Esta é a magia de ser pai ou mãe | Pais & Alunos - Porto Editora | Adolescência

16.10.15


É com muito orgulho que anuncio que podes encontrar uma série de textos meus publicados na plataforma Pais & Alunos da Porto Editora. Este é um deles, dirigido a pais de adolescentes (16-18 anos). Espero que gostes e que te faça sentido! Boa leitura!!




A nossa missão enquanto pais não é apenas amar os nossos filhos. A nossa grande missão é humanizar os nossos filhos, dar-lhes regras e limites construtores que oferecem segurança e, também através deles, ensinar-lhes e transmitir os nossos valores.
Magda Gomes Dias

Gostava muito que este texto fosse lido por pais de adolescentes mas também por pais de crianças pequenas — semeámos para colher agora; e que seja uma boa colheita!

Quando olhamos para trás, percebemos que mais de metade daquilo a que chamamos educação passa, em grande medida, por lhes ensinarmos a estarem à mesa, a participarem nas tarefas de casa, a escolherem virar as costas ao suposto amigo que os trata mal, a lavarem o cabelo ou ainda a dormirem sem chucha (ainda se lembra, lá longe?). Educar é isto. E tem dias em que parece difícil porque temos de nos repetir tal e qual um disco rachado dos anos 70. Tem outros dias em que parece ainda mais difícil porque apetece ceder, fechar os olhos e deixar andar ou então “mandar tudo para o espaço”. E depois há os dias bons, fáceis, cheios de abraços, de risos e sorrisos, de conquistas!

Educar tem um lado cruel porque só vamos saber os resultados mais ou menos nesta altura da vida deles. É a partir de agora que eles começam a decidir quem querem ser. E tantas vezes em justa oposição de quem nós somos. É nesta altura que deixamos de ser a última bolacha do pacote. É agora que passamos a ir sozinhos aos jantares e que eles começam a ficar sozinhos em casa. É um voto de confiança no indivíduo que educamos e também em nós.

Mas não é, de todo, uma separação. Porque os filhos são nossos e, mesmo quando saírem de casa para trabalharem, viverem sós ou com quem quiserem, eu vou continuar a chamá-los para virem comer o prato favorito, para virem dançar descalços comigo para cima do tapete branco e para os ouvir contar o seu dia, nem que seja por telefone.

Por isso, e enquanto se mantêm por casa, decidi inverter uma parte dos papéis. Considero que já ensinei e mostrei muito daquilo que é importante para mim. Estou pois disponível para aprender de uma nova forma com eles. Quero que me façam escutar as músicas de que eles gostam, quero ver com eles os anúncios online para os ajudar a arranjar um part-time, se assim entenderem, nesta fase.

Por experiência própria, sempre considerei que o facto de ter começado a trabalhar em part-time e durante as férias do verão dos meus 16 anos me deu não só uma maior maturidade como independência. Ao mesmo tempo, e disto não tenho dúvidas nenhumas, fez com que melhorasse as notas. Sim, claro que fez! Porque tinha de sair para trabalhar e tinha de ir para as aulas. Então os momentos em que estava a estudar ou na sala de aula eram momentos de grande concentração.

Gostava que nos próximos anos os meus filhos pudessem, também, encontrar um trabalho que lhes dê prazer e que o possam conciliar com o estudo. E, se possível, que tenham um objetivo concreto – que se for o desenvolvimento pessoal e a experiência já é muito mas mesmo muito bom.

E é nos objetivos desta fase da vida que quero lá estar – para apoiar e para não os deixar desistir, mesmo que as metas pareçam, em determinados dias, tão grandes e quase impossíveis. Porque, a esta altura do campeonato, e quando eles se esquecerem disso, eu sei quem são os miúdos que tenho à minha frente e estarei lá para recordar isso mesmo! Conheço-os de cor e salteado!

Esta nova fase (para eles e para mim) vai exigir menos de mim em termos de participação – ou pelo menos será diferente. Agrada-me a ideia de os ir buscar ao quarto ou à biblioteca da escola e levá-los a comer um gelado, enquanto lhes pergunto como vai a história do trabalho de grupo em que nunca mais decidiam o tema. Quero continuar a decidir em conjunto onde é que vamos passar as férias (sim, as férias connosco são obrigatórias!): se de autocaravana, se para casa dos avós, se na montanha, saber como é que vamos festejar os 50 anos do pai e de que forma conseguimos usar o saber tecnológico, afetivo e criativo deles.

Está na altura de eles me mostrarem o resultado daquilo que eu fiz para trás. E eu tenho a certeza de que esta é a melhor forma de ver acontecer magia!

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