E quando os pais estão separados? Especial Natal

23.12.16


Créditos fotos Would You Mum


Parece que começa a haver alguma mudança na forma como a família se constrói e se reconstrói, isto porque há cada vez mais divórcios em Portugal. A taxa de divórcios era, em 2013 - são os últimos dados do Prodata - de 70,4%. Talvez a tradição comece a ser esta nova realidade.

Mas mesmo quando a família está separada, continua a ser Natal com a família que se tem.  Na verdade, o divórcio em si não tem de ser visto como algo negativo. É o que é. O que pode ser menos positivo é a forma como se vive a separação e a dificuldade que existe em gerir as emoções, as expectativas e a reconstrução do novo Natal.

Por outro lado, e isto é um dos pontos mais fundamentais, é necessário que a criança se sinta num ambiente securizante, ou seja, num ambiente isento de conflitos. O que pode causar dano não é o divorcio em si e antes o que se vive em cada um dos ambientes. Uma casa onde se acuse consecutivamente o outro pai/mãe, onde se pretende ‘ganhar’ a criança é um terrível ambiente para a criança.

A pergunta que se segue é óbvia - Será que existe um modelo para fazermos dividirmos os dias com a criança e a sua família?

Era bom que houvesse um modelo mas não há. Cada caso é um casa, cada família é uma família.

Há situações muito limite em que os adultos não se entendem e é mesmo necessário cumprir escrupulosamente um determinado acordo que se fez.

Mas há situações em que podemos fazer melhor. Sei de situações em que se sugere que em todos os anos pares se passe, por exemplo, o dia 24 com a mãe e o dia 25 com o pai e que se mude no ano a seguir. E é aqui que nós temos de parar e perceber se esta suposta adequação serve a todas as famílias ou não.E porquê? Porque é importante que a criança esteja nos momentos mais importantes, naqueles em que acontece mesmo a celebração e a festa. Então é fundamental que na altura da partilha o juiz perceba como é que se celebrava o Natal naquela família. Há famílias para quem o dia 24 não é uma grande festa e o dia 25, com a chegada de mais membros adquire uma importância muito maior. Vamos perceber como é em cada uma das casas agora. Se a mãe dá mais valor ao dia 25 e a família do pai ao dia 24, porque motivo temos de alternar? Vamos partilhar o que de melhor acontece nas nossas famílias com a criança porque essa é a melhor forma de se fazer o Natal.

As crianças adaptam-se muito bem a novas dinâmicas familiares e a novas rotinas, sempre que os adultos que as rodeiam estejam bem e seguros dos seus papéis, e não podemos defender um modelo único para todas as Famílias, pois cada uma delas é singular.

É importante percebermos como é que desejamos que a criança se lembre dos seus Natais e de como é que eu contribuí para que ele fosse mais ou menos feliz. As boas notícias são que há cada vez mais situações de divórcio em que os casais ultrapassam as suas dificuldades, pondo à frente o interesse da criança.

Feliz Natal

1 comentário:

  1. Realmente cada caso é um caso! E além do ambiente securizante com cada um dos pais, eu acrescentaria que também é fundamental que as crianças tenham a oportunidade de estar o tempo necessário com cada um deles, de forma a conseguirem continuar a alimentar o vínculo pai/mãe filho, principalmente no caso de um dos pais não ficar tanto tempo com os filhos. Mesmo que os pais se dêem bem, se o vínculo com os filhos não for alimentado, essa relação vai-se distanciando, para não falar das espectativas dos filhos, que poderão acabar também defraudadas. Cada família encontrará a sua fórmula e não é obrigatório que o tempo com o pai e a mãe seja exactamente igual, o que importa é que seja de qualidade e que, quando estão com os filhos, estejam realmente para eles. Além disso, há sempre outras formas de poder "estar" com os filhos, mesmo que não presencialmente (ex.: e-mails, mensagens, etc.) e isso ajuda a que as crianças não se sintam tão distanciadas do pai/mãe com quem não vivem tanto tempo.
    Beijinhos e obrigada por ajudares a (re)contruir relações! ;)

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