Mãehice - o síndrome pouco entendido

22.6.16
É verdade que este fenómeno acontece com os pais, mas em muito menor escala.
A maior parte das mães identifica-se com este termo - "mãehice" - que é uma espécie de síndrome que ataca filhos e mães e que se parece com manhã, mas não é.

É comum ouvir-se que
'Ele só faz isso quando tu estás aqui.'
'Vê-se mesmo que estás aqui porque ele põe-se logo a choramingar.'
'Pois é, mãe, sempre que é o pai a vir deixá-lo, ele não chora.'
'Pois é, mãe, sempre que é o pai a vir buscá-lo, ele não chora.'

Então o defeito está em nós, é isso?
Pois não, não é defeito. Nem feitio.

O que acontece são duas coisas:

1) A criança sabe que a mãe acolhe os sentimentos, os choros e que dá espaço para que eles aconteçam. A criança sente-se segura, nesse ponto.

2) Quando, no final do dia, a criança recebe a mãe com choro ou zanga [sobretudo quando na escola corre tudo bem], significa, mais uma vez, que sabe que a mãe vai acolher, da melhor forma, todos os sentimentos mais intensos, menos aceites na escola/socialmente. A criança sente-se segura em mostrar o pior que guarda nela.

3) Quando a criança choraminga está apenas a mostrar a sua insatisfação. É verdade que há alturas em que ela sabe que o choro lhe dará aquilo que deseja e aí a mãe precisa de identificar de forma clara o que está a acontecer. E a mãe também precisa de dizer ao filho que não é porque ele está a choramingar que ela vai mudar de ideias e lhe vai dar aquilo que já lhe disse que não daria.

4) Quando a criança chora de manhã pode não estar apenas a dizer que não se quer separar da mãe. Por vezes temos tendência em ficar na conversa com os miúdos, com as educadoras e a 'ganhar' espaço num espaço que não é nosso. Sabe-nos bem ficar ali, à conversa, a participar. E quando está na hora de regressarmos, o nosso filho chora. Há autores que se referem a este choro como uma necessidade da mãe, ou seja, o filho chora porque a mãe precisa de se sentir necessária. E, em certos casos, não é nada uma explicação descabida, embora te possa parecer, à primeira vista, complexa.
Mas nesta circunstância ele também poderá chorar porque quis acreditar que a mãe, que se demorou, ia ficar.

Seja como for, o síndrome da mãehice não é só manha e dá-se, sobretudo por causa do coração de manteiga que todas as mães têm e da enorme empatia e capacidade de aceitação que têm.


4 comentários:

  1. Obrigada por este post maravilhoso! Estava mesmo a precisar de ler isto e não sabia ;)

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  2. Passei anos a recriminar-me por causa de 'reparos' como os que ilustrou: "Só contigo é que ele faz isto". Depois eles vão crescendo e nós, mães que nem sempre conseguem ser assertivas, mães que mimam e consolam, mães que não são perfeitas, percebemos que há MUITAS coisas que eles só fazem e farão connosco. A mesma segurança que lhes permite fazer 'manha' quando estão cansados, stressados, tristes, frustrados... é a mesma segurança que os vai fazer voltar ao colo na adolescência e na vida adulta. É a mesma que transforma a mãe em conselheira e porto seguro. É a que torna essenciais os ralhetes da mãe ou os abraços apertados quando alguma coisa corre menos bem.

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  3. Na mouche :) tu estás sempre tão certa...
    Bjinho grande

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  4. Obrigada. Estava a precisar de ler isto e não sabia. Muito obrigada. Beijinhos**

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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