O meu filho bate!

19.6.14


À primeira vista pode parecer um paradoxo mas, a maior parte das crianças que batem são aquelas que têm medo. Ao lidar com esse medo, a criança fica tensa e, em vez de chorar e dizer o que sente, bate.


1.
A primeira coisa a fazer com uma criança que bate é fazer com que ela se sinta segura. O que, mais uma vez, parece um paradoxo. O que nós pretendemos é que o comportamento pare, seja através dos ‘dois berros!’, da palmada, castigo ou ameaça. Mas isso só vai adicionar mais medo. Também não estou a falar em sermos ‘fofinhos’ – estou a falar em segurança emocional, o que é bem diferente e envolve afectos e limites.

Dizia eu que a primeira coisa é fazer com que a criança se sinta segura. Idealmente, isso é feito antes. Por isso, sempre que for possível, liga-te à criança, aumentando o vosso vínculo. Neste blogue podes procurar a palavra ‘vínculo’ e vais dar aos posts que escrevi sobre o assunto. Podes acordar o teu filho mais cedo, por exemplo, e ficar no miminho. Podes escutá-lo com mais atenção. Quando nos sentimos ouvidos, sentimos que temos valor. E quando sentimos que temos valor e que temos valor para alguém, isso ajuda a que essa sensação de segurança esteja presente. É a famosa pescadinha-de-rabo-na-boca!

2.
No ponto acima falava em escutar. Apenas e só, sem necessidade de reparar a situação, ‘salvar’ a criança da situação ou das emoções que ela sente ou de atribuir uma justificação para o que aconteceu. Há alturas em que não temos como ajudar ou que a ajuda não é necessária ou não serve para nada. No entanto, escutar, de forma empática é determinante. Não é difícil… exige treino.

3.
Se o vínculo é importante, também é importante que a criança sinta que os pais estão lá. Não precisamos de actuar em tudo mas precisamos de deixar claro que estamos atentos e que vamos lá sempre que a situação peça. E quando vemos o nosso filho bater, chegamos ao pé dele e, com firmeza e sem grandes alaridos, impedimos que a ‘sapatada’ dele aconteça. Retiramos a criança do lugar para que ela e a outra fiquem em segurança. Este é o teu primeiro objectivo: garantir a segurança. E depois, e porque sabes o que vais fazer, e porque sabes que alguma coisa está a acontecer, vais escutar o que é que ela tem para te dizer. E depois, só depois, orientas o comportamento. É que nenhum comportamento é orientado quando as emoções estão ao rubro.

4.
Maslow dizia que há necessidades básicas que têm de ser asseguradas. E as emocionais são uma delas. Tal como a criança precisa de comida e de descanso para crescer, precisa também de se sentir ligada. Precisa de sentir que tem importância. É por isso determinante que possas encontrar momentos em que vais alimentar o lado dos afectos e da relação. Podes acordá-la mais cedo ou fazer o dia do filho único. E brincar muito. O vínculo é a chave de uma relação entre pais e filhos estável, saudável e com significado. Sem ela, tudo o resto não funciona. Nem bater.

[no próximo post, mais sobre este assunto]

1 comentário:

  1. Cláudia Rocha19 junho, 2014

    Acho que funciona mesmo!
    Não quer dizer que faça sempre isso. Há dias a minha mais nova deu com um boneco em cheio na cara da mais velha, e zanguei-me mesmo.
    No geral já percebi que a controlo melhor se a levar a bem.

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