Mostrar mensagens com a etiqueta amor incondicional. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta amor incondicional. Mostrar todas as mensagens

O mito do amor incondicional

3.2.17

Já escrevi algumas vezes, neste blogue, sobre amor incondicional e hoje volto ao tema por causa de um comentário que um pai fez numa formação que dei há uns dias.
Este pai entendeu o valor da comunicação positiva e no impacto das nossas palavras, de uma forma geral, mas perguntou se, no final, o amor incondicional que sentia pelo filho, e que fazia questão de lhe transmitir não seriam o bastante.

Não é o que dizemos que conta. Conta muito também como fazemos a criança sentir-se.

Olha os dois exemplos abaixo:

Take #1
Entras no quarto dos teus filhos e vês a roupa feita num embrulho no chão. Os brinquedos espalhados por todo o lado, a cama por fazer e dizes:
'Isto é sempre a mesma coisa, vocês são uns desarrumados e não têm respeito nenhum por mim! É uma vergonha! Uma vergonha!! Quero isto tudo arrumado imediatamente e se quando não voltar isto não estiver impecável vocês vão ver-se comigo.'

Muito possivelmente conseguirás o teu objectivo em alguns momentos. Gritaste, ameaçaste, desgastaste-te e usaste a tua raiva para insultar os teus filhos. E a raiva é mesmo poderosa, se a soubermos usar. E não tem de ser usada para insultar, nem magoar, sabias?
Podes dizer tudo o que dizes acima de outra forma. Queres ver?

Take #2
Entras no quarto dos teus filhos e vês a roupa feita num embrulho no chão. Os brinquedos espalhados por todo o lado, a cama por fazer e dizes:
'Estou furiosa, o que é isto? Quando vejo o vosso quarto neste estado fico cheia de vontade de deitar tudo fora. Vamos lá, toca a pôr tudo no sítio malta!'

Será que funciona?
Pelo menos terás a atenção calma dos teus filhos porque não lhes estarás a gritar nem a insultar. Nesse sentido, eles não estarão ocupados a protegerem-se nem a defenderem-se. E depois podes dar uma mão, também. A questão da arrumação e da ordem são muito subjectivas. Porquê? Por dois motivos: primeiro porque é uma necessidade nossa e porque depois a ordem é algo particular. Nesse sentido teremos de a ensinar aos miúdos.

Voltando ao amor incondicional, que é o que nos trouxe aqui... Mesmo que ames muito os teus filhos, achas mesmo que no Take #1 estarás a transmitir esse amor da melhor forma? Pois, é aí que eu quero chegar. Não é o que dizes e antes aquilo que lhes fazes sentir.

Pensa nisso!


Podemos pedir aos irmãos que sejam os melhores amigos? | A Praça | RTP 7 Junho 2016

7.6.16


Podemos pedir aos irmãos que sejam os melhores amigos?
Podemos desejá-lo e isso é comum, enquanto pais. A nossa ideia é que eles sejam tão amigos que se possam sempre defender e ajudar. Mas esse é o nosso desejo. E nem sempre isso vai acontecer. E porquê?

Porque no início dos tempos, pedir a um irmão que seja o melhor amigo do outro é igual a pedir que goste do seu rival. A chegada de um irmão é assumida como uma perda de um lugar ou pelo menos pela necessidade de partilhar território e propriedade com esse irmão. E portanto o irmão, apesar de poder ser desejado pelos pais e pelo filho, é também uma ameaça.

O que podemos fazer é ajudar os nossos filhos a lidar com os conflitos que vão ter, sobretudo quando são pequenos, a saberem comunicar um com o outro e a resolverem as suas situações.
Esta aprendizagem é feita em todas as situações de conflito e por isso é que o conflito pode ser visto como excelente forma de aprendizagem. Quando os miúdos aprendem a respeitarem-se, quando aprendem a negociar e a lidarem com as suas divergências estão um passo mais próximo para conseguirem gostar um do outro sem se sentirem em constante competição.


Isto quer dizer que nos devemos meter no conflito ou não?
O ideal é que não nos tenhamos que meter ao ponto de ter de decidir o que vai acontecer. Dizer aos miúdos como tem de ser, e depois concluir com um ‘vá, agora pede desculpas ao teu irmão e dá-lhe um beijinho’ tira a possibilidade às crianças de se sentirem valorizadas e escutadas e de resolverem o conflito.



Conflito A
A Joana nunca se interessou por uma coleção de livros que os pais lhe deram. A Maria, que está agora a aprender a ler quer começar a lê-los mas a Joana não os quer emprestar.

Joana: São os meus livros, larga já isso, que isto não é teu.
Maria: Mas tu nunca quiseste saber destes livros para nada.
Joana: Mas são meus e agora quero saber. Dáaaaaa-me! Tira as mãos daqui!
Maria: Sua invejosa!

Resolução/mediação
Mãe: estou a ver que estão a discutir e parece ser muito sério. 
Maria: A Joana não me quer emprestar os livros que já não lê
Joana: São os meus livros e eu faço deles o que quiser.
Mãe: estou a ver que temos aqui uma situação séria e que vos está a chatear. Os livros são da Joana e agora a Maria também os quer começar a ler, é assim?
(as duas filhas): Sim.
Mãe: Bom, vejam então como é que conseguem resolver a situação, eu tenho a certeza que encontrarão uma excelente forma de conseguirem ficar as duas satisfeitas.

[E a mãe vai embora]

O que aconteceu?
A certeza da mãe vai potencial a resolução do conflito. Porque a mãe não tomou partido, nenhuma se vai sentir no papel nem de vítima nem de agressora, o que é comum acontecer e vão chegar à negociação que é a ideal, naquele momento e naquela situação.
Quanto mais nos metemos mais a rivalidade entre irmãos aumenta. Na verdade, é comum repararmos que sempre que decidimos intervir as crianças não querem que os pais se vão embora porque querem que os pais tomem o partido deles. E todas as crianças têm uma intenção positiva quando decidem algo - mesmo que possa não parecer assim.


Que outras coisas os pais podem fazer para potenciar uma melhor convivência entre os filhos?

1) O primeiro passo é assumir que nenhuma relação é isenta de conflito.
2) Não tomar partido – apenas mediar. Como é que isto se faz? Descrevendo o que estamos a ver e procurando descobrir quais as necessidades de cada criança naquela situação.
3) Confiar e devolver-lhes a capacidade em resolver a situação.
4) Mediar, sugerir, sempre que necessário
5) Criar experiências em que as crianças possam testemunhar e apreciar o que o outro tem de melhor – prepararem surpresas, reconhecer o esforço, fazerem coisas em comum.



Gostava que considerasses este post como sendo sobre o amor incondicional.

2.5.16
Há algumas palavras que eliminei do meu vocabulário, já há algum tempo. Quem leu o Crianças Felizes - Guia para trabalhar a autoridade dos pais e a auto-estima dos filhos sabe do que falo porque logo no início peço ao leitor para esquecer as palavras 'feitio' como em 'tem um feitio igual ao pai' e a palavra 'personalidade' como  em 'tem uma personalidade dos diabos!'

A palavra que sugiro que passemos a usar é 'natureza'. Claro que não é para substituir dando-lhe a intenção e o significado da anterior. É para dar o significado de natureza e que significa 'é natural, nasceu assim, faz parte'.

Se ouvires bem o que dizes - em grande medida, o meu trabalho assenta quase todo ele na forma como comunicamos e nada mais - quando dizes 'que o teu filho tem um feitio assim ou uma personalidade daquela maneira', é como se estivesses a ir contra um muro, algo que não muda e que não é natural. Quando usas essas duas palavras estás a construir mais muros, na verdade.

Então a minha sugestão é que, daqui para a frente uses apenas a palavra natureza, sem a adjectivares, sem mais nada. A natureza é para ser aceite porque ela é sábia. Quando aceitamos a natureza dos nossos filhos estamos a dizer-lhes que os amamos como eles são e é a certeza desse nosso amor, que aceita, que o libertará para que ele possa florescer, crescer e ser melhor a cada dia que passa. Nunca duvides disso.

E se é verdade que ninguém controla a natureza do filho que tem, a verdade é que controlamos uma outra parte muito importante e que tem um impacto enorme na vida dos miúdos. E esse ponto a que me refiro sou eu. És tu. A parte que só nós controlamos é a nossa. Na verdade, o Berra-me Baixo - 21 dias para deixares de gritar com o teu filho -  fala justamente sobre isso - sobre a nossa transformação enquanto pais e enquanto modelos que (desejamos) somos para os nossos filhos.

Eu sou responsável pela forma como decido reagir com o meu filho quando ele chega a casa triste porque o melhor amigo voltou a fazer troça dele no recreio.
Eu sou responsável pela forma como lido com o meu filho quando ele não se cala e insiste em pedir (sem parar!!) por mais uma bolacha antes do jantar.
Eu sou responsável pela forma como lido comigo quando os meus filhos estão a pegarem-se.
Eu sou responsável pela forma como reajo com um comentário menos oportuno do meu companheiro. E também sou responsável pela forma como lhe respondo.

Na verdade, a estima e o amor (incondicional) que tenho por mim servirão de exemplo e de modelo ao amor incondicional que os meus filhos deverão ter por eles próprios. 

A Whitney Houston já dizia 'The greatest love of all'.

linkwithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Share