A Supernanny é Parentalidade Positiva?

21.1.18



Num dos grupos de alunos Pós-Graduados em Parentalidade Positiva, foi deixado este link onde se dizia que os métodos utilizados pela SuperNanny eram métodos de Parentalidade Positiva. De alguma forma é como se este título - Parentalidade Positiva - pudesse aliviar ou até justificar o programa que a Sic tem emitido e que se recusa a retirar do ar. E quando a confusão está lançada, é urgente uma explicação e clarificação para que não andemos a brincar com as palavras.

Para quem não sabe, em 1989, a Convenção Internacional dos Direitos da Criança [podes descarregar aqui o documento] pôs em marcha  uma "revolução tranquila" no que diz respeito às relações entre pais e filhos. As ideias que foram redigidas nessa convenção foram mais tarde recuperadas, em 2006, pelo Conselho da Europa na Conferência dos ministros europeus responsáveis pela área da família. Aí ficou decidido que a parentalidade deve estar na esfera do domínio político e a educação deve apoiar-se nos afectos.
Desta reunião sai uma recomendação que é muito clara e que tem como objectivo encorajar os estados membros a promoverem políticas de parentalidade positiva no sentido de apoiarem as famílias na educação dos seus filhos, passando por políticas familiares, programas de apoia a essas famílias, instituições e outras medidas.

Mas o que é a parentalidade positiva? "A parentalidade positiva promove um comportamento parental que respeita o superior interesse da criança, os seus direitos" (Convenção das nações Unidas), favorecendo a sua autonomia e considerando-o, desde logo como uma pessoa por inteiro.


Uma pessoa é uma pessoa independentemente do seu tamanho. 
Dr. Seuss

O texto continua e explica que a parentalidade positiva não é uma parentalidade permissiva porque estabelece limites claros necessários ao desenvolvimento seguro da criança. Esta parentalidade tem por base uma educação com base em afectos, onde não são considerados os castigos, a agressão física nem a agressão psicológica que pode ser feita através de comportamentos humilhantes, violando assim a sua integridade enquanto ser humano.

Sabemos que a Convenção Europeia dos direitos do Homem e a sua jurisprudência garantem a todos o direito ao respeito da sua vida privada e familiar. Simultaneamente, descrevem a família como uma célula fundamental da sociedade que tem o direito de ser protegida protecção.

É leviano chamar aos métodos utilizados no programa (e ao programa em si) como sendo o exercício da Parentalidade Positiva. Considero que pode 'dar jeito', uma vez que o tema está na moda, que muito se fala atualmente sobre parentalidade. Mas não são métodos de parentalidade positiva porque humilham, não trabalham a autonomia nem dão um poder positivo aos jovens.

Como terás certamente reparado, a Escola da Parentalidade tem o meu nome - e não é em vão. O objectivo é deixar claro o modelo que temos, que registamos como nosso (haverá outros) e que repudia por completo estratégias como o cantinho do pensamento, as humilhações, ameaças ou subornos. O modelo que desenvolvemos tem por base o respeito mútuo entre pais e filhos. Terminei ontem a primeira fase da Pós-Graduação em Parentalidade Positiva que ministramos e o apoio que damos é diretamente às famílias e instituições. Este conhecimento que é transmitido capacita os alunos para fazerem uma intervenção (profissional ou nas suas famílias) que não só lhes confere um poder mais positivo como cria um ambiente de paz e de desenvolvimento seguro (emocional e físico) para todos os elementos. É um modelo que tem por base os afectos, a vinculação e assenta na transformação da relação e da comunicação.

Por tudo isto, nunca a Parentalidade Positiva poderia apoiar, sequer, a ideia do programa, que expõe a família, não a protegendo.

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