A MENTIRA DO PAIS FELIZES = FILHOS FELIZES

1.2.16


A mentira por trás da frase Pais Felizes = Filhos Felizes

A primeira regra da Educação e da Parentalidade Positiva diz ‘Pais Felizes = Filhos Felizes’
E eu sei - e todos sabemos - que é muito mais fácil lidar com as birras dos miúdos e com as birras dos adultos quando estamos com os sonos em dia e quando conseguimos manter uma perspectiva positiva em relação à vida, em geral. Mas há alturas em que isso não é possível e o tempo que gostaríamos de dedicar ao nosso descanso e a tratar de nós não surge ou, sentimo-nos tão mal que nos sabotamos, gerindo como conseguimos esses desafios (usando a palavra da moda) diários.

Citando a minha amiga Ana É tão mais simples ser uma "boa mãe" ( seja lá o que isso for) dum filho fácil.”. E sim, claro, há miúdos mais fáceis do que outros, tal como há pais mais pacientes e com perfis diferentes.

Estes últimos anos em que tenho trabalhado com milhares de pais, percebi rapidamente que há alturas em que, para se tornar a equação verdadeira (‘Pais felizes = Filhos Felizes) , é preciso começar-se pela outra ponta do novelo - as estratégias. Para que alguns pais se permitam descansar sem peso na consciência por terem gritado com os filhos, para saberem dar a volta a um choramingar que lhes pica os miolhos ou para sossegarem uma guerra entre irmãos a maior parte das vezes é preciso que conheça estratégias práticas, claras e simples. É fundamental que alguém nos mostre para onde olhar e a causa das coisas. E quando conseguimos ver e usar algumas das quick fixes (soluções rápidas de curto prazo) e percebemos que as estratégias resultam, então conseguimos respirar e tranquilizar o coração. Conseguimos serenar e ver que, afinal, aquilo não era jogo de poder nem uma birra de má educação. Conseguimos ver para além do óbvio e do aparente. E nessa altura, porque sossegamos, o nosso coração amacia e aquela história de passar tempo de qualidade com os miúdos passa a fazer mais sentido e a querer-se mais. Porque, até ali, e deixemo-nos de hipocrisias, estar com os miúdos era por vezes penoso.

Há pais cujos filhos são pausados e isso é extraordinário. Lembro-me de a Sofia ter comentado há pouco no blogue que a filha mais velha é assim: pausada, querida, atenta, que escuta - e que ela estava convencida que muito tinha a ver com a educação que lhe tinha dado. E depois veio o irmão - um furacão cheio de energia e de meiguice. E aí percebeu que, para além da educação também existe a natureza da criança. E conheço famílias cujos filhos podem ser todos furacões ou miúdos muito tranquilos - de natureza!

Estou 200% de acordo com o facto de ser muito mais fácil sermos melhores mães quando os nossos filhos são pausados porque simplesmente não temos de lidar com sentimentos mais negativos que nos assaltam, em relação ao nosso filho. E não tem mal nenhum sentirmos coisas feias em relação aos nossos filhos. Pensarmos coisas do tipo 'No que eu me meti!' ou 'Estou mortinha que as aulas comecem!' ou ainda 'Bolas, mas que chato que tu és!!' 
Porquê? Porque não escolhemos o que sentimos mas escolhemos o que fazemos. Lembremo-nos que os sentimentos não têm moralidade - é uma ideia que exploro no livro Crianças Felizes - e o importante é sabermos geri-los e aceitá-los.


Mas também sei que a nossa pausa e serenidade os inspira, tal e qual como o inverso. E se temos de mudar de pernas para o ar a equação, para que depois ela bata certo, então devemos mesmo fazê-lo e começar pelas estratégias com eles para depois, aí sim, tratarmos de nós!

Boa semana, gente boa!!

3 comentários:

  1. Leio-te sempre, e raramente comento! Hoje deixo-te um beijinho! E partilhei-te lá no meu blog ;) Bom fim de semana!

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  2. Bem este post vêm mesmo na altura certa! Obrigada.
    Elisabete mãe de 2 furacões :D

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  3. Olá Magda,

    Este post está absolutamente excelente.

    Tirar a culpa da equação é, na minha humilde opinião, uma grande lição. Os sentimentos não têm moralidade e quanto mais completamente forem, melhor se lida com eles e com as situações que os originaram.

    Sou pré-mamã (a Lúcia nasce no início de Junho <3) e sigo-te com atenção. Leio-te e procuro interiorizar as tuas sugestões para que ela possa ter o melhor de mim e eu saiba cativar o melhor dela.

    Nesse contexto, este post vem mesmo a calhar.
    Tendo vindo de uma família que é a antítese de tudo o que advogas, tenho muito medo de, em situações de pressão, a minha experiência e "traumas" passados venham ao de cima e lhe faça a ela o que me faziam a mim, mesmo sabendo o que me fez/faz sentir.

    Espero conseguir ser a diferença que quero.

    Obrigada pela constante partilha e pelo que nos acrescentas diariamente.

    Beijos,
    mj

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