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Os pais devem estudar com os filhos: sim ou não?

5.4.18

Texto de Sofia Teixeira | Ilustração de Sérigio Condeço/WHO

Noticias Magazine

O terceiro período está a chegar e é decisivo para o sucesso escolar dos seus filhos. Ver o desastre iminente e não fazer nada é difícil, mas devem os pais ajudar os miúdos a fazer os trabalhos de casa e estudar com eles para os testes ou deixá-los por conta própria? A resposta pode resumir-se com um «no meio está a virtude», sendo certo que esse meio-termo nem sempre é fácil de encontrar.


Andreia Reis senta-se algumas vezes por semana ao lado de Tomás, de 6 anos, para supervisionar os trabalhos de casa. Tomás ainda tem poucos trabalhos e a mãe costuma deixar que ele escolha quando quer fazê-los, tentando apenas que não adie demasiado.

O pequeno é despachado e a mãe acompanha-o lendo o que é solicitado e pedindo uma correção aqui e outra ali, sobretudo para o incentivar a melhorar a letra. O filho entrou no primeiro ciclo e a única dificuldade que Andreia lhe deteta é a de conseguir ficar sentado.

«Sempre tive uma imagem muito idílica do início da escola, dele a fazer os trabalhos comigo ao pé e tudo a correr muito bem. Mas a verdade é que às vezes eu própria fico impaciente, porque ele está sempre a querer levantar-se, não se concentra, arranja mil e uma desculpas para dispersar a atenção.»


O apoio que é necessário ou desejável por parte dos pais no que respeita ao estudo tem uma relação direta com a idade e com a maturidade

Até ver, e apesar da agitação na altura de fazer os trabalhos, o filho está a sair-se bem. A mãe gosta de puxar por ele de forma lúdica: «Sentamo-nos à mesa e leio um livro com ele, fazemos jogos de palavras, brincamos com os números, fazemos contas de cabeça. Acho que isso vale mais do que estar sentado a escrever “P” e “L” vezes sem conta.»

O apoio que é necessário ou desejável por parte dos pais no que respeita ao estudo tem uma relação direta com a idade e com a maturidade: a autonomia na realização de qualquer tarefa é um processo gradual que, de início, tem de ser ensinado e treinado.

«Tal como uma criança não aprende a arrumar o quarto se não for ensinada e ajudada, o mesmo acontece com o estudar», defende Magda Gomes Dias, formadora certificada na área da inteligência emocional, educação positiva e coaching e conhecida pelo blogue Mum’s the Boss.


Há quem chame os pais-helicópteros, aqueles que estão sempre a girar em torno dos miúdos e que frequentemente, acabam por lhes comprometer a capacidade de ser autónomos.

«É natural que quando a criança começa a escola ainda não saiba como fazer isso, pelo que é importante ajuda, de forma a criar bases de estudo, organização e disciplina.» Ou seja: ajudar nos estudos faz sentido antes de lhes ensinarmos estas competências, mas também é importante perceber quando é altura de parar. «Quando as competências estão apreendidas, devemos assumir que é responsabilidade deles», explica a coach.

Como em quase todos os temas que envolvem a educação dos filhos, há alguns extremos. Num deles, os pais que chegam a casa e veem todos os dias com os miúdos o que eles deram na escola, vigiam os TPC, ajudam a fazer trabalhos que contam para a nota e estudam com eles para os testes.

A estes, há quem chame os pais-helicópteros, aqueles que estão sempre a girar em torno dos miúdos e que frequentemente, com a melhor das intenções, acabam por lhes comprometer a capacidade de ser autónomos.

Por outro lado, há os que se distanciam e declaram: «Eu já fiz a escola, agora esse é o teu trabalho, eu também tenho o meu.» E a estes há quem chame desleixados e os responsabilize pelo insucesso dos miúdos.

Como aconselha o bom senso, é no meio-termo que está a virtude: não é benéfico assumir as responsabilidades deles, mas é importante acompanhar, perceber as dificuldades e motivar.

«Todo o apoio deve ser pensado para não pecar por excesso, o que provoca um alhear dos alunos no processo porque há sempre alguém a ajudar, nem por défice, fazendo o estudante sentir-se desamparado», defende Renato Paiva, diretor da Clínica da Educação e da Academia de Alto Rendimento Escolar WOWSTUDY, autor de vários livros sobre o estudo dos mais novos. Ainda assim, o autor defende que estudar com eles ou ajudar a fazer os TPC, passada a fase de adaptação à escola, não é boa opção.

«Os pais podem ser um auxílio em alguma dúvida, dar orientação, mas nunca serem companheiro de estudo. O estudo é, e deve ser, um ato individual que depois se socorre de auxílios, como o livro, a calculadora, a internet ou os pais», defende o autor.

Não só porque é necessário fomentar desde cedo a autonomia no estudo, como por razões de ordem mais prática: «Os pais não sabem todas as matérias nem são capazes de acompanhar todos os anos. Além disso, não é só preciso saber da matéria, mas também saber explicar de forma correta.»


Fazer os resumos para os filhos, por exemplo, pode parecer uma ajuda, mas é na realidade complicar-lhes a vida, pelo menos a médio prazo.

A segunda atitude, de «não querer saber», defende que já esbarra no desleixo, porque a autonomia é, antes de mais, dar condições para o desenvolvimento dessa mesma autonomia.

E isso passa pela necessidade inicial de algum apoio e, sobretudo, pelo interesse.
Marta Simões, mãe de Diogo, de 11 anos e Joana, de 9 anos, alinha neste equilíbrio. «Eles sabem que a responsabilidade é deles e a minha participação funciona como uma “supervisão”.»

Diogo e Joana fazem os TPC sozinhos, mas sabem que podem tirar dúvidas com a mãe, que está sempre por perto, e em relação ao estudo gostam apenas que a mãe lhes faça perguntas sobre a matéria. «Opto sempre por lhes pedir que estudem sossegados no quarto, e quando acharem que já estão preparados tiro uma hora para estar com eles a fazer perguntas.»

Até hoje tem dado bons resultados e funcionado bem, são os dois responsáveis e bons alunos. Marta está ciente que de futuro não vai poder tirar-lhes dúvidas nem estudar com eles, à medida que o nível de exigência for subindo, mas acredita que, até lá, conseguirão adquirir em pleno os métodos e os instrumentos necessários para a sua autonomia e, um dia, o papel dela vai acabar por passar para os colegas dos filhos.

Os pais mais zelosos estão a ser bem intencionados, mas nem sempre estão a seguir o melhor caminho. Fazer os resumos para os filhos, por exemplo, pode parecer uma ajuda, mas é na realidade complicar-lhes a vida, pelo menos a médio prazo.

«Entendo o objetivo – que é poupar algum trabalho aos filhos para eles poderem brincar ou fazer outras coisas –, mas é estar a tirar-lhes a melhor forma que têm de aprender: resumir é mais de cinquenta por cento da aprendizagem, se os pais assumem essa tarefa, estão a tirar à criança a capacidade de aprender por ela própria», explica Magda Gomes Dias, Maria João Tavares está familiarizada com essa teoria, mas não concorda com ela.

Perante a desmotivação da filha Estela, de 10 anos, que está numa fase em que acha a escola uma seca e não gosta de estudar, acaba por se sentar junto dela para a ajudar a fazer resumos, sobretudo ao fim de semana. «Os TPC faz sozinha, mas o estudo tenho sempre de acompanhar, não tem motivação para o fazer sozinha.»

Nunca equacionou deixar a filha por sua própria conta, de forma a confrontá-la com a necessidade de estudar mais porque entende que ela com 10 anos ainda não tem maturidade para isso.

«Não receio criar uma dependência, um dia irá estudar sozinha: todos temos ritmos diferentes. Procuro encontrar formas de a motivar e acho que não devo desresponsabilizar-me», diz Maria João, que entretanto pôs também a filha num centro de estudos três tardes por semana.

Renato Paiva garante que uma das principais questões dos filhos é a do sentido da escola. «Há muitos alunos que não perceberam para que serve a escola. Porque devem estudar Físico-Química, ou Filosofia, ou Matemática se o interesse deles é outro», já os pais, garante, esperam demasiado desta.

«Delegam na escola grande parte do trabalho. Em parte com razão, mas também têm uma responsabilidade inerente da qual não devem alhear-se.» O tal meio-termo, tantas vezes difícil de alcançar.

A motivação é, de resto, um dos aspetos essenciais da relação dos miúdos com a escola e, muitas vezes, as dificuldades são consequência da sensação que têm de que aquilo que estão a aprender não serve para nada. Mas o que podem os pais fazer para combater isto?

«A motivação é uma porta que abre por dentro», diz Magda Gomes Dias. «Não consigo motivar ninguém que não queira ser motivado, mas é importante interessar-me e tentar ajudar a tornar a matéria interessante integrando-a, quando é possível, no dia-a-dia: ir dar um passeio para ver onde o escritor escreveu aquele livro, procurar um filme relacionado com a matéria e vê-lo com os miúdos», exemplifica.

Já as coisas abstratas, não integráveis no dia-a-dia, mas que têm de ser sabidas, permitem, de acordo com a coach, outra aprendizagem – penosa, mas importante: a do espírito de sacrifício, que vamos ter de usar tantas vezes pela vida fora.

Devo ou não devo negociar com os meus filhos?

24.7.17


Frequentemente surge esta dúvida:

'Mas devo negociar com os meus filhos? Isso não quer dizer que deixo de ser eu a mandar? Mudar de ideias não prova que não estava certo? Ou até que me deixo "levar" pelo meu filho?'

Neste caso estamos a confundir os termos e as ideias. Vamos lá ver isto com detalhe.

Antes de tudo, é importante assegurarmos que as regras estão claras. Aqui estão alguns exemplos:
Durante a semana, a hora de ir para a cama é às 21h30.
Durante a semana, os TPCs são feitos antes da hora do jantar.
Já podemos atravessar a rua sozinhos mas devemos fazê-lo em segurança e da forma como me ensinaram.
A mesada é para ser gasta ao longo do mês e o valor estipulado tem a ver com aquilo que foi pensado ser o mais adequado e justo.
Ao fim-de-semana podemos brincar até mais tarde e até trazer amigos para o almoço.

Estas regras foram conversadas e, na maior parte dos casos, são para ser mantidas.
Eu sei que tu gostarias de ficar acordado até mais tarde. Hoje é 5ª Feira e amanhã já podes ficar mais um pouco porque no Sábado não é dia de escola. Hoje a hora de dormir é agora - vamos que eu vou ajudar-te.

Não faz mal a criança mostrar que não está contente - tem mesmo de o fazer. E tu, com a certeza de quem está a pedir algo justo, só tens de aceitar que o comportamento dela é normal. Como?
Mantendo-te firme, generoso e usando até usar algumas das estratégias da comunicação positiva para te sintonizares com ele. Num próximo post vou falar-te da postura que podemos ter durante a negociação e que fará toda a diferença.

No entanto, negociar é uma excelente competência que podemos [devemos] ensinar aos nossos filhos e não nos tira poder. O que nos tira poder é hoje fazermos assim e amanhã de outra forma. Negociar não tem de mostrar indefinição. Não negociar mostra inflexibilidade e insegurança, por vezes. Queres ver?

- Queres ficar a acabar de ver este filme/jogar este jogo? Tudo bem! Vamos lá! E hoje ficamos sem a leitura da história. Assim conseguimos fazer as duas coisas.

- Queres ficar mais um pouco aqui em casa do João? Hmmm.... é que ainda tenho de ir fazer o jantar...  Então, fazemos assim, ficamos mais um pouco e quando chegarmos a casa ajudas-me a pôr a mesa. Combinado?

- Gostavas que te aumentasse a mesada e eu gostaria muito disso mas não tenho como. Explica-me, direitinho, porque é que precisas de mais dinheiro. E depois vamos pensar em formas de conseguir esse valor [ou de contornar/aceitar a questão].

Ao negociarmos precisamos de fazer algo importantíssimo e que é escutar e fazer perguntas. E só aqui estamos a dar valor e significado à nossa relação com o nosso filho, crucial na arte de negociar - ir ao encontro das necessidades do outro. E ainda que não seja possível ou de interesse negociar, só o facto do outro se sentir entendido cria proximidade e cooperação. E isso tem um valor enorme.

Por isso a minha resposta é sim e não:

Sim, as regras são para serem mantidas mas há excepções. E aí devemos negociar naquilo que é possível negociar [do meu ponto de vista, a segurança é não-negociável mas pode ser conquistada - atravessar sozinho, subir a uma árvore e por aí fora. E se não for possível a negociação, pelo menos ouvimos os argumentos.

Não, negociar não nos tira poder nem nos fragiliza se formos pessoas coerentes e consistentes. Quer isto dizer que hoje não podemos dizer que sim e amanhã que não, de forma repetida. Negociamos para nos ajustarmos às necessidades que vão aparecendo, quando é possível e desejável negociar. Um jovem de 16 anos deseja ver a sua hora de chegada a casa alargada e talvez esteja na hora de negociar a hora a que chegava, no ano passado, durante as férias de verão. Cada caso é um caso.

E sim, se negociarmos bem, estamos a dar mais autonomia e responsabilidade, fazendo com que a criança se comprometa com a sua parte do compromisso. Negociar bem e em condições torna-nos pessoas justas, flexíveis, tudo aquilo que muitos de nós desejamos ser  enquanto pais, tivessemos menos receios e a oportunidade de discutir com outros, estes temas.

Como é que tens negociado em tua casa? Abres excepções? O teu filho é insistente? Consegues explicar ao teu filho as tuas decisões? Consideras que escutas as motivações e necessidades dele?





Os 2 principais motivos pelos quais a adolescência pode ser um período de crise

12.5.17

A adolescência é, por definição, um período de crise, não só para os jovens como também para os pais. Este é um período de definição, construção e também destruição.

E estes são os motivos:

1. É nesta altura que os jovens iniciam um processo de maior autonomia na sua vidas. Primeiro porque é mesmo assim que se quer - que se tornem independentes de nós, afinal é para isso que os criamos.
2. Segundo, porque esta é uma fase de uma maior consciência de si, de transformações físicas, hormonais e emocionais. E esta 'avalanche' de transformações pode provocar comportamentos menos habituais, mais difíceis, justamente porque pode ser difícil lidar-se com tudo isto que está a acontecer dentro de nós.

Há quem se refira a este período como uma altura de crise justamente porque pode não haver a manutenção dos valores do passado. Simultaneamente, muitos pais sofrem com o afastamento dos filhos: este passa a falar menos, a fechar-se mais no seu quarto e a passar mais tempo com os amigos. Estes jovens, por precisarem e desejarem  maior independência - porque precisam de se definir - fazem com que o controlo parental diminua de forma natural, surgindo uma novidade na equação [que talvez existisse já antes] e que é a intimidade, deixando uma vez mais os pais por trás da porta.

E este ponto - a nova definição de papeis - pode ser um problema para nós uma vez que, a partir daqui, e num processo que pode ser lento, ou não, irão confrontar-se com novas situações ainda que algumas possam ser comuns nestas idades.

Estes desafios são muito diversificados e podem estar relacionados com a auto-estima do adolescente, as amizades, as redes sociais e o virtual em geral, a anorexia/bulimia, o bullying, a sexualidade, as drogas, entre muitos outros. E depois há os desafios relacionados com a própria relação pais/adolescentes: de discórdia, oposição, não participação.

Os adolescentes de hoje, também conhecidos por geração Z, são aqueles que entram no mercado de trabalho e ainda têm os avós a trabalharem. São aqueles que nasceram numa altura que os pais trocavam sms e emails e falavam no messenger. É uma geração que nasceu na altura da queda das torres e num país onde a taxa de divórcio não pára de aumentar, tal como o número de alunos por sala. Este artigo do Observador, pela pertinência, vale a pena ser lido.

E os pais, nisto tudo? Precisamos de apoio, de amigos generosos, com quem possamos partilhar os nossos receios e angústias, lembrando-nos que a paciência, o sentido de humor, a generosidade e a liderança empática são os nossos melhores aliados.
A dada altura, se precisarmos de ajuda e acompanhamento, não devemos hesitar, tornando assim esta travessia mais simples e mais fácil. 

Podes continuar a ler mais sobre estes assuntos em Ciclo de workshops Porto | Algarve


3 DICAS SIMPLES PARA APRENDER A CALÇAR E A VESTIR... SEM DRAMAS

24.2.17



Muito pais falam-me dos momentos de tensão que acontecem logo pela manhã, sobretudo com crianças mais pequenas. Nos dias da ginástica em que têm de ir de fatos de treino querem ir de saias. E nesses dias insistem em levar os chinelos de praia porque são bonitos e confortáveis. Tudo isto pode colocar-nos de cabelos em pé e em nervoso bem miudinho logo de manhã.


Gostava que soubesses que é normal os miúdos não entenderem estes códigos e a necessidade de se escolher um determinado calçado ou vestuário em vez de outro. Não é um jogo de poder nem vontade em contrariar-te - ainda que haja idades em que os miúdos parecem ter um comportamento de oposição permanente.

E se esta dificuldade acontece em tua casa, então este post é para ti:

1. Estabelece dias ou momentos em que o teu filho pode escolher o que calçar e vestir

É importante mantermos uma certa liberdade de escolha. Os nossos pequenos são pessoas em construção e deverão, sempre que possível, escolher o que desejam calçar e vestir. Ao mesmo tempo, quando criamos este espaço, eles terão mais facilidade em aceitar os outros momentos em que têm de usar um determinado sapato ou uma bata ou uniforme. Sabes, saber escolher é uma competência importante assim como a criatividade e este é um dos momentos em que a podes incentivar. Convido-te a olhares para esta questão desta forma.


2. Dá-lhe opções
Sempre que possível, e sobretudo em crianças até aos 2,5 anos é benéfico dar a escolher o que calçar. A estratégia das escolhas limitadas faz verdadeiros milagres, nestas idades.

- “Hoje quero ir com os chinelos de praia para a escola!”
- “ Estou a ver que gostas tanto dos teus chinelos de praia que até os queres levar para a escola. Esses chinelos são os que usamos na praia. Na escola podemos usar estas botas ou estes ténis . Quais preferes levar hoje?”



3. Trabalha a autonomia tornando a tarefa mais fácil
Desde pequenos que os miúdos mostram uma grande vontade em fazerem as coisas sozinhos. Vamos patrocinar isso! Como? Aceitando que se queiram vestir sozinhos, treinando ao fim-de-semana e dando calçado fácil de calçar. E porquê? Primeiro para que possam, de facto, ficarem autónomos nessa tarefa. E a seguir, para que se sintam motivados a continuar nas outras tarefas.

Treinar a autonomia é fundamental e ela pode ser treinada em todos os momentos e de forma simples e fácil ainda que isso nos exija um pouco mais de paciência.








AUTO-ESTIMA DA CRIANÇA: A IMPORTÂNCIA DOS AMIGOS E DE OS SABERMOS ESCOLHER

8.12.16

A questão da Auto-estima de uma criança tem muito que se lhe diga, ou antes, pouco tem a ver com palavras e muito mais a ver com o que a criança sente e vive.

Na verdade, é a qualidade das experiências que ela tem que contribuem para que a sua Auto-estima esteja em equilíbrio. Nesse sentido, há coisas a que devemos estar atentos. Entre elas, é fundamental que possamos escolher com muita atenção a escola que os nossos filhos vão frequentar, e os amigos que acolhemos em nossa casa, fora da escola. Escrevi fora da escola porque dentro é ele quem decide. É uma forma de controlar as experiências que eles têm e de os fazermos viver experiências positivas.

Se é mau fazermos este controlo? Claro que não! E eu explico a seguir.

Repara que quanto mais experiências positivas os nossos filhos tiverem, melhor será a sua auto-estima, a noção de auto-eficácia, a sua auto-imagem. Estando com crianças boas, com pais que são pessoas com valores e decentes, as crianças aprendem e sentem que é bom ser-se bem tratado. Mas mais do que isso: sentem que há espaço para serem quem são e por isso, quando estão num espaço onde podem ser autênticos, sentem-se seguros: física e emocionalmente. E as experiências positivas não são apenas experiências onde correu tudo bem. São experiências em que se aprendeu: a viver, a olhar para a situação de uma forma diferente...

Ora, o natural será procurarmos ser bem tratados nas outras relações que desenvolvemos e ficarmos de pé atrás quando não somos. Todos precisamos de quem nos trate de forma decente e que nos faça sentir bem. Por isso é fundamental estarmos junto de quem nos trate assim. E mais ainda os nossos filhos.

NOTA: Se a questão da Auto-Estima da Criança é algo que te interesse, podes aprender mais sobre isso aqui.http://www.35.idmkt2.com/w/de2leiW1edUqktpbBVcte72c74933

3 competências fundamentais, Eu sou Capaz | Eu tenho Valor | Eu sou Responsável

13.9.16

Erámos 14 em sala, motivados e entusiasmados para saber mais sobre como aprende uma criança as 3 competências fundamentais para crescer de forma emocionalmente segura:

Eu sou capaz

Eu tenho valor

Eu sou responsável


Lê mais aqui!





Com as bases das neuro-ciências, da comunicação positiva e não violenta, com a ajuda da Inteligência Emocional, percorremos os momentos do desenvolvimento da criança dos 0 aos 6 anos.

Percebemos bem o papel do educador neste trajeto e a nossa missão enquanto seres humanos.

Podes ler mais aqui:
http://mumstheboss.blogspot.pt/2016/09/as-3-competencias-fundamentais-serem.html


A nova edição vai acontecer já em Outubro, no Porto, DBarriga

Segunda-Feira - 7 Novembro - 19h00-22h00 (3h)
Quarta-Feira - 9 Novembro - 19h00-22h00 (3h)

Emissão de certificado, no final da ação.

Valor: 60,00€
Email de contato: geral@dbarriga.pt
Morada: Rua Sarmento Beires 339 4250-449 Porto
Telefone DBarriga: +351 938 359 665 | +351 220 120 945


Alguns testemunhos de quem esteve nesta última ação:


Na nossa sociedade há adultos que não tratam com respeito as crianças. Gostei muito da ação em geral e dos casos práticos (resolução) em particular.
Gracinda Martins, Educadora de Infância


Um tema atual que ajuda pais e profissionais a lidar melhor com os desafios da parentalidade!

Sofia, Educadora de Infância, blogger em Pedaços de Nós


Adorei a formação da Magda que, de forma tão clara e esclarecedora me fez aprender mais sobre a parentalidade positiva. A forma como conduz a ação e de como dá exemplos práticos ajuda imenso os pais a gerir o seu dia-a-dia e a sua ligação com os filhos.

Raquel Pacheco Neves, farmaceutica e criadora do site Bebéu

Todas as crianças devem ser respeitada como seres de valor que são. Nós, gente grande, temos muito a aprender com eles.
Isabel,  Educadora de Infância - e à procura de uma oportunidade para trabalhar nesta área.

As 3 competências fundamentais a serem trabalhadas na escola e que valem ouro na vida da criança

2.9.16


Para além do saber, a escola é um lugar extraordinário para trabalhar as competências sociais que vão ser ferramentas fundamentais para o seu crescimento enquanto pessoa comprometida, atenta, feliz.
Se é verdade que a escola existe para ensinar e transmitir conhecimento, também é verdade que cada professor e cada auxiliar são adultos de referência nas suas vidas e que fazem mesmo toda, mas mesmo toda a diferença. 
Na verdade, não acredito que nenhum educador ou professor vá para esta profissão sem acreditar que assim é!


Na escola também aprendemos competências sociais. Quais são essas?

Eu sou capaz
Eu sou capaz de adiar a minha vontade de ir já para o recreio brincar e ficar a terminar de pintar o meu desenho. Eu sou capaz de tocar o solo em guitarra na festa de final de ano. Eu sou capaz de dizer ao João para parar de me chatear.
A autonomia trabalha-se em sala.

Eu tenho valor
Eu tenho receio de não conseguir fazer melhor e por isso não arrisco. Eu gosto de aprender e fui feito para aprender!
Todas as crianças têm dentro de si um enorme potencial. Basta saber ver e ajudar a trazer tudo isso cá para fora. Aposto que qualquer uma delas vai agradecer, mais tarde!





Eu sou responsável
Eu sou responsável pelas minhas escolhas e estou a aprender a lidar com a frustração de fazer escolhas erradas. Eu sou responsável por gerir as minhas emoções mas como ainda não o sei fazer muito bem, preciso que me mostrem como é que isso se faz. Eu sou responsável pelo meu material da escola e por arrumar esse mesmo material no final do dia.
E preciso de ajuda, que me acompanhem e corrijam porque só assim posso aprender. 


Estas 3 competências precisam de ser muito bem trabalhadas antes dos 6 anos de idade. 

Primeiro: porque o cérebro é capaz de absorver toda esta informação muito mais facilmente. Depois, porque a criança precisa desta ferramentas - são-lhe de enorme utilidade!
Segundo: porque estão na base da construção da forma de ser dessa criança. Até aos 6 anos a criança vai enraizar comportamentos e crenças. Depois dessa idade é mais difícil. Porquê? Porque teremos de desconstruir padrões de comportamentos e pensamentos menos favoráveis.

Vou fazer uma ação no Porto, de dia inteiro, sobre estas 3 competências para mostrar exatemente como é que elas podem ser trabalhadas. São bem-vindos todos os interessados que trabalhem com pais e crianças - professores, médicos, psicólogos, terapeutas, auxiliares, assistentes, enfermeiros - e, naturalmente, os pais.
Inscrições limitadas.

Email de contato: geral@dbarriga.pt 
Morada: Rua Sarmento Beires 339 4250-449 Porto
Telefone DBarriga: +351 938 359 665 | +351 220 120 945

5 DICAS INFALÍVEIS PARA TRABALHARES A AUTONOMIA DOS TEUS FILHOS ANTES DO REGRESSO ÀS AULAS

26.8.16



As semanas que antecedem o regresso às aulas podem ser ótimas oportunidades para ajudarmos os nossos filhos a tornarem-se mais autónomos, independentes e responsáveis. 
Por isso, e nas próximas linhas vais encontrar as 5 melhores dicas para trabalhar estes 3 pontos. Anda daí!


1. MOSTRA-LHE COMO SE FAZ!

Veste tu uma t-shirt tua. Mostra-lhe como o fazes, descrevendo. ‘Primeiro passas a cabeça. Sabes onde está a etiqueta? Está aqui! E sabes de que lado é que ela fica? Isso tudo! E agora o que falta? As mangas. Vamos lá! Agora é a tua vez’. Descreve o que o vês fazer, não precisas de elogiar. E quanto mais descreves, mais ele escuta o que é que tem de fazer - ’Agora olhamos para o quê? Oh, já te esqueceste? Sim, a etiqueta!’.Agora vamos despir. Eu faço primeiro e depois imitas.’

E para ficar ainda mais perfeito, invertam os papeis. Como?

Diz-lhe: Agora tu és a mãe e eu sou o Miguel. Vá, mãe, ensinas-me a vestir e a despir a t-shirt?

Engana-te e pede-lhe ajuda. Ele sentir-se-á útil e crescido!

Depois da tshirt podes passar para as calças e para os vestidos fáceis de vestir! Espreita estas calças e estes vestidos - ajuda imenso na tarefa!

Repetir, repetir, repetir com entusiasmo e alegria!

2. SIMPLIFICA A TAREFA.
Se queremos que os miúdos se entusiasmem e se sintam capazes, convém escolhermos tarefas adaptadas às suas idades. Não compliques - pelo contrário, procura tornar a tarefa simples. Aos 3 anos uma criança já se pode vestir e despir sozinha. Aos 2 anos já se consegue calçar mas não consegue dar o laço nos atacadores. Por isso não lhe dês sapatilhas com atacadores. Eu gosto destas da Vertbaudet, com velcro - que ajudam a distinguir o direito do esquerdo - e destas botas agora para o inverno. Para além de serem mais seguras - porque não vão correr o risco de tropeçarem - podem chegar a casa e tirar o calçado sozinhos. Na hora de sair não estarão dependentes dos pais para se calçarem.
E o mesmo digo quando se tratam das calças - fáceis de vestir e de apertar - e das camisolas, camisas e blusões com botões descomplicados. Sou fã do conceito que a Vertbaudet tem vindo a desenvolver desde há uns anos e que se calhar já conheces, o Consigo Sozinho - e que está tão bem pensado!

Quando é que lhes podes dar calçado com atacadores? A partir dos 4 anos [motrocidade fina] já podes começar a ensinar a dar o laço - assim ela saberá como fazer e não terá de pedir ajuda. Autonomia, independência, responsabilidade é o que estás a trabalhar neste simples aspeto.

3. DEIXA-O ESCOLHER E INTERVIR NAS SITUAÇÕES.

É verdade que há situações em que os miúdos escolhem de véspera o que vão vestir e no dia a seguir já mudaram de ideias. Acredito que isto aconteça num grande número de casas. Mas isso não invalida que preparem, em conjunto, a roupa para o dia a seguir, a mochila e até o lanche, se for possível. Já viste estes conjuntos que simplificam imenso a vida? Também são da coleção Consigo Sozinho!

Mais!, podes perfeitamente ensiná-lo a dobrar a roupinha e ajudá-lo a arrumar as peças nas gavetas.
Naturalmente que há dias em que corre bem, outros em que ele não está nem aí.

Mas vou contar-te o segredo para isto resultar:


Primeiro precisas de tirar satisfação do ato de ensinar - e não propriamente do ato de arrumar. Depois, precisas mesmo de repetir com o teu filho a tarefa. Várias vezes. Depois, é muito importante que saibas lidar com a tua frustração porque as coisas não vão ficar tão perfeitas como se tivesses sido tu a fazer. Mas, ao fim de pouco tempo, e se continuares a acompanhar, o teu pequeno vai sentir-se útil, autónomo e vai ter prazer em zelar pelas coisas deles. Insiste nisto. O segredo está no prazer que tu vais ter em ensinar. Vai por mim, muda tudo!

4. TABELA DAS TAREFAS.
Que atire a primeira pedra aquele que nunca teve uma manhã complicada com os fllhos. Temos todos! Por isso é que a tabela das tarefas ajuda, e muito, no corre-corre da manhã. Esta é uma tabela feita pelo teu filho [tu podes ajudar] mas quem a faz é ele. Porquê? Porque assim é que se vai apropriar dela e vai ter vontade de cumprir com o que lá está e que até foi sugerido por ele. Podes ler mais sobre a tabela neste link e também no meu livro Berra-me Baixo.

5. ACOMPANHA, CORRIGE E ENCORAJA!
Uma criança só consegue tornar-se autónoma, explorar e intervir no seu ambiente quando se sente segura. É interessante, não é? Ora, para se sentir segura e confiante, precisa de ti e do teu acompanhamento. Então ensina e, como te disse no ponto 3, tens de ter prazer nestes ensinamentos.

Imagina que o teu filho deixou cair um pouco de água do copo dele no chão. Não precisas de te chatear, são coisas que acontecem. Mas, em vez de ires limpar, chama por ele, entrega-lhe uma esponja ou pano e pede para ele o fazer. Acompanha, corrige e encoraja.São estas pequenas coisas que fazem toda a diferença e trabalham estes 3 pontos tão importantes.

E sim, logo a partir dos 2 anos podemos ajudá-los a conquistar estas competências. Sabes o que é mais incrível? É que eles querem aprender! Estão desejosos de fazê-lo. Na verdade, a única coisa que uma criança não pode fazer é não aprender - ela nasceu para isso.

Aproveita estes dias antes do regresso às aulas para, com mais tempo, foco e paciência, trabalhares a autonomia dos teus filhos. Garanto-te que vai valer a pena!

Fica atenta - nos próximos dias vou escrever sobre como preparar a rentrée escolar, uma possível mudança de escola, sobre a entrada na pré-adolescência [para aqueles que vão agora para o ciclo!), sobre o bullying, como entusiasmar os miudos para o estudo, o papel dos professores e muito, muito mais. Tudo aqui!


Sabes lidar com o 'Tu não mandas em mim?'

25.8.16
E um belo dia, ao pedires ao teu filho para ajudar a pôr a mesa ele sai-se com um 'Tu não mandas em mim!' e tu pensas 'Ui, o que é isto? Como é que isto aconteceu?'.

E, de repente pode acontecer muita coisa: podem argumentar, podes dizer-lhe 'tu não me falas assim' ao que ele pode muito bem responder 'e tu também não' e, sem darmos por ela entrámos num diálogo de surdos impossível!


Como tu és o adulto e como provavelmente és tu que estás a ler este post, convido-te a experimentares o seguinte [experimenta! Não acredites nas minhas palavras - vai lá e faz acontecer isto e depois diz-me como foi].


1. Lembra-te que quando este tipo de 'respostas' acontecem, o vosso vínculo está fragilizado. Pode não ser muito ou até pode ser - tu saberás.
2. Procura escutar para além das palavras: o que é que ele está mesmo a dizer-te? Que não gosta de pôr a mesa, que gostava que a mesa estivesse pronta todos os dias ou que não gosta que lhe estejam sempre a mandar fazer coisas?
3. Procura também lembrar-te se tens criado oportunidades para fazerem coisas que lhe dão prazer ou se fazem sempre e apenas as obrigações.
4.Mas ele não me pode responder assim, dizes tu... mas a verdade é que responde... e eu gostava que te lembrasses que não é possível lidares com este tipo de 'provocações' através de medidas autoritárias e sim através da criação de um vínculo importante.


Questão que naturalmente te vais colocar agora:
-E castigar ou ralhar não posso, esta agora!?


Claro que podes! Ninguém te impede disso. O que é que vai acontecer quando ralhas e castigas?
Pois, isso tudo: na altura até pode resultar mas muito em breve terás uma situação muito semelhante e, aos poucos, os castigos e os ralhetes deixam mesmo de funcionar. E, aos pouquinhos, e quase sem te dares por isso, o vosso vínculo foi ficando cada vez mais pequeno, mais pequeno...e este tipo de respostas mais e mais frequentes... e aposto que não é isso que queres, pois não?


Faz agora uma pausa e coloca-te do lado do teu filho. Muito possivelmente, para estar a dizer-te uma coisa destas é porque está desconectado de ti, sente-se pouco compreendido e não sabe lidar com os seus sentimentos. É possível que sinta que ninguém o escuta mesmo quando tu achas que sim... O que é que ele precisa? Que páres e o escutes, de facto! E não precisará sempre de lições.




Há pais que me dizem algumas vezes que se sentam com os filhos com calma e falam com eles com calma e lhes dizem as coisas.. com calma. Asseguram-me que os filhos prometem que vão fazer diferente da próxima vez mas a verdade é que a próxima vez é logo ali, ao virar da esquina e é o 'vira o disco e toca o mesmo'. Porquê?
Porque aquilo que fizeram foi falarem com muita paciência e com calma MAS falharam no mais importante: não escutaram! É escutar, não é opinar! É fazer perguntas, ser curioso, sem adicionar.
Queres experimentar? Não é simples, garanto que não é MAS vale todo o teu tempo e toda a pena!!
Não acredites no que te digo - experimenta!!! Posso estar apenas a querer passar-te uma rasteira e só saberás se experimentares. Depois vem cá contar como foi!


Eu sei que estás sempre a ler isto e é porque é apenas a mais pura das verdades.
As crianças soletram AMOR = TEMPO

Este tipo de resposta também pode ser uma forma de repetição/imitação. E se tiveres essa impressão podes simplesmente perguntar-lhe 'De que forma? Tenho a impressão que te sentiste agredido/magoado. Explicas-me melhor?'

Finalmente, é mesmo verdade que não podemos forçar ninguém a fazer aquilo que queremos se a pessoa assim o desejou. É mesmo verdade! Mas quando o vínculo é bom, ela vai querer cooperar, em troco de nada, só porque tem boa-vontade connosco. Esta é a verdadeira varinha de condão da parentalidade!

Podes ler mais sobre estas atitudes desafiantes no meu livro Crianças Felizes e também no Berra-me Baixo que já vai na 3ª edição.

MAIS PRÓXIMA DO TEU FILHO? 4 DICAS INFALÍVEIS!

22.8.16




Há alturas em que nos apetece desfazê-los com beijinhos. E depois há outras em que o desfazer não seria, com certeza, dessa forma.

Para uma ou outra circunstância, toma nota destas 4 dicas para ficares ainda mais próxima deles:

#1. Prepara-lhes um aperitivo
Pode ser algo mais saudável como uns sticks de cenoura ou simplesmente uma pequena tigela com batatas fritas e um sumo de laranja. Sim, estou mesmo a falar a sério!
E se puderes, sentem-se os dois a olhar para a janela, com uma música ambiente.
Vais ver como é tão bom!

#2. Beijinho à eskimo
Esta ganha sempre, não ganha?

#3. Conta uma anedota ou uma curiosidade que faça rir ou ainda, brinca com a situação!
Usar o sentido de humor, sobretudo naqueles momentos mais tensos é meio caminho andado para tirar a tensão das situações.

#4. Um abraço
No momento ou depois, um abraço compõe as situações e reforça as que já são fortes. Desde que seja honesto e querido pelas duas partes.

Como é que explicas isto?

16.8.16
Estivemos na Madeira em Maio e fizemos amigos para a vida. É comum fazermos facetimes, enviarmos mensagens uns aos outros. E por isso é natural que os miúdos tenham ficado muito preocupados quando perceberam que havia fogos na Madeira. E no Continente. E então perguntaram-me:

-Mas porque é que há fogo na Madeira? 
-Porque alguém lançou fogo, filha.
-Mas porque é que alguém faz uma coisa dessas?

Pára tudo.

Como é que explicas uma coisas destas a uma criança?
Como é que explicas que alguém possa matar outra pessoa?
Como é que explicas que haja pessoas que batem noutras?
Como é que explicas que possam deixar os quartos de banho públicos sujos?
Como é que explicas que se minta?
Como é que explicas que se roube?

Como?

Em parte, quando começas a explicar, é como se houvesse uma razão para que se possa fazer o que não é suposto fazer-se. É quase como se houvesse uma permissão. Que não há. E sim, as explicações são necessárias mas ainda assim sinto que é um paradoxo muito grande.




O que precisa uma criança entre os 5 e os 12 anos? A Praça | RTP 27 de Junho 2016

30.6.16


LINK AQUI
  1. Amor e segurança
  2. Autonomia
  3. Tempo para brincar e descontrair

Hoje vamos por tópicos e precisas mesmo de escutar o programa :)
  1. Sentimento de pertença + importância do vínculo ao nível da auto-estima + Sistema limbico ou cérebro emocional
  2. Nivelamos por baixo e temos medo.Como temos pressa, fazemos pelas crianças. As crianças passam a achar que os pais querem fazer tudo e por isso passam a deixar que isso aconteça.
Há mais perigos mas há soluções = o caso de pontevedra
Escutar a criança - como é que escutamos de facto
3) Brincar é a forma que a criança tem para aprender, testar respostas e emoções

  1. A primeira coisa que a criança precisa é de amor e segurança porque só assim pode sobreviver. 
  2. A qualidade do vínculo é determinante para o seu desenvolvimento emocional
  3. Andamos sempre cheios de pressas e tiramos aos miúdos a capacidade de fazerem e de se testarem.
  4. A brincadeira é uma das formas que a criança tem de aprender sobre a vida e de testar respostas.

Mãehice - o síndrome pouco entendido

22.6.16
É verdade que este fenómeno acontece com os pais, mas em muito menor escala.
A maior parte das mães identifica-se com este termo - "mãehice" - que é uma espécie de síndrome que ataca filhos e mães e que se parece com manhã, mas não é.

É comum ouvir-se que
'Ele só faz isso quando tu estás aqui.'
'Vê-se mesmo que estás aqui porque ele põe-se logo a choramingar.'
'Pois é, mãe, sempre que é o pai a vir deixá-lo, ele não chora.'
'Pois é, mãe, sempre que é o pai a vir buscá-lo, ele não chora.'

Então o defeito está em nós, é isso?
Pois não, não é defeito. Nem feitio.

O que acontece são duas coisas:

1) A criança sabe que a mãe acolhe os sentimentos, os choros e que dá espaço para que eles aconteçam. A criança sente-se segura, nesse ponto.

2) Quando, no final do dia, a criança recebe a mãe com choro ou zanga [sobretudo quando na escola corre tudo bem], significa, mais uma vez, que sabe que a mãe vai acolher, da melhor forma, todos os sentimentos mais intensos, menos aceites na escola/socialmente. A criança sente-se segura em mostrar o pior que guarda nela.

3) Quando a criança choraminga está apenas a mostrar a sua insatisfação. É verdade que há alturas em que ela sabe que o choro lhe dará aquilo que deseja e aí a mãe precisa de identificar de forma clara o que está a acontecer. E a mãe também precisa de dizer ao filho que não é porque ele está a choramingar que ela vai mudar de ideias e lhe vai dar aquilo que já lhe disse que não daria.

4) Quando a criança chora de manhã pode não estar apenas a dizer que não se quer separar da mãe. Por vezes temos tendência em ficar na conversa com os miúdos, com as educadoras e a 'ganhar' espaço num espaço que não é nosso. Sabe-nos bem ficar ali, à conversa, a participar. E quando está na hora de regressarmos, o nosso filho chora. Há autores que se referem a este choro como uma necessidade da mãe, ou seja, o filho chora porque a mãe precisa de se sentir necessária. E, em certos casos, não é nada uma explicação descabida, embora te possa parecer, à primeira vista, complexa.
Mas nesta circunstância ele também poderá chorar porque quis acreditar que a mãe, que se demorou, ia ficar.

Seja como for, o síndrome da mãehice não é só manha e dá-se, sobretudo por causa do coração de manteiga que todas as mães têm e da enorme empatia e capacidade de aceitação que têm.


Elogiar demais prejudica o meu filho? | A Praça | RTP 28 Out 2015 | Programa #6

9.11.15

O objectivo do elogio é fazer com que a criança se sinta feliz e competente.
Reconhecer o que de bom a criança faz é muito importante para a sua auto-estima.
Um bom elogio tem alguma ciência.

Como promover a participação da criança nas lides domésticas? | A Praça | RTP 28 Out 2015 | Programa #5

30.10.15
Este foi o tema desta semana n'A Praça. E os temas estão cada vez mais interessantes! Todas as semanas deixo aqui o link e também um texto de apoio!! Procura sempre por RTP


A resposta à questão Porque é que os miúdos não participam nas tarefas domésticas é muito clara: porque não os educamos nesse sentido. Ponto final.

É verdade que vivemos de forma diferente da dos nossos pais e ainda mais diferente da dos nossos avós. E também é verdade que não nos casamos tão cedo e estudamos até mais tarde. A nossa realidade é totalmente diferente.

Então como é que se dá a volta a tudo isto?
Os filhos são nossos e facilmente percebemos quando é que estão prontos (e desejosos) de participarem nas tarefas domésticas. Logo ali aos 18 meses eles estão prontíssimos para nos ajudarem. Podem levar a fralda para o caixote do lixo, podem ajudar a deitar fora as cascas das cenouras que descascamos ou até a arrumar as meias nas suas gavetas. E quem diz meias, diz brinquedos.

Quando colocamos os miúdos a fazerem estas tarefas connosco, então estamos a influenciá-los de uma forma muito bonita: olha para o que eu digo e olha para o que eu faço. Na verdade, não podemos nunca subestimar a nossa influência enquanto pais.


O meu filho de 2,5 anos quer ajudar-me sempre quando estou a cozinhar: a cortar, a partir a massa para cozer, a levar os pratos para a mesa. É um querido mas é muito pequeno e tenho medo que se magoe.

O mundo torna-se num sítio ainda mais interessante a partir do momento em que os miúdos se passam a deslocar sozinhos. Até ali, eles tinham tido a nossa ajuda para muita coisa. Agora que se descobrem livres, autónomos e até já se sabem exprimir, a banda sonora passa a ser ‘don’t stop me now’. Mas a verdade é que eles ainda são pequeninos e precisam muito da nossa ajuda. Quando o meu filho de 2,5 anos quer vir para o pé de mim ver a água que coze a massa ferver, está em zona perigosa. Quando ele quer ajudar a a cortar as cenouras com a faca afiada ou quer varrer mas, em vez de varrer está a sujar, pode também estar a entrar numa zona muito perigosa.

A nossa tendência natural é colocá-los para fora da nossa área de actuação. Primeiro porque é perigoso e em segundo lugar sem eles ao nosso lado, fazemos as coisas mais depressa.

Soluções:
Dar a oportunidade à criança de participar - dando-lhe uma faca de manteiga para ele cortar as cascas das cenouras; uma tigela para ele fazer a sopa para os bebés deles e deixar varrer. Compre-lhe uma vassoura e mostre-lhe como se faz. Peça-lhe para arrumar as caixas de plástico, deitaro cartão no caixote do lixo certo ou provar o arroz a ver se falta sal.

Quanto mais envolvida a criança se sentir, mais vai querer contribuir e isso passará a ser uma situação natural para a qual não necessitarás, mais tarde, de insistires. Mas por favor, insiste


O meu filho de 9 anos recusa-se a ajudar nas tarefas domésticas. Diz que não é meu empregado e que tem de ajudar. Como é que o obrigo?
É normal esta situação começar aos 6 anos inclusivamente. Primeiro porque as crianças passam a ter uma consciência de si diferente. Em seguida, porque vão copiar muitas expressões que escutam e passam a usá-las como adequadas à sua idade e maturidade. O que não é verdade. Em seguida, porque quando eram mais pequenas, foram convidadas a saírem da zona onde queriam participar. E porque aprenderam a não participar, porque não eram queridas, então agora já não querem. O que fazer?

Começar por pedir ajuda e a perguntar como é que fariam? Nestas idades os miúdos gostam de se sentirem importantes - gostam de mostrar que sabem e, se o soubermos fazer, gostarão de aprender connosco. Então, em vez de atribuirmos tarefas, podemos pedir o contributo deles - que é mais ou menos a mesma coisa mas com um grau de envolvimento diferente. Podemos pedir para compararem preços dos produtos nas lojas online, podemos organizar uma festa surpresa ao pai e envolvê-los também. De manhã, podemos passar a acordar todos mais cedo para termos tempo de deixar a cozinha arrumada e as camas feitas. E é normal que eles se esqueçam de fazer estas tarefas - não é por mal - e não podemos levar a mal. A nossa função é recordar : Filipe, a cama! João, a caneca está em cima do balcão.’ Sem andarmos de dedo em riste. E depois, naturalmente, valorizar a ajuda!

Eu vi que a tua cama ficou com os cobertores mesmo bem esticadinhos - parecia cama de hotel!

João, nem queria acreditar quando percebi que a máquina da loiça estava a lavar! Que bom, logo à noite, graças a ti, vamos ter a loiça limpa.

Ao sentirem que o seu contributo é válido, as crianças passam a querer ajudar.

Quanto mais encorajamos a competência da criança, mais ela se sente envolvida e capaz e isso promove a competência e a sua autonomia. No limite, é mesmo para isto que educamos: para termos adultos independentes, autónomos, capazes e que saibam tratar das suas vidas.



Obrigada por me ajudares a melhorar, todos os dias! Obrigada pela sugestão de temas, pela partilha de experiências! Se ainda não preencheste a tua parte, clica aqui!

Estamos a criar tótós? Agora em word!

20.7.15
Houve alguns leitores que me disseram que ler o PDF no telemóvel não era fácil. Admito que não e para que não te falte mesmo nada, fiz copy past ao PDF e aqui tens o texto só para ti!

"Lembro-me de brincar no terraço do meu prédio com os 

meus vizinhos e de sentir que a imaginação era o limite... 

Lembro-me de ouvir a minha mãe chamar-me para jantar 

– mais ou menos à mesma hora das outras mães – e de 

sentir que não queria ir para casa, porque 

estávamos tão bem naquele nosso mundo 

de fantasia, onde podíamos explorar as 

inúmeras possibilidades que oferecia aquele 

terraço... Lembro-me de sentir o vento a bater-me na cara 

e de pensar que se fosse para casa, teria de puxar muito mais 

pela imaginação, porque na televisão os desenhos animados 

passavam apenas ao domingo de manhã e não havia Play-
stations nem Nintendos (esta surgiu um pouco mais tarde 

e em formato bastante arcaico!). 


Dica eficaz para prevenir raptos!

9.5.15


Este vídeo mostra como, aparentemente, é simples raptar uma criança e, ainda por cima, levá-la a bem e pela mão.
Dá que pensar, dá medo... e daí que seja importantíssimo arranjar uma forma simples para que os miúdos consigam proteger-se. Qual é esta estratégia?

Ensina ao teu filho uma palavra pass. Diz-lhe que quando alguém o quiser levar - para lhe mostrar um gatinho, porque 'a tua mãe pediu-me para te vir buscar', o que for - ele que pergunte:
-'E qual é a palavra pass?'

E essa palavra ou expressão foi alguma coisa que combinaste com ele.
Treina.
Pede a um amigo teu que o teste.
Pede à mãe de um colega da escola que o faça.
Treina, treina, treina!

E por favor partilha este post, imprime-o, passa-o a outros pais, aos professores...!

Qual é a tua palavra pass?



O meu filho só está bem a fazer macaquices... e como dar a volta numa dica!

29.4.15


O meu filho tem uma energia enorme - dizem que é de ser rapaz. Eu acho que é dele. Como é próprio da idade, faz tudo a correr – é a alegria e o entusiasmo que tem por tudo, provavelmente.

Como é habitual, no outro dia quando íamos a descer as escadas, procurei dar-lhe a mão e ele disse-me que não – indicou-me que fosse à frente. E eu fui [pensei – se cair, cai por cima de mim, não será tão mau! Pensamento típico de mãe] e lá começou ele aos saltos.

E embora eu saiba tudo isto sobre linguagem e comunicação, lá me saiu um ‘não saltes!’ e ele saltava. E eu repeti mais uma vez e ele continuou a fazer o que ele queria. Até que se fez luz e eu simplesmente disse: ‘desce as escadas a andar’. E ele desceu.



Tão simples… e mesmo assim o ‘normal’ está tão enraizado nas nossas cabeças…


----------

Autonomia e mimo?

22.4.15
Há imensas coisas que os miúdos podem fazer em casa, desde pequeninos! Levar a fralda ao lixo, gerir [connosco] o orçamento familiar, serem eles os 'chefs', convidarem amigos e organizarem tudo... Se os queremos envolvidos, eles também devem poder opiniar e participar.

Há coisas básicas que os miúdos devem fazer sozinhos como lavar a cara, os dentes. A partir dos 5 anos muitos conseguem tomar um duche sozinho. No entanto, há tarefas como as acima descritas que são difíceis de acontecer de forma totalmente autónoma. Dá a impressão que a criança está com 'mimo'. Na maior parte das vezes ela está é com... falta dele! O que é que eu quero dizer com isto?
Há alturas que os miúdos, de forma insconsciente 'raptam' os pais. Nestes momentos de higiene, em que acabamos por os ajudar, nas alturas em que dizem que não conseguem comer sozinhos [e já o sabem fazer tão bem] e quando ou não conseguem adormecer sozinhos ou acordam a meio da noite.

Grande parte das situações que escrevi acima são resolvidas fora da situação propriamente dita. Como? Com mais atenção, com mais tempo exclusivo do bom. O que a criança está a fazer é, como disse, raptar os pais que, como não têm como lidar com a situação, acabam por fazer por ela. E a criança passa a ter o que precisa - a atenção dos pais. Pode parecer complexo e até um paradoxo mas, se voltares a reler tenho a certeza que vais perceber exactamente do que falo.

Ora, para que a criança passe a ser mais autónoma, a questão da afectividade tem, forçosamente, de existir.

Já tinhas pensado nisto?

Amanhã tenho sugestões práticas!





A autonomia é um dos temas que são abordados no workshop sobre A Auto-Estima da Criança e também no workshop da Autoridade e Obediência. Estes workshops realizam-se no dia 8 e 10 de Maio, respectivamente.Outros temas deste ciclo de workshops, aqui.


AUTONOMIA: Elegância no coração

21.4.15


Uma amiga minha, que vive no Canada, acaba de me enviar esta mensagem




Li isto num site




'Para nós, as boas maneiras são, antes de tudo, uma certa elegância no coração. É mais importante ser capaz de prestar atenção aos outros do que reconhecer a faca do peixe.'




E o que é que será que boas maneiras têm a ver com autonomia? Tudo! Quando as crianças aprendem a estar com todos - pequenos e graúdos, aprendem a tomarem conta delas, a gerirem-se. E pensas tu agora - 'Coitadinha, ainda tem tempo para essas coisas' e eu digo-te que uma criança que tem a noção do impacto que tem nos outros é uma criança com uma forte inteligência emocional e dona de uma grande empatia, sobretudo quando decide adequar e escolher o seu comportamento.




Então como promover esta elegância no coração?




1. Escrevendo um postal de feliz aniversário ao tio;

2. Olhando para as pessoas que passam e tentando adivinhar o que lhes vai no rosto;

3. Olhando para as pessoas quando falamos com elas:

4. Explicando que é bom estarmos com pessoas que são simpáticas e conversando sobre as diferentes pessoas com quem lidamos diariamente.




Pois é, autonomia passa por vestir-se sozinho mas também passa pela autonomia e gestão emocional. Interessante, não é?




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A autonomia é um dos temas que são abordados no workshop sobre A Auto-Estima da Criança e que se vai realizar no próximo dia 8 de Maio, em Lisboa.
Outros temas deste ciclo de workshops, aqui.


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