The Early Catastrophe
26.9.19
Muitas vezes oiço dizer que não devemos explicar as coisas às crianças. Que muitas explicações mostram uma parte fraca nossa. Que porque somos os pais ou os educadores não temos de nos colocar nessa posição. Que devemos dizer as coisas como elas são e a seguir dar a ordem e a criança deve executar.
Estamos, creio eu, a confundir 'convencer a criança de fazer algo' com 'firmeza, justiça e certeza'. Quando eu sei o que quero e sei que o que peço é justo, tudo o que peço sai de forma clara e eu sei que não tenho de convencer os meus filhos porque vai ter de ser assim. E é essa certeza que ajuda o meu filho. E sim, a diferença pode apenas estar no tom e na intenção com que faço as coisas.
Por outro lado, e num estudo absolutamente incrível, chamado the 'Early Catastrophe' constatou-se que há um 'gap' [fosso] de 30 milhões de palavras entre as crianças cujos pais falam e explicam as coisas e aqueles em que apenas se dá ordens. Este estudo foi conduzido num grupo de crianças entre os 7 meses e os 3 anos. Sim, 3 anos! O que mostra que, muitas vezes, quando a criança ainda está a chegar à escola, já pode ter nela uma vantagem ou enorme desvantagem.
Crianças cujos pais falam mais e explicam são crianças que constroem frases mais articuladas, explicadas e argumentadas. Não é impressionante, portanto, verificar que estas crianças têm um vocabulário e um estilo comunicacional muito perto do dos seus pais.
Afinal de contas, aos 3 anos as crianças já têm tanto dentro de si. Esta é a prova que, quanto mais interagirmos com as crianças, desde pequenas [repara que o estudo começa aos 7 meses!!!] mais hipóteses elas têm de assimilar e refinar a sua arquitectura mental. O cérebro - e as neurociências provam-no - constrói-se também com o ambiente.
Seria mesmo uma catástrofe não comunicarmos mais, não explicarmos mais, não nos ligarmos mais.
Responsabilidade proteger os nossos filhos
17.9.19
Apesar de haver cada vez mais movimentos para abrandarmos a nossa vida e que nos lembram que devemos estar mais presentes no momento, continuo com a impressão que, ainda assim, muitos de nós levamos vidas cada vez mais agitadas, com imenso stress, solicitações e distrações. Mais, muitos sentem-se culpados por não conseguirem abrandar. O mesmo se passa com os nossos filhos - há cada vez mais avaliações, trabalhos de casa, solicitações. Passamos horas em trânsito e no trânsito, chegamos tantas vezes arrasados a casa e a vida parece passar sem que por ela passemos.
É nossa responsabilidade proteger os nossos filhos destas situações que provocam danos - a forma como estamos a viver não é sustentável.
Tenho 5 pontos que me orientam e ajudam mas antes gostava que me contasses quais sao os teus.
A FAVOR DA DESOBEDIÊNCIA
10.9.19
Será que a desobediência pode ser vista como uma virtude? Como uma coisa que é positiva?
Eu sei que há momentos em que daria imenso jeito que os nossos filhos nos obedecessem imediatamente: como quando é para fazer os trabalhos de casa, ou arrumar o quarto ou até na participação das tarefas domésticas.
Mas acredito que se tivessemos mesmo filhos obedientes, talvez ficassemos preocupados... Se obedecem a tudo sem questionar (pelo menos com frequência), então poderiam tornar-se altamente influenciáveis noutras circunstâncias.
Será que podemos ver a desobediência como uma virtude? Poderá ser o reflexo de valores bem enraízados numa criança? Mostrar que se sente por inteira numa relação e questiona-se porque razão deverá fazer uma certa coisa?
Acredito que sim. Repara que uma criança, jovem ou até adulto que desobedece para fazer valer os seus valores, é alguém que sabe o que está a fazer, reflecte e tem um papel ativo e não passivo! 'Fazes porque eu mando!'
'Eu fiz isso porque tu mandaste.' Neste caso, a criança transfere a responsabilidade para a pessoa que ordenou, sem ter pensado ou colocado os seus valores em causa. Ou talvez os tenha colocado mas, porque talvez esteja habituada a obedecer, poderá ter tido dificuldade em não fazer o que lhe pedem e em afirmar-se. Talvez nem se tenha conseguido escutar.
É certo! Obedecer tem o seu lado positivo, claro que sim! Há questões que não são negociáveis embora careçam de explicação. Uma delas é a segurança dos miúdos. E também a nossa. Porque razão obedecemos a um sinal de trânsito? Pois, por causa da ordem e segurança. É necessário. Tal como é questionar a razão pela qual obedecemos e se isso faz sentido ou não.
Expectativas
3.9.19
(...) Desse ponto de vista, então os filhos dos médicos não poderiam ficar doentes nem os filhos dos professores chumbariam de ano. Mais: um médico especialista numa determinada área nunca sofreria da doença que trata, um advogado nunca teria problemas com a lei nem um psicólogo necessitaria de apoio a esse nível. Já agora, e no meu caso específico, os meus filhos nunca poderiam fazer uma birra, nem serem desobedientes, e responderiam sempre com bons modos.
http://mumstheboss.blogspot.pt/2017/11/expectativas-e-crencas-limitadoras.html?m=1
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