Parentalidade Positiva

31.3.15
Confesso que por vezes sinto uns olhares estranhos quando digo que trabalho na área da educação e parentalidade positiva. 'Olhares estranhos', perguntas tu?
Sim, de desconfiança. Como se não fosse possível educar com base no respeito mútuo, como se isso fosse utópico ou que fosse apenas possível com miúdos fáceis e dóceis.
E para perceberes o que quero dizer, basta leres alguns dos comentários que foram deixados na entrevista que dei ao Observador, na semana passada.
Ou há uma certa curiosidade pelo tema, ou há um movimento de recuo e de desconfiança. Sentimo-nos rapidamente ameaçados no nosso trono parental por acharmos que temos de ter, nem que seja pela força, pela humilhação ou pela a ameaça, o poder da equação.
E temos. Porque somos os adultos, porque em princípio sabemos o que andamos a fazer e por isso somos a grande influência para os miúdos.
Escolher exercer a Educação e Parentalidade Positiva não tem apenas a ver com as crianças.
Com sinceridade e muito pessoalmente, eu escolho esta filosofia não [apenas] por causa dos meus filhos mas porque eu sei que há outras formas de se educar e porque eu quero ter uma relação com base no respeito mútuo. Não me identifico nem me revejo noutras abordagens.
Sim, tal como expliquei aqui, dá muito trabalho. Se eu digo aos meus filhos 'se continuares a fazer isso vamos embora da festa', e se faço bater a bota com a perdigota, eu também vou levar por tabela porque vou ter de sair de uma festa, onde possivelmente me estava a divertir, para cumprir com uma regra que ditei. Sei que no máximo faço isto 2 vezes e não torno a repetir. A questão é que muitas vezes sobra para nós e não queremos...
A Educação e a Parentalidade Positivas são uma forma de se estar. Não há mudança do dia para a noite mas vale tanto a pena!

2 comentários:

  1. Olá. Li os comentários ao artigo e, na verdade, a maior parte deles faz-me ter pena das pessoas que os fazem....
    "quando é que a vida nos poupa a palmadas e castigos?" só pode ser dito por quem vê tudo negro e espera sempre o pior... Acho que o que teriam de perceber é que com a parentalidade baseada no respeito não estamos a preparar os nossos filhos para um mundo cor-de-rosa, mas para saber aceitar da melhor forma possível o que a vida trará de pior. Queremos que eles, como adultos felizes, realizados e seguros, saibam lidar com o que é mau, mas sem nunca perder a esperança, porque é passageiro, porque melhora. Mas isso, por favor, sem lhes tirar nunca a capacidade de ver o rosa por detrás do negro...
    Se forem os próprios pais a ensinarem aos filhos, à força de pancada, de desinteresse e desamor, que o mundo é um lugar mau, para esse adulto o mundo será um lugar mau. Porque (só) está formatado para isso. Não conhece outra realidade. É uma self-fulfilling prophecy. Os pais não estão a preparar os filhos para o pior, estão a ensiná-los a ser a sua pior versão possível! E essa, sim, é a maior crueldade na parentalidade...

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  2. Força Magda. O mundo é mesmo assim cheio de pessoas e mentes diferentes. É tudo o que é novo e diferente custa mais até deixar de o ser. Por cada um hoje que deita o "olhar estranho" há amanha n>1 que deita o olhar curioso. É só esperar, e continuar.

    A dad boss (o que já por si demonstra essa diferença positiva)

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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