Baixa as expectativas… espera! Não! Deves é ter altas expectativas…. Espera lá! Como é?

23.4.14


Há quem levante a sobrancelha quando digo, nos workshops, que devemos ter altas expectativas em relação aos nossos filhos. E vou ainda mais longe: devia ser mesmo obrigatório!

Eu admito que este início de texto possa confundir um pouco, sobretudo porque se costumas ler este meu cantinho é normal eu dizer justamente o contrário: baixa as tuas expectativas. E agora deu-me os 5 minutos e eu digo-te para fazeres completamente o contrário. Pois é… não é uma questão de 5 minutos. É que na vida nem tudo é preto nem tudo é branco. E há momentos em que devemos fazer justamente o contrário!

Eu passo a explicar:
É impressionante o resultado que temos quando temos altas expectativas em relação aos nossos filhos. Na maior parte das vezes a resposta deles fica à altura e, outras tantas, excede mesmo o que estávamos à espera.

Quando a única coisa que esperamos é que os nossos filhos façam A, então a forma como vamos comunicar com eles é totalmente diferente se achássemos que eles não seriam capazes de fazer A. Quando temos altas expectativas, vamos tratá-los como pessoas competentes, que precisam, volta e meia, de uma mão. Não vamos trata-los como pessoas diminuídas, incompetentes ou dizer, como tanto oiço [e até eu volta e meia sou contagiada!] ‘coitadinha’, com um sorriso condescendente. Não vamos dizer ‘por palavras, actos ou omissões’ : deixa lá, a mamã faz que tu não sabes….

Quando acreditamos que os nossos filhos têm competências e que podem esforçar-se, estamos a ajudá-los a florescer. Eles sentem-se auto eficazes. Sentem-se capazes. Têm fé neles e dão mais. Não estou a falar de exigência. Estou a falar de expectativas e estas expectativas são apropriadas e adequadas à idade e ao desenvolvimento dessa criança. E estou a falar de coisas simples como a capacidade que a criança tem, a partir de uma certa idade de se desenrascar e colocar manteiga na fatia de pão. Ou tomar banho sozinha. Ou vestir-se. Ou ser capaz de se exprimir sozinha. De dizer se gosta ou não. De ser responsabilizada pelo facto de se ter esquecido de uma coisa qualquer. De decidir que quer uns patins em vez de um skate. Ou se quer ir de calças para a escola, em vez de levar o vestidinho que lhe foi oferecido. Enfim, acho que me faço entender. E nestas coisas simples e do quotidiano, quer-me parecer que tantas e tantas vezes [seja por conforto nosso – quando atamos os atacadores deles de manhã a coisa vai mais rápido] nivelamos por baixo. E isso é mau. Muito mau. Cria uma cultura de pessoas medíocres, que andam por verem andar os outros. Que não se esforçam e que, ainda por cima se queixam sem fazerem nada para mudar. Que não conhecem a satisfação que temos quando nos esforçamos, quando damos o melhor que temos, quando vamos mais longe do que aquilo que pensávamos que seriamos capazes. É bom termos altas expectativas em relação a nós! E em relação aos nossos filhos. E é absolutamente impressionante a resposta que eles nos dão quando elevamos a fasquia.

Experimenta! Vais ficar impressionada!



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2 comentários:

  1. A minha, no alto dos seus 27 meses, já me diz constantemente quando tento lavar-lhe os dentes ou dar-lhe banho: "Mãe, a Alice sabe!", "Mãe, a Alice faz!" e fica mesmo chateada se tento fazer por ela. Respondo-lhe que sim, que ela já está muito crescida e ajuda muito a sua mãe mas que, às vezes, também eu quero ajudar-lhe.
    Todos os dias eles são uma surpresa para nós, todos os dias a aprendizagem é mútua.

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  2. já fiz, aliás sempre fiz, a minha filha toma banho (quase) sozinha desde os 3 anos e pouco, por vezes, até acho que exagero, a verdade é que quanto mais segura ela se sente, mais autónoma fica, só é pena o sentimento de mãe galinha de ver a pintainha a crescer tão rápido ;O)

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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