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As crianças não dão valor a nada | A Praça | RTP 04 Nov 2015 | Programa #10

9.12.15
Estas são as questões que mais frequentemente me colocam nesta altura do Natal.
Aqui ficam as respostas!



É verdade que os miúdos hoje em dia dão menos valor às coisas?

Sim, é verdade! Vivemos numa sociedade muito consumista e é muito difícil dar-se valor às coisas quando em nossa casa existe abundância.

Lembro-me da história de uma avó cujo neto tinha uma adoração por um carrinho de madeira azul. Nunca largava aquele carrinho, era uma loucura. A avó, na melhor das suas intenções foi comprar um conjunto de outros carrinhos de madeira. Uma semana depois, a criança não brincava com mais nenhum carrinho. Ela gostava daquele. A resposta ao presente foi muito clara: ela não precisava de mais nenhum carrinho.

Não é possível darmos valor quando à nossa volta não há espaço nem tempo para se dar valor. É preciso criar-se espaço para o essencial.


Porque é que quanto mais têm menos satisfeitos estão?

Justamente por causa disso - pelo facto de haver muita coisa, não temos como apreciar tudo o resto porque há demasiada informação à nossa volta.

Quando temos o essencial conseguimos olhar para aquilo que realmente é importante.


Podemos dizer aos miúdos que há miúdos que têm menos que eles mas mesmo assim eles não estão satisfeitos. Como é que os convencemos?
Não sei se os chegamos a convencer. O que está a faltar, da nossa parte talvez seja o seguinte. Perceber se eles querem mesmo essas coisas todas ou se gostam muito daquilo que nos estão a mostrar e querem apenas partilhar connosco. Não é porque eu estou a ver um catálogo de roupa ou de decoração ou de outra coisa qualquer que vou querer todas as coisas. Há coisas de que gosto muito, outras que gostaria de ter mas que sei não posso ou, na verdade, nem quero, e outras que preciso mesmo e quero. Por isso é importante que possamos saber o que é que os miúdos nos estão a dizer. E é muito simples descobrirmos se pararmos e nos interessarmos pelas coisas que eles nos estão a dizer e a mostrar. Por vezes basta sentarmo-nos com eles a ver os catálogos, basta pegarmos na embalagem ou, se for possível, deixarmos brincar um pouco com esse brinquedo para eles ficarem satisfeitos e passarem a outra coisa. Na maior parte das vezes não é preciso mesmo mais nada.

Quando, mesmo assim, eles continuam a querer alguma coisa que não podemos dar, é necessário dizer-lhes isso, tranquilamente

‘Eu sei que gostavas muito de levar isto mas não vai ser possível. Agora precisamos de vir. Nos mais pequenos podemos dar a hipótese de ‘Vens aos saltinhos ou no colo da mãe’, nos maiores, dando uma tarefa ou apenas esticando a mão.

Têm o direito de ficarem chateados por não terem o que querem e nós não temos de os ir salvar ou dar outras coisas em troca. É um processo deles.


Existe alguma fórmula milagrosa para ensinarmos os miúdos a darem mais valor às coisas?

Mágica, não. Existe aquilo que nós fazemos todos os dias - não correr a tudo o que é promoção, dar valor ao que temos de formas simples como dar valor a uma refeição bem feita, ao calor que está em casa, ao facto de estarmos todos reunidos e bem. Repararmos que é mais fácil arrumar os brinquedos quando não há tantos brinquedos à disposição. Repararmos que os miúdos, muitas vezes, dão muito mais valor a brinquedos básicos como as plasticinas e os papeis para desenharem.

E depois devemos ensinar-lhes a dar valor, promovendo isto mesmo em nossa casa através do caderno da gratidão ou da gratidão num frasquinho.

É verdade que é uma ideia americana mas aos poucos, vou criando o hábito de dar graças pelo que temos, no final do dia.

Porque é que isto é maravilhoso?

1: Porque partilha o que de fantástico teve nesse(s) dia(s) - e ao partilhar está também a aumentar a minha felicidade e a dela, pelo prazer da partilha!

2: Está a sublinhar o que de facto tem valor para a criança;

3: Foca-se no bom e deixa o menos bom de lado - sim, este é o objectivo - é a gratidão e por isso são apenas coisas boas. As más deixa-as para outro momento.

4: Adormece com fé e esperança no dia de amanhã e sinceramente não há sentimento mais forte de segurança que este.


Estamos no Natal e falamos em prendas e coisas - mas o Natal é mais que isso. Do que nos andamos a esquecer?

Andamos a esquecer-nos que o Natal é mais do que dar coisas. Eu sei que há pessoas que adoram dar e têm, realmente, prazer em comprar ou fazer as coisas e dar. E depois há outras que reclamam e não gostam do Natal porque é só consumismo e que não desejam tudo isto mas não se autorizam a fazer como realmente gostariam. Mas a verdade é que podem dar de outra forma e incentivar este dar aos outros. Promovendo um encontro entre amigos e dar do seu tempo para estar com os outros. Ligar aos amigos a desejar feliz natal ou simplesmente, a saber como o outro vai. A libertar-se da questão as prendas dizendo que não quer e que também escolheu concentrar-se no que é essencial. Se isto é realmente importante para nós e para a nossa família, então temos de fazer acontecer.

Confesso que é bom chegar a casa das ceias de natal a que vou sem ter coisinhas para arrumar e guardar.


O seu filho já escreveu a carta ao Pai Natal? Fez pedidos que o Pai Natal não pode dar? Como vai gerir isso?


Há três formas de gerir isto:

Não dizendo nada e deixando o pai Natal decidir. Algumas vezes eles pedem tantas coisas que não se lembrarão mais do que escreveram.

Dizer que aposto que o Pai Natal ia adorar trazer-te esse presente mas talvez seja muito caro - vamos ver o que é que ele trará mas podemos dar-lhe uma alternativa caso ele não possa trazer isso, que dizes? Mais vale prevenir e colocar isso na carta.

Finalmente, se for algo que nos pareça descabido dizermos que não estamos de acordo que ele peça isso ao Pai Natal. Não permitimos esse tipo de brinquedos em casa e por isso não vale a pena pedir. E fechamos a conversa.

Carta à minha filha

2.10.15
A C&A lançou esta campanha extraordinária, neste regresso às aulas. E, no outro dia, enviou-me um email a lançar-me um desafio talvez ainda maior que escrever um livro - escrever uma carta à minha filha e lê-la.
Quando comecei a escrever, percebi que tinha de fazer algo mais que uma simples carta - tinha de criar um objecto com o qual ela se identificasse e que pudesse guardar, juntamente com a carta.

Nasceu o 'cocas' ou o 'quantos queres - 8 símbolos para 8 pontos que desejo que ela se lembre ao longo da vida escolar.

Já lhe li a carta - e ela escutou-a com atenção... e, no final, agarrou no cocas e disse-me: agora é a tua vez de me dizeres quantos queres. E, a cada número, também ela me dedicou aquelas palavras - porque fazem sempre muito sentido!

Partilho contigo a carta que lhe li ontem à tarde. Desafio-te a fazer o mesmo. Há coisas que têm um enorme valor. Esta é uma delas!



Meu amor,

É verdade que recebes com alguma regularidade postais e cartas. E é verdade que, de vez em quando deixo-te notas com desenhos ou mini-mensagens. Mas nada se compara a este momento - esta é uma carta que te vou ler - não vai seguir pelo correio nem tão pouco tem selo. Vou entregá-la em mãos. Nas tuas mãos. E com este ‘cocas’.

Não saberia dar um nome a esta carta, e isso pouco importa. Escrevo-te para te falar de coisas que já conversamos anteriormente mas, porque as considero importantes, merecem uma pausa, uma dedicação maior. Guarda esta carta e, sempre que precisares e quiseres, podemos relê-la juntas ou poderás brincar ao ‘quantos queres’. Ou poderás lê-la só tu. You’e the boss!

Há uma parte em mim que deseja que gostes tanto da escola quanto eu gostei. Sei que com a tua sensibilidade e curiosidade farás grandes aprendizagens. Sabes, a escola acompanha-nos ao longo do crescimento. Na escola aprendemos uma série de competências que nos vão ajudar a ser adultos autónomos, independentes e felizes. Mas a escola tem também a possibilidade de nos aguçar a curiosidade e de nos permitir viver experiências que nos ajudarão a decidir quem desejamos ser. Sim, porque todas as crianças têm em si todas as possibilidades do mundo. Tu és quem quiseres ser.

Escolhe um número:

Continua a ser curiosa
É a tua vontade em querer saber mais que te levará mais longe. E é também a curiosidade natural dos espíritos livres que te ajudarão a manter o encanto pela vida.

2. Guarda a tua joie de vivre
A joie de vivre nasce no teu coração e nasce da forma como tu vives e sentes as tuas experiências. Não deixes que ninguém tire a capacidade que tens em estares continuamente encantada e feliz pelas pequenas coisas que te acontecem. Isso é mágico!

3. És única!
À medida que vamos crescendo e fazendo amigos, identificamo-nos mais com uns do que com outros. E isso é normal. É normal querer ser igual, fazer as mesmas coisas, dizer as mesmas tontices. E também é normal quando isso não acontece porque somos todos… únicos! Lembra-te disso. Quando te sentes autêntica e verdadeira sabes que isso é o certo e o justo. Não tens de querer ser igual…

4. Confia em ti e também em nós
Lembras-te daquela vez que achavas que não ias conseguir tocar os acordes da música do Frozen? Lembras-te que te apetecia desistir e mandar tudo para o espaço? E lembras-te que o papa viu que não só eras capaz como percebeu que até tens jeito? Foi por isso que não deixamos que desistisses (esse também é o nosso papel) e hoje consegues tocar a música quase toda do início ao fim, com entusiasmo e satisfação. E essa sensação é impagável e o mérito é só teu! Eu vi na tua cara essa alegria e também vi na forma como abraças as cordas da tua guitarra.
Confia em ti e acredita que a determinação e o treino valem mesmo a pena. E tu já sabes disso!

5. O objectivo não é a meta. A meta é o caminho.
Mais do que tirares boas notas, o importante é que te saiba bem aprender. Que saibas relacionar as matérias, perceber o seu interesse e como é que as podes usar no teu dia-a-dia. Porque, na verdade, é para isso que existe a escola - para preparar todas as crianças, ensinando-lhes competências e relacionando-as entre si. Quando sabes fazer isso, o resto vem.



6. Não minimizes os teus sucessos nem aumentes as tuas derrotas
Se conquistaste algo e estás orgulhosa de ti, celebra! Tu é que tens de estar satisfeita e sentir orgulho em ti - eu sentirei sempre - não tens nada a provar-me. E quando as coisas correrem menos bem, descansa. O teu porto seguro estará sempre no mesmo lugar para te mimar, reconfortar e te ajudar a levantar. Ah! E nunca aceites que te digam que não és capaz, que não é para ti ou outras tontices do género. Como te disse antes, todos nós temos todas as possibilidades do mundo. Confia.

7. Nunca tenhas medo de fazer perguntas. As pessoas que mais perguntam são as que mais alcançam o que desejam. São as que não se conformam com as respostas e procuram outras soluções. 
A escola é um lugar onde vais aprender muito sobre a vida. Sobre o que é justo e injusto. É uma preparação para a vida. E é assim que deve ser. Por isso, continua curiosa e pergunta!

8.Escolhe os teus amigos com sabedoria - escolhe aqueles que te fazem sentir bem, que são generosos e gentis. Quando temos bons amigos, a vida torna-se mais doce e fácil. Lembra-te sempre que há amizades que são para a vida e outras que não. Não tem mal nenhum - é mesmo assim.


Da tua mãe, que te adora,

Magda



ESPECIAL REGRESSO ÀS AULAS | COMO ENSINAR RESPEITO E CUIDADO PELA NATUREZA, AOS MIÚDOS

29.8.14

Durante estas férias, estivemos num sítio com imensas árvores diferentes. Admito que conheço e não sei bem identificar as árvores. Sei que são árvores mas quais... E chegar lá pelo tipo de folha, então isso é que nunca mais!E por isso acho extraordinário quem saiba.

Durante estas férias fomos apanhando as folhas mais bonitas e todas foram colocadas dentro dos livros que levámos connosco. O objectivo? O objectivo era que pudessemos fazer um herbário quando chegássemos a casa.




Depois, lembrei-me que o método Montessori tem por princípio a aprendizagem com base no ambiente :) e, sem ter feito com essa intenção, olhei para esta actividade com ainda mais interesse.

Na verdade, se um dos nossos valores é o respeito pela natureza e pelo mundo, então que possamos viver mais a natureza e aprender mais sobre ela. E fazer um herbário parece-me uma excelente ideia!

Quando começámos a preparar as coisas, reparámos que não tínhamos uma capa adequada. Eu tenho alguns dossiers normais de trabalho, mas nenhum deles parecia adequado a isto. Então peguei na ideia da Olga que há uns tempos fez um caderno do tipo para a filha, e criámos a nossa capa.

De régua, canetas, cola e tesouras em punho, lá começamos a preparar as nossas coisas.




Foi por isso que fiquei muito feliz quando, neste regresso às aulas, a Maped me contactou a dizer que tem 3 kits para oferecer aos leitores do blogue.

Os kits são constituídos por:

1 Esquadro de 21 cm 60º
1 Régua Essentials de 15cm
1 Transferidor flexível The Original Twist'n Flex de 10cm
1 conjunto de 2 Canetas de feltro Graph'Peps, de ponta fina (azuis)

O que é que tens de fazer para ganhar?
Preencheres os dados abaixo e aguardares pelo sorteio daqui a uma semana - dia 5 de Setembro
[concurso para Portugal Continental e Ilhas]

Quando nos sentimos especiais...

21.7.14
Sinto que somos especiais quando partilhamos coisas que gostamos com os nossos filhos. 
E este walkman é um desses exemplos. Ha uns 17 anos que ja nao gravavamos k7. Mas ainda bem que mantivemos o hi-fi da altura porque, mais de 20 anos depois, pusemos a fita magnetica a bombar. Os heaphones sao os meus, do mais moderno que ha! De resto, tudo eighties!!
E é ve-la toda feliz, a ouvir música na dela, com o walkman preso a cinta. E é ver-nos felizes por termos sabido esperar e termos guardado o walkman. É que nao so partilhamos o objecto, como a nossa juventude e o gosto pela boa música. O bonus de tudo? Ela esta a adorar!!!



Hoje é assim # 48

8.3.12
'Assegurar que uma criança internaliza os nossos valores não é a mesma coisa que ajudá-la a desenvolver os seus próprios valores. E estará muito longe de ser una criança que pensa de forma independente.'

Alfie Kohn

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