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A Autorregulação em 3 passos

20.1.18



Um dos tópicos que abordamos ao longo de toda a Pós-Graduação que está a decorrer aqui no Funchal é a autorregulação dos pais. Há imensos segredos para exercermos uma parentalidade mais positiva e que traga mais significado aos nossos dias e um deles passa, inevitavelmente, por nos auto-gerirmos e termos atenção ao tipo de resposta que damos.

Na verdade, como escrevi no Berra-me Baixo e também no Crianças Felizes, não mudamos ninguém - apenas nos podemos transformar, num processo de melhoria contínua.

Há 3 passos por onde podes passar. 
Precisas então de identificar o que nos tira do sério, conhecendo qual é o nosso padrão de comportamento habitual. De seguida, reflectir qual seria a forma como gostaríamos de responder a essas situações e treinar. E sim, basta isto.
Ajuda, claro, leres o Berra-me Baixo que muito mais do que um livro sobre como deixar de gritar com os filhos mas antes um livro sobre como criar dias com mais significado, tranquilos e nos deixe ser os pais que sempre quisemos ser.

Segue-nos aqui:

Devo ou não devo negociar com os meus filhos?

24.7.17


Frequentemente surge esta dúvida:

'Mas devo negociar com os meus filhos? Isso não quer dizer que deixo de ser eu a mandar? Mudar de ideias não prova que não estava certo? Ou até que me deixo "levar" pelo meu filho?'

Neste caso estamos a confundir os termos e as ideias. Vamos lá ver isto com detalhe.

Antes de tudo, é importante assegurarmos que as regras estão claras. Aqui estão alguns exemplos:
Durante a semana, a hora de ir para a cama é às 21h30.
Durante a semana, os TPCs são feitos antes da hora do jantar.
Já podemos atravessar a rua sozinhos mas devemos fazê-lo em segurança e da forma como me ensinaram.
A mesada é para ser gasta ao longo do mês e o valor estipulado tem a ver com aquilo que foi pensado ser o mais adequado e justo.
Ao fim-de-semana podemos brincar até mais tarde e até trazer amigos para o almoço.

Estas regras foram conversadas e, na maior parte dos casos, são para ser mantidas.
Eu sei que tu gostarias de ficar acordado até mais tarde. Hoje é 5ª Feira e amanhã já podes ficar mais um pouco porque no Sábado não é dia de escola. Hoje a hora de dormir é agora - vamos que eu vou ajudar-te.

Não faz mal a criança mostrar que não está contente - tem mesmo de o fazer. E tu, com a certeza de quem está a pedir algo justo, só tens de aceitar que o comportamento dela é normal. Como?
Mantendo-te firme, generoso e usando até usar algumas das estratégias da comunicação positiva para te sintonizares com ele. Num próximo post vou falar-te da postura que podemos ter durante a negociação e que fará toda a diferença.

No entanto, negociar é uma excelente competência que podemos [devemos] ensinar aos nossos filhos e não nos tira poder. O que nos tira poder é hoje fazermos assim e amanhã de outra forma. Negociar não tem de mostrar indefinição. Não negociar mostra inflexibilidade e insegurança, por vezes. Queres ver?

- Queres ficar a acabar de ver este filme/jogar este jogo? Tudo bem! Vamos lá! E hoje ficamos sem a leitura da história. Assim conseguimos fazer as duas coisas.

- Queres ficar mais um pouco aqui em casa do João? Hmmm.... é que ainda tenho de ir fazer o jantar...  Então, fazemos assim, ficamos mais um pouco e quando chegarmos a casa ajudas-me a pôr a mesa. Combinado?

- Gostavas que te aumentasse a mesada e eu gostaria muito disso mas não tenho como. Explica-me, direitinho, porque é que precisas de mais dinheiro. E depois vamos pensar em formas de conseguir esse valor [ou de contornar/aceitar a questão].

Ao negociarmos precisamos de fazer algo importantíssimo e que é escutar e fazer perguntas. E só aqui estamos a dar valor e significado à nossa relação com o nosso filho, crucial na arte de negociar - ir ao encontro das necessidades do outro. E ainda que não seja possível ou de interesse negociar, só o facto do outro se sentir entendido cria proximidade e cooperação. E isso tem um valor enorme.

Por isso a minha resposta é sim e não:

Sim, as regras são para serem mantidas mas há excepções. E aí devemos negociar naquilo que é possível negociar [do meu ponto de vista, a segurança é não-negociável mas pode ser conquistada - atravessar sozinho, subir a uma árvore e por aí fora. E se não for possível a negociação, pelo menos ouvimos os argumentos.

Não, negociar não nos tira poder nem nos fragiliza se formos pessoas coerentes e consistentes. Quer isto dizer que hoje não podemos dizer que sim e amanhã que não, de forma repetida. Negociamos para nos ajustarmos às necessidades que vão aparecendo, quando é possível e desejável negociar. Um jovem de 16 anos deseja ver a sua hora de chegada a casa alargada e talvez esteja na hora de negociar a hora a que chegava, no ano passado, durante as férias de verão. Cada caso é um caso.

E sim, se negociarmos bem, estamos a dar mais autonomia e responsabilidade, fazendo com que a criança se comprometa com a sua parte do compromisso. Negociar bem e em condições torna-nos pessoas justas, flexíveis, tudo aquilo que muitos de nós desejamos ser  enquanto pais, tivessemos menos receios e a oportunidade de discutir com outros, estes temas.

Como é que tens negociado em tua casa? Abres excepções? O teu filho é insistente? Consegues explicar ao teu filho as tuas decisões? Consideras que escutas as motivações e necessidades dele?





Este é o verdadeiro motivo pelo qual as crianças necessitam de regras e limites

11.5.17

Ouvimos, com frequência, que as crianças precisam de regras e limites.
E eu, com frequência, pergunto a esses adultos o motivo pelo qual eles acham que as crianças precisam dessas regras e desses limites.
Respondem-me 'porque sim, porque precisam de entender que não podem ter tudo na vida' e eu penso, cá para comigo que de certeza que isso já perceberam. Por vezes continuo a fazer mais perguntas e concluo que o que leva alguns adultos a acharem que as crianças necessitam de regras e limites tem apenas a ver com um pequeno jogo de poder da nossa parte. Na verdade, não terá apenas a ver com o entendimento do que diziam no início da conversa, que  'na vida há coisas que nem sempre são possíveis' mas antes com um 'vamos lá ver quem é que manda aqui.'

Mas a verdade é só uma: as regras e os limites servem para que a criança possa estar a salvo e se sintam seguras. O meu filho mais novo não mexe na faca de serrilha de cortar o pão porque ainda é pequeno mas a mais velha já o faz. A mais velha ainda não conduz o carro nem vota porque são precisas etapas de desenvolvimento e aquisição de certas competências que só os próximos anos lhe trarão. E é por isso que existem coisas que lhe estão, por enquanto, vedadas. E isto aplica-se a todas as outras dimensões da vida deles [e da nossa]. Quando insistimos que vão para a cama cedo, quando insistimos que respondam com bons modos ou que não se agridam mutuamente. Tudo isto é para que possam estar protegidos e em segurança.

Por isso, da próxima vez que pensares em estabelecer uma regra pensa, de forma clara, qual é a tua intenção e de que forma é que o teu filho conseguirá construir-se dentro dessa segurança. O que é que ele poderá explorar, treinar ou aperfeiçoar dentro desse limite.

Interessas-te por este tema? Gostavas de saber mais sobre ele? Então clica aqui e aqui.



Tu queres ver que me vou ter de chatear contigo? Afinal, de quem é a culpa?

7.4.17

   Foto Would You Mum

Gritamos e zangamo-nos com os miúdos porque nos falta a paciência, porque estamos cansados, porque não nos apetece brincar... mas eles insistem e volta a faltar-nos a paciência.

Ficamos tensas porque o nosso companheiro nos respondeu torto, porque percebemos que andamos tão no limite que nos esquecemos de pagar uma conta e vamos pagar juros.

Perdemos a paciência porque não descansamos o suficiente, andamos stressados, alimentamo-nos mal e nem nos lembramos quando é que foi a última vez que fizemos desporto.

Gritamos mais uma vez porque estamos fartos que os dois putos se peguem, porque não temos os momentos de sossego de que tanto precisamos.

E tudo isto não tem nada, mas absolutamente nada a ver com eles. É só connosco e com um enorme desequilíbrio nas nossas vidas. Só que, 'quem paga por tabela' são quase sempre eles.

E a culpa não é de ninguém, porque essa tem costas largas e morreu solteira. Mas a responsabilidade é toda nossa - e só a nós diz respeito assegurarmos o nosso descanso, a procura de estratégias para criarmos relações mais felizes e com maior significado. Nada disto está nas mãos dos miúdos, só em nós. Daí que o trabalho que realizo seja feito diretamente com os pais. No desenvolver deste meu projeto sei que a grande transformação é feita nos adultos.

Vale a pena reveres este vídeo da Jada Smith que reforça a ideia da responsabilidade da nossa felicidade.




Gritar ou não gritar : a questão da semana! Então podemos ou não podemos? :)

24.3.17





Tenho um livro que se chama Berra-me Baixo e um desafio de 4 semanas, com o mesmo nome, e que podes subscrever aqui, gratuitamente.

E a propósito deste tema algumas pessoas pediram-me para comentar o texto que Eduardo Sá escreveu esta semana para a Pais&Filhos, com quem colaboro.

Li o texto a correr e fiquei com a sensação de não ter entendido o objetivo ou a intenção. Voltei a lê-lo com maior atenção e fiquei com mix feelings.

E volto a escrever sobre o tema porque o  gritar - ou o não gritar - gera alguma polémica ou pontos de vista diferentes. Vai depender do poder de oratória de cada um e do exercício de retórica que se pretenda fazer.

Vamos por partes.

Quem leu o Berra-me Baixo fica a saber, logo nas primeiras páginas que o objectivo não é deixarmos de gritar com os nossos filhos. Na verdade, a questão do gritar com os filhos, a questão da palmada não é questão para muitos educadores. Grita-se, 'tira-se o pó' sempre que se considera necessário e cá somos felizes à nossa maneira. Mas para quem tudo isto não é 'modo de vida' e de educar, vale a pena olhar para outras propostas.
Quem leu o livro sabe que o grande objetivo, ao longo das 4 semanas, é podermos criar relações com maior significado e valor com os nossos filhos. Afinal de contas, ninguém tem filhos para se andar a zangar, gritar, desentender-se, sistematicamente. Se tudo isto faz parte da dinâmica de qualquer relação - e que nenhuma relação está isenta de conflito - não deixa de ser verdade também que nenhuma relação saudável e feliz se faz quando a tensão é o prato do dia.
Contudo, há pais para quem estar sempre a gritar não é opção e não se querem ver nesse papel. [E atenção que este 'estar sempre a gritar' é subjectivo.]. Há cada vez mais pais que desejam ter relações de afeto e que desejam ser pais mais equilibrados. Não escrevi 'pais perfeitos'. Os pais não se querem perfeitos e antes em 'melhoria contínua'. E por equilibrados não quero dizer arrancados de alma e coração no que fazem, nem de paixão. São pessoas que, na sua vida, procuram apenas uma maior contenção porque desejam criar uma dinâmica de respeito com os filhos [e até com os outros], sendo que o gritar é um desrespeito até para consigo próprios.
Por outro lado, no mesmo livro, pergunto-te, em jeito de provocação se agora já não podemos berrar com os nossos filhos. E com esta questão pretendo esclarecer a diferença entre berrar e chamar à atenção, corrigir, orientar e até o famoso ralhar. Quem é que te disse que para fazeres tudo isso precisas de gritar? É que não precisas! E se perguntares como é que as crianças ficam quando os pais lhe gritam, algumas delas irão responder que ficam nervosas e incapazes de ouvir o que lhe dizem, bloqueadas com medo algumas vezes. Era essa a tua intenção? Não, pois não? [podes ler mais aqui sobre castigos e palmadas - convite à reflexão]

A grande maioria das vezes os pais dizem-me abertamente que quando gritam o fazem por hábito, cansaço ou quando se sentem fartos de repetir as coisas aos miúdos. Já reparaste que todos estes motivos nos dizem respeito e nada têm a ver com os miúdos:
O nosso hábito em gritar.
O nosso cansaço.
A nossa incapacidade em sermos assertivos.


Vale a pena não misturar as coisas: gritar, corrigir, orientar ou chamar à atenção. Se tudo isto pode ser feito sem gritos? Sim, pode. Algumas vezes não vamos conseguir e a vida é mesmo assim. Mas que o nosso objectivo não seja nunca esse - o deixar de gritar.
O nosso objectivo poderá [deverá?] ser sempre mais alargado que esse - o de construir relações com maior significado, com base num vínculo seguro onde o adulto dá o mote e mostra o caminho. Com maior ou menor poder de oratória.



3 DICAS SIMPLES PARA APRENDER A CALÇAR E A VESTIR... SEM DRAMAS

24.2.17



Muito pais falam-me dos momentos de tensão que acontecem logo pela manhã, sobretudo com crianças mais pequenas. Nos dias da ginástica em que têm de ir de fatos de treino querem ir de saias. E nesses dias insistem em levar os chinelos de praia porque são bonitos e confortáveis. Tudo isto pode colocar-nos de cabelos em pé e em nervoso bem miudinho logo de manhã.


Gostava que soubesses que é normal os miúdos não entenderem estes códigos e a necessidade de se escolher um determinado calçado ou vestuário em vez de outro. Não é um jogo de poder nem vontade em contrariar-te - ainda que haja idades em que os miúdos parecem ter um comportamento de oposição permanente.

E se esta dificuldade acontece em tua casa, então este post é para ti:

1. Estabelece dias ou momentos em que o teu filho pode escolher o que calçar e vestir

É importante mantermos uma certa liberdade de escolha. Os nossos pequenos são pessoas em construção e deverão, sempre que possível, escolher o que desejam calçar e vestir. Ao mesmo tempo, quando criamos este espaço, eles terão mais facilidade em aceitar os outros momentos em que têm de usar um determinado sapato ou uma bata ou uniforme. Sabes, saber escolher é uma competência importante assim como a criatividade e este é um dos momentos em que a podes incentivar. Convido-te a olhares para esta questão desta forma.


2. Dá-lhe opções
Sempre que possível, e sobretudo em crianças até aos 2,5 anos é benéfico dar a escolher o que calçar. A estratégia das escolhas limitadas faz verdadeiros milagres, nestas idades.

- “Hoje quero ir com os chinelos de praia para a escola!”
- “ Estou a ver que gostas tanto dos teus chinelos de praia que até os queres levar para a escola. Esses chinelos são os que usamos na praia. Na escola podemos usar estas botas ou estes ténis . Quais preferes levar hoje?”



3. Trabalha a autonomia tornando a tarefa mais fácil
Desde pequenos que os miúdos mostram uma grande vontade em fazerem as coisas sozinhos. Vamos patrocinar isso! Como? Aceitando que se queiram vestir sozinhos, treinando ao fim-de-semana e dando calçado fácil de calçar. E porquê? Primeiro para que possam, de facto, ficarem autónomos nessa tarefa. E a seguir, para que se sintam motivados a continuar nas outras tarefas.

Treinar a autonomia é fundamental e ela pode ser treinada em todos os momentos e de forma simples e fácil ainda que isso nos exija um pouco mais de paciência.








O mito do amor incondicional

3.2.17

Já escrevi algumas vezes, neste blogue, sobre amor incondicional e hoje volto ao tema por causa de um comentário que um pai fez numa formação que dei há uns dias.
Este pai entendeu o valor da comunicação positiva e no impacto das nossas palavras, de uma forma geral, mas perguntou se, no final, o amor incondicional que sentia pelo filho, e que fazia questão de lhe transmitir não seriam o bastante.

Não é o que dizemos que conta. Conta muito também como fazemos a criança sentir-se.

Olha os dois exemplos abaixo:

Take #1
Entras no quarto dos teus filhos e vês a roupa feita num embrulho no chão. Os brinquedos espalhados por todo o lado, a cama por fazer e dizes:
'Isto é sempre a mesma coisa, vocês são uns desarrumados e não têm respeito nenhum por mim! É uma vergonha! Uma vergonha!! Quero isto tudo arrumado imediatamente e se quando não voltar isto não estiver impecável vocês vão ver-se comigo.'

Muito possivelmente conseguirás o teu objectivo em alguns momentos. Gritaste, ameaçaste, desgastaste-te e usaste a tua raiva para insultar os teus filhos. E a raiva é mesmo poderosa, se a soubermos usar. E não tem de ser usada para insultar, nem magoar, sabias?
Podes dizer tudo o que dizes acima de outra forma. Queres ver?

Take #2
Entras no quarto dos teus filhos e vês a roupa feita num embrulho no chão. Os brinquedos espalhados por todo o lado, a cama por fazer e dizes:
'Estou furiosa, o que é isto? Quando vejo o vosso quarto neste estado fico cheia de vontade de deitar tudo fora. Vamos lá, toca a pôr tudo no sítio malta!'

Será que funciona?
Pelo menos terás a atenção calma dos teus filhos porque não lhes estarás a gritar nem a insultar. Nesse sentido, eles não estarão ocupados a protegerem-se nem a defenderem-se. E depois podes dar uma mão, também. A questão da arrumação e da ordem são muito subjectivas. Porquê? Por dois motivos: primeiro porque é uma necessidade nossa e porque depois a ordem é algo particular. Nesse sentido teremos de a ensinar aos miúdos.

Voltando ao amor incondicional, que é o que nos trouxe aqui... Mesmo que ames muito os teus filhos, achas mesmo que no Take #1 estarás a transmitir esse amor da melhor forma? Pois, é aí que eu quero chegar. Não é o que dizes e antes aquilo que lhes fazes sentir.

Pensa nisso!


Não acredites em absolutamente nada daquilo que digo ou escrevo.

20.1.17
De vez em quando leio ou oiço comentários de mães que me parecem cansadas e desacreditadas. São comentários como
'Sim, isso é tudo muito bonito mas tinha era de vir cá a casa conhecer o meu filho.'
'Adoro opiniões, queria era ver se fosse com os seus.'

Para lá de cansadas e desacreditadas, estas mães parecem ter perdido aquilo que nos salva a todos: a fé no dia melhor e a fé nelas próprias enquanto agentes capazes de produzir esta transformação: nelas e, consequentemente nos miúdos.

Naturalmente nenhuma das estratégias sobre as quais escrevo funcionam se não as experimentarmos por um certo período de tempo para obtermos resultados.
[com as dietas é o mesmo - se não levar um plano à risca, de forma consistente e durante algum tempo, dificilmente conseguirei os resultados que pretendo. E é só quando adoto esse estilo de alimentação que consigo manter os resultados].

E tudo isto é igual na parentalidade e nas relações, em geral.

Por isso mesmo sublinho este ponto:
Não acredites em nada, absolutamente nada daquilo que escrevo ou digo. Experimenta. E fá-lo de forma consistente.

E talvez a primeira coisa que possas fazer é trabalhar a tua autorregulação [ou auto-controlo, se quiseres chamar desta forma] que é a capacidade que temos de regular os nossos impulsos e de canalizar a nossa energia para o que é realmente importante. E, de seguida, aprendermos a comunicar de maneira eficiente com os miúdos. As nossas crianças merecem adultos serenos, responsáveis e saibam o que estão a fazer e como estão a fazer. 

'Talvez o módulo sobre a autorrregulação do adulto seja mesmo o mais importante de todo este curso porque sem ele, nada do que vem à frente acontece como tem de acontecer.'
Joana Martins, aluna da Pós-Graduação da Escola da Parentalidade e Educação Positivas

Como é, vais dar-me o benefício da dúvida e experimentares?

AUTO-ESTIMA DA CRIANÇA: A IMPORTÂNCIA DOS AMIGOS E DE OS SABERMOS ESCOLHER

8.12.16

A questão da Auto-estima de uma criança tem muito que se lhe diga, ou antes, pouco tem a ver com palavras e muito mais a ver com o que a criança sente e vive.

Na verdade, é a qualidade das experiências que ela tem que contribuem para que a sua Auto-estima esteja em equilíbrio. Nesse sentido, há coisas a que devemos estar atentos. Entre elas, é fundamental que possamos escolher com muita atenção a escola que os nossos filhos vão frequentar, e os amigos que acolhemos em nossa casa, fora da escola. Escrevi fora da escola porque dentro é ele quem decide. É uma forma de controlar as experiências que eles têm e de os fazermos viver experiências positivas.

Se é mau fazermos este controlo? Claro que não! E eu explico a seguir.

Repara que quanto mais experiências positivas os nossos filhos tiverem, melhor será a sua auto-estima, a noção de auto-eficácia, a sua auto-imagem. Estando com crianças boas, com pais que são pessoas com valores e decentes, as crianças aprendem e sentem que é bom ser-se bem tratado. Mas mais do que isso: sentem que há espaço para serem quem são e por isso, quando estão num espaço onde podem ser autênticos, sentem-se seguros: física e emocionalmente. E as experiências positivas não são apenas experiências onde correu tudo bem. São experiências em que se aprendeu: a viver, a olhar para a situação de uma forma diferente...

Ora, o natural será procurarmos ser bem tratados nas outras relações que desenvolvemos e ficarmos de pé atrás quando não somos. Todos precisamos de quem nos trate de forma decente e que nos faça sentir bem. Por isso é fundamental estarmos junto de quem nos trate assim. E mais ainda os nossos filhos.

NOTA: Se a questão da Auto-Estima da Criança é algo que te interesse, podes aprender mais sobre isso aqui.http://www.35.idmkt2.com/w/de2leiW1edUqktpbBVcte72c74933

Será que tenho mesmo o direito de me passar com os meus filhos?

2.12.16

Todos conhecemos a história - andamos cansados, no fio da navalha. Chegamos a casa, ainda temos jantares para orientar, banhos para dar, roupa para estender e a única coisa que esperamos é que os miúdos cooperem. Pedimos que assim que cheguem despachem os trabalhos de casa e sigam para o banho e prometemos que vamos deixá-los ver alguns desenhos animados antes do jantar.
Mas a disputa começa no carro. Não te consegues lembrar bem do motivo mas sabes que deve ser por um disparate qualquer. Procuras responder com serenidade e esperas que cumpram com o prometido assim que carregares no botão do elevador.
Mas não. Começam por dizer que estão a 'morrer de fome' e que o dia foi 'mega puxado' e que seria bom 'conseguirmos descontrair um pouco antes de fazermos os trabalhos de casa'. Não te vou relatar o discurso que se segue - possivelmente já conheces. E, de repente, já sabes o que acontece. Passas-te! Nunca cumprem com o que pedes e se não vai a bem, então que seja a mal.

'Eu não quero ter de gritar mas são vocês que me obrigam.'
'Vocês querem mesmo ver-me do avesso não querem?'

Possivelmente usas frases como as acima na tentativa de fazeres ver que a tua intenção é a melhor, que tens paciência e que só te 'passas' porque aguentaste até ao fim. 

Se o (teu) gritar ou se um (teu) comportamento mais exuberante não é questão para ti - ou seja, convives bem com isso - então está tudo bem. Se a resposta não for bem assim, então continua a ler.

Pequeno tratado sobre autorregulação
Ora bem, então está na hora de falarmos sobre autorregulação e se temos o direito de nos 'passarmos' ou não.
Gritar, como expliquei no Berra-me Baixo é uma decisão que tomamos. Não tem a ver com o outro e sim com a minha incapacidade em gerir uma determinada situação. Possivelmente, numa mesma circunstância, com público à mistura ou com outras pessoas, o meu comportamento poderia ser bem diferente. Todo o comportamento é uma decisão pessoal, sobretudo quando é um comportamento que se repete. Não são os outros. Somos nós.
Naturalmente, que tenho o direito de me passar com comportamentos, com atitudes que me parecem desadequadas. No entanto, não tenho o direito de magoar humilhar nem de tratar o outro mal. É aqui que reside a grande diferença. Tal como expliquei no Berra-me Baixo, em nenhum sítio nos dizem que ralhar tem de ser a gritar. Claro que devo ralhar se isso significa corrigir, modelar, orientar. E posso fazer isso sem ser aos gritos e antes com uma voz firme. Não podes dizer as coisas de forma fofinha quando estás zangada, claro. Isso só iria confundir o teu filho. Firmeza é o segredo. Falar ainda mais baixo e... acompanhar! Andar em cima para que não se distraiam e tornem rotinas algumas das coisas que são precisas serem feitas.

Nos próximos tempos vou andar a falar sobre autorregulação. Continua a seguir-me e subscreve a newsletter se ainda não o fizeste.

Se quiseres comprar o Berra-me Baixo, aproveita a promoção dele à venda aqui.
E se o quiseres autografado/com dedicatória, envia-me um email para info@parentalidadepositiva.com

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