O meu filho mente-me [.... e agora?]

12.6.14


Eles passam todos por estas fases.

Na primeira dizem a verdade, mesmo quando não lhes pedimos a opinião.

E depois vem a fase em que eles começam, aos pouquinhos, a mentir. De início aquilo vem misturado com histórias que se inventam e que se desejam e ainda não fica bem claro se é intencional ou não. E um dia percebemos que, na verdade, aquilo foi mesmo uma mentira. O que se faz agora?

1. Vínculo, vínculo, vínculo!

A coisa pode nem ser pesada mas é possível que o teu filho sinta que ou vai apanhar semelhante ralhete ou vais ficar decepcionada com ele. E sim, até pode ser... mas vamos lá pensar uma coisa - será que isso é mais importante do que ele estar à vontade para te contar a verdade?

Pára de gritar, de ameaçar, de lhe dizeres 'eu sei que estás a mentir...' naquele tom que faz a Angelina Jolie parecer uma menina de coro. Respira fundo e torna o ambiente seguro ao ponto dele não ter receio de te contar as coisas nem de te pedir ajuda para as resolver.


2. Então, correu bem a escola? Tens alguma coisa para me contar? Não? Ai não...? Sabes, é que fui chamado a uma reunião. A professora diz que andas a bater no André. E então, não tens nada para me contar?

Não lhe cries uma oportunidade para mentir. Embora a situação possa ser grave, diz-lhe directamente que sabes e que ele pode optar por ter já essa conversa contigo ou quando chegar a casa. Seja como for, a conversa vai acontecer.


3. Tu mentes?

Sim, tu? Aqui não se aplica o 'olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço'. Modela o comportamento. E sempre que faltares à verdade e ele estiver contigo, se achares que vale a pena, explica-lhe o porquê.


4. Porque é que não se mente?

Não é só porque é feio - é sobretudo porque é uma enorme perda de confiança no outro. Por outro lado, se nós não somos merecedores da verdade isso quer dizer que o nosso papel está em causa [segue para o primeiro ponto deste post!]. Explica-lhe isso: explica-lhe que a partir do momento em que se começa a mentir, deixamos de confiar na palavra uns dos outros. E mesmo que a uma determinada altura possamos estar a contar a verdade, o que pode acontecer é não acreditarmos porque, simplesmente, já mentimos tantas vezes que o outro tem todo o direito de não acreditar. Podes passar a mensagem com histórias como as do Pedro e o Lobo ou as do Rato Renato.

5. Agradece

A verdade não se agradece mas a confiança e a honestidade em contar o que aconteceu agradecem-se e merecem ser sublinhadas. Porquê? Primeiro porque te escolheu como pessoa a quem contar a verdade [de uma coisa não tão positiva, ou de um segredo, de um receio, whatever...!]. E depois porque implica coragem. E a coragem é de louvar.

Quando crias um ambiente favorável em tua casa, estás a fomentar os laços de confiança e de amor [o tal, que é incondicional]. É em casa e com os de casa que eles se devem sentir a salvo. Cria esse lar. Com calma. E, quando os apanhares a mentir, pensa porque razão poderás ter feito isso quando eras mais pequen@.Talvez te ajude a seres mais empátic@.

1 comentário:

  1. Ainda hoje conversava com a minha filha mais velha sobre a mentira. A verdade é que ela não mente. Sempre achei que ea porque nós não mentimos. A minha mãe também não nos mentia e sempre achei que é por isso que não minto e tenho mesmo dificuldade em mentir, mesmo as mentiras "boas" do tipo, "sim, essa saia fica-te bem". Mas essa questão da confiança é fundamental!

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