ESTRANHA FORMA DE SE SER FELIZ

7.10.14


Há talvez uns dois anos atrás, uma amiga minha convidava-me com alguma frequência para sair. À semana era complicado por causa da logística familiar e do trabalho, ao fim-de-semana era complicado também... por causa da tal logística familiar. Era possível arranjar tempo para uma conversa entre tempos mortos [o que é isso, hoje em dia!], quando nos cruzávamos na padaria e a conversa era acompanhada por um café. E que bem que sabia.

Um dia, ia eu dali a uma semana para os workshops em Lisboa, envia-me ela uma mensagem a perguntar se eu não queria largar tudo naquele domingo e ir almoçar com ela e com um grupo de amigas. Com toda a normalidade disse-lhe que não, que ao fim-de-semana quero estar com os meus.

Há muito que tinha decidido não andar a correr de um lado para o outro e há muito que tinha decidido respeitar as minhas necessidades essenciais e passar a dizer mais vezes que sim a mim.

Curiosamente senti que a minha resposta não caiu bem... que foi tida como uma espécie de momento egoísta. Não só nesse momento mas noutros em que me permito dizer que não vou a determinado sítio simplesmente porque quero estar com a família, sem planos. Só nós.

E fiquei tão feliz quando li uma crónica do Thierry Janssen que diz justamente isso: que esta espécie de fragilidade é na verdade, uma forma de responsabilidade e uma força. Quando, a partir de uma determinada altura conseguimos escutar-nos e ouvir, de facto, do que é que precisamos mesmo, então não conseguimos mais mentir-nos. Mas entre mentir e ter a coragem de assumir mesmo isso, vai um passo muito grande. Pelo meio há o sentimento de culpa de se querer agradar a deus e ao diabo...

[tenho uma amiga que diz que ao sábado não quer compromissos - quer pijamar, acordar devagar e ter as crias só para elas, em casa, onde o mundo pára. E eu não podia ficar mais feliz por ela e feliz por ter amigas que sabem o que é mesmo importante para elas].



A Sara, que entrevistei aqui, na rúbrica que tinha aqui no Mum's the Boss chamada Random Acts of Kindness diz justamente isso - talvez devessemos ser mais egoístas e tratar da nossa própria felicidade. Quando somos felizes fazemos mais bem que mal. E eu não podia estar mais de acordo. 



Pais felizes = Filhos Felizes? 

LISBOA, DOMINGO 12 de Outubro, e em Lisboa, o workshop Pais Felizes = Filhos Felizes mostra-te como fazes, na prática, a Educação e Parentalidade Positiva para os teus dias.
Muito prático, este workshop é a grande base destes temas

3 comentários:

  1. Muito bom. Eu ando a batalhar para me livrar da culpa (infligida por outros) quando tomo estas decisões. O pior é que, muitas vezes, resulta em afastamento (o meu) relativamente a uma atitude hostil e com a qual decidi que não quero viver.

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  2. Que sintonia! Ainda esta semana falava com uma amiga (também com um filho pequeno) sobre isto. Os amigos não têm que deixar de fazer parte da nossa vida quando a família começa a crescer. Mas é tão bom e saudável que com as mudanças da vida, o investimento que fazemos do nosso tempo mude também! A "conversa de café" muda drasticamente de posição nas nossas prioridades.
    Parece-me que temos uma linha de pensamento muito semelhante. Adoro o blog. Parabéns!

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  3. E que verdade tão gigante na minha vida. Tive de ser egoista para mim e para os meus, mas só consigo ser devagarinho e vou dizendo não pequenos, passo a passo. Talvez tivesse sido mais honesta se dissesse o não logo à partida, mas não tive coragem. Este texto, hoje, fez-me todo o sentido.

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