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A todas as mães com um filho que não vai passar de ano...

26.6.18


Que belo texto da Sónia!


A todas as mães com um filho que não vai passar de ano...

... gostava de pedir, em primeiro lugar, que não se culpem. A culpa não tem de ser vossa. Não têm de sentir vergonha perante aquela amiga cujo filho tem tudo corrido a cincos (ou a vintes, conforme os casos). Não sintam que são menos do que ela, ou o vosso filho menos do que o dela. E mesmo que sintam, nem que seja por breves instantes, não o digam em voz alta. Não façam comparações... Não há pior do que ser comparado com alguém. Somos todos tão diferentes...
Não, a culpa não é vossa. Nem sequer tem de ser deles. O mais certo é que seja do sistema de ensino, que está de pernas para o ar, e galopa a uma velocidade vertiginosa, deixando para trás quem não tem essa rapidez toda. Que está focado nas notas de testes, nas metas curriculares, nos rankings, em vez de estar focado em premiar o desempenho, o esforço, até a cidadania e a inteligência emocional. Também pode acontecer que os vossos filhos não tenham ainda a maturidade para perceber a importânica de passar de ano, talvez não tenham feito o esforço que vocês achavam que eles deviam ter feito. Talvez então seja bom que percam este ano. Às vezes é importante dar um passo atrás, para a seguir dar dois para a frente.
A todas as mães com um filho que não vai passar de ano, gostava de dar um abraço. Ainda não passei por isso (e reforço o ainda, porque acho perfeitamente que pode vir a acontecer) mas não tenho crânios cá em casa, daqueles que só têm nota máxima a tudo e passam com distinção e vénias e salamaleques. Não. E sabem que mais: estou na maior! Eu quero que os meus filhos saibam o valor do esforço, sim, que tentem superar-se, que tentem ser sempre o melhor que conseguirem. Mas quero também que se saibam divertir. Que dêem valor ao prazer. Que saibam ser boas pessoas, que olhem para o outro com empatia, com tolerância (palavra que detesto porque implica uma certa superioridade mas agora não encontro outra), que tenham vontade de ajudar, de fazer o bem. Que saibam ter uma conversa, que saibam pensar, pôr em questão, duvidar, argumentar, que não tenham medo de enfrentar quem acham que não está certo, com educação mas com assertividade. Os meus filhos não têm grandes notas e eu consigo bem imaginar o sentimento que deve assolar uma mãe (e um pai, mas as mães têm uma tendência para se culpabilizar por tudo) quando um filho perde o ano. "Onde é que eu falhei? O que podia ter feito mais? Se pudesse voltar atrás, o que faria diferente?" Não adianta. O tempo não volta para trás e o mais certo é terem feito tudo o que era possível. O chumbo de um ano não tem absolutamente nenhuma relação com o sucesso profissional futuro dos vossos filhos. Juro. Conheci verdadeiros génios no secundário que hoje estão na merda. Pessoas com uma capacidade intelectual extraordinária mas a quem faltou esperteza, destreza, paixão, trabalho. Ou até a quem faltou a sorte, que é um factor muito subvalorizado mas que conta, e de que maneira. Mas isto para dizer que o vosso filho que agora reprova não tem de ser um adulto falhado. Está tudo em aberto. Se tudo correr bem, haverá tantos anos pela frente. Para que apanhem este comboio que virou TGV, e que para alguns é mesmo difícil apanhar.
Uma amiga perguntava ao filho que talvez vá perder o ano que castigo ele achava justo que ela lhe aplicasse. Ele respondeu de forma inteligentíssima, a provar que um chumbo não é sinónimo de burrice ou incapacidade: "Acho que ter de repetir o ano já é castigo suficiente." E é. É porque vai ver os amigos passar. Porque vai sentir nos ombros o peso do seu fracasso (que é apenas um fracasso nestes moldes de ensino, quem sabe não seria um vencedor se o sistema estivesse pensado de forma diferente?). Porque vai sentir a humilhação de ser apanhado pelos mais novos, vendo o seu grupo de amigos, da mesma idade, a jogar noutra liga. É castigo suficiente. Não é preciso mais. Ou talvez seja. Uma conversa franca. Aberta. Um abraço. A desculpabilização. Do filho e da mãe (e do pai, caso também se sinta culpado). Não é desresponsabilização. São coisas distintas. 
A todas as mães com um filho que não vai passar de ano... paciência. É lixado. Dói. Porque é um carimbo, um rótulo, porque é uma marcação de passo, porque custa dinheiro, porque traz frustração, tristeza, porque é um desencontro entre o filho que se sonhou (quando os sonhamos nunca os sonhamos a chumbar) e o filho que se concretizou. Há - exagerando um pouco - um luto que é preciso fazer desse filho sonhado. Que se faça. E que seja rápido. Porque o filho real tem um milhão de coisas boas para dar. Só ainda não chegou lá. Para o ano será melhor. 

Se não te portas bem, olha que o Pai Natal

15.12.17


O Pai Natal tem um ar de querido, mas, na verdade, ele é um fofinho apenas com os pais que fazem bom uso dele logo a partir de outubro, ou assim que as lojas se lembram que vem aí a época natalícia. E digo que é bom connosco porque dá imenso jeito controlar o comportamento das crianças recorrendo a outras pessoas com mais poder do que nós.

Ele é o Pai Natal, ele é aquele senhor que colocamos em frases como “não mexas que vem aí o senhor e o senhor ralha.” Já para não dizer da polícia que, tal como o Pai Natal, não está cá para nos proteger, mas antes para nos levar para a prisão sem qualquer remorso ou tolerância para nos escutar ou dar-nos a hipótese de redenção.

Este trio — o Pai Natal, o tal senhor e o polícia — cumpre os requisitos. Mete medo, ameaça e a criança, enquanto é inocente, vai acatando alguns dos pedidos dados por pais que também eles ouviram aquilo em crianças. O pior vem depois quando descobre que o Pai Natal não existe, que o senhor despega do turno às 18:00, e quer tudo menos levar crianças endiabradas para casa, e que a verdadeira função do senhor de azul é proteger-nos.

Então que venha a ameaça e o castigo agora impostos pelos pais… só que o castigo é a melhor forma de desresponsabilizar uma criança. E porquê? Porque ela não é envolvida na situação, não aprende com ela nem lhe é dada a possibilidade de reparar o que fez.

Então, a questão é: como é que a criança aprende? A criança aprende quando é acompanhada. E sim, isso não garante que ela tenha comportamentos adequados o tempo todo, mas é justamente nesses momentos que temos a melhor oportunidade para ensinar a fazer melhor na próxima vez.

É com a escolha dos comportamentos e tendo a noção do impacto dos mesmos que ela poderá começar a trabalhar uma competência fundamental na idade adulta e que tem o nome de autorregulação. A autorregulação é a capacidade que temos em gerir as nossas emoções e a capacidade de optar por aquilo que nos vai trazer mais vantagens.

Ora, hoje sabemos que este aspeto se treina e a criança necessita de um adulto com paciência, que consiga também gerir as suas mesmas emoções (e frustrações) e que lhe mostre como são os comportamentos mais adequados. E tu vais querer ter esse papel — afinal de contas é para isso que existes, para educares os teus filhos, e educar é corrigir comportamentos.

Não vais querer que ele não faça asneiras porque tem medo do trio de cima ou porque não quer ficar de castigo. Vais querer que ele faça o que faz porque percebeu do interesse de ser assim. E sim, dá trabalho, mas sabes o que ganhas? Ganhas uma relação sem teres de recorrer a ameaças ou a subornos.

Vês, nem o Pai Natal, nem o senhor, e muito menos o polícia, são para cá chamados. Feliz Natal!

Ah! E o Pai Natal existe — e é um querido para as crianças!

Vídeos e mensagens ofensivas e que incitam ao conflito

13.3.17



Para além de ofensivos, este tipo de vídeos ou mensagens, são de elevado mau gosto, violentos, incitando até, à criação de conflitos, num movimento de antagonismo em vez de aproximação.

Não são apenas ofensivos mas também são redutores, tanto para o profissional, como para os pais (ou família). Admitir-se que se diga que a Escola ensina apenas matérias como a Matemática, o Inglês e que a família educa é, no mínimo, perigoso. 

Durante alguns anos dei formação a jovens na Cruz Vermelha Portuguesa. Alguns dos miúdos eram provenientes de famílias com grandes dificuldades, incapazes de garantir os mínimos aos filhos: afetos, alimento, formação, proteção e acompanhamento. Se estes pais não eram capazes, o meu dever, enquanto professora deles, era ajudar no processo: estando atenta, escutando, orientando e corrigindo sempre que fosse possível ou necessário. Junto dos pais quem atuava era a responsável de equipa, num trabalho sério, comprometido e rigoroso. Se nós não estivéssemos lá, quem é que estaria? Demitirmo-nos deste papel seria de uma enorme irresponsabilidade para com a criança que, sem retaguarda em casa, se viria completamente desprotegida e desapoiada.

A Escola, qualquer que ela seja [Escola, as aulas de futebol ou de ballet] tem adultos de referência para as crianças e não pode, em tempo algum, descartar a responsabilidade de ajudar a formar cidadãos. Na verdade, nem a escola, nem ninguém. Enquanto adulta, tenho o dever (e quero exercer esse dever) de ajudar no processo de educação de qualquer criança ou jovem. Seja acompanhado-a quando está em apuros, seja orientando-a quando precisa. Sobretudo quando, em casa, os seus, não são capazes de o fazer. 

É lamentável que possamos ouvir frases como 'A escola ensina e em casa educa-se'. A mão que embala o berço é a mão que governa o mundo'... e essa é a nossa mão. De todos! 

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Já ouviste falar no efeito pygmalion?

7.10.16

O "Efeito Pigmaleão (também chamado efeito Rosenthal), é o nome dado em psicologia ao fenómeno em que, quanto maiores as expectativas que se têm relativamente a uma pessoa, melhor o seu desempenho.É o efeito de nossas expectativas e percepção da realidade na maneira como nos relacionamos com ela, como se re-alinhássemos a realidade de acordo com as nossas expectativas em relação a ela."


Em 1968, dois pesquisadores americanos (Robert Rosenthal e Lenore Jacobson, da Harvard University) pegaram na totalidade de alunos de uma escola e fizeram-lhes um teste. Com esse teste, conseguiram identificar os alunos que se iriam destacar nesse ano letivo. Eram alunos com grande potencial e seria expectável que se evidenciassem. Apenas os professores tiveram conhecimento de quem esses alunos eram. Por isso, não foi com grande surpresa que, no final do ano, essas fossem as crianças que estivessem no topo da listagem.


A surpresa foi o facto desses alunos terem sido identificados de forma aleatória. O objetivo do estudo não era identificar quem eram os melhores. O objetivo era mostrar que quando temos altas expectativas em relação ao comportamento de uma criança e quando criamos um ambiente para que elas se concretizem (as nossas expectativas), então estão reunidas as condições para que isso aconteça.
Naturalmente que, como poderás ler aqui, não são apenas as expectativas do professor/cuidador/pai que contam. Temos de colocar em cima da mesa todo o ambiente sócio-económico, o background familiar e até o facto de ser uma criança saudável mas, como poderás ler no mesmo artigo, o facto de criarmos as condições tem um efeito gigantesco no resultado. Toda a intenção positiva do adulto, a sua boa-vontade, a linguagem não-verbal, o tom de voz, tudo isso tem um impacto determinante no sucesso (ou insucesso) do aluno/criança. Não é tudo, não é. Mas caramba, tem um peso gigantesco.

Como também falei aqui, quando levantamos a barra um bocadinho mais alto, os miúdos respondem. E respondem porque querem aprender e fazer, na busca da sua própria autonomia e a aprendizagem quando é desafiante - ou seja, quando acrescenta - impele a criança.

Vale a pena pensar nisto, não vale? De que forma é que criamos este ambiente saudável e propício ao crescimento e aprendizagem e como é que mostramos que temos estas altas (e saudáveis) expectativas em relação aos miúdos=



Se gostas destes temas, podes ficar a saber mais sobre as etapas do desenvolvimento de uma criança aqui.

Caim e Abel - Aumentar a cooperação entre irmãos

17.12.14
Talvez uma das frustrações que venha no topo das frustrações dos pais seja, justamente, a guerra entre irmãos.

A menos que a discórdia ou o conflito coloque em causa a segurança dos teus filhos [ou um deles esteja a ser perversamente injusto com o outro], a minha sugestão é que não te metas. Deixa-os encontrarem formas de resolverem a questão sozinhos.

Lembro-me que quando era miúda e que a minha mãe nos afastava [a mim e à minha irmã] porque nos pegávamos, dali a nada estávamos nós, em conjunto, a fazer das nossas para nos aproximarmos. Aquilo dava risota da grande e a nossa mãe dizia 'daqui a nada estão as duas a chorar'. Tinha dias que sim, tinha dias que não.

Por isso, a menos que haja mesmo perigo, não te metas. Como disse aqui, podes estar a perpetuar os papeis de vítima e de agressor.
Uma das formas que tens para aumentar a cooperação entre irmãos é fazer com que eles tenham experiências positivas um com o outro. Como? Não precisas de fazer grandes coisas, apenas estar atenta. Queres ver?


- João, que querido,explicaste ao teu irmão os exercícios de matemática - és um miúdo que ajuda!
- Ana, obrigada por teres trazido o saco do pão para dentro - assim eu pude trazer o Miguel ao colo e nenhum de nós apanhou frio. Estás atenta, meu amor.
- Alexandra eu vi que estavas feliz por veres a tua irmã a dançar no palco. É bom partilhar estas alegrias, não é?

Estás a dar valor a estes pontos - e os teus filhos vão sentir-se bem por isso e vão querer repetir.

Depois, e se puderes, organizem jogos em casa - e façam parcerias. Queres filhos amigos, resilientes e que saibam lidar com os conflitos. Em vez de olhares para as situações de conflito como coisas que enervam e te deixam triste, deixa-te de autocomiserações e pensa assim [coloca o dedo no queixo, com ar de pensador - sim, sim, faz isso!] 'Como é que eu posso ver isto como uma excelente oportunidade para ensinar gestão de conflitos?'

Dica: não é no calor da situação que vai ensinar ou resolver seja o que for. Deixa isso para depois.

COMO MOTIVAR O TEU FILHO PARA OS ESTUDOS EM 4 PONTOS FUNDAMENTAIS

15.12.14
Agora que as férias do Natal estão aí a chegar, aproveita a pausa para ajudares os teus filhos a sentirem-se motivados para o estudo.
O título diz que te vou contar como é que consegues motivar os teus filhos para o estudo mas é apenas um título chamativo - porque, na verdade, não é possível motivar ninguém para nada.

A motivação é uma porta que se abre por dentro e não há nada que consigas fazer para criares motivação dentro do teu filho - porque isso é uma questão tão íntima e que apenas a ele lhe diz respeito que tudo o que te possam dizer é quase 'só' para inglês ver.
O que tu podes fazer é ajudá-lo a sentir que estudar é bom. Sentir. Não é racional, entendes?
Como é que fazes isso?




1. Criando experiências positivas em relação ao estudo
Interessa-te pelo que ela está a aprender na escola - não em forma de inquérito mas pega nos cadernos dela e nos livros, depois de a deitares, e espreita o que ela anda e vai aprender. Depois, no carro ou no supermercado, explora circunstâncias onde ela possa aplicar o conhecimento que vai adquirindo.
Está a aprender a escrever? Treina o soletrar! Ou que países começam pela letra A! Não sabe países? Explora com ela os países onde tu já estiveste e onde adorarias ir. Sê curiosa e criativa!

2. Elogia bem e como deve de ser
'Parabéns, já fizeste os TPCs todos! És mesmo esperto e rápido' é muito diferente de dizer
'Já fizeste tudo? Uau, isso significa que gostas do que estás a aprender? Ora mostra lá! Ena, a letra 'g' está mesmo bem desenhada. Vejo que te aplicaste. Hmm... eu também tinha dificuldade no 'h' quando comecei a aprender as letras - desenha este melhor. Se gostares que eu te ajude no traço, eu estou aqui.Sabes, quando consegui desenhar bem o 'h' maiúsculo senti-me capaz de desenhar todas as outras letras!'

3. Gostas de estudar? Não gostas? Nunca foste boa aluna e agora gostarias que o teu filho não se saísse mal mas volta e meia dizes 'que nunca estudavas nada e que passavas sempre à rasquinha?
Possivelmente não estás a passar a mensagem da melhor forma... ora pensa lá nas implicações do teu discurso.

4. Eu gostava de ter tido a oportunidade de ter estudado mais e por isso não quero que ele fique para trás. Ele tem de perceber que tem de estudar porque caso contrário terá menos oportunidades.
Espera, espera, espera! Essa é a TUA história, não a dele. Se achas mesmo que estudar te trará mais oportunidades, então procura formas de o fazer, E não tem de ser numa escola - pode ser pela internet, podes decidir o que queres estudar, ir a livrarias e a bibliotecas procurar livros. Não tens tempo? Desliga a TV no final do dia e ganha todos os dias 2h de estudo, por exemplo. Ao mesmo tempo vais estar a ensinar ao teu filho a importância do estudo, como se estudo, e que quando queremos mesmo alguma coisa, conseguimos. Já lá diz o outro 'Quem quer faz, quem não quer, manda'.



Parentalidade e Educação Positiva no Supermercado

22.11.14
Há dias andava ás compras com o meu filho mais velho no hipermercado...na hora de pagar...filas intermináveis em todas as caixas...

Enquanto esperávamos o Tomás começa a ficar impaciente e a "meter" conversa com a senhora da frente...a dar "palpites" sobre a quantidade de compras, a fazer várias perguntas, etc, etc...
Eu, a achá-lo inoportuno, chamei a atenção várias vezes para que parasse de incomodar a senhora, sem sucesso nenhum...
Ela, vendo a minha preocupação tenta tranquilizar-me dizendo "deixe lá, eu tenho um exatamente igual"
E eu lanço de imediato "pois...intrometido, curioso, inoportuno, sem noção..."


A resposta a isto foi espetacular. O senhor atrás de mim diz "ou pode dizer que ele é atento, interessado, tem espirito de iniciativa...há sempre mais de uma forma de dizer as coisas..."
Atenção que isto foi dito sem o mínimo tom de critica....esta resposta, tão certeira, tão verdadeira teve a capacidade de mudar completamente a minha disposição...para melhor.. e fazer-me pensar...


E foi isto....uma grande lição na fila do supermercado:)


Enviado por uma querida leitora do blogue

TALVEZ A RAZÃO PELA QUAL NÃO BATO NEM CASTIGO OS MEUS FILHOS

17.10.14
É tudo uma questão de princípio. Não bato, simplesmente porque não me cabe na cabeça, nem castigo porque simplesmente não ensina nada. Que resulta imediatamente, resulta. Mas educar não é um jogo de poder e a nossa missão enquanto pais é ensinar e orientar. E neste 'ensinar e orientar' não me cabem as outras palavras.

Por outro lado, sempre achei que tenho coisas boas em mim. Acredito que não vem mal ao mundo por actuar com base no 'uma palmada na hora certa' mas eu considero que eu sou melhor que isso. Esta é uma avaliação que faço a mim própria apenas. É um auto-julgamento.


E esta frase de Buddha fez-me justamente pensar nisso: eu respeito os meus mas também me respeito ao ponto de me esforçar por ser o mais justa possível com os meus valores.

Talvez seja uma questão de princípio e de forma de ser.

Por outro lado, a questão da desobediência e da autoridade não se fazem apenas nos momentos quentes. Muito, e talvez o mais importante se passe justamente fora desses momentos. É o que eu chamo de parentalidade pro-activa. Se não investimos nesses momentos não podemos pedir milagres.

Pensa nisso!

Com nova cara!

4.2.14


Há males que vêm por bem.

Um dia, estava eu a fazer umas actualizações ao site quando, em vez de dizer que não, cliquei muito depressa no sim e mandei o site ao ar. Pimbas, que é para aprenderes a andar mais devagar.

Confesso que a ideia de refazer o site me deixou pouco preocupada. Andei a pensar ir ver o mercado (e fui) mas depois disse para mim 'vá, organiza-te e experimenta tu fazeres a coisa'.

E fiz! E fiz mais! Pedi a umas amigas que são fotografas para me enviarem fotos para eu ilustrar o site. Em vez de ir sacar fotos à net uso as fotos delas e sempre dou a conhecer o trabalho que desenvolvem. Olha olha o site a ficar com fotos todas catitas!


Entretanto, e muito sinceramente, para alguém que é amador nisto, acho que me safei lindamente e sozinha! Convido-te a visitares o Parentalidade Positiva e a dizeres-me o que te parece! Obrigada :)

Parentalidade Positiva

Bullying

11.12.13


Conta-me o que sabes, as tuas experiencias, conhecimentos de casos e o que pode ser feito. 
Obrigada.

Limites e Autoridade

6.9.12

Publicado a 24 Abril 2012




Tema quente, o de hoje. A autoridade… Desejada e ambicionada por muitos e, ainda assim, tão difícil de levar adiante.

Até a palavra é forte! Há quem goste de chamar autoridade, há quem lhe dê outros nomes. Não interessa. Hoje falo daquele momento em que ensinamos aos nossos filhos coisas fundamentais e onde impomos essa situação como obrigatória. Queres chamar liderança? Por mim, tudo bem. Desde que te faça sentido e consigas perceber que, neste caso, a semântica tem menos importância que o que abaixo se fala.

A palavra 'autoridade' está relacionada com o conceito de hierarquia e corresponde ao poder de comandar os outros e levá-los a agir da forma desejada. Constitui, por isso, a base para a responsabilidade. E podemos fazê-lo tanto pela força, como pela manipulação como pela modelagem. É uma questão de… estilo!
Palavras explicadas, vamos ao que interessa.

Aquilo que mais oiço é 'como é que faço para o meu filho' isto e 'para que o meu filho' aquilo?
A minha resposta é sempre 'não sei'.
E não sei mesmo. Cada caso é um caso, cada família é uma família. E nisto, é quase como num casamento… não meto a colher (embora muitas vezes tenha imensa vontade).
Adiante.

Aquilo que eu sinto é que, muitas vezes, nós não sabemos bem como fazer as coisas e qual é o nosso espaço e lugar, enquanto pais. Por isso é que este post se podia chamar 'uma explicação sobre o que é a autoridade parental'. Mas não se chama. Por isso, anda daí!

Nesta coisa de autoridade há uns quantos pontos que deixo abaixo, para leres, imprimires e até guardares para reflectires mais tarde. 

Aqui vão eles:
- As coisas, sejam elas quais forem, têm de ser explicadas às crianças. Todas? Sim, aquelas que lhes dizem directamente respeito. Em qualquer idade? Sim! Sim! Sim! Com as palavras adequadas, com os detalhes necessários. Aproveita e lê o post Falar a Verdade, onde explico melhor isto de se falar a verdade.
- As crianças têm de compreender que a vida tem regras e essas regras são para serem cumpridas. Elas são necessárias e indispensáveis numa sociedade civilizada. Não se dá pontapés ao banco da frente, num avião. Chega-se a horas à escola. Não se atira comida ao chão. Não se atravessa a rua quando está vermelho. Não se bate. And so on. 
- Nós pais também temos de compreender que estas regras são fundamentais e que somos nós aqueles que garantimos que os nossos filhos conhecem essas regras. Como? Enunciando-as e modelando-as. E exigindo que elas sejam cumpridas.

Autoridade é isto: é explicar a regra, impôr a regra e o respeito da mesma. Caso haja infracção, cada pai deve actuar de acordo com o que lhe parece útil naquela situação. Até pode abrir excepções à regra. It's our call. Se tiver de impôr uma sanção, que a imponha, na justa medida e com equilíbrio. Sinceramente, isto não tem nada de violento e o adulto não está a abusar do seu poder (e não, não me estou a referir a palmadas ou sapatadas.)

- Uma criança é um ser inteiro e que tem de ser tratada com respeito. Mas também é um ser em construção e, por isso mesmo, tem uma necessidade vital da autoridade dos pais para se construir. 
- A criança é um ser pulsional. Isto quer dizer que o cérebro dos nossos cutchi cutchi ainda está em crescimento e que a gestão que têm sobre um impulso ou desejo é muito pequena. Por isso mesmo é que esta autoridade tem de estar em equilíbrio com aquilo que pedimos que ela faça. Para quê? Para que seja justa. 
- Educar não é impôr. O objectivo da educação, entre outras coisas, é sobretudo o de fazer com que a criança compreenda o benefício das regras. Para quê? Ora bem, para que as possa aplicar sozinha, sem necessidade dos pais. E, compreendendo as regras, aceita-as. Por isso, e mais uma vez, falar a verdade, explicar a razão de ser das coisas é fundamental. 
- Educar também é escutar. Queres que os teus filhos façam sempre aquilo que tu queres? Mesmo? Queres uma obediência quase cega? Eu quero filhos que me questionem sobre o porquê e o interesse de uma regra. Sinceramente, não acho piada nenhuma quando oiço 'os meus filhos fazem tudo aquilo que lhes peço'. Estão na tropa?, tenho vontade de perguntar. E quando forem maiores? E quando forem adultos? Vão andar a toque de caixa por causa dos outros, sem nunca questionarem? Lá está, equilíbrio, meus senhores. E respeito pela criança. 

E nós? Costumo dizer que se compreendêssemos que é tão vital para os filhos a educação como é vital tomarem um medicamente para baixar a febre alta, talvez algumas coisas fossem diferentes.
Ao mesmo tempo, e como a Laura nos explicou na entrevista que deu aqui no Mum's, é importante que saibamos gerir as nossas frustrações e ansiedades. Elas são só nossas e de mais ninguém. Aposto que, quando isso acontece, somos mais capazes de enunciar e fazer respeitar uma regra sem que tenhamos de recorrer a sanções ou manipulações.

E porque é que isto tudo é importante? Pelas razões enunciadas acima e também porque é dentro dos limites que uma criança também se constrói.

A cor do dinheiro

5.9.12

publicado a 10/10/11


Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO"  
 Max Gehringer


Tu sabes que o dinheiro não traz felicidade - ajuda, e pode ajudar bastante em algumas situações. Dei por mim a pensar "mas afinal, o que é que traz, também, felicidade?"
Esta noção material de felicidade tem a ver com a nossa noção individual de abundância. E esta abundância tem a ver com o nosso bem-estar, com a nossa abundância interior e não com a quantidade de dinheiro que está no banco, com as coisas que possuímos. Mas isso, já tu e eu sabíamos.
Então pergunto-me:
"como é que estou a usar o meu dinheiro, para criar bem-estar para mim e para os meus?"
E tu? O que fazes com o teu dinheiro, para duplicares ou triplicares o teu bem-estar? Como é que o investes?

Dúvidas existenciais de uma mãe com prioridade...

24.8.12



Ser mãe pela segunda vez faz, ao que parece, que desvalorizemos uma série de questões. Tal como a Cacomae disse num dos últimos posts, até a introdução de certas comidas é feita mais cedo e aqueles cuidados exagerados com as chuchas parecem dar lugar a uma maior serenidade.

Estou convencida que tem muito a ver com as aprendizagens que fizemos, com o facto de já sabermos como que é tratar de um filho e perceber que o mundo não termina amanhã (espero eu!!!). Por outro lado, temos um acumulado de cansaço maior e temos outra criatura a quem dar atenção!Tornamo-nos, quer queiramos quer não, muito mais práticas!

Ainda assim, esta minha amiga confessava-me que, embora tenha sido sempre muito acarinhada durante a gravidez e nesta fase em que o pequenino tem pouco mais que um mês, fica completamente irritada quando lhe dizem que 'Ah, então como estão a correr as férias?'
'Férias, diz ela? Quais férias? Acordo quase todas as horas de noite para amamentar e mudar fraldas, de dia tenho de tomar conta de dois e nem consigo dormitar um pouco. Férias??? Onde?'

E confessou-me também que fica desnorteada quando vai ao supermercado e pede para usar a prioridade nas filas onde isso existe. Já em grávida olhavam para ela de lado ou, pura e simplesmente fingiam que não a viam. Agora, com o bebé no carrinho, acham que ela tem de esperar, como toda a gente, embora ali diga, claramente, prioridade a grávidas, mães com filhos de/ao colo, idosos ou pessoas portadoras de deficiência.

Sinceramente, eu também fico chateada mas sempre que precisei avancei e fiz uso da minha prioridade, sem ter de me explicar.

Porque o que me chateia é que as pessoas vejam e façam de conta que não viram. Quer parecer-me que é uma questão de educação e de princípios. 

Aliás, muitas vezes me pergunto se essas filas não deveriam ser filas exclusivas e não apenas prioritárias. Acabava-se logo com confusões...

Quanto ao estar de férias... enfim, acho que é mesmo uma crença estúpida que as pessoas têm. A Socorro sou mãe, na entrevista que lhe fiz aqui diz mesmo que Portugal não respeita a maternidade. Temos melhores leis que em muitos países, temos uma série de serviços extraordinários mas depois parece que ficam pontas soltas quer em flexibilidade de horários quer na mentalidade...



22.8.12
A propósito da tabela de ontem, muita gente disse

'e depois dos 5 anos, como é?'

Deixo-te abaixo a resposta possível :)

' Há muitos autores que defendem que dos 5 em diante é comportamento que se adquiriu, personalidade, educação. E quanto mais leio sobre o assunto, mais me quer parecer que assim é. A partir dessa altura os dados estão lançados! Aí é trabalhar a relação e continuar a amar, escutar e orientar. Aquilo que lá está já é parte dele :)'

in facebook, Mum's the Boss

Limites e Autoridade

8.8.12
Publicado a 24 Abril 2012




Tema quente, o de hoje. A autoridade… Desejada e ambicionada por muitos e, ainda assim, tão difícil de levar adiante.

Até a palavra é forte! Há quem goste de chamar autoridade, há quem lhe dê outros nomes. Não interessa. Hoje falo daquele momento em que ensinamos aos nossos filhos coisas fundamentais e onde impomos essa situação como obrigatória. Queres chamar liderança? Por mim, tudo bem. Desde que te faça sentido e consigas perceber que, neste caso, a semântica tem menos importância que o que abaixo se fala.

A palavra 'autoridade' está relacionada com o conceito de hierarquia e corresponde ao poder de comandar os outros e levá-los a agir da forma desejada. Constitui, por isso, a base para a responsabilidade. E podemos fazê-lo tanto pela força, como pela manipulação como pela modelagem. É uma questão de… estilo!
Palavras explicadas, vamos ao que interessa.

Aquilo que mais oiço é 'como é que faço para o meu filho' isto e 'para que o meu filho' aquilo?
A minha resposta é sempre 'não sei'.
E não sei mesmo. Cada caso é um caso, cada família é uma família. E nisto, é quase como num casamento… não meto a colher (embora muitas vezes tenha imensa vontade).
Adiante.

Aquilo que eu sinto é que, muitas vezes, nós não sabemos bem como fazer as coisas e qual é o nosso espaço e lugar, enquanto pais. Por isso é que este post se podia chamar 'uma explicação sobre o que é a autoridade parental'. Mas não se chama. Por isso, anda daí!

Nesta coisa de autoridade há uns quantos pontos que deixo abaixo, para leres, imprimires e até guardares para reflectires mais tarde. 

Aqui vão eles:
- As coisas, sejam elas quais forem, têm de ser explicadas às crianças. Todas? Sim, aquelas que lhes dizem directamente respeito. Em qualquer idade? Sim! Sim! Sim! Com as palavras adequadas, com os detalhes necessários. Aproveita e lê o post Falar a Verdade, onde explico melhor isto de se falar a verdade.
- As crianças têm de compreender que a vida tem regras e essas regras são para serem cumpridas. Elas são necessárias e indispensáveis numa sociedade civilizada. Não se dá pontapés ao banco da frente, num avião. Chega-se a horas à escola. Não se atira comida ao chão. Não se atravessa a rua quando está vermelho. Não se bate. And so on. 
- Nós pais também temos de compreender que estas regras são fundamentais e que somos nós aqueles que garantimos que os nossos filhos conhecem essas regras. Como? Enunciando-as e modelando-as. E exigindo que elas sejam cumpridas.

Autoridade é isto: é explicar a regra, impôr a regra e o respeito da mesma. Caso haja infracção, cada pai deve actuar de acordo com o que lhe parece útil naquela situação. Até pode abrir excepções à regra. It's our call. Se tiver de impôr uma sanção, que a imponha, na justa medida e com equilíbrio. Sinceramente, isto não tem nada de violento e o adulto não está a abusar do seu poder (e não, não me estou a referir a palmadas ou sapatadas.)

- Uma criança é um ser inteiro e que tem de ser tratada com respeito. Mas também é um ser em construção e, por isso mesmo, tem uma necessidade vital da autoridade dos pais para se construir. 
- A criança é um ser pulsional. Isto quer dizer que o cérebro dos nossos cutchi cutchi ainda está em crescimento e que a gestão que têm sobre um impulso ou desejo é muito pequena. Por isso mesmo é que esta autoridade tem de estar em equilíbrio com aquilo que pedimos que ela faça. Para quê? Para que seja justa. 
- Educar não é impôr. O objectivo da educação, entre outras coisas, é sobretudo o de fazer com que a criança compreenda o benefício das regras. Para quê? Ora bem, para que as possa aplicar sozinha, sem necessidade dos pais. E, compreendendo as regras, aceita-as. Por isso, e mais uma vez, falar a verdade, explicar a razão de ser das coisas é fundamental. 
- Educar também é escutar. Queres que os teus filhos façam sempre aquilo que tu queres? Mesmo? Queres uma obediência quase cega? Eu quero filhos que me questionem sobre o porquê e o interesse de uma regra. Sinceramente, não acho piada nenhuma quando oiço 'os meus filhos fazem tudo aquilo que lhes peço'. Estão na tropa?, tenho vontade de perguntar. E quando forem maiores? E quando forem adultos? Vão andar a toque de caixa por causa dos outros, sem nunca questionarem? Lá está, equilíbrio, meus senhores. E respeito pela criança. 

E nós? Costumo dizer que se compreendêssemos que é tão vital para os filhos a educação como é vital tomarem um medicamente para baixar a febre alta, talvez algumas coisas fossem diferentes.
Ao mesmo tempo, e como a Laura nos explicou na entrevista que deu aqui no Mum's, é importante que saibamos gerir as nossas frustrações e ansiedades. Elas são só nossas e de mais ninguém. Aposto que, quando isso acontece, somos mais capazes de enunciar e fazer respeitar uma regra sem que tenhamos de recorrer a sanções ou manipulações.

E porque é que isto tudo é importante? Pelas razões enunciadas acima e também porque é dentro dos limites que uma criança também se constrói.

3 requisitos para se exercer a Parentalidade Positiva

6.8.12




A questão é mais: ‘Se houvesse algum ponto importante a melhorar na atitude ou na forma de estar dos pais, que lhes facilitasse a vida, qual seria ele?

Não seria nem um, nem dois e sim três!

E quais são eles? Vamos lá então!

Primeiro, os pais e as mães têm de saber o que é que se espera deles. E o que é? É amarem os seus filhos, de forma incondicional. E, ao mesmo tempo, é saberem que existem para educar e humanizar os seus filhos. E como é que isso se faz? Preparando-os para serem adultos responsáveis, sãos e capazes. Como? Mostrando-lhes quais são as regras que existem na vida. E não são assim tantas quanto isso. Podes ler sobre isso aqui.

Depois os pais precisam de perceber que todos os membros da família têm o seu lugar. O pai e a mãe são pessoas. A criança é pessoa. Mas a criança não entra na intimidade da vida dos pais nem o filho entra nas discussões entre pai e mãe, mesmo que ele seja o tema do debate. A criança tem direitos e deveres tal e qual como os pais. Tem o direito (e o dever, até!) de brincar e também tem horas de ir para a cama, por exemplo. Para descansar e para que os pais possam fazer a sua vida de adultos. Uma criança não se levanta 50 vezes da cama. Isso não acontece. Se os pais souberem disto, conseguem actuar com maior firmeza. E é isto que muitas vezes falta – a firmeza.

Finalmente, a mãe (mais que o pai, na maior parte das vezes), precisa de se libertar de uma coisa que vem no pacote, quando se torna mãe, e que é a culpa. Precisa de ter momentos seus e que são fundamentais para que esteja em equilibrio e feliz, na sua relação com a família e com os filhos. Uma mãe cansada, frustrada e que deixa de ter vida para tratar dos filhos não consegue ter a energia necessária para desvalorizar o que é desvalorizável, para brincar mais e com mais vontade, para ser firme em vez de ralhar, castigar ou bater. Por isso mesmo, a mãe precisa de tempo para ela. Que tenha uma actividade extra-laboral. Se não pode, que vá tomar café com uma amiga, que vá passear com o marido ou com as amigas. E que aproveite os momentos em que está sem o filho, sem um pingo de culpa. Se o filho estiver bem e com alguém que sabe cuidar dele, então que aproveite! E que volte para casa com vontade de trincá-lo e enchê-lo de beijos. E feliz! Porque a primeira regra da parentalidade positiva é mesmo: pais felizes = filhos felizes.

Limites e Autoridade

24.4.12


Tema quente, o de hoje. A autoridade… Desejada e ambicionada por muitos e, ainda assim, tão difícil de levar adiante.

Até a palavra é forte! Há quem goste de chamar autoridade, há quem lhe dê outros nomes. Não interessa. Hoje falo daquele momento em que ensinamos aos nossos filhos coisas fundamentais e onde impomos essa situação como obrigatória. Queres chamar liderança? Por mim, tudo bem. Desde que te faça sentido e consigas perceber que, neste caso, a semântica tem menos importância que o que abaixo se fala.

A palavra 'autoridade' está relacionada com o conceito de hierarquia e corresponde ao poder de comandar os outros e levá-los a agir da forma desejada. Constitui, por isso, a base para a responsabilidade. E podemos fazê-lo tanto pela força, como pela manipulação como pela modelagem. É uma questão de… estilo!
Palavras explicadas, vamos ao que interessa.

Aquilo que mais oiço é 'como é que faço para o meu filho' isto e 'para que o meu filho' aquilo?
A minha resposta é sempre 'não sei'.
E não sei mesmo. Cada caso é um caso, cada família é uma família. E nisto, é quase como num casamento… não meto a colher (embora muitas vezes tenha imensa vontade).
Adiante.

Aquilo que eu sinto é que, muitas vezes, nós não sabemos bem como fazer as coisas e qual é o nosso espaço e lugar, enquanto pais. Por isso é que este post se podia chamar 'uma explicação sobre o que é a autoridade parental'. Mas não se chama. Por isso, anda daí!

Nesta coisa de autoridade há uns quantos pontos que deixo abaixo, para leres, imprimires e até guardares para reflectires mais tarde. 

Aqui vão eles:
- As coisas, sejam elas quais forem, têm de ser explicadas às crianças. Todas? Sim, aquelas que lhes dizem directamente respeito. Em qualquer idade? Sim! Sim! Sim! Com as palavras adequadas, com os detalhes necessários. Aproveita e lê o post Falar a Verdade, onde explico melhor isto de se falar a verdade.
- As crianças têm de compreender que a vida tem regras e essas regras são para serem cumpridas. Elas são necessárias e indispensáveis numa sociedade civilizada. Não se dá pontapés ao banco da frente, num avião. Chega-se a horas à escola. Não se atira comida ao chão. Não se atravessa a rua quando está vermelho. Não se bate. And so on. 
- Nós pais também temos de compreender que estas regras são fundamentais e que somos nós aqueles que garantimos que os nossos filhos conhecem essas regras. Como? Enunciando-as e modelando-as. E exigindo que elas sejam cumpridas.

Autoridade é isto: é explicar a regra, impôr a regra e o respeito da mesma. Caso haja infracção, cada pai deve actuar de acordo com o que lhe parece útil naquela situação. Até pode abrir excepções à regra. It's our call. Se tiver de impôr uma sanção, que a imponha, na justa medida e com equilíbrio. Sinceramente, isto não tem nada de violento e o adulto não está a abusar do seu poder (e não, não me estou a referir a palmadas ou sapatadas.)

- Uma criança é um ser inteiro e que tem de ser tratada com respeito. Mas também é um ser em construção e, por isso mesmo, tem uma necessidade vital da autoridade dos pais para se construir. 
- A criança é um ser pulsional. Isto quer dizer que o cérebro dos nossos cutchi cutchi ainda está em crescimento e que a gestão que têm sobre um impulso ou desejo é muito pequena. Por isso mesmo é que esta autoridade tem de estar em equilíbrio com aquilo que pedimos que ela faça. Para quê? Para que seja justa. 
- Educar não é impôr. O objectivo da educação, entre outras coisas, é sobretudo o de fazer com que a criança compreenda o benefício das regras. Para quê? Ora bem, para que as possa aplicar sozinha, sem necessidade dos pais. E, compreendendo as regras, aceita-as. Por isso, e mais uma vez, falar a verdade, explicar a razão de ser das coisas é fundamental. 
- Educar também é escutar. Queres que os teus filhos façam sempre aquilo que tu queres? Mesmo? Queres uma obediência quase cega? Eu quero filhos que me questionem sobre o porquê e o interesse de uma regra. Sinceramente, não acho piada nenhuma quando oiço 'os meus filhos fazem tudo aquilo que lhes peço'. Estão na tropa?, tenho vontade de perguntar. E quando forem maiores? E quando forem adultos? Vão andar a toque de caixa por causa dos outros, sem nunca questionarem? Lá está, equilíbrio, meus senhores. E respeito pela criança. 

E nós? Costumo dizer que se compreendêssemos que é tão vital para os filhos a educação como é vital tomarem um medicamente para baixar a febre alta, talvez algumas coisas fossem diferentes.
Ao mesmo tempo, e como a Laura nos explicou na entrevista que deu aqui no Mum's, é importante que saibamos gerir as nossas frustrações e ansiedades. Elas são só nossas e de mais ninguém. Aposto que, quando isso acontece, somos mais capazes de enunciar e fazer respeitar uma regra sem que tenhamos de recorrer a sanções ou manipulações.

E porque é que isto tudo é importante? Pelas razões enunciadas acima e também porque é dentro dos limites que uma criança também se constrói.

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