O meu avó usava um chapéu

29.2.16
O meu avô usava chapéu. O meu avô Gomes tinha um chapéu beige que usava todos os dias, sem excepção. Quando nos ia buscar à escola e entrava no carro, pousava sempre o chapéu dele por cima do jornal o Comércio do Porto, no lugar do passageiro. Em casa era fácil saber se ele estava dentro de casa ou não - bastava olhar para o bengaleiro.










































O chapéu beige do meu avó tinha o cheiro dele e era um chapéu à moda antiga - bem feito, com um tecido bom e uma etiqueta. O meu avô foi o único homem que eu conheci que usou chapéu a vida toda. Talvez fosse moda na altura, não sei. O meu avó nasceu em 1916, e faria este ano 100 anos.




E eu tenho uma estima enorme por chapéus. Quem me conhece sabe que tenho alguns chapéus e que adoro usá-los. É um caso sério de amor e sedução. Estamos sempre bem vestidos, com um chapéu!



Foi por isso com muito entusiasmo (e algum receio...!!) que aceitei o repto lançado pelo Centro Comercial 8ª Avenida e a Sonae Sierra quando me desafiaram a decorar um chapéu de coco. Receio porque, como dizem os franceses 'jai deux mains gauches... " o que, em bom português, quer dizer que não tenho jeitinho para nada no que toca aos trabalhos manuais.  Enquanto o chapéu não me chegou a casa, magiquei ideias improváveis e demasiado 'à frente' para as minhas mãos pouco experientes mas, quando o vi soube imediatamente que não lhe podia fazer mal. Era um chapéu à séria, como o do meu avó Gomes. Quando vi este chapéu tão delicado, tive a certeza que teria de o vestir de algo igualmente delicado. E fiz uma coroa - a mesma que o símbolo deste blogue - com papel de bombons de chocolate. Coloquei-a de lado, e o chapéu original ficou intocável.


Na sexta-Feira passada estive então no Centro Comercial 8ª Avenida para conhecer os chapéus decorados pelas crianças de S. João da Madeira. O objectivo desta iniciativa é manter viva a indústria da chapelaria em Portugal, sobretudo neste concelho. Para isso foi criada uma história. A história é d autoria do António Mota e foi ilustrada pela Carla Nazareth. O livro não está disponível nas livrarias mas nas bibliotecas da zona de São João da Madeira. Podes ver aqui a reportagem da RTP.





E foi tão bom estar à conversa com os miúdos, contar-lhes como é que nasceu a ideia desta decoração e fazer parte desta iniciativa que promove os valores e a História!



Fica o convite para passarem por lá!


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