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MAIS PRÓXIMA DO TEU FILHO? 4 DICAS INFALÍVEIS!

22.8.16




Há alturas em que nos apetece desfazê-los com beijinhos. E depois há outras em que o desfazer não seria, com certeza, dessa forma.

Para uma ou outra circunstância, toma nota destas 4 dicas para ficares ainda mais próxima deles:

#1. Prepara-lhes um aperitivo
Pode ser algo mais saudável como uns sticks de cenoura ou simplesmente uma pequena tigela com batatas fritas e um sumo de laranja. Sim, estou mesmo a falar a sério!
E se puderes, sentem-se os dois a olhar para a janela, com uma música ambiente.
Vais ver como é tão bom!

#2. Beijinho à eskimo
Esta ganha sempre, não ganha?

#3. Conta uma anedota ou uma curiosidade que faça rir ou ainda, brinca com a situação!
Usar o sentido de humor, sobretudo naqueles momentos mais tensos é meio caminho andado para tirar a tensão das situações.

#4. Um abraço
No momento ou depois, um abraço compõe as situações e reforça as que já são fortes. Desde que seja honesto e querido pelas duas partes.

As palavras para dizer: «Quero a minha mãe!»

31.12.12
Esta crónica maravilhosa vem ao encontro daquilo que defendo e que é:

1. Contar SEMPRE a verdade às crianças, numa linguagem adaptada à sua idade;
2. Reconhecer os sentimentos;
3. Ajudar a falar e a pôr palavras nos sentimentos.

Fica pois a crónica da querida Isabel Stilwell, que entrevistei AQUI. Avó de mimo, de afectos e uma mulher extraordinária e doce!


As palavras para dizer: «Quero a minha mãe!»



Se a mãe ou o pai não estão fale-se neles, como sempre. E repita-se que nunca as esquecem, que voltam depressa. Porque elas ouvem, percebem e registam. E sentem-se menos assustadas.

No livro do pediatra Mário Cordeiro sobre as birras, sublinhei a caneta fosforescente, um parágrafo em que pedia aos pais que fizessem o ensaio de se exprimirem apenas com uma mão cheia de palavras, e depois contassem o que sentiam. Ele não tinha dúvidas nenhumas, e eu depois de ter feito a experiência também não, que ao fim de cinco minutos estávamos aos pontapés aos móveis, a atirarmo-nos para o chão furiosos, a usar todos os meios ao nosso alcance para não deixar ninguém imune à nossa frustração. Faríamos birras, portanto.
Perante o vocabulário que cresce a uma velocidade galopante da Madalena e da Carmo, ficamos todos fascinados. À medida que dizem os nossos nomes, chamam por eles, tornamo-nos facilmente (ainda mais) seus escravos. Quem é que se importa de se levantar a meio da noite, para um «afó», choramingado do quarto ao lado?
Mas agora quando as «adoptamos» por uns dias, com toda a euforia que obter a «guarda» das gémeas nos provoca (sim, é diferente sermos avós com os pais presentes, ou avós no estatuto de últimos responsáveis pelos netos, para o bem e para o mal), surge também a dúvida: que palavras usamos para lhes explicar que a mãe e o pai não estão, mas não as abandonaram? Como é que mitigamos as saudades e a desorientação que de certeza sentem, quando não têm forma de perguntar, não têm maneira de as manifestar? A primeira tentação é deixar de falar nos pais. Afinal, estão tão bem, para quê perturbá-las?
Imagino as crianças desta idade em instituições, e sinto um
imenso arrepio. Já ouvi dizer a técnicos que «os meninos se adaptam depressa, e esquecem o passado num instante». Escutei avós que garantem que quando lá ficam em casa «nem se lembram dos pais». Mas se dúvidas houvesse, bastava ver como reagem quando passam por uma fotografia da Ana ou do Eduardo, ou tragédia das tragédias, a vêem a acenar-lhes do lado de lá de um ecrã, e desatam em pranto.
Somos uns ignorantes do que se passa na cabeça das crianças, mas camuflamos a ignorância que nos mete medo e nos remete para as nossas ansiedades infantis, com uma segurança patética. Perguntei ao Eduardo Sá, tendo o privilégio de um programa diário com ele na Antena 1, e a resposta foi definitiva: elas podem não ter as palavras para dar conta dos seus sentimentos (e quantos adultos não as têm, recorda), mas compete-nos a nós ajudar a legendá-los. Sim, mesmo que chorem, e claro, fazendo-nos sentir menos importantes, mas se a mãe ou o pai não estão fale-se neles, como sempre. E repita-se que nunca as esquecem, que voltam depressa. Porque elas ouvem, percebem e registam. E sentem-se menos assustadas.
PS – Devem as mães deixar de sair em trabalho ou de férias porque os filhos sentem tanto a sua falta, pergunto, sem querer deixar as pobres ainda mais culpadas. «Claro que não. Os bons pais são aqueles que deixam os filhos crescer e alargar a sua rede de afectos, de ligações a outras pessoas, e deixar crescer significa permitir algumas dores». Uf! a história acaba bem para todos.




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Mais uma parceria para o workshop de Outubro!

18.9.12



É com imensa satisfação que anuncio aqui no blogue mais uma parceria para o workshop de Outubro 'A Arte e a Ciência de Educar Crianças Felizes (R), a 20 de Outubro, em Lisboa!

Desta feita, com a GDS Farma Saúde.

E quem é a GDS? 
A GDS é uma empresa nacional e familiar. E é exclusivamente constituída por 3 mulheres!

E o que é que a GDS tem de mais espectacular ainda?
Bem, para além daquilo que eu já escrevi acima (portuguesa, familiar e mulheres), juntou, num só local (físico e online) a resposta às necessidades de todos os membros de uma família - bebés, crianças, adolescentes, adultos e adultos mais experientes :) . Assim, ela comercializa produtos orgânicos, biológicos e ecológicos. 
Qual é o mote da GDS? A saúde e o Bem-estar da sua família com o que a natureza nos oferece: ecológico, biológico e orgânico.

E como convém que a cara bata com a careta, a GDS dá preferência às boas marcas portuguesas! 

Queres mais motivos para espreitares o site deles?

Eu dou-te mais dois:

1)
O concurso que lançou agora chamado Pais & Filhos. O objectivo é desenvolver uma atitude amiga do ambiente e estreitar os laços entre pais e filhos, claro! Vê mais infos aqui.
O que é que ganhas?
Aqui fica a lista de prémios:

- Minutos de Leitura - Adivinha os Animais e o que eles comem! (Para concorrentes até aos 3 anos. Ref: P000000151)
- Minutos de Leitura - É Tudo Verdade! (Para concorrentes entre os 3 e os 5 anos. Ref: P000000160)
- Oficina do Alfredo - O Cavalinho (Para concorrentes até aos 3 anos. Ref: B0007)
- Oficina do Alfredo - Pioninhas (Para concorrentes entre os 3 e os 5 anos. Ref: B0008)
- Science4you - Puzzle Roda dos Alimentos (Para concorrentes com mais de 6 anos. Ref: P000000130)
- Science4you - Kit Solar 6 em 1 (Para concorrentes com mais de 6 anos. Ref: P000000107)

A GDS oferece ainda, a todos os participantes, 10% de desconto em compras online! Vale mesmo a pena!!

2) A GDS é parceira do workshop de 20 de Outubro, como disse acima. E a todos os participantes vai oferecer um miminho em produtos ecológicos, biológicos e orgânicos. Que coisa boa, hein?




Os miúdos de hoje já não são como os de antigamente

21.8.12













Num dos últimos workshops que dei, uma das participantes, com duas filhas já adultas (veio por curiosidade e porque é educadora) dizia-me, e com muita razão ‘os miúdos de hoje já não são como os de antigamente’.


Pois não. Eu também penso como ela.


Mas a questão que se impõe é: ‘afinal o que é que ainda é como antigamente?’



Nem os próprios pais (nós!!!) somos iguais.


Repara: eu não acredito que tenham sido as crianças que mudaram. Nem podem ter sido elas! O que mudou foi o ambiente (ou a sociedade) que os rodeia e que está cheia de estímulos! Ah pois é, a culpa é sempre da sociedade... ;) (piscar de olhos!)



Os miúdos não faziam birras nos hipermercados porque não havia hipermercados cheios de estímulos em grande destaque nem tão pouco os mini-mercados e mercearias estavam abertos até à hora do jantar. Os míúdos não faziam birras porque queriam comer uma determinada marca de bolachas porque, na verdade, só havia meia-dúzia de marcas de bolachas... o lanche era pãozinho com manteiga e um iogurte ou leite! Não havia tantas escolhas, não havia tantos estímulos, não havia tanto stress nem tanta necessidade de se fazerem escolhas (e estar sempre a escolher pode ser uma canseira!)

Por outro lado, e ainda antigamente, os pais não tinham tanto stress como os de hoje em dia têm. Não havia a dita crise europeia, os empregos eram para a vida e os finais do dia eram sossegados.


Quem não se lembra das secas absurdas que apanhávamos de vez em quando? Quem não se lembra de ir à baixa com a mãe e aquilo demorar uma tarde inteira e tudo feito com muita calma? Hoje em dia vai-se à baixa e tem de se ir aqui, mais acolá e mais ali... é tudo a correr! É sempre a escolher! Eu lembro-me de comprar os meus sapatos sempre na mesma sapataria, até ser adolescente!


E quem não se lembra de, em muitos casos, ter de ir ao vizinho para fazer um telefonema, porque nem telefone tinha?


E quem não se lembra de levar com o TV rural ao domingo de manhã e achar que os desenhos animados deviam era continuar? E no canal 2 não estava a dar nada? Um escândalo era o que era!


A verdade é que muitos miúdos já não sabem o que é passarem uma tarde sem fazerem nada ou quase nada. Se não estão a fazer nada, ligam a TV. Ou vão para o ATL (sim, melhor isso que ficarem em casa sozinhos ou com quem não sabe tratar deles – mas acho que percebes o que quero dizer). Estão e são hiper-estimulados! E tanto o são que acabam por não saber mais o que fazer quando não há nada para fazer. Até para comer há quem coloque o tablet à frente para ver um desenho animado... A sério, é mesmo mesmo preciso? Todos os dias?


Os miúdos não podem ser como eram antigamente, claro que não!

Por isso, o nosso papel passa, claramente, por ajudarmos os nossos little ones a gerirem todo esse stress de hiper oferta e informação mais do que a punir por desejarem o que lhes é oferecido e o que lhes aparece à frente dos olhos sem lhes ser pedido.

Limites e Autoridade

8.8.12
Publicado a 24 Abril 2012




Tema quente, o de hoje. A autoridade… Desejada e ambicionada por muitos e, ainda assim, tão difícil de levar adiante.

Até a palavra é forte! Há quem goste de chamar autoridade, há quem lhe dê outros nomes. Não interessa. Hoje falo daquele momento em que ensinamos aos nossos filhos coisas fundamentais e onde impomos essa situação como obrigatória. Queres chamar liderança? Por mim, tudo bem. Desde que te faça sentido e consigas perceber que, neste caso, a semântica tem menos importância que o que abaixo se fala.

A palavra 'autoridade' está relacionada com o conceito de hierarquia e corresponde ao poder de comandar os outros e levá-los a agir da forma desejada. Constitui, por isso, a base para a responsabilidade. E podemos fazê-lo tanto pela força, como pela manipulação como pela modelagem. É uma questão de… estilo!
Palavras explicadas, vamos ao que interessa.

Aquilo que mais oiço é 'como é que faço para o meu filho' isto e 'para que o meu filho' aquilo?
A minha resposta é sempre 'não sei'.
E não sei mesmo. Cada caso é um caso, cada família é uma família. E nisto, é quase como num casamento… não meto a colher (embora muitas vezes tenha imensa vontade).
Adiante.

Aquilo que eu sinto é que, muitas vezes, nós não sabemos bem como fazer as coisas e qual é o nosso espaço e lugar, enquanto pais. Por isso é que este post se podia chamar 'uma explicação sobre o que é a autoridade parental'. Mas não se chama. Por isso, anda daí!

Nesta coisa de autoridade há uns quantos pontos que deixo abaixo, para leres, imprimires e até guardares para reflectires mais tarde. 

Aqui vão eles:
- As coisas, sejam elas quais forem, têm de ser explicadas às crianças. Todas? Sim, aquelas que lhes dizem directamente respeito. Em qualquer idade? Sim! Sim! Sim! Com as palavras adequadas, com os detalhes necessários. Aproveita e lê o post Falar a Verdade, onde explico melhor isto de se falar a verdade.
- As crianças têm de compreender que a vida tem regras e essas regras são para serem cumpridas. Elas são necessárias e indispensáveis numa sociedade civilizada. Não se dá pontapés ao banco da frente, num avião. Chega-se a horas à escola. Não se atira comida ao chão. Não se atravessa a rua quando está vermelho. Não se bate. And so on. 
- Nós pais também temos de compreender que estas regras são fundamentais e que somos nós aqueles que garantimos que os nossos filhos conhecem essas regras. Como? Enunciando-as e modelando-as. E exigindo que elas sejam cumpridas.

Autoridade é isto: é explicar a regra, impôr a regra e o respeito da mesma. Caso haja infracção, cada pai deve actuar de acordo com o que lhe parece útil naquela situação. Até pode abrir excepções à regra. It's our call. Se tiver de impôr uma sanção, que a imponha, na justa medida e com equilíbrio. Sinceramente, isto não tem nada de violento e o adulto não está a abusar do seu poder (e não, não me estou a referir a palmadas ou sapatadas.)

- Uma criança é um ser inteiro e que tem de ser tratada com respeito. Mas também é um ser em construção e, por isso mesmo, tem uma necessidade vital da autoridade dos pais para se construir. 
- A criança é um ser pulsional. Isto quer dizer que o cérebro dos nossos cutchi cutchi ainda está em crescimento e que a gestão que têm sobre um impulso ou desejo é muito pequena. Por isso mesmo é que esta autoridade tem de estar em equilíbrio com aquilo que pedimos que ela faça. Para quê? Para que seja justa. 
- Educar não é impôr. O objectivo da educação, entre outras coisas, é sobretudo o de fazer com que a criança compreenda o benefício das regras. Para quê? Ora bem, para que as possa aplicar sozinha, sem necessidade dos pais. E, compreendendo as regras, aceita-as. Por isso, e mais uma vez, falar a verdade, explicar a razão de ser das coisas é fundamental. 
- Educar também é escutar. Queres que os teus filhos façam sempre aquilo que tu queres? Mesmo? Queres uma obediência quase cega? Eu quero filhos que me questionem sobre o porquê e o interesse de uma regra. Sinceramente, não acho piada nenhuma quando oiço 'os meus filhos fazem tudo aquilo que lhes peço'. Estão na tropa?, tenho vontade de perguntar. E quando forem maiores? E quando forem adultos? Vão andar a toque de caixa por causa dos outros, sem nunca questionarem? Lá está, equilíbrio, meus senhores. E respeito pela criança. 

E nós? Costumo dizer que se compreendêssemos que é tão vital para os filhos a educação como é vital tomarem um medicamente para baixar a febre alta, talvez algumas coisas fossem diferentes.
Ao mesmo tempo, e como a Laura nos explicou na entrevista que deu aqui no Mum's, é importante que saibamos gerir as nossas frustrações e ansiedades. Elas são só nossas e de mais ninguém. Aposto que, quando isso acontece, somos mais capazes de enunciar e fazer respeitar uma regra sem que tenhamos de recorrer a sanções ou manipulações.

E porque é que isto tudo é importante? Pelas razões enunciadas acima e também porque é dentro dos limites que uma criança também se constrói.

3 requisitos para se exercer a Parentalidade Positiva

6.8.12




A questão é mais: ‘Se houvesse algum ponto importante a melhorar na atitude ou na forma de estar dos pais, que lhes facilitasse a vida, qual seria ele?

Não seria nem um, nem dois e sim três!

E quais são eles? Vamos lá então!

Primeiro, os pais e as mães têm de saber o que é que se espera deles. E o que é? É amarem os seus filhos, de forma incondicional. E, ao mesmo tempo, é saberem que existem para educar e humanizar os seus filhos. E como é que isso se faz? Preparando-os para serem adultos responsáveis, sãos e capazes. Como? Mostrando-lhes quais são as regras que existem na vida. E não são assim tantas quanto isso. Podes ler sobre isso aqui.

Depois os pais precisam de perceber que todos os membros da família têm o seu lugar. O pai e a mãe são pessoas. A criança é pessoa. Mas a criança não entra na intimidade da vida dos pais nem o filho entra nas discussões entre pai e mãe, mesmo que ele seja o tema do debate. A criança tem direitos e deveres tal e qual como os pais. Tem o direito (e o dever, até!) de brincar e também tem horas de ir para a cama, por exemplo. Para descansar e para que os pais possam fazer a sua vida de adultos. Uma criança não se levanta 50 vezes da cama. Isso não acontece. Se os pais souberem disto, conseguem actuar com maior firmeza. E é isto que muitas vezes falta – a firmeza.

Finalmente, a mãe (mais que o pai, na maior parte das vezes), precisa de se libertar de uma coisa que vem no pacote, quando se torna mãe, e que é a culpa. Precisa de ter momentos seus e que são fundamentais para que esteja em equilibrio e feliz, na sua relação com a família e com os filhos. Uma mãe cansada, frustrada e que deixa de ter vida para tratar dos filhos não consegue ter a energia necessária para desvalorizar o que é desvalorizável, para brincar mais e com mais vontade, para ser firme em vez de ralhar, castigar ou bater. Por isso mesmo, a mãe precisa de tempo para ela. Que tenha uma actividade extra-laboral. Se não pode, que vá tomar café com uma amiga, que vá passear com o marido ou com as amigas. E que aproveite os momentos em que está sem o filho, sem um pingo de culpa. Se o filho estiver bem e com alguém que sabe cuidar dele, então que aproveite! E que volte para casa com vontade de trincá-lo e enchê-lo de beijos. E feliz! Porque a primeira regra da parentalidade positiva é mesmo: pais felizes = filhos felizes.

Isto não é para brincadeiras!

4.6.12





Quando lidas com uma criança, coloca toda a tua sabedoria de lado, e senta-te no chão.


Austin O’Malley 1915


 A propósito do dia Mundial da Criança, os dois mais importantes pediatras portugueses – Mário Cordeiro e Eduardo Sá - referiram-se da importância do brincar, na vida das crianças, aqui e aqui. E isso é coisa que nós já sabemos há muito tempo, certo?, e que vale sempre ser lembrada!
 


Admito: muitas vezes tenho pouca paciência para brincar. Gosto mais de fazer colagens, conversar ou passear. Mas admito também que, à medida que vou investindo mais nesta coisa de brincar, mais vou gostando... Já lá diz o povo ‘O comer e o coçar vai do começar’.

 Acho que é igual em quase todo o lado. Quer tenha tido um bom ou um mau dia, aquilo que a minha filha espera que eu faça, assim que estou com ela, é que brinque. Mesmo que a última coisa que me apeteça naquele momento seja, exactamente isso: brincar! Mesmo depois de ter dado o meu melhor durante o dia, mesmo depois de ter despachado uma série de assuntos, chegar a casa significa, antes de tudo o mais...? Isso mesmo: brincadeira! Mas a verdade é que muitas vezes, com o cansaço do dia e com a desculpa que tenho de adiantar o jantar, vou fingindo que estou a brincar. E brincar é uma coisa muito séria. Só que, para mim, tem dias em que soa a uma grandessíssima seca... A ti, não? :)
 


Por vezes fico frustrada por a minha filha não conseguir pintar dentro do desenho. Outras vezes fico frustrada por ela não querer brincar de acordo com as regras de um determinado jogo. Mas, no fundo, no fundo, quem sou eu para pensar assim quando eu própria, tantas vezes, não consigo concentrar-me numa simples brincadeira com ela?


 Brincar é a forma mais importante e mais completa que uma criança tem para comunicar, para experimentar e para aprender. E é tão verdade que partilho aqui um exemplo. Durante umas semanas, a minha filha recusava-se a falar do que se passava na escola. Estava na cara que não estava a gostar da experiência mas concretamente eu não a conseguia ajudar porque ela não abria o jogo. Ao falar com a educadora, o feedback era sempre positivo. Em casa e nas viagens para e da escola, sentia a miúda tensa, triste. Até que decidi brincar com a situação. E como? Brincar às escolas. Ela seria quem quisesse e eu seria quem ela quisesse. E foi nessa altura que, ao fim de uns 5 ou 6 dias, a minha miss começou a explicar, através do ‘vamos brincar à escola’, aquilo que a fazia menos feliz.
 


A Laura Markham fala do ‘Special Time’ e foi exactamente através deste ‘método’ ou ideia ou dica (como lhe queiras chamar) que passei a gostar muito mais de brincar.
O ‘Special Time’ consiste em 15 minutos de brincadeira onde é a criança quem manda. Se ela quiser calçar os meus sapatos, se ela quiser alterar as regras de um jogo, se ela quiser saltar em cima dos sofás, ela pode. São 15 minutos em que eu e ela estamos juntas a brincar e é ela quem comanda. Não há regras nem excepções (bom, admito que se houvesse uma ou outra situação de risco físico eminente, o jogo ficaria anulado ou teria de ser alterado. Há uma idade para tudo. ).


Adiante! O que eu quero dizer é que se estivermos a fazer uma montagem de legos, ela é que vai dizer como é que se faz e eu só tenho de me controlar para não lhe dar pistas. She’s the boss not me!
E quando o cronómetro tocar, o ‘Special Time’ acabou (não tens de usar cronómetro, lógico!) Podemos continuar a brincar mas brincamos num tom diferente. Até porque também é importante que ela aprenda a brincar sozinha, certo?
 


E o que é que ganhamos com o ‘Special Time’?
   Maior e melhor vinculação. Naqueles 15 minutos não existe ninguém mais importante. Naquele momento, a nossa ligação é exclusiva!
   Menos stress. As crianças são muito físicas. Permitindo que brinquem e que gastem as energias, ficam muito menos tensas. As más energias saem e os putos ficam bem, sossegados!
   Fazemos aquilo que temos de fazer com elas e que é brincar!
   Preenchemos a necessidade que têm de atenção parental exclusiva. Estiveram o dia inteiro sem nós! Vamos celebrar o encontro!
  Queres um exemplo de como é tão importante esta coisa do brincar?
Há uns meses atrás, vinha com a minha little one para casa, de carro. E vinha a dizer-lhe ‘Assim que chegarmos a casa, vamos brincar. Queres brincar a quê? Desenhos, ok, então vamos brincar a fazer desenhos!’
E eu cheguei a casa, ajudei-a a tirar o casaco e disse que ia só pousar os sacos. Só que pousei os sacos, pus o jantar ao lume, arrumei a loiça do pequeno almoço, falei com a minha mãe ao telefone e, quando cheguei à sala para finalmente brincar, levei com uma sapatada. E, ao invés de ficar chateada e de lhe dar um valente sermão, percebi que a minha filha estava cheia de razão. Eu tinha prometido que ia brincar com ela e a verdade é que tinha estado a fazer outra coisa qualquer... E foi a forma que ela teve de me dizer que não estava contente.
Perguntei-lhe ‘Estás chateada comigo?’ e obtive um consentimento.  E porquê? Ela não me sabia dizer... sabia que estava triste e frustrada mas possivelmente não se lembrava. E eu perguntei-lhe ‘foi porque eu disse que ia brincar contigo e só venho agora?’. Ela acenou que sim. Pedi-lhe desculpas e fomos brincar. Se calhar, algumas de nós tinham castigado, dado outra sapatada ou até um sermão.
 


Da próxima vez, procura saber se não há ali alguma frustração e alguma necessidade de brincadeira não preenchida.


 E boas brincadeiras!


Nota: O Eduardo Sá é psicólogo e não pediatra! Obrigada Sylvia, pela correcção!

Amigos imaginários

15.5.12
  

O teu filho também tem amigos imaginários?

Cá em casa somos muitos: o Pedro (que é o filho), o lobo, o pato, o gato (desta história) e ainda uma bruxa má que, afinal, até é um doce de pessoa!

E quando saímos nenhum pode ficar em casa. Vêm todos, todos!

E tu, como é que lidas com esses amigos?

Lê mais, aqui.

Frases e situações cómicas, com os little ones

7.5.12

Adoro ler as situações caricatas que cada mãe e pai deixa no seu blogue. A kiki, , a Melancia e a Rita deixam umas quantas.
Partilha aqui as tuas - só para nos derreteres e nos fazeres sorrir um bocadinho mais!

Hoje é assim # 48

8.3.12
'Assegurar que uma criança internaliza os nossos valores não é a mesma coisa que ajudá-la a desenvolver os seus próprios valores. E estará muito longe de ser una criança que pensa de forma independente.'

Alfie Kohn

Spanking e Slapping - uma rápida explicação

5.3.12
A propósito dos termos acima, sobre a entrevista que deixei neste post, falei com a Dra. Laura Markham e pedi-lhe que nos clarificasse. Aqui fica a explicação dela:

Both Spanking and Slapping a child is a punishment designed to hurt the child so that he will not do (in the future) the behavior that he is being punished for. 

Spanking consists of hitting the child on the buttocks with an open hand.  Some parents use an object such as a wooden spoon or belt. 

Slapping consists of hitting the child on the face with an open hand. Some parents will also slap other parts of the child's body, such as the child's hand if the child is using it for a purpose the parent does not like, such as grabbing.

Both are acts of violence.  

In the US culture, a slap is usually considered to be evidence that the parent is losing her temper, which is not a good thing.  On the other hand, a spanking is sometimes thought to be a "considered" punishment that is not done when the parent loses her temper, but is done because the child deserves it and it will teach the child.  However, that is of course not true.  If parents wait until they calm down, they will always find a more constructive intervention than a spanking.



Ou seja, spanking é uma palmada. Slapping é um estalo.

Espero ter ajudado!

Livro: O grande livros dos Medos e das Birras

29.2.12

Como já disse uma ou outra vez, recebo feedback  (aqui refiro-me a mensagens por e-mail) de quem lê o ‘Mum’s’ e isso é, para mim, fantástico! Adoro! Esse é o alimento que preciso para querer continuar. Em muitos casos, pedem-me sugestões de livros porreiros para ler sobre estes temas.

Há um que eu sugiro e que é, de facto, muito interessante. É ele ‘O grande livro dos medos e das birras’, do Mário Cordeiro.

E porque é que eu gosto tanto deste livro?

Então é assim:

1)      O foco é no comportamento e não na criança. Trocando por miúdos, o pediatra acha mesmo que as crianças não têm má índole. Têm é comportamentos menos adequados. E quando tu te focas nisso (no comportamento) consegues abrir uma série de alternativas e consegues ir buscar ainda mais paciência (e até ideias) para lidares com a situação.  Por outro lado, a criança não se sentirá mal e perceberá que é o comportamento que tem de melhorar e que ela não é má.
Queres um exemplo? Em vez de dizeres ‘És feio!’, podes dizer ‘Pára, por favor de riscar as paredes (e pegas no teu ‘Miguel’ ao colo, ou pela mão) e dás-lhe uma folha de papel e dizes ‘Agora desenha aqui’. O ‘Miguel’ não é feio, pois não? É sim muito criativo... Sabes, eles ainda não conseguem perceber a nossa necessidade em termos a casa toda direitinha. Pode ser que tenhas de lhe dizer e mostrar isto umas quantas vezes – é mesmo assim, sabes? Lembra-te disto :)

2)      Tem uma escrita doce, meiga e serena. É por isso que gosto tanto dele porque quando pego num livro destes procuro serenidade e quem me ‘oiça’ ;)

3)      É escrito por um português e, como bom português, conhece a nossa cultura, de onde vimos e para onde devemos evoluir. Não encontro nele uma ponta de presunção, uma ponta de acusação. Pelo contrário, sinto que se importa e que respeita a nossa forma de ser. Acredito que quando aceitamos o que somos, aceitamos mais depressa, e com maior motivação, o caminho que temos a fazer. Um passo de cada vez, certo? E, mais uma vez, isso serena-me. Vamos no caminho certo!

O futuro...

27.2.12
Hoje estive uns minutos à conversa com a Marília, do blogue Tripping Mom [sim, sim, faz parte das entrevistas a publicar muito em breve ;) ].
E numa parte do seu blogue está aquilo que define um dos motivos da existência do Mum's the Boss. Eu não diria melhor e quem o disse foi o biólogo e filósofo chilêno, Humberto Maturana


The future doesn´t lie with kids, but with the adults taking care of the kids


'O futuro não está nas mãos dos miúdos e sim nos adultos que tomam conta dos miúdos'.

Já viste o poder que temos? Para o bem e para o mal...

Hoje é assim #40

7.2.12
A Jennifer, que entrevistei aqui e aqui, partilhou no facebook esta frase, que eu também quero partilhar contigo. É de um livro que ela anda a ler. Só por isto, acho que o livro já vale mesmo a pena...!

A gentileza pratica-se!

19.1.12

Li um artigo sobre o dia da gentileza. Sim, sim! Sermos gentis!

Gostei do artigo porque tem o foco nas crianças.

São boas ideias para quem é educador, para quem lida com muitos meninos e também pode ser aplicável em nossa casa.

São ideias giras, que colocam os miúdos em estados positivos e os fazem sair do hábito que tendencialmente se cria em ver o lado menos bom das coisas. Estou convencida que os fará desenvolver sentimentos mais nobres, os tornará mais empáticos e desenvolverá neles alguma sensibilidade. Para além de uma enorme criatividade e até compaixão.

Bom bom, era fazermos estas coisas diariamente, uns com os outros. Que tal?




Hoje é assim #26

14.12.11

Como diz o outro 'Vale a pena pensar nisto': "L'enfant est une personne à part entière".
Com esta frase tive um "aha moment": aquilo que eu sentia fazia parte daquilo que a Dolto já dizia: tratar as crianças como pessoas [porque o são!], inteiras!
E por isso tratamos a nossa de 'pessoazinha', porque é só pequena [ainda!] em tamanho...
E tenho pra mim que faz uma ENORME diferença...

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