Quando eles são do contra. O que fazer?

10.7.17



Um dos aspectos mais incríveis do trabalho que realizo é ver a transformação dos comportamentos e a melhoria da relação e do ambiente familiar.

Há uns meses trabalhei com uma família de um rapaz de 9 anos. Desde o nascimento do irmão que este rapaz, a quem a partir de agora chamarei de João Maria, estava mais desafiante. A verdade é que os pais atribuíam  este comportamento aos ciúmes naturais de quem tem um irmão, de quem está a chegar ao que agora se chama de pré-adolescência, mas a vida em casa estava a tornar-se cada vez mais difícil. O João Maria estava cada vez mais do contra, mais provocador, mais rebelde e até mal-criado, segundo os pais.

Todas as crianças que têm um comportamento de oposição, são crianças que recebem demasiadas ordens.

Depois de explorar o ambiente familiar, as rotinas e as conversas, os pais disseram que era capaz de ter razão. Estavam sempre a dar ordens ao João Maria e a necessidade de se sentir tido e achado, conforme falo imensas vezes, não estava a acontecer.

- Fala baixo, deixa o teu irmão dormir.
- Pára com isso, não sejas chato.
- Vai lavar os dentes e a cara de pois veste o pijama. Hoje já não há tempo para uma história.
- Assim que chegares a casa vais fazer os trabalhos de casa enquanto eu vou banho à menina. Depois vens ajudar-me a pôr a mesa.
- Vai lá fora ajudar a tua mãe a trazer os sacos para dentro.

Invertemos a forma de nos relacionarmos com o João Maria. Esta família passou a ter mais atenção à forma como estava a comunicar com o filho. Passou a fazer com que ele se sentisse mesmo parte da tribo. Passou a dar menos ordens e a envolvê-lo mais em casa. A questioná-lo mais. A interessar-se, verdadeiramente, por ele.

E, de repente, tudo acontece e o impacto imediato foi evidente. Verificaram logo uma melhoria na relação mas a verdadeira transformação deu-se agora, quase 6 meses depois da primeira consulta. Os pais, depois deste acompanhamento, também passaram a viver, de facto, segundo a parentalidade positiva. O esforço e o mérito é todo deles porque tiveram de alterar uma série de crenças, a primeira sendo que o filho os queria contrariar e provocar... só porque sim.

Foi um trabalho extraordinário, não foi? :) Um grande beijinho a estes pais!

P.S. Se queres aprender mais sobre este tipo de comportamentos, inscreve-te na nossa Pós-Graduação em Parentalidade e Educação Positivas.

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