Potencia a Auto-Estima do teu filho

23.4.15


Cruza os braços, olha para baixo e amua. Tem dias em que choraminga. Diz que é a última vez que vai à aula de natação, à de ténis ou às aulas de viola (enfim, adapta o exemplo às actividades do teu filho). No início do ano lectivo o entusiasmo era grande e até tu te sentias mais leve por veres o teu filho com tanta vontade. Por isso pagaste a inscrição, pagaste o mês de Julho e investiste em material. Para que nada lhe faltasse e não tivesse desculpas para desistir.

Entras em Dezembro e começa o choradinho. Que afinal não gosta, que anda cansado. E tu dizes-lhe que as férias estão a chegar e que ele vai estar duas semanas sem lá ir. O assunto fica arrumado por esses dias e, com o início do novo ano, a falta de entusiasmo parece estar no limite. Lá recomeça o martírio de o ir levar à actividade que ele escolheu, mas que agora já não lhe serve. Bolas, foi ele quem escolheu a natação! E agora nem pode ouvir falar nela. Mas quando tu olhas pelo vidro, percebes que até se diverte e tem dias em que vem cheio de vida, super-alegre. No entanto insiste em não querer voltar.

Já te viste neste filme? E já não sabes o que fazer? Não sabes se desistes, se insistes, se o tentas convencer.

O que fazer então?

Confirma que ele gosta dessa actividade – falando com o professor, olhando para ele, fazendo perguntas.
Antes de o inscreveres, em definitivo, procura saber porque escolheu essa atividade e deixa-o experimentar pelo menos 3 ou 4 aulas para ele ter a certeza.

E depois disto, se o vês feliz durante a actividade, se te parece um capricho o facto de querer sair, então por favor não o deixes desistir. Pelo contrário, ajuda-o a conseguir tocar dois ou três acordes para que inicie a sua melodia. Leva-o à piscina contigo, ao fim-de-semana, e mostra-lhe como pode ser divertido.

Tirá-lo seria uma pena. Porquê? Porque não teria tempo suficiente para desfrutar do prazer que sentimos quando dominamos alguma coisa. Mas para se chegar a dominar é preciso investir, é preciso dedicação, é necessário esforço. E o esforço também faz parte do prémio.

Se é verdade que os miúdos têm muitas actividades hoje em dia, deixá-los apenas fingir que fazem alguma delas ou permitir que desistam à primeira contrariedade pode, em certa medida, significar que estamos a hipotecar o seu futuro. Isto porque, como todos sabemos, não só não chegamos a lado nenhum sem esforço, como o esforço bem usado é um boost na nossa auto-estima e na capacidade que temos de acreditar em nós. Porquê? Porque percebemos que afinal apenas dependemos de nós.

Dá trabalho, pois dá. E a ti exige-te nervos de aço, mas o teu filho vai agradecer-te mais à frente.

Se vires que o teu filho não gosta mesmo, rejeita, então já sabes a resposta!



Esta é uma das questões que são trabalhadas e aprofundadas no workshop de Auto-Estima, que se vai realizar Sexta-Feira, dia 8 de Maio, em Lisboa [no horário das 18h30 às 22h00], na Expo.

Este texto foi publicado originalmente na Maria Capaz, com quem colaboro semanalmente, com temas sobre Parentalidade e Educação Positiva.


1 comentário:

  1. Boa tarde!
    E se o nosso filho de 8 anos não quiser nenhuma actividade, devemos insistir para que frequente alguma? Demos várias opções, mas parece que não se interessa por nada.
    Obrigada

    Rita Vences

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Obrigada por leres e por comentares!
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