ESPECIAL REGRESSO ÀS AULAS | COMO COMER MAIS FRUTAS E LEGUMES

2.9.14
No ano passado, na primeira reunião de pais da escola da minha filha, a directora pediu aos pais para incluírem mais fruta e menos lanches comprados em supermercados, cheios de chocolate e outras gorduras transgénicas.

Eu, cheia de boas intenções, ora acordava mais cedo, ora deitava-me mais tarde, assegurando assim que a pequena levava, para além do pão com manteiga, a sua caixinha de fruta [pêra, uvas, pêssego, melão, etc].
A única forma de eles passarem a comer com maior frequência estes alimentos é eles estarem à disposição. Mais: a única forma de eles passarem a comer com maior frequência estes alimentos é não havendo aqueles que tu consideras prejudiciais ou sem interesse nenhum para eles, à disposição. 

E ela não reclamava que os outros levavam coisas cheias de chocolate e ela não?
De início, não. Lembrava-se das palavras da directora e até estava contente por ter fruta na mochila.
No final começou a comparar e eu escutava-a. Ela sabe que não compramos esses produtos para nossa casa e isso não lhe causa confusão nenhuma. Não está impedida de os comer, numa festa, em casa de amigos ou numa circunstância que surja mas nós simplesmente não compramos disso.Era como se alguém adulto se virasse para mim e me perguntasse 'quer levar uma garrafa de vodka para casa?' Eu responderia que não porque não. Porque não, apenas.




Quando era mais pequena, não era miúda de pedir fruta ao lanche. Lanche, para mim, sempre foi pão com manteiga e leite com chocolate ou simples. No limite, uma cevada, que adorava! Mas sempre que vamos a França visitar a família do pai, aquilo que nos propõe é uma peça de fruta, um iogurte ou um puré de fruta. E quando lhes perguntávamos se podia ser um pão com manteiga, era vulgar ver o espanto porque uma coisa salgada, a meio da tarde, não era o que se esperaria. Talvez uma brioche...
E durante as férias lá se comia uma fruta com um iogurte ou uma salada variada com os frutos da época.

E isto fez-me compreender que muito vais dos hábitos e das alternativas que se apresentam. Por outro lado, ainda acreditamos que um pão alimenta mais que uma fruta.

Entretanto, e com o nascimento do mais novo, passei a comer mais saudável e menos calórico [para ir ao sítio!]. Como aqui em casa a prática é 'todos comem igual', e como estávamos no verão, as refeições passaram a ser à base de saladas e muitos legumes cozinhados de forma variada e diferente. Isso quer dizer que o arroz e a batata deixaram de estar à nossa mesa [havia sempre na escola] e passaram a estar outros produtos, cheios de vitaminas e com maior interesse nutricional. A sopa está presente regularmente [e aí é tranquilo mas o mais difícil são os legumes apresentados no prato principal].
Se não havia birra? De início havia queixas como 'eu não gosto, eu não quero' e então continuamos a fazer aquilo que sempre se fez cá em casa: tudo bem, não queres comer uma colher cheia, nós sabemos. Escolhe a parte que te interessa comer e a tua folha de alface e a fatia de tomate. Desde sempre que não obrigamos a comer - mas provar tem de ser. É lógico que vai do tom, do cuidado com que fazemos. E não abrimos guerra só porque não. Vai de si, é assim. E depois há aquelas coisas que ela não tolera mesmo como camarão. E isso nem insistimos. Mas os brócolos que come hoje e amanhã já não... aí fazemos rodar os pratos e ela tira o pedaço que quer.

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Uns meses depois de ter decidido que agora comemos comida boa [descansa, que vamos algumas vezes ao take away buscar e cá em casa eu faço que chegue para que dure 2 dias para não andar sempre em volta dos tachos!] comecei a receber o feedback positivo do empenho, da dedicação e da habituação do palato: ela passou a servir-se sozinha, a pedir para repetir e a dizer 'mamã, adoro cenourinha!', de forma espontânea.

O segredo é mesmo:

Ter esses alimentos disponíveis
Servi-los com frequência e sem stress, em todas as ocasiões
Paciência, consistência
Encontrar formas saborosas de os servir
[espreite os sites de cozinha vegetariana, por exemplo - há mil e uma formas de se comer bem!]

Quanto tempo durou para as coisas correrem de feição e sem reclamações? Não te sei dizer mas faz um ano e alguns meses que comecei e comecei a ver resultados contínuos talvez na Páscoa...



2 comentários:

Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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