A igualdade naquilo que nos falta...

8.3.17
Tive a sorte de ter algumas professores que nos fizeram ler clássicos e que nos fizeram pensar e sobretudo questionar toda a questão sobre a igualdade de género e cidadania.

Lembro-me de ler, com imenso entusiasmo o Segundo Sexo da Simone de Beauvoir, de delirar com Sartre acerca do Humanismo e de fervilhar com o debate.

Mais tarde, no final do 2º ano da Faculdade, li La domination Masculine, do Pierre Bourdieu e passei a ver a realidade de uma forma nova, que contribuiu muito para a organização das ideias, para refletir mais sobre o assunto. Sem dúvida uma leitura provocadora!

19 anos depois, o tema continua complexo e o debate... entusiasmante!



Numa entrevista a uma radio francesa, uma psicóloga dizia, hoje de manhã, que não nascemos homem ou mulher - tornamo-nos! - citando assim as palavras de Beauvoir. Para o sermos, teremos de percorrer um longo caminho, de encontro, definição e construção de identidade. Caminho esse que será invadido de mensagens desvalorizando ou fazendo referência à fraqueza do segundo sexo. Caminho esse que nos dirá que somos aquilo que nascemos e nesse corpo nos encerramos. Ou não.

Esta psicóloga explicava que este sentimento de desvalorização cola-se a nós quando nos é explicada a diferença entre os sexos, quando somos pequenos.
Os rapazes têm uma pilinha e as meninas não. Tal como dizia Bourdieu, esta ausência parece tornarmo-nos menos. E, ao mesmo tempo, torna os rapazes superiores, mesmo que, à partida, uma criança não se veja nessa condição de mais ou de menos em relação ao que a sua anatomia lhe possa traduzir.

Só que aquilo que nos esquecemos de ver é que os dois sexos são diferentes mas são diferentes na igualdade. "A igualdade naquilo que nos falta - ambos temos algo que o outro não tem", ouvia esta manhã na rádio.

É só isto e, ainda assim, continuamos a precisar de dias como os de hoje e de plataformas como As Capazes  que dão voz ao tema, insistem em lembrar, provocar e não deixar adormecer o debate.

Gostei de ler esta manhã o post da Bárbara Baldaia no Facebook 
O Dia da Mulher serve para lembrar:
- as desigualdades salariais
- os desequilíbrios parentais
- os desacertos na realização de tarefas domésticas
- os preconceitos sexistas
- a violência de género
- as mortes decorrentes da violência de género
- o casamento infantil forçado
- a mutilação genital feminina
- a desigualdade no acesso à educação
- as violações
- o sexo não consentido
- a vedação de direitos humanos fundamentais em todo o mundo.
Não serve para oferecer flores nem para levar a jantar fora nem para nos dizerem como somos belas e sensíveis.



Quando olho à minha volta, considero que o tema continua a ser importante debater, reflectir e é justamente na forma como educamos que abrimos caminho para que os dois sexos se possam definir e construir, que se encontra o caminho para a paz.

Neste dia penso muito na expressão Deuxième Sexe (o tal livro da S. Beauvoir) e, por consequência, na música dos Indochine, 3ème sexe, aqui num remake da Miss Kittin [e que deu origem a este anúncio que certamente te recordarás! - letras aqui]






MADAME NOUVEAU PARFUM JEAN PAUL GAULTIER INDOCHINE por Keristoph3

2 comentários:

  1. Um dos melhores textos que li sobre o Dia da Mulher, hoje. :) Obrigado.
    Por acaso, também me deu para refletir sobre a educação que, no meu ponto de vista, é a solução para as desigualdades (muitas vezes também criadas pelas próprias mulheres devido à educação que tiveram).
    A minha reflexão sobre o dia: http://www.vinilepurpurina.com/do-que-as-mulheres-e-as-pessoas-235333

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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