Da empatia... ou da falta dela.

17.10.17
Portugal está triste,  revoltado e desapontado.
Depois de ter escutado muitos dos discursos políticos, sinto que estamos, também, sós.

Faltou empatia e a capacidade de se colocar no lugar do outro. Ainda há dias se escrevia sobre isso neste blogue. 

É certo que não foi o Governo a lançar os fogos. Mas é do Governo a competência em ter os recursos para nos proteger. É dele a responsabilidade de assegurar tudo isso. E se falha, então que, pelo menos, o discurso seja próximo e humano. Não frio nem distante, como se a tragédia estivesse relacionada apenas, com o arder da mata. Homens e mulheres arderam, literalmente.

O Governo não é o nosso pai mas, porque votámos e contribuímos, esperamos que não nos falhe. E quando nos falha, que sinta que os seus (que o somos) perderam porque, em parte, falhou.

Empatia não é uma emoção. É uma competência.
Soube bem ouvir o nosso Presidente falar esta noite. Com sentido de Estado e responsabilidade política. Mais que isso: humanidade. Que me parece que é exatamente o que está a falhar.

Eu, que não vi uma única imagem na TV - apenas leio os jornais online e oiço a rádio - ouvi hoje um dos resumos que a TSF fez. O final da peça está bestialmente bem feito - tira-nos o chão, faz-nos parar no tempo e aquelas vozes ecoaram na minha cabeça o dia todo. Muito mais que todas as imagens que vi - porque eram vozes de gente em pânico, elas sim, sem chão e sem nada, a quem tudo foi roubado. Devia haver mais gente a escutá-la, por estes dias. Talvez assim, alguns deles, se conseguissem pôr, nem que fosse 'um poucochinho', no lugar dos outros, sem chavões políticos nem banalizações.


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