REGRESSO ÀS AULAS: Lidar com o Bullying

26.8.14
Para além do insucesso escolar [e quero acreditar que mais do que isso] os pais preocupam-se com a sanidade da vida escola.
A palavra Bullying ouve-se demasiadas vezes e até já foi aqui falada algumas vezes.
Estou convencida, como explico nesse texto, que muitos dos comportamentos de bullying poderiam ser eliminados se houvesse mais pessoal auxiliar que estivesse mais presente nos intervalos e que andasse de olho nessas situações. Mas entre todo o serviço que há e a existência de um ou dois funcionários auxiliares para um pavilhão inteiro, desconfio que a coisa não vai lá. 
É por isso importante que enquanto pais possamos fazer o nosso TPC. Dói, só de pensar, na forma como nos tratamos e também na fragilidade de algumas crianças.
O Bullying mexe com a auto-estima de qualquer miúdo. Mexe na sua integridade e também na sua inocência. Tira-nos a todos o sono e a segurança que a infância, afinal de contas, pode ser um lugar maldito.
Para lidar com estas situações e também para as prevenir, peço-te que leias e partilhes os pontos abaixo.
Peço-te que penses neles e que partilhes aqui o que tu pensas que pode ser feito, que contes experiências que conheces e que possas ter vivido para que todos possamos atentos - a quem é vítima e a quem vitimiza.

1. Identificar concretamente junto dos nossos filhos, o que é o Bullying.
Bullying pode ser uma situação quase subliminar. Pode ser ser-se gozado de forma subtil mas contínua e com maldade consciente. É quando a outra pessoa [neste caso, a criança], tem como objectivo provocar o outro e mostrar-se mais forte.

2. Por vezes o 'mau' da fita é o melhor amigo [ou o melhor amigo desejado]
Esta situação é muito frequente - há miúdos que são populares e de quem os nossos filhos querem ser amigos. Mas, ao que parece, essa amizade parece estar a sair cara. Uns dias são amigos, no outro dia o Carlos diz ao nosso Manuel que não o quer no recreio com ele. E todas as semanas é o vira o disco e toca o mesmo. Sim, isso é bullying.

3. O tom, ai o tom!
"Desculpa lá, deixas-me passar, por favor" é muito diferente de 'Desculpa LÀAAAA! Deixas-me PASSAR, por favoooooor'
"Que gira mochila" de 'Que gira mochila [sorriso e revirar de olhos].
Não é apenas o que se diz e sim como se diz - mas o problema é mostrar/recriar o tom...

4. A insegurança
Costuma dizer-se que a vítima de bullying é uma criança insegura. Pode ser mas não em todos os casos. Muitas vezes é apenas uma criança que não tem grande 'maldade', como se costuma dizer e que acredita na bondade dos outros. É uma criança que foi apanhada desprevenida e que, porque não soube responder/não quis responder ou não sabe lidar com a situação, foi reenviando uma mensagem dela própria menos positiva e está com dificuldades em sair dali porque não sabe como fazê-lo - sobretudo porque na maior parte das vezes lhe foi dito que não se bate, não se responde e que temos de nos portar bem.
No entanto, a maior parte das vezes,de todas as crianças, a mais insegura é a que provoca. Na verdade, os estudos deste tema apresentam esse traço/característica. E se pensares aqui comigo vais ver que os estudos até têm razão. É que quando se tem uma auto-estima equilibrada, não precisamos de rebaixar os outros para sermos os mais importantes ou os mais populares. Não nos sentimos ameaçados porque, estando bem connosco, não temos absolutamente nada a provar... ora, é justamente quando nos sentimos ameaçados que atacamos. O bullying é um ataque. 

5. Ajuda o teu filho a afirmar-se. 
a) Ignorando as bocas e as provocações- por vezes é o bastante. Não ligando, não dando troco, não há resposta e, onde não pode haver fogo onde não há fumo. Claro que é mais fácil dizer do que fazer por isso é importante que possas treinar com o teu Manuel os 'olhos que rebolam e os ares que sopram para o ar', com sinal de quem está ali a apanhar uma valente seca.

b) Se a) não funciona, continua a treinar com o teu filho coisas como 
     Oi? Estás a falar comigo? Ai estás? Agora não dá, talvez mais tarde [e vais embora].
      A sério, precisas sempre de estar a vir aqui ao pé de mim para fazeres essas coisas? Não tens mais com que te entreteres?
     Uauuuuu! És o máximo, Carlos. Agora podes ir divertir aquele grupo ali, que eles também se querem rir um bocadinho. E amanhã podes trazer frases novas. 

O que é que isto tem de especial? Primeiro são respostas que os miúdos passam a ter na ponta da língua para se defenderem. E isso é ainda mais interessante para as crianças que NÃO têm a resposta na ponta da língua. Por outro lado, não ofendem nem são malcriadas mas mostram que aquele comportamento é, no mínimo, desadequado. 

c) um-dois, esquerdo-direito, encolhe a barriga-estica o peito.
O hábito faz o monge - andem direitos [tu e o teu Manuel] - esta afirmação também se faz pela postura - para os outros e para nós.

d) Inspira, expira
Ensina-o a respirar fundo e a acalmar-se. E já agora, faz isso tu também! Quando estamos nervosos não pensamos. Para nos acalmar uma boa respiração ajuda.

e) Não o provocas ao dizer que ele devia isto e devia aquilo. 
Ele gostava muito de saber/conseguir defender-se. Mas o teu Manuel não sabe, não tem a coragem para fazê-lo ou outro motivo qualquer. Porque se conseguisse fazê-lo, é muito possível que este tema não te interessasse tanto. Então não aumentes o sentimento de culpa dele. Lembra-te da alínea d) e reconhece a dificuldade dele. Quando ele sente que tu sabes o que ele sente, então é a partir daí que ele tem hipótese de renascer. Por outro lado, porque se sente tido e achado vai sentir que tem retaguardar, é muito possível que comece a afirmar-se mais vezes

f) Sonda o espaço
Vai à escola, está presente. Fala com a professora, com as auxiliares. A ideia não é fazeres de protectora. A ideia é mostrares que estás atenta e alerta. E porque não procurares saberes quem é/são as crianças envolvidas e até identificares quem são os pais. 

g) Desportos de auto-defesa
Há uma série de desportos de auto-defesa muito interessantes e que podem ter impacto na auto-estima e na afirmação do teu filho. Leva-o a experimentar sem necessariamente dizeres que é por causa desta situação.

h) Escolhe os amigos dos teus filhos, sempre que possível

i) Muda-o de escola
A ideia é sempre que a criança possa resolver esta situação e que, no final, a situação até tenha sido positiva, porque lhe deu aprendizagens boas. Mas isto é o melhor do mundo e das situações. Se a situação for mesmo má, se os adultos envolvidos não são capazes de terminar com a situação, então eu equacionava mudar o meu filho de escola. São raras as situações que chegam a este limite mas é uma opção a tomar depois de se esgotarem todas as outras.

Quanto melhor for a nossa relação com os nossos filhos, mais eles falam e mais nos escutam. Vamos manter a porta aberta e criar oportunidades para estarmos sempre mais perto.



2 comentários:

  1. Estou perante uma grave situação dentro da minha própria casa. O meu filho, quando não estamos presentes, é permanentemente rebaixado e gozado pelo irmão 4 anos mais velho (filho apenas do lado do pai), que à nossa frente se faz de santinho. Já tinha algumas desconfianças, mas quando constatei que era mesmo verdade fiquei em choque! Desde críticas permanentes, gozo e ofensas, é o vale tudo e o pai não faz nada, porque diz que são irmãos e não se deve interferir. Se eu interfiro há sempre discussão entre o casal e o mais velho ri-se... E quando o mais nove reage, fica de castigo... O que hei-de fazer?

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  2. Boa tarde, a minha filha, hoje com 8 anos, nasceu com um angioma muito grande num dos braços ( é visível desde o ombro ate ao cotovelo). tem sido acompanhada por uma cirugiã plástica no hospital da Estefânia que desacomselha operar ate ela ser mais crescida, e eu concordo. Acontece que no Verão com o uso de t-shirts fica mais exposto e claro que isso tem gerado várias situações, algumas delas muito desagradaveis, não ´so por parte de crianças mas tambem de adultos. As pessoas não sabem lidar com a diferença.... Quando era mais pequena a minha filha não ligava porque penso que não tinha noção, mas agora que ja esta mais velha os comentários, umas vezes ás escondidas outras vezes descarados, incomodam na bastante, chegando mesmo a chorar varias vezes e a perguntar me " Mãe porque é que nasci diferente", ora isto parte um coração a uma mãe. Falo com ela e explico que não é diferente e que há muitas meninas que tambem estão na mesma situação que ela, e que não deve ligar aos comentários porque por vezes tanto os adultos como as crianças dizem "disparates", que ela não deve ter vergonha de ser como é, etc etc. Normalmente eu finjo que não vejo, ou ignoro, os olhares e os comentários para não lhes dar importância, mas á cerca de um mês aconteceu uma situação que não consegui ignorar, estávamos numa pastelaria e estavam lá 3 crianças com os avós, deveriam ter 6/7 anos, e uma delas estava levantada e começou a olhar para o braço da minha filha e a revirar os olhos depois chamou as outras duas e começou a apontar e a dizer " olha, já viste que horror, tão feio" e continuavam sempre a apontar, a minha filha apercebeu se e começou a olhar para mim e a encolher se na cadeira... eu não aguentei mais levantei me e dirigi me a elas e disse muito calmamente " Ola, sabem que é muito feio apontar e falar sobre as outras pessoas que não conhecem, nunca vos ensinaram? Elas claro que ficaram envergonhadas e nessa altura os avós que estavam de costas para a situação chamaram nas e presumo que lhes perguntaram o que se passava..... eu regressei ao meu lugar e vi os avós a olhar para mim com um ar reprovador, optei por os ignorar e levantei me com os meus filhos e sai de cabeça erguida da pastelaria. Como esta situação ja houve muitass e sei que vai continuar a haver..... eu poderia fazer com que a minha filha so usasse camisas de manga comprida no verão mas acho que não esta correto e sempre pensei que ela não deve ter vergonha do seu corpo e o deve aceitar como ele é, para alem disso ela adora as t-shirts com as suas bonecas preferidas e acho que não a devo privar disso.... Mas doi me tanto, tanto o coração quando a vejo chorar por causa destas situações e sinto me impotente, nem a minha filha nem ninguém tem culpa de ela ter nascido com o anjioma mas ela tem que viver com isso todos os dias. Não sei se tem alguma "dica" que me possa ajudar a "minimizar" o sofrimento da minha filha? Talvez possa falar de situações destas no seu novo programa de TV e ajudar os pais e filhos que passam pelo mesmo que nós, fica a sugestão. Obrigada

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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