Mas isto agora para se educar é preciso tirar-se um curso? Andamos a ficar todos modernos e inseguros?

12.11.14
Tantas e tantas vezes oiço comentários como 'Oh, isto agora os pais a tirarem cursos para serem pais... andam metidos nisto é porque são inseguros e não querem amedrontar ou frustrar a criança. E depois é o que se vê... tanta coisa, tanta coisa e uma palmada bem dada e no momento certo... Aliás, os pais deviam era seguir o seu instinto e deixarem-se de coisas...'

É assim ou não é?
É assim que se ouve mas não, não é assim.

#1 É preciso saberem mais sobre a função mais importante que têm
Andamos todos a dizer que ser pais é a profissão mais importante do mundo e alguns de nós acham que quando nasce uma criança, nasce um pai. Até nasce mas na forma de saber tratar e acompanhar a criança tenho sérias dúvidas. Primeiro, porque é um mundo novo [que pode ser maravilhoso ou não] e em segundo porque mesmo que possamos ter sido tias ou educadoras durante muitos anos, a verdade é que se não nos instruirmos sobre o assunto, não sabemos mesmo nada. Erramos imensas vezes e a seguir corrigimos. Faz parte. E para que possamos errar menos e disfrutar mais, convém mesmo ou tirar cursos [que são excelentes espaços de partilha] e/ou ler sobre o assunto. Porque é que vamos complicar quando sabemos que há formas de lidar com as situações que trazem mais benefícios? Que nos ajudam no dia-a-dia? Que nos simplificam a vida?
Será que é porque na nossa cabeça ainda guardamos o paradigma 'eu sou teu pai/mãe e por isso tens de me seguir/obedecer sem questionar?' Vale a pena pensar nisto...

#2 Os pais não são só inseguros
Pode haver insegurança mas eu não sei se é essa a verdadeira questão. Quando falamos de 'pais inseguros' estamos seguramente a falar de pais que não querem fazer igual ao que fizeram com eles. Estamos a falar de pais que desejam sair do modelo autoritário para um modelo mais equilibrado mas, como não tiveram referências deste modelo não sabem como fazer. É perfeitamente normal e natural por isso que procurem mais informações. Há estratégias muito interessantes, que funcionam e nos facilitam a vida, como esta.

#3 Frustrar a criança - eis a questão
As crianças têm de ser frustradas porque é assim que aprendem... A vida não pode ser fácil - têm de aprender no duro.
Então pensa nisto: vai uma distância enorme [maior do que do Porto a Faro] entre ensinar uma criança a tornar-se autónoma a fazer com que ela esteja numa situação, em apuros e sem competências para se safar. Isso aí é maldade. Como saber a diferença? Tu é que conheces o teu filho e ele já te provou do que é capaz e do que ainda não é.
Outra questão tem a ver com a forma como lidamos com a frustração e a minha experiência diz-me que temos muita mas muita mais dificuldade em lidar com a nossa própria frustração quando criamos frustração aos nossos filhos do que com a frustração deles.

#4 Uma palmada bem dada, no momento certo...
Que não virá mal ao mundo penso que não mas a questão não tem a ver com permitir ou não permitir a palmada. Quando batemos estamos a dizer que não temos ou não conhecemos mais estratégias[não falo em argumentos, não te é pedido que argumentes permanentemente com o teu filho enquanto o educas]. E como tal, 'toma que é para parares!' E ele pára não porque percebeu isso antes mas porque apanhou. Ou então já chegaram a um ponto de tensão tão grande que entraram num jogo de poder. E neste caso nenhum dos lados sai a ganhar.
A questão da palmada não é uma questão para mim porque não a equaciono na minha vida e na minha forma de ser. Que imagem é que estou a enviar a mim própria quando decido agredir os meus filhos dessa forma?
Possivelmente estou cansada, farta de alguma coisa, exausta por ter de levar com as respostas tortas, as más-criações dos miúdos e uma profunda desconsideração do papel de educador@. Então essa é uma história sobre mim e não sobre o meu filho, ainda que ele esteja ligada a ela. É uma filosofia de vida e a mudança é possível e gradual.

#5 Educar da cabeça para o coração (R)
Segue o instinto e tudo se educa. Falso, falso, falso!! Amar é uma coisa, educar é outra totalmente diferente e instinto talvez seja ainda mais diferente.
Seguir o meu instinto quando a minha filha decide fazer uma birra enorme no supermercado ou quando o mais novo vem o caminho todo a chorar não seria, de certeza, uma boa estratégia nem ideia. Nessa altura, se escutasse o meu instinto iria fazer asneira da grande. E se o conseguisse escutar, com tanto choro e birra e berros era uma coisa bem boa. E se conseguisse olhar para os meus filhos para procurar perceber o que estava a acontecer era sorte porque, nesses momentos, sinto-me observada pelos olhares de quem passa e não consigo pensar direito.
Por isso, se eu conhecer estratégias que acabam de vez ou amenizam estas situações todas num instante, porque é que eu não as uso? E se para tornar os nossos dias [da família toda!] eu preciso de aprender, então que seja!

É esse o objectivo deste blogue e do trabalho que desenvolvo. O mote é Educar da cabeça (R) para o coração porque educar não é [só] instinto.









3 comentários:

  1. Simplesmente excelente!

    ResponderEliminar
  2. Completamente verdade! Já aprendi muito, quero aprender mais, e estarei sempre a aprender como pai/mãe/educador/a! Obgda "Mum´s the boss"!

    ResponderEliminar
  3. Completamente de acordo! Ninguém nasce ensinado para Tudo!
    um beijinho, nancy

    ResponderEliminar

Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

linkwithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Share