Sobre a qualidade dos programas de TV e da qualidade da música que damos aos nossos filhos

18.8.15
De há uns tempos para cá tenho falado, frequentemente, sobre a qualidade dos programas que oferecemos aos nossos filhos. Se segues este blogue, sabes que cá em casa não existe, há pelo quase 7 anos, canais de TV. Foi uma coincidência terem falhado numa altura em que pouco ou nada víamos e por isso, uns anos mais tarde, assumimos que o 'logo se vê' ia mesmo passar ao assumido 'não temos'.
Sim, temos televisor, e sim, vemos filmes e desenhos animados. Somos nós que fazemos essa gestão - e por isso é muito comum a TV estar desligada semanas a fio.

Há uns tempos perguntaram-me como fazia porque não tinha TV. Respondi 'eu pergunto-me é como é que as famílias fazem com TV. Eu já considero que temos pouco tempo em família - se a TV ficasse ligada, então não sei como seria'.

Pessoalmente, e pelo pouco que vejo (avaliação feita pelo pouco que vejo!!) não considero que, na generalidade, haja programas de interesse. Há alguns, sim, mas não que justifiquem parar a minha rotina diária ou subscrever um canal cabo para os ver. É muito possível que, à semelhança de alguns, possas ver esta nossa decisão e estilo de vida como algo fundamentalista. Eu vejo como profundo desinteresse pelo que nos é oferecido. Como te disse, vemos TV.




Os desenhos animados não promovem as diferenças, são demasiado barulhentos, com vozes que me fazem querer cortar o som. Não sei onde fomos buscar esta ideia que é necessário falar alto e de forma histérica para ter a atenção das crianças.

A música infantil também vai pelo mesmo caminho - e quando queremos escolher a nossa banda sonora, a que nos acompanha durante as férias, as escolhas ou vão para o lado dos clássicos e grandes como os Beatles (receio que se não lhes mostrarmos estes clássicos ele vão passar ao lado de muita coisa boa que se fez) ou para música nossa, como Feist, Air, Amadou et Mariam ou alguns dos projectos do Damon Albarn. Não é porque são crianças que temos de lhes oferecer material infantil se este é de má qualidade. Por outro lado, gosto da ideia de partilhar com os nossos filhos os nossos gostos - livros, poesia, música - e de lhes contarmos as histórias: as nossas - como é que descobrimos aquele autor, o que mais gostamos na voz daquele cantor ou do estilo daquele compositor.

Também gostamos muito de histórias contadas (bem contadas, sem vozes estridentes e que não pareçam tratar os miúdos como pessoas diminuídas) e cantadas.


E tu, qual é a tua banda sonora? Escolhes com os teus filhos?
E a gestão da TV, como fazes isso?
Costumas ver TV à hora do jantar? E depois do jantar também?
Como fazes para teres tempo de qualidade, em família?


A propósito, podes reler este artigo Crianças Zombies, publicado originalmente na Maria Capaz e que espelha a realidade dos ecrans e das famílias.







8 comentários:

  1. Nós: acho que nunca tivemos um cd infantil no carro e cantamos e dançamos sempre nas viagens. Vêem tv de forma regrada, não há às refeições, nem antes da escola ou de irem para a cama. Nós vemos as nossas séries qdo eles ja estão deitados :)

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  2. Sobre a TV - Concordo em pleno, e já nos desabituámos de ligar a TV só porque sim. Comecei por: "Não vou ligar já a TV, até ela se lembrar.." pensando que dali a 5 minutos ia pedir, mas para meu espanto ela (a minha filha que tem agora 5 anos) fica imenso tempo a brincar e não pede para ligar a TV. Nunca fui de a deixar muito tempo a ver em mais pequena, e isso tb deve ajudar agora, no entanto gosta de ver "bonecos", especialmente quando já está cansada, e eu deixo. Para já não somos 8 nem 80, e vou tentando aos poucos, não eliminar por completo, mas pelo menos que não haja o vício de estar sempre a ver TV. Mas.. (há sempre um mas) a questão não é só com as crianças. Os adultos também têm que cooperar, e o Pai gosta de ver as notícias enquanto janta... não sempre, não é obrigação, mas gosta, pelo que há uma gestão de todas as pessoas envolvidas, que não é fácil. E há ainda os avós (que são espectaculares) mas gostam muito de dizer: "Está ali muito bem, "sossegadinha" a ver bonecos" errrrr!!!! É um caminho... mas se tivermos consciência já meio caminho andado :) e eu acho que vamos no sentido certo.

    PS: é claro que isto de ter a TV desligada, dá muito mais "trabalho" - Chama-me muito, quer que esteja sempre a brincar com ela, quer "ajudar" a fazer o que eu estou a fazer... Acho óptimo e gosto que ela me "ajude", é essa a intenção, mas às vezes também estou cansada, preciso de despachar, e seria mais fácil ligar a TV. E às vezes faço isso, mas cada vez menos :)

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  3. Já pedi, pelos meus anos (21.8.), o teu livro! Sobre a tua pergunta: já houve tempo em que não tive o objecto TV, mas ainda não tínhamos filhos. Passámos a ter novamente, mas sempre controlado liga-se para ver um programa e depois desliga-se. Agora a TV está lá quase sempre apagada, mas também para a miúda ver de manhã 1 desenho animado controlado (sem ser TV em directo ;-) também não havia disto quando éramos pequenos) enquanto bebe o leite de manhã (esta é a minha conquista de fim de Verão pois via mais um bocado). À tarde gosta de ver um bocadinho, mas só depois de brincar na rua, no jardim da cidade ou em casa ou joga um jogo com dados com o pai enquanto eu faço o jantar Ao jantar jantamos à mesa e conversamos ou às vezes estamos em silêncio, e depois do jantar nunca houve (nem faz sentido nenhum na nossa dinâmica familiar). Controlo muito o Ipad e o telemóvel e nunca estamos à mesa a ver, telefonar ou enviar mensagens e quando temos de o fazer (porque às vezes o meu trabalho em época intensas assim o obriga) peço desculpa e levanto-me. Fora de casa, há sempre na mala da mãe alguma actividade, canetas ou conversamos sobre oq ue estamos a ver. é preciso estar atento e fazer um esforço. mas às vezes também derrapo e deixo a miúda estar mais tempo de manhã ou à tarde.

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  4. Não temos banda sonora específica... gostamos de ouvir rádio, principalmente a rádio comercial.
    Eu não vejo televisão. Não gosto de ver a televisão portuguesa nem sequer o telejornal. Antes via séries, hoje não tenho tempo para isso. O Diogo também vê pouco, gosta da Vila Moleza e dos 3 Porquinhos (os mais antigos)... gosta mais de brincar, pintar, etc. O pai gosta claro, do futebol. Não vemos tv à refeição, estamos os 3 à mesa a conversar. Ajudamos muito um ao outro para termos tempo para o Diogo. Prefiro mil vezes brincar com ele do que me colar à televisão.

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  5. Eu que ainda não sou mãe, mas que gosto muito de acompanhar este temas (quem sabe para um dia os colocar em pratica ;) ) ao ler este tópico fiquei com uma duvida....
    Como gerem os vossos filhos quando quase todos os amiguinhos vêem um determinado desenho animado ? eles não lhes pedem para ver também? Eles não dizem a celebre frase "mas toda a gente na minha escola vê/faz" ?

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    1. Sara, vou responder em forma de post! beijinhos

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  6. A minha mãe sempre foi o meu "CD de músicas infantis" ;) e agora é-o para a neta também :)... e eu ajudo, claro!
    De resto, em miúda no carro sempre ouvimos músicas desde MPB a Jorge Palma ou Nat King Cole e adorava (e ainda adoro).
    Mas deixo a ressalva que há autores com bons projectos musicais feitos (também) para crianças como os Clã, a Adriana Calcanhoto, o Vitorino ou o Chico Buarque.

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  7. Olá, tenho se livro, já o li, mas continuo a tentar estar em "melhoria contínua".... A minha filha vai fazer 4 anos e gosta de ter o CD dela ( músicas infantis) no carro da mãe. Eu deixo porque ela gosta de cantar, decora as letras, pede-me p cantar com ela... Quando vamos noutro carro, ouve rádio ou as musicas do pai ou da mãe (outros géneros e sabe k são do pai e da mãe e tb quer ouvir). Quanto a TV é um problema... Já tivemos de desligar várias vezes ao jantar, pois distrai-se e não come. Qdo não ligamos é uma paz, efectivamente, mas tb é o único tempo k temos p ver as notícias...O nosso tempo livre é passado sempre c ela, pois estamos longe da família. Fazemos td juntos, desde regar o jardim, fazer o jantar, brincar, pintar, ver os filmes dela... No entanto, o maior problema das birras/ chatices são os iPad e iPhone, quase sp não funciona a negociação, tenho de o tirar "à força" e "não há menina em casa"...

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