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Relação dos filhos com pais emigrados | A Praça | RTP 19 de Julho 2016

22.7.16
Há cada vez mais famílias que estão separadas porque um dos membros do casal está fora do país a trabalhar.

Neste programa, a Isabel e o Nuno explicam-nos como é que se aguentam as saudades e como é que se mantém a relação amorosa em alta e a proximidade com a filha... todos os dias!

É um testemunho fantástico e inspirador que vale a pena ver.

Link aqui

Que direitos têm os filhos no uso da Internet? E a privacidade? A Praça | RTP 4 de Julho 2016

8.7.16



Este pai observou que a Internet estava a promover o isolamento da filha, estava a fazer com que estudasse menos e não participasse nas tarefas domésticas.
O pai soube comunicar com a filha usando o melhor canal! - mostrou que é um homem inteligente.

A medida parece ter sido muito positiva, uma vez que a filha respondeu de forma rápida e a forma como o fez - usando o mesmo canal - parece ter sido bem aceite.






Mas afinal de quem é a Internet? Os pais têm o direito de impôr estas regras?
A Internet é um privilégio - quer para pais como para filhos e, como tal, o seu uso pode obedecer a regras. As regras devem ser colocadas pelos pais e, dependendo da idade e da maturidade da criança, até podem ser negociadas. Quando não se cumprem as regras de bom uso, pode haver a privação ou a limitação do seu uso, sem qualquer problema. E quais podem ser estas regras? Só usar a internet x horas por dia ou apenas depois de se ter feito A e B (trabalhos de casa, estudar, rotinas domesticas, etc).

É evidente que os pais têm de dar o exemplo, caso contrário não faz sentido nenhum as regras que se impõem quando o objetivo é a família ter mais qualidade nas relações - e estarem menos isolados, por exemplo.

E estas questões levam-nos a outro ponto - a questão da privacidade online. Temos o direito, enquanto pais, de supervisionar a vida online dos nossos filhos?

Esta questão é delicada e por isso eu dou a minha opinião pessoal. Quando deixo os meus filhos irem ao cinema, eu sei que vão ver um filme apropriado para a idade. Quando os deixo na escola, sei onde vão estar. É natural - e é o meu dever - saber o que eles fazem. O meu objetivo é a protecção e o acompanhamento. A Internet tem coisas muito boas - permite-nos receber notificações, falar com pessoas que estão no Brasil - e também tem outras coisas que não são nada interessantes nem positivas. Regrar, verificar e acompanhar por onde andam os meus filhos - tenham eles 11 ou 17 anos é a minha obrigação. Por isso há uma coisa que se chama a ética online e que pode muito bem fazer parte das regras de uso da tecnologia. Insultar alguém nas redes sociais, visitar sites que promovem violência e que vão contra os nossos valores podem dar a permissão aos pais de retirarem o uso da tecnologia. É importante que isto seja dito de forma muito clara quando damos a senha do wifi aos miúdos ou permitimos que estejam com o nosso tablet, por exemplo. Não é um castigo, mas eu não deixaria que o meu filho insultasse alguém na rua - tal como não posso deixar que o faça online. Também não o deixaria ir a um lugar onde se promove violência - e também não deixo online.

A melhor forma de acompanhar é participando e sendo uma audiência invisível. Somos amigos, estamos em redes sociais mas eu não comento quase nada - e o filho vai pensar que nunca lá vou. Mas vou.

Por outro lado, e como o uso da Internet é um privilégio, ou os devices não têm senhas ou as senhas são conhecidas da família. E isto não é negociável.

O objetivo não é verificar sempre e a todos os momentos - o objetivo é ganhar confiança e responsabilidade.

Como é que fazes aí em casa? 

Que direitos têm os filhos no uso da Internet? E a privacidade? A Praça | RTP 4 de Julho 2016

8.7.16



Este pai observou que a Internet estava a promover o isolamento da filha, estava a fazer com que estudasse menos e não participasse nas tarefas domésticas.
O pai soube comunicar com a filha usando o melhor canal! - mostrou que é um homem inteligente.

A medida parece ter sido muito positiva, uma vez que a filha respondeu de forma rápida e a forma como o fez - usando o mesmo canal - parece ter sido bem aceite.






Mas afinal de quem é a Internet? Os pais têm o direito de impôr estas regras?
A Internet é um privilégio - quer para pais como para filhos e, como tal, o seu uso pode obedecer a regras. As regras devem ser colocadas pelos pais e, dependendo da idade e da maturidade da criança, até podem ser negociadas. Quando não se cumprem as regras de bom uso, pode haver a privação ou a limitação do seu uso, sem qualquer problema. E quais podem ser estas regras? Só usar a internet x horas por dia ou apenas depois de se ter feito A e B (trabalhos de casa, estudar, rotinas domesticas, etc).

É evidente que os pais têm de dar o exemplo, caso contrário não faz sentido nenhum as regras que se impõem quando o objetivo é a família ter mais qualidade nas relações - e estarem menos isolados, por exemplo.

E estas questões levam-nos a outro ponto - a questão da privacidade online. Temos o direito, enquanto pais, de supervisionar a vida online dos nossos filhos?

Esta questão é delicada e por isso eu dou a minha opinião pessoal. Quando deixo os meus filhos irem ao cinema, eu sei que vão ver um filme apropriado para a idade. Quando os deixo na escola, sei onde vão estar. É natural - e é o meu dever - saber o que eles fazem. O meu objetivo é a protecção e o acompanhamento. A Internet tem coisas muito boas - permite-nos receber notificações, falar com pessoas que estão no Brasil - e também tem outras coisas que não são nada interessantes nem positivas. Regrar, verificar e acompanhar por onde andam os meus filhos - tenham eles 11 ou 17 anos é a minha obrigação. Por isso há uma coisa que se chama a ética online e que pode muito bem fazer parte das regras de uso da tecnologia. Insultar alguém nas redes sociais, visitar sites que promovem violência e que vão contra os nossos valores podem dar a permissão aos pais de retirarem o uso da tecnologia. É importante que isto seja dito de forma muito clara quando damos a senha do wifi aos miúdos ou permitimos que estejam com o nosso tablet, por exemplo. Não é um castigo, mas eu não deixaria que o meu filho insultasse alguém na rua - tal como não posso deixar que o faça online. Também não o deixaria ir a um lugar onde se promove violência - e também não deixo online.

A melhor forma de acompanhar é participando e sendo uma audiência invisível. Somos amigos, estamos em redes sociais mas eu não comento quase nada - e o filho vai pensar que nunca lá vou. Mas vou.

Por outro lado, e como o uso da Internet é um privilégio, ou os devices não têm senhas ou as senhas são conhecidas da família. E isto não é negociável.

O objetivo não é verificar sempre e a todos os momentos - o objetivo é ganhar confiança e responsabilidade.

Como é que fazes aí em casa? 

O que precisa uma criança entre os 5 e os 12 anos? A Praça | RTP 27 de Junho 2016

30.6.16


LINK AQUI
  1. Amor e segurança
  2. Autonomia
  3. Tempo para brincar e descontrair

Hoje vamos por tópicos e precisas mesmo de escutar o programa :)
  1. Sentimento de pertença + importância do vínculo ao nível da auto-estima + Sistema limbico ou cérebro emocional
  2. Nivelamos por baixo e temos medo.Como temos pressa, fazemos pelas crianças. As crianças passam a achar que os pais querem fazer tudo e por isso passam a deixar que isso aconteça.
Há mais perigos mas há soluções = o caso de pontevedra
Escutar a criança - como é que escutamos de facto
3) Brincar é a forma que a criança tem para aprender, testar respostas e emoções

  1. A primeira coisa que a criança precisa é de amor e segurança porque só assim pode sobreviver. 
  2. A qualidade do vínculo é determinante para o seu desenvolvimento emocional
  3. Andamos sempre cheios de pressas e tiramos aos miúdos a capacidade de fazerem e de se testarem.
  4. A brincadeira é uma das formas que a criança tem de aprender sobre a vida e de testar respostas.

Épocas de exames | | A Praça | RTP 14 Junho 2016

15.6.16




Os exames nacionais são um momento em que se prestam contas ao que se aprendeu e onde se avaliam alunos, professores, instituições e sistema. O tema de hoje tem a ver com o que é que podemos fazer para ajudar as famílias a passarem por esta fase com menos stress, ansiedade e angústia.


1. Porque é que este é um momento de stress para as famílias (e também para as escolas)?

Quando somos avaliados, quer queiramos quer não, o nosso valor é sempre posto à prova.Por outro lado, ter boa nota significa avançar ou ficar retido, o que ainda eleva mais a fasquia. Os pais, que não querem que os filhos falhem, e os professores que querem ver os miúdos terem boas notas, colocam pressão e, por vezes, da pior forma.

Finalmente, a ‘normalização’ das provas nacionais faz com que as mesmas se tornem mais comuns e habituais mas isso não lhes retira o stress de serem de avaliação, com tudo o que isso traz consigo.


2. Como é que os alunos e os pais se podem preparar para as provas? Qual é o maior inimigo?

Por incrível que pareça, o maior inimigo é a falta de concentração. Também me quer parecer que os programas podem não ser sempre os mais adequados.

Numa sessão de coaching recente com um aluno do 11º ano, ele dizia-me que não conseguia estudar sem ter o youtube ligado. Perguntei-lhe quem é que lhe disse isso. Ele respondeu ‘a sério, não dá’. Expliquei-lhe a razão pela qual ele iria querer desligar tudo e ele aceitou.



Como treinar a concentração?


Desligar tudo o que é tecnologia e distrações
Sejam os telemóveis, iPads, televisões. A única coisa que pode ser permitida é música relaxante. Porquê? Porque o multitasking não é algo que se consiga de forma contínua, com bons resultados, sobretudo numa ação que envolve compreensão e memorização.


2. Limpar a secretária - deve ficar vazia
Esta é das técnicas que mais resultados dão - uma mesa limpa, apenas com os cadernos ligados à especificidade daquele matéria.


3. Estudar como se fosse dar uma aula
Mais do que saber de cor, devemos saber explicar o que aprendemos. A melhor forma de lá chegarmos é imaginarmos que vamos dar uma aula e que temos de explicar aquilo tudo.


3. O que é que os pais devem fazer?
Os pais devem ajudar os filhos a estudarem nos momentos de estudo, sobretudo os mais pequenos que estão a adquirir métodos de estudo. Depois, deverão organizar outras atividades que nada tenham a ver com o estudo. E isto faz ainda mais sentido quando eles são pequenos. Porquê? Porque com a vontade de sair irão - em princípio - treinar a concentração no estudo para depois puderem fazer algo que gostam muito.

Nos maiores, os pais devem zelar para que esses momentos possam acontecer, convidando a uma pausa, fazendo um lanche ou saindo para passear, por exemplo.

À noite, deverão incentivá-los a deitarem-se cedo. A higiene de vida é um dos grandes segredos para a calma.




4. Devemos ensinar técnicas de relaxamento?
Devemos sobretudo falar e partilhar da nossa própria experiência, sobretudo com os mais pequenos?

‘Sabes, uma vez estava tão nervosa, tão nervosa que me deu para chorar baixinho. Ninguém deu conta e eu comecei a respirar fundo (assim, vês como se faz) muitas vezes, até me acalmar. Foi isso que me ajudou. E depois quando li as perguntas, não conseguia perceber. Então li uma das perguntas muitas vezes e afinal eu sabia. Só tinha de relaxar. E fiz o teste e passei.’

Eles percebem que estas coisas acontecem a toda a gente, que são comuns e que há formas de se sair dali.


5. Devemos dar prendas/recompensas às crianças por fazerem o seu trabalho?
Temos sempre muito receio que os miúdos não queiram fazer alguma coisa e que precisem sempre de alguma bengala para quererem fazê-lo.

A verdade é que essas recompensas (como os quadros e por aí fora) não têm nada de vantajoso para as crianças nem para os adultos envolvidos. E se numa primeira fase pode funcionar e ser visto como um grande incentivo, a verdade é que desresponsabiliza a criança e lhe retira a vontade inata.
Todas as crianças gostam de aprender - depende de quem ensina e de como ensina. Por outro lado, é muito mais saudável manter-se as rotinas
Quando acabares de estudar matemática podemos ir para a praia - ouvi dizer que vão estar umas ondas bem boas no final do dia.
Assim que essa parte da matéria estiver revista, vamos dar um passeio de bicicleta até ao farol e paramos para comer um gelado?


Estas atividades que se seguem são a verdadeira recompensa e dependem da responsabilidade da criança em fazer o que tem de fazer. São certamente rotinas que já existiam anteriormente, são uma forma da criança relaxar e ter uma boa experiência com os pais também. E sim, podem ser mantidas em qualquer idade.

Como é que se educa para a felicidade? | A Praça | RTP 31 Maio 2016

1.6.16




A felicidade herda-se?
Sim, há autores que defendem que a felicidade se herda. Na verdade, e ao que parece, herdamos 50% de propensão para sermos felizes. 10% tem a ver com a sorte (de herdarmos esses 50%, do sítio onde nascemos, etc) e 40% é atividade intencional, o que quer dizer que temos livre-arbítrio para decidirmos quem queremos ser e como é que queremos ser, apenas se trabalharmos essa transformação em nós.


Como é que pais que não são felizes podem / conseguem ensinar / ajudar os filhos a serem felizes?

Talvez seja uma das coisas mais difíceis de fazer, porque implica muita força de vontade, transformação e dor e que é deixar os padrões de comportamento antigos de lado. Mas talvez seja isso que nós devemos aos nossos filhos: a objetividade de tratarmos da nossa felicidade, de forma séria. Esse é o nosso maior dever para com a nossa família. É ingrato dizer que não fiz isto por causa dos miúdos ou que adiei algo por causa deles. Isso significa apenas que não se teve a coragem de o fazer ou se tomou essa decisão. As crianças, na maior parte das vezes não foram tidas nem achadas nessa decisão. A felicidade é por isso um ato de coragem e nunca, nunca, de egoísmo. Na verdade, deveria estar na constituição a obrigatoriedade de cada um tratar da sua própria felicidade. Quando já não o sabemos fazer isso pode tornar-se perigoso para todas as relações. Portanto, a melhor forma que temos de ensinar aos nossos filhos acerca de felicidade é colocando a nossa à frente. Pais Felizes = Filhos felizes.


Há pais que fazem tudo pelos filhos, dando-lhes tudo. Devemos dar tudo, tudo permitir? É assim que se faz felicidade?
A felicidade não está nas coisas e sim no valor que damos a essas coisas. Tudo permitir e tudo dar apenas retira a nossa capacidade em dar valor a tudo isso. Por isso a minha resposta é clara e penso que de bom senso. Não devemos dar tudo, não devemos remediar tudo.

Imaginemos que o seu filho parte a caneca favorita do pequeno almoço dele ou perde a carteira onde guardava os cromos para trocar. Ou ainda que não conseguiu chegar a tempo de comprar o bilhete para ir ao cinema com os amigos. Eu não preciso de o salvar ou remediar a situação. Não preciso de ir comprar a caneca ou mais uma carteira de cromos nem preciso de procurar arranjar alternativas àquela saídaa que ele ia ter nem sequer consolá-lo dizendo ‘deixa lá’. Preciso apenas de acolher os sentimentos dele em relação àquela experiência e deixá-lo encontrar as estratégias internas para ele próprio se salvar e confirmar o que de mais importante há e que é a certeza que ele sobrevive a tudo isto.


Qual deve ser o papel dos pais, quando ensinam felicidade?

Os pais não só modelam a felicidade - quando tratam da sua - como também criam experiências para se experimentar felicidade. E estas experiências são de duas formas - a forma como se aprende a ver o que se viveu, mesmo tendo sido aparentemente uma coisa má (quando por exemplo se retira aprendizagens); e o debate que é feito. E este debate prende-se com o pensamento, a reflexão, a atitude crítica e ponderada e que cada vez mais, infelizmente, se está a perder. Os pais e todos os adultos continuam a ser uma grande influência e não podem nunca recusar isto. Estou muito convencida que, no futuro, os miúdos mais felizes são aqueles que conseguiram esta atitude filosófica e de reflexão sobre os assuntos porque estarão a viver e não em cópia do que vêem nas redes sociais, por exemplo.

Aprender a brincar com as crianças A Praça | RTP 16 Fev 2016 | Programa #19

6.4.16

É a brincar que a criança aprende a comunicar, a experimentar e a conhecer o mundo e as suas dinâmicas. Agora que sabes disto, o que vais escolher? Brincar ou não brincar?

Brincar é divertido – vindo de mim é estranho [eu não gosto de brincar] – e eu confesso que tenho de me lembrar que é – é só começar a participar na brincadeira. Confia em mim – eu sei disso por experiência – mas sim, tenho mesmo de forçar-me.

Brincar aproxima as pessoas e é das melhores formas de criar vínculo. E o vínculo é determinante para a parte da autoridade e obediência porque ninguém obedece se não se sentir “lincado” ao outro. Ponto final. Parágrafo.

Brincar ao fazer de conta ajuda a criança a colocar-se em situações que ela deseja enfrentar e a lidar com os seus medos [ah pois é, já tinhas pensado nisto?]

Ao brincar estamos a aumentar o vínculo com o nosso filho e é o vínculo que lhe dá a sensação de segurança e previne algumas ansiedades.

Ao brincar ajudamos o nosso filho a sentir-se amado e é uma forma muito rápida e efetiva de responder às necessidade de pertença, segurança e afeto deles

A TV é para descansar o corpo e a cabeça. Brincar é uma coisa física, envolve cabeça e corpo. E não os coloca mais excitados – au contraire – quando eles ‘exorcizam’ as tensões todas é meio caminho andado para começarem a desacelerar…

Brincar faz rir e rir juntos é fundamental!

E brincar aos maus e a coisas mais agressivas? E com pistolas?

Alargamento do horário escolar: boa ideia? A Praça | RTP 16 Fev 2016 | Programa #17

25.2.16


À primeira vista, o alargamento do horário escolar parece ser uma medida benéfica para as famílias e para aqueles trabalhadores cujo horário de trabalho termina depois das 18h.
E também o é para todas as famílias que não têm rede de apoio. Falo daquelas situações de casais que vivem muito longe da família e que não têm qualquer rede de apoio. Ou daquelas situações em que de facto, e pontualmente, acontecem imprevistos e não é necessário dar a volta à cabeça e à lista de contactos para se pedir ajuda.

No entanto, para tudo o resto, acredito que a medida é francamente má e faz mal à saúde das famílias.

1. Queremos mesmo o alargamento?
Não acredito que a larga maioria dos pais queira ir buscar os filhos mais tarde à escola. Acredito antes que preferem ir buscar os filhos mais cedo, no horário em que a escola termina.
Alargar este horário terá um efeito perverso - quando se dá esta possibilidade, estamos a criar esta necessidade para quem não a tem e não faz uso dela. Ou evita. Passa a ser extremamente tentador deixar os miúdos em actividades extra-curriculares para se ir fazer as coisas que todos os pais têm de fazer. Os pais são sempre pessoas com muitos pendentes.
Por outro lado, se já existe a possibilidade de ir buscar os miúdos até às 19h00, porque motivo não se cria a possibilidade de ir buscá-los mais cedo, logo no final das aulas? 

2. Actividades extra-curriculares ou actividades para se ocupar o tempo?
Por outro lado, pergunto-me se as actividades extra curriculares beneficiam todos ou se, nesta possibilidade de deixar os miúdos estarem até às 19h30 na escola (19h30!!!!!!) não serão mais actividades para ocupar o tempo.

3. Crianças de betão
Há uns meses escrevi para a plataforma Capazes, o texto Crianças de Betão. Como é que queremos ter futuros adultos responsáveis, que cresceram de forma equilibrada se lhes damos betão o dia todo? Como é que queremos que as crianças estejam em equílibrio se saem de casa às 8h00 da manhã, entram na escola e de lá voltem a sair às 19h30, de novo para casa? Como? É surreal!!!

4. Quem vai ser a fonte dos valores?
Ora a ideia é deixar a criança a ser guardada na escola e ter a oportunidade de fazer uma série de actividades extra curriculares. Certo.
Entretanto, com quem é que ela vai alinhar para aprender os valores, para ser corrigida e orientada? Com quem é que ela vai aprender sobre a vida?
Se tiver sorte, terá um adulto de referência que pode ser o professor ou animador de uma determinada actividade, à terça-feira à tarde. Se não tiver, vai alinhar com os amigos. E crianças de 8 anos sabem passar valores? Claro que não porque estão em construção e a aprendê-los, justamente.

5. É melhor ficarem na escola do que andarem de um lado para o outro?
Crianças até ao 9º ano saem da escola à vontade? Porque razão é que isto acontece? Não existe um sistema que regula essas saídas? Não existem portões de controlo?

6. Mas há quem tenha actividades extra-curriculares e se tornado campeão dessa actividade graças a elas
É verdade, sim senhora. Mas pergunto-me se essas actividades são dadas na escola ou se fora. Depois, pergunto-me se na maioria desses casos não estamos a falar de idades mais velhas. É até ao 9º ano que a criança precisa e deseja que os pais estejam próximos. Depois a história é bem diferente. E se o é já nesta altura estamos a falar de uma coisa que se chama excepção. Não é a regra.


7. Às 19h30 as crianças deveriam estar a prepararem-se para ir jantar
Sobretudo as que estão nesta faixa etária - até ao 9º ano.



8. Criar alternativas
Em vez de estarmos a promover e a criar a necessidade de se ir buscar os miúdos às 19h30, seria muito mais interessante promover a família criando a possibilidade de empregos a part-time para pais, avós e até tios. Porquê? Para se ir buscar os miúdos bem mais cedo!
O Estado faria bem em pensar nisto e atribuir vantagens para que as empresas passem a ter melhores condições de criar mais emprego - quando se contrata a part-time - e de flexibilizar o horário de trabalho (entrar mais cedo, horário almoço mais curto, sair mais cedo, teletrabalho).
Isto sim, seria pensar de forma séria nas coisas e na vida tal como ela deve de ser.

9. A escola não é um depósito de crianças
E não é a sua missão ficar com elas até à noite. A escola não pode ser dada a função da ocupação dos tempos livros correndo o risco de se tornar nisso. A escola é um local de aprendizagem e de passagem. Não se fica na escola a 'matar' tempo.


10. Perguntem aos miúdos o que é que eles querem
Na peça da RTP fica muito claro o desejo dos miúdos - e não é, de todo, ficarem mais tempo na escola.

A fragilidade dos 3 anos A Praça | RTP 26 Jan 2016 | Programa #16

27.1.16

Crédito fotos: STIM

Depois da exuberância dos 2 anos de idade, os 3 chegam com outro tipo de desafio.

São birras diferentes, que nos mostram, na maior parte dos casos, uma criança bem mais frágil e, simultaneamente mais agressiva.
Muitos pais questionam-se acerca da auto-estima da criança e fazem bem porque ela começa a ganhar uma consciência de si mais forte e, ao mesmo tempo, sente as emoções à flor da pele mas ainda não sabe lidar com a avalanche daquilo que sente e que lhe acontece.
Esta é, por isso, a altura ideal para começar a trabalhar não só a questão da auto-estima como também a literacia emocional.

Aqui ficam algumas dicas:

1. Quanto mais experiências positivas a criança tiver, mais forte será a sua auto-estima. E atenção - como positivas eu não quero dizer boas. A experiência pode ser má mas a forma como a criança vai olhar para ela (e aqui entramos nós para a encaminhar nesse olhar) fará dessa uma experiência positiva, entendes?

2. Literacia emocional - no meu livro Criança Felizes - o guia para trabalhar a autoridade dos pais e a auto-estima dos filhos, dedico um capítulo inteiro a este assunto. O que é a inteligência emocional? É a arte de tomar as melhores decisões. E nós só tomamos boas decisões quando sabemos o que sentimos porque todas as decisões são emocionais. Inteligência emocional é gerir as emoções porque não escolhemos o que sentimos mas podemos escolher a forma como reagimos ao que sentimos. E sim, claro, já estás a ver onde entra a literacia - é dando nome ao que sentimos que estamos a dar o primeiro passo para a gestão. Pega no livro e aproveita para trabalhar este tema com os teus filhos! Tão essencial!

3. Aos 3 anos é normal os miúdos choramingarem por tudo e por nada. Literalmente! Respira! Faz parte. E agora que sabes que faz parte, vais ajudá-lo. Como? Acolhendo os sentimentos e depois pedidndo que te peça o que deseja num outro tom de voz.

4. Aos 3 anos é normal os miúdos preferirem uns tempos o pai e depois só a mãe. Não leves a peito, é mesmo assim. Eles estão a lidar com emoções tão intensas que numas fases sentem-se mais protegidos com um do que com outro. É com eles, não tem nada a ver contigo.

5. Aos 3 anos é normal a criança estar mais agressiva e zangar-se com facilidade. Diz-lhe que não deixas que ele te faça mal, nem ao mano. Acolhe as emoções e ajuda-o a ter outro comportamento. Diz-lhe, com todas as palavras, o que se espera e o que não se pode fazer, como morder. Aliás, o morder pode voltar a aparecer nesta idade. Porquê? Porque tem a ver com a intensidade daquilo que ele sente E também com a incapacidade que o teu filho ainda pode ter em exprimir-se. Diz-lhe que não se faz e sempre que vires que pode voltar a acontecer, muda-o de sítio ou de brincadeira. Não deixes a situação descarrilar. Prometo-te uma coisa: passa.


6. Aos 3 anos é normal os miúdos terem muitos amigos. Estão a descobrir quem são. Promove as amizades.

7. Aos 3 anos os miúdos começam com muitos porquês. Ainda não entraram a sério na idade de quererem mesmo explorar mas adoram fazer perguntas e falar - a linguagem é agora uma grande aquisição. Explora tu isso, também!

8. Aos 3 anos os miúdos têm uma fragilidade óbvia. Dá-lhes mimo e colo sempre que te for possível e lembra-te sempre disto: mimo a mais não estraga. O que estraga é a falta de limites. Aos 3 (e em todas as idades) eles precisam de mimo mais do que nunca porque se estão a descobrir, porque estão a descobrir quem são e o que sentem. E precisam mesmo muito que os acompanhes nesta fase.

É uma idade extraordinária!




OS TERRÍVEIS 2 ANOS: 4 DICAS INFALÍVEIS! A Praça | RTP 20 Jan 2016 | Programa #15

21.1.16

Créditos imagem: Stim

"E, de um momento para o outro, o meu anjinho virou diabinho! " é a descrição que muitos pais fazem dos seus filhos adorados quando, a partir dos 18 meses eles ganham uma certa... personalidade.

Os terríveis 2 anos são assim chamados justamente porque as crianças passam por um processo de crescimento e de tomada de consciência grande. E são terríveis porque deixamos de perceber como é que o produto que temos à nossa frente funciona.

Por isso mesmo, aqui ficam 4 boas dicas para que a tua vida, nesta fase, fique facilitada:

1) Identifica o tipo de birra. Há as birras do andar de baixo - que são emocionais - e as birras do andar de cima - que são estratégicas, chamemos assim.
As emocionais são aquelas em que, do nada, a criança chora, grita e mostra-se insatisfeita ou frustrada. Não sabemos muito bem o que poderá ter causado aquela situação e achamos que não tem importância nenhuma. Pode ser porque lhe íamos dar uma bolacha e a partimos ao meio (como podes ver na Praça), como podemos nem nos aperceber. A verdade é que isso pouco interessará para o caso. O mais importante? É ajudar a parar a dita birra o mais rápido possível. Como?
Agarra no teu filho e pede-lhe para respirar fundo e parar de chorar. Diz isto num tom calmo e firme (lembra-te que a tua função, neste caso específico, é ajudá-lo a regular-se e acalmar-se). Uma vez calmo, podem ir fazer a vossa vida porque na maior parte das situações não há nada a corrigir. No máximo podes dizer-lhe o que viste:
'Eu vi que estavas a brincar com os carrinhos e depois, quando me apercebi, estavas a chorar. Não sei bem o que se passou mas percebi que não estavas muito contente."

As estratégicas são mais... complexas! :) O que fazer? O truque aqui é reconheceres o que o teu filho te está a dizer e seguires com a tua decisão.
'João Maria, meu amor, já percebi que querias a bolacha inteira. E eu sabia disso porque isto já aconteceu antes - a mãe esqueceu-se.
A tua metade da bolacha está aqui - não tenho mais nenhuma. Penso que ficarás satisfeito se a comeres mas se decidires não comer, isso é uma decisão tua. A mãe vai estar na sala e se te apetecer vir para lá brincar, anda.'
O mais difícil nestas que são mais estratégicas é identificá-las e depois seguir o guião.
Se quiseres saber mais sobre este assunto, o capítulo 2 do livro Crianças Felizes dedica-se a esta idade e ao que acontece nas cabecinhas do nosso filho. É um capítulo muito completo e cheio de dicas e estratégias práticas.



2. Valida os sentimentos do teu filho
Validar os sentimentos não quer dizer satisfazer a vontade do teu filho em levar mais um carrinho de brincar para casa. É apenas dizer-lhe que sabes que ele gostaria de o levar e que gosta muito de brincar com carrinhos. Basicamente é estares atenta ao que ele te está a dizer.
E se é algo que parece óbvio, a verdade é que não é tanto assim porque quase todos nos esquecemos de usar esta ferramenta. Em vez disso dizemos coisas como:
'Outro carrinho? Mas tu não precisas de mais nenhum porque tens muitos em casa. E tu deves achar que o dinheiro cai do céu, certo?'
Pois... não é nada disto

3. Aproveita
Quem já passou por esta fase, e depois pela dos 3 anos (sobre a qual vou falar mais à frente) diz que os 3 anos são mais difíceis ainda.
Os 2, como os 3, como os 12 ou os 15 são fases. E isto são características que podemos encontrar nos miúdos. Aproveita cada uma destas fases. Cada uma delas tem momentos delíciosos.




4. Descansa
Pais exaustos, birrentos, queixosos, encantados, seduzidos e... perdidos: é assim que encontro os pais com quem trabalho e que têm filhos com 2 anos. E se é verdade que é uma fase, também é verdade que é nosso dever orientá-los. Mas também é verdade que precisamos do nosso balão de oxigénio. Lê sobre o assunto, conhece as estratégias que tens ao teu dispor e trata das tuas necessidades de descanso, diversão e mimo. Não é possível ter energia (da boa!) para lidar com a exuberância dos 2 anos... e que antecede os 3 anos :)))

Na próxima semana falo-te sobre os 3 anos!

As 3 melhores Resoluções para 2016 | A Praça | RTP 6 Jan 2016 | Programa #14

12.1.16


O Caderno da gratidão é uma excelente maneira de ensinar os nossos filhos a dar valor ao que é realmente importante e também a olhar de forma mais positiva para as coisas. Como funciona? Devemos escrever 3 a 5 coisas pelas quais estamos gratos, 3 vezes por semana. Não mais do que isso.
Podes ler mais sobre esta ideia, aqui.

O desafio Berra-me baixo existe há 5 anos e tem como objetivo melhorar as relações familiares e não apenas deixar de berrar. Adira ao desafio em mumstheboss.com

Eliminar a palavra “tentar”. Tentar não se diz se quiser fazer acontecer algo. Tentar tem em si a palavra falhar: “eu tentei mas não consegui”,ou seja, admite já a falha.

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As crianças não dão valor a nada | A Praça | RTP 04 Nov 2015 | Programa #10

9.12.15
Estas são as questões que mais frequentemente me colocam nesta altura do Natal.
Aqui ficam as respostas!



É verdade que os miúdos hoje em dia dão menos valor às coisas?

Sim, é verdade! Vivemos numa sociedade muito consumista e é muito difícil dar-se valor às coisas quando em nossa casa existe abundância.

Lembro-me da história de uma avó cujo neto tinha uma adoração por um carrinho de madeira azul. Nunca largava aquele carrinho, era uma loucura. A avó, na melhor das suas intenções foi comprar um conjunto de outros carrinhos de madeira. Uma semana depois, a criança não brincava com mais nenhum carrinho. Ela gostava daquele. A resposta ao presente foi muito clara: ela não precisava de mais nenhum carrinho.

Não é possível darmos valor quando à nossa volta não há espaço nem tempo para se dar valor. É preciso criar-se espaço para o essencial.


Porque é que quanto mais têm menos satisfeitos estão?

Justamente por causa disso - pelo facto de haver muita coisa, não temos como apreciar tudo o resto porque há demasiada informação à nossa volta.

Quando temos o essencial conseguimos olhar para aquilo que realmente é importante.


Podemos dizer aos miúdos que há miúdos que têm menos que eles mas mesmo assim eles não estão satisfeitos. Como é que os convencemos?
Não sei se os chegamos a convencer. O que está a faltar, da nossa parte talvez seja o seguinte. Perceber se eles querem mesmo essas coisas todas ou se gostam muito daquilo que nos estão a mostrar e querem apenas partilhar connosco. Não é porque eu estou a ver um catálogo de roupa ou de decoração ou de outra coisa qualquer que vou querer todas as coisas. Há coisas de que gosto muito, outras que gostaria de ter mas que sei não posso ou, na verdade, nem quero, e outras que preciso mesmo e quero. Por isso é importante que possamos saber o que é que os miúdos nos estão a dizer. E é muito simples descobrirmos se pararmos e nos interessarmos pelas coisas que eles nos estão a dizer e a mostrar. Por vezes basta sentarmo-nos com eles a ver os catálogos, basta pegarmos na embalagem ou, se for possível, deixarmos brincar um pouco com esse brinquedo para eles ficarem satisfeitos e passarem a outra coisa. Na maior parte das vezes não é preciso mesmo mais nada.

Quando, mesmo assim, eles continuam a querer alguma coisa que não podemos dar, é necessário dizer-lhes isso, tranquilamente

‘Eu sei que gostavas muito de levar isto mas não vai ser possível. Agora precisamos de vir. Nos mais pequenos podemos dar a hipótese de ‘Vens aos saltinhos ou no colo da mãe’, nos maiores, dando uma tarefa ou apenas esticando a mão.

Têm o direito de ficarem chateados por não terem o que querem e nós não temos de os ir salvar ou dar outras coisas em troca. É um processo deles.


Existe alguma fórmula milagrosa para ensinarmos os miúdos a darem mais valor às coisas?

Mágica, não. Existe aquilo que nós fazemos todos os dias - não correr a tudo o que é promoção, dar valor ao que temos de formas simples como dar valor a uma refeição bem feita, ao calor que está em casa, ao facto de estarmos todos reunidos e bem. Repararmos que é mais fácil arrumar os brinquedos quando não há tantos brinquedos à disposição. Repararmos que os miúdos, muitas vezes, dão muito mais valor a brinquedos básicos como as plasticinas e os papeis para desenharem.

E depois devemos ensinar-lhes a dar valor, promovendo isto mesmo em nossa casa através do caderno da gratidão ou da gratidão num frasquinho.

É verdade que é uma ideia americana mas aos poucos, vou criando o hábito de dar graças pelo que temos, no final do dia.

Porque é que isto é maravilhoso?

1: Porque partilha o que de fantástico teve nesse(s) dia(s) - e ao partilhar está também a aumentar a minha felicidade e a dela, pelo prazer da partilha!

2: Está a sublinhar o que de facto tem valor para a criança;

3: Foca-se no bom e deixa o menos bom de lado - sim, este é o objectivo - é a gratidão e por isso são apenas coisas boas. As más deixa-as para outro momento.

4: Adormece com fé e esperança no dia de amanhã e sinceramente não há sentimento mais forte de segurança que este.


Estamos no Natal e falamos em prendas e coisas - mas o Natal é mais que isso. Do que nos andamos a esquecer?

Andamos a esquecer-nos que o Natal é mais do que dar coisas. Eu sei que há pessoas que adoram dar e têm, realmente, prazer em comprar ou fazer as coisas e dar. E depois há outras que reclamam e não gostam do Natal porque é só consumismo e que não desejam tudo isto mas não se autorizam a fazer como realmente gostariam. Mas a verdade é que podem dar de outra forma e incentivar este dar aos outros. Promovendo um encontro entre amigos e dar do seu tempo para estar com os outros. Ligar aos amigos a desejar feliz natal ou simplesmente, a saber como o outro vai. A libertar-se da questão as prendas dizendo que não quer e que também escolheu concentrar-se no que é essencial. Se isto é realmente importante para nós e para a nossa família, então temos de fazer acontecer.

Confesso que é bom chegar a casa das ceias de natal a que vou sem ter coisinhas para arrumar e guardar.


O seu filho já escreveu a carta ao Pai Natal? Fez pedidos que o Pai Natal não pode dar? Como vai gerir isso?


Há três formas de gerir isto:

Não dizendo nada e deixando o pai Natal decidir. Algumas vezes eles pedem tantas coisas que não se lembrarão mais do que escreveram.

Dizer que aposto que o Pai Natal ia adorar trazer-te esse presente mas talvez seja muito caro - vamos ver o que é que ele trará mas podemos dar-lhe uma alternativa caso ele não possa trazer isso, que dizes? Mais vale prevenir e colocar isso na carta.

Finalmente, se for algo que nos pareça descabido dizermos que não estamos de acordo que ele peça isso ao Pai Natal. Não permitimos esse tipo de brinquedos em casa e por isso não vale a pena pedir. E fechamos a conversa.

Como explicar os atentados às crianças? | A Praça | RTP 18 Nov 2015 | Programa #8

19.11.15


Deveremos falar com os nossos filhos acerca dos atentados de Paris? A partir de que idade as crianças estarão prontas para escutarem falar sobre estes assuntos?
Uma criança de 3 anos já tem noção do que se passa à volta dela, do que os adultos falam e do que ouve, seja na TV ou na rádio. Não temos por isso nenhum interesse em não explicar o que aconteceu. Porquê? Porque é importante que a criança, sobretudo se houver algum tipo de ligação - há muitas famílias que têm familiares em França e que estão por isso ainda mais preocupadas - saiba o motivo da ansiedade dos pais ou da sua tristeza e consternação.
Quando a criança apreende a realidade através das palavras dos pais, então não irá ela, sozinha, construir a sua realidade, com base em fantasias ou sustentada no medo.

Mas eu não tenho nenhuma ligação a França e os meus filhos não vêem os noticiários.
Respondo-te com um comentário que uma mãe deixou hoje no Facebook.
"A minha não se apercebeu de nada no fim‑de‑semana e na 2a feira veio da escola a falar disso... Achei que não tinha de dizer nada e afinal... enganei-me! "

Pois é, eles percebem tudo, como disse acima...

E se eles não tocarem no assunto... Bom, convido-te a ler este artigo:
A filha mais velha do assessor de comunicação André Serpa Soares fez aquilo a que os psicólogos chamam evitamento. Naquela noite, saiu da cama dela, enfiou-se na cama dos pais e pediu-lhes que a deixassem dormir lá, de luz acesa. Não se pôs a fazer perguntas sobre os atentados. Não quis conversa. Quis apenas ficar ali, em silêncio. O pai abraçou-a toda a noite e foi-lhe dizendo: "não te preocupes”; “estamos em casa”; “estamos em segurança”, estamos juntos”; “isso não vai acontecer aqui”, “eu protejo-te sempre".
Aqui 


Se eles não falam, fala tu. Não é porque não falas que isso não vai acontecer. Antes fosse. Não é porque falas que vais estar a destruir a vida dos teus filhos.
Como leste aqui, sabes que falámos sobre este assunto com a nossa filha cá em casa.
Falamos no Sábado e novamente no Domingo. Falaram na escola na segunda. Ela tinha tudo arrumado na cabeça. Falamos, explicamos, respondemos às questões todas. Com respeito por ela e pela seriedade da situação. No final, ela pediu-me que me chegasse a ela e disse: preciso de um abraço, tenho um bocadinho de medo.
E eu dei o abraço, sorri e aceitei sem dizer nada.
Ela sossegou e dali a pouco estava a brincar com o irmão.
Gostava que fosse fácil protegê-los como no A vida é bela. Mas isso é um filme. A vida real é outra coisa.


Mas devemos explicar tudo? O que dizer? O que não dizer?

Devemos explicar qb, sem entrar nos detalhes mórbidos que ninguém precisa. De resto deveremos ser factuais e claros. Se a criança nos abordar, deveremos pegar logo nessa deixa e perguntar-lhe o que é que ela já sabe, o que ouviu e onde ouviu. E pode ser que ela saiba e diga ou espere que falemos. Seja nessa circunstância ou na circunstância em que nós vamos falar, deveremos sempre começar pelas perguntas:

Sabes o que aconteceu na passada sexta-feira, em Paris?

Na sexta-feira, em Paris - e podemos mostrar um mapa até, se quisermos - aconteceu uma coisa trágica. Alguns homens armados mataram outras pessoas que estavam a jantar e a divertirem-se.

Ponto.

E depois explicar o porquê, até porque é a pergunta que a criança vai colocar. E então vamos ao porquê.

Porquê, mãe?
Porque desde sempre existiram formas de pensar diferentes e tu sabes disso. Só que há pessoas que não suportam que outros pensem diferente deles - acham que toda a gente tem de pensar, gostar de tudo igual. E como não suportam essa ideia, então decidem matar os que eles acham que estão contra eles - e foi isso que aconteceu.

Depois devemos esperar pelas perguntas. Podemos ter questões como quem são essas pessoas - os terroristas - se nos vamos cruzar com elas, enfim… e deveremos responder a todas as questões sem medo.

Mãe, e isso vai acontecer aqui, no nosso país?
Bom filho, eu penso que não, é pouco provável. Sabemos que o mundo inteiro, e sobretudo a polícia, está a procurar ajudar a acabar com esta situação. 

Mãe, quem são essas pessoas?
São terroristas. É difícil saber quem são porque elas vestem-se iguais a nós.  Não sabemos quem são mas isso não nos impede de viver e fazer a nossa vida. 
Neste site encontras muitas palavras explicadas aos miúdos. Está em francês mas abre porque tenho a certeza que irás compreender a maior parte das coisas. Ajuda e muito!



É importante passarmos uma mensagem de esperança?

É fundamental que essa mensagem seja passada! É fundamental que se diga que muitas pessoas foram salvas por médicos, por polícias e por outras pessoas na rua. E é fundamental que se diga que todos devemos lembrar-nos de sermos tolerantes uns com os outros, e que a liberdade é algo precioso. Podemos explicar como era antes quando não havia tanta liberdade, falar dos valores fundamentais - é uma excelente oportunidade.
Voltar às rotinas, voltar à vida e fazer tudo por a viver com a tal joie de vivre.


E se a criança ficar com medo? E se ela ficar tensa, o que fazer?

Eu fiquei tensa, com medo. E penso que todos ficámos. É normal que ela se sinta assim. Então está na altura de lhe colocar questões. ‘Estás com medo que isso aconteça aqui? Bom, é pouco provável e tenho a certeza que todas as pessoas estão a fazer tudo para nos protegerem.’ Darem abraços, confirmarem que também ficaram com receio… e que por isso é importante falar sobre o assunto.


Ouvi no outro dia que se os pais mostram medo, a criança perde a confiança neles. Achei que era um disparate. Os pais sentem medo, naturalmente, Mas é justamente quando falam sobre este assunto que se sentem com forças, sobretudo quando falam aos filhos sobre ele porque depois de o fazerem sentem que terão, mais do que nunca, de continuarem a vida, valorizando o que de mais importante temos: a liberdade e a importância de sermos família, construindo dia-após-dia.


E se a criança quiser saber mais ou tiver visto imagens que não devesse ter visto ou ouvido coisas que não deveria ter ouvido?
Mais do que nunca, é necessário que se fale sobre este assunto - que expliquem o que viram, o que sentiram e que esses vídeos ou imagens são de tal forma chocantes que não querem que os voltem a ver porque não trará nada de benéfico para a situação.



Vou ter de viajar... e estamos todos com medo.



Guerras entre irmãos | A Praça | RTP 11 Nov 2015 | Programa #7

13.11.15

Guerras entre irmãos - clica para assistires ao programa

Os conflitos entre irmãos são naturais — nenhuma relação está isenta de conflito.
E, como em todas as relações, o mais importante é saber gerir os conflitos, dizer o que se tem a dizer e saber respeitar o outro, fazendo-se respeitar.

Nesta relação em especial, os pais têm um papel muito importante uma vez que são eles que vão dar o mote e ajudar a resolver as situações. Como? Aqui ficam os tópicos da nossa conversa.

1. Gestão e regulação emocional dos pais

2. Não se meterem para não perpetuarem os papeis de vítima e de agressor

3. Objectivo não é serem os melhores amigos e sim respeitarem-se.

4. Não desistir - Paciência. 

5. Respeito em casa e pelos outros mas com gentileza, também.

6. Ajudar a regular as emoções porque é quando eles aprendem a regular as emoções que regulam o que dizem e fazem.

7. Fazer coaching aos filhos, ensinando o que se diz e o que se faz.


8. Trabalhar a retaguarda




Elogiar demais prejudica o meu filho? | A Praça | RTP 28 Out 2015 | Programa #6

9.11.15

O objectivo do elogio é fazer com que a criança se sinta feliz e competente.
Reconhecer o que de bom a criança faz é muito importante para a sua auto-estima.
Um bom elogio tem alguma ciência.

Como promover a participação da criança nas lides domésticas? | A Praça | RTP 28 Out 2015 | Programa #5

30.10.15
Este foi o tema desta semana n'A Praça. E os temas estão cada vez mais interessantes! Todas as semanas deixo aqui o link e também um texto de apoio!! Procura sempre por RTP


A resposta à questão Porque é que os miúdos não participam nas tarefas domésticas é muito clara: porque não os educamos nesse sentido. Ponto final.

É verdade que vivemos de forma diferente da dos nossos pais e ainda mais diferente da dos nossos avós. E também é verdade que não nos casamos tão cedo e estudamos até mais tarde. A nossa realidade é totalmente diferente.

Então como é que se dá a volta a tudo isto?
Os filhos são nossos e facilmente percebemos quando é que estão prontos (e desejosos) de participarem nas tarefas domésticas. Logo ali aos 18 meses eles estão prontíssimos para nos ajudarem. Podem levar a fralda para o caixote do lixo, podem ajudar a deitar fora as cascas das cenouras que descascamos ou até a arrumar as meias nas suas gavetas. E quem diz meias, diz brinquedos.

Quando colocamos os miúdos a fazerem estas tarefas connosco, então estamos a influenciá-los de uma forma muito bonita: olha para o que eu digo e olha para o que eu faço. Na verdade, não podemos nunca subestimar a nossa influência enquanto pais.


O meu filho de 2,5 anos quer ajudar-me sempre quando estou a cozinhar: a cortar, a partir a massa para cozer, a levar os pratos para a mesa. É um querido mas é muito pequeno e tenho medo que se magoe.

O mundo torna-se num sítio ainda mais interessante a partir do momento em que os miúdos se passam a deslocar sozinhos. Até ali, eles tinham tido a nossa ajuda para muita coisa. Agora que se descobrem livres, autónomos e até já se sabem exprimir, a banda sonora passa a ser ‘don’t stop me now’. Mas a verdade é que eles ainda são pequeninos e precisam muito da nossa ajuda. Quando o meu filho de 2,5 anos quer vir para o pé de mim ver a água que coze a massa ferver, está em zona perigosa. Quando ele quer ajudar a a cortar as cenouras com a faca afiada ou quer varrer mas, em vez de varrer está a sujar, pode também estar a entrar numa zona muito perigosa.

A nossa tendência natural é colocá-los para fora da nossa área de actuação. Primeiro porque é perigoso e em segundo lugar sem eles ao nosso lado, fazemos as coisas mais depressa.

Soluções:
Dar a oportunidade à criança de participar - dando-lhe uma faca de manteiga para ele cortar as cascas das cenouras; uma tigela para ele fazer a sopa para os bebés deles e deixar varrer. Compre-lhe uma vassoura e mostre-lhe como se faz. Peça-lhe para arrumar as caixas de plástico, deitaro cartão no caixote do lixo certo ou provar o arroz a ver se falta sal.

Quanto mais envolvida a criança se sentir, mais vai querer contribuir e isso passará a ser uma situação natural para a qual não necessitarás, mais tarde, de insistires. Mas por favor, insiste


O meu filho de 9 anos recusa-se a ajudar nas tarefas domésticas. Diz que não é meu empregado e que tem de ajudar. Como é que o obrigo?
É normal esta situação começar aos 6 anos inclusivamente. Primeiro porque as crianças passam a ter uma consciência de si diferente. Em seguida, porque vão copiar muitas expressões que escutam e passam a usá-las como adequadas à sua idade e maturidade. O que não é verdade. Em seguida, porque quando eram mais pequenas, foram convidadas a saírem da zona onde queriam participar. E porque aprenderam a não participar, porque não eram queridas, então agora já não querem. O que fazer?

Começar por pedir ajuda e a perguntar como é que fariam? Nestas idades os miúdos gostam de se sentirem importantes - gostam de mostrar que sabem e, se o soubermos fazer, gostarão de aprender connosco. Então, em vez de atribuirmos tarefas, podemos pedir o contributo deles - que é mais ou menos a mesma coisa mas com um grau de envolvimento diferente. Podemos pedir para compararem preços dos produtos nas lojas online, podemos organizar uma festa surpresa ao pai e envolvê-los também. De manhã, podemos passar a acordar todos mais cedo para termos tempo de deixar a cozinha arrumada e as camas feitas. E é normal que eles se esqueçam de fazer estas tarefas - não é por mal - e não podemos levar a mal. A nossa função é recordar : Filipe, a cama! João, a caneca está em cima do balcão.’ Sem andarmos de dedo em riste. E depois, naturalmente, valorizar a ajuda!

Eu vi que a tua cama ficou com os cobertores mesmo bem esticadinhos - parecia cama de hotel!

João, nem queria acreditar quando percebi que a máquina da loiça estava a lavar! Que bom, logo à noite, graças a ti, vamos ter a loiça limpa.

Ao sentirem que o seu contributo é válido, as crianças passam a querer ajudar.

Quanto mais encorajamos a competência da criança, mais ela se sente envolvida e capaz e isso promove a competência e a sua autonomia. No limite, é mesmo para isto que educamos: para termos adultos independentes, autónomos, capazes e que saibam tratar das suas vidas.



Obrigada por me ajudares a melhorar, todos os dias! Obrigada pela sugestão de temas, pela partilha de experiências! Se ainda não preencheste a tua parte, clica aqui!

Medo do escuro | A Praça | RTP 21 Outubro 2015

22.10.15




Todas as crianças têm medo. Do escuro, do pai natal, do lobo mau, do barulho dos balões a estoirar. E de outras coisas. É normal e é mais normal ainda em certas idades. Isso acontece porquê? Acontece porque, à medida que a criança vai crescendo, ela vai tendo uma maior percepção do real (e isso mostra apenas que o cérebro dela está a crescer e que ela vai tomando conta do mundo que a envolve - e isso, até a nós, pode dar um frio na barriga!).

E também é verdade que o medo da medo.

Então o que fazer quando a criança tem medo do escuro?


1. Respira fundo
O medo é algo normal e toda a gente tem medo. Quando somos pequenos temos medo do escuro, do lobo mau. Quando somos grandes podemos continuar a ter medo do escuro e também podemos ter medo da mudança, da perda. E, para além do medo, também resistimos a tudo o que é diferente e a tudo o que é novo. Porquê? Pois… justamente porque temos medo.

Em relação aos medos dos miúdos, o importante é que possamos ajudá-los a lidar com esses medos maus, estando seguros que ter medo… é normal! É a nossa segurança e a nossa serenidade que os vai ajudar.




2. Empatia
Deveríamos todos trabalhar esta extraordinária competência que é a empatia. Os ingleses dizem que é a nossa capacidade em nos colocarmos no lugar do outro. E eu acrescento que, com respeito e sem necessidade de constantemente salvarmos os nossos filhos, a empatia é quem vai ajudar a criança a lidar, da sua forma, com os medos. Não desvalorizes o medo que ela sente porque, como já te disse, ter medo… dá medo. Na verdade quanto mais negares o que ela diz que vê e sente, mais ela vai procurar provar que aquilo que vê e sente é verdade.




3. Dá-lhe poder

Naqueles casos em que a criança acredita que há monstros no quarto (isto é comum aos 4 e aos 6 anos), então dá-lhe um spray mata monstros ou coloquem uma luz de presença ou um difusor efeito espanta monstros. É o facto de ser ela a fazer isso que lhe dará mais poder e controlo da situação. Ela precisa de ter a certeza que está a lidar com isso



4. Dá-lhe segurança
Por vezes os medos não são os monstros. São receios, medos de perda. Situações que, ao contrário daqueles monstros horríveis que vivem debaixo da cama e que podem ser materializáveis, estes são medos do coração.

É muito frequente constatar que por vezes a criança não consegue adormecer sozinha porque, diz ela, tem medo. E, muito frequentemente, a forma como ela se permite adormecer sozinha é trabalhada durante o dia - com momentos exclusivos em que nos dedicamos aos nossos filhos. E só a eles.

Sabes, quando estamos seguros do amor do outro, então temos segurança emocional para nos permitirmos relaxar e adormecer, com fé no amanhã e com a segurança do amor e dos afectos. Trabalha portanto a questão do vínculo [procura neste blogue pelas palavras vínculo, relação, afetos] ideias para isso. E depois, e à noite, fica na primeira ou na segunda noite ao lado do teu filho até ele adormecer e diz-lhe que, quando o sentires a dormir, vais sair. Finalmente, assegura-lhe que estarás sempre por perto para garantir que tudo está bem - e por isso não precisas de ficar coladinha a ele - mas que vais ficar mega colada no dia a seguir, quando forem brincar juntos.




5. Tira-lhe os ecrãs

Por todos os motivos - porque provoca excitação, porque frequentemente uma criança pequena não sabe bem distinguir o real do imaginário e confunde as diferentes dimensões. Trabalha a relação, brinquem, joguem juntos. Desliga os ecrãs (tv, tablets, telemóveis)

6. Deixa uma luz de presença se isso garantir segurança à criança.

Conheço adultos que também gostam e precisam desse ponto de luz. Conheço adultos que não suportam luz. E no caso de ser um casal em que um quer luz e o outro não? Deve ser interessante descobrir o que acontece!


7. Shiu, dorme - estou aqui e está tudo bem!

Se a tua filha acordar a meio da noite, não precisas de ir sempre a correr. Diz-lhe, do teu quarto, e com uma voz doce e firme ‘Shiu, dorme - estou aqui e está tudo bem!’

Se tu sabes que está tudo bem, e se ela sentir a tua segurança, então é bem possível que ela se vire para o outro lado e adormeça. Afinal de contas, as mães é que sabem! (e os pais também!)


8. Ensina-lhe que ela não tem de adormecer logo
O teu filho pode perfeitamente pegar num livro ou ficar a criar histórias na cabeça ou ficar a olhar para as estrelas que estão coladas no tecto - por vezes os miúdos acreditam que têm de dormir logo e essa ansiedade pode criar barreiras ao adormecer. Explica-lhes as opções que têm.


9. Dormir contigo?
Eu sou a favor que a criança durma na sua cama e no seu quarto. Percebo que no dia a seguir todos temos de trabalhar e que uma vez não são vezes. E que há alturas que é bom dormirmos todos abraçados. É bom, claro que é! Mas, de uma forma geral, mantenho a minha opinião que se a criança tem o seu quarto e a sua cama é lá que é o seu lugar. Caso ela continue a acordar a meio da noite, com necessidade de ir para o pé dos pais ou com necessidade que eles venham ter com ela, vale a pena apostar na relação durante o dia. É inacreditável a diferença que isso faz na qualidade das noites. Não sei se sabes, mas a maior parte dos problemas de sono tratam-se durante o dia.

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Estamos a tornar-nos pais mais permissivos? |A Praça | RTP 14 Outubro 2015 | Programa #4

15.10.15


Já não sabemos educar?
Porque razão andamos mais permissivos? Porque razão temos tanta dificuldade em sermos firmes?

Existem várias razões: cansaço, sentimentos de culpa, dificuldade em assumirmos que não podemos ser sempre os 'fixes', menor capacidade em lidarmos com as birras dos miúdos, mais necessidade em sermos amados por eles... Todos estes motivos poderiam ser explicados mas, inevitavelmente todos conhecemos alguém que já passou por eles, todos nós estivemos nesse papel algum dia das nossas vidas.

Lembro-me de uma mãe com quem trabalhei ter-me dito que ela não entendia porque razão tanta gente lhe dizia que era preciso dizer que não ao filho. Parecia-lhe uma medida demasiado drástica. Eu entendi a frustração dela. É verdade que há, em determinados momentos e determinadas pessoas que necessitam de afirmar a sua autoridade a todo o preço. E num momento em que poderiam criar uma oportunidade generosa e que fizesse sentido para o sim, criam uma oportunidade para um não caprichoso. Contudo, esta mãe não era desse tipo. Era uma mãe que não se importava de dar 1 mini tablete de chocolate antes do jantar porque, segundo ela, não fazia mal. Era uma mãe que não se importava que o filho ficasse sistematicamente acordado até às 23h porque ainda não andava na escola. 

Mas afinal, para que servem as regras? São um capricho dos pais?
As regras são, nada mais nada menos que uma forma de garantir a segurança emocional e física dos miúdos. Não me passaria pela cabeça deixar o meu filho mais novo ir sozinho a pé para a creche mas quando for mais velho vou incentivá-lo a ir ao supermercado ou aos correios a pé e sozinho.
Não me viria à ideia passar a faca do pão ao meu filho mais pequeno mas já deixo a mais velha cortar muitas coisas. 
Não me passaria pelo cabeça deixar a minha filha usar o meu cartão de crédito mas estou a ensiná-la a contar dinheiro para ser capaz de ganhar, à medida que vai crescendo, alguma literacia financeira.

Regras é isto - é, progressivamente, ensinar a criança a ganhar competências para se tornar num cidadão capaz, autónomo, feliz.


Mas porque é que os miúdos não obedecem? Sentem as incertezas dos pais?
Vamos por partes. Há muitos motivos pelos quais não obedecem - vou deixar apenas alguns:

1) Não lhes interessa. Ponto final. E fazem o que têm de fazer para nos convencerem que essa é uma péssima ideia!
2) Sentem a insegurança dos pais e, se nem os pais estão seguros, porque razão é que eles deveriam obedecer a algo que não parece ser o que parece?
3) Têm outra prioridades - continuar a ver TV é muito mais importante que ir tomar banho.

Devemos ceder? Devemos negociar com os nossos filhos?
Porque não negociar no que é negociável? Aliás, negociar é algo tão importante para o futuro que seria uma pena não fazê-lo. Com inteligência, generosidade e justiça. 


A QUESTÃO DA AUTORIDADE E DA OBEDIÊCIA [ESGOTADO]
A AUTO-ESTIMA DA CRIANÇA
PAIS FELIZES = FILHOS FELIZES


Mas é preciso tirar um curso para se educar uma criança? |A Praça | RTP 23 Set 2015 | Programa #3

8.10.15

Podes rever o tema de ontem d'A Praça, aqui neste link

Nunca se falou tanto sobre educação como agora. E há momentos em que parece que não sabemos fazer as coisas tão bem como outros fizeram. Parece que educar se tornou mais difícil e há quem jure, a pés juntos, que os miúdos de hoje são diferentes dos de ontem (eu quase que te juro que o que está diferente é o mundo, que nós não somos as mesmas pessoas que os nossos pais foram e que, justamente por isso, os miúdos só podem ser diferentes - a equação é um pouco diferente).

Então se é preciso tirar-se um curso? 
O que te digo é que seria uma grande pena passar ao lado de estratégias que funcionam e que nos ajudam a lidar com as birras dos miúdos e também com as inseguranças deles (e nossas, já agora) , que promovem a relação e que nos darão mais tempo para saborear a vida familiar.

Mas isto agora parece uma modernice, já não se pode bater nem castigar?
Eu imagino que um pai ou mãe, no seu perfeito juízo, não acorda de manhã a dizer que se o filho o irritar lhe dá um açoite ou o coloca logo de castigo. Estou certa que, antes de atingir o seu limite, se propõe a ter paciência e a gerir a situação de outra forma. Eu sei que a palmada e o castigo funcionam - mas a questão, para mim, vai muito mais longe do que isso. A questão é 'Será que tu queres ir por aí? Será que se conhecesses outras estratégias, muito mais eficientes e menos agressivas, não as utilizarias? É que há formas (testadas e aprovadas) que te ajudam quando o teu filho rebola os olhos, quando ele bate no irmão, quando choraminga sem parar, quando bate e atira as coisas ao chão ou quando te começa a mentir. Há estratégias que restabelecem a ligação familiar, o vínculo e que, acima de tudo, o ajudam a tomar as melhores decisões, responsabilizando-o. A verdade é que tu não vais querer andar atrás do teu filho para teres a certeza que ele faz o que tem de fazer, sob a ameaça do castigo nem da palmada, pois não?


É preciso alguma autoridade em casa, ou não?
Ora bem, os pais são a autoridade na vida dos filhos. Somos nós que decidimos uma série de coisas nas vidas deles e esta autoridade não só é desejada como tem de existir. Talvez te questiones em relação à obediencia - e eu entao pergunto-te se queres filhos mais obedientes ou filhos que cooperem (cooperar significa que é uma decisão livre e que vem do coração) porque se sentem ligados a ti? Filhos que aceitam desligar a televisão e vir pôr a mesa. Filhos que aceitam ouvir a tua opinião mesmo que a tua opinião seja a justa oposição daquilo que eles desejam. Filhos que, acima de tudo, te vêem como uma autoridade justa. Como é que isto se faz? Trabalhando a relação. Querias milagres? Nesta matéria, o milagre é mesmo a relação!

O que é, concretamente, a Educação e a Parentalidade Positiva?


O que é que acontece quando se é demasiado rígido ou demasiado permissivo?
Bom, para isso convido-te a veres o programa da próxima semana!
E podes ver os outros programas n'A Praça, aqui







5 dicas infalíveis para um regresso às aulas 5 estrelas | A Praça | RTP 23 Set 2015 | Programa #2

1.10.15
Gostei tanto d' A Praça, ontem! Adorei estar à conversa com o Jorge Gabriel (que é espicaçante com as questões que coloca!) e com a Sónia Araújo (que, como mãe de crianças ainda pequenas, se interessou, genuinamente, pelo tema!).

E, como é habitual, para além da gravação que te deixo ficar, fica o texto com as 5 dicas infalíveis para um regresso às aulas... 5 estrelas! Dicas testadas e aprovadas pelas famílias com quem tenho trabalhado nestes últimos anos!  Podes ver aqui.


Quantas vezes nos deitamos e prometemos que amanhã as coisas vão correr melhor? Quantas vezes planeamos o começo do dia com calma, significado e felicidade? E quantas vezes esbarrámos em birras, em ‘és sempre o mesmo!’, ‘despacha-te que mais uma vez vamos chegar atrasados!’

As manhãs têm o poder de arruinar - ou não - o nosso dia. Se começam bem, sem sermões no carro, sem pé no acelerador, então isso é meio caminho andado para o dia nos correr bem. É que tantas vezes, e mesmo antes das 9h da manhã, já gritámos, já ralhámos, já ameaçamos e até já atribuímos um castigo. E isto não é vida para nenhum pai nem nenhuma mãe.

Estes são os 5 pontos fundamentais - e básicos - para um acordar e para um sair de casa — sem stresses:


1. DORMIR
Deitar cedo - nós e eles. É básico mas é muito importante que todos possamos dormir as horas necessárias.
Acordar mais cedo - por muito que nos custe, este é talvez um dos pontos que maior diferença faz. Quando acordamos mais cedo, nos preparamos antes e vamos acordar os miúdos. Sobretudo numa idade em que eles ainda precisam de acompanhamento, acordar cedo revela-se da maior importância. Pode custar mas os benefícios valem bem todo o esforço.


2. PREPARAÇÃO SIGNIFICA SUCESSO
Deixar tudo preparado de véspera - vai permitir-nos ter mais 5 minutos de sono e não ter de pensar se está tudo pronto ou não. Mochilas, sacos, alguns lanches até. Tudo à porta de casa. O mesmo se aplica para o final do dia - seja com menus semanais, seja com jantares mais simples e nutritivos. Pode dar algum trabalho mas a recompensa é enorme.


3.DAR PODER AOS MIÚDOS
Tabela das tarefas - sobre a qual já falei aqui - vai tirar-nos o papel dos chatos e dar poder às crianças. Os miúdos não têm poder nenhum e, quando se sentem autónomos e mais livres, sentem-se capazes de se responsabilizarem, de cooperarem e de fazerem sozinhos. Basicamente, esta tabela é uma espécie de check list e não tem recompensas nem avaliações. Um dia falamos melhor sobre este último ponto

4. BRINCAR E CONVERSAR
Brincar com os miúdos, usar o sentido de humor, sermos mais gentis e generosos com eles. Numa palavra: interessarmo-nos. Todas estas dicas que vamos andar a falar por aquietem terreno fértil quando criamos uma relação positiva e boa com os miúdos - e essa relação é apenas baseada nos afectos. Vamos aproveitar a viagem de regresso a casa para contar o que nós fizemos durante o dia e deixar que eles contem o que fizeram, ao jantar.


5. INVESTIR NA HORA DO JANTAR
A hora do jantar é, possivelmente, a melhor hora que temos com os nossos filhos. E vamos aproveitá-la não para dar sermões e sim para criar vínculo com eles. Até à idade de saírem de casa, essa é seguramente a hora em que vamos estar todos à mesa, a partilhar o nosso dia. Daí que os TPCs deverão ser feitos antes dessa hora para que o serão seja mesmo aproveitado. E, dia-após-dia vamos aumentando o vínculo parental. E isso traduz-se em maior cooperação e logo, num melhor ambiente, de uma forma geral.

Quando conseguimos assegurar todos estes pontos, tudo o resto flui: a disponibilidade para nos escutarem, para nos contarem como correu a escola, partilharem o que de bom aconteceu e também os receios.

Entretanto, aproveito para te dizer que as inscrições para os workshops em Educação e Parentalidade Positiva já abriram e que podes saber mais, no link abaixo!


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Pais Felizes = Filhos Felizes
A Auto-Estima da Criança
A Questão da Autoridade e da Obediência


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