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Elogios Vs Reconhecimento

6.8.19
Ao longo desta semana quisemos mostrar-te como é que os elogios podem ser cheios de significado, em vez de serem potencialmente vazios e só criarem dependência.

Para que nada te falte, ficam aqui os 5 posts em jeito de compilação, para que possas fazer diferente aí por casa.

1. Definição de reconhecimento 
2. O poder do reconhecimento para a auto-estima do teu filho
3. Como se faz o elogio em vez do reconhecimento?
4. Mas eu acho que devia ter sido mais elogiada quando fui pequena...
5. Estudo: elogiar cria crianças inseguras mumstheboss.com

Auto-estima e conhecimento emocional

8.7.19
Quando comecei a trabalhar o tema da parentalidade em workshops e conferências, em 2010, reparei que a principal preocupação dos pais tinha a ver com a questão da autoridade e da obediência. Alguns anos passados e fica claro que houve uma mudança. Estamos mais focados nos aspectos da auto-estima da mesma e no seu crescimento emocionalmente seguro. Na bio ou no link abaixo encontras 5 posts dedicados ao tema. Para terminar - ou começar - muito bem a semana! http://mumstheboss.blogspot.pt/2017/11/auto-estima-1tema5posts.html?m=1

Os pais devem estudar com os filhos: sim ou não?

5.4.18

Texto de Sofia Teixeira | Ilustração de Sérigio Condeço/WHO

Noticias Magazine

O terceiro período está a chegar e é decisivo para o sucesso escolar dos seus filhos. Ver o desastre iminente e não fazer nada é difícil, mas devem os pais ajudar os miúdos a fazer os trabalhos de casa e estudar com eles para os testes ou deixá-los por conta própria? A resposta pode resumir-se com um «no meio está a virtude», sendo certo que esse meio-termo nem sempre é fácil de encontrar.


Andreia Reis senta-se algumas vezes por semana ao lado de Tomás, de 6 anos, para supervisionar os trabalhos de casa. Tomás ainda tem poucos trabalhos e a mãe costuma deixar que ele escolha quando quer fazê-los, tentando apenas que não adie demasiado.

O pequeno é despachado e a mãe acompanha-o lendo o que é solicitado e pedindo uma correção aqui e outra ali, sobretudo para o incentivar a melhorar a letra. O filho entrou no primeiro ciclo e a única dificuldade que Andreia lhe deteta é a de conseguir ficar sentado.

«Sempre tive uma imagem muito idílica do início da escola, dele a fazer os trabalhos comigo ao pé e tudo a correr muito bem. Mas a verdade é que às vezes eu própria fico impaciente, porque ele está sempre a querer levantar-se, não se concentra, arranja mil e uma desculpas para dispersar a atenção.»


O apoio que é necessário ou desejável por parte dos pais no que respeita ao estudo tem uma relação direta com a idade e com a maturidade

Até ver, e apesar da agitação na altura de fazer os trabalhos, o filho está a sair-se bem. A mãe gosta de puxar por ele de forma lúdica: «Sentamo-nos à mesa e leio um livro com ele, fazemos jogos de palavras, brincamos com os números, fazemos contas de cabeça. Acho que isso vale mais do que estar sentado a escrever “P” e “L” vezes sem conta.»

O apoio que é necessário ou desejável por parte dos pais no que respeita ao estudo tem uma relação direta com a idade e com a maturidade: a autonomia na realização de qualquer tarefa é um processo gradual que, de início, tem de ser ensinado e treinado.

«Tal como uma criança não aprende a arrumar o quarto se não for ensinada e ajudada, o mesmo acontece com o estudar», defende Magda Gomes Dias, formadora certificada na área da inteligência emocional, educação positiva e coaching e conhecida pelo blogue Mum’s the Boss.


Há quem chame os pais-helicópteros, aqueles que estão sempre a girar em torno dos miúdos e que frequentemente, acabam por lhes comprometer a capacidade de ser autónomos.

«É natural que quando a criança começa a escola ainda não saiba como fazer isso, pelo que é importante ajuda, de forma a criar bases de estudo, organização e disciplina.» Ou seja: ajudar nos estudos faz sentido antes de lhes ensinarmos estas competências, mas também é importante perceber quando é altura de parar. «Quando as competências estão apreendidas, devemos assumir que é responsabilidade deles», explica a coach.

Como em quase todos os temas que envolvem a educação dos filhos, há alguns extremos. Num deles, os pais que chegam a casa e veem todos os dias com os miúdos o que eles deram na escola, vigiam os TPC, ajudam a fazer trabalhos que contam para a nota e estudam com eles para os testes.

A estes, há quem chame os pais-helicópteros, aqueles que estão sempre a girar em torno dos miúdos e que frequentemente, com a melhor das intenções, acabam por lhes comprometer a capacidade de ser autónomos.

Por outro lado, há os que se distanciam e declaram: «Eu já fiz a escola, agora esse é o teu trabalho, eu também tenho o meu.» E a estes há quem chame desleixados e os responsabilize pelo insucesso dos miúdos.

Como aconselha o bom senso, é no meio-termo que está a virtude: não é benéfico assumir as responsabilidades deles, mas é importante acompanhar, perceber as dificuldades e motivar.

«Todo o apoio deve ser pensado para não pecar por excesso, o que provoca um alhear dos alunos no processo porque há sempre alguém a ajudar, nem por défice, fazendo o estudante sentir-se desamparado», defende Renato Paiva, diretor da Clínica da Educação e da Academia de Alto Rendimento Escolar WOWSTUDY, autor de vários livros sobre o estudo dos mais novos. Ainda assim, o autor defende que estudar com eles ou ajudar a fazer os TPC, passada a fase de adaptação à escola, não é boa opção.

«Os pais podem ser um auxílio em alguma dúvida, dar orientação, mas nunca serem companheiro de estudo. O estudo é, e deve ser, um ato individual que depois se socorre de auxílios, como o livro, a calculadora, a internet ou os pais», defende o autor.

Não só porque é necessário fomentar desde cedo a autonomia no estudo, como por razões de ordem mais prática: «Os pais não sabem todas as matérias nem são capazes de acompanhar todos os anos. Além disso, não é só preciso saber da matéria, mas também saber explicar de forma correta.»


Fazer os resumos para os filhos, por exemplo, pode parecer uma ajuda, mas é na realidade complicar-lhes a vida, pelo menos a médio prazo.

A segunda atitude, de «não querer saber», defende que já esbarra no desleixo, porque a autonomia é, antes de mais, dar condições para o desenvolvimento dessa mesma autonomia.

E isso passa pela necessidade inicial de algum apoio e, sobretudo, pelo interesse.
Marta Simões, mãe de Diogo, de 11 anos e Joana, de 9 anos, alinha neste equilíbrio. «Eles sabem que a responsabilidade é deles e a minha participação funciona como uma “supervisão”.»

Diogo e Joana fazem os TPC sozinhos, mas sabem que podem tirar dúvidas com a mãe, que está sempre por perto, e em relação ao estudo gostam apenas que a mãe lhes faça perguntas sobre a matéria. «Opto sempre por lhes pedir que estudem sossegados no quarto, e quando acharem que já estão preparados tiro uma hora para estar com eles a fazer perguntas.»

Até hoje tem dado bons resultados e funcionado bem, são os dois responsáveis e bons alunos. Marta está ciente que de futuro não vai poder tirar-lhes dúvidas nem estudar com eles, à medida que o nível de exigência for subindo, mas acredita que, até lá, conseguirão adquirir em pleno os métodos e os instrumentos necessários para a sua autonomia e, um dia, o papel dela vai acabar por passar para os colegas dos filhos.

Os pais mais zelosos estão a ser bem intencionados, mas nem sempre estão a seguir o melhor caminho. Fazer os resumos para os filhos, por exemplo, pode parecer uma ajuda, mas é na realidade complicar-lhes a vida, pelo menos a médio prazo.

«Entendo o objetivo – que é poupar algum trabalho aos filhos para eles poderem brincar ou fazer outras coisas –, mas é estar a tirar-lhes a melhor forma que têm de aprender: resumir é mais de cinquenta por cento da aprendizagem, se os pais assumem essa tarefa, estão a tirar à criança a capacidade de aprender por ela própria», explica Magda Gomes Dias, Maria João Tavares está familiarizada com essa teoria, mas não concorda com ela.

Perante a desmotivação da filha Estela, de 10 anos, que está numa fase em que acha a escola uma seca e não gosta de estudar, acaba por se sentar junto dela para a ajudar a fazer resumos, sobretudo ao fim de semana. «Os TPC faz sozinha, mas o estudo tenho sempre de acompanhar, não tem motivação para o fazer sozinha.»

Nunca equacionou deixar a filha por sua própria conta, de forma a confrontá-la com a necessidade de estudar mais porque entende que ela com 10 anos ainda não tem maturidade para isso.

«Não receio criar uma dependência, um dia irá estudar sozinha: todos temos ritmos diferentes. Procuro encontrar formas de a motivar e acho que não devo desresponsabilizar-me», diz Maria João, que entretanto pôs também a filha num centro de estudos três tardes por semana.

Renato Paiva garante que uma das principais questões dos filhos é a do sentido da escola. «Há muitos alunos que não perceberam para que serve a escola. Porque devem estudar Físico-Química, ou Filosofia, ou Matemática se o interesse deles é outro», já os pais, garante, esperam demasiado desta.

«Delegam na escola grande parte do trabalho. Em parte com razão, mas também têm uma responsabilidade inerente da qual não devem alhear-se.» O tal meio-termo, tantas vezes difícil de alcançar.

A motivação é, de resto, um dos aspetos essenciais da relação dos miúdos com a escola e, muitas vezes, as dificuldades são consequência da sensação que têm de que aquilo que estão a aprender não serve para nada. Mas o que podem os pais fazer para combater isto?

«A motivação é uma porta que abre por dentro», diz Magda Gomes Dias. «Não consigo motivar ninguém que não queira ser motivado, mas é importante interessar-me e tentar ajudar a tornar a matéria interessante integrando-a, quando é possível, no dia-a-dia: ir dar um passeio para ver onde o escritor escreveu aquele livro, procurar um filme relacionado com a matéria e vê-lo com os miúdos», exemplifica.

Já as coisas abstratas, não integráveis no dia-a-dia, mas que têm de ser sabidas, permitem, de acordo com a coach, outra aprendizagem – penosa, mas importante: a do espírito de sacrifício, que vamos ter de usar tantas vezes pela vida fora.

A Autorregulação em 3 passos

20.1.18



Um dos tópicos que abordamos ao longo de toda a Pós-Graduação que está a decorrer aqui no Funchal é a autorregulação dos pais. Há imensos segredos para exercermos uma parentalidade mais positiva e que traga mais significado aos nossos dias e um deles passa, inevitavelmente, por nos auto-gerirmos e termos atenção ao tipo de resposta que damos.

Na verdade, como escrevi no Berra-me Baixo e também no Crianças Felizes, não mudamos ninguém - apenas nos podemos transformar, num processo de melhoria contínua.

Há 3 passos por onde podes passar. 
Precisas então de identificar o que nos tira do sério, conhecendo qual é o nosso padrão de comportamento habitual. De seguida, reflectir qual seria a forma como gostaríamos de responder a essas situações e treinar. E sim, basta isto.
Ajuda, claro, leres o Berra-me Baixo que muito mais do que um livro sobre como deixar de gritar com os filhos mas antes um livro sobre como criar dias com mais significado, tranquilos e nos deixe ser os pais que sempre quisemos ser.

Segue-nos aqui:

Afinal o que é ser-se resiliente?

21.11.17

Esta semana vou falar-te sobre resiliência. Enquanto mãe, esta é uma competência que tenho o cuidado de promover junto dos meus, sabes porquê? Anda daí que te vou explicar!



O que é a resiliência?


A resiliência é a capacidade que um material tem de voltar ao seu estado natural depois de ter sofrido pressão.



E o que é que isto tem a ver com crianças?
Tudo.

No nosso dia-a-dia, somos confrontados com um conjunto de adversidades e é natural que estas adversidades despertam sentimentos como tristeza, frustração, ansiedade… Por isso é importante dar a volta, sem que nos venham salvar dessas situações. Como é que fazemos isso? O primeiro passo é reconhecer o que estamos a sentir, para que, num segundo passo, e de forma voluntária e consciente, encontremos uma solução.

É esta competência que espero promover diariamente junto dos meus filhos... afinal, essa é a minha maior missão -torná-los independentes, sobretudo em termos emocionais.

Sabes se a auto-estima dos teus filhos é equilibrada?

11.11.17


Com frequência os pais de crianças de 5 anos consideram que os seus filhos têm uma auto-estima baixa. É comum, nestas idades, parecerem menos seguras, nomeadamente devido à complexidade que as relações sociais, que começam agora a estabelecer, começarem a ganhar mais espaço nas suas vidas.

Esta semana estivemos a falar por aqui sobre a auto-estima.

E será que podemos medir ou avaliar a auto-estima numa criança pequena, com 5 anos? A complexidade nesta medição surge do facto de a maior parte delas não ter um léxico variado e alargado e estar a aprender a lidar com as suas emoções - e só depois ser capaz de falar acerca delas. Contudo, isto não impossibilitou um grupo de investigadores de descobrirem de que forma é que se poderia avaliar a auto-estima de uma criança.
As crianças desta idade conseguem dizer se são boas a correr, a desenhar ou a dançar, por exemplo mas têm mais dificuldade em falar sobre outras formas complexas de ser, como se são boas ou más.

Usando botões de um computador, as crianças respondiam a uma série de questões que tinham uma bandeira associado com 'eu' e 'não sou eu' e a uma série de palavras boas (divertido, feliz, bom, querido) e más (mau, blagh, chato). Depois, e para medirem a auto-estima de cada uma delas, esta tinha de combinar as palavras e pressionar os botões indicando se as palavras 'boas' estavam associadas às bandeiras do 'eu' ou do 'não sou eu'. A maior parte das crianças identifica-se mais com o 'bom' do que com o 'mau'.
Este estudo pode ser lido com maior detalhe neste link.

Não temos como provar se uma criança tem uma auto-estima equilibrada ou não mas podemos olhar e deduzir. Este é um exercício interessante que te pode apoiar.

Para mais sobre auto-estima só tens de clicar no link acima ou aqui.

Será que estas também são as tuas duas fontes de stress aí em casa?

20.9.17
A sessão de Coaching e Aconselhamento desta manhã estava a aproximar-se do final quando esta mãe ganhou coragem e, entre algum receio e alívio, confessa aquilo que a desgasta mais neste momento:
- A relação com o marido;
- Os conflitos entre os dois filhos.

"As birras, os choros e as inseguranças de cada um deles é fácil de lidar", dizia ela. Mas não estar em sintonia com o marido - que a considera uma mãe atenciosa mas frequentemente permissiva - e as guerras entre os seus dois filhos têm-lhe dado muita vontade de atirar com a toalha ao chão e partir... uns dias!

A forma como lidamos com os conflitos tem muito da nossa história pessoal e influencia, obrigatoriamente, a forma como respondemos a esses mesmos conflitos. E até na forma como estamos a orientar os nossos próprios filhos em relação aos mesmos.

Se eu não gosto de guerras, de discutir de forma mais animada ou se tenho receio de não estar à altura para defender as minhas convicções, terei dificuldade em ensinar essas competências aos meus filhos. Simultaneamente, terei dificuldade em conseguir que o meu marido olhe para a forma como atuo não como uma fraqueza mas como um estilo parental e com a filosofia que abracei (a menos que seja mesmo mais permissiva e aí está talvez na hora de me questionar porque é que o sou).

Vale a pena analisar este ponto - quem somos em relação ao conflito e se somos diferentes com certas pessoas ou situações. E depois colocar a seguinte questão: O que é que me impede de ser quem desejo ser?

E foi com esta questão que desbloqueamos os receios em relação ao conflito desta mãe e entramos na parte da co-criação de uma nova realidade.

Devo ou não devo negociar com os meus filhos?

24.7.17


Frequentemente surge esta dúvida:

'Mas devo negociar com os meus filhos? Isso não quer dizer que deixo de ser eu a mandar? Mudar de ideias não prova que não estava certo? Ou até que me deixo "levar" pelo meu filho?'

Neste caso estamos a confundir os termos e as ideias. Vamos lá ver isto com detalhe.

Antes de tudo, é importante assegurarmos que as regras estão claras. Aqui estão alguns exemplos:
Durante a semana, a hora de ir para a cama é às 21h30.
Durante a semana, os TPCs são feitos antes da hora do jantar.
Já podemos atravessar a rua sozinhos mas devemos fazê-lo em segurança e da forma como me ensinaram.
A mesada é para ser gasta ao longo do mês e o valor estipulado tem a ver com aquilo que foi pensado ser o mais adequado e justo.
Ao fim-de-semana podemos brincar até mais tarde e até trazer amigos para o almoço.

Estas regras foram conversadas e, na maior parte dos casos, são para ser mantidas.
Eu sei que tu gostarias de ficar acordado até mais tarde. Hoje é 5ª Feira e amanhã já podes ficar mais um pouco porque no Sábado não é dia de escola. Hoje a hora de dormir é agora - vamos que eu vou ajudar-te.

Não faz mal a criança mostrar que não está contente - tem mesmo de o fazer. E tu, com a certeza de quem está a pedir algo justo, só tens de aceitar que o comportamento dela é normal. Como?
Mantendo-te firme, generoso e usando até usar algumas das estratégias da comunicação positiva para te sintonizares com ele. Num próximo post vou falar-te da postura que podemos ter durante a negociação e que fará toda a diferença.

No entanto, negociar é uma excelente competência que podemos [devemos] ensinar aos nossos filhos e não nos tira poder. O que nos tira poder é hoje fazermos assim e amanhã de outra forma. Negociar não tem de mostrar indefinição. Não negociar mostra inflexibilidade e insegurança, por vezes. Queres ver?

- Queres ficar a acabar de ver este filme/jogar este jogo? Tudo bem! Vamos lá! E hoje ficamos sem a leitura da história. Assim conseguimos fazer as duas coisas.

- Queres ficar mais um pouco aqui em casa do João? Hmmm.... é que ainda tenho de ir fazer o jantar...  Então, fazemos assim, ficamos mais um pouco e quando chegarmos a casa ajudas-me a pôr a mesa. Combinado?

- Gostavas que te aumentasse a mesada e eu gostaria muito disso mas não tenho como. Explica-me, direitinho, porque é que precisas de mais dinheiro. E depois vamos pensar em formas de conseguir esse valor [ou de contornar/aceitar a questão].

Ao negociarmos precisamos de fazer algo importantíssimo e que é escutar e fazer perguntas. E só aqui estamos a dar valor e significado à nossa relação com o nosso filho, crucial na arte de negociar - ir ao encontro das necessidades do outro. E ainda que não seja possível ou de interesse negociar, só o facto do outro se sentir entendido cria proximidade e cooperação. E isso tem um valor enorme.

Por isso a minha resposta é sim e não:

Sim, as regras são para serem mantidas mas há excepções. E aí devemos negociar naquilo que é possível negociar [do meu ponto de vista, a segurança é não-negociável mas pode ser conquistada - atravessar sozinho, subir a uma árvore e por aí fora. E se não for possível a negociação, pelo menos ouvimos os argumentos.

Não, negociar não nos tira poder nem nos fragiliza se formos pessoas coerentes e consistentes. Quer isto dizer que hoje não podemos dizer que sim e amanhã que não, de forma repetida. Negociamos para nos ajustarmos às necessidades que vão aparecendo, quando é possível e desejável negociar. Um jovem de 16 anos deseja ver a sua hora de chegada a casa alargada e talvez esteja na hora de negociar a hora a que chegava, no ano passado, durante as férias de verão. Cada caso é um caso.

E sim, se negociarmos bem, estamos a dar mais autonomia e responsabilidade, fazendo com que a criança se comprometa com a sua parte do compromisso. Negociar bem e em condições torna-nos pessoas justas, flexíveis, tudo aquilo que muitos de nós desejamos ser  enquanto pais, tivessemos menos receios e a oportunidade de discutir com outros, estes temas.

Como é que tens negociado em tua casa? Abres excepções? O teu filho é insistente? Consegues explicar ao teu filho as tuas decisões? Consideras que escutas as motivações e necessidades dele?





Há disciplinas que deveriam ser incluídas nos curriculos dos nossos filhos. Esta é uma delas!

17.5.17



Desejo que os meus filhos sejam seguros, com uma auto-estima saudável. Que tenham confiança em si, que coloquem as costas direitas e a voz forte, sempre que precisem. E que, mesmo que possam não estar assim tão seguros, que finjam que o são.


Eu tinha 15 anos quando fiz uma formação em teatro e expressão dramática e não me esqueço o que é que essa ação de 2 semanas fez por mim! E por isso estava cheia de vontade de organizar algo semelhante através da Escola da Parentalidade.


E é com muito orgulho que trago este Atelier de teatro ao Porto. Ele será conduzido por uma das grandes promessas do teatro francês, e dirige-se a crianças entre os 9 e os 11 anos. Será realizado exclusivamente em língua francesa e terá a duração de duas semanas, conduzindo a uma apresentação do trabalho realizado.


Esta ação foi construída com dois grandes objetivos. Pretende-se que, num primeiro momento, as crianças possam descobrir a arte dramática, tomem consciência da sua sensibilidade enquanto criadores e espectadores e, num segundo momento, que possam desenvolver o seu instrumento: expressão, voz, corpo, imaginação, relação com o texto. Para que tudo corra bem, aceitaremos apenas 8 alunos.

É, sem dúvida alguma, uma ação que falta no sistema educativo clássico. Pelas inúmeras possibilidades que cria, a Escola da Parentalidade decidiu avançar com ela. Podes descarregar o link da brochura aqui e podes escrever-me para mais infos: info@parentalidadepositiva.com

Os 2 principais motivos pelos quais a adolescência pode ser um período de crise

12.5.17

A adolescência é, por definição, um período de crise, não só para os jovens como também para os pais. Este é um período de definição, construção e também destruição.

E estes são os motivos:

1. É nesta altura que os jovens iniciam um processo de maior autonomia na sua vidas. Primeiro porque é mesmo assim que se quer - que se tornem independentes de nós, afinal é para isso que os criamos.
2. Segundo, porque esta é uma fase de uma maior consciência de si, de transformações físicas, hormonais e emocionais. E esta 'avalanche' de transformações pode provocar comportamentos menos habituais, mais difíceis, justamente porque pode ser difícil lidar-se com tudo isto que está a acontecer dentro de nós.

Há quem se refira a este período como uma altura de crise justamente porque pode não haver a manutenção dos valores do passado. Simultaneamente, muitos pais sofrem com o afastamento dos filhos: este passa a falar menos, a fechar-se mais no seu quarto e a passar mais tempo com os amigos. Estes jovens, por precisarem e desejarem  maior independência - porque precisam de se definir - fazem com que o controlo parental diminua de forma natural, surgindo uma novidade na equação [que talvez existisse já antes] e que é a intimidade, deixando uma vez mais os pais por trás da porta.

E este ponto - a nova definição de papeis - pode ser um problema para nós uma vez que, a partir daqui, e num processo que pode ser lento, ou não, irão confrontar-se com novas situações ainda que algumas possam ser comuns nestas idades.

Estes desafios são muito diversificados e podem estar relacionados com a auto-estima do adolescente, as amizades, as redes sociais e o virtual em geral, a anorexia/bulimia, o bullying, a sexualidade, as drogas, entre muitos outros. E depois há os desafios relacionados com a própria relação pais/adolescentes: de discórdia, oposição, não participação.

Os adolescentes de hoje, também conhecidos por geração Z, são aqueles que entram no mercado de trabalho e ainda têm os avós a trabalharem. São aqueles que nasceram numa altura que os pais trocavam sms e emails e falavam no messenger. É uma geração que nasceu na altura da queda das torres e num país onde a taxa de divórcio não pára de aumentar, tal como o número de alunos por sala. Este artigo do Observador, pela pertinência, vale a pena ser lido.

E os pais, nisto tudo? Precisamos de apoio, de amigos generosos, com quem possamos partilhar os nossos receios e angústias, lembrando-nos que a paciência, o sentido de humor, a generosidade e a liderança empática são os nossos melhores aliados.
A dada altura, se precisarmos de ajuda e acompanhamento, não devemos hesitar, tornando assim esta travessia mais simples e mais fácil. 

Podes continuar a ler mais sobre estes assuntos em Ciclo de workshops Porto | Algarve


Estaremos mesmo envolvidos na prevenção dos maus tratos da criança?

18.4.17



Podes ler o documento da Convenção dos Direitos das Crianças aqui. E podes ler um resumo aqui também.
Infelizmente, há ainda quem considere que estes direitos são apenas para as crianças que estão em zonas de conflito e perigo e que no nosso Portugal a maior parte está segura.
No entanto, um bom olhar à nossa realidade mostrar-nos-á que a verdade não é essa.
Há uns meses participei numa conferência onde, a dada altura se falou da proteção da criança dos maus tratos, sendo que maus tratos são negligência também. E uma das oradoras perguntava-nos o que faríamos se víssemos uma mãe a bater e a ameaçar um filho, num supermercado. Houve um silêncio na sala. Ninguém respondeu. E a oradora continuou e partilhou connosco o que tinha feito, uns meses antes quando esteve perante uma situação destas. De uma forma muito assertiva e corajosa, interpelou aquela mãe e disse-lhe:
'Claramente, vejo que a senhora está fora de si e sem capacidade para gerir esta situação. No entanto,  não posso deixar de ver que a senhora está a agredir este menor e, enquanto cidadã, não posso fechar os olhos e fingir que não vi. Caso a veja agredir novamente o seu filho - física ou de outra forma - chamarei o agente de autoridade que está agora a olhar para nós.'

Curiosamente, esse mesmo agente da autoridade não se manifestou nem se deu, possivelmente, conta, da agressão que tinha acabado de acontecer à sua frente. Será que todos teríamos tido esta mesma coragem? Será que para nós bater e gritar com uma criança não passa de educação?

Mas maus tratos não é apenas bater na criança ou ameaçá-la. É não lhe criar oportunidades, não tratar dela e ajudá-la a fazer da infância um lugar seguro. Vale a pena dar uma vista de olhos aos documentos que anexei. E uma pesquisa no google faz-nos compreender que há ainda muito caminho a percorrer e por isso é que Abril é um mês cheio de iniciativas que nos fazem lembrar que estamos todos implicados nesta missão de criarmos um lugar seguro para as nossas crianças.

Tu queres ver que me vou ter de chatear contigo? Afinal, de quem é a culpa?

7.4.17

   Foto Would You Mum

Gritamos e zangamo-nos com os miúdos porque nos falta a paciência, porque estamos cansados, porque não nos apetece brincar... mas eles insistem e volta a faltar-nos a paciência.

Ficamos tensas porque o nosso companheiro nos respondeu torto, porque percebemos que andamos tão no limite que nos esquecemos de pagar uma conta e vamos pagar juros.

Perdemos a paciência porque não descansamos o suficiente, andamos stressados, alimentamo-nos mal e nem nos lembramos quando é que foi a última vez que fizemos desporto.

Gritamos mais uma vez porque estamos fartos que os dois putos se peguem, porque não temos os momentos de sossego de que tanto precisamos.

E tudo isto não tem nada, mas absolutamente nada a ver com eles. É só connosco e com um enorme desequilíbrio nas nossas vidas. Só que, 'quem paga por tabela' são quase sempre eles.

E a culpa não é de ninguém, porque essa tem costas largas e morreu solteira. Mas a responsabilidade é toda nossa - e só a nós diz respeito assegurarmos o nosso descanso, a procura de estratégias para criarmos relações mais felizes e com maior significado. Nada disto está nas mãos dos miúdos, só em nós. Daí que o trabalho que realizo seja feito diretamente com os pais. No desenvolver deste meu projeto sei que a grande transformação é feita nos adultos.

Vale a pena reveres este vídeo da Jada Smith que reforça a ideia da responsabilidade da nossa felicidade.




Gritar ou não gritar : a questão da semana! Então podemos ou não podemos? :)

24.3.17





Tenho um livro que se chama Berra-me Baixo e um desafio de 4 semanas, com o mesmo nome, e que podes subscrever aqui, gratuitamente.

E a propósito deste tema algumas pessoas pediram-me para comentar o texto que Eduardo Sá escreveu esta semana para a Pais&Filhos, com quem colaboro.

Li o texto a correr e fiquei com a sensação de não ter entendido o objetivo ou a intenção. Voltei a lê-lo com maior atenção e fiquei com mix feelings.

E volto a escrever sobre o tema porque o  gritar - ou o não gritar - gera alguma polémica ou pontos de vista diferentes. Vai depender do poder de oratória de cada um e do exercício de retórica que se pretenda fazer.

Vamos por partes.

Quem leu o Berra-me Baixo fica a saber, logo nas primeiras páginas que o objectivo não é deixarmos de gritar com os nossos filhos. Na verdade, a questão do gritar com os filhos, a questão da palmada não é questão para muitos educadores. Grita-se, 'tira-se o pó' sempre que se considera necessário e cá somos felizes à nossa maneira. Mas para quem tudo isto não é 'modo de vida' e de educar, vale a pena olhar para outras propostas.
Quem leu o livro sabe que o grande objetivo, ao longo das 4 semanas, é podermos criar relações com maior significado e valor com os nossos filhos. Afinal de contas, ninguém tem filhos para se andar a zangar, gritar, desentender-se, sistematicamente. Se tudo isto faz parte da dinâmica de qualquer relação - e que nenhuma relação está isenta de conflito - não deixa de ser verdade também que nenhuma relação saudável e feliz se faz quando a tensão é o prato do dia.
Contudo, há pais para quem estar sempre a gritar não é opção e não se querem ver nesse papel. [E atenção que este 'estar sempre a gritar' é subjectivo.]. Há cada vez mais pais que desejam ter relações de afeto e que desejam ser pais mais equilibrados. Não escrevi 'pais perfeitos'. Os pais não se querem perfeitos e antes em 'melhoria contínua'. E por equilibrados não quero dizer arrancados de alma e coração no que fazem, nem de paixão. São pessoas que, na sua vida, procuram apenas uma maior contenção porque desejam criar uma dinâmica de respeito com os filhos [e até com os outros], sendo que o gritar é um desrespeito até para consigo próprios.
Por outro lado, no mesmo livro, pergunto-te, em jeito de provocação se agora já não podemos berrar com os nossos filhos. E com esta questão pretendo esclarecer a diferença entre berrar e chamar à atenção, corrigir, orientar e até o famoso ralhar. Quem é que te disse que para fazeres tudo isso precisas de gritar? É que não precisas! E se perguntares como é que as crianças ficam quando os pais lhe gritam, algumas delas irão responder que ficam nervosas e incapazes de ouvir o que lhe dizem, bloqueadas com medo algumas vezes. Era essa a tua intenção? Não, pois não? [podes ler mais aqui sobre castigos e palmadas - convite à reflexão]

A grande maioria das vezes os pais dizem-me abertamente que quando gritam o fazem por hábito, cansaço ou quando se sentem fartos de repetir as coisas aos miúdos. Já reparaste que todos estes motivos nos dizem respeito e nada têm a ver com os miúdos:
O nosso hábito em gritar.
O nosso cansaço.
A nossa incapacidade em sermos assertivos.


Vale a pena não misturar as coisas: gritar, corrigir, orientar ou chamar à atenção. Se tudo isto pode ser feito sem gritos? Sim, pode. Algumas vezes não vamos conseguir e a vida é mesmo assim. Mas que o nosso objectivo não seja nunca esse - o deixar de gritar.
O nosso objectivo poderá [deverá?] ser sempre mais alargado que esse - o de construir relações com maior significado, com base num vínculo seguro onde o adulto dá o mote e mostra o caminho. Com maior ou menor poder de oratória.



3 DICAS SIMPLES PARA APRENDER A CALÇAR E A VESTIR... SEM DRAMAS

24.2.17



Muito pais falam-me dos momentos de tensão que acontecem logo pela manhã, sobretudo com crianças mais pequenas. Nos dias da ginástica em que têm de ir de fatos de treino querem ir de saias. E nesses dias insistem em levar os chinelos de praia porque são bonitos e confortáveis. Tudo isto pode colocar-nos de cabelos em pé e em nervoso bem miudinho logo de manhã.


Gostava que soubesses que é normal os miúdos não entenderem estes códigos e a necessidade de se escolher um determinado calçado ou vestuário em vez de outro. Não é um jogo de poder nem vontade em contrariar-te - ainda que haja idades em que os miúdos parecem ter um comportamento de oposição permanente.

E se esta dificuldade acontece em tua casa, então este post é para ti:

1. Estabelece dias ou momentos em que o teu filho pode escolher o que calçar e vestir

É importante mantermos uma certa liberdade de escolha. Os nossos pequenos são pessoas em construção e deverão, sempre que possível, escolher o que desejam calçar e vestir. Ao mesmo tempo, quando criamos este espaço, eles terão mais facilidade em aceitar os outros momentos em que têm de usar um determinado sapato ou uma bata ou uniforme. Sabes, saber escolher é uma competência importante assim como a criatividade e este é um dos momentos em que a podes incentivar. Convido-te a olhares para esta questão desta forma.


2. Dá-lhe opções
Sempre que possível, e sobretudo em crianças até aos 2,5 anos é benéfico dar a escolher o que calçar. A estratégia das escolhas limitadas faz verdadeiros milagres, nestas idades.

- “Hoje quero ir com os chinelos de praia para a escola!”
- “ Estou a ver que gostas tanto dos teus chinelos de praia que até os queres levar para a escola. Esses chinelos são os que usamos na praia. Na escola podemos usar estas botas ou estes ténis . Quais preferes levar hoje?”



3. Trabalha a autonomia tornando a tarefa mais fácil
Desde pequenos que os miúdos mostram uma grande vontade em fazerem as coisas sozinhos. Vamos patrocinar isso! Como? Aceitando que se queiram vestir sozinhos, treinando ao fim-de-semana e dando calçado fácil de calçar. E porquê? Primeiro para que possam, de facto, ficarem autónomos nessa tarefa. E a seguir, para que se sintam motivados a continuar nas outras tarefas.

Treinar a autonomia é fundamental e ela pode ser treinada em todos os momentos e de forma simples e fácil ainda que isso nos exija um pouco mais de paciência.








O mito do amor incondicional

3.2.17

Já escrevi algumas vezes, neste blogue, sobre amor incondicional e hoje volto ao tema por causa de um comentário que um pai fez numa formação que dei há uns dias.
Este pai entendeu o valor da comunicação positiva e no impacto das nossas palavras, de uma forma geral, mas perguntou se, no final, o amor incondicional que sentia pelo filho, e que fazia questão de lhe transmitir não seriam o bastante.

Não é o que dizemos que conta. Conta muito também como fazemos a criança sentir-se.

Olha os dois exemplos abaixo:

Take #1
Entras no quarto dos teus filhos e vês a roupa feita num embrulho no chão. Os brinquedos espalhados por todo o lado, a cama por fazer e dizes:
'Isto é sempre a mesma coisa, vocês são uns desarrumados e não têm respeito nenhum por mim! É uma vergonha! Uma vergonha!! Quero isto tudo arrumado imediatamente e se quando não voltar isto não estiver impecável vocês vão ver-se comigo.'

Muito possivelmente conseguirás o teu objectivo em alguns momentos. Gritaste, ameaçaste, desgastaste-te e usaste a tua raiva para insultar os teus filhos. E a raiva é mesmo poderosa, se a soubermos usar. E não tem de ser usada para insultar, nem magoar, sabias?
Podes dizer tudo o que dizes acima de outra forma. Queres ver?

Take #2
Entras no quarto dos teus filhos e vês a roupa feita num embrulho no chão. Os brinquedos espalhados por todo o lado, a cama por fazer e dizes:
'Estou furiosa, o que é isto? Quando vejo o vosso quarto neste estado fico cheia de vontade de deitar tudo fora. Vamos lá, toca a pôr tudo no sítio malta!'

Será que funciona?
Pelo menos terás a atenção calma dos teus filhos porque não lhes estarás a gritar nem a insultar. Nesse sentido, eles não estarão ocupados a protegerem-se nem a defenderem-se. E depois podes dar uma mão, também. A questão da arrumação e da ordem são muito subjectivas. Porquê? Por dois motivos: primeiro porque é uma necessidade nossa e porque depois a ordem é algo particular. Nesse sentido teremos de a ensinar aos miúdos.

Voltando ao amor incondicional, que é o que nos trouxe aqui... Mesmo que ames muito os teus filhos, achas mesmo que no Take #1 estarás a transmitir esse amor da melhor forma? Pois, é aí que eu quero chegar. Não é o que dizes e antes aquilo que lhes fazes sentir.

Pensa nisso!


Quando ele já não acredita nele próprio - as 3 dicas que fazem toda (toda) a diferença

26.1.17

Se há ideia que eu gostaria que retivesses é esta: os teus filho não acreditarão nas tuas palavras. E não acreditarão sobretudo naqueles momentos em que a sua voz interior fala mais alto. Não são as nossas palavras que os vão convencer do contrário. Então é o quê?

- É o poder das nossas perguntas [ e aqui ajuda conhecer algumas técnicas da comunicação positiva]
- São as experiências que vão ter

Nesta fase em que alguns começam os testes, ou numa fase em que se é exigido mais, alguns miúdos insistem que não conseguem, que não são capazes e que não vale a pena insistir. Alguns farão tudo o que precisam para nos fazerem acreditar que é mesmo assim e que deveremos desistir porque nem eles acreditam. E por isso mesmo, volto a dizer, não vale a pena continuares nesse caminho.
Continua a ler para descobrires o que fazer:

1. Sê empático
'Parece que estás mesmo desmotivado/com pouco alento'
Não é porque verbalizas aquilo que vês que ele vai sentir-se menos motivado. Pelo contrário. Ele vai sentir que olhas para ele e não o tentas convencer daquilo em que ele acredita. E também vai sentir que pode sossegar e deixar de te convencer. E é nesta altura que baixa um bocadinho a guarda. E tu vais daqui para o segundo ponto.

2. Explora
Explora o que é que ele gostaria que acontecesse. Coloca boas perguntas [há técnica, há sim senhora!], explora, sê curioso.

3. Explora ainda mais
E agora, depois de teres feito todas essas perguntas, pergunta-lhe do que é que ele precisa para que isso aconteça. Torna-te útil e sê a mão que ele precisa. Ou sugere opções.

Em suma, é ele que se vai convencer, é ele que vai encontrar (parte) do caminho.

Aprendi que nunca devo convencer ninguém de nada. Posso fazer boas perguntas e posso ser o exemplo. E é tudo.

Sobre as experiências, falo no próximo post.




AUTO-ESTIMA DA CRIANÇA: A IMPORTÂNCIA DOS AMIGOS E DE OS SABERMOS ESCOLHER

8.12.16

A questão da Auto-estima de uma criança tem muito que se lhe diga, ou antes, pouco tem a ver com palavras e muito mais a ver com o que a criança sente e vive.

Na verdade, é a qualidade das experiências que ela tem que contribuem para que a sua Auto-estima esteja em equilíbrio. Nesse sentido, há coisas a que devemos estar atentos. Entre elas, é fundamental que possamos escolher com muita atenção a escola que os nossos filhos vão frequentar, e os amigos que acolhemos em nossa casa, fora da escola. Escrevi fora da escola porque dentro é ele quem decide. É uma forma de controlar as experiências que eles têm e de os fazermos viver experiências positivas.

Se é mau fazermos este controlo? Claro que não! E eu explico a seguir.

Repara que quanto mais experiências positivas os nossos filhos tiverem, melhor será a sua auto-estima, a noção de auto-eficácia, a sua auto-imagem. Estando com crianças boas, com pais que são pessoas com valores e decentes, as crianças aprendem e sentem que é bom ser-se bem tratado. Mas mais do que isso: sentem que há espaço para serem quem são e por isso, quando estão num espaço onde podem ser autênticos, sentem-se seguros: física e emocionalmente. E as experiências positivas não são apenas experiências onde correu tudo bem. São experiências em que se aprendeu: a viver, a olhar para a situação de uma forma diferente...

Ora, o natural será procurarmos ser bem tratados nas outras relações que desenvolvemos e ficarmos de pé atrás quando não somos. Todos precisamos de quem nos trate de forma decente e que nos faça sentir bem. Por isso é fundamental estarmos junto de quem nos trate assim. E mais ainda os nossos filhos.

NOTA: Se a questão da Auto-Estima da Criança é algo que te interesse, podes aprender mais sobre isso aqui.http://www.35.idmkt2.com/w/de2leiW1edUqktpbBVcte72c74933

7 PONTOS ESTRATÉGICOS PARA TRABALHARES A AUTO-ESTIMA DO TEU FILHO

5.12.16

Hoje vou falar-te do vínculo – dito assim parece que vai sair daqui um texto pesado mas ‘be not afraid my friend, trust you may’.

A qualidade da relação que desenvolves com o teu filho e aquela que ele desenvolve contigo é que é o vínculo. O vínculo é a coisa mais preciosa que tens com o teu filho. Um vínculo saudável e cheio de significado é mais de meio caminho andado para que ele tenha uma boa auto-estima e que a questão da autoridade e da obediência quase nem se coloque. Não acreditas? Achas exagero? Então continua a ler que eu vou explicar.

Quando os miúdos sentem que contam para os pais, que estes os têm ‘tidos e achados’ na relação, então os miúdos vão perceber que têm valor e que são pessoas queridas pelos pais. E quando sentimos que temos valor e que há quem nos aprecie [no caso concreto os pais!] então a forma como a criança se tem em conta tem um maior valor. E a auto-estima tem a ver também [consulta aqui este quadro para conheceres os pontos que fomentam uma auto-estima saudável] com o valor que a criança sente, em relação a ela própria e essa noção melhora quando se sente amada e considerada pelos adultos mais importantes.

Por outro lado, a questão da obediência é uma falsa questão. E o que é que eu quero dizer com isto? Quero dizer que a autoridade parental não tem a ver com força e tem muito mais a ver com cooperação. Ora, ninguém coopere com ninguém, pelo menos de livre vontade, sem se sentir ligado. Vês agora onde entra a questão da qualidade do vínculo? É muito mais fácil, rápido e tranquilo o teu filho aceitar escutar-te e fazer aquilo que dizes porque te quer ajudar, porque gosta de ti e de estar contigo quando tem uma boa relação contigo do que quando é à força.

Dito isto, como é que tu podes aumentar o vínculo com eles? Ou seja, como é que podes melhorar a qualidade da tua relação com os teus filhos?



1. Partilha
É a tua família, são os teus filhos. Partilha com eles histórias – não só aquelas sobre quando eras pequen@ mas também histórias do dia-a-dia.
‘Hoje tenho mesmo de te contar a minha manhã! Parece que saiu de um filme, tu nem vais acreditar no que me aconteceu!’ Diz-lhe isto com entusiasmo, com exagero, assim meio dramático – e vais ver que ele fica agarradinho ao que lhe vais contar!
E quando partilhas as tuas coisas, ele sente que tem valor na família e não é mais um. E porque se sente valorizado, também te vai contar as coisas dele porque vai ter vontade de as partilhar.


2. Brincar
Gozar, ser palhaço, não levar tudo tão a sério. Fazer o esforço [sim, por vezes é mesmo um esforço] para ver não o lado positivo da coisa mas a piada da situação. E quanto mais treinares mais percebes que afinal nem tudo pode ser levado tãooooo a sério!


3. Boas maneiras
As boas maneiras modelam-se e também se ensinam. E sim, as boas maneiras são ensinadas desde pequeninos e fazem a diferença na relação e toda a gente fica agradada quando é bem tratada e de forma educada. Ensina ao teu filho a generosidade, a atenção ao outro, o se faz-favor e o obrigado e porque é que isto é tão importante.
E naquelas vezes em que ele te pede as coisas de forma mais ríspida, olha para ele e diz-lhe ‘hmmm… enganaste-te no tom – repete lá isso mas com aquela voz doce que só tu tens…’. E quando tu também te enganares diz-lhe e coloca o tom adequado.

4. Oferece o teu tempo
O nosso amor é dado em forma de tempo – por isso usa-o da melhor forma e elimina as fontes que te fazem desperdiçar o teu tempo que é mesmo precioso.
Procura estar mesmo a sério com os teus filhos. Não digo sempre mas se lhes dizes que vais brincar com eles, não leves o telemóvel atrás.


5. Tribo
Vocês têm frases vossas? Situações em que dizem ‘d’ahhhh!’. Têm um grito de guerra? Têm nick names? Têm segredos dos bons? Fazem partidas? Têm rituais? São uma tribo? Então comecem a fazer ‘cenas’ fixes e que dão mais sentido e significado a quem é a VOSSA família!


6. Berra Baixo

Podes ler sobre o Desafio Berra-me Baixo aqui. E podes ver o livro aqui - e não, não é a mesma coisa. A newsletter dá apoio ao livro :)

7. Caderno da Gratidão – por todos os motivos que podes ler aqui e porque ao partilharem estas coisas estão a ficar ainda mais próximos!

Finalmente, e se queres saber mais sobre a questão da auto-estima, contacta-nos. As edições deste ano da Pós-Graduação em Parentalidade e Educação Positivas já terminaram e em Janeiro abrimos a turma do Porto. Depois só para o final do ano de 2017.
cursos@parentalidadepositiva.com


Os 10 pontos essenciais que tens de conhecer para sobreviverem [em conjunto] à pré-adolescência

13.10.16


Este é o ano da mudança. O ano em que ela vai da primária para a escola dos grandes. Não consegues adiar mais o telemóvel e ela recebe-o durante as férias de verão e sente-se crescida, feliz... maior!
De repente percebes que deixou mesmo de ser menina e que, a partir de agora, a coisa fica séria. Chamam-lhe pré-adolescência mas também lhe poderiam chamar o início da emancipação e do criar asas para voar.
No final da primeira semana de aulas parece que tudo ficou com defeitos. É o telemóvel que não é como os dos amigos, são as roupas que não são adequadas à escola. Descobres que puxa as t.shirts de lado para mostrar os ombros, que rebola os olhos demasiadas vezes e que o teu QI, que nunca te tinha deixado ficar mal parece ser, aos olhos da tua filha, mais baixo que o dela próprio.
Percebes então que estás a perder terreno. Deixas de ser a mãe (sempre) cool para ser a mãe. Percebes agora que aquilo que já sabias começa a tornar-se verdade e que, mais cedo ou mais tarde, deixarás mesmo de ser a última Coca-Cola do deserto e que os amigos é que vão ser os maiores. E percebes que não é isso que queres nem é assim que tem de ser. E fazes bem porque, embora eles estejam a crescer e a criarem os seus próprios laços sociais, a verdade é que tu tens de te manter por perto porque és tu que a orientas, és tu que modelas comportamentos e, da última vez que verificaste, era o teu nome que aparecia na filiação do seu cartão de cidadão.

1. Mantém-te por perto
Cada vez menos será a tua filha a ir ter contigo. Não é que seja por mal - é só uma característica da idade. Por isso 'fica esperta' e faz tu programas com ela - saiam para jantar só as duas, vão a um cinema ou até às compras. Não tenhas como objetivo ser a melhor amiga nem teres conversas profundas nesses momentos - se acontecer, melhor - mas o que tu procuras com estes momentos é fortaleceres o vínculo.

2. Dá-lhe espaço
É importante reconhecermos que ela começam a ter a sua vida, a sua intimidade. Mas isso não significa que lhe vires as costas porque agora passa a ser assim. Nem pensar nisso. Continua a ser obrigatório jantar à mesa sem o telemóvel, continua a ser obrigatório responder sem ser agressivo, continua a ser obrigatório fazer tudo o resto, respeitando a crescente privacidade que ela vai necessitando.

3. Escuta 
Uma das características comuns nestas idades é o facto de as miúdas falarem muito. Chegam a casa e contam tudo o que aconteceu na escola, com as amigas e com elas. Escuta. Pode ser cansativo mas aproveita para escutares com interesse. Se ela se sentir escutada é certo que volta a ti. Coloca-lhe boas questões, interessa-te.

4. Re-afirma os vossos valores
Um pré-adolescentes, tal como um adolescente gosta de se sentir importante e gosta que o convidem a refletir, de forma inteligente. Aproveita essas longas conversas em que escutas [ponto 3] para lhe ires relembrando os vossos valores de forma clara mas sem teres de julgar. Quando julgas, a tua filha [ou qualquer outra pessoa] sente que terá de se proteger e, proteger aqui quer dizer o quê? Quer dizer deixar de contar.

5. Acompanha a atividade social
Agora são almoços em casa da Ana, dormidas em casa da Margarida e sms a torto e a direito. A tua filha começa a ter uma vida social que se expande a olhos vistos. Na verdade, é aos 12 anos que ela começa a ter essas ferramentas para fazer e manter amizades e ajuda o que ela já viu os pais fazerem. Mas o mais importante é que possas acompanhar essa vida social e que possam decidir as duas o que vai acontecer. Aproveita para manteres as portas de tua casa abertas para conheceres as amigas que lhe vão passando pela vida.

6. Promove momentos íntimos em família
E se acima disse para manteres as portas abertas, agora digo-te o contrário. Fecha-as com regularidade. Não conseguirás criar nem manter momentos íntimos em família se não estiverem só vocês. Então domingo à tarde bem pode ser aquele momento em que todos se fecham em casa a verem um filme e a comer pizza e pipocas. O fim-de-semana pode significar uma saída em bicicleta e um picnic ou ainda a mudança da pintura de uma parede lá em casa. Acredita que se não criares e mantiveres estes momentos em que só estão vocês o resto fica menos fácil. E o que é o resto? É a tua influência positiva na vida dos teus filhos.

7. Não te esqueças das hormonas e da construção/definição de quem ela é
This is it - aquela fase que pode ser mais difícil. As hormonas não ajudam e na busca de quem ela é, nas incertezas e nas mudanças, há comportamentos que se tornam mais agressivos, menos certos. É mesmo preciso ter paciência, compaixão e respirar fundo várias vezes. E então? Esquece: ela não fica acordada à noite a magicar planos para te aborrecer. Não acredites que ela te quer mal. E se te lembrares de ti quando era adolescente sabes bem que te aconteceu o mesmo e a única coisa que procuravas era aceitação. Respira, então.

8. Fica atenta ao que ela consome
No que diz respeito a filmes, alimentos, amizades e dados móveis ;) E vai gerindo, fazendo perguntas e oferecendo aquilo que te parece mais saudável. Fica atenta à forma como ela se relaciona com os amigos e lembra-te que existe o bullying e uma cultura machista onde as mulheres continuam a ter pouco valor. Ah! E provavelmente está na hora de falares sobre sexo. Podes ver aqui mais sobre esse tema.

9. Respira
A adolescência que se aproxima não tem de ser um bicho de 7 cabeças. Há palavras chave como são a independência e a descoberta e por isso vê-te como alguém que a vai acompanhar na promoção dessas competências. Não te imponhas, dá-lhe espaço mas acompanha. Lá por ser um ser em crescimento não é um produto acabado e precisa tanto de nós.

10. Trata de ti
Não consegues fazer tudo nem tudo bem se não tratares de ti. Arranja-te, faz exercício, alimenta-te, dorme, ri, sai com amigos, lê, namora, relaxa... enfim, tem prazer na tua vida. Mas não fiques à espera que ela te aconteça. E tudo isto vai modelar a vida dos teus filhos porque és tu quem os inspira.



A pré-adolescência e a adolescência [e os conflitos] são uma das etapas do desenvolvimento da Criança e do jovem e são tema tratado na Pós-Graduação em Parentalidade e Educação Positivas. Se quiseres saber mais, clica aqui e pede-nos infos via cursos@parentalidadepositiva.com

Já ouviste falar no efeito pygmalion?

7.10.16

O "Efeito Pigmaleão (também chamado efeito Rosenthal), é o nome dado em psicologia ao fenómeno em que, quanto maiores as expectativas que se têm relativamente a uma pessoa, melhor o seu desempenho.É o efeito de nossas expectativas e percepção da realidade na maneira como nos relacionamos com ela, como se re-alinhássemos a realidade de acordo com as nossas expectativas em relação a ela."


Em 1968, dois pesquisadores americanos (Robert Rosenthal e Lenore Jacobson, da Harvard University) pegaram na totalidade de alunos de uma escola e fizeram-lhes um teste. Com esse teste, conseguiram identificar os alunos que se iriam destacar nesse ano letivo. Eram alunos com grande potencial e seria expectável que se evidenciassem. Apenas os professores tiveram conhecimento de quem esses alunos eram. Por isso, não foi com grande surpresa que, no final do ano, essas fossem as crianças que estivessem no topo da listagem.


A surpresa foi o facto desses alunos terem sido identificados de forma aleatória. O objetivo do estudo não era identificar quem eram os melhores. O objetivo era mostrar que quando temos altas expectativas em relação ao comportamento de uma criança e quando criamos um ambiente para que elas se concretizem (as nossas expectativas), então estão reunidas as condições para que isso aconteça.
Naturalmente que, como poderás ler aqui, não são apenas as expectativas do professor/cuidador/pai que contam. Temos de colocar em cima da mesa todo o ambiente sócio-económico, o background familiar e até o facto de ser uma criança saudável mas, como poderás ler no mesmo artigo, o facto de criarmos as condições tem um efeito gigantesco no resultado. Toda a intenção positiva do adulto, a sua boa-vontade, a linguagem não-verbal, o tom de voz, tudo isso tem um impacto determinante no sucesso (ou insucesso) do aluno/criança. Não é tudo, não é. Mas caramba, tem um peso gigantesco.

Como também falei aqui, quando levantamos a barra um bocadinho mais alto, os miúdos respondem. E respondem porque querem aprender e fazer, na busca da sua própria autonomia e a aprendizagem quando é desafiante - ou seja, quando acrescenta - impele a criança.

Vale a pena pensar nisto, não vale? De que forma é que criamos este ambiente saudável e propício ao crescimento e aprendizagem e como é que mostramos que temos estas altas (e saudáveis) expectativas em relação aos miúdos=



Se gostas destes temas, podes ficar a saber mais sobre as etapas do desenvolvimento de uma criança aqui.

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