Que direitos têm os filhos no uso da Internet? E a privacidade? A Praça | RTP 4 de Julho 2016

8.7.16



Este pai observou que a Internet estava a promover o isolamento da filha, estava a fazer com que estudasse menos e não participasse nas tarefas domésticas.
O pai soube comunicar com a filha usando o melhor canal! - mostrou que é um homem inteligente.

A medida parece ter sido muito positiva, uma vez que a filha respondeu de forma rápida e a forma como o fez - usando o mesmo canal - parece ter sido bem aceite.






Mas afinal de quem é a Internet? Os pais têm o direito de impôr estas regras?
A Internet é um privilégio - quer para pais como para filhos e, como tal, o seu uso pode obedecer a regras. As regras devem ser colocadas pelos pais e, dependendo da idade e da maturidade da criança, até podem ser negociadas. Quando não se cumprem as regras de bom uso, pode haver a privação ou a limitação do seu uso, sem qualquer problema. E quais podem ser estas regras? Só usar a internet x horas por dia ou apenas depois de se ter feito A e B (trabalhos de casa, estudar, rotinas domesticas, etc).

É evidente que os pais têm de dar o exemplo, caso contrário não faz sentido nenhum as regras que se impõem quando o objetivo é a família ter mais qualidade nas relações - e estarem menos isolados, por exemplo.

E estas questões levam-nos a outro ponto - a questão da privacidade online. Temos o direito, enquanto pais, de supervisionar a vida online dos nossos filhos?

Esta questão é delicada e por isso eu dou a minha opinião pessoal. Quando deixo os meus filhos irem ao cinema, eu sei que vão ver um filme apropriado para a idade. Quando os deixo na escola, sei onde vão estar. É natural - e é o meu dever - saber o que eles fazem. O meu objetivo é a protecção e o acompanhamento. A Internet tem coisas muito boas - permite-nos receber notificações, falar com pessoas que estão no Brasil - e também tem outras coisas que não são nada interessantes nem positivas. Regrar, verificar e acompanhar por onde andam os meus filhos - tenham eles 11 ou 17 anos é a minha obrigação. Por isso há uma coisa que se chama a ética online e que pode muito bem fazer parte das regras de uso da tecnologia. Insultar alguém nas redes sociais, visitar sites que promovem violência e que vão contra os nossos valores podem dar a permissão aos pais de retirarem o uso da tecnologia. É importante que isto seja dito de forma muito clara quando damos a senha do wifi aos miúdos ou permitimos que estejam com o nosso tablet, por exemplo. Não é um castigo, mas eu não deixaria que o meu filho insultasse alguém na rua - tal como não posso deixar que o faça online. Também não o deixaria ir a um lugar onde se promove violência - e também não deixo online.

A melhor forma de acompanhar é participando e sendo uma audiência invisível. Somos amigos, estamos em redes sociais mas eu não comento quase nada - e o filho vai pensar que nunca lá vou. Mas vou.

Por outro lado, e como o uso da Internet é um privilégio, ou os devices não têm senhas ou as senhas são conhecidas da família. E isto não é negociável.

O objetivo não é verificar sempre e a todos os momentos - o objetivo é ganhar confiança e responsabilidade.

Como é que fazes aí em casa? 

2 comentários:

  1. Olá Magda,

    Eu concordo com você, que as crianças/adolescentes têm que ser acompanhadas de perto na internet. Eles têm que ter consciência que o uso da internet envolve também responsabilidades, que não é porque estamos em casa, que faremos coisas que não faríamos pessoalmente.

    Por outro lado, em relação ao pai da senha do wi-fi, eu tenho algumas dúvidas. As tarefas domésticas são responsabilidades de todos e condicionar a sua execução pode passar a impressão para ela que a menina está sendo "paga" para fazer as tarefas (o pgto é a senha do wi-fi), quando ela tem que fazer as tarefas tendo alguma "vantagem" ou não. Entretanto, não sou contra tirar privilégios caso as coisas não ocorram como devem. Se ela não tem "tempo" para acessar a internet e fazer as tarefas, então tem que ser estimulada a administrar melhor o seu tempo. Mas eu sei, às vezes é bem complicado, e talvez o pai já tenha tentado muitas outras coisas antes sem sucesso.

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