Por vezes o que falta são as palavras certas... O que se diz numa mediação de conflitos? Uma espécie de guião...

3.11.16

Pedi à Isabel Oliveira que nos desse um exemplo do que acontece numa mediação de conflitos e o difícil foi escolher o exemplo. Pegámos numa situação de bullying e a Isabel escolheu um dos momentos mais importantes dessa mediação e um dos mais difíceis de fazer, pela nossa tendência natural em salvarmos e compormos as situações. E é extraordinário o poder transformador de escutar a história que tem de ser contada e o que só isso, por si só, já resolve.
Partilho contigo este relato verídico de uma mediação feita pela Isabel Oliveira, a uma rapariga de 12 anos.

Há poucos dias, uma jovem a viver atualmente uma situação difícil na escola, dizia-me :

- “Parece que agora a turma toda está contra mim, parece que todos me querem entalar, faça eu o que fizer”
-  “Ter a turma toda a odiar-te não é coisa que se goste.”

Quando ouvimos isto a nossa primeira tendência é dizer “Vais ver que não é bem assim, de certeza que há colegas que gostam de ti; não te sintas assim, isso é coisa passageira; de certeza que não são todos”.

Antes de ceder à tentação de resolver o problema, dê a si mesma a oportunidade de escutar e à outra a oportunidade de se sentir escutada. Também pode experimentar por refletir de uma forma diferente o que está a escutar, dando espaço expressão de emoções:
“Sinto pelo que me estás a dizer que essa situação te deixa triste e um pouco zangada também … e isso é natural”. 

Explore um pouco mais a história, criando a oportunidade para que a história possa ser contada
“Podes contar-me o que aconteceu?"
"Podes falar-me um pouco sobre os colegas que achas que não gostam de ti?"
"Quais foram os colegas que não se comportaram como esses, houve alguém que se tenha comportado contigo de forma diferente?” 

O conflito é uma história à espera de ser contada … por quem a viveu, não por quem a escuta.

E o que dizer depois, o que fazer a seguir?

Acolher
"Sabes, às vezes o que nos deixa mais chateados é não conseguirmos perceber porque é que as pessoas nos fazem certas coisas. E isso deixa-nos mesmo zangados, não é? 

Boas questões
Já experimentaste perguntar porquê, o que aconteceu para que tenham esse comportamento contigo?"

Coragem
"Também podes começar por dizer que quando te fizeram aquilo (e diz o que te fizeram) ficaste triste e zangada.  E diz-lhes como gostavas que se tivessem comportado contigo...como seria diferente..e como isso te faria sentir".


Enquanto pais e adultos [sendo educadores na escola ou não] temos um papel fundamental na resolução de situações como o bullying. Este é um fenómeno demasiado sério e doloroso e as crianças precisam de orientação, de serem escutadas e de ajuda para concluírem esta situação. Ao mesmo tempo, a questão da auto-estima das partes envolvidas precisa de ser trabalhada e esse trabalho tem início quando fazemos essa escuta ativa - que é toda uma arte - e que é, sem dúvida, o início da grande transformação. 

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Casos como estes vão ser trabalhados de forma muito prática dia 19 de Novembro, no Porto.



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