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Guest Post # E os filhos dos outros

17.12.13
O João Moreira Pinto é já um habitué neste blogue. E, como sempre, é um prazer ler os seus pensamentos. Neste guest post o desafio é o mesmo, sempre: quem serão os teus filhos daqui a 20 anos e o que é que fazes, todos os dias, para lá chegares.

Podes ler o João no seu blogue E os filhos dos outros - dos blogues mais úteis porque é escrito por um pai que também é cirurgião pediátrico. Muito obrigada, João!

O que são os teus filhos daqui a 20 anos? E o que fazes todos os dias para serem mais felizes?



Estes desafios estão cada vez mais difíceis. Sei lá como serão os meus filhos daqui a 20 anos! O JM terá 23 anos e o MM 20 (quase 21). Se não me falham as contas, eles estarão algures na faculdade, se é que ainda se vão chamar assim daqui a 20 anos. Do pouco que imagino dos meus filhos daqui a 20 anos, imagino-os a fazer estudos superiores. Duvido que a sua curiosidade se esgote com o final do ensino obrigatório. Apesar de não fazer ideia o que cada um escolherá como profissão, acho que, daqui a 20 anos, ambos estarão a estudar. Imagino-os atarefados entre o estudo, as namoradas, a praia, a banda de música, um ou outro projecto comunitário. Imagino-os a fazer mil e uma coisas, com a paixão de quem gosta do que faz. E esta seria talvez a chave do futuro (imaginado) dos meus filhos: serem felizes.Um lugar comum, mas que é também o objectivo último de um pai (ou de uma mãe). Fazer crescer crianças felizes.

O que me faz entrar na segunda pergunta do desafio: o que faço todos os dias para que o JM e MM sejam felizes. Hoje é fácil: o MM é feliz com qualquer pedaço de qualquer comida na mão; o JM é feliz a rebolar com a Mãe ou com o pai pelo tapete da sala, seja às ‘lutas de carros’, aos tiros, às naves espaciais, ao futebol de sala (em oposição ao futebol de salão). O verdadeiro desafio na educação parental é mantê-los felizes, ou melhor, educá-los de forma a eles próprios procurarem a sua felicidade. Na verdade, a felicidade não é um conceito estático, nem tão pouco uma conceito universal. Como pai, gostaria de saber transmitir aos meus filhos que a felicidade não é ter carros de alta cilindrada, telemóvel de última geração, roupa de marca, mas pode até ser. Ou seja, o que não me faz feliz a mim, pode fazê-los a eles. Eu gosto de praia, sol, areia, mar, surf; eles podem gostar de coisas diferentes, mais ou menos materiais. O que me importa como pai, é que eles procurem a sua própria felicidade.

Por outro lado, o que nos faz felizes hoje, pode não chegar para amanhã. Hoje contentamo-nos com uma boa assistência médica nos nossos hospitais, com uma sensação genérica de justiça social, com o ensino de qualidade do nosso País e isto faz-nos felizes, mas amanhã quero mais: que menos velhos morram esquecidos, haja mais emprego e que outros País ‘sofram’ das nossas maleitas: água canalizada, saúde infantil para todos, entre outras modernidades que por vezes subvalorizamos. E, quando estes objectivos forem atingidos, outros se seguirão. A felicidade é uma busca constante que nos faz crescer enquanto indivíduos e nos faz evoluir enquanto sociedade.


Na prática, para que cresçam felizes, esforço-me todos os dias por lhes retribuir todo o Amor que me dão, responder todas as perguntas curiosas que me lançam, mostrar-lhes tantas coisas bonitas e apaixonantes que nos enchem a Vida quanto sei e posso. Espero que resulte.

Guest Post | Tia Cocas

9.12.13
Conheço a Mariana há uns bons 20 anos. Dito assim parece imenso [e é!] mas a verdade é que parece que ainda foi ontem, no verão dos meus 15 anos...

Hoje, para além de uma vida em comum e com muitos momentos de partilha fantásticos, temos também em comum um blogue. O da Mariana é o Tia Cocas
Aqui fica o Guest Post! Obrigada, minha querida!


Hoje escrevo, porque como sempre me apetece escrever, mas também porque a Magda me pediu que escrevesse um posts para o guest post do Mum's.
Se não costumo recusar este tipo de pedidos, muito menos o faria à Magda que conheço de longa data, talvez há uns 20 anos, longe de sonhar que hoje em dia escreveríamos as duas na blogosfera.
Iniciei-me no mundo dos blogues e afins há cerca de um ano e meio, tinha a MF 5 meses e eu em licença de maternidade senti necessidade de fazer algo diferente e porque não escrever.
Sempre gostei de o fazer, porque não criar um blogue que falasse um pouco de tudo (sobre a MF, receitas, sugestões de lazer, eventos, etc). Na altura acho que conhecia muito poucos blogues e um delas era o Mum´s the boss.
Comecei e fui-me embrulhando e gostando cada vez mais de escrever e partilhar.
Com isto fui lendo e descobrindo outros blogues, páginas do facebook, fui aprendendo, vendo outros mundos, outras pessoas a partilhar e com as mesmas dúvidas que eu tinha. Percebi que não era única e que não estava sozinha.
Infelizmente vi a dor de muitos, sentia-a de certa forma, contribuí para algumas causas, vivi o sucesso de pessoas muito queridas na blogosfera.
Com tudo isto passei também a ser leitora assídua da Magda e cheguei mesmo a aderir ao “Berra-me baixo”.
Aderi ao berra-me baixo, numa altura (antes das férias) em que andava super stressada, cheia de trabalho e aderi porque sempre odiei berrar e sempre achei que não é a berrar que as pessoas se entendem, muito menos uma criança.
Dei comigo a aumentar o tom de voz e a arrepender-me no segundo a seguir…que culpa tem a MF do meu stress? Ela é apenas uma criança, que quer brincar, mexer, fazer asneiras.
Não temos que berrar, temos que educar, temos que ensinar. Se é preciso ter paciência…? É, muita até, mas se nós não tivermos quem a vai ter? São os nossos filhos…
Lembro-me sempre da minha “luta” com as gavetas, ou seja, a MF adorava abrir as gavetas da cómoda do seu quarto e retirar o que lá estava e eu ao final de 2, 3, 4, 5 vezes de desarrumação no mesmo dia, depois de ter arrumado as mesmas vezes, passava-me. Foi aqui que resolvi aderir ao “Berra-me baixo”.
Hoje em dia a MF olha para as gavetas e ou me diz “não, não”, ou então abre e tira apenas o que pretende.
Educar para mim passa por explicar, por falar, por dizer não. Não lhes temos que fazer todas as vontades, não temos que dizer que sim a tudo. Crianças que têm tudo, que não ouvem um não, são crianças que no futuro vão ter dificuldades em encarar situações mais complicadas, que não vão saber lidar com as contrariedades da vida. E não é isto que nenhum pai ou mãe pretende.
Eu quero preparar a minha filha para o mundo, quero que seja muito feliz, que perceba o que é um não e que disfrute de um sim na sua plenitude. Que perceba o que é certo e errado, o que pode e não pode, sem nunca deixar de ser criança.

Não vai ser com berros que vou conseguir o que quer que seja, mas com uma atitude firme, com um não na altura certa, com muitos abraços e mimos, com brincadeiras, com a partilha de momentos as duas e em família, com o proporcionar-lhe momentos de felicidade, de divertimento, sabendo sempre que existem regras e que essas são para cumprir.
Lá em casa na hora de dormir é para dormir e a MF sabe disso e vai para a sua cama, adormece sozinha. Sabe que existe o momento do banho e a hora da refeição.
Perguntam-me, se foi sempre assim, não claro que não. Nenhuma criança nasce ensinada e a minha também não nasceu.
Somos nós que a temos que educar, uns são mais fáceis, outros mais difíceis, mas este é o nosso papel.
Tive momentos em que me apeteceu também chorar, outros em que cedi, confesso que sim, mas percebi que não era por aí. Em outros momentos apeteceu-me berrar, mas procurei explicar.

Nestes 2 anos fui tentando educar da melhor forma e não me arrependo de nada. A MF é uma criança muito feliz, que acorda a cantar, que brinca, faz asneiras, muito acarinhada e mimada, mas que sabe o que é um NÃO.

Guest Post | Busy Woman and the Stripy Cat

2.12.13
Desta vez é a busy Rita. Eu gosto muito da Rita: da filosofia de vida, das experiências que faz, do seu slow motion... É sempre uma honra tê-la por cá.
Minimalismo, em Portugal diz-se The Busy Woman and the Stripy Cat.
Obrigada, Rita.


A Magda fez-me uma pergunta difícil: quem são os teus filhos daqui a 20 anos e o que é que tu fazes todos os dias nesses sentido?


Ufa… Resumidamente, quero que os meus filhos sejam pessoas como deve ser. Pessoas com princípios, honestas, sinceras, humildes. Quero que cultivem a equanimidade e sejam generosos e gentis para os outros. Quero que sejam pessoas apaixonadas pela vida e tenham a coragem de seguir os seus sonhos. Quero que dêem sem estar à espera de receber.


O que é que eu faço todos os dias nesse sentido? Tento dar-lhes o exemplo. Sendo uma praticante e estudante de yoga, e sendo o yoga uma filosofia de vida que se pratica em cima do tapete mas também fora dele, tento viver o yoga no meu dia a dia e transmitir esses princípios aos meus filhos.



Ensino-lhes que não devemos ser violentos com os outros, mas também não o devemos ser connosco próprios. Explico-lhes que devemos dizer sempre a verdade, a não ser quando a verdade vai prejudicar ainda mais a outra pessoa. Mostro-lhes que não devemos roubar nem fazer aos outros aquilo que não gostamos que nos façam a nós. Exemplifico como devemos ser gratos pelo que temos e não devemos cobiçar o que não é nosso. Tento que cultivem o desapego às coisas materiais, aos brinquedos, às consolas de jogos, à roupa de marca. Ensino-os a observar o mundo à sua volta e a apreciar as pequenas coisas - uma flor, as nuvens brancas, os pássaros que chilream de manhã. Mostro-lhes que são as experiências, as vivências, aqueles pequenos momentos cheios de amor, que são realmente importantes.




Ensino-lhes que o amor, a tolerância, a gratidão, são muito mais importantes para a felicidade humana e para o desenvolvimento sustentável do planeta que o dinheiro, o consumismo, o show-off. Aproveito situações do dia a dia para lhes ensinar qualquer coisa sobre o modo como devemos viver a vida, em harmonia, em paz connosco e com os outros.


Tento dar o exemplo. Não é fácil, claro que não. É um desafio, todos os dias, educar os meus filhos da melhor forma que posso - mas o que é a maternidade se não o maior desafio da vida de uma mulher?

Guest Post - Dias de uma Princesa

11.11.13



É princesa do seu reino mas é tão próxima.

Conheci-a pessoalmente ontem e é tão bom quando aquele primeiro encontro, afinal, é a continuação de uma amizade virtual que passa, de forma tão natural, para a vida real.
Foi um prazer, Catarina! Obrigada por este post tão doce, tão claro!


Já repeti esta frase tantas vezes mas acho sempre que faz sentido dize-la outra vez: a vida resolve-se sozinha. É esta a certeza que me tranquiliza nos dias em que a cabeça se enche de dúvidas. Nos momentos em que só aparecem perguntas e decisões para tomar fico quieta, muito quieta. Já aprendi, à custa de muitas precipitações dolorosas, e outras tantos erros flagrantes, que a vida nos dá todas as indicações para chegarmos ao ponto certo. Basta estar sossegado e atento.


E isto não é nada esotérico, como diria a Magda. Diria até que não é científico, é a vida.
Na forma como crio os meus filhos, nas mil e uma imperfeições minhas e deles, as coisas também funcionam assim. Não tenho a solução para todos os problemas, nem a resposta para todas as perguntas. Mas, se aceitar a normalidade dos factos, sei que a vida se encarregará de me dar as indicações de que preciso. Como as birras insuportáveis que o Afonso fez durante duas semanas de Julho e que, no workshop de domingo, percebi que tinham nome próprio e forma de resolução. Como aquela decisão sobre o desporto do mais velho e que, numa frase que saiu da minha boca numa outra circunstância, percebi que tinha acabado de dizer o que precisava de ouvir.

A frase não é minha, e nem sempre a senti como minha, mas aprendendo a viver sem pressa e com os olhos bem abertos, a vida resolve-se mesmo sozinha.





Este fim-de-semana (10Nov2013)


Guest Post : Clavel's cook [no dia mundial da alimentação]

16.10.13



Já me referi a este blogue como sendo um dos mais interessantes e bonitos da culinária, em Portugal.
É fantástico ver o que uma pessoa sozinha consegue fazer, quando ama de paixão aquilo que faz. A atenção ao detalhe, a simplicidade refinada e a forma como nos contagia é impressionante.
Podes segui-la aqui.


O Palato Educa-se

Hoje o post tem um cariz diferente. Não deixo de trazer uma receita, mas trago, também, uma reflexão muito íntima. Isto surgiu com um convite irrecusável, a doce Magda do Mum's The Boss, desafiou-me a fazer um guest post acerca da educação. A Magda sabe que tenho uma filha pequena e que me interesso muito por artigos sobre educação. Mas escrever é diferente. Não sou uma escritora exímia e o meu blog é, essencialmente, de partilha de receitas. Então, como cumprir com os requisitos pedidos? Resolvi escrever sobre o que penso sobre educação alimentar.

Pois bem, antes de começar gostaria que tivessem em atenção que este é um texto de opinião, que não é nenhum estudo científico e que eu não me sinto superior a ninguém, nem acho que saiba mais do que o resto das mães/pais. Mas tenho uma vantagem, dou workshops de culinária a crianças e houve casos recorrentes onde me baseio nas afirmações que irei proferir, mais adiante no texto.

Ao longo destes 4 anos que sou mãe venho-me a deparar que efectivamente o palato é educável. Lembro-me que quando era criança eu e os meus irmãos (somos 4) tínhamos hipótese de não gostar de uma só coisa. Em nossa casa não havia "não gosto". Era proibido, tínhamos obrigatoriamente de comer de tudo. E o meu alimento escolhido para não gostar era o feijão, porque, efectivamente, eu não gostava de feijão. Mas, mesmo assim, o meu pai insistia comigo "Come só um feijão, só um, filhota!" e eu forçava-me imenso, não me sabia nada bem, mas lá comia 1 feijão. Até que um dia, durante a mesma lenga-lenga, comi um feijão e incrivelmente soube-me mesmo bem! Pedi mais um e servi-me de uma colher de sopa. A partir desse dia, percebi que afinal já gostava de feijões. Ou seja, a insistência do meu pai ajudou-me a educar o meu palato até começar a gostar do ingrediente.

Hoje, como mãe, não sou tão exigente como o meu pai, mas continuo a não permitir o "não gosto", muito menos o "não gosto" sem antes experimentar. Vocês não imaginam como irão ter surpresas se forçarem os vossos filhos a experimentar de tudo. A Maria não queria experimentar manjericão, e pensam vocês, manjericão é normal que qualquer criança não goste, pois bem, foi o que eu imaginei, mas ela provou e adorou! Hoje pede-me todos os dias tomates com manjericão. E não é por ser minha filha, é porque prova de tudo, acreditem.

Por isso, este meu texto prende-se somente com o facto de começarem aos poucos a insistir com os vossos filhos, come só este bocadinho de tomate, ou só um bocadinho de alface (vê, coloquei um molho diferente e até é doce como o ketchup). Inovem, brinquem com a comida, contem histórias, transformem os alimentos, apresentem novas texturas. Os resultados aparecem, e há momentos surpreendentes. 
Tenho casos nos workshops que são fantásticos, crianças que não comiam sopa, mas que depois de serem eles a fazê-la, comeram-na toda, um rapaz que odiava morangos, e que afinal agora gosta, uma menina que não gostava de coentros, mas que "afinal fica mesmo bom nesta comida", um rapaz que se recusava terminantemente a comer legumes, mas que os comeu nuns ovos mexidos por ele! Abram as portas da vossa cozinha, deixem-nos participar num dos momentos mais importantes para a vida deles. E, lembrem-se, os alimentos são os melhores e mais eficazes medicamentos para a nossa saúde. Se nos alimentarmos bem e tivermos a dose certa de vitaminas, proteínas e minerais, praticamente não necessitamos de mais nenhum suplemento para nos proteger.




A Maria João Clavel acerca da Maria João


Sou MÃE, mulher, professora e apaixonada pela culinária e fotografia. 
Sou licenciada em design gráfico e dou aulas de multimédia da Escola Artística Soares dos Reis.
O facto de estar sempre em contacto com as artes permite-me evoluir como criativa e fotógrafa. Hoje vejo o meu blogue como um espaço meu, onde posso criar à vontade, sem ter de ter regras, nem prazos, nem seguir vontades, a não ser as minhas. Adoro o que faço, vivo e transpiro pela vontade de ir para a cozinhar criar algo novo e todo o processo criativo que me leva à criação do set fotográfico. 
Hoje, finalmente, posso dizer que encontrei a forma de me expressar através da comida que elaboro e das imagens que capto. 

Guest Post : O Rei vai Nú

11.10.13
A Pólo Norte já se tinha referido a ela como alguém alguém um bocadinho irritante. Porquê? Porque é tão gira, tão simpática e não tem mesmo a mania. E eu digo o mesmo! E é com muito orgulho que o Guest Post de hoje é da doce Olga, do Rei vai Nú! 






Quando converso, seja pessoalmente ou profissionalmente, com grávidas ou mães, um dos alertas que gosto de fazer é do quanto a maternidade pode ser desafiante, e que o mito cor-de-rosa e o amor incondicional não são verdades absolutas. Sou pessimista? De forma alguma, mas sinceramente não vejo problema algum nas dificuldades que a maravilhosa experiência da maternidade carrega, muito pelo contrário. 

Quantas mães é que já não se emocionaram cada vez que olham para os seus filhos?  Quantas é que já se perguntaram a si próprias se serão capazes de amá-los o suficiente ou se terão amor que dê para todos? Quantas é que já não tiveram vontade de correr pela rua feitas loucas de tanto stress ou deram graças aos céus porque alguém se ofereceu para passarem uma tarde com eles? Eu sou uma delas! Parabéns a mim e a todas, este é o mundo real! E não seremos menos mães por isso, nem os nossos filhos nos vão odiar.

Estes sentimentos são normais, muito mais do que imaginamos. E porque é que a amiga, que tem gémeos  nunca comentou isto? Porque é que as outras mães parecem sempre tranquilas, realizadas e pacientes? A maioria das mulheres não consegue reconhecer que o melhor momento das suas vidas está ligado aos seus maiores desafios, a cultura de que as mulheres têm que abdicar de tudo com um sorriso nos lábios gera muita culpa. E é difícil assumir estes sentimentos, admitir que nem tudo são flores, que existem muitos espinhos, e que no fundo eles são muito importantes e necessários. Qual seria o nosso mérito se fosse tudo tranquilo e perfeito? Se o bebé viesse com legenda, manual de instruções, comando e botão on/off? Se a nossa vida continuasse intacta?

A beleza da maternidade está em nos conseguirmos superar, em nos reinventarmos, em sermos bonitas mesmo com a barriga que continua após o parto, as estrias, as olheiras e tudo, e tudo, e tudo,...  e é possível ser feliz sem ir ao spa todas semanas, juro que é! E depois, eles crescem, ficam independentes mesmo antes de conseguirmos voltar à rotina, tudo se ajeita, e a nossa vida, mesmo que não seja a mesma, volta a ter tempo para nós, para namorar, ir beber um copo com as amigas ou simplesmente fazer xixi sem alguém por perto!

A verdade é que ser mãe é como um jogo de computador, cada fase é mais difícil, mas o prémio também é maior. Ah, e eles são tantos, vale mesmo muito a pena cada obstáculo, cada monstro derrubado, dentro e fora de nós.
Ter a oportunidade de criar alguém que pode fazer diferença neste mundo, amar alguém pelo simples facto de existir, de aprendermos com isso. Aliás, eu achava que seria mãe apenas para ensinar,  mas  descobri (e muito rápido) que sou mãe também para aprender, comigo e com eles, todos os dias. Sentir orgulho em mim e neles, aprender a trabalhar as minhas frustrações, os meus medos, ser mãe é das maiores lições de vida. Escolher o que ensinar, como programar a vida para serem boas pessoas, passar bons valores e, acima de tudo, para serem felizes, e isso, por vezes, faz-me sentir como se eu fosse um ourives a lapidar minuciosamente uma jóia deveras preciosa ou um autor a escrever um livro, mesmo sabendo que eles podem mudar a história. 

Aprender também implica reciclar conhecimentos e procurar noutros fonte para saciar esta sede. Embora a minha profissão já me tenha dado uma grande vantagem no caminho a percorrer pela maternidade, decidi que também eu posso (e devo) estar do outro lado. Naquele em que posso ser ouvida, que existe alguém que me escuta e me guia. Por isso, escolhi fazer um dos workshops da Magda e se já tinha uma ideia pré-concebida de como seria e se iria gostar, essa ideia só veio a ser reforçada, não só pelo conteúdo, pelo que reciclei, aprendi e me foi transmitido mas, acima de tudo, pela forma como foi transmitido e, principalmente, pela pessoa. Existem muitas formas de falar sobre a mesma coisa, mas poucas são as que têm o dom de conseguir comunicar e passar a mensagem de forma clara, e fazer com que ela assente e lá fique. A Magda tem esse dom! Confesso que até fiquei com uma certa inveja (sem maldade) e a pensar, que bom! Que bom que é existir aqui o melhor dos dois mundos! O de aprender, receber informação, dicas e orientações tão boas sobre temas que têm na minha vida um papel tão importante e ao mesmo tempo receber de alguém que tem uma energia e capacidade de comunicar fantásticas,



Quando a Magda me perguntou o que tinha achado e se havia alguma coisa, na minha opinião, que poderia ser mudada, o que lhe respondi foi isto: “Olha, para ser sincera eu achei o workshop muito bom e já estive a pensar em coisas que podes melhorar. O sítio é agradável, se pode ser outro mais bonito e melhor? Pode! Relativamente ao manual, tem lá a informação que é necessária e é óptimo ser versão de bolso. Se podia melhorar? Podia! Mas o que acho mesmo importante és tu. A forma como passas a mensagem e o que pretendes comunicar. Achas que chega às pessoas? Achas que elas ouviram e interiorizaram a informação? Eu diria que sim. É que efectivamente tu tens uma coisa muito boa, e que é isso que importa. Tu tens uma capacidade de comunicar fantástica. A forma como falas, a entoação, as paragens, a linguagem não verbal,... é mesmo muito cativante e nada aborrecido. E isso é o fundamental. O sítio podia ser o melhor, o manual podia estar todo xpto, poderíamos ter tido os melhores gifts, etc, etc... mas nada disso compensaria se não conseguisses comunicar e passar a mensagem. Certo?”



Os workshops de Outono, no Porto e em Lisboa estão encerrados.

Guest Post : Redonda ou quadrada

3.10.13





Mesmo antes de partir de férias recebi um email "provocatório" da Magda: deveria escrever-lhe um guest post. OMG, logo a mim!, pensei eu. Respondi-lhe que ía de férias e que esse tempo seria útil para refletir sobre o meu papel de mãe e educadora.

Fui de férias e fartei-me de pensar e concluí algumas coisas, sendo que uma delas é o facto de eu estar a anos luz de ser a mãe que eu gostaria de ser. De uma forma um pouco aleatória e distraída vou estando de olho dos desafios da Magda, sobretudo o Berra-me Baixo, e penso que deveria alinhar nesta missão. Na minha tarefa de ser mãe reconheço que me falta a calma para ter bom senso, sou explosiva do tipo "eu prendo, eu mato, eu arrebento", mas se por um lado sou assim, por outro tenho imenso prazer em estar com os meus filhos, em pregar-lhes partidas, fazê-los rir e afogá-los em beijos e abraços. Nestes quatro anos de maternidade tenho-me empenhado em, dentro de vários limites, proporcionar experiências e vivências marcantes à minha filha (e agora também ao meu filho mais novinho). Como "uma experiência marcante" não me refiro propriamente a fazer uma viagem de sonho ou comprar um brinquedo fora de série, mas sim, comer um gelado pela primeira vez, sair para dar um passeio a pé à noite, visitar uma exposição, mandar pedras ao rio, entre outras coisas muito simples e que passado um grande intervalo de tempo ver que ela ainda se lembra de determinado pormenor dessa ocasião. Quando existe essa recordação, sinto-me realizada a 100% enquanto mãe. Creio que para além de tudo o que é suposto um pai fazer, cuidar, alimentar, educar, a minha missão mais importante é efectivamente proporcionar momentos marcantes na vida dos meus filhos.

Sei que isto vai parecer um cliché daqueles mais batidos e pirosos, mas de facto, desde que sou mãe que sou mais feliz, não propriamente porque os meus filhos me fazem sorrir todos os minutos do meu dia, mas porque devido à sua existência comecei a ver a vida com outros olhos. Comecei a redefinir as minhas prioridades e redifini-as de tal forma que acabei por me demitir do meu antigo emprego, que me preenchia e me proporcionava muita segurança, e apostei numa vida completamente diferente, financeiramente mais modesta mas muitíssimo mais próspera em qualidade de vida familiar. 



De um modo geral, acho que todos os pais fazem tudo para proporcionar uma boa vida aos filhos e eu também o faço, dentro das minhas limitações "logísticas" e de acordo com a minha perspetiva de vida. Apesar de me arrepender de milhares de defeitos que tenho e que uma e outra vez saltam à vista, gostaria que os meus filhos recordassem a mãe que tiveram como alguém que se divertia COM eles e que ficava maravilhada com os seus olhares de espanto quando eles viam algo novo pela primeira vez."

O que te enche o coração

25.9.13
GUEST POST 



Post by As Maravilhas da Maternidade AKA Maria de Lurdes :)



Eu não sou a pessoa ideal para uma introspecção sentida e um texto inspirador ou arrebatador. Talvez seja demasiado cínica, ou demasiado pragmática, ou me falte o verbo, ou o que me (co)move não corresponda ao que (co)move os outros. Eu detesto lamechice, reviro os olhos a textos arrebatadores e piegas, não tenho pachorra para inspirational speeches, sou mais pela punchline e pela pragmática.
Mas um guest post de reflexão a pedido da Magda, nunca seria com as velas viradas à lamechice, seria virado à profundidade, ao saber de prática e experiência feito, a mexer um pouco no que nos vai cá dentro, sem filtros e arabescos.


Posto isto, vamos a uma introspecção - Do céu para a terra. À ideia de felicidade suprema, vejo-a mais como algo conceptual, algo perfeito, e portanto, inatingível. A “felicidade” seria ter a família sempre em paz, com saúde, um trabalho 100% satisfatório, marido amantíssimo com disponibilidade de tempo, muito tempo para viajar para sítios fantásticos, ler e estar com quem gosto, ganhar o euromilhões e fazer apenas o que me apetece, não levar qualquer crap de pessoas que não me agradam, um walking closet de estrela, horas de spa por semana. Mas isso nunca irá acontecer. Pelo menos nunca tudo junto ou ao mesmo tempo. Há uma máxima que eu adoro e que é um óptimo alívio para a alma – tu podes ter tudo, mas não ao mesmo tempo. Por isso, ser num dado momento feliz em todos os quadrantes é uma utopia, há sempre alguma coisa que falta. E nunca é constante.
De facto, a felicidade para mim é o somatório dos momentos de felicidade conscientes ou inconscientes que vivo ao longo dos anos e que consigo coser na minha memória como uma linda manta de retalhos. Ter imensos retalhos é a minha felicidade suprema. Sinto que sou felizarda na minha vida, sei que as coisas em geral me têm corrido muito bem e que sou feliz. Porque tenho uma manta de retalhos linda, grande e muito colorida, feita de momentos só meus, com o meu amor, com o meu filho, com a família que eu criei, com a que me criou, com os meus amigos, com os meus projectos, com a minha casa, com o lugar e tempo em que nasci.
Ainda há pouco vi ser criado mais um dos meus retalhos. O meu filho apareceu-me na sala, ainda estremunhado da sesta e embrulhou-se nos meus braços, suadinho, a responder às minhas perguntas com um sussurro de ternura. As minhas perguntas eram doces, porque ele tem quase três anos e é todo feito de inocência e marotice, e assim ficámos, num abraço calmo, a conversar docemente. Até aparecer o meu marido e nos apanhar nesse namoro e rirmos mais um pouco e irmos lanchar, simplesmente. Aperceber-me que esse momento tão singelo era um momento de felicidade, perfeitinho, que criei ali mais um retalho para a minha manta, é uma enorme felicidade em si, porque este não me escapou. Ele aconteceu, eu vivi-o bem, eu percebi que era um momento de felicidade e vou sempre lembrá-lo com essas honras. Outros momentos me podem ter escapado, por não me aperceber deles ou por não os ter vivido por um triz, porque o miúdo está mal disposto, ou o marido está a trabalhar, ou simplesmente por não os valorizar como momentos de felicidade. Para outras pessoas pode ser pouco, para outras pode ser isso mesmo. Para mim, são momentos assim, aparentemente pequeninos, que se juntam a momentos grandiosos que nos fazem felizes, ainda que não sejam perfeitos.




Também momentos pequeninos são os que me trazem angústia e infelicidade. Não são apenas as fatalidades, não são apenas as grandes questões, os grandes problemas. São momentos maçadores os que nos moem, os que nos vão lapidando até achegarmos ao fim do dia e pensarmos “Que dia horrível e em que é que o gastei?” É o computador que demora a desenvolver e nos tira tempo e paciência, são as mil coisinhas que temos para fazer, é a papelada acumulada, é o e-mail que não pára de apitar, é o telemóvel salvador-carrasco, é a minha desorganização patética, é o meu filho que não me obedece à primeira, nem à segunda, é o marido que nunca mais chega, é a casa que se desarruma sozinha, é a nortada que me estraga o cabelo mal penteado e os planos longínquos de praia, é os outros a queixarem-se sem fim das mesmas coisas ou de outras que eu considero ainda mais patéticas e eu só penso, “mas se eu não me queixo, tenho que te ouvir a toda a hora porquê? Suck it up!”
Essas pequenas coisas são as que me exasperam, deixam-me mais afectada do que gostaria, e elas verdadeiramente interferem com a minha felicidade. Porque toldam outros momentos, ou fazem com que eles não aconteçam. Um pequeno momento não preenchido de infelicidade, é um momento que se pode preencher de felicidade, necessariamente.
E muitas vezes basta mudar a nossa reacção aos factores externos para sermos mais felizes, para estarmos mais contentes. Eu, por exemplo, não sou uma pessoa paciente, nem resiliente, mas estes são aspectos que tenho tido oportunidade de contrariar com a chegada do meu filho. Haja paciência! E eu lá vou tricotando muita dela. O meu filho e o seu comportamento é o factor externo que mais me mobiliza, que mais me afecta, mas que ao mesmo tempo mais depende de mim para mudar ou moldar. Curiosamente, o facto de eu não ser paciente nem resiliente faz com que eu não tenha uma paciência infinita com o meu filho, faz com que eu não seja demasiado elástica com ele, o que até joga a seu favor. Eu não digo as coisas muitas vezes, ele sabe que se pisa o risco e abusa da minha boa vontade, vai ter consequências certinhas como o destino, ele sabe que a estrutura está lá, e que essa estrutura é dinâmica, mas que não é elástica. A minha falta de paciência é transformada pelo meu filho em estrutura, em firmeza, em “eu sou mais teimosa do que tu, a minha vontade é mais constante e consciente, eu sou a mãe”, apenas porque não estou para prolongar a situação, e fazer-lhe a vontade é prolongar a situação, a médio e longo prazo, não se corta o mal pela raiz.



A parentalidade positiva entra na minha vida para dar um nome à minha mudança de atitude, é o rótulo desta transformação. Parentalidade positiva é criar felicidade pelo nosso comportamento, em família. É algo que tem de ser trabalhado, é algo que tem de estar consciente em nós, que nós temos de apre(e)nder, mas é algo que pode surgir não apenas por filosofia de vida, mas por conveniência, porque é o que na prática nos torna uma família mais feliz, não apenas pela felicidade em si, mas pelo evitar de infelicidade, pela estrutura que gera calma, pela estratégia que substitui o improviso, pela acção em vez da reação, pela segurança, não caos e incerteza. Pode ser gerada por conveniência, e pode ainda surgir pela transformação dos nossos defeitos, ninguém precisa ser bonzinho ou “fofinho” para praticar a parentalidade positiva, basta estar consciente dos seus defeitos ou limitações e tentar moldá-los a favor do que mais desejamos, a calma e a felicidade, e a favor de quem mais amamos, os nossos filhos, a nossa família, a nós próprios. Assim, a impaciência transforma-se em estrutura e limites bem estabelecidos, e nunca chega a ser uma perda de controlo. A preguiça transforma-se em não estarmos sempre disponíveis para todas as vezes que eles queiram fazer a mesma brincadeira connosco, mas lhes proporcionemos momentos de brincadeira a sós no seu espaço, que os ensinemos a estar sozinhos, ou que aprendam a apreciar o silêncio, e nunca chega a ser negligência ou indisponibilidade. A ira transforma-se em saber dizer não, e não é não, e nunca chega a ser um ataque de fúria, ou uma agressão. A avareza ou as carências económicas transformam-se em frugalidade, em qualidade em vez de quantidade, em resistência aos caprichos, deles e nossos, e nunca chega a ser uma frustração ou vergonha. A vaidade e egoísmo transformam-se em fazermos questão de termos momentos apenas para nós, de nos cuidarmos, para que o espelho continue a reflectir uma imagem que nos encoraje, e nunca chegamos a ser narcisistas ou desencantadas. E por aí fora. Todos os nossos defeitos, ou todas aquelas coisas que nos fazem bem humanos e limitados, podem ser acolhidos e viradas do avesso, por forma a serem os activadores de comportamentos que venham a beneficiar a todos.



Vejo e tenho muitos momentos A-ha! com a parentalidade positiva, mas também vejo muitas reacções de “isso é inexequível, isso é tudo muito bonito, mas…”  Eu sou uma pessoa bem limitada, cheia de defeitos e, no entanto, a parentalidade positiva transforma as minhas limitações em mais-valias e eu continuo eu com os meus defeitos, mas virados do avesso pela positiva.

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