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1 tema | 5 posts ** A Adolescência

3.12.17
Do nosso ponto de vista, a adolescência pode ser aquela fase que 'mete medo', em que se entra na idade do armário e da parvalheira.

No entanto, se bem conduzida, pode bem ser uma fase extraordinária (com tudo o que cada fase tem de difícil) e onde cada jovem se pode desenvolver de forma harmoniosa e dar num adulto decente. Basicamente, tudo aquilo que desejamos.

Durante esta semana navegamos por alguns dos muitos temas que dizem respeito a esta fase. Aqui ficam os 5 mais desta semana.


1. Porque a adolescência pode ser um período de crise
2. Em vez disto diz antes isto - Comunicação positiva com adolescentes!
3. O que dizer quando nos respondem torto
4. 4 coisas que precisas de ensinar ao teu filho antes de ele se tornar adolescente
5. Adolescentes e felicidade: um estudo


Mais, aqui

ESTUDO SOBRE A FELICIDADE E A ADOLESCÊNCIA

2.12.17


Sabemos que a felicidade não depende de estarmos satisfeitos ou felizes e de fazermos as coisas de que gostamos. Parte daquilo que nos deixa bem também está relacionado com a nossa saída da nossa zona de conforto, indicam vários estudos.

Mas. e no que diz respeito aos adolescentes? Esta tribo que parece sempre insatisfeita e com saltos de humor enormes?

Parece que os adolescentes têm uma forma diferente de se sentirem felizes. E parte está relacionada com correrem riscos. Muitos adolescentes consideram-se imortais e acreditam que são espertos o suficiente para que algo de mal lhes aconteça.

No entanto, um dado novo junta-se à equação. Quando os adolescentes são convidados a contribuírem, a ajudarem os outros, também estão a ultrapassar os seus limites: os do bem-estar, do conforto físico e emocional. Um sentido de realização profunda foi o que sentiram depois de contribuirem para o bem estar de outros.

Em qualquer idade, a ajuda voluntária e organizada parece contribuir para o bem-estar. Afinal de contas, se bem conduzidos, estes miúdos podem fazer coisas extraordinárias e sentirem-se bem em relação a elas

4 coisas que precisas de ensinar ao teu filho antes dele se tornar adolescente

29.11.17
Aqui ficam 4 coisas que precisas de ensinar aos teus filhos antes de se tornarem adolescentes:





1. Escuta a tua voz interior
Temos necessidade de dar respostas aos nossos filhos. Queremos sempre que tomem as melhores decisões mesmo que estas sejam induzidas (ou manipuladas) por nós. E, de repente, os miúdos deixam de conseguir ouvir a sua voz interior e aquilo que a sua consciência lhes dita. Deixam até de conseguirem pensar por eles e esta é uma realidade assustadora para as suas vidas presentes e futuras.
Então vamos parar de orientar e vamos explorar bem a arte das questões.
E quando eles não souberem o que responder, vamos colocar-lhes boas questões. Convida o teu filho a explorar o que é que a sua "vozinha" interior lhe diz.

2. Respeita os outros
Nestas idades os miúdos gozam muito uns com os outros. Insultam-se, pegam e brincam. Mas há brincadeiras que magoam. Fica atenta e, sempre que puderes, trabalha a empatia junto deles. Pergunta-lhes não só como é que eles se sentiriam no lugar do outro mas também se a intenção deles é magoar. E se a resposta for não, devolve-lhes uma nova pergunta: 'Então porque é que fizeste isso?'

3. Mantém a proximidade com os teus pais
Este é um discurso que nós, pais,  ouvimos algumas vezes na idade deles "Eu e a tua mãe somos as pessoas que mais te amamos e só te queremos bem!" Hoje sabemos que, muito possivelmente, a intenção dos nossos pais era mesmo aquela. É nossa missão é garantir que os nossos filhos se sentem próximos de nós. Precisamos de lhes mostrar tudo isso e dizê-lo. Muitas vezes.

4. Sabemos que vais ser pressionado pelos amigos
É normal e frequente. Então pensa! Tens mesmo de ir com o grupo todo? O que é que isso faz de ti? Como é que são os teus amigos que têm muita personalidade? Que características têm? E tu, que características desejas ter?

Nesta fase, mais do que orientar, precisamos de ajudar os nossos filhos a mergulharem no seu mundo interior e a encontrarem as suas respostas, as mais adequadas. Parte da formação - a que muitas vezes chamamos de educação - já foi passada. Agora é ativar tudo aquilo que eles aprenderam. E isso só se faz com boas questões!

Mais aqui.


Quando é que eu sei que é a hora certa?

9.10.17




Quando é que eu sei que é a hora certa para deixar os meus filhos irem passar a noite a casa de um amigo?
Quando é que eu sei que é a hora certa para a deixar fazer aquela tatuagem?
Quando é que eu sei que é a hora certa para a deixar fazer uma certa viagem?

Quando é que eu sei que é a hora certa para o mudar de escola?
Quando é que eu sei que é a hora certa para lhe dar um ipad/telefone/bicicleta?


Não sei... ou até sei. Quando conhecemos mesmo muito bem os nossos filhos somos capazes de adivinhar. Ou estar bem perto da resposta a essa questão.

Uma criança pode ir dormir a casa de outra aos 4 anos se sentir preparada, segura e o quiser. E os pais deixarem. O mesmo terá de acontecer connosco, pais - estarmos preparados para isso, sentirmo-nos confortáveis com a ideia (sem falar que sabemos bem quem são os adultos que vão ficar com os nossos filhos).

A minha filha de 8 anos foi este verão de férias para casa dos avós, em França. Sabíamos que estava pronta e que este voto de confiança e responsabilidade ia ao encontro do seu processo de crescimento e desenvolvimento. E por estarmos tão certos disto, a experiência foi vivida com imensa tranquilidade cá por casa. É certo que ao fim de 15 dias estávamos todos com saudades uns dos outros mas este sentimento é bom. Sabíamos que estava bem, a divertir-se e que o dia de regresso estava próximo.

O desejo de ir visitar os avós era grande. Quando lhe propusemos a viagem disse que sim cheia de entusiasmo. Em nenhum momento recuou na ideia. Tivemos, então, a certeza que era a hora certa, para ela. E o 'para ela' está sublinhado porque há uma história e uma vivência específica que permitiu que isto acontecesse.

O mais curioso foram as perguntas que vieram de fora, colocadas por adultos:
'E não tiveste medo? Eu, quando vou viajar de avião tenho sempre imenso medo. Se pudesse, não o faria.'

E se é verdade que o facto de uma miúda de 8 anos poder viajar sozinha pode suscitar alguma curiosidade, a verdade também é que os comentários acima têm um efeito que pode ser perigoso:

- criar  um medo onde ele nunca existiu;
- enaltecer uma suposta coragem que, neste caso, era visto como uma normalidade. 'Porque razão é precisa coragem para ir visitar os meus avós? Será que há algum perigo? E se sim, onde é que ele está?'

Bem sei que a intenção não era esta. Ainda assim, desejaria que pudéssemos estar mais atentos ao que dizemos. Mostrarmos interesse e curiosidade pode passar por colocar questões que revelem isso mesmo 'Uau, nunca viajei sozinha com a tua idade - conta como foi? O que é que acontece no aeroporto? '15 dias sem os pais - como é que foi?'
Induzir um medo onde ele não existe é que não.

A hora certa não existe nos livros. A hora certa é a de cada criança e, para isso, bastará estarmos atentos. No nosso caso, o facto de lhe termos proposto a viagem também faz parte do processo do nosso crescimento enquanto pais mas também da nossa necessidade em lhe darmos o que ela precisa, a cada passo do caminho. Há dias em que a visão não é tão clara assim. Mas há outros em que é. É estar atento.


Os 2 principais motivos pelos quais a adolescência pode ser um período de crise

12.5.17

A adolescência é, por definição, um período de crise, não só para os jovens como também para os pais. Este é um período de definição, construção e também destruição.

E estes são os motivos:

1. É nesta altura que os jovens iniciam um processo de maior autonomia na sua vidas. Primeiro porque é mesmo assim que se quer - que se tornem independentes de nós, afinal é para isso que os criamos.
2. Segundo, porque esta é uma fase de uma maior consciência de si, de transformações físicas, hormonais e emocionais. E esta 'avalanche' de transformações pode provocar comportamentos menos habituais, mais difíceis, justamente porque pode ser difícil lidar-se com tudo isto que está a acontecer dentro de nós.

Há quem se refira a este período como uma altura de crise justamente porque pode não haver a manutenção dos valores do passado. Simultaneamente, muitos pais sofrem com o afastamento dos filhos: este passa a falar menos, a fechar-se mais no seu quarto e a passar mais tempo com os amigos. Estes jovens, por precisarem e desejarem  maior independência - porque precisam de se definir - fazem com que o controlo parental diminua de forma natural, surgindo uma novidade na equação [que talvez existisse já antes] e que é a intimidade, deixando uma vez mais os pais por trás da porta.

E este ponto - a nova definição de papeis - pode ser um problema para nós uma vez que, a partir daqui, e num processo que pode ser lento, ou não, irão confrontar-se com novas situações ainda que algumas possam ser comuns nestas idades.

Estes desafios são muito diversificados e podem estar relacionados com a auto-estima do adolescente, as amizades, as redes sociais e o virtual em geral, a anorexia/bulimia, o bullying, a sexualidade, as drogas, entre muitos outros. E depois há os desafios relacionados com a própria relação pais/adolescentes: de discórdia, oposição, não participação.

Os adolescentes de hoje, também conhecidos por geração Z, são aqueles que entram no mercado de trabalho e ainda têm os avós a trabalharem. São aqueles que nasceram numa altura que os pais trocavam sms e emails e falavam no messenger. É uma geração que nasceu na altura da queda das torres e num país onde a taxa de divórcio não pára de aumentar, tal como o número de alunos por sala. Este artigo do Observador, pela pertinência, vale a pena ser lido.

E os pais, nisto tudo? Precisamos de apoio, de amigos generosos, com quem possamos partilhar os nossos receios e angústias, lembrando-nos que a paciência, o sentido de humor, a generosidade e a liderança empática são os nossos melhores aliados.
A dada altura, se precisarmos de ajuda e acompanhamento, não devemos hesitar, tornando assim esta travessia mais simples e mais fácil. 

Podes continuar a ler mais sobre estes assuntos em Ciclo de workshops Porto | Algarve


Os 10 pontos essenciais que tens de conhecer para sobreviverem [em conjunto] à pré-adolescência

13.10.16


Este é o ano da mudança. O ano em que ela vai da primária para a escola dos grandes. Não consegues adiar mais o telemóvel e ela recebe-o durante as férias de verão e sente-se crescida, feliz... maior!
De repente percebes que deixou mesmo de ser menina e que, a partir de agora, a coisa fica séria. Chamam-lhe pré-adolescência mas também lhe poderiam chamar o início da emancipação e do criar asas para voar.
No final da primeira semana de aulas parece que tudo ficou com defeitos. É o telemóvel que não é como os dos amigos, são as roupas que não são adequadas à escola. Descobres que puxa as t.shirts de lado para mostrar os ombros, que rebola os olhos demasiadas vezes e que o teu QI, que nunca te tinha deixado ficar mal parece ser, aos olhos da tua filha, mais baixo que o dela próprio.
Percebes então que estás a perder terreno. Deixas de ser a mãe (sempre) cool para ser a mãe. Percebes agora que aquilo que já sabias começa a tornar-se verdade e que, mais cedo ou mais tarde, deixarás mesmo de ser a última Coca-Cola do deserto e que os amigos é que vão ser os maiores. E percebes que não é isso que queres nem é assim que tem de ser. E fazes bem porque, embora eles estejam a crescer e a criarem os seus próprios laços sociais, a verdade é que tu tens de te manter por perto porque és tu que a orientas, és tu que modelas comportamentos e, da última vez que verificaste, era o teu nome que aparecia na filiação do seu cartão de cidadão.

1. Mantém-te por perto
Cada vez menos será a tua filha a ir ter contigo. Não é que seja por mal - é só uma característica da idade. Por isso 'fica esperta' e faz tu programas com ela - saiam para jantar só as duas, vão a um cinema ou até às compras. Não tenhas como objetivo ser a melhor amiga nem teres conversas profundas nesses momentos - se acontecer, melhor - mas o que tu procuras com estes momentos é fortaleceres o vínculo.

2. Dá-lhe espaço
É importante reconhecermos que ela começam a ter a sua vida, a sua intimidade. Mas isso não significa que lhe vires as costas porque agora passa a ser assim. Nem pensar nisso. Continua a ser obrigatório jantar à mesa sem o telemóvel, continua a ser obrigatório responder sem ser agressivo, continua a ser obrigatório fazer tudo o resto, respeitando a crescente privacidade que ela vai necessitando.

3. Escuta 
Uma das características comuns nestas idades é o facto de as miúdas falarem muito. Chegam a casa e contam tudo o que aconteceu na escola, com as amigas e com elas. Escuta. Pode ser cansativo mas aproveita para escutares com interesse. Se ela se sentir escutada é certo que volta a ti. Coloca-lhe boas questões, interessa-te.

4. Re-afirma os vossos valores
Um pré-adolescentes, tal como um adolescente gosta de se sentir importante e gosta que o convidem a refletir, de forma inteligente. Aproveita essas longas conversas em que escutas [ponto 3] para lhe ires relembrando os vossos valores de forma clara mas sem teres de julgar. Quando julgas, a tua filha [ou qualquer outra pessoa] sente que terá de se proteger e, proteger aqui quer dizer o quê? Quer dizer deixar de contar.

5. Acompanha a atividade social
Agora são almoços em casa da Ana, dormidas em casa da Margarida e sms a torto e a direito. A tua filha começa a ter uma vida social que se expande a olhos vistos. Na verdade, é aos 12 anos que ela começa a ter essas ferramentas para fazer e manter amizades e ajuda o que ela já viu os pais fazerem. Mas o mais importante é que possas acompanhar essa vida social e que possam decidir as duas o que vai acontecer. Aproveita para manteres as portas de tua casa abertas para conheceres as amigas que lhe vão passando pela vida.

6. Promove momentos íntimos em família
E se acima disse para manteres as portas abertas, agora digo-te o contrário. Fecha-as com regularidade. Não conseguirás criar nem manter momentos íntimos em família se não estiverem só vocês. Então domingo à tarde bem pode ser aquele momento em que todos se fecham em casa a verem um filme e a comer pizza e pipocas. O fim-de-semana pode significar uma saída em bicicleta e um picnic ou ainda a mudança da pintura de uma parede lá em casa. Acredita que se não criares e mantiveres estes momentos em que só estão vocês o resto fica menos fácil. E o que é o resto? É a tua influência positiva na vida dos teus filhos.

7. Não te esqueças das hormonas e da construção/definição de quem ela é
This is it - aquela fase que pode ser mais difícil. As hormonas não ajudam e na busca de quem ela é, nas incertezas e nas mudanças, há comportamentos que se tornam mais agressivos, menos certos. É mesmo preciso ter paciência, compaixão e respirar fundo várias vezes. E então? Esquece: ela não fica acordada à noite a magicar planos para te aborrecer. Não acredites que ela te quer mal. E se te lembrares de ti quando era adolescente sabes bem que te aconteceu o mesmo e a única coisa que procuravas era aceitação. Respira, então.

8. Fica atenta ao que ela consome
No que diz respeito a filmes, alimentos, amizades e dados móveis ;) E vai gerindo, fazendo perguntas e oferecendo aquilo que te parece mais saudável. Fica atenta à forma como ela se relaciona com os amigos e lembra-te que existe o bullying e uma cultura machista onde as mulheres continuam a ter pouco valor. Ah! E provavelmente está na hora de falares sobre sexo. Podes ver aqui mais sobre esse tema.

9. Respira
A adolescência que se aproxima não tem de ser um bicho de 7 cabeças. Há palavras chave como são a independência e a descoberta e por isso vê-te como alguém que a vai acompanhar na promoção dessas competências. Não te imponhas, dá-lhe espaço mas acompanha. Lá por ser um ser em crescimento não é um produto acabado e precisa tanto de nós.

10. Trata de ti
Não consegues fazer tudo nem tudo bem se não tratares de ti. Arranja-te, faz exercício, alimenta-te, dorme, ri, sai com amigos, lê, namora, relaxa... enfim, tem prazer na tua vida. Mas não fiques à espera que ela te aconteça. E tudo isto vai modelar a vida dos teus filhos porque és tu quem os inspira.



A pré-adolescência e a adolescência [e os conflitos] são uma das etapas do desenvolvimento da Criança e do jovem e são tema tratado na Pós-Graduação em Parentalidade e Educação Positivas. Se quiseres saber mais, clica aqui e pede-nos infos via cursos@parentalidadepositiva.com

MAIS PRÓXIMA DO TEU FILHO? 4 DICAS INFALÍVEIS!

22.8.16




Há alturas em que nos apetece desfazê-los com beijinhos. E depois há outras em que o desfazer não seria, com certeza, dessa forma.

Para uma ou outra circunstância, toma nota destas 4 dicas para ficares ainda mais próxima deles:

#1. Prepara-lhes um aperitivo
Pode ser algo mais saudável como uns sticks de cenoura ou simplesmente uma pequena tigela com batatas fritas e um sumo de laranja. Sim, estou mesmo a falar a sério!
E se puderes, sentem-se os dois a olhar para a janela, com uma música ambiente.
Vais ver como é tão bom!

#2. Beijinho à eskimo
Esta ganha sempre, não ganha?

#3. Conta uma anedota ou uma curiosidade que faça rir ou ainda, brinca com a situação!
Usar o sentido de humor, sobretudo naqueles momentos mais tensos é meio caminho andado para tirar a tensão das situações.

#4. Um abraço
No momento ou depois, um abraço compõe as situações e reforça as que já são fortes. Desde que seja honesto e querido pelas duas partes.

Mães e pais de Adolescentes e futuros adolescentes - esta revista é para vocês!!

7.7.16


Com um texto meu sobre como comunicar com esta malta que nos pode parecer [à primeira vista] muito estranha!

Parabéns por mais uma revista extraordinária!!!! É um orgulho fazer parte desta equipa!

Leitura obrigatória para quem tem filhos nesta fase :)

A Adolescência

6.6.16
A partir de agora vou começar a escrever cada vez mais sobre a adolescência. Naturalmente que mantenho as outras idades mas quero que saibas que vais começar a encontrar cada vez mais texto sobre estas idades.

Por isso, e para que possa ir ao encontro das tuas necessidades enquanto educador@, peço-te que me possas falar dos teus casos, que deixes as tuas questões aqui. Vão fazer parte da minha base de trabalho.

Enquanto isso, deixo-te aqui umas fotos top que a Márcia, da Stim fez, e que vão ilustrar os próximos posts. Obrigada aos modelos! Obrigada Márcia!










12 pontos para lidar com um adolescente | Pais & Alunos | Porto Editora

26.10.15


“Os teus pais são aqueles que mais gostam de ti e que querem o melhor para ti.” Estou convencida que a maior parte de nós ouviu esta frase, de forma recorrente, durante a sua própria adolescência. E alguns de nós teremos respondido com um bater de portas ou um cínico “Vê-se!”
Magda Gomes Dias



Hoje, à distância, percebo o bater de portas e também percebo as intenções dos meus pais. Eles queriam que eu soubesse que mesmo que aquela decisão não me interessasse era a melhor para mim. Eu, do meu lado, sentia que não era tida nem achada na equação e por isso ficava revoltada e batia com as portas (e os pés!).

Talvez a melhor forma de me fazer escutar e conseguir descodificar um qualquer adolescente passará pelo uso da empatia — que é a capacidade que eu tenho de me colocar no seu lugar. Por isso mesmo, não posso iludir-me e pensar que ele vai ser capaz de pensar da mesma forma que eu só porque irei fazer prova de empatia e paciência. Isso vai ajudar, sem dúvida, mas os milagres parecem acontecer apenas em Fátima.

Empatia e paciência pressupõem também respeito pelo jovem e impõe que tudo o que seja um discurso humilhante e com foco no sentimento de culpa sejam retirados da equação. Os adolescentes podem ser totós em muitas coisas mas no que diz respeito ao respeito… têm altas expectativas!


O que fazer, então?

1. Envolver o jovem na tomada de decisões
E ensiná-lo a respeitar o acordo. Como? “Então não tínhamos um acordo? Tínhamos decidido em conjunto que podes jogar com o tablet ao fim de semana. Hoje é quinta-feira. O que aconteceu?”

2. Pica-se o ponto ao jantar

A hora do jantar é aquela que não é negociável – e deve acontecer com a máxima regularidade. Sem gadgets ou televisão. Só família, música boa e partilha! Tem filhos pequenos? Comece já com este ritual!

3. Envie-lhes uma SMS para virem jantar
Vamos usar a tecnologia a nosso favor, q.b. Aposto que vão chegar a horas à cozinha para ajudarem a pôr a mesa

4. Plante os afetos
Com beijinhos, moches ao pai, dançando, massajando a cabeça ou com abraços bons! Sabe que um abraço para ser bom tem de durar pelo menos 6 segundos para que o seu efeito chegue ao cérebro? Então abrace!

5. Os castigos e as palmadas vão funcionar cada vez menos
E apenas vão criar a revolta tão típica nesta idade. Prefira responsabilizá-los pelas suas decisões (o castigo não tem diretamente a ver com a situação mas a responsabilização já tem).

6. Ganhe cooperação
Queira filhos que cooperam em vez de obedecerem. E nós só cooperamos quando nos sentimos próximos uns dos outros.

7. Vínculo
Invista na sua relação com os seus filhos — o vínculo é a qualidade da relação que criamos com eles e eles connosco.

8. Escute mais
“Claro que escuto os meus filhos! Ainda ontem ela fez uma asneira e eu estive a explicar-lhe com toda a calma o que é suposto acontecer e ela prometeu que nunca mais ia repetir. E sabe o que aconteceu? Hoje de manhã fez igual.” Se esta é uma situação comum na sua vida, releia a frase e responda a esta questão: quem é que escutou quem?

9. Façam programas juntos
Não os leve apenas à natação ou à explicação. Vá andar de bicicleta com eles, programe uma festa surpresa para o pai e uma ida a um concerto ou a uma festa popular. É impressionante que depois de umas saídas deste género, eles passam a escutar mais e melhor. Experimente!

10. Humor
O sentido de humor é determinante para que os nossos filhos se sintam mais ouvidos e para que queiram estar por perto — logo, que desejem ouvir.

11. Reclame menos
Há muito pouca paciência para estar próximo daqueles pais (e pessoas) que estão sempre a reclamar. E temos alturas em que abusamos! “Sim, meu amor, a tua cama está bem feita mas este édredon bem que podia ter ficado mais esticado.” Corrigir é importante, claro que é, mas há alturas em que podíamos falar menos, sorrir mais com os olhos e ficarmos satisfeitos com algo que eles fizeram para (também) nos agradar.

12. Empatia

Comecei pela empatia e deixei-a para o fim. É a capacidade que temos de nos colocarmos no lugar dos outros. Eu entendo que o meu filho possa não aceitar esta decisão que tomei. E também lhe posso dizer que sei que ele a sente como injusta e que não é porque ele está chateado comigo ou porque bateu com a porta que eu vou mudar de ideias. Depois? Depois deixe-o ficar — ele tem e precisa do seu espaço.


Esta é a magia de ser pai ou mãe | Pais & Alunos - Porto Editora | Adolescência

16.10.15


É com muito orgulho que anuncio que podes encontrar uma série de textos meus publicados na plataforma Pais & Alunos da Porto Editora. Este é um deles, dirigido a pais de adolescentes (16-18 anos). Espero que gostes e que te faça sentido! Boa leitura!!




A nossa missão enquanto pais não é apenas amar os nossos filhos. A nossa grande missão é humanizar os nossos filhos, dar-lhes regras e limites construtores que oferecem segurança e, também através deles, ensinar-lhes e transmitir os nossos valores.
Magda Gomes Dias

Gostava muito que este texto fosse lido por pais de adolescentes mas também por pais de crianças pequenas — semeámos para colher agora; e que seja uma boa colheita!

Quando olhamos para trás, percebemos que mais de metade daquilo a que chamamos educação passa, em grande medida, por lhes ensinarmos a estarem à mesa, a participarem nas tarefas de casa, a escolherem virar as costas ao suposto amigo que os trata mal, a lavarem o cabelo ou ainda a dormirem sem chucha (ainda se lembra, lá longe?). Educar é isto. E tem dias em que parece difícil porque temos de nos repetir tal e qual um disco rachado dos anos 70. Tem outros dias em que parece ainda mais difícil porque apetece ceder, fechar os olhos e deixar andar ou então “mandar tudo para o espaço”. E depois há os dias bons, fáceis, cheios de abraços, de risos e sorrisos, de conquistas!

Educar tem um lado cruel porque só vamos saber os resultados mais ou menos nesta altura da vida deles. É a partir de agora que eles começam a decidir quem querem ser. E tantas vezes em justa oposição de quem nós somos. É nesta altura que deixamos de ser a última bolacha do pacote. É agora que passamos a ir sozinhos aos jantares e que eles começam a ficar sozinhos em casa. É um voto de confiança no indivíduo que educamos e também em nós.

Mas não é, de todo, uma separação. Porque os filhos são nossos e, mesmo quando saírem de casa para trabalharem, viverem sós ou com quem quiserem, eu vou continuar a chamá-los para virem comer o prato favorito, para virem dançar descalços comigo para cima do tapete branco e para os ouvir contar o seu dia, nem que seja por telefone.

Por isso, e enquanto se mantêm por casa, decidi inverter uma parte dos papéis. Considero que já ensinei e mostrei muito daquilo que é importante para mim. Estou pois disponível para aprender de uma nova forma com eles. Quero que me façam escutar as músicas de que eles gostam, quero ver com eles os anúncios online para os ajudar a arranjar um part-time, se assim entenderem, nesta fase.

Por experiência própria, sempre considerei que o facto de ter começado a trabalhar em part-time e durante as férias do verão dos meus 16 anos me deu não só uma maior maturidade como independência. Ao mesmo tempo, e disto não tenho dúvidas nenhumas, fez com que melhorasse as notas. Sim, claro que fez! Porque tinha de sair para trabalhar e tinha de ir para as aulas. Então os momentos em que estava a estudar ou na sala de aula eram momentos de grande concentração.

Gostava que nos próximos anos os meus filhos pudessem, também, encontrar um trabalho que lhes dê prazer e que o possam conciliar com o estudo. E, se possível, que tenham um objetivo concreto – que se for o desenvolvimento pessoal e a experiência já é muito mas mesmo muito bom.

E é nos objetivos desta fase da vida que quero lá estar – para apoiar e para não os deixar desistir, mesmo que as metas pareçam, em determinados dias, tão grandes e quase impossíveis. Porque, a esta altura do campeonato, e quando eles se esquecerem disso, eu sei quem são os miúdos que tenho à minha frente e estarei lá para recordar isso mesmo! Conheço-os de cor e salteado!

Esta nova fase (para eles e para mim) vai exigir menos de mim em termos de participação – ou pelo menos será diferente. Agrada-me a ideia de os ir buscar ao quarto ou à biblioteca da escola e levá-los a comer um gelado, enquanto lhes pergunto como vai a história do trabalho de grupo em que nunca mais decidiam o tema. Quero continuar a decidir em conjunto onde é que vamos passar as férias (sim, as férias connosco são obrigatórias!): se de autocaravana, se para casa dos avós, se na montanha, saber como é que vamos festejar os 50 anos do pai e de que forma conseguimos usar o saber tecnológico, afetivo e criativo deles.

Está na altura de eles me mostrarem o resultado daquilo que eu fiz para trás. E eu tenho a certeza de que esta é a melhor forma de ver acontecer magia!

5.7.11

                        "é a criança pequena e o adolescente que são os porta-vozes de seus pais"
                                                                                                                                 F. Dolto

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