Os 2 principais motivos pelos quais a adolescência pode ser um período de crise

12.5.17

A adolescência é, por definição, um período de crise, não só para os jovens como também para os pais. Este é um período de definição, construção e também destruição.

E estes são os motivos:

1. É nesta altura que os jovens iniciam um processo de maior autonomia na sua vidas. Primeiro porque é mesmo assim que se quer - que se tornem independentes de nós, afinal é para isso que os criamos.
2. Segundo, porque esta é uma fase de uma maior consciência de si, de transformações físicas, hormonais e emocionais. E esta 'avalanche' de transformações pode provocar comportamentos menos habituais, mais difíceis, justamente porque pode ser difícil lidar-se com tudo isto que está a acontecer dentro de nós.

Há quem se refira a este período como uma altura de crise justamente porque pode não haver a manutenção dos valores do passado. Simultaneamente, muitos pais sofrem com o afastamento dos filhos: este passa a falar menos, a fechar-se mais no seu quarto e a passar mais tempo com os amigos. Estes jovens, por precisarem e desejarem  maior independência - porque precisam de se definir - fazem com que o controlo parental diminua de forma natural, surgindo uma novidade na equação [que talvez existisse já antes] e que é a intimidade, deixando uma vez mais os pais por trás da porta.

E este ponto - a nova definição de papeis - pode ser um problema para nós uma vez que, a partir daqui, e num processo que pode ser lento, ou não, irão confrontar-se com novas situações ainda que algumas possam ser comuns nestas idades.

Estes desafios são muito diversificados e podem estar relacionados com a auto-estima do adolescente, as amizades, as redes sociais e o virtual em geral, a anorexia/bulimia, o bullying, a sexualidade, as drogas, entre muitos outros. E depois há os desafios relacionados com a própria relação pais/adolescentes: de discórdia, oposição, não participação.

Os adolescentes de hoje, também conhecidos por geração Z, são aqueles que entram no mercado de trabalho e ainda têm os avós a trabalharem. São aqueles que nasceram numa altura que os pais trocavam sms e emails e falavam no messenger. É uma geração que nasceu na altura da queda das torres e num país onde a taxa de divórcio não pára de aumentar, tal como o número de alunos por sala. Este artigo do Observador, pela pertinência, vale a pena ser lido.

E os pais, nisto tudo? Precisamos de apoio, de amigos generosos, com quem possamos partilhar os nossos receios e angústias, lembrando-nos que a paciência, o sentido de humor, a generosidade e a liderança empática são os nossos melhores aliados.
A dada altura, se precisarmos de ajuda e acompanhamento, não devemos hesitar, tornando assim esta travessia mais simples e mais fácil. 

Podes continuar a ler mais sobre estes assuntos em Ciclo de workshops Porto | Algarve


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