5 formas de aplicar a Educação Positiva [Regras e Consequeências]

9.6.14




Num dos comentários ao post “As modernices da Parentalidade [a parentalidade positiva, a cutchi cutchi e as outras ]”, a Lénia deixa esta enorme questão:


[…] “tenho uma dúvida gigante: na EPP, como é que se lida com o não cumprimento das regras? Sem palmadas, sem gritos, sem castigos... com o quê, então? (Não é ironia!, quero mesmo perceber!). Suponho que terá que haver uma consequência para quando eles não fazem o que é suposto e não cumprem com o acordado. “

Eu gostava de te dizer que há regras para tudo nisto da EPP. Se acontecer A, tu dás-lhe com B e se ele fizer C tu atiras-lhe com D. Pois é, lamento mas não é assim. Dá muito mais trabalho do que isso. Mas também não é difícil e garanto-te que não precisas de fazer uma análise.
Como já disse várias vezes, a EPP é uma filosofia de vida. Como tal, tu não aderes a esta filosofia do dia para a noite se não a vives já no teu dia-a-dia.
Esta filosofia assenta no respeito mútuo entre pais e filhos. Já escrevi muito sobre o assunto e neste post está lá tudo bem resumido.
Como é que fazes para eles cumprirem as regras?

1.    TRABALHA A RELAÇÃO
Ninguém faz o que tu queres se não se sentir ligado a ti. Queres que os teus filhos cooperem contigo? Então trabalha a relação. Sê mais flexível, grita menos, brinca mais. Estás mesmo a ver o que está a acontecer, não estás? Pois é, o investimento é teu e grande parte dele é em ti e não neles.
Inspira-te neste que é um dos posts mais lidos e partilhados – formas de aumentares o vínculo com o teu filho.

2.    SÊ JUSTA
Educar NÃO tem nada a ver com autoridade. Tem muito a ver com medidas justas. Eles podem não concordar mas se são justas vão aceitar ou pelo menos refilar menos. E se refilarem, paciência. Tu sabes que a medida é justa e por isso sentes mais firmeza e sentes [em princípio] que a única coisa que tens de fazer é entender a frustração deles e seguir em frente, com o que lhes pediste.

3.    SÊ COERENTE
Não te sei explicar de outra forma mas a coerência, a par com a justiça são os ingredientes que legitimam a tua autoridade – e eu sei que disse que educar não tem nada de autoridade [se autoridade for igual a autoritarismo, claro!].
E lembra-te que há uma coisa que se chama ‘excepção’ e que significa realmente uma coisa que foge da regra. É bom que deixes claro quando elas acontecem e que, de todas as outras vezes haja a tal coerência.

4.    CONSEQUÊNCIAS
O teu filho está sempre a bater no irmão ou nunca arruma as coisas dele? Em vez de castigo, qual é que podem ser as consequências?
Tens de pensar qual é o valor que queres ensinar, nestes casos. É aqui que está o verdadeiro turning point. No primeiro caso pode ser que esteja em causa a segurança dos dois. Por isso podes dizer que não vais permitir que continuem a brincar para andarem ao murro e ao estalo porque tens receio que se possam magoar. No segundo caso também pode ser a segurança que está em causa ou então o facto de essa ser uma regra da casa para o vosso bem-estar. O bem-estar não estando assegurado, podes propor que a criança tenha ao seu dispor apenas meia dúzia de brinquedos, assegurando que os arruma [provavelmente com a tua ajuda]. O difícil nisto tudo é equilibrar isto com justiça, firmeza e não mandar tudo aos ares, porque ‘sou eu que digo’ e com frases como ‘aqui quem decide sou eu’.

5.    EU FALO FALO MAS ELES NÃO OUVEM
Pois, eu sei. E ignoram-nos. E queres que eu berre alto ou baixo? Diz-lhes o que sentes quando eles te fazem isso. E se estás chateada, não vale a pena dizer com voz fofinha e calma, ora bolas. Fala de ti. Diz-lhes que te sentes triste, desrespeitada e que precisas que cooperem contigo. Estabeleçam as regras, o que deve acontecer se A não acontecer e por aí fora. Passa-lhes a bola.


E por favor não me digas que não funciona porque funciona! Tens é de investir tempo e dedicação porque sem eles, como em tudo na vida não há resultados. Tens de ter maior tolerância à frustração, ser muito firme e não desistires no primeiro contratempo [porque vai haver!].
A maior dica? Trabalha a relação, explora bem este blogue e lê os textos. Como te disse, é uma filosofia de vida. Não mudas do dia para a noite mas eu sei do que falo e garanto-te que vale bem a pena. E quando isto começar a fazer parte do teu dia-a-dia, vais perceber que na EPP as regras existem e são muito firmes, claras e muito justas. E não tens mesmo de recorrer a ameaças ou chantagem nem a berros [adere ao Berra-me baixo!]


2 comentários:

  1. Só vi o teu post agora (porque a mensagem foi parar às "Outras" no facebook). Tenho uma palavra: OBRIGADA! E um abraço para te dar, quando te vir ao vivo, um dia destes... (Desde que falámos, via blogs, comecei a alterar umas coisinhas cá por casa. Grito muito menos. Há muito menos palmadas. Eles nem sempre colaboram mas, principalmente ela que é mais velha, já perceberam que houve mudanças e que a coisa até é melhor para o lado deles...)

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    Respostas
    1. PARABÉNS por investires nesta que é possivelmente a mais importante ligação que temos!
      Beijinhos minha querida! Tb te darei um abraço grande qd te vir :)

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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