ter tudo na vida' e eu penso, cá para comigo que de certeza que isso já perceberam. Por vezes continuo a fazer mais perguntas e concluo que o que leva alguns adultos a acharem que as crianças necessitam de regras e limites tem apenas a ver com um pequeno jogo de poder da nossa parte. Na verdade, não terá apenas a ver com o entendimento do que diziam no início da conversa, que  'na vida há coisas que nem sempre são possíveis' mas antes com um 'vamos lá ver quem é que manda aqui.'

Mas a verdade é só uma: as regras e os limites servem para que a criança possa estar a salvo e se sintam seguras. O meu filho mais novo não mexe na faca de serrilha de cortar o pão porque ainda é pequeno mas a mais velha já o faz. A mais velha ainda não conduz o carro nem vota porque são precisas etapas de desenvolvimento e aquisição de certas competências que só os próximos anos lhe trarão. E é por isso que existem coisas que lhe estão, por enquanto, vedadas. E isto aplica-se a todas as outras dimensões da vida deles [e da nossa]. Quando insistimos que vão para a cama cedo, quando insistimos que respondam com bons modos ou que não se agridam mutuamente. Tudo isto é para que possam estar protegidos e em segurança.

Por isso, da próxima vez que pensares em estabelecer uma regra pensa, de forma clara, qual é a tua intenção e de que forma é que o teu filho conseguirá construir-se dentro dessa segurança. O que é que ele poderá explorar, treinar ou aperfeiçoar dentro desse limite.

Interessas-te por este tema? Gostavas de saber mais sobre ele? Então clica aqui e aqui.



Estaremos mesmo envolvidos na prevenção dos maus tratos da criança?

18.4.17



Podes ler o documento da Convenção dos Direitos das Crianças aqui. E podes ler um resumo aqui também.
Infelizmente, há ainda quem considere que estes direitos são apenas para as crianças que estão em zonas de conflito e perigo e que no nosso Portugal a maior parte está segura.
No entanto, um bom olhar à nossa realidade mostrar-nos-á que a verdade não é essa.
Há uns meses participei numa conferência onde, a dada altura se falou da proteção da criança dos maus tratos, sendo que maus tratos são negligência também. E uma das oradoras perguntava-nos o que faríamos se víssemos uma mãe a bater e a ameaçar um filho, num supermercado. Houve um silêncio na sala. Ninguém respondeu. E a oradora continuou e partilhou connosco o que tinha feito, uns meses antes quando esteve perante uma situação destas. De uma forma muito assertiva e corajosa, interpelou aquela mãe e disse-lhe:
'Claramente, vejo que a senhora está fora de si e sem capacidade para gerir esta situação. No entanto,  não posso deixar de ver que a senhora está a agredir este menor e, enquanto cidadã, não posso fechar os olhos e fingir que não vi. Caso a veja agredir novamente o seu filho - física ou de outra forma - chamarei o agente de autoridade que está agora a olhar para nós.'

Curiosamente, esse mesmo agente da autoridade não se manifestou nem se deu, possivelmente, conta, da agressão que tinha acabado de acontecer à sua frente. Será que todos teríamos tido esta mesma coragem? Será que para nós bater e gritar com uma criança não passa de educação?

Mas maus tratos não é apenas bater na criança ou ameaçá-la. É não lhe criar oportunidades, não tratar dela e ajudá-la a fazer da infância um lugar seguro. Vale a pena dar uma vista de olhos aos documentos que anexei. E uma pesquisa no google faz-nos compreender que há ainda muito caminho a percorrer e por isso é que Abril é um mês cheio de iniciativas que nos fazem lembrar que estamos todos implicados nesta missão de criarmos um lugar seguro para as nossas crianças.

3 DICAS SIMPLES PARA APRENDER A CALÇAR E A VESTIR... SEM DRAMAS

24.2.17



Muito pais falam-me dos momentos de tensão que acontecem logo pela manhã, sobretudo com crianças mais pequenas. Nos dias da ginástica em que têm de ir de fatos de treino querem ir de saias. E nesses dias insistem em levar os chinelos de praia porque são bonitos e confortáveis. Tudo isto pode colocar-nos de cabelos em pé e em nervoso bem miudinho logo de manhã.


Gostava que soubesses que é normal os miúdos não entenderem estes códigos e a necessidade de se escolher um determinado calçado ou vestuário em vez de outro. Não é um jogo de poder nem vontade em contrariar-te - ainda que haja idades em que os miúdos parecem ter um comportamento de oposição permanente.

E se esta dificuldade acontece em tua casa, então este post é para ti:

1. Estabelece dias ou momentos em que o teu filho pode escolher o que calçar e vestir

É importante mantermos uma certa liberdade de escolha. Os nossos pequenos são pessoas em construção e deverão, sempre que possível, escolher o que desejam calçar e vestir. Ao mesmo tempo, quando criamos este espaço, eles terão mais facilidade em aceitar os outros momentos em que têm de usar um determinado sapato ou uma bata ou uniforme. Sabes, saber escolher é uma competência importante assim como a criatividade e este é um dos momentos em que a podes incentivar. Convido-te a olhares para esta questão desta forma.


2. Dá-lhe opções
Sempre que possível, e sobretudo em crianças até aos 2,5 anos é benéfico dar a escolher o que calçar. A estratégia das escolhas limitadas faz verdadeiros milagres, nestas idades.

- “Hoje quero ir com os chinelos de praia para a escola!”
- “ Estou a ver que gostas tanto dos teus chinelos de praia que até os queres levar para a escola. Esses chinelos são os que usamos na praia. Na escola podemos usar estas botas ou estes ténis . Quais preferes levar hoje?”



3. Trabalha a autonomia tornando a tarefa mais fácil
Desde pequenos que os miúdos mostram uma grande vontade em fazerem as coisas sozinhos. Vamos patrocinar isso! Como? Aceitando que se queiram vestir sozinhos, treinando ao fim-de-semana e dando calçado fácil de calçar. E porquê? Primeiro para que possam, de facto, ficarem autónomos nessa tarefa. E a seguir, para que se sintam motivados a continuar nas outras tarefas.

Treinar a autonomia é fundamental e ela pode ser treinada em todos os momentos e de forma simples e fácil ainda que isso nos exija um pouco mais de paciência.








Consultório: As birras

17.2.17
Ontem partilhei o estúdio com a Susana Cunha Guimarães e o pediatra Hugo Rodrigues
Estivemos a falar de birras, castigos e palmadas, numa conversa de 30 mnts que pareceram apenas 5.
Aqui fica!

O mito do amor incondicional

3.2.17

Já escrevi algumas vezes, neste blogue, sobre amor incondicional e hoje volto ao tema por causa de um comentário que um pai fez numa formação que dei há uns dias.
Este pai entendeu o valor da comunicação positiva e no impacto das nossas palavras, de uma forma geral, mas perguntou se, no final, o amor incondicional que sentia pelo filho, e que fazia questão de lhe transmitir não seriam o bastante.

Não é o que dizemos que conta. Conta muito também como fazemos a criança sentir-se.

Olha os dois exemplos abaixo:

Take #1
Entras no quarto dos teus filhos e vês a roupa feita num embrulho no chão. Os brinquedos espalhados por todo o lado, a cama por fazer e dizes:
'Isto é sempre a mesma coisa, vocês são uns desarrumados e não têm respeito nenhum por mim! É uma vergonha! Uma vergonha!! Quero isto tudo arrumado imediatamente e se quando não voltar isto não estiver impecável vocês vão ver-se comigo.'

Muito possivelmente conseguirás o teu objectivo em alguns momentos. Gritaste, ameaçaste, desgastaste-te e usaste a tua raiva para insultar os teus filhos. E a raiva é mesmo poderosa, se a soubermos usar. E não tem de ser usada para insultar, nem magoar, sabias?
Podes dizer tudo o que dizes acima de outra forma. Queres ver?

Take #2
Entras no quarto dos teus filhos e vês a roupa feita num embrulho no chão. Os brinquedos espalhados por todo o lado, a cama por fazer e dizes:
'Estou furiosa, o que é isto? Quando vejo o vosso quarto neste estado fico cheia de vontade de deitar tudo fora. Vamos lá, toca a pôr tudo no sítio malta!'

Será que funciona?
Pelo menos terás a atenção calma dos teus filhos porque não lhes estarás a gritar nem a insultar. Nesse sentido, eles não estarão ocupados a protegerem-se nem a defenderem-se. E depois podes dar uma mão, também. A questão da arrumação e da ordem são muito subjectivas. Porquê? Por dois motivos: primeiro porque é uma necessidade nossa e porque depois a ordem é algo particular. Nesse sentido teremos de a ensinar aos miúdos.

Voltando ao amor incondicional, que é o que nos trouxe aqui... Mesmo que ames muito os teus filhos, achas mesmo que no Take #1 estarás a transmitir esse amor da melhor forma? Pois, é aí que eu quero chegar. Não é o que dizes e antes aquilo que lhes fazes sentir.

Pensa nisso!


Não acredites em absolutamente nada daquilo que digo ou escrevo.

20.1.17
De vez em quando leio ou oiço comentários de mães que me parecem cansadas e desacreditadas. São comentários como
'Sim, isso é tudo muito bonito mas tinha era de vir cá a casa conhecer o meu filho.'
'Adoro opiniões, queria era ver se fosse com os seus.'

Para lá de cansadas e desacreditadas, estas mães parecem ter perdido aquilo que nos salva a todos: a fé no dia melhor e a fé nelas próprias enquanto agentes capazes de produzir esta transformação: nelas e, consequentemente nos miúdos.

Naturalmente nenhuma das estratégias sobre as quais escrevo funcionam se não as experimentarmos por um certo período de tempo para obtermos resultados.
[com as dietas é o mesmo - se não levar um plano à risca, de forma consistente e durante algum tempo, dificilmente conseguirei os resultados que pretendo. E é só quando adoto esse estilo de alimentação que consigo manter os resultados].

E tudo isto é igual na parentalidade e nas relações, em geral.

Por isso mesmo sublinho este ponto:
Não acredites em nada, absolutamente nada daquilo que escrevo ou digo. Experimenta. E fá-lo de forma consistente.

E talvez a primeira coisa que possas fazer é trabalhar a tua autorregulação [ou auto-controlo, se quiseres chamar desta forma] que é a capacidade que temos de regular os nossos impulsos e de canalizar a nossa energia para o que é realmente importante. E, de seguida, aprendermos a comunicar de maneira eficiente com os miúdos. As nossas crianças merecem adultos serenos, responsáveis e saibam o que estão a fazer e como estão a fazer. 

'Talvez o módulo sobre a autorrregulação do adulto seja mesmo o mais importante de todo este curso porque sem ele, nada do que vem à frente acontece como tem de acontecer.'
Joana Martins, aluna da Pós-Graduação da Escola da Parentalidade e Educação Positivas

Como é, vais dar-me o benefício da dúvida e experimentares?

CONSULTÓRIO DE PARENTALIDADE | AS TABELAS DE COMPORTAMENTO

20.1.17

Cá em casa já deixámos de gritar porque aderimos ao Desafio Berra-me Baixo e para isto correr bem a minha filha sugeriu que quem falasse alto tivesse um cartão vermelho, aliás ela ia fazer os cartões, acabou por não fazer... (não sei de onde lhe veio a ideia,nem se será positiva, talvez da escola).

Beijinhos


S.




Olá S.

A ideia de envolver toda a gente aí de casa é excelente. Primeiro porque o primeiro passo do desafio - que é tomar consciência que gritamos (depois falta o porquê) - está dado.
Depois, porque todos gostam de um desafio e querem sair vencedores.

Finalmente, porque a união faz a força.

A ideia dos cartões vermelhos é engraçada, sobretudo para a filha que pode apresentá-los e assim brincar um bocadinho 'aos grandes' e ter/sentir poder.

Agora o grande passo - e aí está já a trabalhar outro aspecto deste desafio - é criar vínculo e eu não acredito que se crie vínculo quando se mostram cartões vermelhos, que são punitivos [a questão de punir/castigar não é para aqui chamada - neste caso, refiro-me à carga simbólica da coisa].

A minha sugestão: já que a filha tem 5 anos, aproveitem para falarem do que gostaram e gostaram menos.

'Olha mãe, gostei quando vieste ao pé de mim e me pediste para vir jantar, mesmo quando já me tinhas chamado 2 vezes da cozinha. Já viste que não gritaste?'

'Filha, já viste que hoje de manhã conseguimos sair de casa sem stresses, sem correr. Estou mesmo feliz'.

'Mãe, da próxima vez, em vez de gritares da cozinha, anda ao pé de mim chamar-me. Sabes que por vezes estou distraída. E assim sempre podes ver os desenhos que estou a fazer.'

'Filha, fico tão chateada por te chamar 4 e 5 e 6 vezes para vires jantar. O que é que podemos fazer para isto não tornar a acontecer?'

Repare que em nenhum dos momentos há um juízo de valor em relação à outra pessoa. A mãe diz que fica chateada - mas não agride/acusa a filha.

Por outro lado, é a falar que as pessoas se entendem.


Cartões vermelhos não falam. São punitivos. Falar faz com que se reconheçam (tão importante), que se valide a evolução do desafio e que as famílias ganhem competências comunicacionais.

Já repararam que é muitas vezes nas famílias onde menos se fala?



Espero ter ajudado!

AUTO-ESTIMA DA CRIANÇA: A IMPORTÂNCIA DOS AMIGOS E DE OS SABERMOS ESCOLHER

8.12.16

A questão da Auto-estima de uma criança tem muito que se lhe diga, ou antes, pouco tem a ver com palavras e muito mais a ver com o que a criança sente e vive.

Na verdade, é a qualidade das experiências que ela tem que contribuem para que a sua Auto-estima esteja em equilíbrio. Nesse sentido, há coisas a que devemos estar atentos. Entre elas, é fundamental que possamos escolher com muita atenção a escola que os nossos filhos vão frequentar, e os amigos que acolhemos em nossa casa, fora da escola. Escrevi fora da escola porque dentro é ele quem decide. É uma forma de controlar as experiências que eles têm e de os fazermos viver experiências positivas.

Se é mau fazermos este controlo? Claro que não! E eu explico a seguir.

Repara que quanto mais experiências positivas os nossos filhos tiverem, melhor será a sua auto-estima, a noção de auto-eficácia, a sua auto-imagem. Estando com crianças boas, com pais que são pessoas com valores e decentes, as crianças aprendem e sentem que é bom ser-se bem tratado. Mas mais do que isso: sentem que há espaço para serem quem são e por isso, quando estão num espaço onde podem ser autênticos, sentem-se seguros: física e emocionalmente. E as experiências positivas não são apenas experiências onde correu tudo bem. São experiências em que se aprendeu: a viver, a olhar para a situação de uma forma diferente...

Ora, o natural será procurarmos ser bem tratados nas outras relações que desenvolvemos e ficarmos de pé atrás quando não somos. Todos precisamos de quem nos trate de forma decente e que nos faça sentir bem. Por isso é fundamental estarmos junto de quem nos trate assim. E mais ainda os nossos filhos.

NOTA: Se a questão da Auto-Estima da Criança é algo que te interesse, podes aprender mais sobre isso aqui.http://www.35.idmkt2.com/w/de2leiW1edUqktpbBVcte72c74933

3 competências fundamentais, Eu sou Capaz | Eu tenho Valor | Eu sou Responsável

13.9.16

Erámos 14 em sala, motivados e entusiasmados para saber mais sobre como aprende uma criança as 3 competências fundamentais para crescer de forma emocionalmente segura:

Eu sou capaz

Eu tenho valor

Eu sou responsável


Lê mais aqui!





Com as bases das neuro-ciências, da comunicação positiva e não violenta, com a ajuda da Inteligência Emocional, percorremos os momentos do desenvolvimento da criança dos 0 aos 6 anos.

Percebemos bem o papel do educador neste trajeto e a nossa missão enquanto seres humanos.

Podes ler mais aqui:
http://mumstheboss.blogspot.pt/2016/09/as-3-competencias-fundamentais-serem.html


A nova edição vai acontecer já em Outubro, no Porto, DBarriga

Segunda-Feira - 7 Novembro - 19h00-22h00 (3h)
Quarta-Feira - 9 Novembro - 19h00-22h00 (3h)

Emissão de certificado, no final da ação.

Valor: 60,00€
Email de contato: geral@dbarriga.pt
Morada: Rua Sarmento Beires 339 4250-449 Porto
Telefone DBarriga: +351 938 359 665 | +351 220 120 945


Alguns testemunhos de quem esteve nesta última ação:


Na nossa sociedade há adultos que não tratam com respeito as crianças. Gostei muito da ação em geral e dos casos práticos (resolução) em particular.
Gracinda Martins, Educadora de Infância


Um tema atual que ajuda pais e profissionais a lidar melhor com os desafios da parentalidade!

Sofia, Educadora de Infância, blogger em Pedaços de Nós


Adorei a formação da Magda que, de forma tão clara e esclarecedora me fez aprender mais sobre a parentalidade positiva. A forma como conduz a ação e de como dá exemplos práticos ajuda imenso os pais a gerir o seu dia-a-dia e a sua ligação com os filhos.

Raquel Pacheco Neves, farmaceutica e criadora do site Bebéu

Todas as crianças devem ser respeitada como seres de valor que são. Nós, gente grande, temos muito a aprender com eles.
Isabel,  Educadora de Infância - e à procura de uma oportunidade para trabalhar nesta área.

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