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Quando eles têm capacidade mas não chegam lá - Gestão do stress, das emoções e organização do trabalho na escola

6.4.17


A ideia é pioneira e simples: ajudar os alunos a lidarem com o stress, com as emoções e a organizarem o seu trabalho.

O Liceu Francês percebeu que os seus alunos tinham mais capacidade do que aquela que revelavam e que o stress e alguma desorganização pareciam estar a impedir que mostrassem tudo aquilo que tinham aprendido, nomeadamente na hora H - na dos exames e orais.

É verdade que nesta escola os professores são próximos dos alunos, a direcção da escola está sempre por perto mas o provérbio diz 'santos da casa não fazem milagres' - e neste caso uma intervenção de alguém que não é da escola e que não 'dá notas' revelou-se positiva.

Gerir o stress, as emoções e aprender técnicas para organizar e otimizar o trabalho não são competências que se possam apenas aprender na idade adulta, numa formação interna da empresa para quem trabalhamos. São ferramentas determinantes que podem fazer toda a diferença não só nos resultados escolares e académicos mas também nas relações com os pais, com os amigos e com os namorados e até no tipo de escolhas que fazemos.

Um ano depois deste projeto acontecer, os resultados ainda mantêm-se e saltam à vista. O Lancelot frisou que tudo o que aprendeu neste programa lhe foi ainda mais útil depois de ter terminado os estudos do secundário. Está agora no 1º ano [são 2!!]  de preparação para a entrada numa das mais importantes faculdades, em França, e sente que é fundamental equilibrar todas as diferentes esferas da sua vida, gerindo a enorme pressão e responsabilidade que tem. E parece estar a fazê-lo com alguma sabedoria. O Bernardo, que também concluiu o 12º ano em 2016, está a preparar a entrada numa outra faculdade em Paris. Tem pela frente 2 anos muito exigentes e só depois saberá se entrou ou não na faculdade que deseja. O Bernardo conseguiu entender e gerir a sua procrastinação da forma mais eficiente e tirou partido desta gestão do tempo. A Carmo, aluna de medicina no ICBAS sublinhou a importância geral do programa na vida académica e pessoal.

Este programa, todo em língua francesa, foi desenhado para dar resposta às necessidades dos alunos do liceu. Tem a duração de 4 semanas e, na primeira sessão, fez-se um levantamento do 'estado da nação'. No final desta primeira sessão garanto que os alunos levam já com ele estratégias práticas e com resultados imediatos - o meu objectivo é que possam verificar o que têm a ganhar. É verdade que o primeiro sentimento foi, em alguns casos, de apreensão; afinal de contas os alunos já têm tão pouco tempo, como é que vamos convencê-los a darem mais uma hora da sua semana? Mas a verdade é sairam positivamente surpreendidos no final da primeira sessão e pudemos criar uma relação de grande confiança - só assim era possível levar a cabo tantas pequenas transformações de elevado impacto.


Lancelot Didillion, aluno do Lycée Stanislas classe prépa HEC, Carmo Bragança, aluna de medicina no ICBAS, Bernardo Picão, aluno do Lycée Louis Le Grand, classe prépa scientifique


Começámos com o 12º ano e, no final do programa todos concordaram que o que deveria ser diferente era ter-se começado um ano antes, no 11º ano, no sentido de se otimizar os resultados. E foi isso mesmo que fizemos.

Depois de verificar os resultados, o Liceu Francês deciciu ir mais longe e realizamos, de seguida, uma  primeira intervenção ao nível dos profissionais [professores e educadores], levando a educação positiva a esta escola que, mais do que uma escola, se projeta claramente no futuro dos alunos. A formação dos alunos e dos profissionais é para continuar porque acreditamos que só a sua continuidade é que dará resultados mais duradouros.

Lancelot Didillion, Paulo Fernandes [Diretor-adjunto do licéu), Carmo Bragança, eu e Bernardo Picão




Podes ver o programa aqui: Praça - RTP



Relação dos filhos com pais emigrados | A Praça | RTP 19 de Julho 2016

22.7.16
Há cada vez mais famílias que estão separadas porque um dos membros do casal está fora do país a trabalhar.

Neste programa, a Isabel e o Nuno explicam-nos como é que se aguentam as saudades e como é que se mantém a relação amorosa em alta e a proximidade com a filha... todos os dias!

É um testemunho fantástico e inspirador que vale a pena ver.

Link aqui

Que direitos têm os filhos no uso da Internet? E a privacidade? A Praça | RTP 4 de Julho 2016

8.7.16



Este pai observou que a Internet estava a promover o isolamento da filha, estava a fazer com que estudasse menos e não participasse nas tarefas domésticas.
O pai soube comunicar com a filha usando o melhor canal! - mostrou que é um homem inteligente.

A medida parece ter sido muito positiva, uma vez que a filha respondeu de forma rápida e a forma como o fez - usando o mesmo canal - parece ter sido bem aceite.






Mas afinal de quem é a Internet? Os pais têm o direito de impôr estas regras?
A Internet é um privilégio - quer para pais como para filhos e, como tal, o seu uso pode obedecer a regras. As regras devem ser colocadas pelos pais e, dependendo da idade e da maturidade da criança, até podem ser negociadas. Quando não se cumprem as regras de bom uso, pode haver a privação ou a limitação do seu uso, sem qualquer problema. E quais podem ser estas regras? Só usar a internet x horas por dia ou apenas depois de se ter feito A e B (trabalhos de casa, estudar, rotinas domesticas, etc).

É evidente que os pais têm de dar o exemplo, caso contrário não faz sentido nenhum as regras que se impõem quando o objetivo é a família ter mais qualidade nas relações - e estarem menos isolados, por exemplo.

E estas questões levam-nos a outro ponto - a questão da privacidade online. Temos o direito, enquanto pais, de supervisionar a vida online dos nossos filhos?

Esta questão é delicada e por isso eu dou a minha opinião pessoal. Quando deixo os meus filhos irem ao cinema, eu sei que vão ver um filme apropriado para a idade. Quando os deixo na escola, sei onde vão estar. É natural - e é o meu dever - saber o que eles fazem. O meu objetivo é a protecção e o acompanhamento. A Internet tem coisas muito boas - permite-nos receber notificações, falar com pessoas que estão no Brasil - e também tem outras coisas que não são nada interessantes nem positivas. Regrar, verificar e acompanhar por onde andam os meus filhos - tenham eles 11 ou 17 anos é a minha obrigação. Por isso há uma coisa que se chama a ética online e que pode muito bem fazer parte das regras de uso da tecnologia. Insultar alguém nas redes sociais, visitar sites que promovem violência e que vão contra os nossos valores podem dar a permissão aos pais de retirarem o uso da tecnologia. É importante que isto seja dito de forma muito clara quando damos a senha do wifi aos miúdos ou permitimos que estejam com o nosso tablet, por exemplo. Não é um castigo, mas eu não deixaria que o meu filho insultasse alguém na rua - tal como não posso deixar que o faça online. Também não o deixaria ir a um lugar onde se promove violência - e também não deixo online.

A melhor forma de acompanhar é participando e sendo uma audiência invisível. Somos amigos, estamos em redes sociais mas eu não comento quase nada - e o filho vai pensar que nunca lá vou. Mas vou.

Por outro lado, e como o uso da Internet é um privilégio, ou os devices não têm senhas ou as senhas são conhecidas da família. E isto não é negociável.

O objetivo não é verificar sempre e a todos os momentos - o objetivo é ganhar confiança e responsabilidade.

Como é que fazes aí em casa? 

Que direitos têm os filhos no uso da Internet? E a privacidade? A Praça | RTP 4 de Julho 2016

8.7.16



Este pai observou que a Internet estava a promover o isolamento da filha, estava a fazer com que estudasse menos e não participasse nas tarefas domésticas.
O pai soube comunicar com a filha usando o melhor canal! - mostrou que é um homem inteligente.

A medida parece ter sido muito positiva, uma vez que a filha respondeu de forma rápida e a forma como o fez - usando o mesmo canal - parece ter sido bem aceite.






Mas afinal de quem é a Internet? Os pais têm o direito de impôr estas regras?
A Internet é um privilégio - quer para pais como para filhos e, como tal, o seu uso pode obedecer a regras. As regras devem ser colocadas pelos pais e, dependendo da idade e da maturidade da criança, até podem ser negociadas. Quando não se cumprem as regras de bom uso, pode haver a privação ou a limitação do seu uso, sem qualquer problema. E quais podem ser estas regras? Só usar a internet x horas por dia ou apenas depois de se ter feito A e B (trabalhos de casa, estudar, rotinas domesticas, etc).

É evidente que os pais têm de dar o exemplo, caso contrário não faz sentido nenhum as regras que se impõem quando o objetivo é a família ter mais qualidade nas relações - e estarem menos isolados, por exemplo.

E estas questões levam-nos a outro ponto - a questão da privacidade online. Temos o direito, enquanto pais, de supervisionar a vida online dos nossos filhos?

Esta questão é delicada e por isso eu dou a minha opinião pessoal. Quando deixo os meus filhos irem ao cinema, eu sei que vão ver um filme apropriado para a idade. Quando os deixo na escola, sei onde vão estar. É natural - e é o meu dever - saber o que eles fazem. O meu objetivo é a protecção e o acompanhamento. A Internet tem coisas muito boas - permite-nos receber notificações, falar com pessoas que estão no Brasil - e também tem outras coisas que não são nada interessantes nem positivas. Regrar, verificar e acompanhar por onde andam os meus filhos - tenham eles 11 ou 17 anos é a minha obrigação. Por isso há uma coisa que se chama a ética online e que pode muito bem fazer parte das regras de uso da tecnologia. Insultar alguém nas redes sociais, visitar sites que promovem violência e que vão contra os nossos valores podem dar a permissão aos pais de retirarem o uso da tecnologia. É importante que isto seja dito de forma muito clara quando damos a senha do wifi aos miúdos ou permitimos que estejam com o nosso tablet, por exemplo. Não é um castigo, mas eu não deixaria que o meu filho insultasse alguém na rua - tal como não posso deixar que o faça online. Também não o deixaria ir a um lugar onde se promove violência - e também não deixo online.

A melhor forma de acompanhar é participando e sendo uma audiência invisível. Somos amigos, estamos em redes sociais mas eu não comento quase nada - e o filho vai pensar que nunca lá vou. Mas vou.

Por outro lado, e como o uso da Internet é um privilégio, ou os devices não têm senhas ou as senhas são conhecidas da família. E isto não é negociável.

O objetivo não é verificar sempre e a todos os momentos - o objetivo é ganhar confiança e responsabilidade.

Como é que fazes aí em casa? 

Descansar nas férias? E férias em segurança? A Praça | RTP 21 de Junho 2016

24.6.16





As férias nem sempre são sinónimo de descanso. Ainda assim, como é que podemos garantir que descansamos?

Há duas formas de termos descanso: ou ter alguém que trate e se ocupe das crianças. Quando isso não é possível, então o nosso melhor aliado são as rotinas, mesmo em férias?

Porquê? Porque sabemos todos com o que contar e não ‘inventamos’ tanto. Saber que de manhã vamos para a praia e que almoçamos em casa para que o mais pequeno possa fazer a sesta dá-nos a possibilidade de antecipar, partilhar as rotinas e conseguir melhor a cooperação dos miúdos. As atividades podem ser diferentes todos os dias mas a coerência da rotina é o que nos dá segurança e nos permite descansar ou, pelo menos, não estar sempre em estado de alerta permanente - uma coisa é atenção e outra é alerta.



O que é que os pais devem ter sempre com eles, numa mochila, de prevenção?


Apenas o básico. No verão: protector solar, toalhitas, anti-nódoas negras, paracetamol, água e borrifador. Canetas, papel e um jogo fácil para toda a família.


Quais são as medidas preventivas que os pais devem ter em atenção?

Ensinar o nome dos pais e os numeros de telefone
Quando chegam a um local mostrar onde é que é o ponto de encontro caso se percam
Ensinar os filhos a procurarem ajuda quando se perdem: pedir que se dirijam a uma mãe ou a um segurança e que lhes digam que estão perdidos. Toda a gente ajuda. E treinar, claro.
Aderirem ao programa Estou Aqui, da PSP.
Ensinar uma palavra passe - se alguém disser que foi a mãe e o pai que te mandou vir buscar, pede-lhe a palavra passe. Se a pessoa não souber, não vás.



LINK AQUI



Numa praia ou numa piscina ou até num espaço cheio de pessoas, o que é que os pais devem saber?
Devem ensinar à criança que nunca entram na água sem terem um adulto com eles e sempre com braçadeiras, caso ainda não saibam nadar.

Deverão colocar nr. telefone dos pais escrito no braço ou numa peça de roupa, por exemplo, caso a criança ainda não o saiba.

Devem ensinar a criança a pedir ajuda no caso de se perderem.

No caso da criança se perder é normal que a criança caminhe contra o sol porque este é intenso - e então deverão ir nessa direção.

Finalmente, e em termos de roupa, o ideal é colocarem um chapéu cheio de cor ou uma roupa com cor intensa para os conseguirem ver ao longe.

Descansar nas férias? E férias em segurança? A Praça | RTP 21 de Junho 2016

24.6.16





As férias nem sempre são sinónimo de descanso. Ainda assim, como é que podemos garantir que descansamos?

Há duas formas de termos descanso: ou ter alguém que trate e se ocupe das crianças. Quando isso não é possível, então o nosso melhor aliado são as rotinas, mesmo em férias?

Porquê? Porque sabemos todos com o que contar e não ‘inventamos’ tanto. Saber que de manhã vamos para a praia e que almoçamos em casa para que o mais pequeno possa fazer a sesta dá-nos a possibilidade de antecipar, partilhar as rotinas e conseguir melhor a cooperação dos miúdos. As atividades podem ser diferentes todos os dias mas a coerência da rotina é o que nos dá segurança e nos permite descansar ou, pelo menos, não estar sempre em estado de alerta permanente - uma coisa é atenção e outra é alerta.



O que é que os pais devem ter sempre com eles, numa mochila, de prevenção?


Apenas o básico. No verão: protector solar, toalhitas, anti-nódoas negras, paracetamol, água e borrifador. Canetas, papel e um jogo fácil para toda a família.


Quais são as medidas preventivas que os pais devem ter em atenção?

Ensinar o nome dos pais e os numeros de telefone
Quando chegam a um local mostrar onde é que é o ponto de encontro caso se percam
Ensinar os filhos a procurarem ajuda quando se perdem: pedir que se dirijam a uma mãe ou a um segurança e que lhes digam que estão perdidos. Toda a gente ajuda. E treinar, claro.
Aderirem ao programa Estou Aqui, da PSP.
Ensinar uma palavra passe - se alguém disser que foi a mãe e o pai que te mandou vir buscar, pede-lhe a palavra passe. Se a pessoa não souber, não vás.



LINK AQUI



Numa praia ou numa piscina ou até num espaço cheio de pessoas, o que é que os pais devem saber?
Devem ensinar à criança que nunca entram na água sem terem um adulto com eles e sempre com braçadeiras, caso ainda não saibam nadar.

Deverão colocar nr. telefone dos pais escrito no braço ou numa peça de roupa, por exemplo, caso a criança ainda não o saiba.

Devem ensinar a criança a pedir ajuda no caso de se perderem.

No caso da criança se perder é normal que a criança caminhe contra o sol porque este é intenso - e então deverão ir nessa direção.

Finalmente, e em termos de roupa, o ideal é colocarem um chapéu cheio de cor ou uma roupa com cor intensa para os conseguirem ver ao longe.

Épocas de exames | | A Praça | RTP 14 Junho 2016

15.6.16




Os exames nacionais são um momento em que se prestam contas ao que se aprendeu e onde se avaliam alunos, professores, instituições e sistema. O tema de hoje tem a ver com o que é que podemos fazer para ajudar as famílias a passarem por esta fase com menos stress, ansiedade e angústia.


1. Porque é que este é um momento de stress para as famílias (e também para as escolas)?

Quando somos avaliados, quer queiramos quer não, o nosso valor é sempre posto à prova.Por outro lado, ter boa nota significa avançar ou ficar retido, o que ainda eleva mais a fasquia. Os pais, que não querem que os filhos falhem, e os professores que querem ver os miúdos terem boas notas, colocam pressão e, por vezes, da pior forma.

Finalmente, a ‘normalização’ das provas nacionais faz com que as mesmas se tornem mais comuns e habituais mas isso não lhes retira o stress de serem de avaliação, com tudo o que isso traz consigo.


2. Como é que os alunos e os pais se podem preparar para as provas? Qual é o maior inimigo?

Por incrível que pareça, o maior inimigo é a falta de concentração. Também me quer parecer que os programas podem não ser sempre os mais adequados.

Numa sessão de coaching recente com um aluno do 11º ano, ele dizia-me que não conseguia estudar sem ter o youtube ligado. Perguntei-lhe quem é que lhe disse isso. Ele respondeu ‘a sério, não dá’. Expliquei-lhe a razão pela qual ele iria querer desligar tudo e ele aceitou.



Como treinar a concentração?


Desligar tudo o que é tecnologia e distrações
Sejam os telemóveis, iPads, televisões. A única coisa que pode ser permitida é música relaxante. Porquê? Porque o multitasking não é algo que se consiga de forma contínua, com bons resultados, sobretudo numa ação que envolve compreensão e memorização.


2. Limpar a secretária - deve ficar vazia
Esta é das técnicas que mais resultados dão - uma mesa limpa, apenas com os cadernos ligados à especificidade daquele matéria.


3. Estudar como se fosse dar uma aula
Mais do que saber de cor, devemos saber explicar o que aprendemos. A melhor forma de lá chegarmos é imaginarmos que vamos dar uma aula e que temos de explicar aquilo tudo.


3. O que é que os pais devem fazer?
Os pais devem ajudar os filhos a estudarem nos momentos de estudo, sobretudo os mais pequenos que estão a adquirir métodos de estudo. Depois, deverão organizar outras atividades que nada tenham a ver com o estudo. E isto faz ainda mais sentido quando eles são pequenos. Porquê? Porque com a vontade de sair irão - em princípio - treinar a concentração no estudo para depois puderem fazer algo que gostam muito.

Nos maiores, os pais devem zelar para que esses momentos possam acontecer, convidando a uma pausa, fazendo um lanche ou saindo para passear, por exemplo.

À noite, deverão incentivá-los a deitarem-se cedo. A higiene de vida é um dos grandes segredos para a calma.




4. Devemos ensinar técnicas de relaxamento?
Devemos sobretudo falar e partilhar da nossa própria experiência, sobretudo com os mais pequenos?

‘Sabes, uma vez estava tão nervosa, tão nervosa que me deu para chorar baixinho. Ninguém deu conta e eu comecei a respirar fundo (assim, vês como se faz) muitas vezes, até me acalmar. Foi isso que me ajudou. E depois quando li as perguntas, não conseguia perceber. Então li uma das perguntas muitas vezes e afinal eu sabia. Só tinha de relaxar. E fiz o teste e passei.’

Eles percebem que estas coisas acontecem a toda a gente, que são comuns e que há formas de se sair dali.


5. Devemos dar prendas/recompensas às crianças por fazerem o seu trabalho?
Temos sempre muito receio que os miúdos não queiram fazer alguma coisa e que precisem sempre de alguma bengala para quererem fazê-lo.

A verdade é que essas recompensas (como os quadros e por aí fora) não têm nada de vantajoso para as crianças nem para os adultos envolvidos. E se numa primeira fase pode funcionar e ser visto como um grande incentivo, a verdade é que desresponsabiliza a criança e lhe retira a vontade inata.
Todas as crianças gostam de aprender - depende de quem ensina e de como ensina. Por outro lado, é muito mais saudável manter-se as rotinas
Quando acabares de estudar matemática podemos ir para a praia - ouvi dizer que vão estar umas ondas bem boas no final do dia.
Assim que essa parte da matéria estiver revista, vamos dar um passeio de bicicleta até ao farol e paramos para comer um gelado?


Estas atividades que se seguem são a verdadeira recompensa e dependem da responsabilidade da criança em fazer o que tem de fazer. São certamente rotinas que já existiam anteriormente, são uma forma da criança relaxar e ter uma boa experiência com os pais também. E sim, podem ser mantidas em qualquer idade.

Como é que se educa para a felicidade? | A Praça | RTP 31 Maio 2016

1.6.16




A felicidade herda-se?
Sim, há autores que defendem que a felicidade se herda. Na verdade, e ao que parece, herdamos 50% de propensão para sermos felizes. 10% tem a ver com a sorte (de herdarmos esses 50%, do sítio onde nascemos, etc) e 40% é atividade intencional, o que quer dizer que temos livre-arbítrio para decidirmos quem queremos ser e como é que queremos ser, apenas se trabalharmos essa transformação em nós.


Como é que pais que não são felizes podem / conseguem ensinar / ajudar os filhos a serem felizes?

Talvez seja uma das coisas mais difíceis de fazer, porque implica muita força de vontade, transformação e dor e que é deixar os padrões de comportamento antigos de lado. Mas talvez seja isso que nós devemos aos nossos filhos: a objetividade de tratarmos da nossa felicidade, de forma séria. Esse é o nosso maior dever para com a nossa família. É ingrato dizer que não fiz isto por causa dos miúdos ou que adiei algo por causa deles. Isso significa apenas que não se teve a coragem de o fazer ou se tomou essa decisão. As crianças, na maior parte das vezes não foram tidas nem achadas nessa decisão. A felicidade é por isso um ato de coragem e nunca, nunca, de egoísmo. Na verdade, deveria estar na constituição a obrigatoriedade de cada um tratar da sua própria felicidade. Quando já não o sabemos fazer isso pode tornar-se perigoso para todas as relações. Portanto, a melhor forma que temos de ensinar aos nossos filhos acerca de felicidade é colocando a nossa à frente. Pais Felizes = Filhos felizes.


Há pais que fazem tudo pelos filhos, dando-lhes tudo. Devemos dar tudo, tudo permitir? É assim que se faz felicidade?
A felicidade não está nas coisas e sim no valor que damos a essas coisas. Tudo permitir e tudo dar apenas retira a nossa capacidade em dar valor a tudo isso. Por isso a minha resposta é clara e penso que de bom senso. Não devemos dar tudo, não devemos remediar tudo.

Imaginemos que o seu filho parte a caneca favorita do pequeno almoço dele ou perde a carteira onde guardava os cromos para trocar. Ou ainda que não conseguiu chegar a tempo de comprar o bilhete para ir ao cinema com os amigos. Eu não preciso de o salvar ou remediar a situação. Não preciso de ir comprar a caneca ou mais uma carteira de cromos nem preciso de procurar arranjar alternativas àquela saídaa que ele ia ter nem sequer consolá-lo dizendo ‘deixa lá’. Preciso apenas de acolher os sentimentos dele em relação àquela experiência e deixá-lo encontrar as estratégias internas para ele próprio se salvar e confirmar o que de mais importante há e que é a certeza que ele sobrevive a tudo isto.


Qual deve ser o papel dos pais, quando ensinam felicidade?

Os pais não só modelam a felicidade - quando tratam da sua - como também criam experiências para se experimentar felicidade. E estas experiências são de duas formas - a forma como se aprende a ver o que se viveu, mesmo tendo sido aparentemente uma coisa má (quando por exemplo se retira aprendizagens); e o debate que é feito. E este debate prende-se com o pensamento, a reflexão, a atitude crítica e ponderada e que cada vez mais, infelizmente, se está a perder. Os pais e todos os adultos continuam a ser uma grande influência e não podem nunca recusar isto. Estou muito convencida que, no futuro, os miúdos mais felizes são aqueles que conseguiram esta atitude filosófica e de reflexão sobre os assuntos porque estarão a viver e não em cópia do que vêem nas redes sociais, por exemplo.

Aprender a brincar com as crianças A Praça | RTP 16 Fev 2016 | Programa #19

6.4.16

É a brincar que a criança aprende a comunicar, a experimentar e a conhecer o mundo e as suas dinâmicas. Agora que sabes disto, o que vais escolher? Brincar ou não brincar?

Brincar é divertido – vindo de mim é estranho [eu não gosto de brincar] – e eu confesso que tenho de me lembrar que é – é só começar a participar na brincadeira. Confia em mim – eu sei disso por experiência – mas sim, tenho mesmo de forçar-me.

Brincar aproxima as pessoas e é das melhores formas de criar vínculo. E o vínculo é determinante para a parte da autoridade e obediência porque ninguém obedece se não se sentir “lincado” ao outro. Ponto final. Parágrafo.

Brincar ao fazer de conta ajuda a criança a colocar-se em situações que ela deseja enfrentar e a lidar com os seus medos [ah pois é, já tinhas pensado nisto?]

Ao brincar estamos a aumentar o vínculo com o nosso filho e é o vínculo que lhe dá a sensação de segurança e previne algumas ansiedades.

Ao brincar ajudamos o nosso filho a sentir-se amado e é uma forma muito rápida e efetiva de responder às necessidade de pertença, segurança e afeto deles

A TV é para descansar o corpo e a cabeça. Brincar é uma coisa física, envolve cabeça e corpo. E não os coloca mais excitados – au contraire – quando eles ‘exorcizam’ as tensões todas é meio caminho andado para começarem a desacelerar…

Brincar faz rir e rir juntos é fundamental!

E brincar aos maus e a coisas mais agressivas? E com pistolas?

Quando os avós desautorizam e estragam... A Praça | RTP 16 Fev 2016 | Programa #17

1.3.16



























Quando falamos sobre avós, netos e famílias podemos cair nos clichés e nas generalizações quando, na verdade, é um tema cheio de excepções.

Quando coloquei no Facebook que ia falar sobre este tema, a maior parte das pessoas pediu que comentássemos ao nível dos conflitos, o que é natural porque quando está tudo bem, as questões não se colocam.

As questões prendem-se com o
E quando os avós desautorizam
E quando os avós estragam


Mas é preciso ver mais longe do que a simples desautorização ou estragar os miúdos. Peço-te que continues a ler o texto :)


Primeiro diz-se que os avós estragam os miúdos mas, na verdade, há um motivo bom para o fazerem porque os avós sabem destas coisas e têm mais experiência que os pais.

Os pais, sobretudo os de primeira viagem, e que nunca andaram nisto têm - e fazem muito bem - imensas ideias e ideologias e regras para os seus filhos. E tem mesmo de ser assim. Os avós, que já passaram por tudo isto sabem que, apesar das regras e das ideologias, tudo se cria e que, no final do dia, o que conta são as emoções e as experiências vividas. Os avós têm a sorte de terem a parte boa da equação e que é educar estar com os miúdos sem ter de colocar as regras e os limites - porque isso é a função dos pais. Isso é lá ‘com eles’.


Só que aqui é que entra uma parte que não foi ainda definida e que é : qual é o papel dos avós?

Guardar, cuidar, educar?

É diferente de família para família mas, em todas as famílias estes três pontos estão mais ou menos presentes. E um avô também está a educar, quer queira quer não porque é uma referência para os miúdos e a forma de fazer a sua vida é, já em si, uma forma de educar.

Então é preciso clarificar os papeis e expectativas. E não é nunca no calor do momento.

É importante explicar porque é que é importante a criança não comer doces antes do jantar - simplesmente porque depois não terá vontade de comer o que lhe puserem em cima da mesa. Ou porque tem uma intolerância.

E sim, é difícil dizer que não aos netos, sobretudo quando eles picam os miolos ou choram mas quando há boa vontade e vontade de conciliar, tudo se encaixa.

Uma avó não é uma mãe e é justo que os pais queiram traçar o caminho para os seus filhos. Os avós devem estar alinhados nesse compromisso de ajudarem os seus filhos e isso não é nunca uma tarefa fácil. A generation gap continua a existir.


Os avós também gostam de desautorizar
Primeiro é preciso saber que não o fazem por mal. Opinam muito mas é na maior das boas intenções. Aliás, o provérbio está certo quando diz que o inferno está cheio de boas intenções porque nem sempre elas acertam.

Os avós desautorizam porque insistem em verem os filhos como eternos filhos, os seus meninos e então sentem-se no direito de opinarem, mesmo que isso signifique contrariar o que se acabou de dizer.
Os avós desautorizam porque sentem que os netos são seus e logo também querem dizer de sua justiça.
Os avós sabem que as regras são importantes mas sabem que no fim, as coisas correm o risco de correrem bem.
Os avós desautorizam porque querem que os netos gostem muito deles e por isso é fazendo as vontades que lá se chega.


E os pais?
Os pais ficam aborrecidos e até furiosos com os seus próprios pais porque é muito desagradável ser-se desautorizado pelos pais e pelos filhos quando dizem que na casa dos avós é que é!

É um papel difícil estar no meio - porque supostamente não se diz mal dos avós e não se contrariam os pais mas depois é difícil gerir todos estes papeis e sentimentos.

E quem dita as regras?
Esta parece uma questão difícil mas voltamos à mesma questão... Identificar os papeis de cada um.
Quando está a avó, a avó orienta e faz o melhor que sabe e pode. No entanto, quando chegam os pais, e mesmo na presença dos avós e de outros familiares, quem manda (who's the boss?) são os pais. Este ponto tem de ficar claro para que se possam evitar conflitos e se caminhe para uma harmonia familiar.

Em 12 minutos é muito difícil explorar o tema porque isto joga com papeis atribuídos e dinamicas familiares. Mas deixando uma dica é muito interessante procurar qual é a boa intenção da pessoa - mesmo se isso seja a última coisa que consigamos ver.

Workshops da Parentalidade e Educação Positiva na Madeira - Infos aqui
Sexta-Feira, 13 de Maio
Educação Positiva : Como educar crianças forte e resilientes

Sábado, 14 de Maio
A Questão da Autoridade e da Obediência
A Auto-Estima da Criança


Alargamento do horário escolar: boa ideia? A Praça | RTP 16 Fev 2016 | Programa #17

25.2.16


À primeira vista, o alargamento do horário escolar parece ser uma medida benéfica para as famílias e para aqueles trabalhadores cujo horário de trabalho termina depois das 18h.
E também o é para todas as famílias que não têm rede de apoio. Falo daquelas situações de casais que vivem muito longe da família e que não têm qualquer rede de apoio. Ou daquelas situações em que de facto, e pontualmente, acontecem imprevistos e não é necessário dar a volta à cabeça e à lista de contactos para se pedir ajuda.

No entanto, para tudo o resto, acredito que a medida é francamente má e faz mal à saúde das famílias.

1. Queremos mesmo o alargamento?
Não acredito que a larga maioria dos pais queira ir buscar os filhos mais tarde à escola. Acredito antes que preferem ir buscar os filhos mais cedo, no horário em que a escola termina.
Alargar este horário terá um efeito perverso - quando se dá esta possibilidade, estamos a criar esta necessidade para quem não a tem e não faz uso dela. Ou evita. Passa a ser extremamente tentador deixar os miúdos em actividades extra-curriculares para se ir fazer as coisas que todos os pais têm de fazer. Os pais são sempre pessoas com muitos pendentes.
Por outro lado, se já existe a possibilidade de ir buscar os miúdos até às 19h00, porque motivo não se cria a possibilidade de ir buscá-los mais cedo, logo no final das aulas? 

2. Actividades extra-curriculares ou actividades para se ocupar o tempo?
Por outro lado, pergunto-me se as actividades extra curriculares beneficiam todos ou se, nesta possibilidade de deixar os miúdos estarem até às 19h30 na escola (19h30!!!!!!) não serão mais actividades para ocupar o tempo.

3. Crianças de betão
Há uns meses escrevi para a plataforma Capazes, o texto Crianças de Betão. Como é que queremos ter futuros adultos responsáveis, que cresceram de forma equilibrada se lhes damos betão o dia todo? Como é que queremos que as crianças estejam em equílibrio se saem de casa às 8h00 da manhã, entram na escola e de lá voltem a sair às 19h30, de novo para casa? Como? É surreal!!!

4. Quem vai ser a fonte dos valores?
Ora a ideia é deixar a criança a ser guardada na escola e ter a oportunidade de fazer uma série de actividades extra curriculares. Certo.
Entretanto, com quem é que ela vai alinhar para aprender os valores, para ser corrigida e orientada? Com quem é que ela vai aprender sobre a vida?
Se tiver sorte, terá um adulto de referência que pode ser o professor ou animador de uma determinada actividade, à terça-feira à tarde. Se não tiver, vai alinhar com os amigos. E crianças de 8 anos sabem passar valores? Claro que não porque estão em construção e a aprendê-los, justamente.

5. É melhor ficarem na escola do que andarem de um lado para o outro?
Crianças até ao 9º ano saem da escola à vontade? Porque razão é que isto acontece? Não existe um sistema que regula essas saídas? Não existem portões de controlo?

6. Mas há quem tenha actividades extra-curriculares e se tornado campeão dessa actividade graças a elas
É verdade, sim senhora. Mas pergunto-me se essas actividades são dadas na escola ou se fora. Depois, pergunto-me se na maioria desses casos não estamos a falar de idades mais velhas. É até ao 9º ano que a criança precisa e deseja que os pais estejam próximos. Depois a história é bem diferente. E se o é já nesta altura estamos a falar de uma coisa que se chama excepção. Não é a regra.


7. Às 19h30 as crianças deveriam estar a prepararem-se para ir jantar
Sobretudo as que estão nesta faixa etária - até ao 9º ano.



8. Criar alternativas
Em vez de estarmos a promover e a criar a necessidade de se ir buscar os miúdos às 19h30, seria muito mais interessante promover a família criando a possibilidade de empregos a part-time para pais, avós e até tios. Porquê? Para se ir buscar os miúdos bem mais cedo!
O Estado faria bem em pensar nisto e atribuir vantagens para que as empresas passem a ter melhores condições de criar mais emprego - quando se contrata a part-time - e de flexibilizar o horário de trabalho (entrar mais cedo, horário almoço mais curto, sair mais cedo, teletrabalho).
Isto sim, seria pensar de forma séria nas coisas e na vida tal como ela deve de ser.

9. A escola não é um depósito de crianças
E não é a sua missão ficar com elas até à noite. A escola não pode ser dada a função da ocupação dos tempos livros correndo o risco de se tornar nisso. A escola é um local de aprendizagem e de passagem. Não se fica na escola a 'matar' tempo.


10. Perguntem aos miúdos o que é que eles querem
Na peça da RTP fica muito claro o desejo dos miúdos - e não é, de todo, ficarem mais tempo na escola.

OS TERRÍVEIS 2 ANOS: 4 DICAS INFALÍVEIS! A Praça | RTP 20 Jan 2016 | Programa #15

21.1.16

Créditos imagem: Stim

"E, de um momento para o outro, o meu anjinho virou diabinho! " é a descrição que muitos pais fazem dos seus filhos adorados quando, a partir dos 18 meses eles ganham uma certa... personalidade.

Os terríveis 2 anos são assim chamados justamente porque as crianças passam por um processo de crescimento e de tomada de consciência grande. E são terríveis porque deixamos de perceber como é que o produto que temos à nossa frente funciona.

Por isso mesmo, aqui ficam 4 boas dicas para que a tua vida, nesta fase, fique facilitada:

1) Identifica o tipo de birra. Há as birras do andar de baixo - que são emocionais - e as birras do andar de cima - que são estratégicas, chamemos assim.
As emocionais são aquelas em que, do nada, a criança chora, grita e mostra-se insatisfeita ou frustrada. Não sabemos muito bem o que poderá ter causado aquela situação e achamos que não tem importância nenhuma. Pode ser porque lhe íamos dar uma bolacha e a partimos ao meio (como podes ver na Praça), como podemos nem nos aperceber. A verdade é que isso pouco interessará para o caso. O mais importante? É ajudar a parar a dita birra o mais rápido possível. Como?
Agarra no teu filho e pede-lhe para respirar fundo e parar de chorar. Diz isto num tom calmo e firme (lembra-te que a tua função, neste caso específico, é ajudá-lo a regular-se e acalmar-se). Uma vez calmo, podem ir fazer a vossa vida porque na maior parte das situações não há nada a corrigir. No máximo podes dizer-lhe o que viste:
'Eu vi que estavas a brincar com os carrinhos e depois, quando me apercebi, estavas a chorar. Não sei bem o que se passou mas percebi que não estavas muito contente."

As estratégicas são mais... complexas! :) O que fazer? O truque aqui é reconheceres o que o teu filho te está a dizer e seguires com a tua decisão.
'João Maria, meu amor, já percebi que querias a bolacha inteira. E eu sabia disso porque isto já aconteceu antes - a mãe esqueceu-se.
A tua metade da bolacha está aqui - não tenho mais nenhuma. Penso que ficarás satisfeito se a comeres mas se decidires não comer, isso é uma decisão tua. A mãe vai estar na sala e se te apetecer vir para lá brincar, anda.'
O mais difícil nestas que são mais estratégicas é identificá-las e depois seguir o guião.
Se quiseres saber mais sobre este assunto, o capítulo 2 do livro Crianças Felizes dedica-se a esta idade e ao que acontece nas cabecinhas do nosso filho. É um capítulo muito completo e cheio de dicas e estratégias práticas.



2. Valida os sentimentos do teu filho
Validar os sentimentos não quer dizer satisfazer a vontade do teu filho em levar mais um carrinho de brincar para casa. É apenas dizer-lhe que sabes que ele gostaria de o levar e que gosta muito de brincar com carrinhos. Basicamente é estares atenta ao que ele te está a dizer.
E se é algo que parece óbvio, a verdade é que não é tanto assim porque quase todos nos esquecemos de usar esta ferramenta. Em vez disso dizemos coisas como:
'Outro carrinho? Mas tu não precisas de mais nenhum porque tens muitos em casa. E tu deves achar que o dinheiro cai do céu, certo?'
Pois... não é nada disto

3. Aproveita
Quem já passou por esta fase, e depois pela dos 3 anos (sobre a qual vou falar mais à frente) diz que os 3 anos são mais difíceis ainda.
Os 2, como os 3, como os 12 ou os 15 são fases. E isto são características que podemos encontrar nos miúdos. Aproveita cada uma destas fases. Cada uma delas tem momentos delíciosos.




4. Descansa
Pais exaustos, birrentos, queixosos, encantados, seduzidos e... perdidos: é assim que encontro os pais com quem trabalho e que têm filhos com 2 anos. E se é verdade que é uma fase, também é verdade que é nosso dever orientá-los. Mas também é verdade que precisamos do nosso balão de oxigénio. Lê sobre o assunto, conhece as estratégias que tens ao teu dispor e trata das tuas necessidades de descanso, diversão e mimo. Não é possível ter energia (da boa!) para lidar com a exuberância dos 2 anos... e que antecede os 3 anos :)))

Na próxima semana falo-te sobre os 3 anos!

As 3 melhores Resoluções para 2016 | A Praça | RTP 6 Jan 2016 | Programa #14

12.1.16


O Caderno da gratidão é uma excelente maneira de ensinar os nossos filhos a dar valor ao que é realmente importante e também a olhar de forma mais positiva para as coisas. Como funciona? Devemos escrever 3 a 5 coisas pelas quais estamos gratos, 3 vezes por semana. Não mais do que isso.
Podes ler mais sobre esta ideia, aqui.

O desafio Berra-me baixo existe há 5 anos e tem como objetivo melhorar as relações familiares e não apenas deixar de berrar. Adira ao desafio em mumstheboss.com

Eliminar a palavra “tentar”. Tentar não se diz se quiser fazer acontecer algo. Tentar tem em si a palavra falhar: “eu tentei mas não consegui”,ou seja, admite já a falha.

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Clica aqui e vê mais vídeos!


O Calendário do Advento ou como celebrar o natal aos bocadinhos | A Praça | RTP 25 Nov 2015 | Programa #09

27.11.15


Foto: Stim

O que há de tão importante nos rituais e nas rotinas? E já agora, qual é a grande diferença entre um e outro?
Os rituais, as rotinas e as tradições têm uma dupla função: a primeira é a de dar previsibilidade, controlo e segurança porque, à medida que vamos crescendo, ficamos a saber que, independentemente de tudo, teremos sempre o Natal e depois a passagem de ano. A seguir vem o Carnaval e a Páscoa, e por aí fora. Em casa, sabemos que depois do banho vem o jantar e depois do jantar uma pequena brincadeira e a leitura do livro e depois… cama! E à semana sabemos que vamos para as actividades à segunda e quinta e que nuns dias são os avós que nos vão buscar e nos outros os pais.

Esta sensação de controlo e de segurança é determinante para que possamos crescer sem receios e, nos mais pequenos, torna todas as separações e transições mais fáceis.

Por outro lado, os rituais, as rotinas e as tradições reforçam a vida familiar e aumentam o vínculo entre os seus membros. Fazermos e prepararmos as rotinas, os rituais e as tradições em conjunto ajuda-nos também a celebrar e a estarmos mais próximos. São uma espécie de celebração da vida.

A grande diferença entre rotinas e rituais é que um ritual é uma espécie de rotina sagrada.



É ou não é verdade que à medida que as crianças vão crescendo, algumas vão deixando de ver tanto interesse nestas tradições e passam a não querer celebrá-las - porque são uma chatice. O que fazer? Devemos insistir?
Sim, é verdade e, se por um lado é comum vermos e ouvirmos isso, por outro lado é uma pena porque isso significa que não estamos, em parte, a saber adaptar essa celebração à nossa família. E isso é fundamental. Naturalmente que devemos insistir e devemos passar o comando aos miúdos que, ao crescerem e ao terem uma entidade muito própria quererão dar contributos, fazer pequenas alterações ou até participar com uma novidade. Quanto mais por perto se mantiverem, mais a estrutura familiar se mantém forte. Durante as semanas andamos todos a fazermos as nossas vidas mas, nesses rituais e tradições e até rotinas - como é o jantar e que é o momento do dia mais importante que temos com os nossos filhos até eles saírem de casa - eles aparecem e estão presentes.


Quais são os rituais e tradições que devemos celebrar?
A rotina mais importante que temos com os nossos filhos, até eles saírem de casa é, muito possivelmente, o jantar. Não é a leitura do livro, nem o banho porque certamente já não darei banho ao meu filho quando ele tiver 9 anos nem lerei o livro quando ele se quiser começar a deitar sozinho.
O jantar é o momento em que todos nos encontramos no final do dia, em segurança e onde, durante pelo menos uma boa meia hora ou mais estamos todos reunidos. Há rituais que não são negociáveis e este deve ser um deles - na medida do possível estarmos sempre presentes.

Depois devemos celebrar tudo aquilo que nos faça sentido.

Conheço quem celebre o Halloween, os fieis e tenha incluído uma festa de amigos no primeiro fim-de-semana de Novembro, com o objectivo de inaugurar os rituais de inverno.

Há quem celebre o S. Nicolau a 6 de Dezembro, quem inaugure o advento logo no dia 1 e que tenha tradições muito próprias nos finais de ano.


O que é que tem de tão importante o calendário do advento?
O calendário do advento, que é uma tradição Luterana, é mais uma tradição que junta as famílias e aumenta o seu vínculo. Contam-se os dias, desde o início de Dezembro, até ao Natal e antigamente fazia-se também com velas.

Aqui podem encontram um link com ideias fáceis para se fazer durante estes dias até ao Natal para que o advento seja mais do que um chocolate por dia. São actividades muito simples e fáceis de fazer porque temos todos dias muito atarefados, devolvendo ao Natal o verdadeiro sentimento de família.

Obrigada à Bárbara e à Francisca por provarem que o calendário do advento é mais que chocolates e que é uma excelente forma de se viver mais o Natal e de sermos mais família!

Finalmente, parabéns à RTP e a toda a equipa por este trabalho extraordinário que tem realizado! É um prazer enorme trabalhar com gente tão entusiasmada e feliz! Muito obrigada!



Como explicar os atentados às crianças? | A Praça | RTP 18 Nov 2015 | Programa #8

19.11.15


Deveremos falar com os nossos filhos acerca dos atentados de Paris? A partir de que idade as crianças estarão prontas para escutarem falar sobre estes assuntos?
Uma criança de 3 anos já tem noção do que se passa à volta dela, do que os adultos falam e do que ouve, seja na TV ou na rádio. Não temos por isso nenhum interesse em não explicar o que aconteceu. Porquê? Porque é importante que a criança, sobretudo se houver algum tipo de ligação - há muitas famílias que têm familiares em França e que estão por isso ainda mais preocupadas - saiba o motivo da ansiedade dos pais ou da sua tristeza e consternação.
Quando a criança apreende a realidade através das palavras dos pais, então não irá ela, sozinha, construir a sua realidade, com base em fantasias ou sustentada no medo.

Mas eu não tenho nenhuma ligação a França e os meus filhos não vêem os noticiários.
Respondo-te com um comentário que uma mãe deixou hoje no Facebook.
"A minha não se apercebeu de nada no fim‑de‑semana e na 2a feira veio da escola a falar disso... Achei que não tinha de dizer nada e afinal... enganei-me! "

Pois é, eles percebem tudo, como disse acima...

E se eles não tocarem no assunto... Bom, convido-te a ler este artigo:
A filha mais velha do assessor de comunicação André Serpa Soares fez aquilo a que os psicólogos chamam evitamento. Naquela noite, saiu da cama dela, enfiou-se na cama dos pais e pediu-lhes que a deixassem dormir lá, de luz acesa. Não se pôs a fazer perguntas sobre os atentados. Não quis conversa. Quis apenas ficar ali, em silêncio. O pai abraçou-a toda a noite e foi-lhe dizendo: "não te preocupes”; “estamos em casa”; “estamos em segurança”, estamos juntos”; “isso não vai acontecer aqui”, “eu protejo-te sempre".
Aqui 


Se eles não falam, fala tu. Não é porque não falas que isso não vai acontecer. Antes fosse. Não é porque falas que vais estar a destruir a vida dos teus filhos.
Como leste aqui, sabes que falámos sobre este assunto com a nossa filha cá em casa.
Falamos no Sábado e novamente no Domingo. Falaram na escola na segunda. Ela tinha tudo arrumado na cabeça. Falamos, explicamos, respondemos às questões todas. Com respeito por ela e pela seriedade da situação. No final, ela pediu-me que me chegasse a ela e disse: preciso de um abraço, tenho um bocadinho de medo.
E eu dei o abraço, sorri e aceitei sem dizer nada.
Ela sossegou e dali a pouco estava a brincar com o irmão.
Gostava que fosse fácil protegê-los como no A vida é bela. Mas isso é um filme. A vida real é outra coisa.


Mas devemos explicar tudo? O que dizer? O que não dizer?

Devemos explicar qb, sem entrar nos detalhes mórbidos que ninguém precisa. De resto deveremos ser factuais e claros. Se a criança nos abordar, deveremos pegar logo nessa deixa e perguntar-lhe o que é que ela já sabe, o que ouviu e onde ouviu. E pode ser que ela saiba e diga ou espere que falemos. Seja nessa circunstância ou na circunstância em que nós vamos falar, deveremos sempre começar pelas perguntas:

Sabes o que aconteceu na passada sexta-feira, em Paris?

Na sexta-feira, em Paris - e podemos mostrar um mapa até, se quisermos - aconteceu uma coisa trágica. Alguns homens armados mataram outras pessoas que estavam a jantar e a divertirem-se.

Ponto.

E depois explicar o porquê, até porque é a pergunta que a criança vai colocar. E então vamos ao porquê.

Porquê, mãe?
Porque desde sempre existiram formas de pensar diferentes e tu sabes disso. Só que há pessoas que não suportam que outros pensem diferente deles - acham que toda a gente tem de pensar, gostar de tudo igual. E como não suportam essa ideia, então decidem matar os que eles acham que estão contra eles - e foi isso que aconteceu.

Depois devemos esperar pelas perguntas. Podemos ter questões como quem são essas pessoas - os terroristas - se nos vamos cruzar com elas, enfim… e deveremos responder a todas as questões sem medo.

Mãe, e isso vai acontecer aqui, no nosso país?
Bom filho, eu penso que não, é pouco provável. Sabemos que o mundo inteiro, e sobretudo a polícia, está a procurar ajudar a acabar com esta situação. 

Mãe, quem são essas pessoas?
São terroristas. É difícil saber quem são porque elas vestem-se iguais a nós.  Não sabemos quem são mas isso não nos impede de viver e fazer a nossa vida. 
Neste site encontras muitas palavras explicadas aos miúdos. Está em francês mas abre porque tenho a certeza que irás compreender a maior parte das coisas. Ajuda e muito!



É importante passarmos uma mensagem de esperança?

É fundamental que essa mensagem seja passada! É fundamental que se diga que muitas pessoas foram salvas por médicos, por polícias e por outras pessoas na rua. E é fundamental que se diga que todos devemos lembrar-nos de sermos tolerantes uns com os outros, e que a liberdade é algo precioso. Podemos explicar como era antes quando não havia tanta liberdade, falar dos valores fundamentais - é uma excelente oportunidade.
Voltar às rotinas, voltar à vida e fazer tudo por a viver com a tal joie de vivre.


E se a criança ficar com medo? E se ela ficar tensa, o que fazer?

Eu fiquei tensa, com medo. E penso que todos ficámos. É normal que ela se sinta assim. Então está na altura de lhe colocar questões. ‘Estás com medo que isso aconteça aqui? Bom, é pouco provável e tenho a certeza que todas as pessoas estão a fazer tudo para nos protegerem.’ Darem abraços, confirmarem que também ficaram com receio… e que por isso é importante falar sobre o assunto.


Ouvi no outro dia que se os pais mostram medo, a criança perde a confiança neles. Achei que era um disparate. Os pais sentem medo, naturalmente, Mas é justamente quando falam sobre este assunto que se sentem com forças, sobretudo quando falam aos filhos sobre ele porque depois de o fazerem sentem que terão, mais do que nunca, de continuarem a vida, valorizando o que de mais importante temos: a liberdade e a importância de sermos família, construindo dia-após-dia.


E se a criança quiser saber mais ou tiver visto imagens que não devesse ter visto ou ouvido coisas que não deveria ter ouvido?
Mais do que nunca, é necessário que se fale sobre este assunto - que expliquem o que viram, o que sentiram e que esses vídeos ou imagens são de tal forma chocantes que não querem que os voltem a ver porque não trará nada de benéfico para a situação.



Vou ter de viajar... e estamos todos com medo.



Guerras entre irmãos | A Praça | RTP 11 Nov 2015 | Programa #7

13.11.15

Guerras entre irmãos - clica para assistires ao programa

Os conflitos entre irmãos são naturais — nenhuma relação está isenta de conflito.
E, como em todas as relações, o mais importante é saber gerir os conflitos, dizer o que se tem a dizer e saber respeitar o outro, fazendo-se respeitar.

Nesta relação em especial, os pais têm um papel muito importante uma vez que são eles que vão dar o mote e ajudar a resolver as situações. Como? Aqui ficam os tópicos da nossa conversa.

1. Gestão e regulação emocional dos pais

2. Não se meterem para não perpetuarem os papeis de vítima e de agressor

3. Objectivo não é serem os melhores amigos e sim respeitarem-se.

4. Não desistir - Paciência. 

5. Respeito em casa e pelos outros mas com gentileza, também.

6. Ajudar a regular as emoções porque é quando eles aprendem a regular as emoções que regulam o que dizem e fazem.

7. Fazer coaching aos filhos, ensinando o que se diz e o que se faz.


8. Trabalhar a retaguarda




Elogiar demais prejudica o meu filho? | A Praça | RTP 28 Out 2015 | Programa #6

9.11.15

O objectivo do elogio é fazer com que a criança se sinta feliz e competente.
Reconhecer o que de bom a criança faz é muito importante para a sua auto-estima.
Um bom elogio tem alguma ciência.

Como promover a participação da criança nas lides domésticas? | A Praça | RTP 28 Out 2015 | Programa #5

30.10.15
Este foi o tema desta semana n'A Praça. E os temas estão cada vez mais interessantes! Todas as semanas deixo aqui o link e também um texto de apoio!! Procura sempre por RTP


A resposta à questão Porque é que os miúdos não participam nas tarefas domésticas é muito clara: porque não os educamos nesse sentido. Ponto final.

É verdade que vivemos de forma diferente da dos nossos pais e ainda mais diferente da dos nossos avós. E também é verdade que não nos casamos tão cedo e estudamos até mais tarde. A nossa realidade é totalmente diferente.

Então como é que se dá a volta a tudo isto?
Os filhos são nossos e facilmente percebemos quando é que estão prontos (e desejosos) de participarem nas tarefas domésticas. Logo ali aos 18 meses eles estão prontíssimos para nos ajudarem. Podem levar a fralda para o caixote do lixo, podem ajudar a deitar fora as cascas das cenouras que descascamos ou até a arrumar as meias nas suas gavetas. E quem diz meias, diz brinquedos.

Quando colocamos os miúdos a fazerem estas tarefas connosco, então estamos a influenciá-los de uma forma muito bonita: olha para o que eu digo e olha para o que eu faço. Na verdade, não podemos nunca subestimar a nossa influência enquanto pais.


O meu filho de 2,5 anos quer ajudar-me sempre quando estou a cozinhar: a cortar, a partir a massa para cozer, a levar os pratos para a mesa. É um querido mas é muito pequeno e tenho medo que se magoe.

O mundo torna-se num sítio ainda mais interessante a partir do momento em que os miúdos se passam a deslocar sozinhos. Até ali, eles tinham tido a nossa ajuda para muita coisa. Agora que se descobrem livres, autónomos e até já se sabem exprimir, a banda sonora passa a ser ‘don’t stop me now’. Mas a verdade é que eles ainda são pequeninos e precisam muito da nossa ajuda. Quando o meu filho de 2,5 anos quer vir para o pé de mim ver a água que coze a massa ferver, está em zona perigosa. Quando ele quer ajudar a a cortar as cenouras com a faca afiada ou quer varrer mas, em vez de varrer está a sujar, pode também estar a entrar numa zona muito perigosa.

A nossa tendência natural é colocá-los para fora da nossa área de actuação. Primeiro porque é perigoso e em segundo lugar sem eles ao nosso lado, fazemos as coisas mais depressa.

Soluções:
Dar a oportunidade à criança de participar - dando-lhe uma faca de manteiga para ele cortar as cascas das cenouras; uma tigela para ele fazer a sopa para os bebés deles e deixar varrer. Compre-lhe uma vassoura e mostre-lhe como se faz. Peça-lhe para arrumar as caixas de plástico, deitaro cartão no caixote do lixo certo ou provar o arroz a ver se falta sal.

Quanto mais envolvida a criança se sentir, mais vai querer contribuir e isso passará a ser uma situação natural para a qual não necessitarás, mais tarde, de insistires. Mas por favor, insiste


O meu filho de 9 anos recusa-se a ajudar nas tarefas domésticas. Diz que não é meu empregado e que tem de ajudar. Como é que o obrigo?
É normal esta situação começar aos 6 anos inclusivamente. Primeiro porque as crianças passam a ter uma consciência de si diferente. Em seguida, porque vão copiar muitas expressões que escutam e passam a usá-las como adequadas à sua idade e maturidade. O que não é verdade. Em seguida, porque quando eram mais pequenas, foram convidadas a saírem da zona onde queriam participar. E porque aprenderam a não participar, porque não eram queridas, então agora já não querem. O que fazer?

Começar por pedir ajuda e a perguntar como é que fariam? Nestas idades os miúdos gostam de se sentirem importantes - gostam de mostrar que sabem e, se o soubermos fazer, gostarão de aprender connosco. Então, em vez de atribuirmos tarefas, podemos pedir o contributo deles - que é mais ou menos a mesma coisa mas com um grau de envolvimento diferente. Podemos pedir para compararem preços dos produtos nas lojas online, podemos organizar uma festa surpresa ao pai e envolvê-los também. De manhã, podemos passar a acordar todos mais cedo para termos tempo de deixar a cozinha arrumada e as camas feitas. E é normal que eles se esqueçam de fazer estas tarefas - não é por mal - e não podemos levar a mal. A nossa função é recordar : Filipe, a cama! João, a caneca está em cima do balcão.’ Sem andarmos de dedo em riste. E depois, naturalmente, valorizar a ajuda!

Eu vi que a tua cama ficou com os cobertores mesmo bem esticadinhos - parecia cama de hotel!

João, nem queria acreditar quando percebi que a máquina da loiça estava a lavar! Que bom, logo à noite, graças a ti, vamos ter a loiça limpa.

Ao sentirem que o seu contributo é válido, as crianças passam a querer ajudar.

Quanto mais encorajamos a competência da criança, mais ela se sente envolvida e capaz e isso promove a competência e a sua autonomia. No limite, é mesmo para isto que educamos: para termos adultos independentes, autónomos, capazes e que saibam tratar das suas vidas.



Obrigada por me ajudares a melhorar, todos os dias! Obrigada pela sugestão de temas, pela partilha de experiências! Se ainda não preencheste a tua parte, clica aqui!

Medo do escuro | A Praça | RTP 21 Outubro 2015

22.10.15




Todas as crianças têm medo. Do escuro, do pai natal, do lobo mau, do barulho dos balões a estoirar. E de outras coisas. É normal e é mais normal ainda em certas idades. Isso acontece porquê? Acontece porque, à medida que a criança vai crescendo, ela vai tendo uma maior percepção do real (e isso mostra apenas que o cérebro dela está a crescer e que ela vai tomando conta do mundo que a envolve - e isso, até a nós, pode dar um frio na barriga!).

E também é verdade que o medo da medo.

Então o que fazer quando a criança tem medo do escuro?


1. Respira fundo
O medo é algo normal e toda a gente tem medo. Quando somos pequenos temos medo do escuro, do lobo mau. Quando somos grandes podemos continuar a ter medo do escuro e também podemos ter medo da mudança, da perda. E, para além do medo, também resistimos a tudo o que é diferente e a tudo o que é novo. Porquê? Pois… justamente porque temos medo.

Em relação aos medos dos miúdos, o importante é que possamos ajudá-los a lidar com esses medos maus, estando seguros que ter medo… é normal! É a nossa segurança e a nossa serenidade que os vai ajudar.




2. Empatia
Deveríamos todos trabalhar esta extraordinária competência que é a empatia. Os ingleses dizem que é a nossa capacidade em nos colocarmos no lugar do outro. E eu acrescento que, com respeito e sem necessidade de constantemente salvarmos os nossos filhos, a empatia é quem vai ajudar a criança a lidar, da sua forma, com os medos. Não desvalorizes o medo que ela sente porque, como já te disse, ter medo… dá medo. Na verdade quanto mais negares o que ela diz que vê e sente, mais ela vai procurar provar que aquilo que vê e sente é verdade.




3. Dá-lhe poder

Naqueles casos em que a criança acredita que há monstros no quarto (isto é comum aos 4 e aos 6 anos), então dá-lhe um spray mata monstros ou coloquem uma luz de presença ou um difusor efeito espanta monstros. É o facto de ser ela a fazer isso que lhe dará mais poder e controlo da situação. Ela precisa de ter a certeza que está a lidar com isso



4. Dá-lhe segurança
Por vezes os medos não são os monstros. São receios, medos de perda. Situações que, ao contrário daqueles monstros horríveis que vivem debaixo da cama e que podem ser materializáveis, estes são medos do coração.

É muito frequente constatar que por vezes a criança não consegue adormecer sozinha porque, diz ela, tem medo. E, muito frequentemente, a forma como ela se permite adormecer sozinha é trabalhada durante o dia - com momentos exclusivos em que nos dedicamos aos nossos filhos. E só a eles.

Sabes, quando estamos seguros do amor do outro, então temos segurança emocional para nos permitirmos relaxar e adormecer, com fé no amanhã e com a segurança do amor e dos afectos. Trabalha portanto a questão do vínculo [procura neste blogue pelas palavras vínculo, relação, afetos] ideias para isso. E depois, e à noite, fica na primeira ou na segunda noite ao lado do teu filho até ele adormecer e diz-lhe que, quando o sentires a dormir, vais sair. Finalmente, assegura-lhe que estarás sempre por perto para garantir que tudo está bem - e por isso não precisas de ficar coladinha a ele - mas que vais ficar mega colada no dia a seguir, quando forem brincar juntos.




5. Tira-lhe os ecrãs

Por todos os motivos - porque provoca excitação, porque frequentemente uma criança pequena não sabe bem distinguir o real do imaginário e confunde as diferentes dimensões. Trabalha a relação, brinquem, joguem juntos. Desliga os ecrãs (tv, tablets, telemóveis)

6. Deixa uma luz de presença se isso garantir segurança à criança.

Conheço adultos que também gostam e precisam desse ponto de luz. Conheço adultos que não suportam luz. E no caso de ser um casal em que um quer luz e o outro não? Deve ser interessante descobrir o que acontece!


7. Shiu, dorme - estou aqui e está tudo bem!

Se a tua filha acordar a meio da noite, não precisas de ir sempre a correr. Diz-lhe, do teu quarto, e com uma voz doce e firme ‘Shiu, dorme - estou aqui e está tudo bem!’

Se tu sabes que está tudo bem, e se ela sentir a tua segurança, então é bem possível que ela se vire para o outro lado e adormeça. Afinal de contas, as mães é que sabem! (e os pais também!)


8. Ensina-lhe que ela não tem de adormecer logo
O teu filho pode perfeitamente pegar num livro ou ficar a criar histórias na cabeça ou ficar a olhar para as estrelas que estão coladas no tecto - por vezes os miúdos acreditam que têm de dormir logo e essa ansiedade pode criar barreiras ao adormecer. Explica-lhes as opções que têm.


9. Dormir contigo?
Eu sou a favor que a criança durma na sua cama e no seu quarto. Percebo que no dia a seguir todos temos de trabalhar e que uma vez não são vezes. E que há alturas que é bom dormirmos todos abraçados. É bom, claro que é! Mas, de uma forma geral, mantenho a minha opinião que se a criança tem o seu quarto e a sua cama é lá que é o seu lugar. Caso ela continue a acordar a meio da noite, com necessidade de ir para o pé dos pais ou com necessidade que eles venham ter com ela, vale a pena apostar na relação durante o dia. É inacreditável a diferença que isso faz na qualidade das noites. Não sei se sabes, mas a maior parte dos problemas de sono tratam-se durante o dia.

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