Cenas da [minha] vida real

28.4.14
 Há dias em que, de um momento para o outro, as coisas complicam-se. 5ª Feira passada foi o dia.

Por norma, a 5ª feira é um dia bom - é dos dias que a minha filha mais velha mais gosta. É dia de piscina e é dia [sobretudo isso!] de moche ao professor de natação  no final da aula [professor altamente, leia-se!!] . Saem todos felizes. É o dia em que eu também vou nadar para a piscina dos grandes e que, cada uma na sua, partilhamos uma actividade e nos sentimos mais próximas.

Depois da aula é normal irmos buscar o mais novo e passarmos na mercearia que há ao lado. Porque íamos trazer algumas coisas, decidi colocar o rapaz no carrinho. Mas este carrinho é pequenino e não cabe mais nenhuma criança [ou bebé]  lá dentro. Foi o descalabro. A mais velha insistia que queria ir lá para dentro, para brincar com o irmão. E insistia entre ‘não sou mais tua amiga’ e uns choros pequeninos. 

Quando a coisa estava a acalmar e estávamos as duas a escolher maçãs, vem uma senhora que, na melhor das intenções [e que nunca tínhamos visto antes] lhe diz: 'então tu já és tão grande e agora queres ir para dentro do carro com o mano?'. E vira-se para mim e diz 'é o problema de ter dois - o mais velho tem sempre ciúmes...'.

Eu não consegui  responder… [tem-me acontecido com alguma frequência nos últimos tempos não conseguir responder a algumas coisas simplesmente porque acho que não há resposta possível].

Escusado será dizer que voltámos ao mesmo 'eu quero ir para dentro do carrinho!', com choro à mistura e bate pé,
Escusado será dizer que me passou muita coisa pela cabeça acerca das frases da senhora ainda que eu saiba que as intenções eram as melhores [mas caramba, não havia mesmoooo necessidade!]

 E quando finalmente consegui chegar ao carro, pousar os sacos, colocar o cinto ao mais novo, fiz aquilo que sei e que cura tudo isto:
Disse-lhe que tinha ficado triste por não a ter podido pôr no carrinho,
Disse-lhe que não o fiz não porque não goste dela ou para ser mazinha, mas simplesmente porque não dava [eu sei que ela sabia]
Abracei-a e ela chorou mais um bocadinho. E então dei-lhe um beijinho e arrancamos, sem dizer muito mais.
Quando olhei para o retrovisor, ela tinha adormecido.
E eu concluí que aquilo que eu sei funciona: o amor e o carinho resolvem tudo [e a calma e a paciência]

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1 comentário:

  1. Como eu te compreendo. Dou por mim tantas vezes calada porque não são conversas de circunstância que vão traduzir aquilo que penso. E birras vamos sempre ter, a maneira como lidamos com elas (e os teus exemplos e dicas são maravilhosos) é o mais importante. xx

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